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por Rogério Chola, reproduzido com sua gentil permissão*
Publicado na revista UFO, edições 85 e 86
Este texto é oferecido como um ponto de vista diferente,
frisando o ceticismo aberto

(3) Durante muito tempo, a antiga idéia do éter ou “nada” foi combatida e a palavra, tirada de todos os livros científicos. No entanto, o éter retornou à física, e está bem ativo, rindo-se dos que o rejeitaram. No século XIX, acreditava-se que todo o espaço era preenchido pelo éter. Essa substância invisível ocuparia não apenas as regiões "vazias" do Universo, mas também existiria dentro dos objetos materiais. Supunha-se que a luz era uma onda do éter. Além disso, o éter também servia para explicar as forças existentes entre cargas elétricas. 

Essas idéias foram abandonadas no início do século XX, combatidas pela teoria da relatividade. Einstein afirmou que o éter era um ente puramente hipotético e devia ser excluído da física porque não podia ser observado. Portanto, deveria existir o vácuo - o espaço totalmente vazio, sem éter ou qualquer coisa semelhante.

Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, nem Einstein nem qualquer outro pesquisador provou que o éter não existe. Nunca se pode provar que não há nada em uma certa região do espaço, pois ali podem existir entes físicos ainda desconhecidos, que não sabemos detectar. Pelo contrário, é possível provar que existe alguma coisa em certa região do espaço. Para isso, basta observar fenômenos físicos produzidos nessa região, pois o nada não pode produzir efeitos. Ora, segundo os físicos, o vácuo contém muitas coisas capazes de produzir efeitos. 
Segundo a teoria geral da relatividade, cada ponto do espaço tem certas propriedades (a métrica do espaço-tempo), que variam de um ponto a outro quando existe um campo gravitacional. A velocidade da luz, por exemplo, pode ter valores distintos em diversas regiões do espaço "vazio", como se o vácuo tivesse um índice de refração variável. Mas como dois nadas poderiam ser diferentes? É claro que um lugar onde há um campo gravitacional não é uma região absolutamente vazia e sim um espaço cheio de alguma coisa que produz efeitos físicos. Podemos não chamar essa coisa de "éter", mas seria absurdo dizer que não há nada lá.
O vácuo da teoria quântica também não é um espaço vazio. De acordo com essa teoria, em qualquer região do espaço aparentemente vazia, estão continuamente surgindo e desaparecendo "partículas virtuais", que podem ser elétrons, fótons, mésons ou até mesmo elefantes! Esses entes surgem sem nenhuma causa, existem durante um tempo muito curto (limitado pelo princípio de Heisenberg) e depois desaparecem. O turbilhão de fótons virtuais que preenche todo o espaço constitui a "flutuação do ponto zero" (ZPF), que é estudada pela eletrodinâmica quântica. Quando duas placas metálicas, sem carga elétrica, são colocadas muito próximas uma da outra, ocorre uma redução da densidade desses fótons entre elas, e os fótons externos as empurram uma em direção à outra, com força inversamente proporcional à quarta potência da distância. Este é o "efeito Casimir", que já foi medido e confirmou a teoria. A densidade de energia dos fótons no vácuo quântico é imensa, e há pesquisadores, como Harold E. Puthoff, investigando a possibilidade de utilizar essa energia para fins práticos. Um pesquisador da NASA, Marc G. Millis, tem estudado a possibilidade de modificar o vácuo quântico ou a estrutura do campo gravitacional para produzir a propulsão de veículos espaciais de longa distância.
Esses exemplos mostram que, na física atual, o espaço "vazio" está cheio de entes físicos. O modelo de éter do século XIX foi abandonado, mas o avanço científico exigiu a introdução de novos entes semelhantes ao antigo. Pode-se dizer que o éter está bem vivo e forte, embora o nome "éter" seja um tabu e os cientistas prefiram dizer que estão falando sobre as propriedades do espaço vazio. © Scientific American – Julho/2002

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