por Rogério Chola, reproduzido
com sua gentil permissão*
Publicado na revista
UFO, edições 85 e 86
Este texto é oferecido como um ponto de vista
diferente,
frisando o ceticismo aberto
(11) O termo “dissonância cognitiva” foi
cunhado e estudado pela equipe do sociólogo Leon
Festinger, ao pesquisar as seitas e movimentos
ligados ao fenômeno OVNI, especificamente ao
estudar uma comunidade na Califórnia, EUA,
dirigida por uma pessoa conhecida por Mrs.
Keech. A equipe de Leon conseguiu se infiltrar
na comunidade e documentou como Mrs. Keech,
psicografia, recebia informações de que uma
grande catástrofe sísmica atingiria a Califórnia
e que os “escolhidos” seriam retirados por
"discos-voadores" que viriam salvá-los.
Até então Mrs. Keech acreditava estar recebendo
mensagens de espíritos de pessoas mortas, até
estes “espíritos” que se auto-intitulavam como
“Guardiões e Guias” se revelaram como sendo
tripulantes de OVNI’s que monitoravam a Terra e
eram capazes de se comunicar por telepatia. A
equipe de “infiltrados” percebeu o tempo todo,
que todos da comunidade, inclusive a líder, eram
sinceros, cheios de ideais e que realmente
acreditavam estar sendo vetores de algo
fascinante e importante.
Como era de se esperar, nado do previsto pelos
“tripulantes de OVNI’s” aconteceu e é neste
ponto que a surpresa acontece: ao invés da
comunidade admitir que havia ocorrido algo
errado, ou que a fonte (quem sabe a fonte da
fonte) das informações era suspeita, ou ainda
que tudo não passava de uma viagem mental, a
comunidade preferiu acreditar que na verdade
tudo tinha sido um "teste" e que como tinham
sido obedientes e o Planeta fora salvo da
catástrofe. Este é o mecanismo chamado de
"dissonância cognitiva" cuja explicação é a de
que quando o sistema de crenças de um grupo é
contrariado, ele reage sobre o fato, que
desmente sua crença e expectativa, de modo a
manter o mito vivo. Um dos inúmeros exemplos
seria a seita evangélica dos adventistas do
sétimo dia foi fundada na expectativa de um fim
de mundo (vindo de mensagens canalizadas de seu
idealizador), que deveria ter ocorrido no século
XIX. Como o fim do mundo não veio e muitos
membros da seita caíram no ridículo na época, o
grupo retrabalhou seu sistema de crenças e
continua a crer na iminência do fim do mundo até
os dias de hoje, ou seja, sempre existe uma
reformulação para adequar o “previsto” e
“canalizado” vindo de entidades espirituais ou
extraterrestres e nunca é pensado na
possibilidade de não estar acontecendo nenhuma
mensagem espiritual, divina ou extraterrestre e
que tudo não passa de processos mentais, egos e
mentalismos, frutos da fragilidade da mente
humana. Por fim, a líder da comunidade, Mrs.
Keech , teria recebido a visita de um grupo
intimidador no melhor estilo “men-in-black”
(MIB) que tentaram pressioná-la para desmentir
suas histórias.
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