por Rogério Chola, reproduzido
com sua gentil permissão*
Publicado na revista
UFO, edições 85 e 86
Este texto é oferecido como um ponto de vista
diferente,
frisando o ceticismo aberto
(5) Esta psicóloga e pesquisadora realizou
uma interessante pesquisa que acompanhei de
perto sobre o tema “Abduzidos e Contatados”. A
Dra. Gilda Moura em conjunto com o Dr. Norman S.
Don, Dr. Sidney M. Greenfield da Universidade de
Wisconsin, Milwaukee entre outros apresentou os
resultados de seu trabalho ao Dr. John E. Mack e
equipe (este, psiquiatra e professor da
Universidade de Harvard e criador do projeto
PEER - Program for Extraordinary Experience
Research - http://www.peermack.org/). O resumo
da pesquisa se baseia no fato de que muitos
investigadores como Jacques Vallée, Jenny
randles (1980) e outros, observaram que as
pessoas que experimentavam os fenômenos de
abdução ou de contato, sem encontravam em
Estados Alterados de Consciência ou ASC (o que
me parece diferente de controles via ELF ou
EMF). Também observaram que os abduzidos e
contatados possuem a habilidade de entrar em ASC
facilmente, razão pela qual os pesquisadores
Ring e Rosing (1992), chegaram a conclusão com o
trabalho "Projeto Omega", de que esta habilidade
provavelmente era adquirida, como se fosse um
mecanismo de defesa diassociativo para traumas
passados na infância.
Devido a estas controvérsias e também consciente
de que as pessoas que reportavam encontros
frequentes com alienígenas e anormalidades de
ordem eletromagnética em sua vida diária, também
podiam entrar em ASC com extrema facilidade no
momento em que descreviam um contato mental com
alienígenas, a Dra Gilda Moura decidiu verificar
as atividades elétricas do cérebro destas
pessoas quando neste estado ASC. Para ser mais
preciso, o estudo das funções cerebrais
correlacionadas com os estados mentais derivados
de experiências UFOlógicas. Para isto, a Dra.
Gilda Moura, junto com o Dr. Norman S. Don,
realizaram um projeto para estudar estas funções
através de medições psicofisiológicas.
Foram feitos registros de EEG de 3 diferentes
grupos de controles: 17 médiuns tradicionais,
incluindo 3 "curadores" de efeitos físicos; 24
contatados e abduzidos e 13 membros do movimento
do Santo Daime (neste grupo, o objetivo seria
registrar os efeitos da ingestão da Ayahuasca,
que é uma substância psicoativa, nas funções
cerebrais). Foi um árduo trabalho de campo, que
enfrentou muitos problemas de metodologia e
sendo assim, do grupo de 24 contatados e
abduzidos, somente 8 foram totalmente
analisados. Neste estudo, somente foram
incluídas pessoas que:
- Reportaram experiências constantes e contínuas
com OVNI´s
- Reportaram a habilidade, após estes contatos,
de se auto-induzir a estados ASC para entrar em
contato mental com alienígenas
- Reportaram a habilidade, após estes contatos,
de provocar fenômenos de ordem eletromagnética
em sua vida diária
- Reportaram habilidades psíquicas o paranormais
desenvolvidas
Os resultados deste estudo exploratório,
mostraram que em ASC, as pessoas que viveram
tais experiências exibem um padrão de ativação
cortical de frequência diferente ao estado
normal e também diferente de estados de "transe"
ou processos mediúnicos. O significado e
consequências deste padrão de ondas cerebrais de
ativação (da ordem de 40 hz) e principalmente
ativando os lóbulos frontais não são conhecidos
exatamente. Através da comparação com estudos
prévios, os pesquisadores chegaram a conclusão
de que este comportamento cerebral envolve a
atenção focal (Sheer 1976 e De Pascalis 1993),
ou seja, envolve a focalização e a ativação de
um processo de atenção. Ao mesmo tempo, é um
estado de expansão da mente chamado de HBP
(Hyperaroused Brain Pattern), aonde as pessoas
descrevem uma maior clareza mental e rapidez de
pensamentos.
Outra conclusão é a de que PROVAVELMENTE este
efeito de ativação pode estar fazendo parte de
alguma reprogramação de origem não identificada
(externa ou não ao Planeta Terra ou melhor
dizendo a este Universo 3-D em que nos
encontramos), que são comumente citadas por
alguns contatados (Ring 1992, Sprinkle 1990).
Ainda é prematuro se definir uma conclusão
geral, para se deduzir se isto é "bom" ou "mal"
e assim, não se pode generalizar a este
respeito. O livro da Dra. Gilda Moura, "UFO -
Contato Alienígena", de 1992, faz uma ponte
entre a UFOlogia, Psicologia e Espiritualidade,
baseado num longo tempo de observação e
pesquisa, aonde descreve os processos
psicológicos de abduzidos e por isso recomendo a
leitura.
Estes trabalhos são interessantes para tentar se
aproximar do entendimento dos traumas e sequelas
produzidos pelo fenômeno OVNI e orienta como
transformar os mesmos em um processo positivo.
Resumidamente, coloca o fenômeno das abduções e
contatos num contexto de evolução da consciência
humana. O hipnólogo Mário Rangel, também realiza
importante e interessante trabalho sobre o tema
Abdução e o acompanhei de perto em alguns casos,
um dos quais consta no seu livro.
Acompanhei muitos casos de perto, tanto de
abduzidos como de contatados e é possível sim se
chegar a algumas conclusões, mesmo que parciais
e limitadas, sobre o que pode estar ocorrendo. O
problema maior é analisar a psique humana e
tentar tirar o "imprestável", ou seja, o que
provavelmente não representa uma experiência
vivida mas sim um processo de origem mental.
Basta observar que os padrões humanos de análise
sempre se referem a alienígenas "bons" como
sendo "bonitos" e alienígenas "maus" como sendo
"feios". Da mesma forma, uma pessoa sente
aversão a insetos, crustáceos, etc, na maioria
dos casos, por sua estranha e bizarra aparência
mas, sente um carinho e ternura, por um
golfinho, mamíferos, etc, também por sua
aparência "agradável".
Também é importante destacar, independente das
pesquisas em Abduzidos e Contatados, que somos
constantemente bombardeados por programas e
informações (ou melhor, desinformações) e todos
apresentando uma imagem extraterrestre hostil,
violenta e indiferente em relação aos chamados
"direitos humanos". A necessidade de impor
subliminarmente a possibilidade de uma presença
alienígena perigosa e ameaçadora, resulta
crucial para a perpetuação da manipulação e o
distanciamento do ser humano comum desta
realidade (daí podem estar vindo a manipulação
artificial de algumas "aparições", "contatos
programados", "abduções", etc). Desta forma, os
meios de comunicação submetem-se
inconscientemente a esse jogo, servindo de
canais de programação mental, ingressando
diretamente na mente do telespectador que
curioso busca informação, encontrando apenas a
consolidação do que poucos apenas desejam, o
medo, a insegurança e a dúvida. O esclarecimento
estará sempre distante, pois as regras deste
escuro jogo é justamente a confusão e a
alimentação da controvérsia. E pelo jeito, a
situação permanecerá assim por muito tempo.
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