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	<title>Ceticismo Aberto &#187; Ceticismo</title>
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	<description>Paranormal e Ufologia sem ofender sua inteligência</description>
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		<title>Resultados do concurso &#8220;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 03:45:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[ceticismoaberto]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Agradecemos a todos os participantes do concurso, recebemos dezenas de mensagens e foi uma tarefa difícil selecionar cinco ganhadores! Buscamos escolher tanto as respostas mais concisas, quanto as mais representativas de todas as enviadas. As mensagens premiadas com exemplares ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;<img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="concursoshermer   Resultados do concurso &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo;" border="0" alt="concursoshermer ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/concursoshermer.jpg" width="600" height="404" /></p>
<p>Agradecemos a todos os participantes do concurso, recebemos dezenas de mensagens e foi uma tarefa difícil selecionar cinco ganhadores! Buscamos escolher tanto as respostas mais concisas, quanto as mais representativas de todas as enviadas.</p>
<p>As mensagens premiadas com exemplares do livro “<a href="http://jsneditora.com/JSN_Editora/Por_que_as_pessoas_acreditam_em_coisas_estranhas.html" target="_blank"><strong>Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas</strong></a>”, do fundador da <em>Skeptics Society</em> <strong>Michael Shermer</strong>, um lançamento e cortesia da <a href="http://jsneditora.com/" target="_blank">editora JSN</a> são:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="5" width="601">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="449">
<blockquote>
<p>“Por que se acredita em algo estranho? Creio que a necessidade de crer em algo &#8211; que a princípio seja inexplicável &#8211; reconforta-nos à medida que nos distancia do mistério. O desconhecido nos deixa sem chão, inseguros. E por mais que algo nos apresente uma explicação pouco racional, ainda assim é algo a que se apegar. </p>
<p>Até os meus oito anos de idade eu acreditava que luzes estranhas que havia visto no céu, sobre minha casa, eram discos voadores. Estranhamente, a ideia de seres alienígenas rondando meu quintal era mais reconfortante que não saber nada. Essa curiosidade e fascínio pelos alienígenas me levou a ler e procurar saber mais sobre eles. A partir daí um leque de informações sobre espaço, tecnologia e teorias da conspiração se abriu para mim. Virei um &quot;rato de biblioteca&quot;, a começar pela existente em minha casa. Esse alicerce de informações que acumulei &#8211; ainda que supostamente fantasiosas &#8211; me deram mais segurança para observar as mesmas luzes, anos depois. Ironicamente, depois de dominar o assunto sobre as &quot;luzes alienígenas&quot;, as mesmas desapareceram. Mas a lição ficou: para entender algo se deve investigá-lo, usar a curiosidade para acumular experiências. </p>
<p>As luzes no meu quintal me trouxeram uma outra luz: a do conhecimento.”              <br />- <strong>Ricardo Ferro, Bahia</strong></p>
</blockquote>
</td>
<td valign="top" width="150"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="ricardoferro   Resultados do concurso &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo;" border="0" alt="ricardoferro ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/ricardoferro.jpg" width="150" height="174" /></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="449">
<blockquote>
<p>“Hoje tenho 24 anos e acreditei em espíritos e em mediunidade até o final da minha adolescência. </p>
<p>Com 14 anos, tempo de grandes turbulências, me fora dito que eu teria uma &quot;missão&quot; muito importante nesta vida: ser médium. Desta forma, eu deveria obrigatoriamente exercitar minha mediunidade a fim de me livrar dos transtornos mentais que me afligiam naquela época. A partir daí, iniciei um curso de disciplina mediúnica até ser capaz de incorporar entidades “do além“. </p>
<p>Por conta dos trabalhos mediúnicos na casa espírita, eu acreditava que poderia ajudar os espíritos sofredores a encontrarem o caminho da luz no plano espiritual. Acreditei em tudo isso devido ao que aprendi sobre Espiritismo Kardecista, religião predominante na minha família desde a época dos meus bisavós.</p>
<p>A crença de estar em contato com espíritos e poder ajudá-los trazia conforto e me distanciava da realidade, fazendo sentir-me útil, especial e diferente. Quaisquer problemas, como uma doença ou uma sensação ruim, eram considerados de origem espiritual, não sendo necessário lidar com eles diretamente, já que “doutrinar” o espírito que incomodava era o suficiente.</p>
<p>Eu não tinha identidade própria, nem tive uma adolescência normal. Eu vivia em delírio, e não sabia.”              <br />- <strong>Patrícia Bueno, São Paulo</strong></p>
</blockquote>
</td>
<td valign="top" width="150"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="patricia 010   Resultados do concurso &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo;" border="0" alt="patricia 010 ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/patricia-010.jpg" width="150" height="196" /></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="449">
<blockquote>
<p>“Um dia, antes dos meus dez anos de idade, eu estava brincando sob o sol no quintal com alguns objetos, dentre eles uma bacia, uma mangueira jorrando água e um pequeno espelho (o que uma criança estava fazendo com isso? Não lembro).              </p>
<p>Por acaso, descobri que ao mergulhar o espelho dentro da bacia com água o reflexo da luz do sol criado por esse conjunto não era um reflexo ao qual eu estava habituado a ver. Apontei o reflexo para dentro de casa, através da janela, deixei a bacia posicionada no chão e corri para dentro ver o que estava se formando. Fiquei admirado com o que vi: um pedaço de arco-íris na parede da sala, tremulando ao ritmo das ondas provocadas pelo vento na água da bacia lá fora. Chamei minha mãe para ver.               </p>
<p>Ela veio, olhou espantada e ordenou que eu retirasse aquilo, pois trazia “mau agouro” para dentro de casa. Desmanchei o aparato sem questionar.               </p>
<p>Muito tempo depois resolvi perguntar à minha mãe o porquê daquilo trazer o tal “mau agouro”. Ela respondeu que não sabia, e que por achar estranha aquela imagem dentro de casa, concluiu que não era algo bom. Passei anos até repetir aquela experiência simplesmente porque imaginava que aquilo trazia má sorte, e a única razão para pensar assim foi porque alguém havia dito isso.”               <br />- <strong>Renato Uchôa Brandão, Tocantins</strong></p>
</blockquote>
</td>
<td valign="top" width="150"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="renatouchoa   Resultados do concurso &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo;" border="0" alt="renatouchoa ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/renatouchoa.jpg" width="150" height="118" /></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="449">
<blockquote>
<p>“Quando eu era pequena, acreditava que a palavra ‘laranja’ era palavrão. Isso mesmo! Palavrão!              <br />Por quê? Sempre me perguntei isso, mas me lembro que tinha medo de falar a palavra, por achar que era palavrão de fato.</p>
<p>Às vezes acreditamos em algo estranho por não compreender do que se trata, por simplesmente se tratar do desconhecido.&#160; O simples fato da coisa não ter explicação já tem aquele ar mágico, inexplicável.</p>
<p>Há também a questão do livre arbítrio&#8230; As pessoas escolhem no que acreditar, por vários motivos. A escolha por acreditar em Papai Noel, Maomé ou no fim do mundo em 2012 nos faz, meros seres humanos, pessoas incríveis, justamente por ter o poder de escolha, motivado pela insegurança ou medo do desconhecido.”              <br />- <strong>Talita Nieps, São Paulo</strong></p>
</blockquote>
</td>
<td valign="top" width="150"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="talitanieps   Resultados do concurso &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo;" border="0" alt="talitanieps ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/talitanieps.jpg" width="150" height="137" /></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="449">
<blockquote>
<p>“Eu confesso: eu acreditava em Chico Xavier.              </p>
<p>Acreditava porque minha mãe sempre falou dele como uma pessoa de bem. Acreditava porque milhares de familiares se diziam consolados por suas cartas. Acreditava porque, tendo eu nascido em 1980, a força de seu mito no Brasil já estava mais do que consolidada, tendo ele sido eleito “o mineiro do século”, superando nomes como o de Alberto Santos Dumont.               </p>
<p>Mas mudei. Essa mudança foi gradativa. Primeiro vieram as fotos de materializações com a médium Otilia Diogo, uma fraude em que Chico estava envolvido. Porém, como ele não era o médium principal do caso, ainda se podia alegar que o maior médium do país havia sido ingênuo. Mas pouco depois descobri que seu guia espiritual, Emmanuel, que se dizia um senador romano dos tempos de Cristo chamado Públio Lentulus, jamais havia existido na vida real.&#160; O próprio nome da entidade era incoerente,misturando português (Públio) com latim (Lentulus). E soube ainda que tal entidade havia se materializado pelo próprio Chico! Já não era mais possível arranjar desculpas para sustentar minha crença em Chico como médium legítimo. Resolvi ir a fundo nos seus escritos, realizando pesquisa própria, e descobri que suas psicografias não passavam de plágios! Plágios e mais plágios de dezenas de livros. Nem o mito de que ele era semi-analfabeto se sustentava. Seus próprios amigos, como Waldo Vieira, acusaram-no de fraude anos depois de sua morte.</p>
<p>Hoje só sinto vergonha. Vergonha de um dia ter acreditado nele.”              <br />- <strong>Vitor Moura, Rio de Janeiro</strong></p>
</blockquote>
</td>
<td valign="top" width="150"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="vitormoura   Resultados do concurso &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo;" border="0" alt="vitormoura ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/vitormoura.jpg" width="150" height="99" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Muitos dos participantes também autorizaram gentilmente a reprodução de suas mensagens. Por que você acreditava em uma coisa estranha?</p>
<p>“Após recomeçar este parágrafo umas 15 vezes percebi que não poderia responder à pergunta acima, pois mesmo depois de rejeitar Deus, OVNIs, etc, eu ainda acredito em coisas estranhas. Acredito, por exemplo, que vivo em um universo de 13 bilhões de anos com mais de 100 bilhões de estrelas. Acredito que este mesmo universo foi formado a partir de uma flutuação quântica no nada, no princípio da incerteza e na não localidade. Acredito ainda que sou feito basicamente de espaço vazio e que chimpanzés são meus parentes mais próximos. Assim, se não pela estranheza, por que não levo mais aquelas hipóteses a sério? Bom, não as rejeitei por serem estranhas, mas sim por que não encontrei nenhuma evidência que as corroborassem. Uma vez que decidi que o conforto que uma idéia traz não nos diz nada sobre seu valor de verdade, não tinha nenhum motivo para continuar acreditando. Mas por que acreditei algum dia? Talvez o principal motivo seja que o universo não é de forma alguma um lugar normal, e nossa curiosidade nos impele a tentar entendê-lo. E todas estas crenças estranhas como Deus e espíritos ainda podem nos parecer mais plausíveis que as alternativas científicas, principalmente quando buscamos sentido e auto-importância. Em um primeiro momento a realidade parece estranha demais para ser verdade e sem um pensamento cético, que custei a desenvolver, somos tentados, parafraseando Sagan, às respostas fáceis e não às perguntas difíceis.”   <br />- <strong>Gabriel Félix</strong>, Membro do Grupo <a href="http://www.evolucaoemfoco.com.br/" target="_blank">Evolução em Foco</a></p>
<p>“Eu acreditava em muitas coisas estranhas, tais como o sobrenatural, discos voadores, homeopatia, teorias da conspiração e astrologia. quando não temos conhecimento, elas nos explicam muito sem que tenhamos que pensar, explico melhor: quando vemos uma luz estranha no céu, é muito mais fácil pensar que é um disco voador do que pensar que aquilo que vimos é um efeito natural incomum, pois precisaríamos pesquisar e ler para entendê-lo melhor. É muito mais fácil aceitar a homeopatia como verdade do que pesquisar sua origem e seus verdadeiros efeitos (ou falta deles). Acreditei em astrologia por um bom tempo, fazia parte do meio em que eu vivia, quase todas as pessoas que eu conhecia eram ligadas a astrologia.Antes de descobrir que ela é uma pseudo-ciência, eu lia horóscopo diariamente, era uma necessidade e um alívio, a visão de que tudo acontece por um motivo é animadora. Sintetizando os meus porquês de ter acreditado em uma coisa estranha: a influência de quem é próximo a mim; a falta de questionamento que nos é as vezes imposto por pais, professores e religião; a acomodação intelectual e principalmente, a falta de informação. Me tornei cético depois que comecei a ler, estudar e pesquisar mais, me tornei curioso e aprendi que devo questionar o máximo possível antes de acreditar em algo, principalmente que não pareça lógico. Outra versão para eu ter me tornado cético é: eu conheci o site ceticismo aberto&#8230;”   <br />- <strong>V.S.</strong></p>
<p>“Na verdade eu ainda acredito em uma coisa estranha: que eu não acredito em nenhuma coisa estranha. Isso por causa de diversos processos mentais que intereferem na cognição como seleção de indícios, preconcepções, instintos, emoções&#8230; Assim, tudo em que eu acredito me parece absolutamente natural e normal &#8211; mesmo quando indícios sólidos contrariam fortemente.”   <br />- <strong>Roberto Takata</strong></p>
<p>“Creio que todos nós acreditamos no que nos ensinam quando crianças. Assim, em nós, os conceitos são formados de acordo com as informações que nos são transmitidas pelo meio em que vivemos. Na medida em que o tempo passa, com a maturidade, surgem os questionamentos a respeito de tudo o que aprendemos e com eles a aceitação definitiva ou a rejeição do que até então para nós era considerado uma verdade. Foi isto o que aconteceu comigo, na atualidade me considero cético em relação a quase tudo o que me cerca ou em relação às informações recebidas no passado. Isto me preocupa um pouco porque ainda não assumi definitivamente, o meu ceticismo, que,no entanto, acho lógico e racional.”   <br />- <strong>José Luiz Britto Bastos</strong></p>
<p>“Lá pelo final da década de80, quando eu ainda era um fedelho, uma tia minha, entusiasta da ficção científica, tentou me explicar sua interpretação do filme 2001: uma odisséia no espaço. Ela contou sobre os antigos hominídeos, que após encontrarem um “pedaço de vida” iniciaram sua jornada evolutiva rumo à racionalidade. Mas eu escutei mal, e ainda me lembro de ter entendido “pedaço de vidro”, e sendo o filme baseado em fatos científicos, por muito tempo, imaginei a grande importância desse material, que além de nos ser útil na fabricação de copos e janelas, também proporcionou aos nossos ancestrais um considerável aumento de inteligência. Pensava que talvez o simples fato de tocar em objetos de vidro poderia me ajudar a “evoluir”, aguçando minha inteligência, permitindo que eu vencesse facilmente os grandes desafios da vida! Não me lembro muito bem quando descobri minha falha de compreensão, talvez um dia, já mais maduro, percebi que não podia ser isso. De qualquer maneira, achei perfeitamente compreensível ter sustentado esta “crença estranha”, uma vez que a realidade, de um modo geral, é estranha, ainda mais numa fase da vida em que estamos descobrindo o mundo. A própria teoria evolutiva, a mecânica quântica e a moderna cosmologia são exemplos de “coisas estranhas”, sob certo ponto de vista. Logo, não devemos nos repreender por acreditarmos em coisas estranhas, mas sim buscarmos separar as que são corroboradas pelas evidências daquelas que não são.”   <br />- <strong>Aldo R. Fernandes Nt</strong></p>
<p>“Sempre olhei para o céu com uma sensação de medo e reverência. O brilho de estrelas, planetas, satélites e todos os orbes possíveis e imagináveis, ao mesmo tempo que me tirava o sono, em profunda reflexão, me fazia sentir feliz por, de alguma forma, saber que, com toda aquela vastidão, não poderíamos estar sozinhos. O interesse por astronomia, a científica, a acadêmica, surgiu antes da ufologia em si. Eu lia Arhtur C.Clarke, Isaac Asimov, e, embora todas aquelas maravilhas pudessem ser possíveis, não cria em fenômenos como o dos UFOs nos visitando. Porém, a adolescência veio e com ela a dúvida que, uma vez iniciada em todos os seres humanos, dificilmente é respondida. Os UFOs tinham de existir. Os homenzinhos verdes estavam entre nós.Havia uma conspiração governamental mundial para encobrir tudo. O assunto parecia mais interessante que as nebulosas, galáxias, quarks, nêutrons, etc. Durante muito tempo, acreditei nessas visitas. Embora sempre fosse leitora de divulgação científica, o método científico em si nunca me havia sido apresentado. Falha na educação desse país – sempre estudei em escolas públicas – ou falha minha. O caso é que, quando conheci um dos maiores manuais de pensamento científico, O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan, percebi o quanto as pessoas acreditam apenas no que querem acreditar. Essa a importância do pensamento científico: a possibilidade de não transformar nossos conhecimento sem dogmas.”   <br />- <strong>Valdirene Kerschner</strong></p>
<p>“Eu provavelmente já acreditei em várias coisas estranhas por diferentes motivos. Algumas crenças têm relação com as crenças valorizadas pelos meus familiares e conhecidos que acabaram me influenciando (religião, superstições). Outras me fisgaram por oferecerem uma realidade improvável, mas inspiradora, inebriante e excitante (o segredo, teorias conspiratórias, pseudociências). Por algum tempo também me faltou incentivo e até mesmo instrução para ter um pensamento cético e questionador de ideias. Especialmente no Brasil, às vezes somos implicitamente levados a pensar que pode ser inconveniente criticar as ideias de outras pessoas e aprendemos a olhar com maus olhos aqueles que questionam – uma política da boa vizinhança para lidar com a sensibilidade a críticas que se enraizou por aqui. Isso pode ser muito ruim, pois não podemos empreender avanços no conhecimento humano sem o confronto honesto e embasado de ideias e sem a contínua renovação de ideias. Acontece que é confortador e conveniente para muitas pessoas permanecerem estagnados aonde suas ideias se encontram, pois seus interesses e necessidades já são atendidos. O grande problema da política da boa vizinhança radical é que corremos o risco de cair em um círculo vicioso onde ninguém critica as ideias de ninguém, não averiguamos se nossas crenças são estranhas e não saímos do lugar.”   <br />- <a href="http://scienceblogs.com.br/socialmente/" target="_blank"><strong>André Rabelo</strong></a></p>
<p>“É até meio simples dizer por que eu acreditava em uma coisa estranha. Acreditava simplesmente porque fui condicionado a isso através do medo. Minha avó e minha mãe me contavam (quando eu tinha uns 5, 6 anos, por aí&#8230;) sobre histórias que elas “presenciaram” &#8211; tudo balela delas para nos assustar. Como de um garoto que comeu uma fruta amaldiçoada e seu estômago explodiu, e uma senhora que assumiu ter feito uma “macumba” para ele no enterro do menino. Não é de se estranhar que eu não só acreditava, como também temia macumba, não? Outro exemplo foi um “peixe preparado” que meu bisavô comeu, enlouqueceu e morreu. Bom, o fato de o peixe ter sido guardado por dias em uma gaveta certamente não tem nada a ver com isso, claro. Mas com certeza o melhor foi quando eu era obrigado a freqüentar uma determinada igreja que me assustava para caramba! Sim, me assustava porque todos lá fingiam que recebiam o Espírito Santo, ficavam rodando e pulando. Eu sempre os considerei loucos, e pessoas loucas me assustam. Enfim, eles eram muito fortemente contra a macumba e viviam contando “causos” sobre macumbeiros que largaram tal prática após verem satã, e coisas assim. Engraçado é como eles se portavam de maneira exatamente igual à dos “macumbeiros”, com giros, falas estranhas e gritos&#8230;”   <br />- <strong>Danilo Silva</strong></p>
<p>“Eu acreditava por que era mais simples simplesmente acreditar. Perguntar, pesquisar, contestar, duvidar, poderiam me levar a um mundo desconhecido que eu considerava ameaçador. O mundo da fantasia era mais simples e belo. Ao decidir tomar a pílula vermelha, a realidade que surgiu à minha frente fez-me sentir derrotado, vazio e com a sensação de que parte importante de mim sempre fora uma ilusão. Mas estranhamente senti-me muito mais leve sem as correntes da ignorância. A sensação de que não seria mais manipulado, de que não sabia tudo, é verdade, mas de que poderia procurar as respostas sem medo de decepcionar-se, isso me confortava. Com o tempo aqueles absurdos foram ficando em minha lembrança como parte de meu passado, e que agora teria uma missão, oferecer também a pílula vermelha do conhecimento aos que tivessem a coragem de tomá-la.”   <br />- <strong>Julio Moura</strong></p>
<p>“Por medo de contrariar a sociedade.   <br />Por medo de ter que aceitar que, pessoas que você ama, possam estar erradas    <br />Por medo de aceitar que nem tudo lhe é conveniente    <br />Por medo de estar certo e se deparar com uma realidade não tão agradável.    <br />Por medo de estar errado e sofrer retaliações de pessoas mesquinhas.    <br />Por medo de expandir sua mente a um tamanho irreversível.    <br />Por medo de abrir mão do conforto da fantasia.    <br />Por medo de sofrer preconceito.    <br />Por medo de ter que ser coerente e maduro.    <br />Por medo de ter que enfrentar qualquer pessoa sozinho para defender seu ponto de vista.    <br />Pelo simples medo de ter medo.”    <br />- <strong>Lucas K-prA</strong> </p>
<p>“Quando nos aproximávamos do ano 2000, no alto de meus 12 anos eu acreditava ingenuamente na boataria de que o mundo dava seus últimos suspiros. O ano novo chegou e não só o mundo não acabou como continuou exatamente como sempre foi: as pessoas seguiam suas vidas normalmente e a natureza não tinha entrado em colapso. Por que acreditei em algo tão estranho? Simplesmente porque era mais fácil seguir o desespero coletivo, entrar na inércia da crença pela crença, da vontade de fazer parte daquele momento de mistério e dúvida. Eu era uma criança, sim, mas aprendi muitas coisas com o episódio. Se o pensamento raso fazia pessoas acreditarem em mundos que terminam sem motivo era também essa a razão pela qual acreditavam em fantasmas, demônios, fadas, contatos com alienígenas, chupacabras e coisas que o valham. Comecei a duvidar. E duvidar foi essencial para me fazer enxergar o mundo como realmente é, sem mistérios nebulosos e eventos duvidosos.”   <br />- <strong>Di Spagnuelo</strong></p>
<p>“Até agora não sei como pude ser tão ingênuo por cerca de 23 anos. Fui criado desde meu nascimento em uma família espírita muito praticante, e participei ativamente do chamado &quot;movimento espírita&quot; pela minha adolescência e juventude. Acreditava em muitas coisas estranhas como espíritos, reencarnação, mediunidade e aquelas baboseiras de &quot;energia&quot; como telepatia ou sintonia espiritual. Acreditei também em homeopatia, que é uma coisa muito, mas muito sem nexo mesmo. Acho que a coisa mais absurda que já cheguei a acreditar um dia foi a existência de deus, &quot;algo tão complexo que não temos entendimento suficiente para compreender&quot;. Mas respondendo à pergunta, me parece que o porquê de tudo isso foi realmente um grande ingenuidade. Para a maioria das pessoas, imagino que a fraqueza emocional é que seja a culpada, mas eu não fui buscar a religião, ela já estava na minha família. Mas fui muito ingênuo ao confundir a pseudociência (o espiritismo prega ser ciência, filosofia e religião ao mesmo tempo) com ciência. Infelizmente acho que essa linha pseudocientífica das religiões é o &quot;falso profeta&quot; dito tanto nas bíblias. Ela induz verdade onde não há. Hoje em dia tenho mais repúdio a esta linha que à fé fanática e cega.”   <br />- <strong>J.H.S.R.</strong></p>
<p>“Durante vários meses quando estava na quarta série, minha professora (que deveria ser muito supersticiosa) contou sobre casos de alienígenas que levavam as pessoas. Realmente não sei o que ela tinha na cabeça quando nos contou isso (visto que éramos crianças) mas me lembro perfeitamente que ficava com muito medo (principalmente à noite) já que ela nos informou que eles (os ETs) preferem pessoas do interior (por serem mais limpas dos poluentes). Acontece que eu era do interior. Com o passar dos anos e lendo bons livros e blogs, vi que nada disso era real. Melhor pra mim&#8230;”   <br />- <strong>Wesley Santos</strong></p>
<p>“Porque torna mais fácil a vida&#8230; Nem sempre temos resposta pra todas as coisas&#8230; e a ilusão se torna um caminho menos doloroso.”   <br />- <strong>Fernando Sylva</strong></p>
<p>“Porque eu tinha medo ou preguiça do desconhecido&#160; e uma explicação&#160; sobrenatural que desafia a lógica do mundo em que vivemos é sempre mais interessante do que escutar um cientista &quot;chato&quot; com sua explicação &quot;chata&quot;.”   <br />- <strong>Rodrigo Ramalho</strong></p>
<p>“Dizer que eu acreditava em uma coisa estranha porque minha espécie evoluiu com a curiosidade atenuada é uma resposta generalizada e óbvia, hoje confesso que acreditava porque eu queria acreditar e aprendi que buscar a verdade, independente de minhas expectativas, é o que me torna, de fato, mais humano.”   <br />- <strong>Fabrício Bass</strong></p>
<p>“Eu acreditava em homeopatia. Acreditava porque desde pequenininha um monte de gente na minha família tomava as bolinhas, e elas eram tão docinhas&#8230; Conforme fui ficando mais velha, percebi que essa é uma lenda que ainda se perpetua por muitos lugares e entre pessoas por ai. E tem muita gente muito mais inteligente que eu que ainda acredita. E na verdade, esse mito comprovadamente falso é tão grande, que mesmo hoje eu me peguei comprando um daqueles frasquinhos que já vêm prontos na farmácia; o efeito prometido é acabar com a ansiedade. Mesmo sabendo que é um grande placebo alcoólico, tomo as gotinhas na hora de estresse, mais para ter um tempo para respirar do que qualquer outra coisa. Tem coisas que mesmo quando a gente sabe que é mentira, continua carregando pela vida&#8230;”   <br />- <strong>Gabriela Hesz</strong></p>
<p>“Estranho era Papai Noel, dava presentes sem nada em troca, exigia que eu me comportasse ao longo do ano, nem sempre isso ocorria, e mesmo assim eu era presenteado. Enfim, eu acreditava, pois eram evidentes os fatos, eu ganhava presentes, logo ele existia! Assim também foi com o Coelho da Páscoa. Mas um dia flagrei meus pais depositando os presentes sob a árvore de Natal, então começaram as minhas inquietações. Será que o coelho da Páscoa também não existe? Faz sentido, ovo de chocolate é muito estranho, que animal produz ovos de chocolate?! Pois bem, comecei a desconfiar de tudo e de todos. No colégio de freiras me diziam para ir à igreja para pedir coisas para o Papai do céu &#8211; isso sim é muito estranho, é mais estranho que Papai Noel – que nunca me deu nada, então passei a não acreditar nesta coisa estranha! Acreditar em coisas estranhas é uma mescla de imaginação com poder de ignorância! Temos que criar correlações estapafúrdias e fechar os olhos para os fatos que provam o contrário. Quando eu estava na fase de troca de dentes existia &#8211; eu juro! &#8211; a fada do dente! Eu colocava meu dente debaixo de uma pedra e em poucos minutos surgiam alguns trocados. Era fantástico! Só fiquei frustrado ao perceber que o número de dentes em minha boca era finito. Simplesmente eu acreditava em coisas estranhas, pois não tinha capacidade para propor uma hipótese alternativa e nem queria, pois me eram bastante oportunas. A lástima hoje é que nada adianta eu acreditar em coisas estranhas!”   <br />- <strong>Fernando Dornelles</strong></p>
<p>“Até alguns anos atrás, acreditava piamente em um Deus pessoal, monitorando cada vida no universo, realizando milagres, e punindo infiéis. Logo cedo, a religião foi moldando minha personalidade (deixando resquícios duradouros).Cheguei a primeira comunhão aos dez anos. Aos poucos fui me afastando da igreja, até deixar de ir, definitivamente. Acho que, no fundo, só queria saber o gosto da hóstia. Sonho antigo. Uma vez alcançado, a igreja tornou-se desinteressante. Fato é que, mesmo após o afastamento, algumas ideias cristãs permearam minha mente por mais algum tempo. Eu não lutava contra esse sentimento. Aquilo,de alguma forma me confortava. A existência de um Deus, só me traria vantagens, como por exemplo, por exemplo&#8230; Bem, a partir daí os questionamentos começaram. Vida eterna! Ah… Uma ideia interessante, não? Basta seguir os ensinamentos bíblicos, e adorarmos, adorarmos e adorarmos ao Senhor até a exaustão. É um investimento arriscado. Dedicar uma vida inteira por nada? Aliás,adorar ao Senhor deve tornar-se um hábito, pois estamos destinados a realizar essa tarefa durante Toda a Eternidade. Conforme as dúvidas apareciam, minha crença ia se dissipando, até não sobrar mais nada. Por um momento da minha vida, senti raiva de Deus, por seu sarcasmo, egoísmo e sua necessidade de auto-promoção, tudo relatado na bíblia sagrada. Ainda bem, e para o nosso bem, que provavelmente não existe um Deus pessoal, monitorando cada vida no universo, realizando milagres, e punindo infiéis.”   <br />- <strong>Felipe Pantoja</strong></p>
<p>“Meu nome é Leonardo e sim, eu acreditava em coisas realmente estranhas. Estranhas e excêntricas como o Coelhinho da Páscoa, Jesus Cristo e Papai Noel. Atualmente eu acredito que todas as personas anteriores não passem de invenções saídas de mentes muito criativas, apesar de eu não possuir meios para provar que o Coelhinho da Páscoa realmente não exista, porquanto também não existem provas históricas confiáveis que sustentem o contrário. Em meio a esse ceticismo todo, eu insisto em acreditar em algumas coisas muito estranhas, como a física quântica e abiogênese, por exemplo. Explico &#8211; eu não posso dizer que entendo a física quântica, mas eu ainda assim acredito em sua existência. Eu sei que não existe uma prova concreta sobre a origem da vida a partir de elementos não biológicos, mas eu ainda assim acredito que ela tenha ocorrido ao menos uma vez em uma época remota. Com o passar do tempo, questionei o motivo da minha crença inicial em coisas estranhas. Existe o fator da verdade anciã, que na infância é muito forte. Também existe o simples fato das festividades envolvidas oferecerem uma oportunidade de reunião familiar tão apreciada e ultimamente rara. Mas podemos também simplificar e generalizar a equação: Acredito simplesmente porque me é conveniente. No final, a derradeira conclusão é que não há uma única variável responsável pela crença das pessoas em coisas tão excêntricas como as encontradas neste portal.”   <br />- <strong>Leonardo Vegini</strong></p>
<p>“Eu acreditava que os animais falassem, mas como nos filmes e gibis, preferissem esconder isso dos humanos pela própria segurança. Eu acreditava que fantasmas existiam em casa, pois diversas vezes ouvi sons de passos, talheres mexendo, móveis saindo do lugar, e mesmo dos sons de Super Mario pouco antes de virarmos a chave e entrar em casa. Eu acreditava que certa vez eu e minha irmã flutuamos ligeiramente acima do chão sobre a sala para chegar à cozinha, para não pisar no piso que a empregada tinha acabado de passar pano. Eu acreditava em espíritos malévolos que conversavam conosco e provocavam acidentes inexplicáveis quando brincávamos de jogo do copo, compasso ou outros derivados de ouija. E eu acreditava nisso porque experimentei: eu vi, ouvi, senti e lembro disso tudo acontecendo. Nenhuma outra memória ou explicação sobrepôs esses fatos, a maioria corroborados pela minha irmã, que sempre esteve junto. Contudo, eu aprendi o quanto a memória é falha, como nossos sentidos nos enganam, como coincidências acontecem todo o tempo e somos levados a crer que são especiais. Eu aprendi a aceitar que por ser humano, coisas estranhas aconteceram e vão continuar a acontecer ao meu redor. Acreditava em coisas estranhas pela experiência, mas aprendi que com razão e pensamento crítico, eu posso desacreditá-las.”   <br />- <strong>Bruno Kim Medeiros Cesar</strong></p>
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		<title>Anjo surge em Fotografia em uma Igreja de Maring&#225;?</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 22:15:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Fotos de Fantasmas]]></category>
		<category><![CDATA[anjo]]></category>
		<category><![CDATA[extraterrestres]]></category>
		<category><![CDATA[fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[“O fenômeno ocorreu no dia 7 de novembro de 2011. A foto foi tirada por um celular de uma das fieis da igreja Batista Renovada &#8211; Missão da Fé &#8211; na avenida Mauá, em Maringá, Paraná. A entrevista foi concedida ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/2nrODP4FHZM" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<blockquote><p>“O fenômeno ocorreu no dia 7 de novembro de 2011. A foto foi tirada por um celular de uma das fieis da igreja Batista Renovada &#8211; Missão da Fé &#8211; na avenida Mauá, em Maringá, Paraná. A entrevista foi concedida ao programa de Oséias Miranda da TV Maringá, Rede Bandeirantes”.</p>
</blockquote>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="anjofotomaringa   Anjo surge em Fotografia em uma Igreja de Maring&aacute;?" border="0" alt="anjofotomaringa ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/anjofotomaringa.jpg" width="500" height="368" /></p>
<p>Capturada dentro de uma igreja por uma fiel, não é surpresa que a figura luminosa tenha sido interpretada como uma “criatura celestial”. Há no entanto uma explicação muito simples à imagem: a “criatura celestial” é apenas uma pessoa iluminada por uma fonte de luz próxima do teto, saturando o sensor da câmera de baixa qualidade do celular.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="anjoluz321   Anjo surge em Fotografia em uma Igreja de Maring&aacute;?" border="0" alt="anjoluz321 ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/anjoluz321.jpg" width="500" height="366" /></p>
<p>Na imagem filtrada acima, vemos como a luz de maior intensidade que banha a pessoa se estende até o fundo, vindo da direção superior esquerda até a inferior direita. Provavelmente seria a luz de uma janela ou clarabóia próxima do teto.</p>
<p>Temos <a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/fotos-de-fantasmas/5480/fotografia-transcendental" target="_blank">aqui em CeticismoAberto</a> um outro exemplo do efeito, capturado mesmo por uma câmera convencional na cidade de Socorro, em um almoço com professores.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Fotografia Transcendental    Anjo surge em Fotografia em uma Igreja de Maring&aacute;?" border="0" alt="Fotografia Transcendental  ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/Fotografia-Transcendental-.jpg" width="600" height="405" /></p>
<p>Seria um outro anjo? Em uma reunião de professores? Dado o contexto, o efeito não foi confundido com um anjo, mas com uma aparição ou fantasma. Mas era apenas outro objeto, outra pessoa, iluminada intensamente e saturando a câmera. O mesmo ocorre, de forma ainda mais clara, no “<a href="http://tachiportal.wordpress.com/2009/08/11/resolvamos-un-misterio/" target="_blank">Mistério dos seres de luz em Ongamira</a>”, uma fotografia capturada por <strong>Mônica Coll</strong> na Argentina em 2007:</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="seresdeluzzv71 thumb   Anjo surge em Fotografia em uma Igreja de Maring&aacute;?" border="0" alt="seresdeluzzv71 thumb ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/seresdeluzzv71_thumb.jpg" width="500" height="755" /></p>
<p>Apesar de ter sido promovida por ufólogos e afins, e desta forma interpretada como “seres dimensionais”, a imagem deixa muito mais claro o facho de luz que banha as duas pessoas. Não há mistério, apenas uma câmera ajustada para pouca luminosidade sendo saturada pelo brilho intenso de uma parte da cena.</p>
<p>Em nenhum dos três casos abordados aqui, onde os “seres luminosos” foram interpretados como anjos, fantasmas ou criaturas dimensionais, o flash foi disparado. Em todos a cena possui baixa luminosidade, com exceção de uma pequena área banhada por luz mais intensa, geralmente do Sol. Com o uso do flash da câmera, <a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/fotos-de-fantasmas/5502/seria-um-anjo" target="_blank">efeitos mais curiosos podem ser obtidos</a>.</p>
<p>Com a luz certa, qualquer um pode ser um anjo – ou um fantasma, ou uma criatura dimensional. E se a suposta “<em>criatura celestial</em>” promovida pelo pastor possui explicação prosaica tão elementar, podemos na mesma medida duvidar de suas extraordinárias alegações sobre milagres, como pessoas cancerosas que teriam sido curadas ao simplesmente pisar em sua igreja. Ele afirma que a fiel autora da fotografia não teria nenhum interesse em se promover, o que bem deve ser verdade dado que desconhecemos seu nome. Mas o nome do próprio pastor, bem como o da Igreja, são promovidos com bastante destaque. [Com agradecimentos a <strong>Daniel Sottomaior</strong> pela dica]</p>
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		<title>Ganhe o livro &#8220;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&#8221; de Michael Shermer!</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 01:27:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
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		<category><![CDATA[livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma das mais importantes obras de divulgação do pensamento crítico acaba de ser publicada em português. Saiba como concorrer a cinco exemplares! É “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas”, o primeiro livro do historiador de ciência Michael Shermer ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="shermer coisas estranhas2   Ganhe o livro &ldquo;Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas&rdquo; de Michael Shermer!" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/shermer-coisas-estranhas2.jpg" alt="shermer coisas estranhas2 ceticismo" width="600" height="404" border="0" /></p>
<p>Uma das mais importantes obras de divulgação do pensamento crítico acaba de ser publicada em português. Saiba como concorrer a cinco exemplares!</p>
<p>É “<em><a href="http://jsneditora.com/JSN_Editora/Por_que_as_pessoas_acreditam_em_coisas_estranhas.html" target="_blank"><strong>Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas</strong></a></em>”, o primeiro livro do historiador de ciência <strong>Michael Shermer</strong> já à frente da <em>Skeptics Society</em>, mergulhando na “<em>pseudociência, superstição e outras confusões de nossos tempos</em>”, em um espectro indo de extraterrestres e discos voadores a espíritos e profecias, passando mesmo por temas particularmente espinhosos como a negação do Holocausto e cultos suicidas.</p>
<p>Com uma abordagem rigorosa mas acima de tudo humana e compassiva, Shermer demonstra de forma prática o “poder positivo do ceticismo” defendido no prefácio por <strong>Stephen Jay Gould</strong>. Um exercício que vai além da mera derrubada de falsas crenças, promovendo o modelo alternativo da “própria racionalidade, associada à decência moral – o instrumento conjunto mais eficaz para o bem que o nosso planeta já conheceu”.</p>
<p>“<em>Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas</em>” foi publicado logo após o falecimento de <strong>Carl Sagan</strong>, e é dedicado à sua memória. Ao lado de “<em>O Mundo Assombrado pelos Demônios</em>” é uma leitura essencial de introdução ao ceticismo, e uma que escolhe o caminho de se aprofundar e destrinchar em detalhes práticos cada uma das aventuras e pesquisas que colocaram o historiador de ciência e líder cético muitas vezes frente à frente com supostos paranormais ou líderes muito reais de movimentos um tanto duvidosos.</p>
<p>Em todo este contato direto com as confusões de nossos tempos à frente de uma Sociedade de Céticos, em nenhum momento aqueles que acreditam em coisas estranhas são menosprezados, afinal, o próprio Shermer assim como todos nós acreditamos vez por outras em coisas estranhas.</p>
<p>E é este o mote para concorrer a um livro desta edição revisada e expandida em português, em um lançamento cortesia da <em><a href="http://jsneditora.com" target="_blank">JSN editora</a></em>. Basta responder à pergunta:</p>
<h3>“<strong>Por que você acreditava em uma coisa estranha?</strong>”</h3>
<p>Contando em até 1.500 caracteres (com espaços) os quês e porquês de uma coisa estranha em que você acreditava. Envie sua resposta ao e-mail <a href="mailto:ceticismoaberto@gmail.com?subject=Por que eu acreditava em uma coisa estranha" target="_blank"><strong>ceticismoaberto</strong>@gmail.com</a><strong></strong> com o assunto “<em>Por que eu acreditava em uma coisa estranha</em>” até o final do dia 16/12 (sexta-feira).</p>
<p>As cinco melhores serão selecionadas e publicadas aqui em <em>Ceticismo Aberto</em>, e seus autores receberão um exemplar cada, enviados antes do solstício mais conhecido como Natal. Participe!</p>
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		<title>C&#226;maras flagram &#8220;Anjo&#8221; em Jacarta, Indon&#233;sia?</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 19:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
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		<category><![CDATA[indonésia]]></category>
		<category><![CDATA[viral]]></category>

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		<description><![CDATA[“Uma luz brilhante flagrada no dia 11 de setembro por câmeras de segurança em uma praça em Jacarta, na Indonésia, tem intrigado os moradores”. [G1: Câmeras de segurança teriam flagrado 'suposto anjo' na Indonésia] Há um segundo vídeo com o ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="swrt2zps   C&acirc;maras flagram &ldquo;Anjo&rdquo; em Jacarta, Indon&eacute;sia?" border="0" alt="swrt2zps ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/10/swrt2zps.jpg" width="600" height="440" /></p>
<blockquote><p>“Uma luz brilhante flagrada no dia 11 de setembro por câmeras de segurança em uma praça em Jacarta, na Indonésia, tem intrigado os moradores”. [G1: <a href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/09/cameras-de-seguranca-teriam-flagrado-anjo-na-indonesia.html" target="_blank">Câmeras de segurança teriam flagrado 'suposto anjo' na Indonésia</a>]</p>
</blockquote>
<p>Há um segundo vídeo com o ponto de vista das pessoas no local, que por uma incrível coincidência também estariam gravando a cena com um telefone celular. Abaixo, inicie primeiro o vídeo das câmeras de segurança acima e na marca de 3 segundos, o capturado pelo celular abaixo, para assistir aos dois pontos de vista em sincronia:</p>
<p><iframe width="583" height="425" src="http://www.youtube.com/embed/9e9SosCqco8" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><iframe width="583" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/kcvwUkuyKeY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O vídeo das câmeras de segurança foi publicado no mesmo dia indicado na gravação, 11 de setembro, por uma conta anônima. Uma rapidez impressionante.</p>
<p>Curiosamente o vídeo capturado pelo celular foi publicado <em>um dia antes</em>, no dia 10, por <a href="http://www.facebook.com/people/Girindra-Chesa-Wisesa/613003304" target="_blank"><strong>Girindra Wisesa</strong></a>. Um lapso na criação do evento. No mesmo dia 10, Wisesa <a href="http://twitter.com/#!/Chesa10/status/112677248536023040" target="_blank">publicou sobre o evento no Twitter</a>, mas tanto ela quanto seus amigos não parecem ter considerado um anjo caído do céu como algo que merecesse maiores comentários posteriores.</p>
<p>Ambos os vídeos mencionam em destaque o local da suposta aparição, o shopping Cilandak Town Square (Citos). Outras imagens publicadas em fóruns locais mostram o que seria o châo após a queda do ser luminoso.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="ccbi3ha4   C&acirc;maras flagram &ldquo;Anjo&rdquo; em Jacarta, Indon&eacute;sia?" border="0" alt="ccbi3ha4 ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/10/ccbi3ha4.jpg" width="600" height="451" /></p>
<p>Pode-se notar, no vídeo do circuito de segurança, o chão sendo quebrado instantaneamente com a queda. Como no vídeo do celular, as penas se destacam nestas imagens, para não deixar dúvida de que o que teria caído seria um anjo – e não um extraterrestre ou mesmo um demônio, como comentários baseados apenas no vídeo de segurança especulam.</p>
<p>Mas esta que poderia ser a evidência física mais convincente de que o vídeo não seria apenas uma fraude digital tem um detalhe que denuncia a farsa.</p>
<p>Os blocos quebrados estão acima do nível do chão.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="bukti penampakan citos   C&acirc;maras flagram &ldquo;Anjo&rdquo; em Jacarta, Indon&eacute;sia?" border="0" alt="bukti penampakan citos ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/10/bukti-penampakan-citos.jpg" width="600" height="450" /></p>
<p>Os vídeos fazem parte de uma campanha elaborada de marketing viral, com o vídeo de segurança criado digitalmente, combinado com a ação de distribuir os blocos quebrados sobre o pavimento, envolvendo várias pessoas – incluindo Wisesa – e disseminada através de redes sociais. Nenhuma autoridade corrobora o evento.</p>
<p>A campanha ainda não chegou ao seu fim: a revelação de qual produto está sendo realmente promovido, mas de pronto surgem dois candidatos.</p>
<p>O primeiro é o próprio shopping Citos, e o segundo, e talvez mais provável, é a campanha mundial da marca de desodorantes <em>Axe/Lynx Excite</em>, com o mote “<em>até os anjos cairão</em>”.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="axeanjos   C&acirc;maras flagram &ldquo;Anjo&rdquo; em Jacarta, Indon&eacute;sia?" border="0" alt="axeanjos ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/10/axeanjos.jpg" width="600" height="334" /></p>
<p>A marca <a href="http://www.brainstorm9.com.br/20668/grupos-de-trends/lynxaxe-em-acao-com-realidade-aumentada-os-anjos-vao-cair-pra-voce/" target="_blank">já promoveu uma ação interativa em Londres</a>, e as penas, o orçamento e mesmo o chão quebrado indicam que pode estar por trás da ação de marketing na Indonésia.</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/WRnBHHcdHJQ" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>- &#8211; -</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Teorias de Conspira&#231;&#227;o s&#227;o Naturais</title>
		<link>http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/6282/teorias-de-conspirao-so-naturais</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 03:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; artigo de Douglas T. Kenrick, publicado em Psychology Today tradução cortesia de André Rabelo Que tipo de pessoa teria tão pouca confiança em seus companheiros para acreditar que o presidente dos E.U.A e a CIA conspiraram para forjar a ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="osama obama   Teorias de Conspira&ccedil;&atilde;o s&atilde;o Naturais" border="0" alt="osama obama ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/osama_obama.jpg" width="600" height="448" />&#160;</p>
<p>artigo de <strong>Douglas T. Kenrick</strong>, publicado em <a href="http://www.psychologytoday.com/blog/sex-murder-and-the-meaning-life/201107/conspiracy-theories-come-naturally" target="_blank">Psychology Today</a>     <br />tradução cortesia de <strong><a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/" target="_blank">André Rabelo</a></strong></p>
<p>Que tipo de pessoa teria tão pouca confiança em seus companheiros para acreditar que o presidente dos E.U.A e a CIA conspiraram para forjar a morte de <strong>Osama Bin Laden</strong>, ou que a imprensa é rigidamente controlada por um grupo poderoso de extremistas ricos? Se você examinar a literatura em psicologia sobre a crença em teorias da conspiração, ou leu comentários políticos sobre o tópico, vai ouvir falar muito sobre paranóia, alienação e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anomie" target="_blank">anomia</a>. Você vai aprender que pessoas que acreditam em uma teoria da conspiração bizarra também são propensas a acreditar em outras (está tudo conectado com os <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Illuminati" target="_blank">illuminati</a> e os assassinatos dos Kennedy, afinal de contas). Você descobrirá que crenças em conspirações têm sido relacionadas com ser pobre, ser membro de uma minoria oprimida, ter a sensação generalizada de que a vida é controlada por fatores externos e outras circunstâncias lamentáveis.</p>
<p>Mas existe outra perspectiva que decorre do pensamento sobre a história evolutiva de nossa espécie: o cérebro humano foi moldado para teorias da conspiração. Nesta perspectiva, somos todos teóricos da conspiração &#8211; você, eu e sua tia Ginger de Iowa.</p>
<p>Vamos desconsiderar os detalhes da teoria de conspiração excêntrica <em>du jour</em>, e considerar isso: Algumas alegadas conspirações se mostraram posteriormente bem reais &#8211; a <em>Al Qaeda</em>, a CIA, a KGB e a Máfia envolveram pessoas reais se juntando para planejar ações reais e nefastas. Só porque você é paranóico não significa que eles não estejam atrás de você. Teóricos evolucionistas como <strong>Robert Trivers</strong> e <strong>Bill von Hippel</strong> observaram: um aspecto ruim da comunicação é que ela abre as portas para o engano (Isso é uma deliciosa minhoca ou uma armadilha de pescador para peixes? O pássaro está realmente machucado ou fingindo?). Seres humanos são comunicadores especialmente talentosos e ótimos enganadores também. Pesquisadores que estudam a psicologia da mentira descobriram não apenas que a pessoa comum mente sobre alguma coisa todos os dias, mas também que não nos saímos muito melhor que o mero acaso ao distinguir uma afirmação verdadeira de uma mentira deliberada.</p>
<p>Nossos ancestrais tinham que se preocupar com conspirações de membros de seu próprio grupo, bem como conspirações de membros de outros grupos (que tinham ainda menos o que perder e mais a ganhar ao prejudicá-los). Psicólogos evolucionistas como <strong>Pascal Boyer</strong> e <strong>Ara Norenzayan</strong> têm notado que o cérebro humano possui mecanismos poderosos para buscar causas complexas e escondidas. A popularidade de Sherlock Holmes, James Bond e Harry Potter se deve em grande parte aos talentos de seus autores para exercitar estes mecanismos causais em seus leitores.</p>
<p>E como os psicólogos evolucionistas <strong>Randy Nesse</strong> e <strong>Martie Haselton</strong> têm argumentado, a mente é moldada como um detector de fumaça, pronta para acionar o alerta vermelho a qualquer possível sinal de ameaça no ambiente (ao invés de esperar até que a evidência seja tão esmagadora que seja muito tarde para apagar o fogo). Uma vez que tenhamos aceitado uma crença, possuímos uma série de mecanismos cognitivos projetados para nos enviesar contra a rejeição desta crença. Um dos meus estudos favoritos dessa natureza foi realizado pelos psicólogos de Stanford <strong>Charlie Lord</strong>, <strong>Lee Ross</strong> e <strong>Mark Lepper</strong>.</p>
<p>Eles apresentaram aos seus brilhantes alunos um cuidadoso balanço de evidências científicas a favor e contra os benefícios da pena de morte. Depois de ouvir as evidências balanceadas, os estudantes que favoreceram inicialmente a pena de morte estavam ainda mais convencidos de que estavam certos, enquanto os que eram contra se tornaram ainda mais convencidos na direção oposta. O que aconteceu foi que os estudantes se lembraram seletivamente das fraquezas no argumento do outro lado e dos pontos fortes das evidências favorecendo o seu próprio lado. Parece familiar? (e lembre-se, estes eram estudantes de Stanford, não membros de um grupo extremista entrincheirado ao redor de Two Dot, Montana).</p>
<p>E quanto à pesquisa que mostra que os indivíduos pertencentes a grupos oprimidos são mais propensos a crenças conspiratórias do que aqueles de nós lendo o <em>New York Times</em> em algum subúrbio de classe média-alta? Esses dados assinalam para outro aspecto da nossa psicologia evoluída &#8211; nossos cérebros amplificam o volume dos nossos sistemas de perigo quando estamos sob ameaça. Pesquisas de nossos laboratórios têm demonstrado que pessoas que estejam tenham despertado seu sentido de auto-proteção (depois de assistir um filme assustador) estão mais propensas a projetar raiva nas faces de homens desconhecidos de outros grupos, e as pesquisas de <strong>Mark Schaller</strong> e seus colaboradores demonstraram que estar em um quarto escuro amplifica tipos específicos de estereótipos (aqueles envolvendo a periculosidade de americanos árabes ou africanos). Na mesmo medida em que a vida envolve ameaças e perigos diários, é provável que estejamos atentos a sinais de perigo à espreita.</p>
<p>Ao afirmar que o cérebro humano é moldado para estar alerta a conspirações e que sempre houveram conspirações reais pelo mundo afora, estaria eu querendo dizer que não há nada que possamos fazer para evitar acreditar na próxima história que escutarmos sobre a conspiração envolvendo Obama, a AMA e a Igreja Católica Romana? Não. <strong>Charlie Lord</strong> e seus colaboradores demonstraram que estudantes de Stanford poderiam ser um pouco mais objetivos se perguntassem primeiro para si mesmos a simples questão: &quot;<em>Como eu me sentiria se essa mesma evidência corroborasse a conclusão exatamente oposta?</em>&quot;.</p>
<p>O sociólogo de Rutgers <strong>Ted Goertzel</strong> tem estudado crenças em teorias conspiratórias por duas décadas, e ele tem alguns conselhos adicionais para aqueles que desejam &quot;<em>distinguir entre os excêntricos engraçados, os honestamente equivocados, os litigantes avarentos e os céticos sérios, questionando um consenso prematuro</em>&quot;. Primeiro, procure pela &quot;<em>cascata lógica</em>&quot; – um raciocínio que exige que crentes incluam mais e mais pessoas na conspiração sempre que alguém relate evidências contra suas afirmações (<em>arrá, eles fazem parte dela também!</em>). Segundo, seja cético quanto a afirmações que exigem quantidades irreais de poder e controle por parte dos conspiradores.</p>
<p>Goertzel dá o exemplo da suposta conspiração para forjar o pouso na Lua, que teria demandado cumplicidade completa de milhares de cientistas e técnicos trabalhando no projeto, assim como toda a mídia cobrindo os eventos e até mesmo os cientistas em outros países (incluindo a Rússia) que acompanharam os eventos.</p>
<p>Mas é claro, é possível que a CIA tenha financiado este artigo e eu esteja dizendo tudo isso para despistá-lo.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><strong>Douglas T. Kenrick</strong> é o autor de <a href="http://www.amazon.com/Sex-Murder-Meaning-Life-Revolutionizing/dp/0465020445">Sex, Murder, and the Meaning of Life: A psychologist investigates how evolution, cognition, and complexity are revolutionizing our view of human nature</a>.&#160; O livro foi recentemente escolhido como uma seleção mensal pela <a href="http://www.sciambookclub.com/biology-books/cognitive-science-books/sex-murder-and-the-meaning-of-life-by-douglas-t-kenrick-1071326626.html">Scientific American Book Club</a>.&#160; Ele afirma não ter qualquer conexões com a illuminati.</p>
<h3>Referências</h3>
<blockquote><p>Abalakina-Paap, M., Stephan, W. G., Craig,T., &amp; Gregory, W. L. (1999). Beliefs inconspiracies. Political Psychology, 20,637–647.</p>
<p>Atran , S. , &amp; Norenzayan , A. ( 2004 ). Religion’s evolutionary landscape: Counterintuition, commitment, compassion, communion . Behavioral and Brain Sciences, 27 , 713 –770.</p>
<p>Boyer, P. (2003). Religious thought and behavior as by-products of brain function.&#160; Trends in Cognitive Science, 7, 119-124.</p>
<p>Nesse, R. M. (2005). Evolutionary psychology and mental health. In D. Buss (Ed.), Handbook of evolutionary psychology (pp. 903–930). Hoboken, NJ: Wiley.</p>
<p>Haselton, M. G., &amp; Nettle D. (2006). The paranoid optimist: An integrative evolutionary model of cognitive biases. Personality and social psychology Review, 10, 47–66.</p>
<p>Lord, C. G., Lepper, M. R., &amp; Preston, E. (1984). Considering the opposite: A corrective strategy for social judgment. Journal of Personality and Social Psychology, 47, 1231–1243.</p>
<p>Lord, C. G., Ross, L., &amp; Lepper, M. R. (1979). Biased assimilation and attitude polarization. Journal of Personality and Social Psychology, 37, 2098–2109.</p>
<p>Schaller, M., Park, J. H., &amp; Mueller, A. (2003). Fear of the dark: Interactive effects of beliefs about danger and ambient darkness on ethnic stereotypes. Personality &amp; Social Psychology Bulletin, 29, 637–649.</p>
<p>Goertzel, T. (2010). Conspiracy theories in science.&#160; EMBO reports, 11, 493-499.</p>
<p>von Hippel, W. &amp; Trivers, R. (2011). The evolution and psychology of self- deception. Behavioral and Brain Sciences, 34, 1-16.</p>
<p><a href="http://chicagoist.com/2008/12/08/take_the_obama_conspiracy_quiz.php">Responda ao Quiz da Teoria da Conspiração de Obama</a>.</p>
</blockquote>
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		<title>O Mais Antigo Debate do Ceticismo: Uma Pré-História de “Não Seja um Cretino” (1838-2010)</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jul 2011 05:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[carl sagan]]></category>
		<category><![CDATA[personalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[por Daniel Loxton, publicado no SkepticBlog Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura A conferência “The Amazing Meeting 9” – o maior, mais amplo e mais importante encontro de mentes do ceticismo organizado – está chegando. Parece um bom momento ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-6253" title="cet maos   O Mais Antigo Debate do Ceticismo: Uma Pré História de “Não Seja um Cretino” (1838 2010)" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/cet_maos.jpg" alt="cet maos ceticismo" width="610" height="342" /></p>
<p>por <strong>Daniel Loxton</strong>, publicado no <a href="http://skepticblog.org/2011/06/21/a-prehistory-of-dbad/" target="_blank">SkepticBlog</a><br />
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura</p>
<p>A conferência “<a href="http://www.amazingmeeting.com/">The Amazing Meeting 9</a>” – o maior, mais amplo e mais importante encontro de mentes do ceticismo organizado – está chegando. Parece um bom momento para relembrar a apresentação mais debatida da TAM no ano passado: o discurso do astrônomo <strong>Phil Plait</strong> “<em>Não seja um Cretino</em>” (<a href="http://vimeo.com/13704095">vídeo em inglês</a>) pedindo menos xingamentos<a name="_ftnref1_8546" href="$">[1]</a> e mais civilidade na diligência cética:</p>
<blockquote><p>“A melhor idéia já concebida na história da humanidade é <em>inútil</em> a menos que alguém a comunique. Ela vai morrer no tubo de ensaio. E no nosso caso, o que nós estamos aqui comunicando para as pessoas não é necessariamente algo que elas querem ouvir. E assim, a nossa atitude – <em>como</em> passamos esta mensagem – assume uma importância crucial”.</p></blockquote>
<p>Como alguns leitores devem saber, o discurso “NSC” de Plait desencadeou uma <a href="http://skepticblog.org/2010/08/27/war-over-nice/">tempestade online</a> que se estende até hoje.</p>
<p>Eu exploro <a href="http://skepticblog.org/2010/09/10/further-thoughts-on-the-ethics-of-skepticism/">a ética do ceticismo</a> bastante freqüentemente<a name="_ftnref2_8546" href="$-0">[2]</a> (essa é uma das principais razões pelas quais blogo além de escrever livros e artigos para a revista <a href="http://www.skeptic.com/"><em>Skeptic</em></a>), mas hoje eu gostaria de me voltar para algo mais simples e mais concreto. Vamos explorar uma pergunta histórica direta:</p>
<p>Seria o pedido de Plait por civilidade algo <em>novo</em> para o ceticismo?</p>
<p>Acontece que a resposta é: “Não, nem de longe”. (<strong>Por favor, note: Este é <em>longo</em> um artigo, com mais de 4500 palavras</strong>)</p>
<h3>O Mais Antigo Debate Interno do Ceticismo</h3>
<p>Imediatamente após o discurso de Plait, eu comecei a ouvir sugestões de que na verdade o discurso era uma tentativa velada de proteger a religião, e que poderia até estar relacionado a algumas então recentes controvérsias no mundo ateu (controvérsias que eu nem vou fingir ser capaz de acompanhar).</p>
<p>Mas chamados similares por um ceticismo mais gentil, mais cuidadoso, pré-datam a blogosfera ateísta <em>por quase 200 anos</em> (<a href="http://skepticblog.org/2011/06/21/a-prehistory-of-dbad/#unwise">como veremos</a>) e provavelmente muito mais. Eles são <em>sobre</em> o ceticismo baseado na ciência – e durante os anos 1980 e 1990, eles eram uma linha dominante definindo o que fazemos.</p>
<p>Por que os pedidos por uma maior civilidade são tão persistentes? Isso é uma conseqüência inevitável da tensão entre dois dos papéis fundamentais do ceticismo: a <em>crítica</em> (que é inerentemente conflituosa, pelo menos em algum grau) e o <em>alcance educacional</em> (que deve, por sua natureza, <em>alcançar</em> as pessoas). O resultado é que os pedidos por “Mais ação! Arregacem as mangas!” têm sempre sido alternados com pedidos por uma abordagem mais empática e ciente de nossos objetivos.</p>
<p>Mas vamos deixar a análise do “por quê” para outro dia. Por agora, é suficiente nos voltarmos para uma pequena seleção de séculos de discussões no ceticismo sobre o “tom” do que fazemos.</p>
<p>Antes de começarmos, devo observar de passagem que eu rufei os tambores da civilidade durante anos. (Para exemplos recentes, considere a minha <a href="http://media.libsyn.com/media/skepchick/loxton.mp3">discussão em 2009 sobre civilidade</a> com <strong>Maria Walters</strong> e <strong>Blake Smith</strong> do <em>MonsterTalk</em> no podcast <em>Skepchick</em>, ou a seção “Não xingue as pessoas” do meu painel de ativismo <a href="http://www.skeptic.com/downloads/WhatDoIDoNext.pdf"><em>O que devo fazer em seguida?</em></a> em PDF. Essas foram lições aprendidas duramente do meu trabalho de criticar a criptozoologia e as alegações paranormais, e não tinha nada a ver com religião.)</p>
<p>Mas você já sabia que <em>eu </em>promovo essas coisas. Vejamos o que outros têm dito.</p>
<p><em>Perceba que isso não é de forma alguma uma revisão exaustiva da literatura</em>. Esses são apenas alguns dos primeiros exemplos que me vêm à mente. Mesmo assim, estou passando direto por alguns dos mais recentes trabalhos relacionados ao tema, incluindo a apresentação de 2010 “<a href="http://youtu.be/ktezbfBhdyE">Não Seja um Cretino: Etiqueta para Ateístas e Céticos</a>” de <strong>Rebecca Watson</strong> (na qual ela conclama: “<em>Faça o que for preciso para lembrar que a pessoa com quem você está falando é um ser humano!</em>” e o podcast de curta duração <a href="http://www.actuallyspeaking.com/"><em>Actually Speaking</em></a> (que tenta explorar “O Lado Humano do Ceticismo”). Além disso, note que esta é explicitamente concebida como uma introdução para uma escola de pensamento proeminente dentro do ceticismo científico; o outro lado do pêndulo vai ter que esperar por outro post. Finalmente, note que estou deixando de lado discussões semelhantes em muitas outras esferas (como o ateísmo, política, <a href="http://wilwheaton.typepad.com/wwdnbackup/2007/08/pax-ftw.html">jogos online</a> e <a href="http://martinfowler.com/bliki/NetNastiness.html">a blogosfera como um todo</a>).</p>
<h3>Apelos Céticos à Civilidade Antes de NSC</h3>
<h3>2010</h3>
<p>O paralelo mais divertidamente exato de “Não Seja um Cretino” deve ser <a href="http://www.skepticnorth.com/2010/01/dont-be-a-jerk/">“Não seja um Idiota!”</a> – um artigo que <strong>Jonathan Abrams</strong>, presidente dos Céticos de Ottawa escreveu poucos meses antes do discurso de Plait. “<em>Quando contrariar uma alegação</em>”, Abrams alertou, “<em>faça o possível para evitar o desentendimento pessoal. Seja humilde, admita que você possa estar errado também, mas o mais importante: não seja um idiota</em>”.</p>
<h3>2008</h3>
<p>Abrams, por sua vez foi inspirado pelo próprio <em>Skepticblog</em> de ​​<strong>Brian Dunning</strong>, que em 2008 explorou o assunto “<a href="http://skeptoid.com/episodes/4116">Como Ser um Cético e ainda ter amigos</a>.”</p>
<blockquote><p>“Disseminar o pensamento crítico envolvendo-se em conversas com seus amigos deve ser uma maneira de criar laços, não feridas. Se você quiser extrair o essencial deste podcast, é exatamente isso. Concentre-se no que vocês concordam. Eu descobri que isso converteu as pessoas que me viam como um inimigo e vinham desafiar-me com novas alegações em amigos que procuram a minha opinião sobre as histórias que lhes parecem improváveis”.</p></blockquote>
<h3>2004</h3>
<p>Um marco importante foi um artigo da <em>Skeptical Inquirer</em> em 2004 chamado “<a href="http://www.csicop.org/si/show/bridging_the_chasm_between_two_cultures/">Cruzando o Abismo entre as Duas Culturas</a>”. Escrito por uma autora chamada <strong>Karla McLaren</strong> que fazia parte do movimento da <em>Nova Era</em> que acabou se envolvendo com a comunidade cética,<a name="_ftnref3_8546" href="$-1">[3]</a> este trabalho comovente compartilhou uma perspectiva da audiência que os céticos precisavam ouvir.</p>
<blockquote><p>“Por que eu tenho que digitar a palavra “charlatão” quando quero um comentário cético sobre as escolhas que faço nos serviços de saúde? E por que eu tenho que gastar tanto tempo traduzindo nos sites céticos que visito – ou apenas pulando palavras como <em>golpista</em>, <em>impostor</em>, <em>charlatão</em>, <em>fraude</em>, <em>crente</em> e <em>tolo</em>? Por que eu (o tipo de pessoa que realmente <em>precisa</em> de informações céticas) tenho de me ver descrita em termos ofensivos e abaixar minha cabeça cheia de vergonha antes que possa realmente acessar as informações disponíveis em sua cultura?”</p></blockquote>
<p>Boa pergunta. Fiquei comovido com este artigo.</p>
<p>McLaren destacou uma falha crítica e sistemática na divulgação cética e na mídia cética: ela é criada por céticos, e seu sucesso é medido pela aprovação de outros céticos. Nossas informações que por vezes salvam vidas parecem quase intencionalmente voltadas para atingir a pequena minoria de pessoas que não precisa dela – e para repelir a maioria,<a name="_ftnref4_8546" href="$-2">[4]</a> que o faz. (Como o discurso NSUC de Phil Plait diz: “Olhe, nós temos que admitir que a nossa reputação entre a maioria da população não é exatamente uma maravilha.”)</p>
<p>Lembrando <strong>Carl Sagan</strong> de forma profunda, McLaren enfatizou que “<em>a busca da verdade, a preocupação com o bem-estar dos outros, a necessidade de ser tratado com respeito e a necessidade de ser acolhido em uma cultura – essas são coisas que a minha turma compartilha com vocês</em>.” Ela implorou pela <em>construção de</em> <em>pontes</em>: tentativas inteligentes, acolhedoras de genuinamente comunicar-se com aqueles que mais precisam.</p>
<p>Mas nada disso era novo para os anos 2000. Absolutamente.</p>
<h3>1999</h3>
<p>Considere o movimento como foi descrito no artigo da folclorista <strong>Stephanie Hall</strong> em 1999, <a href="http://www.temple.edu/english/isllc/newfolk/skeptics.html">“O Folclore e o Surgimento da Moderação Entre os Céticos Organizados.”</a> Sua análise do movimento naquele momento soa muito diferente da situação de hoje, mas é consistente com as minhas próprias lembranças. Durante a década de 1990, o “ceticismo científico” de escopo limitado era dominante entre os grupos céticos locais, regionais e nacionais e, graças à influência do astrônomo Carl Sagan (quase certamente a mais amplamente admirada voz pública pelo ceticismo científico) a tendência foi levar os céticos para mais longe da retórica exaltada, hostil, autoritária.</p>
<h3>Os Argumentos NSUC de Sagan</h3>
<h3>1996</h3>
<p>Carl Sagan esteve envolvido com o primeiro grupo cético norte-americano de sucesso (CSICOP, agora chamado CSI) desde a sua formação em 1976. Mas o seu envolvimento com o ativismo cético retrocede além dessa data – e, ironicamente, <em>o seu primeiro ato foi o de se opor ao “tom” de um projeto cético</em>.</p>
<p>Foi um caso que significou tanto para ele que ele ainda estava falando sobre isso 20 anos depois. Como lembrou Sagan no livro de 1996 <em>O Mundo Assombrado pelos Demônios </em>(na minha opinião, o melhor livro cético já escrito),</p>
<blockquote><p>“Na metade dos anos 70, um astrônomo que admiro redigiu um manifesto modesto chamado “Objeções à astrologia”, e me pediu que o endossasse. Lutei com o seu fraseado, e por fim me vi incapaz de assinar – não porque achasse que a astrologia tem alguma validade, mas porque sentia (e ainda sinto) que o tom do discurso era autoritário”.<a name="_ftnref5_8546" href="$-3">[5]</a></p></blockquote>
<p>Convido você a ler <a href="http://psychicinvestigator.com/demo/AstroSkc2.htm">“Objeções à Astrologia”</a> antes de continuarmos. (É curto. Vamos te esperar.) Você vai notar que ele é leve para os padrões da blogosfera, e não muito diferente de projetos céticos atuais (como a <a href="http://www.1023.org.uk/">campanha “10:23”</a> contra a homeopatia). Então, qual era o problema de Sagan com a declaração, que foi, afinal de contas, assinada por vários vencedores do Prêmio Nobel?</p>
<p>A declaração denunciava o que chamava de “as afirmações pretensiosas dos charlatães astrológicos”, mas não conseguiu fazer uma investigação séria, um caso baseado na ciência para apoiar esta opinião. “Eu teria endossado”, refletiu Sagan, “uma declaração que descrevesse e refutasse os principais dogmas da crença astrológica.”</p>
<p>Em vez disso, ele sentiu, este “rejeição arrogante por um grupo de cientistas”, simplesmente decretou que a astrologia é estúpida. “Ele criticava a astrologia”, Sagan observou, “por ter origens encobertas na superstição” – mas o mesmo acontece com muitas ciências legítimas. E daí? A pergunta é <em>se isto funciona</em>. Sagan continuou:</p>
<blockquote><p>“E então havia especulação sobre as motivações psicológicas daqueles que acreditam na astrologia. Esses motivos – por exemplo, o sentimento de impotência num mundo complexo, penoso e imprevisível – poderiam explicar por que a astrologia não é geralmente submetida ao exame cético que merece, mas ficam à margem da questão que é de saber se ela funciona.</p>
<p>A declaração enfatizava ser impensável um mecanismo pelo qual a astrologia pudesse funcionar. Esse ponto é decerto relevante, mas por si só não é convincente”.</p></blockquote>
<p>(Sabíamos que muitas coisas eram verdade muito antes de sabermos <em>por que </em>eram verdade).</p>
<p>Os argumentos de Sagan sobre o tom foram amplamente aceitos, e ajudaram a definir o ceticismo da década de 1990. Em particular, seria difícil exagerar a influência de “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, que explicitamente reconheceu o problema do tom:</p>
<blockquote><p>“Já ouvi um cético falar de modo superior e desdenhoso? Certamente. Às vezes até escutei, para minha posterior consternação, esse tom desagradável na minha própria voz. &#8230; Pela forma como o ceticismo é às vezes aplicado a questões de interesse público, <em>há</em> uma tendência para apequenar os opositores, tratá-los com ar de superioridade, ignorar o fato de que, iludidos ou não, os adeptos da superstição e da pseudociência são seres humanos com sentimentos reais que, como os céticos, tentam compreender como o mundo funciona e qual poderia ser o nosso papel nele. Em muitos casos, seus motivos se harmonizam com a ciência. Se a sua cultura não lhes deu todas as ferramentas necessárias para levar adiante essa grande busca, vamos moderar as nossas críticas com bondade. Nenhum de nós nasce plenamente equipado”.<a name="_ftnref6_8546" href="$-4">[6]</a></p></blockquote>
<p>Note que a crítica de Sagan foi em todos os sentidos idêntica aos argumentos do discurso NSC de Plait. Sagan escreveu,</p>
<blockquote><p>“Entretanto, a principal deficiência que vejo no movimento cético está na sua polarização: Nós versus Eles – o sentimento de que <em>nós</em> temos o monopólio da verdade; de que as outras pessoas que acreditam em todas essas doutrinas estúpidas são imbecis; de que, se forem sensatas, elas vão nos escutar; e de que, se não o fizerem, estão fora do alcance da redenção. Isso não é construtivo. Não consegue transmitir a mensagem. Condena os céticos a um permanente status de minoria; ao passo que uma abordagem compassiva, que desde o início reconhecesse as raízes humanas da pseudociência e da superstição, poderia ser aceita por muito mais gente”.<a name="_ftnref7_8546" href="$-5">[7]</a></p></blockquote>
<h3>O Bom e Velho Senso Comum</h3>
<h3>1992</h3>
<p>Algumas vezes se diz que o ceticismo não tem um manual; mas a <em>investigação</em> cética, ao menos, tem mais de um. Estes incluem <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0879757299/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=217153&amp;creative=399349&amp;creativeASIN=0879757299">Peças Faltantes — Como Investigar Fantasmas, OVNIs, Psíquicos, &amp; Outros Mistérios</a>, por <strong>Robert Baker</strong> e <strong>Joe Nickell</strong>; e o recente <a href="http://www.skeptic.com/productlink/b142PB">Investigação Científica do Paranormal: Como Resolver Mistérios Inexplicados</a> de <strong>Ben Radford</strong>.</p>
<p>Como um guia prático, o livro de 1992 de Nickell e Baker está, naturalmente, repleto de conselhos práticos. Empatia e cortesia são enfatizadas por todo o livro como as melhores práticas. Esta passagem (sob o cabeçalho da seção “Algumas Questões Éticas”) é particularmente contundente.</p>
<blockquote><p>“Você pode evitar dilemas éticos na maioria das vezes usando o seu bom e velho senso comum e o bom senso. Se você faria mais mal para as pessoas ridicularizando as suas crenças religiosas em vez de permitir-lhes mantê-las e ainda ajudá-las a resolver os seus problemas imediatos, você esqueça as crenças delas e as ajude a resolver os seus problemas urgentes. Esta é a <em>única</em> coisa ética a fazer. O fanatismo, quer por parte de um cético, quer por parte de um psíquico, é igualmente deplorável”.<a name="_ftnref8_8546" href="$-6">[8]</a></p></blockquote>
<p>Essa reserva nem era simplesmente uma questão de compaixão, de acordo com <em>Peças Faltantes</em>, mas de responsabilidade.</p>
<blockquote><p>“Infelizmente, muitas vezes nos últimos anos, os céticos zelosos exibiram frequentemente mais emoção do que lógica, fizeram acusações violentas de que a evidência falhou em dar apoio, não conseguiram comprovar as suas afirmações e, geralmente, não fez o que era necessário para tornar os seus desafios credíveis. Tais críticas irrefletidas podem fazer muito mais mal do que bem”.<a name="_ftnref9_8546" href="$-7">[9]</a></p></blockquote>
<p>Os conselhos deles? Sigam os passos descritos pelo psicólogo <strong>Ray Hyman</strong>, em seu artigo “A crítica adequada” (que nós abordaremos <a href="http://skepticblog.org/2011/06/21/a-prehistory-of-dbad/#propercriticism">brevemente</a>) – especialmente “O princípio da caridade.”</p>
<h3>Não se Deve Escarnecer das Ações Humanas, Mas Compreendê-las</h3>
<h3>1992</h3>
<p>Fundada em 1992, a revista Skeptic foi inspirada no exemplo de Carl Sagan – e tem sido um projeto explicitamente consciente de seu tom desde o primeiro dia. <strong>Michael Shermer</strong> é bem conhecido por sua exploração de <a href="http://www.michaelshermer.com/2002/09/smart-people-believe-weird-things/">por que as pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas</a> (um tema que ele aborda, mais uma vez, em seu livro lançado em 2011 <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0805091254/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=skepticcom-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=217153&amp;creative=399349&amp;creativeASIN=0805091254"><em>O Cérebro Crente</em></a>); não é nenhuma surpresa que ele e <strong>Pat Linse</strong> decidiram promover esta máxima de Spinoza como a mensagem no coração da <a href="http://www.skeptic.com/about_us/">Sociedade de Céticos</a>:</p>
<blockquote><p>“Eu fiz um esforço incessante para não ridicularizar, não lamentar, não desprezar as ações humanas, mas para compreendê-las”.</p></blockquote>
<p>Refletindo sobre este lema, Pat Linse, co-editor da <em>Skeptic</em>, recorda,</p>
<blockquote><p>“Quando eu trabalhei em uma caixa registradora, um dos melhores indícios de que eu estava prestes a receber um cheque sem fundos era uma atitude agressiva por parte do cliente. É o mesmo com uma discussão. Um dos melhores indicadores de um argumento fraco é a agressão por parte da pessoa que faz isso”.<a name="_ftnref10_8546" href="$-8">[10]</a></p></blockquote>
<p>Além disso, como Michael Shermer enfatiza,</p>
<blockquote><p>“Se você começar uma conversa com as pessoas lhes dizendo que as suas crenças mais queridas e enraizadas são um total absurdo e ridículas, você encerrou a conversa antes mesmo de ela começar – e fechou a porta a qualquer outra comunicação sobre as virtudes do ceticismo”.<a name="_ftnref11_8546" href="$-9">[11]</a></p></blockquote>
<p>Esses sentimentos são construídos em suas palestras, e não são só conversa. Shermer manteve-se firme na abordagem calma, de busca da verdade, mesmo diante de uma pressão enorme, e mesmo quando a tentação possa ter sido julgar primeiro e entender depois.</p>
<p>Em 14 de março de 1994, Shermer apareceu no <em>The Phil Donahue Show</em> (uma fábrica de audiência pioneira do gênero de entrevistas diárias depois dominado por Oprah<a name="_ftnref12_8546" href="$-10">*</a>) para refutar as alegações dos negadores do Holocausto <strong>Bradley Smith</strong> e <strong>David Cole</strong>. (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=muyRvoVje-g" target="_blank">Vídeo</a>) Shermer lembrou o que aconteceu durante um intervalo comercial entre os segmentos do debate:</p>
<blockquote><p>“Pensando que eu tinha me saído bem em analisar as metodologias dos negadores, eu estava confortavelmente à espera do próximo segmento, quando o produtor veio correndo para mim. “Shermer, o que você está fazendo? <em>O que você está fazendo?</em> Você precisa ser mais agressivo. Meu chefe está furioso. Vamos lá!” Eu fiquei chocado. Aparentemente ou Donahue acreditava que os negadores do Holocausto poderiam ser refutados em questão de minutos, ou ele estava esperando que eu iria apenas chamá-los de anti-semitas como ele fez e encerrado o assunto”.<a name="_ftnref13_8546" href="$-11">[12]</a></p></blockquote>
<p>Shermer certamente defendeu a história legítima, e ele criticou os argumentos dos revisionistas; mas ele não passou para os ataques pessoais. Em vez disso, ele realmente concordou diante da câmera com algumas das reivindicações feitas pelos negadores do Holocausto – porque aquelas afirmações <em>particulares</em> por acaso eram verdadeiras. Algum palpite sobre se ele gostava de estar nessa posição? A resposta é que não importa: Shermer é um cético e historiador. A verdade deve vir em primeiro lugar.</p>
<p>Pesquisando para o seu livro de 2000, <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0520260988/ref=as_li_ss_tl?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=0520260988"><em>Negando a História</em></a>, os co-autores Michael Shermer e <strong>Alex Grobman</strong> rejeitaram críticas profissionais de que era impróprio que eles tivessem encontros cordiais com negadores do Holocausto.</p>
<blockquote><p>“Ao lidar com as reivindicações dos negadores do Holocausto, acreditamos que não é o suficiente sermos acadêmicos numa torre de marfim, tentando alcançar a objetividade com a distância, quando os sujeitos que fazem essas alegações são amigáveis, ansiosos para conversar, e estão a apenas um telefonema ou vôo de distância. &#8230;</p>
<p>As fontes primárias são a ferramenta mais importante do historiador, e o que poderia ser mais primário em escrever um livro sobre a negação do Holocausto do que reunir-se com os próprios negadores, ver seus escritórios, fazer-lhes perguntas, ler a sua literatura, e, em geral, tentar entrar em suas mentes?”<a name="_ftnref14_8546" href="$-12">[13]</a></p></blockquote>
<p>Este é um aspecto pouco apreciado para a questão do tom: a vantagem de pesquisa da colegialidade. Quando os céticos tratam os adversários com cortesia, estamos melhor posicionados para adquirir a compreensão que precisamos para sermos críticos bem informados e eficazes.<a name="_ftnref15_8546" href="$-13">[14]</a> Durante a aventura de Shermer no <em>Donahue</em>, o anfitrião logo se viu em apuros,<a name="_ftnref16_8546" href="$-14">*</a> porque lhe faltava o conhecimento específico sobre o revisionismo do Holocausto. Isso pode acontecer facilmente para os céticos que se negam a ter conversas em profundidade através de divisões ideológicas profundas.</p>
<h3>O Lado Negro do Ridículo</h3>
<p>Os críticos freqüentemente emolduram os debates de civilidade como uma dicotomia: seja comedido <em>ou</em> seja honesto. Mas os céticos há muito tempo aprenderam que a escolha é freqüentemente entre <em>comedimento honesto</em> e <em>inventar coisas</em>. Isso é, a incivilidade às vezes vai de mãos dadas com o exagero, imprecisão factual e responsabilidade legal. (Considere frases céticas comuns tais como “Ele é uma fraude”. Essa frase sempre insulta, mas só de vez em quando é verdadeira).</p>
<h3>1991</h3>
<p>O cético <strong>Jim Lippard</strong> abordou isso em seu artigo de 1991, “<a href="http://www.discord.org/~lippard/hnta.html">Como não discutir com Criacionistas</a>”, publicado no jornal <em>Criação/Evolução</em> do Centro nacional para Educação Científica. De acordo com Lippard, “os oponentes do criacionismo na Austrália envolveram-se em táticas que levaram ao pedido de desculpas públicas aos criacionistas por rádio e mídia impressa, a crítica por outros opositores do criacionismo, e até mesmo ação judicial.” Ele forneceu vários estudos de caso detalhados, que eu convido os céticos a lerem.</p>
<p>Por exemplo, Lippard criticou o que chamou de “falsas declarações” de <strong>Ian Plimer</strong>, que estava entre os adversários mais contundentes do criacionismo. (Plimer é mais conhecido aos céticos de hoje por seus ataques <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VBQCsMJm3Zg">muito controversos</a> contra a ciência do clima). Lippard citou casos em que Plimer fez graves acusações sobre irregularidades financeiras por parte de organizações criacionistas – alegações pelas quais a Companhia de Radiodifusão da Austrália e o jornal <em>Media Information Australia<a name="_ftnref17_8546" href="$-15"><strong>[15]</strong></a></em> mais tarde pediram desculpas.</p>
<p>Lippard também citou uma carta na qual Plimer escreveu sobre “um grupo de jovens (principalmente meninos) acompanhando o [criacionista Duane] Gish os quais continuamente o tocavam. Isso é igual ao testemunho de outras fontes que lançam luz sobre a vida pessoal de Gish e que faz com que <strong>Jimmy Swaggart</strong> pareça um guardião moral da fé.” Lippard concluiu que essa alegação era uma “insinuação <em>ad hominem</em> sem base.” (O próprio Gish chamou de “uma escandalosa falsidade caluniosa”, dizendo “Eu desafio Plimer a produzir um pingo de evidência para apoiar a acusação acima.”)</p>
<p>Note que os argumentos de Lippard por “um estilo mais cuidadoso de debate e disputa” foram pragmáticos:</p>
<blockquote><p>“Ian Plimer e outros têm defendido seu estilo com o fundamento de que o criacionismo é um movimento político ao invés de científico. A minha impressão é que eles acham que o criacionismo deve ser detido a qualquer custo, por quase todos os meios disponíveis. &#8230; Enquanto o estilo mão de ferro poderia convencer algumas pessoas de que o criacionismo é ridículo e que não vale a pena ser considerado seriamente pelos cientistas, deturpações certamente virão à luz (como têm vindo). Quando isso ocorre, todos os ganhos de curto prazo e mais são perdidos.</p>
<p>Não devemos perder de vista o fato de que não importa quão tolo o criacionismo pareça de uma perspectiva informada, aqueles que aderem a ele são seres humanos. &#8230; O ridículo e o abuso simplesmente confirmam as suas suspeitas sobre os malignos evolucionistas conspiratórios que estão tentando suprimir o ponto de vista criacionista”.<a name="_ftnref18_8546" href="$-16">[16]</a></p></blockquote>
<p>Lippard não foi, aliás, o primeiro advogado da ciência a expressar preocupação sobre a abordagem de Plimer. Em 1989, <strong>David Suzuki</strong> utilizou Plimer como um exemplo para sua crítica que “alguns evolucionistas se tornaram fanáticos em sua busca da verdade, sendo tão rancorosos quanto seus alvos.”<a name="_ftnref19_8546" href="$-17">[17]</a></p>
<p><a href="http://www.talkorigins.org/faqs/how-not-to-argue.html" target="_blank">Revendo a questão</a>, Lippard ofereceu uma simples conclusão: “Os opositores do criacionismo não devem usar a mesma tática que os criacionistas costumam usar; eles devem ser cuidadosos, honestos e acurados.”</p>
<p>(Não está diretamente relacionado, mas Plimer mais tarde levou a sua batalha contra o criacionismo ao tribunal – e <a href="http://www.timeshighereducation.co.uk/story.asp?storyCode=100407&amp;sectioncode=26" target="_blank">diz-se</a> acabou tendo que pagar meio milhão de dólares em custos judiciais.)</p>
<h3>Crítica Apropriada</h3>
<h3>1987</h3>
<p>Isto nos leva ao que pode ser o argumento mais conciso e valioso já defendido para o comedimento cético: um artigo de 1987 chamado “<a href="http://www.csicop.org/si/show/proper_criticism/">A crítica adequada</a>”, escrito pelo psicólogo <strong>Ray Hyman</strong> (outro fundador do CSICOP). De acordo com o diretor executivo do CSI, <strong>Barry Karr</strong>, “A crítica adequada” de Hyman é “provavelmente o item mais reimpresso e amplamente divulgado que já apareceu na <em>Skeptical Inquirer</em> ou na <em>Skeptical Briefs</em>”, sendo amplamente adotado e reproduzido por organizações céticas em todo os Estados Unidos – e em todo o mundo.<a name="_ftnref20_8546" href="$-18">[18]</a></p>
<p>“A crítica adequada” veio no final da infância do movimento cético, depois de uma década passada aprendendo a dura lição de que, como Hyman, “a tarefa do crítico, se é para ser realizada adequadamente, é ao mesmo tempo desafiadora e cheia de perigos imprevistos.”</p>
<p>Que perigos? Processos estavam na lista de Hyman (não sem razão: James Randi e o CSICOP logo acabaram enfrentando um processo de difamação de $15 milhões de dólares – uma ameaça sempre presente que <a href="http://business.timesonline.co.uk/tol/business/law/article7098157.ece">pode levar os céticos à ruína</a> hoje). Desperdícios era outro:</p>
<blockquote><p>“Durante a primeira década de existência do CSICOP, os membros do Conselho Executivo, muitas vezes viram-se dedicando a maior parte do tempo disponível para controlar os danos – gerado pelos comentários descuidados de colegas céticos – em vez de para a causa comum de explicar a agenda cética”.<a name="_ftnref21_8546" href="$-19">[19]</a></p></blockquote>
<p>Mas Hyman estava mais preocupado quanto à integridade:</p>
<blockquote><p>“Nós podemos fazer melhorias enormes em nossos esforços coletivos e individuais, por simplesmente tentar aderir a esses padrões que nós professamos admirar e que acreditamos que muitos dos vendedores ambulantes do paranormal violam. Se nós próprios nos vemos como os defensores da racionalidade, da ciência e da objetividade, então devemos mostrar essas mesmas qualidades em nossas críticas. Apenas por tentar falar e escrever no espírito de precisão, ciência, lógica e racionalidade &#8230; elevaríamos a qualidade de nossas críticas por pelo menos uma ordem de magnitude”.</p></blockquote>
<p>Hyman tinha sugestões concretas sobre como realizar isso, discutidas nestes subtítulos:</p>
<blockquote><p>1. Esteja preparado.</p>
<p>2. Esclareça os seus objetivos.</p>
<p>3. Faça seu dever de casa.</p>
<p>4. Não vá além do seu nível de competência.</p>
<p>5. Deixe que os fatos falem por si.</p>
<p>6. Seja preciso.</p>
<p>7. Use o princípio da caridade.</p>
<p>8. Evite palavras carregadas e sensacionalismo.</p></blockquote>
<p>(Você notará que esta lista de um quarto de século de idade cobre exatamente o mesmo terreno que os dois discursos mais desafiadores na conferência de 2010 da TAM8: o discurso NSC de Plait e o alerta de <strong>Massimo Pigliucci</strong> para os céticos sobre a arrogância de opinar fora de nossa competência.)</p>
<p>Destes princípios, Hyman antecipou que o “princípio da caridade” pode ser o mais controverso.</p>
<blockquote><p>“Sei que muitos de meus colegas críticos acharão este princípio intragável. Para alguns, os crentes no paranormal são o “inimigo”, e parece inconsistente dar-lhes o benefício da dúvida.<a name="_ftnref22_8546" href="$-20">*</a> Mas ser caridoso com as alegações paranormais é simplesmente o outro lado de ser honesto e justo”.</p></blockquote>
<p>Isto é funcionalmente equivalente ao “<a href="http://skepticblog.org/2011/05/09/a-failure-to-engage/">engajamento justo</a>” de <strong>Steven Novella</strong>, ou à “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Assume_good_faith">Suposição de boa-fé</a>” da Wikipédia: <em>faça</em> um esforço genuíno para entender o melhor ponto do seu oponente, e prossiga nisso; <em>não</em> assuma motivos ímpios que não estão em evidência. Como Hyman continuou,</p>
<blockquote><p>“Nós freqüentemente podemos questionar a precisão ou a validade de uma dada afirmação paranormal. Mas raramente estamos em posição de saber se aquele que a defende está deliberadamente mentindo ou está auto-iludido. Além disso, muitas vezes temos uma escolha em como interpretar ou retratar os argumentos de um oponente. O princípio nos diz para retratar a posição do adversário de um modo objetivo, imparcial e não emocional”.</p></blockquote>
<p>Isto, diz Barry Karr, “nos fornece um lembrete necessário de que estamos no ramo de examinar as alegações e de criticar as idéias, não a pessoa. Sim, nós podemos ser firmes em nossas objeções, mas acima de tudo temos de ser justos e honestos na nossa abordagem.”</p>
<p>O Conselho Executivo do CSI continua a lutar com questões éticas espinhosas, em que Hyman e o seu pensamento permanecem como luzes orientadoras. Como <strong>Kendrick Frazier</strong> (Editor da <em>Skeptical Inquirer</em> nos últimos 34 anos) explica,</p>
<blockquote><p>“A crítica adequada” é e tem sido um dos principais guias éticos e estratégicos para os céticos. É especialmente importante que a nova geração de céticos a leia e adote. Ela fornece uma noção das disputas antigas pelas quais céticos passaram, como evitá-las e, mais importante, como ser eficaz.<a name="_ftnref23_8546" href="$-21">[20]</a></p></blockquote>
<h3>Uma Cisma Inicial</h3>
<h3>1977</h3>
<p>O sociólogo <strong>Marcello Truzzi</strong> foi um membro fundador do CSICOP (de fato, o CSICOP foi criado a partir de um grupo novato que Truzzi iniciou em 1975), e o primeiro editor de seu periódico, <em>The Zetetic</em> (agora chamado <em>Skeptical Inquirer</em>). Ele renunciou a esse cargo depois de apenas duas edições alegando diferenças de princípio – incluindo as questões ligadas a tom e abertura.</p>
<p>Comentando sobre a renúncia de Truzzi, o jornal <em>Science</em> resumiu a discordância:</p>
<blockquote><p>“Há, portanto, um espectro de opinião sobre o comitê dentre aqueles que tendem a favorecer uma linha mais dura, desmascarando o tratamento do paranormal e aqueles que tendem para uma avaliação cética, mas de mente aberta das alegações paranormais. Os “céticos” desejam implantar todo o poder do método científico contra crenças paranormais; os “céticos” consideram que tal prejulgamento das alegações paranormais é tão anti-científico como algumas das próprias alegações podem ser”.<a name="_ftnref24_8546" href="$-22">[21]</a></p></blockquote>
<p>Ray Hyman é citado neste mesmo artigo da <em>Science</em>, expressando um sentimento que prenuncia o seu artigo “A crítica adequada” 10 anos depois:</p>
<blockquote><p>“Pessoas com um passado em mágica &#8230; tendem a ver isto como uma cruzada pela mente das pessoas, na qual devemos usar fogo contra fogo, e não sermos muito sutis ou eruditos ou vamos perder por omissão. Acredito que seria mais eficaz sermos mais eruditos e construir a nossa credibilidade”.</p></blockquote>
<p>Truzzi passou a escrever décadas de críticas do ceticismo organizado, e fez alguns acertos notáveis. (Seu artigo de 1987 “<a href="http://www.anomalist.com/commentaries/pseudo.html">Sobre o Pseudo-ceticismo</a>” é essencialmente idêntico em conteúdo ao meu recente “<a href="http://skepticblog.org/2010/10/22/burden-of-proof/">Escalando o Monte Heinlein</a>”). Ainda assim, continuo não persuadido pelo seu desdém geral para o estilo de ceticismo do CSICOP. Um advogado do diabo, afinal, diz apenas a metade de toda a história. De qualquer maneira, Truzzi foi uma figura fundamental na criação do movimento cético da língua inglesa: ele ajudou a criar os primeiros grupos céticos norte-americanos, ele foi o editor original da primeira publicação cética norte-americana, e ele recebe o crédito por ter cunhado a frase “uma alegação extraordinária exige provas extraordinárias” (mais famosa na forma modificada usada posteriormente por Sagan, embora o sentimento anteceda ambos).<a name="_ftnref25_8546" href="$-23">[22]</a></p>
<p>E lá no início: a batalha sobre o tom.</p>
<h3>Sem Lágrimas, Sem Honras, Sem Cânticos</h3>
<h3>1838</h3>
<p>E, no entanto, os argumentos sobre o tom do ceticismo antecedem mesmo a fundação das primeiras organizações céticas. Eles são anteriores à televisão, aviões e lâmpadas elétricas.</p>
<p>Muito antes da invenção do Pé Grande, ou dos discos voadores, ou de quiropratas, ou do espiritualismo, ou da “pesquisa psíquica”, os céticos estavam fazendo apelos fervorosos para outros céticos sobre o tom.</p>
<p>Vou encerrar hoje com uma longa citação do livro de 1838 <a href="http://books.google.ca/books?id=2dERAAAAYAAJ&amp;lpg=PA15&amp;ots=0DAFUf5yLI&amp;dq=%22Unhappily%2C%20however%2C%20those%20who%20have%20buckled%20on%20the%20armour%22&amp;pg=PA15#v=onepage&amp;q=%22Unhappily,%20however,%20those%20who%20have%20buckled%20on%20the%20armour%22&amp;f="><em>Impostores de Nova Iorque</em></a>.</p>
<p>Ela realmente diz tudo.</p>
<p>“Infelizmente, no entanto, aqueles que têm se vestido com a armadura contra as loucuras dos tempos, têm sido muitas vezes imprudentes e indiscretos no caráter e no espírito de suas ações. Desgostosos com a estupidez das vítimas da ilusão, e provocados por sua adesão obstinada ao erro, eles as atacaram de forma pessoal, em vez de atacar a falsa filosofia e a pseudo-filantropia que lhes foram impostas, e assim eles criaram um show de intolerância que tem sido fatal para o seu sucesso. &#8230;</p>
<p>A perseguição só serve para propagar novas teorias, sejam da filosofia ou da religião, como a história do mundo demonstra; e isso nunca falhou, fossem essas teorias verdadeiras ou falsas. Elas adquirem um vigor novo sob os golpes da intolerância, e como insetos vivazes parecem se multiplicar por dissecção. Assim, todas as tentativas para acabar com os impostores, ou os entusiastas, pela censura e pela injúria, dirigida contra eles pessoalmente, por causa de suas loucuras ou de seus crimes, jamais foi vencida. Eles próprios são tão sensíveis que a oposição deste tipo promove a sua causa, de forma que eles desejam, convidam, e até mesmo provocam isso. De fato, algumas das loucuras populares atuais se devem apenas às perseguições alegadas ou reais que sofreram, não só aos seus devotos, mas mesmo à sua existência presente; não fosse por isso há muito teriam descido para o túmulo dos Capuletos, “sem lágrimas, sem honras, sem cânticos.”<a name="_ftnref26_8546" href="$-24">[23]</a></p>
<hr size="1" />
<blockquote><p><a name="_ftn1_8546" href="$-25"><span style="font-size: xx-small;">[1]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Plait pegou emprestada a frase “não seja um cretino” de uma máxima existente na internet, a Lei Wheaton, e a incluiu perto do fim do seu discurso como um floreio retórico. Seu argumento poderia ter sido feito sem ele (como, aliás, Carl Sagan fez em 1996). Era previsível que “Phil está nos chamando de cretinos!” iria dominar a discussão, em muitos casos, deixando-se de lado os argumentos de Plait? Provavelmente. É lamentável que este tenha sido o resultado, mas isso demonstra o que Plait queria dizer. Quando as pessoas se sentem insultadas, o insulto torna-se a discussão.</span></p>
<p><a name="_ftn2_8546" href="$-26"><span style="font-size: xx-small;">[2]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Veja meus posts (entre outros): </span><a href="http://skepticblog.org/2011/05/24/horse-laughs/"><span style="font-size: xx-small;">“Horse-Laughs, the Rapture, and Ticking Bombs”</span></a><span style="font-size: xx-small;">;</span><a href="http://skepticblog.org/2010/09/19/skeptics-as-model-train-lovers-2/"><span style="font-size: xx-small;">“Skeptics as Model Train Lovers (Part II)”</span></a><span style="font-size: xx-small;">; </span><a href="http://skepticblog.org/2010/07/26/the-reasonableness-of-weird-things/"><span style="font-size: xx-small;">“The Reasonableness of Weird Things”</span></a><span style="font-size: xx-small;">; ou,</span><a href="http://skepticblog.org/2010/07/02/science-of-honey-and-vinegar/"><span style="font-size: xx-small;">“Bring on the Science of Honey and Vinegar.”</span></a></p>
<p><a name="_ftn3_8546" href="$-27"><span style="font-size: xx-small;">[3]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> “Eu não sou apenas um membro da comunidade da Nova Era”, enfatizou McLaren. “Eu também tenho sido uma fonte de muitas das coisas com as quais a comunidade cética se preocupa. Eu estive envolvida na metafísica e na Nova Era por mais de 30 anos, eu escrevi quatro livros e gravei cinco cds sobre a matéria, e eu era considerada uma das líderes no campo.” Seus livros anteriores incluem títulos tais como Sua Aura e Seus Chakras: Manual do Proprietário. (Seu recente livro A Linguagem das Emoções enfatiza a ciência social, continuando em uma veia de auto-ajuda.) Muito tem se falado sobre a sua jornada em direção ao ceticismo, mas é a sua visão sobre a cultura da Nova Era que é útil a este “tom” da discussão.</span></p>
<p><a name="_ftn4_8546" href="$-28"><span style="font-size: xx-small;">[4]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Como observa Michael Shermer em seu post “</span><a href="http://skepticblog.org/2011/05/31/demographics-of-belief/"><span style="font-size: xx-small;">A Demografia da Crença</span></a><span style="font-size: xx-small;">”, “Embora os percentuais específicos da crença no sobrenatural e no paranormal entre os países e as décadas variem um pouco, os números permanecem bastante consistentes de que a maioria das pessoas tem algum tipo de crença paranormal ou sobrenatural.”</span></p>
<p><a name="_ftn5_8546" href="$-29"><span style="font-size: xx-small;">[5]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Sagan, Carl. The Demon-Haunted World. (Random House: New York, 1996.) p. 302</span></p>
<p><a name="_ftn6_8546" href="$-30"><span style="font-size: xx-small;">[6]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> ibid. p. 297–298</span></p>
<p><a name="_ftn7_8546" href="$-31"><span style="font-size: xx-small;">[7]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> ibid. p. 300</span></p>
<p><a name="_ftn8_8546" href="$-32"><span style="font-size: xx-small;">[8]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Baker, Robert and Joe Nickell. Missing Pieces: How to Investigate Ghosts, UFOs, Psychics, &amp; Other Mysteries. (Prometheus Books: Buffalo, New York, 1992.) p. 298</span></p>
<p><a name="_ftn9_8546" href="$-33"><span style="font-size: xx-small;">[9]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> ibid. p. 286. Esta passagem foi extraída com pouca modificação do artigo de Ray Hyman que eles estavam discutindo.</span></p>
<p><a name="_ftn10_8546" href="$-34"><span style="font-size: xx-small;">[10]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Pat Linse. 16 de junho de 2011</span></p>
<p><a name="_ftn11_8546" href="$-35"><span style="font-size: xx-small;">[11]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Michael Shermer. 20 de junho de 2011.</span></p>
<p><a name="_ftn12_8546" href="$-36"><span style="font-size: xx-small;">*</span></a><span style="font-size: xx-small;"> a ratings powerhouse that pioneered the daytime talk genre later dominated by Oprah</span></p>
<p><a name="_ftn13_8546" href="$-37"><span style="font-size: xx-small;">[12]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Shermer, Michael. <em>Why People Believe Weird Things</em>. (W.H. Freeman and Company: New York, 1997.) p. 179</span></p>
<p><a name="_ftn14_8546" href="$-38"><span style="font-size: xx-small;">[13]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Shermer, Michael, and Alex Grobman. Denying History. (University of California Press: California, 2002.) p. 2</span></p>
<p><a name="_ftn15_8546" href="$-39"><span style="font-size: xx-small;">[14]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Um caso clássico no ceticismo é a “familiaridade agradável” entre Harry Houdini (um defraudador implacável de médiuns espíritas) e Ira Davenport (a metade sobrevivente de “Os Irmãos Davenport”, que foram pioneiros superstar da mediunidade de espíritos). Davenport revelou a Houdini “muito de valor histórico sobre os irmãos, que nunca apareceu na imprensa” – ou seja, <em>exatamente como eles o faziam</em>. Enquanto todos os registros anteriores dos irmãos tinham sido “vagos, especulativos, superficiais”, Houdini foi o único investigador a obter a “confissão de um coração aberto” de Ira. Houdini, Harry. <em>A Magician Among the Spiritis</em>. (Fredonia Livros:. Amsterdam, 2002) p. 17-37</span></p>
<p><a name="_ftn16_8546" href="$-40"><span style="font-size: xx-small;">*</span></a><span style="font-size: xx-small;"> During Shermer’s Donahue adventure, the host soon found himself in over his head</span></p>
<p><a name="_ftn17_8546" href="$-41"><span style="font-size: xx-small;">[15]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> “Apology to Creation Science Foundation Ltd.” <em>Media Information Australia</em>. N º 55. Fevereiro de 1990. p. 64. “&#8230; <em>Media Information Australia</em> deseja comunicar que as opiniões e as alegações contidas no artigo acima são do Professor Plimer e não são adotadas ou compartilhadas pela Escola de Cinema, Televisão e Rádio Australiana, seus diretores, empregados e agentes ou os editores e outros envolvidos com a publicação da Media lnformation Australia. Qualquer dano que tenha sido sofrido pela Creation Science Foundation Ltd e seus diretores e outros oficiais e membros e T Duane Gish pedimos desculpas e lamentamos”.</span></p>
<p><a name="_ftn18_8546" href="$-42"><span style="font-size: xx-small;">[16]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Lippard, Jim. “How Not to Argue With Creationists.” Creation/Evolution. Vol. 11, No. 2 (Winter 1991–1992.) p. 9–21. </span><a href="http://ncse.com/webfm_send/1159"><span style="font-size: xx-small;">Full issue PDF</span></a><span style="font-size: xx-small;">. Acessado em 11 de junho de 2011.</span></p>
<p><a name="_ftn19_8546" href="$-43"><span style="font-size: xx-small;">[17]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Suzuki, David. “Creationism Flourishes in North America.” The Lethbridge Herald, Dec 16, 1989. p. 6</span></p>
<p><a name="_ftn20_8546" href="$-44"><span style="font-size: xx-small;">[18]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Barry Karr. 20 de junho de 2011</span></p>
<p><a name="_ftn21_8546" href="$-45"><span style="font-size: xx-small;">[19]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Hyman, Ray. “Proper Criticism.” <em>Skeptical Inquirer</em>, Vol. 25, No. 4. July / August 2001. p. 53–55.</span></p>
<p><a name="_ftn22_8546" href="$-46"><span style="font-size: xx-small;">*</span></a><span style="font-size: xx-small;"> To some, the paranormalists are the “enemy,” and it seems inconsistent to lean over backward to give them the benefit of the doubt</span></p>
<p><a name="_ftn23_8546" href="$-47"><span style="font-size: xx-small;">[20]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Comunicação pessoal de Kendrick Frazier. 20 de junho de 2011.</span></p>
<p><a name="_ftn24_8546" href="$-48"><span style="font-size: xx-small;">[21]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Wade, Nicholas. “Schism Among Psychic-Watchers.” <em>Science</em> 197. 1977. p. 1344</span></p>
<p><a name="_ftn25_8546" href="$-49"><span style="font-size: xx-small;">[22]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Articulações anteriores deste sentido também existem; por exemplo, a máxima de David Hume, “Um homem sábio, portanto, proporciona a sua crença à evidência.” Hume, David. <em>An Enquiry Concerning Human Understanding</em>. (Open Court Publishing Company:. Peru, Illinois, 1993) p. 144</span></p>
<p><a name="_ftn26_8546" href="$-50"><span style="font-size: xx-small;">[23]</span></a><span style="font-size: xx-small;"> Reese, David Meredith. <em>Humbugs of New York: being a remonstrance against popular delusion</em>. (New York: 1838.) p. 14–16.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-size: xx-small;">[imagem inicial: <a href="http://www.sxc.hu/photo/911615" target="_blank">sxc.hu/bluegum</a>]</span></p>
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		<title>Pseudo-Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 00:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Richard Morrock, publicado em eSkeptic, 12 out 2010 Traduzido por colaboração de Lisângelo Berti As idéias do psicanalista dissidente Wilhelm Reich tendem a ser encontradas na costa mais distante da vida intelectual americana, onde abundam as teorias de conspiração, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-6248" title="wilhelm reich org2   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/wilhelm_reich_org2.jpg" alt="wilhelm reich org2 ceticismo" width="600" height="455" /></p>
<p>por <strong>Richard Morrock</strong>, publicado em <a href="http://www.skeptic.com/eskeptic/10-12-29/" target="_blank">eSkeptic</a>, 12 out 2010</p>
<p>Traduzido por colaboração de Lisângelo Berti</p>
<p>As idéias do psicanalista dissidente <strong>Wilhelm Reich</strong> tendem a ser encontradas na costa mais distante da vida intelectual americana, onde abundam as teorias de conspiração, OVNIs assombram os céus, e a esquerda radical começa a confundir-se com o ultra-direitismo. Ofuscado ainda na década de 1960 por seu rival, <strong>Herbert Marcuse</strong>, Reich continuou a ser um herói e mártir para um pequeno mas fragmentado grupo de seguidores, e uma grande influência sobre o pensamento de um grupo muito maior de não-conformistas políticos e sexuais que podem não se intitular como Reichianos.</p>
<p>Wilhelm Reich nasceu e cresceu no remoto interior oriental do Império Austríaco por volta da virada do século. Após mudar-se para Viena ao fim da Primeira Guerra Mundial, ele envolveu-se com o crescente movimento da psicanálise de <strong>Sigmund Freud</strong>, e logo veio a ser considerado como o seu discípulo mais produtivo. Ao mesmo tempo, Reich envolveu-se com a política marxista; ele era um membro do Partido Comunista da Áustria, e mais tarde foi um membro do Partido Comunista Alemão por um breve período.</p>
<p>Reich não era de longe o único a combinar uma profissão psicanalítica com uma ocupação proletária revolucionária, embora tivesse uma propensão peculiar para discutir com outros, tais como Marcuse e <strong>Otto Fenichel</strong>, que compartilhavam essas duas orientações. Reich, entretanto, combinou o político e o pessoal de tal forma que o distinguiu até mesmo de seus colegas psicoanalíticos mais radicais. Ele argumentou que a repressão sexual era a base da opressão classista, e que só a libertação do indivíduo do seu complexo de Édipo poderia preparar o caminho para o surgimento da justiça social após a revolução vindoura.</p>
<p>Essa teoria estabelecia um desafio tanto para os fundamentos comunistas como para os psicanalíticos. Dos primeiros, Reich exigiu um compromisso com a revolução sexual que, após um curto período de experimentação, no levante da revolução bolchevique, os seguidores de Lenin não estavam dispostos a fazer. Dos últimos, Reich exigiu apoio tanto à revolução sexual como social, mas os psicanalistas não estavam preparados para exigir a eliminação de toda a repressão sexual, e a maioria estava muito confortável em sua vida profissional para erguer barricadas em nome da classe trabalhadora internacional. Consequentemente, em 1935, Reich tinha sido expulso das fileiras tanto do movimento comunista como da Associação Psicanalítica Internacional.</p>
<p>Apesar de seus seguidores ignorarem o fato, há uma contradição na prescrição de Reich para a sociedade. Se, como Reich argumenta, a repressão sexual é essencial para a sobrevivência da sociedade classista opressora e se, como ele também afirma, a sociedade classista opressora impõe a repressão sexual, então por onde é que se começa a eliminar a opressão? Não pode ser através da psicoterapia, porque a classe dominante não permitiria, nem pode ser feito através da revolução, porque os trabalhadores sexualmente reprimidos não seriam capazes de criar uma sociedade verdadeiramente livre &#8211; basta olhar para a Rússia. Dadas as hipóteses de Reich, progresso social significativo é quase impossível. Não deveria ser surpresa, então, que seu grupo mais ativo de adeptos, o Colégio Americano de Orgonomia, já se afastou das idéias originais esquerdistas de seu fundador e apoia uma variedade linha dura de ultra-conservadorismo. O próprio Reich, no final de sua vida, idolatrava Eisenhower e apoiou a Guerra da Coréia, mas mesmo ele teria hesitado em pedir mais autoritarismo nas escolas públicas ou insinuar que a queda do comunismo na Europa Oriental era na verdade uma conspiração comunista.</p>
<p>A ascensão do nazismo na Alemanha e na Áustria obrigaram Reich a emigrar para os Estados Unidos, após uma curta estadia na Escandinávia onde, mesmo na relativamete liberal Noruega, seus pontos de vista sexuais radicais levaram-no a ter problemas com as autoridades. Chegando em Nova York, Reich estabeleceu-se na região classe média Forest Hills e fundou uma escola de pensamento psicanalítico que posteriormente ampliou para incluir as opiniões sobre tudo, desde a educação sexual até as origens do universo. Depois de sua morte, seus seguidores dividiram-se em facções rivais. Existem agora três organizações Reichianas &#8220;ortodoxas&#8221; que lutam ferrenhamente entre si, enquanto ao mesmo tempo desprezam os &#8220;neo-Reichianos&#8221; como <strong>Alexander Lowen</strong>, fundador da bioenergética.</p>
<p>Para seu crédito, Reich foi o primeiro teórico a levar o corpo humano para dentro da psicoterapia, continuando um processo que foi iniciado, de modo algo hesitante, por Freud. Reich argumentava que as emoções reprimidas foram enterradas no que ele descreveu como armadura muscular. Algumas vezes ele ilustraria o que chamava de &#8220;<em>segmentos</em>&#8221; do corpo &#8211; cabeça, tórax, pélvis, etc &#8211; em mapas notavelmente parecidos com aqueles usados por médicos hindus para retratar os chacras, ou centros de energia. Essencial para a terapia Reichiana é a liberação de emoções reprimidas através da manipulação física do corpo do paciente, em conjunto com a psicoterapia de orientação mais ou menos freudiana. Às vezes isso teve resultados dramáticos, mas nem sempre positivos. Nos casos em que o paciente não está preparado para aceitar os sentimentos que são liberados, os efeitos são semelhantes a uma &#8220;<em>bad trip</em>&#8221; de LSD. Após sua experiência, o paciente começa a acreditar em algumas coisas bem estranhas.</p>
<p>Paradoxalmente, maus resultados na terapia Reichiana apoiam suas teorias, tanto quanto o ouro transformado em chumbo, ainda que sem proveito, ao menos prova que os alquimistas foram de fato capazes de transmutar metais.</p>
<p><strong>Anna Freud</strong>, que bem conheceu Reich durante seus dias em Viena, considerava-o psicótico. Não se pode aceitar sem reservas essa afirmação, desnecessário dizer, já que basta lembrar que a defesa de Reich pela liberação sexual pode não ter se encaixado muito bem com o celibato da Sra. Freud. Mas nos últimos anos de sua vida, Reich estava mostrando sinais de paranóia, que até mesmo seus seguidores mais devotados foram duramente pressionados a negar. Dois de seus últimos livros, &#8220;<em>Escute, Zé Ninguém</em>&#8221; e &#8220;<em>O Assassinato de Cristo</em>&#8220;, podem ser lidos como sermões bizarros, onde Reich expunha a perversidade dos tolos tacanhos que não o reconhecem como o messias secular. Estas duas obras fazem Reich soar como a quintessência dos cientistas loucos.</p>
<p><img class="size-full wp-image-6249 aligncenter" title="amoeba12   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/amoeba12.jpg" alt="amoeba12 ceticismo" width="472" height="461" /></p>
<p>Mas nenhum destes livros se compara com seu último, <em>Contact With Space</em>. Enquanto Reichianos acusam o governo dos Estados Unidos de táticas totalitárias porque a <em>Food and Drug Administration</em> (FDA &#8211; Administração de Alimentos e Remédios), em um excesso de zelo burocrático, queimou os livros de Reich quando fecharam seu laboratório, os Reichianos têm mantido <em>Contact With Space</em> impublicado, para garantir que o público permaneça sem conhecimento das curiosas noções de Reich sobre discos voadores hostis.</p>
<p>Diferentemente de grupos conhecidos pelos céticos, como <em>MUFON</em> e <em>CUFOS</em>, Reich não se limitou a sustentar que a Terra estava sendo visitada por alienígenas. Ele chegou até a alegar que os OVNIs eram hostis, pilotados por seres que ele chamava de &#8220;<em>povo CORE</em>&#8221; que vinha para roubar a energia orgônica de nosso planeta. Ele até mesmo divagou se seu pai não seria um desses &#8220;<em>povo CORE</em>&#8220;, que faria de Reich o produto de miscigenação interplanetária. Pela maneira hesitante na qual ele expressou esta opinião, parece que sua formação psicanalítica alertou-o sobre a possibilidade de que esta noção seria ilusória.</p>
<p>Seus seguidores nem sempre tiveram essas dúvidas. Um graduado em terapia Reichiana, <strong>Jerome Eden</strong> (já falecido), fundou um grupo chamado <em>Conselho de Cidadãos Planetários Profissionais</em>, cujo título pretensioso disfarçava o fato de nunca ter tido mais de oito ou dez membros. Eden não só alardeava a teoria de que a Terra estava sendo atacada por discos voadores hostis, como ainda afirmava ter traduzido um manual de &#8220;<em>Combate Cósmico</em>&#8220;, supostamente encontrado em um local de pouso de OVNI junto com um conveniente dicionário bilíngue, entregando os planos dos alienígenas para subjugar a Terra através de dissimulação e trapaça. &#8220;<em>Se alguém detectar a nossa intenção</em>&#8220;, as supostas criaturas espaciais furtivamente declaram: &#8220;<em>a melhor defesa é publicamente afirmar que tal alegação é absurda e tachar essa pessoa como obviamente insana</em>&#8220;. O autor do documento cita o grande teórico militar prussiano <strong>Clausewitz </strong>, levantando algumas suspeitas em minha mente de que ele/ela (ou ser) deve ter sido do nosso próprio planeta, embora alguém possa se opor a tão precipitadas conclusões!</p>
<p><img class="size-full wp-image-6250 aligncenter" title="cloudbuster2   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/cloudbuster2.jpg" alt="cloudbuster2 ceticismo" width="368" height="397" /></p>
<p>Reichianos relataram enfrentamentos com OVNIs, usando seus &#8220;C<em>loudbusters</em>&#8221; (arrasa-nuvens) &#8211; dispositivos de controle climático de valor não comprovado. Em fevereiro de 1955, um grupo de cientistas reichianos alegou ter expulsado OVNIs invasores de Tucson, Arizona, sofrendo uma baixa de um heróico defensor ferido por uma explosão radioativa. Os invasores nunca retornaram. O próprio Reich uma vez disse ter rechaçado um OVNI com seu próprio cloudbuster perto de seu laboratório em Rangeley, Maine.</p>
<p>Reichianos não têm enfatizado a ameaça dos OVNIs em anos recentes. No entanto, <strong>Peter Robins</strong> de Nova York tem falado em reuniões do Colégio Americano de Orgonomia sobre os visitantes espaciais, e parece aspirar ao título de Eden como principal autoridade reichiana sobre OVNIs.</p>
<p>Uma questão controversa sobre a qual Reichianos têm muito a dizer é o controle climático. Reichianos, com os seus &#8220;cloudbusters&#8221; baseados em &#8220;energia orgônica&#8221;, exigem reconhecimento cada vez que uma seca termina no Ocidente, embora grupos reichianos rivais frequentemente briguem entre si sobre quais experiências realmente causaram a chuva. A alegação não comprovada de controle climático tende a afastar algumas pessoas que poderiam ser atraídas para as idéias reichianas; salvar o mundo é uma coisa, brincar de Deus é outra. Reichianos de carteirinha, no entanto, esperam que suas experiências de fabricar chuva obriguem os céticos a aceitar toda sua cosmologia.</p>
<p>Outra teoria aceita pelos Reichianos é a geração espontânea. Reich argumentava que formas de vida poderiam surgir de matéria inorgânica em tubos de ensaio lacrados e esterilizados, contendo entulho de quintal comum fervido em água. Se isso fosse verdade, invalidaria todas as pesquisas biológicas dos últimos séculos. Reich desdenhou dos críticos que argumentavam que o surgimento de amebas e outros micro-organismos nos tubos de ensaio era devido a seus controles inadequados, que permitiram que esporos sobrevivessem no composto. Seus seguidores alegam que os cientistas convencionais são incapazes de apreciar as descobertas de Reich porque estão &#8220;blindados&#8221; por suas neuroses &#8211; uma espécie de equivalente moderno à Roupa Nova do Imperador. Dizem que se outros cientistas passassem pela terapia orgonômica, veriam os mesmos fenômenos que o Reichianos relatam em seus próprios laboratórios. Isso pode até ser verdade, se assumirmos que a terapia reichiana é tão prejudicial que frequentemente leva as pessoas a ver coisas que não existem.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-6251" title="4899254920 8bfcef8f612 e1310950128641   Pseudo Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/07/4899254920_8bfcef8f612-e1310950128641.jpg" alt="4899254920 8bfcef8f612 e1310950128641 ceticismo" width="600" height="394" /></p>
<p>Reich terminou sua vida na prisão, morrendo de ataque cardíaco pouco antes do prazo para ser liberto. A acusação original contra ele era vender &#8220;<em>acumuladores orgônicos</em>&#8221; além da fronteira estadual, o que o levou a ter problemas com a FDA. No entanto, ele poderia facilmente ter se livrado desta acusação se assim quisesse. Reich recusou-se a contestar a acusação em tribunal, alegando que suas doutrinas &#8220;científicas&#8221; não poderiam ser discutidas em uma corte de justiça. Ele foi condenado não por fraude ou charlatanismo, mas por desrespeito ao tribunal.</p>
<p>Seguidores de Reich sustentam que seu líder foi enquadrado como parte de uma conspiração comunista e que o governo americano, no auge da Guerra Fria e depois de anos de histeria macarthista, estava atuando como instrumento de Moscou, quando processou ​​Reich.</p>
<p>Ironicamente, o objetivo original de Reich era eliminar da doutrina de Freud sua bagagem metafísica e colocá-la numa base científica sólida. Mas enquanto sua escola de pensamento desenvolvia-se, ela passou a incluir mais e mais teorias há muito descartadas e histórias populares, vestidas com terminologia pseudocientífica e confirmadas através de experimentos duvidosos que não-Reichianos não foram capazes de repetir. A geração espontânea é revivida nas descrições de Reich dos &#8220;Bacilos T&#8221;. Magnetismo animal se transforma em energia orgônica e o Yin e Yang do Budismo Mahayana são retrabalhados na teoria de Reich sobre a sobreposição cósmica.</p>
<p>Com o quê Reich nunca rompeu na psicanálise foi a noção de reducionismo, que vê os eventos sociais como nada mais do que o reflexo da realidade psicológica. Reich, de fato, levou-o ainda mais longe, tentando reduzir a psicologia à biologia e física, sendo esta última, como <strong>Martin Gardner</strong> salientou, um assunto sobre o qual Reich tinha muito pouco conhecimento. Juntamente com o seu autoritarismo e sua própria aparente incapacidade de distinguir o objetivo de fenômenos subjetivos, o reducionismo de Reich levou-o a desenvolver uma psicoterapia pseudocientífica que excede todas as outras, tanto em seu âmbito e dogmatismo como na intolerância de seus adeptos.</p>
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		<title>Voc&#234; foi Cutucado por Deus</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jun 2011 02:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="touched by his noodly appendage   Voc&ecirc; foi Cutucado por Deus" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/touched_by_his_noodly_appendage.jpg" border="0" alt="touched by his noodly appendage ceticismo" width="600" height="307" /></p>
<p>Artigo de <strong>Daniel Loxton</strong>, publicado em <a href="http://skepticblog.org/2011/06/07/you-have-been-poked-by-god/" target="_blank"><em>Skepticblog</em></a><br />
Tradução gentilmente autorizada</p>
<p>O pioneiro cético <strong>Isaac Asimov</strong> (um dos fundadores do <a href="http://www.csicop.org/about/about_csi" target="_blank"><em>CSICOP</em></a>, hoje <em>CSI</em>) produziu uma biblioteca tão impressionante de livros (<a href="http://www.asimovonline.com/oldsite/asimov_catalogue.html" target="_blank">mais de 500!</a>) que suas múltiplas autobiografias foram apenas pontuações. Eu tenho três autobiografias de Asimov na biblioteca <em><a href="http://www.skeptic.com/junior_skeptic/" target="_blank">Junior Skeptic</a></em>. Às vezes, apenas por diversão, pego uma ao acaso, abro-a e leio as primeiras duas páginas que vejo à minha frente. Toda vez que faço isso, sem falta:</p>
<ol>
<li>leio algo engraçado;</li>
<li>aprendo algo interessante e;</li>
<li>sinto um post no blog surgindo pronto em minha cabeça.</li>
</ol>
<p>Isto certamente aconteceu quando li a história de Asimov de sua experiência pessoal com a premonição psíquica ou a intervenção divina – na forma de um literal cutucão no ombro.[1]</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/055356997X?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=055356997" target="_blank"><img style="background-image: none; margin: 0px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Asimov Cover2   Voc&ecirc; foi Cutucado por Deus" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Asimov-Cover2.jpg" border="0" alt="Asimov Cover2 ceticismo" width="220" height="360" align="right" /></a>Como contado em <em><a href="http://www.amazon.com/gp/product/055356997X?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=055356997" target="_blank">I. Asimov</a></em> [um trocadilho entre a abreviatura de seu nome e “<em>Eu. Asimov</em>” em inglês], a história tomou lugar em uma tarde de 1990. Asimov estava dormindo em um leito privado de hospital (onde estava sendo tratado por sérios problemas cardíacos). Sua esposa <strong>Janet</strong> havia voltado para casa para alguns afazeres domésticos, deixando Asimov sozinho em seu quarto trancado.</p>
<p>Então algo estranho aconteceu. Asimov recordou: “<em>Eu estava dormindo e então um dedo me cutucou. Eu acordei, é claro, e olhei assustado para ver o que havia me acordado e por que motivo</em>”.</p>
<p>Ele examinou o quarto bem claro, iluminado pelo Sol. Estava vazio. A porta estava trancada e com correntes. O banheiro estava vazio. Não havia ninguém no armário. Era um verdadeiro mistério intrigante, envolvendo um quarto trancado, muito parecido com aqueles sobre o qual ele comumente escrevia. Sua mente se apressou sozinha a chegar a uma solução:</p>
<blockquote><p>“Por mais racionalista que seja, não havia forma pela qual pudesse evitar pensar que alguma influência sobrenatural havia interferido para me dizer que algo havia acontecido com Janet (naturalmente, meu maior medo). Eu hesitei por um momento, tentando combater a ideia, e se envolvesse qualquer outra pessoa que não Janet, eu realmente teria deixado a ideia de lado. Mas eu liguei para ela”.</p></blockquote>
<p>Felizmente, sua esposa atendeu prontamente. Ela estava bem.</p>
<blockquote><p>“Aliviado, eu desliguei o telefone e parei para considerar o problema de quem ou o que havia me cutucado. Teria sido apenas um sonho acordado, uma alucinação? Talvez, mas pareceu absolutamente real”.</p></blockquote>
<p>Ao final, ele descobriu o que havia acontecido: envolvido em seus próprios braços, Asimov havia conseguido cutucar <em>a si mesmo</em> no ombro. Mistério solucionado.</p>
<p>Mas imagine, ele refletiu, que as coisas tivessem se desenrolado de outra forma.</p>
<blockquote><p>“Agora suponha que no exato momento em que me cutuquei, Janet, por alguma coincidência absolutamente sem significado, tivesse tropeçado e machucado seu joelho. E suponha que eu tivesse ligado e ela houvesse reclamado e dito, ‘Eu acabei de me machucar’.</p>
<p>Teria eu resistido ao pensamento de uma interferência sobrenatural? Eu espero que sim. No entanto, não posso estar seguro. É o mundo em que vivemos. Corromperia os mais fortes, e não imagino que eu seja o mais forte”.</p></blockquote>
<h3>A Persuasão da Experiência Pessoal</h3>
<p>É fácil ver como a experiência visceralmente convincente de Asimov poderia tê-lo persuadido, e Asimov foi honesto o suficiente para admiti-lo. Afinal, aconteceu durante uma doença ameaçadora, próxima do final de sua vida, em uma época em que ele estava obcecado com a morte. (Em uma nota relacionada porém mais leve, Asimov teve um sonho ao redor dessa época em que ele chegou, surpreso, no Céu. Depois de discutir com um anjo que o saudou a respeito de haver um engano em permitir a entrada de um velho ateu, Asimov ‘<em>pensou por um momento e então se voltou ao anjo escrivão e perguntou: ‘Há alguma máquina de escrever por aqui que eu possa usar?’</em>’[2]).</p>
<p>Eventos como a premonição de Asimov são uma força inexorável a favor da crença sobrenatural: humanos são facilmente confundidos, e se agarram facilmente a explicações sobrenaturais; experiências deste tipo são imensamente poderosas; e as implicações das crenças sobrenaturais podem ser muito, muito sedutoras. É muita coisa para resistir.</p>
<p>Como Asimov perguntou em uma [edição da revista] <em>Skeptical Inquirer</em> em 1986:</p>
<blockquote><p>“Você gosta de ideia de morrer, ou de que alguém que você ame morra? Você pode culpar alguém por convencer-se de que há algo como uma vida eterna e que essa pessoa verá todos aqueles que ama em um estado de felicidade perpétua?</p>
<p>Você se sente confortável com as incertezas diárias da vida, sem nunca saber o que o próximo momento trará? Você pode culpar alguém por convencer-se de que pode alertar e se precaver contra estas incertezas ao ver o futuro através da configuração das posições planetárias, ou da disposição de cartas de baralho, o padrão de folhas de chá ou eventos em sonhos?” [3]</p></blockquote>
<p>Isaac Asimov era um cético, um racionalista, um cientista por formação (sem mencionar “<em>o maior educador de ciência de nosso tempo, e talvez de todos os tempos</em>”, como foi saudado pelo editor da <em>Skeptical Inquirer</em>, <strong>Kendrick Frazier </strong>[4]). Ainda assim, um engano trivial o levou muito perto da fronteira da crença sobrenatural – tão próximo que ele <em>tomou uma atitude</em> levado por esta crença. Apenas para estar seguro.</p>
<p>A história de Asimov não é incomum, mesmo entre céticos. Por exemplo, <strong>James Randi</strong> (outro dos fundadores do CSICOP) uma vez acordou e descobriu-se flutuando no teto, olhando para baixo e vendo seu corpo, dormindo em sua cama. Esta experiência deixou Randi não apenas impressionado, como convencido. Foi, ele disse, “<em>uma experiência muito forte para mim. Eu realmente acreditei, pela evidência apresentada a mim, que havia tido uma experiência fora do corpo que se ajustava à descrição que ouvimos tantas vezes</em>”. No entanto, depois lhe foi  mostrada evidência clara de que seu vôo astral não poderia ter ocorrido literalmente, mas deve ter sido ao invés um sonho ou alucinação. Durante sua experiência fora do corpo, Randi interagiu com sua gata Alice enquanto ela estava deitada sobre o lençol de cor <em>chartreuse</em>. Depois lhe foi mostrado que a gata estava trancada do lado de fora, e o lençol chartreuse estava na lavanderia – não em sua cama. [5] Sem o acaso de que elementos físicos não combinavam com sua experiência, “<em>eu teria agora que dizer a vocês que, até onde sabia, havia tido uma experiência fora-do-corpo</em>”. Mas e quanto àqueles que viveram um episódio assim sem o benefício da experiência investigativa de Randi – ou seu golpe de sorte [com a gata]? “<em>Se não tiverem uma evidência convincente do contrário</em>”, Randi refletiu, “<em>o que os impedirá de dizer ‘Estou absolutamente seguro de que tive uma experiência extra-corpórea’? … Por favor, considere isto cuidadosamente, e não se esqueça, porque é um bom exemplo de que mesmo um arqui-cético poderia ter sucumbido</em>”.</p>
<p>Muito de meu próprio trabalho <a href="http://skepticblog.org/2010/07/26/the-reasonableness-of-weird-things/" target="_blank">enfatiza</a> o mesmo ponto: é compreensível que tantas pessoas boas e inteligentes acreditem em coisas estranhas. De fato, é mais que compreensível; é comumente <em>razoável</em>. Para muitas pessoas em muitas situações, o paranormal <em>é a melhor explicação que têm para os fatos à sua frente</em>.</p>
<p>E quando esses fatos incluem experiências diretas e pessoais que parecem inexplicáveis… Bem, as palavras de Asimov se aplicam a mim também:</p>
<p>“<em>Corromperia os mais fortes, e não imagino que eu seja o mais forte</em>”.</p>
<p>Nem de longe.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<ol>
<li>Asimov, Isaac. <em>I. Asimov.</em> (Bantam: New York, 1994.) p. 14</li>
<li>ibid. p. 337 – 338</li>
<li>Asimov, Isaac. “The Perennial Fringe.” <em>Skeptical Inquirer.</em> Vol. 10. Spring, 1986. p. 212</li>
<li>Frazier, Kendrick. “A Celebration of Isaac Asimov: A Man for the Universe.” <em>Skeptical Inquirer.</em> Vol. 17. Fall 1992. p. 30</li>
<li>Randi, James. “A Report from the Paranormal Trenches.” <a href="http://www.skeptic.com/productlink/magv01n1" target="_blank">Skeptic magazine. Vol. 1, No. 1. 1992.</a> p. 25. Transcrito de uma palestra dada na Caltech em 12 de April de 1992.</li>
</ol>
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		<title>Positivamente Enganados: Os Mitos e Erros do Movimento do Pensamento Positivo</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 03:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="teletubbies 1   Positivamente Enganados: Os Mitos e Erros do Movimento do Pensamento Positivo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/teletubbies-1.jpg" border="0" alt="teletubbies 1 ceticismo" width="600" height="386" /></p>
<p>por <a href="http://www.shambook.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Steve Salerno</strong></a>, publicado em <a href="http://www.skeptic.com/eskeptic/09-04-15/#feature" target="_blank">e-Skeptic</a>, 15 de abril de 2009<br />
Traduzido por colaboração de Vitor Moura</p>
<p>Meu técnico de futebol americano era o tipo de pessoa que Stanley Kubrick devia ter em mente quando concebeu o exagerado sargento instrutor para o seu filme clássico sobre o Vietnã, Nascido para Matar. Na metade de um jogo no meu segundo ano, eu e meus companheiros na linha de ataque estávamos tendo problemas em abrir espaço para nossos jogadores levarem a bola. O treinador nos chamou à parte no intervalo e alinhou-nos contra a parede. Ele então passou por nós e — de uma distância de mais ou menos cinco centímetros — gritou colado em cada um de nossos rostos: “Eu quero que você me diga agora, você vai perder outro bloqueio?!”. Havia um pungente gerúndio anglo-saxão entre outro e bloqueio, mas o bom gosto me obriga a omiti-lo.</p>
<p>A única resposta aceitável era “Não, senhor!”, a qual ele esperava que nós também gritássemos em um volume ensurdecedor. Essa intimidação garantiria ao treinador nossa coragem, dedicação e mérito para o resto da temporada. Mas, para mim, a pergunta do treinador não parecia razoável. Eu ainda tinha duas temporadas e meia de futebol diante de mim. Que garantias eu poderia dar? E assim, quando chegou a minha vez, eu dei um suspiro e disse: “Olha, treinador, eu certamente não quero perder outro bloqueio! Mas, provavelmente, sim, eu acho que vou perder alguns. De vez em quando.”</p>
<p>Pelo olhar perplexo no rosto do treinador, você pensaria que eu tinha acabado de me transformar em uma toupeira de quase dois metros diante de seus olhos. Por um momento, ele apenas olhou para mim. Então ele explodiu. Chamou-me de “espertinho”, que estava “querendo peitá-lo” , e me colocou no fim do banco. Pouco tempo depois que o jogo recomeçou, no entanto, ele discretamente me inseriu de volta no jogo. Parece que a minha substituição — por um daqueles jogadores que “nunca perderiam um outro bloqueio” — estava perdendo vários bloqueios.</p>
<p>Não há qualquer dúvida sobre o fascínio da idéia de que você vai ganhar todos os jogos, conseguir todos os trabalhos em que você se candidatar, fechar todas as vendas e conquistar o coração de cada homem ou mulher que chame a sua atenção. Isso ficou claro para mim muitos anos após a faculdade, quando comecei a pesquisa para um livro sobre o movimento do potencial humano. Eu rapidamente percebi o quanto os americanos estavam envolvidos em seu otimismo — e o quanto ficavam furiosos ao serem desafiados, ou mesmo questionados sobre isso; eu estava descobrindo o que a ensaísta Barbara Ehrenreich, escrevendo mais tarde na Harper’s, chamaria de esperança “patológica” . É uma visão de mundo que é sedutora, edificante e enobrecedora — tudo isso — e, ainda assim, a evidência e o senso comum sugerem que não tem nada a ver com o estabelecimento (e a implementação) de metas realistas, instituir (e observar) prioridades e, talvez o mais importante, reconhecer as limitações e os obstáculos válidos.</p>
<p>Em uma cultura cuja insaciável sede de auto-aperfeiçoamento é estimada em torno de 14 bilhões de dólares em gastos diretos em 2010 (tal como previsto pelas Marketdata Enterprises), a primazia de uma “atitude mental positiva” (AMP) é inquestionável. A fé no efeito catalisador do otimismo, da auto-confiança e nos outros componentes com vários títulos de uma AMP pode ser o traço definidor do zeitgeist. A positividade é a pedra fundamental, a condição sine qua non da vida americana de sucesso.</p>
<h3>A Ascensão do Movimento da Atitude Mental Positiva</h3>
<p>O reforço cultural de tudo isto é potente e onipresente. A positividade é central para muitos, basta ver o Oprah Winfrey Show, enquanto o otimismo e a manutenção geral de uma “atitude de que posso realizar tudo” formam os temas de quase todos os best-sellers de auto-ajuda. Vá no Google e digite “atitude mental positiva”, e você obterá um quarto de milhão de resultados. Isso não é tão surpreendente quanto o fato de que na página 20 de resultados – o ponto onde a maioria dos resultados do Google há muito degradaram em significados terciários – os resultados da AMP permanecem fortemente centrados em torno da idéia básica: melhorar a sua vida através de pensamentos felizes.</p>
<p>O pensamento positivo até desfruta de publicações no mainstream psicológico, graças a Martin Seligman, autor de Learned Optimism: How to Change Your Mind and Your Life e pai da chamada psicologia positiva. A “psiquê positiva” defende uma abordagem terapêutica de que o copo está meio cheio, e transmite a idéia de que os pensamentos otimistas são a sua própria recompensa auto-realizável. Em outubro passado centenas de psicólogos de duas dezenas de nações participaram da anual Positive Psychology International Summit, patrocinada pela Toyota.</p>
<p>O mundo corporativo abraçou totalmente o movimento. Segundo a Sociedade Americana para Treinamento e Desenvolvimento, porções crescentes dos 50 bilhões de dólares que as empresas investem anualmente em treinamento são destinados a palestrantes motivacionais, seminários externos e “programas selvagens”, destinados a incutir uma perspectiva positiva e confiante. Quando a Meeting Professionals International estudou seus membros em 2004, 81% preferiram a motivação passada por celebridades ao invés do treinamento intensivo de habilidades. No circuito de palestras, Tony Robbins e seus companheiros palestrantes motivacionais e técnicos de auto-ajuda foram acompanhados por um elenco colorido e improvável de auto-proclamados gurus, incluindo as vítimas de catástrofes nos Alpes, ex-atores pornográficos e viciados em crack confessos, havendo ainda espaço para um desertor da máfia, como outrora foi o subchefe Mike Franzese, da Família Colombo. Todos dizendo claramente que eles não poderiam ter feito isso sem as suas AMPs.<br />
O otimismo ou a falta dele leva a oscilações no mercado financeiro dos EUA a um grau maior do que o desempenho mensurável das empresas listadas lá. O ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, certificou esta obviedade em um memorável discurso de dezembro de 1996 em que usou a expressão “exuberância irracional” para caracterizar o clima de investimento. Apesar da América Fortune 500 não ter ficado menos solvente no dia após os comentários de Greenspan do que na véspera, Wall Street — com o seu próprio otimismo abalado — entrou em queda livre.</p>
<p>Na política, os líderes ao fazer discursos políticos importantes sobre questões vitais irão proferir o otimismo como um vale para resultados reais, e é uma moeda que o público americano aceita acriticamente. O ex-presidente George W. Bush expressou otimismo sobre uma série de coisas: que o governo iraquiano poderia sustentar-se e formar o modelo para um novo Oriente Médio democrático; que os EUA poderiam adaptar de agendas díspares uma política de imigração que satisfaz tudo para todas as pessoas; que poderia neutralizar as tensões nu-cu-la-res crônicas entre os EUA e a Coréia do Norte. (Se ele não pudesse desfazer a causa das tensões, o seu chefe do Pentágono especialista em Star Wars, o tenente-general Henry Obering, estava otimista sobre as chances de abater qualquer míssil que viesse.)</p>
<p>Mas mesmo a política ocupa uma posição inferior àquela do esporte, onde ganhar e perder são explicados quase inteiramente em termos de uma AMP. Em entrevistas pós-jogo, os atletas e seus treinadores glorificam o “jogo mental”, falando de pausas para reflexão e pontos de virada emocional e de queimação na barriga — tudo, exceto as habilidades físicas naturais que separam um Roger Federer ou uma Serena Williams de você e de mim. A mídia, também, suspende a descrença no que se refere à suposta ligação entre o querer e o vencer. Dado o êxito, aqueles que escrevem sobre o esporte ignoram explicações óbvias (talento? muita prática? “oportunidades”?) e se esforçam ao invés em encontrar a AMP que o pressagiou. “Ele só desejou isso com mais força” é uma explicação freqüentemente ouvida de por que um atleta superou o outro, mesmo quando se trata de uma diferença de frações de pontos ou de tempo que poderia ter ido facilmente para o adversário. Quando o Miami Heat derrotou o Dallas Mavericks em 2006 nas finais da NBA, a AP definiu o tom da reportagem da mídia autorizada repassando em seus artigos a “promessa” do treinador do Heat, Pat Riley, de trazer um título da NBA para a Flórida. Esse Riley, ele próprio um super-astro do basquete, fez esta promessa quando assumiu o comando da equipe em 1995 e não pareceu incomodar ninguém; não mais do que o fato que várias equipes cujos treinadores não tinham feito nenhuma promessa conseguiram vencer títulos no ínterim. Os sábios do esporte seguiram o roteiro, enquadrando a vitória do Heat como a confirmação de um juramento que havia ficado acumulado poeira por 11 anos.</p>
<p>Tais tendências têm produzido alguns momentos olímpicos extraordinariamente idiotas — como aquele dia em Atlanta, em 1996, quando os anunciantes da NBC pareciam determinados a creditar os atos heróicos do velocista Michael Johnson a qualquer coisa menos à velocidade dos seus pés. Eles aclamaram a confiança de Johnson, sua preparação mental, sua determinação interior. Chegava-se a pensar que a possibilidade de que Johnson era simplesmente mais rápido do que os seus adversários não tinha ocorrido a ninguém.</p>
<p>Em suma, então, pode-se dizer que os americanos querem ser positivos, cercar-se de outras pessoas que sejam positivas, confiarem os seus destinos e as suas próprias vidas àqueles que exalam positividade. No que a América realmente acredita é na crença.</p>
<p>A ironia é esta: a noção de que o enigma do sucesso é mais facilmente resolvido pela atitude do que pela aptidão pode ser uma das forças mais sutilmente destrutivas na sociedade americana. Não só é uma censura ao pensamento racional, mas em uma sociedade que já está se voltando ameaçadoramente para o narcisismo, esta publicidade exagerada da esperança também corrói a reverência ao trabalho duro, a paciência, o estudo, a auto-disciplina, o auto-sacrifício, a diligência e outros componentes tradicionais do sucesso.</p>
<h3>O Segredo da Auto-Estima</h3>
<p>A resposta definitiva de como chegamos a este estado de coisas é melhor deixada aos historiadores e psicólogos sociais. Mas é seguramente possível postular que o otimismo é uma “memória racial” americana: uma extensão lógica do pioneirismo e do sentido de destino manifesto que tomou os primeiros colonizadores. Como o membro do conselho editorial do New York Times Adam Cohen escreveu: “.O pessimismo&#8230; é a mais anti-americana das filosofias”. A positividade está no gene americano. Ela também é sutilmente evocada no preceito dos fundadores da democracia americana, a declaração poética que “todos os homens são criados iguais”, que os defensores da atitude mental têm deturpado para implicar que “todos os homens [e mulheres] são igualmente capazes.” Ou, reformulado na linguagem importuna que é típica de materiais de auto-ajuda: “Não deixe que ninguém impeça os seus sonhos!”</p>
<p>O apelo universal desse sentimento era indiscutível no fenômeno do pensamento positivo de 2007, “O Segredo” — com os seus declarados 6 milhões de livros e DVDs agora em circulação. Ancorado na chamada Lei da Atração, O Segredo argumenta que nós somos “ímãs vivos” — aquilo em que acreditamos, bom ou ruim, virá ao nosso encontro. Munido do “conhecimento que os maiores líderes, descobridores e filósofos possuem”, diz a criadora de O Segredo, Rhonda Byrne, “não há nada que qualquer ser humano não possa ser, fazer ou ter&#8230; não há uma única coisa. Não há limite algum.” Para Byrne, a mente rege a matéria. E isso é tudo.</p>
<p>Como muitas das mensagens melosas que inundam a América moderna, “O Segredo” é sobre a rejeição das verdades “inconvenientes” do mundo físico. Na cultura geral, a ciência e a lógica ficaram fora de moda. Somos, afinal, um povo que cada vez mais abandona a medicina ortodoxa em lugar de regimes mente-corpo cujos próprios defensores não só se recusam a citar as provas clínicas, mas julgam a própria ciência como “enfraquecedora”. (O grito de guerra de que “você tem dentro de si as energias de que precisa para se curar” é uma razão pela qual as visitas aos praticantes de todas as formas de medicina alternativa agora superam as visitas aos médicos de família tradicionais por uma margem de quase dois para um.) O que eu acho mais notável sobre O Segredo, no entanto, é que de alguma forma integrou a mentalidade solipsista “A vida é aquilo que você pensa que é” que já foi associada a doenças mentais como a esquizofrenia. O Segredo era (e continua) o totem perfeito para a sua época, cativando de modo inigualado duas gerações antagônicas: os Baby Boomers chegando à meia-idade em massa e desesperados para libertarem-se de tudo o que tinham sido até agora; e jovens adultos distantes dos pais indulgentes e — especialmente — da escolaridade indulgente.</p>
<p>Com efeito, se houve um momento divisor de águas no pensamento positivo moderno, teria que ser o advento em 1970 do ensino baseado na auto-estima: um experimento em larga escala social que fez de ratos de laboratório milhões de crianças americanas. Na época, havia a teoria de que um ego saudável ajudaria os alunos a alcançar a grandeza (mesmo se os mecanismos necessários para incutir a auto-estima “temporariamente” minassem o ensino tradicional). Embora naquela época ninguém soubesse realmente o que a auto-estima fazia ou não, os líderes educacionais da nação não obstante presumiram que quanto mais as crianças tivessem disso, melhor.</p>
<p>Seguiu-se que quase tudo sobre a experiência escolar foi reconfigurado para apoiar o desenvolvimento do ego e a positividade sobre o aprendizado e a vida. Para proteger os alunos da ignomínia do fracasso, as escolas afrouxaram os critérios para que muito menos crianças repetissem. A classificação em curva se tornou mais comum, mesmo nos níveis mais baixos; as normas sociais substituíram os padrões nacionais. A tinta vermelha começou a desaparecer dos trabalhos dos alunos quando os administradores determinaram que os professores fizessem as correções em cores menos “estigmatizantes”. A orientação dos conselheiros defendia a causa da “promoção social”, onde o baixo desempenho dos estudantes — em vez de ficarem para trás — fosse repassado para a classe seguinte de qualquer maneira, para mantê-los com os seus amigos da mesma idade.</p>
<p>O que houve após isso foi uma celebração indiscriminada da mediocridade: as escolas abandonaram as suas listas de honra para não ferir os sentimentos dos estudantes que não conseguiam atingir a nota necessária. Jean Twenge, autora de Generation Me: Why Today’s Young Americans Are More Confident, Assertive, Entitled … and More Miserable Than Ever Before [Geração Eu: Por que os jovens americanos de hoje estão mais confiantes, assertivos, habilitados ... e mais miseráveis do que nunca], fala de festas da pizza que “costumavam acontecer apenas para crianças que tiravam A, mas nos últimos anos a escola tem convidado todas as crianças que simplesmente passaram”. (Twenge também fala de professores que eram dissuadidos de fazer correções que pudessem tirar o orgulho de um estudante como um “soletrador individual”.) Foram proibidos jogos no recreio que inerentemente produzissem vencedores e perdedores; não poderia haver vencidos neste admirável mundo novo de vibrações positivas.</p>
<p>Em meio a tudo isso, as camisas e blusas das crianças tornaram-se, na prática, quadros de avisos para uma miscelânea de fitas, alfinetes e prêmios que comemoravam tudo exceto conquistas reais. Às vezes, quanto piores as notas, mais um estudante era premiado, sob a teoria de que a fim de fazer com que as crianças em risco se superassem, primeiro você tinha que fazê-las se sentir otimistas e capazes.</p>
<p>Nas décadas seguintes após as prioridades baseadas na auto-estima confiscarem a agenda educacional americana, as notas SAT, a inflação das notas, as taxas de graduação, o desempenho dos Estados Unidos em testes internacionais de matemática e ciências, e outros barômetros menos tangíveis têm demonstrado que a grandeza escolar não é o que a auto-estima promove. Os administradores descobriram que aqueles relaxamentos “temporários” nos padrões tinham que ser institucionalizados de uma maneira sistêmica depois que os estudantes transferidos para o nível seguinte também não conseguiam — ou não queriam? — fazer o trabalho de nível superior. Com o tempo, a inflação das notas percorreu todo o caminho até o ensino secundário. (O número de calouros que agora precisam de cursos de recuperação, a fim de lidar com a matemática da faculdade e outros trabalhos beira o alarmante — 40%, em um estudo realizado pela Evergreen Freedom Foundation, um think-tank do estado de Washington).</p>
<p>Significativamente, quando os psicólogos Harold Stevenson e James Stigler compararam as habilidades acadêmicas dos estudantes de escola primária em três países asiáticos aos de seus colegas dos EUA, os asiáticos facilmente superaram os norte-americanos — mas quando se pediu aos mesmos alunos, em seguida, que classificassem suas proezas acadêmicas, as crianças americanas expressaram auto-avaliações muito maiores que suas contrapartes estrangeiras. Em outras palavras, os alunos americanos se atribuíram notas altas para trabalhos ruins. Stevenson e Stigler viram este enviesamento como fruto da ênfase retrógrada nas salas de aula americanas; a Brookings Institution 2006 Brown Center Report on Education também descobriu que as nações em que as famílias e as escolas enfatizam a auto-estima não podem competir academicamente com as culturas onde a ênfase é sobre a aprendizagem, e ponto final.</p>
<p>Hoje periódicos acadêmicos estão repletos de artigos revisionistas que lamentam a pilhagem das escolas americanas em nome da positividade. O fracasso é tão grande que a educação baseada na auto-estima foi repudiada até mesmo por algumas das suas mais apaixonadas vozes iniciais. (William R. Coulson, por exemplo, durante a década de 1990 tornou-se uma espécie de trovador lacrimal que cruzou a paisagem americana, confessando o seu erro e suplicando às escolas para repensar os seus programas de auto-estima). O cinismo global talvez seja melhor capturado pelo título do provocativo livro de 1995 de Charles Sykes, Dumbing Down Our Kids: Why American Children Feel Good About Themselves but Can’t Read, Write or Add. [Emburrecendo as Nossas Crianças: Por Que as Crianças Americanas se Sentem Bem Consigo Mesmas, Mas Não Conseguem Ler, Escrever ou Somar].</p>
<p>A verdadeira lição aqui, porém, não é que as doses maciças de positividade não produziram brilhantismo — é que a obsessão com o cultivo do otimismo e da “força interior”, na verdade, provou ser contraproducente. Está claro agora que não só metodologias de educação baseadas na auto-estima não produzem excelência, como de fato a comprometem.</p>
<p>A evidência sugere que houve conseqüências mais obscuras também. Ao falsamente elogiar estudantes e protegê-los do fracasso, o sistema educacional também os estava “blindando” contra a resiliência e habilidades que permitam ao adulto maduro processar a adversidade. Criados no casulo protetor do sistema escolar, muitas vezes com o reforço do ambiente de pais e mães “helicópteros”, as crianças cresceram despreparadas para um implacável Mundo Real.</p>
<p>De forma mais presente, ao criar um clima de merecimento, o movimento da auto-estima pode ter inconscientemente ajudado a treinar as crianças a se sentirem bem com relação a um comportamento duvidoso e egoísta. Twenge descobriu um significado amargo em um relatório de 2002 do Josephson Institute of Ethics, um think-tank de Los Angeles que estuda os costumes americanos, o qual revelou que “colar nas provas, roubar e mentir por parte de estudantes do ensino médio tem continuado sua alarmante espiral ascendente pela década.” O Instituto observa que quase três quartos dos estudantes admitiram alguma forma de fraude durante o ano anterior.</p>
<p>Assim parece que, se o sistema escolar não conseguiu imbuir os estudantes com uma verdadeira auto-estima, ele foi mais bem sucedido ao fomentar o narcisismo. No sentido clínico mais simples, o narcisismo pode ser definido como um sentimento exagerado de seu lugar no mundo. Os verdadeiros narcisistas necessitam dos outros apenas por sua utilidade em alimentar o seu sentimento de grandiosidade. E ainda assim o narcisismo é uma doença paradoxal, na medida em que os narcisistas nunca estão verdadeiramente seguros em seu sentido inchado de auto-estima; eles anseiam por uma validação constante. Não é razoável pensar que tal condição resulte de uma escolaridade que apregoa uma auto-estima vazia e infundada? Isso é precisamente o que o psicólogo Charles Elliott conclui em seu livro, Hollow Kids: Recapturing the Soul of a Generation Lost to the Self-Esteem Myth [Crianças Vazias: Retomando a Alma de uma Geração Perdida para o Mito da Auto-Estima]. E Elliott dificilmente é uma voz solitária no deserto.</p>
<p>“Um dos aspectos mais preocupantes da auto-estima por si mesmo é que você corre o risco de produzir crianças que não podem tolerar desafios à fachada que você construiu para elas”, disse-me o psicólogo acadêmico Roy Baumeister, uma das principais figuras na investigação da auto-estima, em uma entrevista de 2004 para o meu livro, SHAM: How the Self-Help Movement Made America Helpless [IMPOSTURA: Como o Movimento da Auto-Ajuda deixou a América Desamparada].</p>
<p>Isso não é pouca coisa, porque o narcisismo está desenfreado hoje, diagnosticado por uma ferramenta de avaliação conhecida como Inventário da Personalidade Narcisista (NPI). Twenge, que também é uma psicóloga na San Diego State University, analisou as respostas de 16.475 estudantes universitários que tinham concluído o NPI entre 1982 e 2006. Ela observou um salto de 30 por cento dos estudantes que marcaram “acima da média” para o narcisismo entre essas duas datas finais — um período de intensa atividade de construção da auto-estima na cultura americana.</p>
<p>E isto, por sua vez, é importante por causa do crescente corpo de pesquisa que liga o narcisismo e a agressividade. Muitas dessas intrincadas relações comportamentais só recentemente foram exploradas em profundidade, e se quer evitar os saltos de fé que marcaram o movimento da auto-estima anterior. Ainda assim, o trabalho de pessoas notáveis da psicologia como Baumeister, Jennifer Crocker, e Nicholas Emler afirma que o maior sintoma de grave comportamento anti-social não é a “baixa auto-estima”, como teorizado uma vez, mas sim a ultra-alta auto-estima. De fato, o estudo pioneiro Baumeister, publicado em 1998 no Journal of Personality and Social Psychology, revelou que os níveis mais elevados de auto-estima e/ou narcisismo são freqüentemente encontrados em serial killers, traficantes de drogas e outros misantropos.<br />
O colaborador de Baumeister no estudo, o psicólogo Brad Bushman, disse à Science Daily, “Se as crianças começam a desenvolver opiniões irrealisticamente otimistas de si mesmas, e essas crenças são constantemente rejeitadas pelos outros, seus sentimentos de amor próprio poderiam torná-las perigosas para as pessoas ao seu redor.”</p>
<h3>Confiança Empresarial</h3>
<p>Vale a pena ressaltar que o movimento da auto-estima foi o resultado de uma das mais colossais gafes lógicas da história. Os psicólogos educacionais haviam observado que as crianças que tiram boas notas geralmente pontuam um pouco maior na auto-estima do que os estudantes ruins. Então — eles pensaram — tudo o eles tinham a fazer para transformar baixos resultados em grandes resultados era “disparar” uma dose extra de auto-estima. O que os educadores não perceberam, é claro, foi que eles tinham invertido a causalidade: as crianças com boas notas tinham maior auto-estima por causa das notas, e não vice-versa.<br />
No entanto, essas lições não foram assimiladas pelos promotores modernos do pensamento positivo, que continuam a violar as regras mais elementares da lógica e da evidência:</p>
<p>A subcultura “sem limites” alega que tudo é possível através da aplicação pura e simples da vontade. Satirizando a ideia, o consultor de gestão Payson Hall escreve: “Outro dia eu quebrei uma tábua de pinho 12” x 12” x 1” apenas com a mão depois de ouvir uma palestra motivacional de 90 minutos sobre a quebra de barreiras para alcançar metas. [Mas] a mensagem inspiradora ‘você pode fazer qualquer coisa se estiver comprometido’ me incomodou&#8230; Eu suspeito que o facilitador da mensagem teria concordado com meu incômodo, especialmente se eu tivesse levado uma chapa de aço 12” x 12 “x 1”.</p>
<p>Mas então, o bom senso nunca dissuadiu a vontade de um guru da AMP em defender sua causa. Nem o bom gosto. Quando partes de San Diego ficaram envoltas em chamas, em 2007, o guru de auto-ajuda Joe Vitale observou em seu blog que o inferno poupou as casas de alguns dos seus amigos colaboradores para “O Segredo”, o que implica fortemente que os proprietários menos afortunados atraíram para si mesmos o cataclismo por não serem suficientemente otimistas.</p>
<p>A AMP é muito dependente do argumento pelo exemplo, divulgando o sucesso de pessoas positivas como prova de que “você pode fazer isso também!” Do ponto de vista evidencial, é absurda a tática de “colher cerejas” escolhendo as pessoas de sucesso, perguntar a elas sobre o seu estado de espírito, descobrir que elas se sentem de bem com a vida, e em seguida usar essa “investigação” ao argumentar que a atitude positiva promove o sucesso. Quantas pessoas fracassadas também se sentiam positivas — até que suas vidas tomaram um rumo inesperado para o pior? Tal raciocínio faz tanto sentido quanto usar Bill Gates e Ted Turner, dois jovens notáveis que desistiram da faculdade, como evidência para a teoria de que não fazer faculdade leva à riqueza incalculável (ou observar que Kobe Bryant tem um nome incomum e, portanto, assumir que se você dar ao seu filho um nome tão incomum ele vai acabar virando um astro da NBA).</p>
<p>Muito pior é quando os gurus da AMP realmente usam os tipos de Gates e Turner como “prova” de “por que um diploma universitário não é tão importante quanto uma boa atitude.” Gates e Turner são exceção. A grande maioria dos desistentes da faculdade não se saiu tão bem, não importa quão positivos eles tenham sido.</p>
<h3>Um Vencedor Comprovado: A Mentalidade Campeã nos Esportes</h3>
<p>Esperando imbuir suas ideologias com uma bravata mística, a turma da AMP inventou um jargão absurdo de mente elevada — frases que não podem verdadeiramente ser definidas, muito menos quantificadas ou aplicadas à vida real. Esta saraivada de clichês e chavões raramente resulta em uma filosofia coesa. Eu estou assistindo as Olimpíadas de Pequim enquanto escrevo isto e, a julgar pelos comentários de vários comentaristas — todos especialistas em seus respectivos esportes — o competidor olímpico ideal é calmo e ainda assim selvagem que está ao mesmo tempo relaxado e orientado, paciente e faminto, um atleta que permanece dentro de seus limites, embora saiba como ultrapassá-los. Este indivíduo extremamente confiante (mas não excessivamente confiante) entra na competição com uma mente clara e com uma concentração intensa, percebe a importância de vencer, mas não se preocupa em perder; conhece o próprio ritmo, mas sempre dá 110% — e ainda tem uma energia extra guardada, caso precise. Este é um concorrente que se entrega totalmente em campo mesmo sabendo que às vezes é melhor viver para lutar outro dia &#8230;</p>
<p>Eu desafio qualquer um a encontrar todas essas qualidades díspares na mesma pessoa (sã). É evidente que, ao final, a assim chamada mentalidade campeã é o que funciona para o campeão em questão. O que significa, na prática, que não há uma coisa como uma mentalidade campeã, por si. Isso poderia ser uma arrogância insuportável para um atleta e um uma modéstia nauseante para o seu principal rival. Vimos isso em Torino, na verdade, no contraste total entre os esquiadores dos EUA Bode Miller (o ego ambulante) e Ted (“Eu estou apenas feliz por estar aqui”) Ligety.</p>
<p>Da mesma forma, os gigantes do seminário falam de jogadores superstar envolvidos no empreendimento de equipes complexas como se esses jogadores pudessem chegar, tal qual Uri Geller, e dobrar dezenas de variáveis desconhecidas em um padrão ordenado levando inexoravelmente à vitória. Considere o seguinte: “Ele é sem dúvida um vencedor”, ou, mais especificamente, “Ele sabe como vencer”, elogios muitas vezes outorgados para atletas de primeira linha como, digamos, o jogador de beisebol Derek Jeter do New York Yankees. O que significa isso? Como é possível ser assim? Jeter, situando-se a poucos metros de distância, emite ondas de energia invisíveis que de alguma forma impedem o seu lançador de desistir das corridas? E se Jeter pode motivar a si mesmo (e/ou um companheiro de equipe) a conseguir a pegada certeira na nona rodada — por que ele esperou tanto tempo? Por que não colocou o jogo em segurança muito antes? Além disso, como explicar a grande perda dos ianques? Se o homem pode simplesmente “conjurar” vitórias à vontade, então por que, em 2002, o ano em que os Yankees conquistaram uma flâmula, ganhando 103 jogos durante a temporada regular, Derek Jeter permitiu que a equipe fosse eliminada dos playoffs pelo California Angels? Será que ele de repente se esqueceu de como vencer quando mais importava?</p>
<h3>Você Também Pode Ser Presidente: O Otimismo Delirante</h3>
<p>Os defensores mais entusiásticos de hoje do pensamento positivo — não contentes em prometer somente excelência individual — retratam sua busca como a maré que levanta todos os barcos, supostamente permitindo a América como um todo alcance novos níveis de realização. É uma perspectiva atraente, apesar de impossível, porque tantas atividades competitivas são casos de soma zero: para cada vencedor, existem vários perdedores. Não há simplesmente nenhuma maneira deste goulash de aspirações conflitantes reduzir a parceiros sociais uma sociedade estruturada na existência de patrões e empregados, ricos e menos ricos, vencedores e também perdedores. E o absurdo começa com a mensagem fundamental do pensamento positivo em todos os lugares nas escolas: “Você pode ser o presidente dos Estados Unidos, se você realmente quiser!” Mesmo deixando de lado os inúmeros fatores contextuais que podem atrapalhar uma corrida para a Casa Branca, a simples aritmética de escassez de oportunidade — o fato de que a qualquer momento haverá talvez 10 presidências disponíveis para 150 milhões ou mais de americanos entre 35 anos até a época de sua morte — exclui o sonho de quase todos os que sonham com isso.<br />
Uma mensagem mais verdadeira seria: “Você tem uma chance muito maior de ser atingido por um raio do que virar presidente dos Estados Unidos. Mas relaxe, não há praticamente nenhuma chance de que você seja atingido por um raio, de toda forma”.</p>
<p>Mais uma vez aqui — como vimos com a auto-estima — isto não é simplesmente idiota. Há um claro lado negativo na positividade infundada.</p>
<p>No mundo dos negócios, o pensamento positivo muitas vezes se manifesta como uma aversão ao planejamento de contingência. Certamente um dos aspectos mais preocupantes da cultura corporativa guiada pela AMP de hoje é o modo com que intimida os trabalhadores cautelosos, fazendo-os ficar com a boca fechada sobre todos os sinais de perigo que vêem em uma determinada estratégia ou empreendimento. Discussões francas sobre o risco são interpretadas como indícios de negatividade da pessoa, ou mesmo que essa pessoa está “lançando as bases para o fracasso”. Os empregados que exprimem preocupações razoáveis podem ser rotulados como “profetas da desgraça” — e verem-se menosprezados durante as avaliações periódicas por “não fazerem parte da equipe”. Em seu artigo na Harvard Business Review, “Ilusões de Sucesso” — sobre a atual atmosfera na América corporativa — os autores Dan Lovallo e Daniel Kahneman são diretos: “Nós recompensamos o otimismo e interpretamos o pessimismo como uma deslealdade”.<br />
Ironicamente, a incapacidade de lidar com riscos — o que Lovallo e Kahneman chamam de “otimismo delirante” — torna-se um fator de risco por si mesma. Vale lembrar a citação memorável de Russell Ackoff em seu livro clássico, Management in Small Doses: “O custo de preparação para situações críticas que não ocorrem geralmente é muito pequeno em comparação com o custo de se estar despreparado para aquelas que ocorrem.”</p>
<p>Mais adiante em um projeto malfadado, a AMP novamente mostra a sua desagradável presença na forma de uma recusa obstinada em reconhecer a derrota. Como o consultor Payson Hall escreve, a idéia de que “qualquer projeto é possível, dada uma atitude ‘pode ser feito’ “provou ser um equívoco muito caro e destrutivo.” Muito dinheiro é desperdiçado porque, afinal de contas, se você realmente acredita &#8230; como pode falhar?</p>
<p>O Consultor de Gestão Jay Kurtz tem uma visão mais colorida na mesma armadilha familiar. “A pessoa mais perigosa na América corporativa”, Kurtz uma vez me disse, “é o incompetente altamente entusiástico. Ele está sempre correndo rápido demais na direção errada”.</p>
<h3>Produtividade Positiva x Competência Irritante</h3>
<p>Para constar, estudos sobre a alegada ligação entre a positividade e a produtividade raramente mostram uma correlação linear. Embora as pesquisas mostrem que os trabalhadores americanos são altamente produtivos e relativamente otimistas, não se pode postular uma relação causal sem ajuste para a miríade de variáveis ambientais que tornam a vida americana muito mais edificante para começar. Os estudos mais rigorosos da História, como o esforço direcionado de 1985 pelos psicólogos Hackett e Guion, lançaram dúvidas sobre até mesmo as correlações mais básicas que você esperaria encontrar — por exemplo, entre a satisfação no trabalho e a alta frequência no serviço. Note-se que no Japão, a própria fonte do “5S” e outros programas de produtividade alardeados atualmente na Fortune 500 America, os empregados não são exatamente eufóricos. De acordo com um estudo realizado em 2002 por Andrew Oswald, professor de economia na Universidade de Warwick, Reino Unido, apenas 30% dos trabalhadores japoneses se descrevem como “felizes” no trabalho.</p>
<p>No final, há pouca evidência confiável de que uma atitude positiva tenha algo a ver com o resultado de qualquer empreendimento objetivamente mensurável. Há, de fato, uma evidência modesta, mas intrigante, de que uma perspectiva positiva pode ser ruim para os negócios. No ano passado, uma equipe de psicologia da Universidade de Alberta estudou vários grupos de trabalhadores na montagem de circuitos impressos e considerou os empregados ranzinzas superiores às suas contrapartes otimistas. As pessoas alegres estavam investindo muito na sua alegria e dedicavam uma energia significativa para perpetuá-la. Seus colegas de cara fechada simplesmente se dedicavam a seu trabalho — e o fizeram melhor: os descontentes cometeram metade dos erros. (Nem, por falar nisso, devemos descartar o papel desempenhado pelo otimismo injustificado na recente quebra das hipotecas e moradias — por parte dos credores e devedores igualmente)</p>
<p>O fisiculturista Mike Mahler, por sua vez, discorda da maioria das pessoas nas artes de treinamento físico, acusando a cultura da atitude acima de tudo de hoje como “uma forma garantida de jamais alcançar os seus objetivos&#8230; Vamos dizer que você está falido, com excesso de peso e não tenha amigos. Você decide aplicar o pensamento positivo&#8230; Você diz a si mesmo que você é sortudo por ser você e caminha com um sorriso em seu rosto. Isto está realmente resolvendo o problema?” Sabiamente, Mahler nota que é o descontentamento que “motiva a ação e mudança”. Descontentamento e — apenas talvez? — a disposição em aceitar o fracasso.</p>
<h3>Espere o Fracasso&#8230; mas Continue Tentando</h3>
<p>Conheça o Dr. James Hill. Ele é diretor do Centro para Nutrição Humana, uma agência financiada pela NIH que Hill supervisiona de seu cargo de professor de pediatria na Universidade de Colorado. Hill se perguntou por que a maioria das pessoas que perdem peso em dietas rápidas logo recuperam tudo e ainda ganham alguns quilos. Trabalhando em conjunto com colegas da Universidade de Pittsburgh, a equipe de Hill compilou um Registro de Controle de Peso Nacional que inclui 4.500 indivíduos que perderam pelo menos 13kg e assim se mantiveram por, pelo menos, um ano. Depois da pesquisa e estudo dos dados, Hill identificou as principais características que permitiram que estas pessoas que buscavam emagrecer atingissem os seus resultados impressionantes, e ele as tem destrinchado em uma série de dicas. Entre as primeiras dicas está esta: Espere o fracasso&#8230; mas continue tentando.</p>
<p>Espere o fracasso? Isso não é algo que você ouviria no programa da Oprah, não é? No entanto, pelo menos entre os que emagreceram de Hill, havia a antecipação do fracasso — combinado, sim, com a vontade de perseverar — que abriu o caminho para o sucesso.</p>
<p>Um mantra como espere o fracasso, mas continue tentando é um exemplo perfeito de um meio-termo do senso comum que tem chance zero de ganhar força na cultura pop de hoje. Os americanos estão condicionados a mamar na teta de mensagens categóricas, edificantes. Muitos de nós não queremos ouvir “talvez você possa fazê-lo, e talvez você não possa.” Mesmo que seja verdade.<br />
Preferimos nos apegar à noção de que “é claro que você pode fazer isso!” Mesmo que seja falsa.</p>
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		<title>A Neurologia das Experi&#234;ncias de Quase Morte</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 20:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="astral projection   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="astral projection ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/astral-projection.jpg" width="600" height="400" /></p>
<p align="right">Artigo de <strong>Alex Likerman</strong>, publicado em <em><a href="http://www.happinessinthisworld.com/2011/05/15/the-neurology-of-near-death-experiences/" target="_blank">Happiness in this World</a></em>    <br />Traduzido por colaboração de <a href="http://calmariatempestade.wordpress.com/" target="_blank">Rodrigo Véras</a> e <a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/" target="_blank">André Rabelo</a></p>
<p>Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (<a href="http://www.neardeath.woerlee.org/" target="_blank">EQM</a>), mas recentemente me deparei com um livro fascinante chamado <em>O Portal Espiritual no Cérebro </em>(<a href="http://us.penguingroup.com/nf/Book/BookDisplay/0,,9780525951889,00.html?The_Spiritual_Doorway_in_the_Brain_Kevin_Nelson" target="_blank"><em>The Spiritual Doorway in the Brain</em></a><em>)</em> de <a href="http://www.psychologytoday.com/blog/the-spiritual-doorway-in-the-brain" target="_blank"><strong>Kevin Nelson</strong></a>, que relata que cerca de 18 milhões de americanos podem ter tido uma. Se for verdade<strong>, </strong>é provável não apenas que alguns dos meus pacientes estejam entre eles, mas também alguns dos meus amigos. O que me levou a pensar: o que exatamente a ciência tem a nos dizer sobre a sua causa?</p>
<p>Que <a href="http://www.susanblackmore.co.uk/Chapters/ShermerNDE.htm" target="_blank">EQMs</a> acontecem não está em disputa. A sequência e os tipos de eventos dos quais elas são compostas são suficientemente similares entre as pessoas que as relatam de tal forma que EQMs poderiam ser consideradas como algum tipo de síndrome, semelhante a uma doença sem causa conhecida. Mas apenas porque milhões de pessoas já viveram EQMs, isso não significa que a explicação mais comumente aceita para elas – que almas deixam os corpos e encontram deus ou alguma outra evidência de vida após a morte – esteja correta.</p>
<p>Afinal de contas, as pessoas interpretam erroneamente as suas experiências o tempo todo (uma ilusão ótica representando o exemplo mais básico). Sem dúvida, muitas pessoas que relatam EQMs são profundamente afetadas por elas<strong>, </strong>mas, geralmente,<strong> </strong>mais <strong></strong>como um resultado de suas interpretações das experiências (i.e., “a vida após a morte é real”) do que como resultado da experiência em si. Acontece que um número de observações reproduzíveis combinado com uma pitada de conjecturas gerou uma explicação neurológica inteiramente plausível para todos os casos de experiências que incluam EQM.</p>
<p>Em seu livro, Nelson comenta que normalmente 20% do fluxo sanguíneo é direcionado para o cérebro, mas que este fluxo pode abaixar para 6% antes de ficarmos inconscientes (e mesmo nesse nível, nenhum dano permanente será causado). Nelson ainda observa que quando nossa pressão sanguínea diminui demais e desmaiamos, o nervo vago (um longo nervo que se conecta com o coração) <strong></strong>desloca a consciência para o sono REM – mas não totalmente em algumas pessoas. Um número de sujeitos parece ser suscetível ao que ele chama de “intromissão REM”.</p>
<p>A intromissão REM ocorre tipicamente, quando ocorre, na transição da vigília para o sono. Nelson descobriu em sua pesquisa que o funcionamento do mecanismo que alterna as pessoas entre o sono REM e a vigília tendeu a ser diferente naquelas que relataram EQMs. Nessas pessoas, ele descobriu que a mudança era mais propensa a “fragmentar e misturar” esses dois estados de consciência (o controle do nosso estado de consciência é localizado no nosso tronco cerebral<strong> </strong>e é precisamente regulado), fazendo com que essas pessoas exibam simultaneamente características de ambos. Durante a intromissão REM, as pessoas se viram paralisadas (“<a href="http://psychology.uwaterloo.ca/~acheyne/" target="_blank"><em>paralisia do sono</em></a>”), totalmente despertas, mas experimentando luzes, sensações fora do corpo e narrativas surpreendentemente vívidas. Durante o sono REM, muitos dos centros de prazer do cérebro são estimulados também (animais que tiveram suas regiões REM danificadas perderam todo o interesse em comida e até em morfina), o que pode explicar os sentimentos de paz e unicidade também relatados durante EQMs.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="centrifuge blackout   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="centrifuge blackout ceticismo" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/centrifuge_blackout.jpg" width="600" height="200" /></p>
<p>A neurofisiologia também pode explicar o sentimento de estar se movendo através de um túnel, tão regularmente mencionado em EQMs. É bem sabido que pessoas experimentam uma “visão de túnel” imediatamente antes de desmaiar. Experimentos com pilotos <strong></strong>girados<strong> </strong>em centrífugas gigantes têm reproduzido o fenômeno de visão de túnel, aumentando as forças G e diminuindo o fluxo sanguineo em suas retinas (a periferia da retina é mais suscetível a quedas na pressão sanguínea do que o seu centro, de tal forma que o campo de visão parece comprimido, fazendo cenas parecerem vistas dentro de um túnel). Quando óculos especiais que geram sucção foram colocados nos olhos dos pilotos para neutralizar o efeito de queda da pressão sanguínea da centrífuga, os pilotos perderam a consciência sem desenvolver o efeito da visão de túnel – provando que a experiência da visão de túnel é causada por uma redução no fluxo sanguineo dos olhos.</p>
<p>Talvez o aspecto mais intrigante das EQMs seja o quão costumeiramente elas estão associadas com experiências fora do corpo. Isso também, entretanto, trata-se de uma ilusão. Evidências de que experiências fora do corpo nada têm a ver com almas deixando corpos podem ser encontradas na observação de que elas também têm sido relatadas por pessoas acordando do sono, recuperando-se de anestesia, enquanto estão desmaiando, durante convulsões, durante enxaquecas e quando estão em altas altitudes (não há razão para pensar que as almas das pessoas estão deixando seus corpos durante nenhuma dessas situações não ameaçadoras para a vida).</p>
<p>Mas as evidências mais fascinantes de que experiências fora do corpo são fenômenos neurológicos vêm dos estudos feitos inicialmente na década de 1950 por um neurocirurgião chamado <a href="http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html" target="_blank"><strong>Penfield</strong></a>. Ele estava interessado em compreender como poderia distinguir tecidos cerebrais normais de tumores cerebrais ou<strong> </strong>“cicatrizes” que eram responsáveis por causar convulsões. Ele estimulou os cérebros de centenas de pacientes conscientes no esforço de mapear o córtex cerebral e entender aonde em nossos cérebros nosso corpo físico é representado.</p>
<p>Um paciente sofria de danos no lobo temporal e quando Penfield estimulou a região temporoparietal do seu cérebro, ele relatou ter deixado o seu corpo. Quando a estimulação parou, ele “voltou”, e quando Penfield estimulou a região temporoparietal de novo, ele deixou o seu corpo mais uma vez. Penfield também descobriu quando variava a corrente e a localização do estímulo, podia fazer os membros do seu paciente parecerem<strong> </strong>encurtados ou produzir uma cópia de seu corpo que existia ao seu lado!</p>
<p>Em o <em>Cérebro Contador de Histórias </em>(<em><a href="http://books.wwnorton.com/books/detail.aspx?ID=17227" target="_blank">The Tell-tale Brain</a></em>)<strong>, </strong><a href="http://cbc.ucsd.edu/ramabio.html" target="_blank"><strong>V. S. Ramachandran</strong></a> descreve um paciente que teve um tumor removido da sua região frontoparietal direita e desenvolveu um “gêmeo fantasma” ligado ao lado esquerdo do seu corpo. Quando Ramachandran colocou água fria no seu ouvido (um procedimento conhecido como teste calórico de água fria, o qual estimula o sistema de equilíbrio do cérebro, conhecido por ter conexões com a região frontoparietal), o gêmeo do paciente se afogou, movimentou-se e mudou de posições.</p>
<p>Neurologistas têm reconhecido desde então que a região temporoparietal do cérebro é responsável por manter a representação de nossos esquemas corporais. Quando uma corrente externa é aplicada nessa região, ela para de funcionar normalmente e nossa <em></em>representação<strong><em> </em></strong>do corpo “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364661303000275" target="_blank">flutua</a>”. Outras evidências de que esse fenômeno é uma ilusão vêm de experimentos nos quais as pessoas que tiveram experiências fora do corpo enquanto passavam do sono para a vigília eram incapazes de identificar objetos colocados no quarto depois que adormeciam, sugerindo fortemente que a imagem que viram deles mesmos dormindo nas suas camas era reconstruída em sua memória. Embora não exista ainda nenhuma evidência de que níveis baixos de oxigênio no sangue causem disfunção da região temperoparietal da mesma forma que uma corrente aplicada, esta permanece como uma hipótese testável e a explicação mais provável.</p>
<p>Em suma, embora longe de estar provada como uma explicação para o que realmente explica as EQMs, a hipótese da intromissão REM tem mais evidências para corroborá-la do que a idéia de que nós realmente deixamos nossos corpos quando a morte está à espreita.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><strong>Mais informações sobre experiências de quase morte:</strong></p>
<ul>
<li>Keith Augustine (2008) &#8211; <a href="http://www.infidels.org/library/modern/keith_augustine/HNDEs.html" target="_blank">Experiências alucinatórias de quase morte</a> </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/page-26369.html" target="_blank">Página de Olaf Blanke</a>, grande pesquisador da área </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/media" target="_blank">Vídeos do Laboratório de Neurociência Cognitiva (LNCO)</a> </li>
<li><a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">Página de Al Cheyne</a>, grande pesquisador da área </li>
<li>Artigos disponíveis de Al Cheyne sobre <a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">paralisia do sono</a> </li>
</ul>
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