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	<title>Ceticismo Aberto &#187; Ciência</title>
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	<description>Paranormal e Ufologia sem ofender sua inteligência</description>
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		<title>Nuvem Triangular cai sobre T&#243;quio?</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 15:22:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fotos de OVNIs]]></category>
		<category><![CDATA[curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[nuvens]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma imagem curiosa capturada sobre os céus de Tóquio, Japão, e compartilhada no último dia 10 de dezembro no popular fórum de imagens 2ch. E não é uma montagem! Tampouco um pedaço de espuma química. É realmente uma nuvem, é ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="oltaning   Nuvem Triangular cai sobre T&oacute;quio?" border="0" alt="oltaning imagens de ovnis fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/oltaning.jpg" width="474" height="632" /></p>
<p>Uma imagem curiosa capturada sobre os céus de Tóquio, Japão, e compartilhada no último dia 10 de dezembro no popular fórum de imagens <em>2ch</em>.</p>
<p>E não é uma montagem! Tampouco um pedaço de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=nNQiFhRTKO0" target="_blank">espuma química</a>. É realmente uma nuvem, é realmente um rastro. É bem verdade, porém, que <strong>não é uma nuvem caindo</strong>. Mais imagens e considerações na continuação!</p>
<p><span id="more-7663"></span>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/tokyo-falling-cloud.jpg" target="_blank"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="tokyo falling cloud thumb   Nuvem Triangular cai sobre T&oacute;quio?" border="0" alt="tokyo falling cloud thumb imagens de ovnis fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/tokyo-falling-cloud_thumb.jpg" width="474" height="632" /></a></p>
<p>Acima, outra fotografia de um ângulo ligeiramente diferente, embora tudo indique ser do mesmo fotógrafo.</p>
<p>A nuvem parece estar caindo, especialmente por causa do rastro, mas esta é apenas uma ilusão de perspectiva, enquanto tanto a nuvem triangular, o rastro como as outras nuvens nessas imagens devem estar à mesma altitude aproximada.</p>
<p>Com a distância todos esses elementos tendem a convergir no horizonte, e especialmente em um ângulo como este, onde a trilha e a nuvem formam uma linha quase vertical, a ilusão se torna mais intensa. O mesmo efeito foi visto no ano passado quando <a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/5923/mistrio-do-mssil-fantasma-solucionado-uma-lio-de-histria" target="_blank">a trilha de condensação de um avião ao entardecer foi confundida com um míssil sendo disparado</a>.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/5923/mistrio-do-mssil-fantasma-solucionado-uma-lio-de-histria" target="_blank"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="DSC6529 20101114 121937   Nuvem Triangular cai sobre T&oacute;quio?" border="0" alt="DSC6529 20101114 121937 imagens de ovnis fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/DSC6529-20101114-121937.jpg" width="500" height="287" /></a></p>
<p>Observando a imagem, é difícil não ter esta impressão, mas em verdade tanto a trilha na parte inferior da imagem quanto aquela na parte superior em sua ponta estavam à mesma altitude aproximada. Clique na imagem para rever o caso do “<a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/5923/mistrio-do-mssil-fantasma-solucionado-uma-lio-de-histria" target="_blank">míssil fantasma</a>”.</p>
<p>Assim, o que as imagens japonesas registram é uma nuvem triangular e o que parece uma trilha criada em uma camada de nuvens. A nuvem não está caindo, mas ainda restaria explicar o rastro. Teríamos uma nuvem sólida cruzando o céu? Isto ainda seria muito intrigante. Talvez fosse um blimp ultra-secreto, ou uma espaçonave extraterrestre disfarçada como uma nuvem, mas uma que à semelhança do homem invisível, não pode esconder suas pegadas. Ou seu rastro pelas nuvens.</p>
<p>São ideias adoráveis e instigantes, mas algumas explicações mais prosaicas devem ser consideradas primeiro.</p>
<p>Pouco depois que as imagens originais foram publicadas, outro membro do fórum disse ter visto esta cena:</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="20111210 3 4   Nuvem Triangular cai sobre T&oacute;quio?" border="0" alt="20111210 3 4 imagens de ovnis fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/20111210-3-4.jpg" width="500" height="374" /></p>
<p>Outra nuvem triangular, e o que parece um rastro de pequeno comprimento. A cena não impressiona tanto, e é compreensivelmente natural. Já a seguinte, não:</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="michael holt   Nuvem Triangular cai sobre T&oacute;quio?" border="0" alt="michael holt imagens de ovnis fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/michael-holt.jpg" width="500" height="375" /></p>
<p>Como <strong>Michael Holt</strong> da <a href="http://cloudappreciationsociety.org/fallstreak-holes-%E2%80%93-a-new-understanding/" target="_blank"><em>Sociedade de Apreciação de Nuvens</em> explica</a>, “quando um avião passa por uma camada de nuvens a um ângulo raso, ele pode criar uma linha na nuvem [enquanto ela se congela pela perturbação em temperaturas supercríticas], no que é conhecido como nuvem canal ou distrail (do inglês <em>dissipation trail</em>)”.</p>
<p>Assim, embora este autor não seja um especialista, apenas um admirador de nuvens, sugerimos que as fotos japonesas mostram a nuvem canal de um avião que tenha passado minutos antes. Aqui está um detalhe da <em>distrail</em> japonesa:</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/4yh5w-2-eaed.jpg" target="_blank"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="4yh5w 2 eaed thumb   Nuvem Triangular cai sobre T&oacute;quio?" border="0" alt="4yh5w 2 eaed thumb imagens de ovnis fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/4yh5w-2-eaed_thumb.jpg" width="474" height="632" /></a></p>
<p>Explicações mais detalhadas são muito bem-vindas!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Areia Colorida Vibrante, Tigelas Budistas Cantantes e Megalitos em Levita&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 01:37:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[física]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[lendas]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Abaixe o volume e aprecie o artista japonês Kenichi Kanazawa fazendo areia colorida danças em belos padrões geométricos. Mágica? Talvez, mas nada sobrenatural. Esta é uma versão do que é melhor conhecido como Disco de Chladni. O tampo da mesa ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><iframe height="307" src="http://www.youtube.com/embed/Oz53w_k_j_A" frameborder="0" width="545" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Abaixe o volume e aprecie o artista japonês <strong>Kenichi Kanazawa</strong> fazendo areia colorida danças em belos padrões geométricos. Mágica? Talvez, mas nada sobrenatural.</p>
<p>Esta é uma versão do que é melhor conhecido como <a href="http://www.youtube.com/results?search_query=Chladni+plates" target="_blank">Disco de Chladni</a>. O tampo da mesa é feito de metal, que vibra em ressonância quando o artista esfrega uma bola de borracha em sua beirada, em um efeito similar a esfregar o dedo contra a borda molhada de um copo de cristal. A mesa vibrando faz a areia saltar e se acumular em padrões nodais, estudados pela <a href="http://www.cymatics.org/" target="_blank">cimática</a>.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="cimatica3   Areia Colorida Vibrante, Tigelas Budistas Cantantes e Megalitos em Levita&ccedil;&atilde;o" border="0" alt="cimatica3 destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/cimatica3.jpg" width="600" height="416" /></p>
<h2>Tigelas Cantantes</h2>
<p>O que é a oportunidade perfeita para apresentar outro fenômeno não exatamente mágico, mas extremamente fascinante. São as tigelas tibetanas cantantes, datando de mais de quatro milênios, e que podem fazer a água ferver quase instantaneamente!</p>
<p align="center"><iframe height="307" src="http://www.youtube.com/embed/9DrXGLetZF8" frameborder="0" width="545" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Exceto que não fervem a água de verdade, não se pode preparar um macarrão instantâneo com essa tigela. De forma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7dK6ZYGP_Qw" target="_blank">similar a Discos Chladni</a>, e como o <a href="http://blogs.nature.com/news/2011/07/cool_videos_how_tibetan_singin.html" target="_blank"><em>Nature News Blog</em> explica</a> (em inglês), o que a tigela está fazendo é se comportar mais como um sino, vibrando em ressonância e assim agitando e criando ondas na água em seu interior. Em um frequência crítica as ondas formam pequenas gotas que se separam e chegam a pular sobre o resto da água, criando um efeito que faz <em>parecer</em> que a água está fervendo. Mas a sua temperatura continua a mesma.</p>
<p>Veja o vídeo em detalhe e câmera lenta abaixo, cortesia de <strong>Denis Terwagne</strong> e <strong>John Bush</strong>:</p>
<p align="center"><iframe height="399" src="http://www.youtube.com/embed/X94sEhSiTs4" frameborder="0" width="545" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O fenômeno é um tanto complexo, não-linear, e aos aficcionados da série de TV “Lost”, tem um nome que deve soar familiar. É a <a href="http://www.youtube.com/results?search_query=Faraday+instability" target="_blank">instabilidade Faraday</a>, em nome de seu descobridor, o próprio <a href="http://scienceblogs.com.br/100nexos/2007/11/em-busca-da-verdade/" target="_blank"><strong>Michael Faraday</strong></a>, um dos grandes nomes da ciência e que já chegou à cultura popular como lenda enigmática.</p>
<p>E falando de lendas enigmáticas, vibrações e monges budistas, chegamos ao último nexo deste artigo: a levitação acústica de pedras, na lenda da construção de monastérios com os segredos milenares mais bem guardados do Tibete.</p>
<p>&#160;</p>
<h2>Megalitos que Levitam</h2>
<p>Em 1959 o projetista sueco <strong>Henry Kjellson</strong> publicou um curioso relato&#160; em uma revista alemã. Dizia ele que seu amigo, o Dr. <strong>Jarl</strong>, estudava em Oxford e fez amizade com um jovem estudante tibetano. Algum tempo depois, enquanto o Dr. Jarl estava no Egito em uma viagem para a Sociedade Científica Inglesa, um mensageiro de seu amigo tibetano o chamou urgentemente para ir ao Tibete para cuidar de um Lama.</p>
<p>Depois de conseguir uma licença e viajar, de avião e mesmo <em>yaks</em> até um monastério isolado a sudoeste de Lhasa, o Dr. Jarl ficou surpreso ao descobrir que o Lama era seu próprio amigo tibetano de Oxford. Tudo correu bem, e por causa de sua amizade, o Dr. Jarl pôde aprender muitas coisas que outros forasteiros não tinham chance de sequer observar.</p>
<p>Foi assim que ele presenciou com seus próprios olhos algo fantástico, um conhecimento derivado diretamente dos antigos egípcios. Os monges mostraram como erguiam blocos de toneladas ao topo de um desfiladeiro com altura de mais de 250 metros usando… tambores e trompetes. Kjellson relata:</p>
<blockquote><p>“No meio do local estava uma base de pedra polida com uma pequena cavidade no centro. Ela tinha o diâmetro de um metro e uma profundidade de 15 centímetros. Um bloco de pedra era manobrado para a cavidade. Então, 19 instrumentos musicais eram disposto em um arco com 90 graus a uma distância de 63 metros da base ao centro. Os instrumentos consistiam de 13 tambores e seis trompetes (Ragdons). Oito tambores tinham uma seção de um metro e um comprimento entre um e 1,5 metro. O único tambor pequeno tinha uma seção de 0,2 metros e comprimento de 0,3 metros. Todos os trompetes tinham o mesmo tamanho, 3,12 metros e uma abertura de 0,3 metros.</p>
</blockquote>
<blockquote><p>Os tambores grandes eram feito de folhas de ferro de 3 mm, e tinham um peso de 150 Kg. Todos tinham um lado aberto, enquanto o outro tinha um fundo de metal, que os monges batiam com grandes bastões com couro. [Enquanto batiam nos tambores e tocavam os trompetes], todos os monges estavam cantando e entoando um cântico, lentamente aumentando o tempo deste barulho ensurdecedor.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="antigravitywg106   Areia Colorida Vibrante, Tigelas Budistas Cantantes e Megalitos em Levita&ccedil;&atilde;o" border="0" alt="antigravitywg106 destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/12/antigravitywg106.gif" width="400" height="284" /></p>
</blockquote>
<blockquote><p>Pelos primeiros quatro minutos nada aconteceu, mas enquanto a velocidade dos tambores aumentou, a grande pedra começou a se mexer e subitamente ergueu-se no ar com uma velocidade crescente na direção da plataforma em frente do buraco da caverna a 250 metros de altura. Continuamente eles traziam novos blocos, e usando este método, transportaram 5 a 6 blocos por hora em um vôo parabólico de aproximadamente 500 metros de distância. De vez em quando o bloco em vôo se quebrava, e os monges retiravam as pedras quebradas. Uma tarefa inacreditável”.</p>
</blockquote>
<p>Inacreditável? Talvez porque, embora o Dr. Jarl tenha filmado todo o evento, a <em>Sociedade Científica Inglesa</em> – à qual ele estava submetido – tenha confiscado os dois filmes. Nunca foram vistos publicamente.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/results?search_query=Acoustic+levitation" target="_blank">A levitação acústica em si é real</a>, e os grãos de areia bem como as gotículas de água pululando são fenômenos relacionados. Pode-se conferir abaixo um experimento da NASA levitando pequenos pedaços de isopor.</p>
<p align="center"><iframe width="545" height="399" src="http://www.youtube.com/embed/94KzmB2bI7s" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Dado que monges budistas conheciam tigelas cantantes que lidavam com a ressonância, poderiam eles ter levitado grandes pedras com nada menos que tambores?</p>
<p>Infelizmente, sabemos por certo que não. Há um limite físico na quantidade de energia que uma onda de som pode conter, além da qual o som se torna uma onda de choque e quanto mais energia, mais ela se dissipa simplesmente como calor.</p>
<p>Assim, e ironicamente, podem-se criar ondas de choque poderosas que fervem água de verdade, ao contrário da mera aparência de fervura das tigelas cantantes. Mas seria uma forma muito inconveniente de cozinhar macarrão.</p>
<p>É impossível que o puro ar em ondas de som ressonante possa levitar uma pedra pesada. É verdade que uma onda de choque pode mover grandes rochas, porém isso não é algo que se faz com tambores, e sim com explosivos &#8212; e isso é algo que se faz em pedreiras muito longe do Tibete a todo o momento.</p>
<p>Bem, espero que as maravilhas reais que vimos aqui compensem o fim de uma boa lenda sobre pedras levitando!</p>
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		<title>Novo Fen&#244;meno Natural tem Nome: Crown Flash</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 02:59:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe height="480" src="http://www.youtube.com/embed/E4sY98zsBH0" frameborder="0" width="600" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Novos vídeos de um&#160; fascinante fenômeno foram capturados na Singapura no último dia 14 de agosto de 2011, e prontamente partilhados na rede em alta definição. O usuário “<a href="http://www.youtube.com/user/abrigatti" target="_blank">abrigatti</a>” descreve o registro:</p>
<blockquote><p>“Estava ao lado da piscina na Singapura, quando vi algo estranho nos céus. Quando olhei para cima vi estranhas nuvens dispararem luz e vapores enquanto elas se alteravam esporadicamente. Podia ver que a nuvem de tempestade estava se formando, mas o show de luz visual me intrigou. Então peguei meu iPhone e gravei isto”.</p>
</blockquote>
<p>O segundo vídeo permite uma visão um tanto mais detalhada, e pelo visto a melhor já feita do fenômeno:</p>
<p><iframe height="480" src="http://www.youtube.com/embed/hJokSDCSePQ" frameborder="0" width="600" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/6222/novo-fenocircmeno-natural-faz-luzes-danccedilarem-no-ceacuteu" target="_blank">No mês passado havíamos abordado em <em>CeticismoAberto</em></a> como este novo fenômeno natural, sugerido pelo engenheiro <strong>William Beaty</strong> e encontrado em vídeos diversos pela rede poderia ser explicado.</p>
<p>Seriam algo relacionado a parélios e <a href="http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/1348/clouds-of-wonder" target="_blank">nuvens</a> <a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/imagens-de-ovnis/5418/pileus" target="_blank">pileus</a>, onde os cristais de gelo no topo de nuvens de tempestade se realinhariam rapidamente – em conjunto, em velocidades superiores à do som &#8212; em resposta quase imediata às mudanças dos campos elétricos de tempestades próximas.</p>
<p align="center"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="pileus 1 900   Novo Fen&ocirc;meno Natural tem Nome: Crown Flash" border="0" alt="pileus 1 900 fortianismo ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/08/pileus-1-900.jpg" width="600" height="399" />    <br />[<a href="http://www.gccaz.edu/earthsci/imagearchive/pileus.htm" target="_blank">Nuvem pileus</a>]</p>
<p>Desde então, Beaty adicionou novas especulações em sua página, e recebemos em correspondência pessoal mais confirmações do fenômeno. Ao final de nosso artigo perguntávamos por que o fenômeno ainda não havia sido explorado academicamente, ou mesmo na literatura alternativa.</p>
<p>Resulta que ele já foi descrito, como nos apontou o belga <a href="http://www.caelestia.be/" target="_blank"><strong>Wim Van Utrecht</strong></a>. Em uma correspondência à revista <em>Nature</em> em 1971, <strong>John Gall</strong> e <strong>Maurice Graves</strong> descrevem um “<a href="http://www.nature.com/nature/journal/v229/n5281/abs/229184b0.html" target="_blank">Possível Novo Fenômeno Meteorológico Chamado <em>Crown Flash</em></a>”:</p>
<blockquote><p>2 de Julho de 1970, Ann Arbor, Michigan: Enquanto observávamos uma nuvem de tempestade, “No e logo acima do pico de uma célula de tempestade uma massa de nuvem pareceu passar por mudanças bruscas de luminosidade durando vários segundos de cada vez… O fenômeno continuou a ocorrer repetidamente em intervalos de 30-60s durante os próximos 15 ou 20 minutos, fornecendo a base para a seguinte descrição. O aumento no brilho repentino começou ao mesmo tempo que os raios na massa principal da nuvem, mas continuou depois que o flash do raio havia acabado. Tinha a aparência de um facho estendendo-se como uma onda para cima e para fora da região logo a oeste do pico da nuvem cúmulo, lembrando uma exibição em leque da aurora boreal. Durou uma fração substancial de um segundo com cada raio. Em uma ou duas ocasiões tinha a aparência de um anel luminoso movendo-se rapidamente para fora e cima do pico do cúmulo. Nestas ocasiões, observou-se claramente que se estendia além da nuvem e em direção ao céu azul. Uma sombra linear, aparentemente causada por uma das massas de cúmulo, pareceu alterar sua posição subitamente para cima ou para baixo em cada ocorrência do evento”.</p>
</blockquote>
<p>A referência havia sido compilada por <strong>William Corliss</strong>, conhecido estudioso coletando anomalias relatadas na literatura científica. Utrecht encontrou diversas outras referências descrevendo o fenômeno datando desde o fim do século 19, e que agora sabemos ter sido batizado de “<em><strong>Crown Flash</strong></em>”, e que podem ser lidas <a href="http://forgetomori.com/2011/science/a-new-natural-phenomenon-crown-flash/" target="_blank">na versão em inglês desta nota</a>.</p>
<p>O britânico <a href="http://martinshough.com/aerialphenomena/" target="_blank"><strong>Martin Shough</strong></a> também notou que <a href="http://www.fma-research.com/Sprites99/CHAPTER-X.pdf" target="_blank">nos anais de um congresso científico realizado em 1999</a> (PDF), há menção à súbita mudança na luminosidade de nuvens associada a tempestades elétricas. Que teriam sido… observadas por satélites! E uma das explicações, de fato “<em>a única explicação viável</em>” à qual os cientistas chegaram para explicar o evento foi aquela apontada por Beaty em sua página: “<em>o realinhamento de cristais de gelo como resultado da dinâmica de cargas associada com grandes eventos de relâmpagos positivos</em>”.</p>
<p>Há pouco, Utrecht nos avisou ter encontrado um artigo do periódico da <em>Sociedade Meteorológica Americana</em> (<a href="http://journals.ametsoc.org/doi/pdf/10.1175/1520-0450(1974)013%3C0573%3ARTIEOM%3E2.0.CO%3B2" target="_blank">PDF</a>), em que a observação de Gall e Graves do Crown Flash é mencionada, bem como a explicação a ele, em linha com a sugestão de Beaty, mas indicada pelo professor <strong>Bernard Vonnegut</strong>, publicada nada menos que em 1965!</p>
<blockquote><p>“A teoria de Vonnegut sugere a seguinte explicação ao fenômeno <em>crown flash</em>. Acima da faixa de derretimento, a nuvem é composta primariamente de cristais de gelo, comumente na forma de placas, agulhas ou colunas hexagonais. Na ausência de um campo eletrostático forte, a orientação dos cristais de gelo é governada primariamente pela gravidade e forças aerodinâmicas dentro da massa da nuvem. Durante uma tempestade, a carga começa a se separar dentro da nuvem. Na influência de um campo eletrostático assim formado, os cristais de gelo aceitam um momento de dipolo induzido. (…) Quando a descarga ocorre, a corrente tende a relaxar os campos nas nuvens rapidamente, com um drástico realinhamento subsequente dos cristais de gelo. Uma mudança na distribuição de luz sobre a superfície da nuvem ocorre enquanto os cristais de gelo, agindo como pequenos espelhos, mudam seu ângulo de reflectividade da luz solar incidente. Um observador no ângulo apropriado perceberá o efeito como um flash de luz”.</p>
</blockquote>
<p>Apesar de descrito como um “possível novo fenômeno” em 1971 e já ter uma explicação física indicada em 1965, até onde sabemos não havia nenhum registro filmográfico de um <em>crown flash</em>. A Internet, Bill Beaty, usuários do Youtube e os pesquisadores incluindo Utrecht podem merecer o crédito por serem os primeiros a registrar, e então a reconhecer este novo fenômeno em vídeo.</p>
<p>O que seria realmente notável: nem tudo que surge no Youtube é falso. De fato, esta poderosa ferramenta de compartilhamento de vídeos, que agora podem ser capturados por centenas de milhões de tudo de inusitado que vejam, pode finalmente ter capturado um fenômeno descrito há séculos mas que havia escapado das câmeras mesmo por décadas após ter sido descrito por cientistas.</p>
<p>O que não significa que tudo que surja no Youtube deva ser verdadeiro – de fato, existe a possibilidade de que o recente vídeo na Singapura seja falso, apesar de (ou mesmo exatamente por que) combina com as descrições na literatura acadêmica.</p>
<p>Contudo, a literatura, combinada com diversos vídeos independentes fornece cada vez mais apoio à aceitação de que o <em>Crown Flash</em> foi capturado, e que podemos vê-lo em alta definição, dias depois de capturado quase do outro lado do mundo, pela Internet.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>[Com agradecimentos a Bill Beaty, Martin Shough e Wim Van Utrecht. Tristemente, William Corliss, grande compilador, faleceu no mês passado]</p>
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		<title>Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 03:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ufologia]]></category>
		<category><![CDATA[física]]></category>

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		<description><![CDATA[Um engenheiro da Universidade de Washington pode ter descoberto um fascinante fenômeno natural através de vídeos na Internet. “Há alguns anos em apresentações em museus eu estava explicando a ótica dos arco-íris e explicando a dinâmica de tempestades”, conta William ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Himmelserscheinung_ber_Nrnberg_vom_14._April_1561f.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6219" title="Himmelserscheinung ber Nrnberg vom 14. April 1561f   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Himmelserscheinung_ber_Nrnberg_vom_14._April_1561f.jpg" alt="Himmelserscheinung ber Nrnberg vom 14. April 1561f ufologia fortianismo destaques ciencia " width="600" height="401" /></a></p>
<p>Um engenheiro da Universidade de Washington pode ter descoberto um fascinante fenômeno natural através de vídeos na Internet.</p>
<p>“<em>Há alguns anos em apresentações em museus eu estava explicando a ótica dos arco-íris e explicando a dinâmica de tempestades</em>”, conta <a href="http://amasci.com/" target="_blank"><strong>William Beaty</strong></a>. “<em>Tropecei então com uma estranha ideia: não deveriam os fortes campos eletrostáticos das tempestades terem um efeito visível em arco-íris? Campos elétricos deveriam distorcer levemente gotas d’água, fazendo com que a distribuição de luz de um arco-íris mudasse um pouco</em>”, especulou.</p>
<p>Como esse fenômeno se pareceria? “<em>Por vezes deveríamos notar um arco-íris tremeluzindo durante um relâmpago, e então retornando lentamente a seu padrão inicial enquanto os campos elétricos se acumulassem antes de outro raio</em>”.</p>
<p>Apesar da possibilidade tantalizante, Beaty não encontrou evidências do fenômeno de arco-íris dançando em meio a tempestades – pelo menos ainda. Mas os usuários do site Youtube, “LordHermie” e “JimBob” lhe chamaram a atenção para algo não muito diferente: vídeos capturados em diferentes partes do globo, dos EUA à Malásia, registrando fachos de luz em rápido movimento sobre nuvens de tempestades.</p>
<h3>Parélios Dançantes?</h3>
<p><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/1Z_-uK5Btik" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/Sc9Ks6H3coY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/cUcH3VClzUI" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/fEiQKOLXU8Y" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Os vídeos acima, capturados por diferentes testemunhas pelo mundo, assistidos e compartilhados com perplexidade, demonstram algo muito similar ao sugerido por Beaty. “<em>Ao invés da distorção de gotas de água</em>”, nota Beaty, “<em>estes devem ser padrões luminosos de parélios causados por cristais de gelo alinhados</em>”.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/fig20.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6220" title="fig20   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/fig20.jpg" alt="fig20 ufologia fortianismo destaques ciencia " width="420" height="343" /><br />
</a>[<a href="http://www.atoptics.co.uk/" target="_blank">Atmospheric Optics</a>]</p>
<p><a href="http://www.atoptics.co.uk/halosim.htm" target="_blank">Parélios</a> são relativamente comuns: basicamente, basta que haja cristais de gelo na atmosfera para que o fenômeno ocorra. Para que ele seja mais facilmente percebido, contudo, as condições propícias são que a fonte de luz, como o Sol, esteja próximo do horizonte e o céu limpo.</p>
<p>Quando os cristais estão desalinhados, forma-se um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Halo_(optical_phenomenon)" target="_blank">halo</a>, um círculo de luz em torno do Sol. Quando estão alinhados, principalmente por forças aerodinâmicas, criam os parélios (ou “falsos sóis”) propriamente ditos, surgindo como um par de “sóis” aos lados do astro-rei. O fenômeno ótico não ocorre apenas com o Sol, e uma Lua cheia particularmente brilhante, com as condições atmosféricas apropriadas, também pode ser vista com halos ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Moon_dog" target="_blank">paraselenes</a> ao seu redor.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/sunhalo_rosen.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6221" title="sunhalo rosen   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/sunhalo_rosen.jpg" alt="sunhalo rosen ufologia fortianismo destaques ciencia " width="600" height="351" /></a><br />
[Peter Rosén, <a href="http://apod.nasa.gov/apod/ap110110.html" target="_blank">APOD</a>]</p>
<p>Se basta a existência de cristais de gelo, sabemos que eles podem popular o topo de nuvens de tempestades. E se a “estranha ideia” de Beaty é que os cristais poderiam se alinhar em resposta a campos elétricos de tempestades, o alinhamento foi tanto observado em laboratório a campos elétricos relativamente fracos (Foster, Hallet, 2002, 2008), como através de radares meteorológicos em resposta à atividade elétrica de tempestades (Caylor, Chandrasekar, 1996).</p>
<p>A novidade, e a espetacular novidade, seria que estes fenômenos já reconhecidos e sendo estudados se combinem para produzir espetáculos de luzes visíveis, algo que ainda não parece ter sido estudado academicamente.</p>
<h3>Em Busca de Confirmação</h3>
<p>O brilho particular de um halo ou de parélios está literalmente nos olhos do observador: os cristais de gelo não se distribuem apenas em um anel ou na região onde se observam os parélios. Como o fim dos arco-íris, você poderia perseguir os parélios, mas nunca os alcançaria. Os cristais se distribuem pelo céu, e apenas aqueles nos ângulos certos, determinados pela geometria dos cristais e o ângulo entre a fonte de luz e o observador responde pelos brilhos particulares.</p>
<p>O que vemos nos vídeos, na opinião deste autor, não é completamente similar a halos. Realmente parece haver algo direcionando a luz solar em fachos, e é relevante que todos os vídeos mostram os fachos próximos do topo iluminado das nuvens com o sol brilhando obliquamente. Cristais de gelo alinhando-se em resposta a campos elétricos em rápida mudança, a sugestão original de Beaty, parecem parte da resposta, mas o fenômeno não parece se enquadrar como uma classe de halo ou parélio.</p>
<p>Mais pesquisa é necessária, e explicações alternativas aos vídeos podem incluir desde fraudes digitais, artefatos das câmeras até fenômenos muito mais mundanos, como movimentos de partes das nuvens direcionando os raios de luz por entre vãos, ou algo talvez tão inusitado, sugerido pelo físico <strong>Martin Shough</strong>, como ondas de choque de trovôes provocando triboluminescência.</p>
<p>Todas estas explicações alternativas têm seus problemas. Os vídeos foram enviados por usuários diferentes e não foram associados, até o momento, a uma campanha viral. Os fenômenos não são compatíveis com as características de artefatos digitais ou óticos próprios de câmeras, e o movimento rápido dos fachos de luz não parece compatível com uma simples ação mecânica direta.</p>
<p>Uma das mais fortes evidências de que o fenômeno se relaciona com o campo elétrico é de fato a forma como as luzes se movimentam, primeiro bruscamente e então retornando lentamente a seu estado inicial, em um movimento que traçado lembra o de um dente de serra. É exatamente o comportamento esperado da acumulação de um campo elétrico que é então descarregado através de um relâmpago, para então acumular-se novamente. Que ele seja produzido pelo alinhamento simultâneo de um conjunto de cristais de gelo também é mais plausível que o movimento direto de uma nuvem.</p>
<p>Beaty divulgou sua ideia e os vídeos relacionados no ano de 2009, mas resta confirmar, ou refutar, se o fenômeno realmente faz o cruzamento entre cristais de gelo, a luz do Sol e o campo elétrico de tempestades. Restaria ainda compreendê-lo plenamente. Caso se confirme, é algo que deve ter sido observado incontáveis vezes ao longo da história em todo o mundo, e como os parélios tradicionais, pode ter sido registrado associado a um sem número de superstições e mistificações, até que seu mecanismo físico real seja compreendido.</p>
<p>Porém, tão curioso quanto o fato de que o fenômeno ainda não tenha sido explorado academicamente é que tampouco parece haver registro na literatura fortiana ou ufológica. Ou haveria? Temos relatos de fachos de luz dançando ao redor de nuvens de tempestades?</p>
<p>Seja como for, não é a toda hora que se descobre um novo fenômeno natural, e se há algo excitante no estudo do inusitado é assistir à descoberta de algo verdadeiramente novo.</p>
<p>[Com agradecimentos a Bill Beaty, Martin Shough e Manuel Borraz]</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<p>- Beaty, W. J.; “<strong><a href="http://amasci.com/amateur/sundog.html" target="_blank">Leaping Sundogs produced by storm electrostatic fields</a></strong>”, Nov 2009</p>
<p>- Caylor, I.J.;   Chandrasekar, V.; “<a href="http://ieeexplore.ieee.org/xpl/freeabs_all.jsp?arnumber=508402" target="_blank">Time-varying ice crystal orientation in thunderstorms observed with multiparameter radar</a>”, Geoscience and Remote Sensing, IEEE Transactions, Volume 34, Issue 4 , Jul 1996, pp 847-858</p>
<p>- Foster, TC; Hallett, J; “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S016980950200008X" target="_blank">The alignment of ice crystals in changing electric fields</a>”, Atmospheric Research, Volume 62, Issues 1-2, May 2002, pp 149-169</p>
<p>- Foster, TC; Hallett, J; “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0169809508000884" target="_blank">Enhanced alignment of plate ice crystals in a non-uniform electric field</a>”, Atmospheric Research, Volume 90, Issue 1, October 2008, pp 41-53</p>
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		<title>A Neurologia das Experi&#234;ncias de Quase Morte</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 20:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Paranormal]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[paralisia sono]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo de Alex Likerman, publicado em Happiness in this World Traduzido por colaboração de Rodrigo Véras e André Rabelo Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (EQM), mas recentemente me deparei com um ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="astral projection   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="astral projection paranormal ciencia ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/astral-projection.jpg" width="600" height="400" /></p>
<p align="right">Artigo de <strong>Alex Likerman</strong>, publicado em <em><a href="http://www.happinessinthisworld.com/2011/05/15/the-neurology-of-near-death-experiences/" target="_blank">Happiness in this World</a></em>    <br />Traduzido por colaboração de <a href="http://calmariatempestade.wordpress.com/" target="_blank">Rodrigo Véras</a> e <a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/" target="_blank">André Rabelo</a></p>
<p>Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (<a href="http://www.neardeath.woerlee.org/" target="_blank">EQM</a>), mas recentemente me deparei com um livro fascinante chamado <em>O Portal Espiritual no Cérebro </em>(<a href="http://us.penguingroup.com/nf/Book/BookDisplay/0,,9780525951889,00.html?The_Spiritual_Doorway_in_the_Brain_Kevin_Nelson" target="_blank"><em>The Spiritual Doorway in the Brain</em></a><em>)</em> de <a href="http://www.psychologytoday.com/blog/the-spiritual-doorway-in-the-brain" target="_blank"><strong>Kevin Nelson</strong></a>, que relata que cerca de 18 milhões de americanos podem ter tido uma. Se for verdade<strong>, </strong>é provável não apenas que alguns dos meus pacientes estejam entre eles, mas também alguns dos meus amigos. O que me levou a pensar: o que exatamente a ciência tem a nos dizer sobre a sua causa?</p>
<p>Que <a href="http://www.susanblackmore.co.uk/Chapters/ShermerNDE.htm" target="_blank">EQMs</a> acontecem não está em disputa. A sequência e os tipos de eventos dos quais elas são compostas são suficientemente similares entre as pessoas que as relatam de tal forma que EQMs poderiam ser consideradas como algum tipo de síndrome, semelhante a uma doença sem causa conhecida. Mas apenas porque milhões de pessoas já viveram EQMs, isso não significa que a explicação mais comumente aceita para elas – que almas deixam os corpos e encontram deus ou alguma outra evidência de vida após a morte – esteja correta.</p>
<p>Afinal de contas, as pessoas interpretam erroneamente as suas experiências o tempo todo (uma ilusão ótica representando o exemplo mais básico). Sem dúvida, muitas pessoas que relatam EQMs são profundamente afetadas por elas<strong>, </strong>mas, geralmente,<strong> </strong>mais <strong></strong>como um resultado de suas interpretações das experiências (i.e., “a vida após a morte é real”) do que como resultado da experiência em si. Acontece que um número de observações reproduzíveis combinado com uma pitada de conjecturas gerou uma explicação neurológica inteiramente plausível para todos os casos de experiências que incluam EQM.</p>
<p>Em seu livro, Nelson comenta que normalmente 20% do fluxo sanguíneo é direcionado para o cérebro, mas que este fluxo pode abaixar para 6% antes de ficarmos inconscientes (e mesmo nesse nível, nenhum dano permanente será causado). Nelson ainda observa que quando nossa pressão sanguínea diminui demais e desmaiamos, o nervo vago (um longo nervo que se conecta com o coração) <strong></strong>desloca a consciência para o sono REM – mas não totalmente em algumas pessoas. Um número de sujeitos parece ser suscetível ao que ele chama de “intromissão REM”.</p>
<p>A intromissão REM ocorre tipicamente, quando ocorre, na transição da vigília para o sono. Nelson descobriu em sua pesquisa que o funcionamento do mecanismo que alterna as pessoas entre o sono REM e a vigília tendeu a ser diferente naquelas que relataram EQMs. Nessas pessoas, ele descobriu que a mudança era mais propensa a “fragmentar e misturar” esses dois estados de consciência (o controle do nosso estado de consciência é localizado no nosso tronco cerebral<strong> </strong>e é precisamente regulado), fazendo com que essas pessoas exibam simultaneamente características de ambos. Durante a intromissão REM, as pessoas se viram paralisadas (“<a href="http://psychology.uwaterloo.ca/~acheyne/" target="_blank"><em>paralisia do sono</em></a>”), totalmente despertas, mas experimentando luzes, sensações fora do corpo e narrativas surpreendentemente vívidas. Durante o sono REM, muitos dos centros de prazer do cérebro são estimulados também (animais que tiveram suas regiões REM danificadas perderam todo o interesse em comida e até em morfina), o que pode explicar os sentimentos de paz e unicidade também relatados durante EQMs.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="centrifuge blackout   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="centrifuge blackout paranormal ciencia ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/centrifuge_blackout.jpg" width="600" height="200" /></p>
<p>A neurofisiologia também pode explicar o sentimento de estar se movendo através de um túnel, tão regularmente mencionado em EQMs. É bem sabido que pessoas experimentam uma “visão de túnel” imediatamente antes de desmaiar. Experimentos com pilotos <strong></strong>girados<strong> </strong>em centrífugas gigantes têm reproduzido o fenômeno de visão de túnel, aumentando as forças G e diminuindo o fluxo sanguineo em suas retinas (a periferia da retina é mais suscetível a quedas na pressão sanguínea do que o seu centro, de tal forma que o campo de visão parece comprimido, fazendo cenas parecerem vistas dentro de um túnel). Quando óculos especiais que geram sucção foram colocados nos olhos dos pilotos para neutralizar o efeito de queda da pressão sanguínea da centrífuga, os pilotos perderam a consciência sem desenvolver o efeito da visão de túnel – provando que a experiência da visão de túnel é causada por uma redução no fluxo sanguineo dos olhos.</p>
<p>Talvez o aspecto mais intrigante das EQMs seja o quão costumeiramente elas estão associadas com experiências fora do corpo. Isso também, entretanto, trata-se de uma ilusão. Evidências de que experiências fora do corpo nada têm a ver com almas deixando corpos podem ser encontradas na observação de que elas também têm sido relatadas por pessoas acordando do sono, recuperando-se de anestesia, enquanto estão desmaiando, durante convulsões, durante enxaquecas e quando estão em altas altitudes (não há razão para pensar que as almas das pessoas estão deixando seus corpos durante nenhuma dessas situações não ameaçadoras para a vida).</p>
<p>Mas as evidências mais fascinantes de que experiências fora do corpo são fenômenos neurológicos vêm dos estudos feitos inicialmente na década de 1950 por um neurocirurgião chamado <a href="http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html" target="_blank"><strong>Penfield</strong></a>. Ele estava interessado em compreender como poderia distinguir tecidos cerebrais normais de tumores cerebrais ou<strong> </strong>“cicatrizes” que eram responsáveis por causar convulsões. Ele estimulou os cérebros de centenas de pacientes conscientes no esforço de mapear o córtex cerebral e entender aonde em nossos cérebros nosso corpo físico é representado.</p>
<p>Um paciente sofria de danos no lobo temporal e quando Penfield estimulou a região temporoparietal do seu cérebro, ele relatou ter deixado o seu corpo. Quando a estimulação parou, ele “voltou”, e quando Penfield estimulou a região temporoparietal de novo, ele deixou o seu corpo mais uma vez. Penfield também descobriu quando variava a corrente e a localização do estímulo, podia fazer os membros do seu paciente parecerem<strong> </strong>encurtados ou produzir uma cópia de seu corpo que existia ao seu lado!</p>
<p>Em o <em>Cérebro Contador de Histórias </em>(<em><a href="http://books.wwnorton.com/books/detail.aspx?ID=17227" target="_blank">The Tell-tale Brain</a></em>)<strong>, </strong><a href="http://cbc.ucsd.edu/ramabio.html" target="_blank"><strong>V. S. Ramachandran</strong></a> descreve um paciente que teve um tumor removido da sua região frontoparietal direita e desenvolveu um “gêmeo fantasma” ligado ao lado esquerdo do seu corpo. Quando Ramachandran colocou água fria no seu ouvido (um procedimento conhecido como teste calórico de água fria, o qual estimula o sistema de equilíbrio do cérebro, conhecido por ter conexões com a região frontoparietal), o gêmeo do paciente se afogou, movimentou-se e mudou de posições.</p>
<p>Neurologistas têm reconhecido desde então que a região temporoparietal do cérebro é responsável por manter a representação de nossos esquemas corporais. Quando uma corrente externa é aplicada nessa região, ela para de funcionar normalmente e nossa <em></em>representação<strong><em> </em></strong>do corpo “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364661303000275" target="_blank">flutua</a>”. Outras evidências de que esse fenômeno é uma ilusão vêm de experimentos nos quais as pessoas que tiveram experiências fora do corpo enquanto passavam do sono para a vigília eram incapazes de identificar objetos colocados no quarto depois que adormeciam, sugerindo fortemente que a imagem que viram deles mesmos dormindo nas suas camas era reconstruída em sua memória. Embora não exista ainda nenhuma evidência de que níveis baixos de oxigênio no sangue causem disfunção da região temperoparietal da mesma forma que uma corrente aplicada, esta permanece como uma hipótese testável e a explicação mais provável.</p>
<p>Em suma, embora longe de estar provada como uma explicação para o que realmente explica as EQMs, a hipótese da intromissão REM tem mais evidências para corroborá-la do que a idéia de que nós realmente deixamos nossos corpos quando a morte está à espreita.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><strong>Mais informações sobre experiências de quase morte:</strong></p>
<ul>
<li>Keith Augustine (2008) &#8211; <a href="http://www.infidels.org/library/modern/keith_augustine/HNDEs.html" target="_blank">Experiências alucinatórias de quase morte</a> </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/page-26369.html" target="_blank">Página de Olaf Blanke</a>, grande pesquisador da área </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/media" target="_blank">Vídeos do Laboratório de Neurociência Cognitiva (LNCO)</a> </li>
<li><a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">Página de Al Cheyne</a>, grande pesquisador da área </li>
<li>Artigos disponíveis de Al Cheyne sobre <a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">paralisia do sono</a> </li>
</ul>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Os Tr&#234;s Super-Her&#243;is de Chernobyl</title>
		<link>http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/6199/os-trs-super-heris-de-chernobyl</link>
		<comments>http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/6199/os-trs-super-heris-de-chernobyl#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 May 2011 02:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[união soviética]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo original de La Pizarra de Yuri Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Jorge Jarufe Podem-se salvar milhões de pessoas sacrificando a sua própria, sem que ninguém se lembre. É uma das histórias mais conhecidas do nosso tempo: no dia 26 ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl entrada   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl entrada destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_entrada.jpg" width="600" height="284" /></p>
<p align="right">Artigo original de <strong><a href="http://www.lapizarradeyuri.com/" target="_blank">La Pizarra de Yuri</a></strong>     <br />Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Jorge Jarufe</p>
<p><strong>Podem-se salvar milhões de pessoas sacrificando a sua própria, sem que ninguém se lembre.</strong></p>
<p>É uma das histórias mais conhecidas do nosso tempo: no dia 26 de abril de 1986, o reator número 4 da central nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança mal executado, depois de 24 horas de manipulações insensatas e mais de duzentas violações do Regulamento de Segurança Nuclear da União Soviética. Estas ações conduziram ao envenenamento por xenônio do núcleo, levando-o a uma acumulação neutrônica seguida por um aumento de energia que causou duas grandes explosões às 01h24 da madrugada.</p>
<p>Sobre Chernobyl foram contadas muitas mentiras. E foram contadas por muitas pessoas, desde as autoridades soviéticas da época até a indústria nuclear ocidental, passando pelos propagandistas de todos os tipos e a coleção de conspiracionistas habituais. Há uma delas que me molesta de modo particular, e é a de que os <em>liquidadores</em> – quase um milhão de pessoas que se encarregaram do problema &#8211; eram uma horda de pobres ignorantes levados lá sem saberem a classe de monstro que tinham na frente. E molesta-me porque constitui um desprezo ao seu heroísmo.</p>
<p>E também porque é radicalmente falso. Uma turba ignorante não serve para nada em um acidente tecnológico tão complexo. As equipes de liquidadores estavam compostas, principalmente, por bombeiros, cientistas e especialistas da indústria nuclear; tropas terrestres e aéreas prontas para a guerra atômica e engenheiros de minas, geólogos e mineradores de urânio, pela sua ampla experiência na manipulação dessas substâncias. É néscio supor que estas pessoas ignoravam os perigos de um reator nuclear destripado cujos conteúdos você vê brilhar na frente dos seus olhos num enorme buraco.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl liquidadores bronceado radiactivo   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl liquidadores bronceado radiactivo destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_liquidadores_bronceado_radiactivo.jpg" width="600" height="337" /></p>
<p>Os <em>liquidadores</em> sabiam o que tinham perante si, e apesar disso realizaram o seu trabalho com enorme valor e responsabilidade. Centenas, milhares deles, de maneira heróica: os bombeiros que se alternavam entre vômitos e diarréias radiológicas para subir ao mítico <em>telhado de Chernobyl</em>, onde havia mais de 40.000 Roentgens/hora, para apagar dali os incêndios (a radiação ambiental normal é de uns 20 <em>micro</em>rroentgens/hora); os pilotos que detinham os seus helicópteros por cima do reator aberto e refulgente para esvaziar sobre ele areia e argila com chumbo e boro; os técnicos e soldados que corriam a toda velocidade pelas galerias devastadas comunicando aos gritos as leituras dos contadores Geiger e os cronômetros para romper paredes, restabelecer conexões e bloquear canalizações em períodos de quarenta ou sessenta segundos junto às turbinas (20.000 roentgens/hora); os mineradores e engenheiros que trabalhavam em túneis subterrâneos, inundando-se constantemente com água de sinistro brilho azul, para instalar os canos de um extrator de calor que roubasse algo de temperatura ao núcleo fundido e radiante, a escassos metros de distância; os milhares de trabalhadores e arquitetos que levantavam o sarcófago ao seu redor, retiravam do entorno os escombros furiosamente radioativos e evacuavam a população.</p>
<p>Salvo os soldados submetidos a disciplina militar, ninguém era proibido de ir embora se não quisesse continuar ali; mas quase ninguém o fez. Ao contrário, muitos chegaram como voluntários de toda a URSS, especialmente muitos estudantes e pós-graduados das faculdades de física e engenharia nuclear. Esta foi a classe de homens e não poucas mulheres que alguns acreditam ou querem acreditar que foram uma ignorante e patética turba. Esses foram os <em>liquidadores</em>.</p>
<p align="center"><iframe height="405" src="http://www.youtube.com/embed/aw-ik1U4Uvk" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>    <br /><span style="font-size: xx-small"><strong>No dia 2 de outubro um helicóptero Mi-8 tocou os cabos de um guindaste utilizado        <br />na construção do sarcófago e caiu enquanto tentava descarregar areia         <br />com boro sobre o reator aberto. As operações de liquidação estenderam-se por mais de um ano.</strong></span></p>
<p>Chamavam-lhes, e chamavam-se a si próprios, os <em>bio-robôs</em>, porque continuavam funcionando quando o aço cedia e as máquinas paravam. Não o fizeram pelo dinheiro, nem pela fama, que foi praticamente inexistente. O fizeram por responsabilidade, pela humanidade e porque alguém tinha que fazer o maldito trabalho. Hoje quero falar de três deles, que fizeram algo ainda mais extraordinário num lugar onde o heroísmo era coisa corrente. Por isso, só ocorre-me denominá-los: <em>os três super-heróis de Chernobyl</em>.</p>
<h3>O monstro da água que brilha azul</h3>
<p>O único que há de certo nessas suposições sobre a ignorância dos liquidadores é que, nas primeiras horas, não sabiam que o reator havia explodido. Mas não sabiam porque ninguém sabia. A mesma lógica equivocada dos responsáveis das instalações que provocou o acidente os fez crer que havia explodido o trocador de calor, e não o reator, e assim foi informado tanto ao pessoal que acudia como aos seus superiores. Há uma história um tanto sinistra sobre os aviões que levavam destacados membros da Academia de Ciências da URSS ao lugar. Eles deram a volta no ar por ordens da KGB quando esta descobriu, através da sua equipe de proteção da central, que o reator explodira (além das suas atribuições de espionagem, pelas quais é tão conhecida, a “KGB uniformizada&quot;, ela desempenhava na União Soviética um papel muito semelhante ao da nossa Guarda Civil, excetuando o tráfico de veículos, mas incluindo a segurança das instalações radiológicas).</p>
<p align="center"><iframe height="405" src="http://www.youtube.com/embed/6HPddRn-Sn8" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>    <br /><span style="font-size: xx-small"><strong>Na manhã seguinte ao acidente, um helicóptero militar obteve as primeiras        <br />tomadas de vídeo onde se observava o reator aberto e fundindo-se.</strong></span></p>
<p>Devido a isto, em um primeiro momento jogaram sobre o buraco milhões de litros de água e nitrogênio líquido com o propósito de manter frio e proteger o reator, que acreditavam a salvo e selado além das chamas e a densa fumaça preta. Isso contribuiu para piorar as conseqüências do sinistro, pois a água vaporizava-se instantaneamente ao tocar o núcleo fundido a mais de 2.000ºC e saía velozmente à estratosfera em grandes nuvens de vapor, que o vento arrastava em todas as direções.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="chernobyl fallout   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl fallout destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_fallout.jpg" width="435" height="428" /></p>
<p>De qualquer jeito havia pouco o que fazer: era preciso apagar os grandes incêndios. Quando o fogo foi finalmente extinto, a contaminação não só estava no ar, mas também na água acumulada nas piscinas de segurança sob o reator. As piscinas de segurança, conhecidas como piscinas de bolhas, achavam-se em dois níveis inferiores e sua função era conter a água no caso de ser preciso esfriar emergencialmente o reator. Elas também serviam para condensar o vapor e reduzir a pressão no caso em que estourasse algum cano do circuito primário (daí o seu nome), junto a um terceiro nível que atuava como condução, imediatamente abaixo do reator. Assim, em caso de ruptura de alguma canalização, o vapor circularia por esse nível de condução, através de um manto de água, o que reduziria sua periculosidade.</p>
<p>Agora, depois da aniquilação, essas piscinas inferiores estavam cheias e trasbordando de água procedente dos canos arrebentados do circuito primário e da água utilizada pelos bombeiros para apagar o incêndio e pela frustrada tentativa de manter frio o reator. E sobre elas encontrava-se o reator aberto, fundindo-se lentamente em forma de lava de cúrio a 1.660 ºC. Em qualquer momento podiam começar a cair grandes gotas desta lava poderosamente radioativa, ou até o conjunto completo, provocando assim uma ou várias explosões de vapor que projetariam à atmosfera centenas de toneladas de cúrio. Isso teria multiplicado em grande escala a contaminação provocada pelo acidente, destruindo o lugar e afetando gravemente toda a Europa. Além disso, a mistura de água e cúrio radioativos escaparia e se infiltraria no subsolo, contaminando as águas subterrâneas e pondo em grave risco o abastecimento da cidade de Kiev, com dois milhões e meio de habitantes, numa espécie de síndrome da China.</p>
<p>Foi tomada a decisão de esvaziar as piscinas de maneira controlada. Em condições normais, isto seria uma tarefa fácil: bastava abrir as eclusas mediante uma simples ordem ao computador SKALA que administrava a central, e a água fluiria com segurança a um reservatório exterior. No entanto, com os sistemas de controle destruídos, a única maneira de fazê-lo agora era atuando manualmente as válvulas. O problema é que as válvulas estavam sob a água, dentro da piscina, perto do fundo cheio de escombros altamente radioativos que a faziam brilhar suavemente com uma cor azul pela radiação de Cherenkov, logo abaixo do reator que se fundia, emitindo um sinistro brilho vermelho.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="Pictureofchernobyllavaflow   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="Pictureofchernobyllavaflow destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/Pictureofchernobyllavaflow.jpg" width="435" height="302" /></p>
<p>E foi assim, como as máquinas já não funcionavam, que era um trabalho para os bio-robôs. Alguém teria que caminhar, um passo após outro, até o reator exposto e ardente, ao longo de um cinzento campo de destruição onde a radioatividade era tão intensa que provocava um sabor metálico na boca, confusão na mente e uma sensação de agulhadas na pele. Eles viam como as suas mãos se bronzeavam em segundos, como depois de semanas sob o sol. E logo teriam que submergir na água oleaginosa e de suave brilho azul com o instável monstro radioativo por cima das suas testas, para abrir as válvulas a mão. Uma operação difícil e perigosa até em circunstâncias normais.</p>
<p>Essa era uma viagem só de ida.</p>
<p>Ao que parece, a decisão de quem o faria tomou-se de maneira muito simples, com aquela velha frase que, ao longo da história da humanidade, sempre foi suficiente para os heróis:</p>
<blockquote><p>- Eu irei.</p>
</blockquote>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl helo1   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl helo1 destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_helo1.jpg" width="600" height="407" /></p>
<h3>Os três homens que foram</h3>
<p>Os dois primeiros a oferecerem-se como voluntários foram <strong>Alexei Ananenko</strong> e <strong>Valeriy Bezpalov</strong>. Alexei Ananenko era um prestigiado tecnólogo da indústria nuclear soviética, que participara extensivamente no desenvolvimento e construção do complexo eletronuclear de Chernobyl. Ele cooperou no desenho das eclusas e sabia exatamente onde estavam as válvulas. Era casado e tinha um filho.</p>
<p>Valeriy Bezpalov era um dos engenheiros que trabalhavam na central, ocupando um posto de responsabilidade no departamento de exploração. Também era casado, e tinha uma menina e dois meninos de poucos anos.</p>
<p>Os dois eram engenheiros nucleares. Os dois compreendiam além de qualquer dúvida que estavam se dispondo a caminhar para a morte.</p>
<p>Enquanto vestiam suas roupas de mergulho, sentados num banco, observaram que precisariam de um ajudante para segurar a lâmpada subaquática desde a borda da piscina enquanto eles fossem trabalhar nas profundidades. E olharam aos olhos dos homens que tinham ao redor. Então um deles, um jovem rapaz trabalhador da central, sem família, chamado <strong>Boris Baranov</strong>, se levantou e disse aquela outra frase que quase sempre segue a anterior:</p>
<blockquote><p>- Eu irei com vocês.</p>
</blockquote>
<p>No meio da manhã, os heróis Alexei Ananenko, Valery Bezpalov e Boris Baranov tomaram um gole de vodka para se encorajar, pegaram as caixas de ferramentas e começaram a andar em direção à lava radioativa em que se convertera o reator número 4 do complexo eletro nuclear de Chernobyl. Assim, sem mais.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="chernobyl lectura   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl lectura destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_lectura.jpg" width="435" height="388" /></p>
<p>Perante os olhos encolhidos dos que ficaram para trás, os três camaradas caminharam os mil e duzentos metros que havia até o nível -0,5, dizem que, conversando calmamente entre si: “Como vai? Quanto tempo sem ver você! E seus filhos? Você eu não conhecia, rapaz. &#8230; É que eu não sou daqui. Bem, parece que hoje vamos trabalhar um pouco juntos&#8230; Podemos descer melhor por aí, eu vou na válvula da direita e você a da esquerda, e você nos ilumina desde lá. &#8230; Parece que vai chover, não? Está boa a secretária do engenheiro Kornilov, hem? Sim, e que rebolado! &#8230; Parece que este ano os Dínamos de Moscou não vão ganhar o campeonato”. Essas coisas, que possivelmente falam os bio-robôs, enquanto vêem como a sua pele se escurece lentamente, e somem um pouco suas idéias pela ionização dos neurônios e sentem na boca cada vez mais o sabor de urânio causando náuseas, sacudindo-se incomodamente, porque sentem como se milhares de duendes maléficos estivessem dando agulhas na sua pele. Cinco mil roentgens/hora, é como chamam a isso.</p>
<p>E sob aquele céu cinzento e os restos fulgurantes de um reator nuclear, os heróis Alexei Ananemko e Valeriy Bezpalov submergiram-se na piscina de bolhas do nível -0,5, com uma radioatividade tão sólida que se podia sentir, enquanto o seu camarada Boris Baranov lhes segurava a lâmpada subaquática, que aliás, estava com defeito e falhou pouco depois. Do exterior, já ninguém os ouvia nem os via.</p>
<p>De repente, as eclusas começaram a abrir-se, e um milhão de metros cúbicos de água radioativa começou a jorrar para a o reservatório seguro, preparado para tal efeito. Eles haviam conseguido! Alguém murmurou que os heróis Ananenko, Bezpalov e Baranov acabavam de salvar a Europa. É difícil determinar até que ponto isso era verdade.</p>
<p>Há versões contraditórias sobre o que aconteceu depois. A mais tradicional diz que jamais regressaram, e que ainda estão sepultados lá. A mais provável assegura que conseguiram sair da piscina e celebrar a sua vitória rindo e abraçando-se aos mesmíssimos pés do monstro, na borda da piscina; outra diz que até recuperaram os seus corpos, embora não as suas vidas. Morreram pouco depois, de síndrome de radioatividade extrema, nos hospitais de Kiev e Moscou. Ainda outra versão, que parece quase impossível, sugere que Ananenko e Bezpalov morreram, mas que Baranov conseguiu sobreviver e anda ou andou um tempo por aí.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="chernobyl monumento   Os Tr&ecirc;s Super Her&oacute;is de Chernobyl" border="0" alt="chernobyl monumento destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/chernobyl_monumento.jpg" width="600" height="438" /></p>
<p>Esta é a história de Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov, os três super-herois de Chernobyl, de quem se diz que salvaram a Europa ou ao menos um ou outro milhão de pessoas a milhares de quilômetros ao redor, num frio dia de abril. Foram à morte conscientemente, deliberadamente, por responsabilidade e humanidade e sentimento da honra, para que os demais pudéssemos viver. Quando alguém pensar que nosso gênero humano não tem salvação, sempre pode lembrar de homens como estes e outras centenas ou milhares desse estilo que também estiveram lá. Não circulam fotos deles, nem fizeram superproduções de Hollywood sobre eles, e até os seus nomes são difíceis de encontrar. Porém hoje, vinte e quatro anos depois, eu brindo à sua lembrança, faço uma continência perante a sua memória e agradeço mil vezes. Por terem ido.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p align="center"><embed id="VideoPlayback" style="width: 500px; height: 408px;" type="application/x-shockwave-flash" src="http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-2643496351524645529&amp;hl=es&amp;fs=true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed> </p>
<p align="center"><em>O Sacrifício</em>, de Wladimir Tcherkoff.</p>
<h4>Leitura recomendada:</h4>
<ul>
<li><strong><em>A verdade sobre Chernobyl</em></strong>, com prólogo do Prêmio Nobel Andrei Sakharov (1991), escrito pelo engenheiro nuclear Grigory Medvédev, um profundo conhecedor deste complexo eletronuclear e da política energética soviética. Inclui um relato exaustivo do acidente e fazendo honra ao seu título, é o que menos mentiras conta, segundo a minha opinião. Seguramente por esse mesmo motivo, é o mais difícil de conseguir. Na Espanha foi editado por <a href="http://www.unilibro.es/find_buy_es/result_editori_id.asp?editore=3949&amp;idaff=0" target="_blank">Heptada</a> com o ISBN 84-7892-049-8; está esgotado, mas sempre se pode tentar dar uma ligada e perguntar. Em inglês foi editado com ISBN 1-85043-331-3 (Tauris &amp; Co, Londres) e <a href="http://books.google.com.au/books?hl=en&amp;id=VtmW082nSaIC&amp;dq=%22truth+about+chernobyl&amp;printsec=frontcover&amp;source=web&amp;ots=5_mZTcolaP&amp;sig=OrxJNPprZdtigX9a9bvNAbPaV40&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;resnum=4&amp;ct=result#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank">está disponível aqui</a>. </li>
</ul>
<p>De visualização necessária:</p>
<ul>
<li><strong><em>O coração de Chernobyl</em></strong>. Provavelmente, o melhor documentário que se filmou sobre as conseqüências humanas do desastre. Desde dentro; tão dentro que a diretora da ONG que o apresenta sofreu envenenamento por césio -137 durante a realização. Duríssimo, mas absolutamente necessário. Em inglês, disponível no YouTube: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=p1Peky_WBvY" target="_blank">Parte 1</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rR_ZvCjBVhk&amp;NR" target="_blank">Parte 2</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=bSilU8XyCnA" target="_blank">Parte 3</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=R0mqEwcMEiw" target="_blank">Parte 4</a>. Se você deseja colaborar com esta ONG pode fazê-lo <a href="http://www.chernobyl-international.com/" target="_blank">aqui</a>. </li>
</ul>
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		</item>
		<item>
		<title>Will West, Osama Bin Laden e a Ci&#234;ncia da Identidade</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 03:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[teorias de conspiração]]></category>
		<category><![CDATA[terrorismo]]></category>

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		<description><![CDATA[“Em 1903 um prisioneiro chamado Will West chegou à [penitenciária de ] Leavenworth. O escrivão tirou as fotografias acima e, tendo a impressão de se lembrar de West, perguntou se ele já havia adentrado a prisão anteriormente. West disse que ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="2011 04 29 mistaken identity 1   Will West, Osama Bin Laden e a Ci&ecirc;ncia da Identidade" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/2011-04-29-mistaken-identity-1.jpg" border="0" alt="2011 04 29 mistaken identity 1 destaques ciencia " width="400" height="244" /></p>
<p>“Em 1903 um prisioneiro chamado <strong>Will West</strong> chegou à [penitenciária de ] Leavenworth. O escrivão tirou as fotografias acima e, tendo a impressão de se lembrar de West, perguntou se ele já havia adentrado a prisão anteriormente. West disse que não. O escrivão tomou algumas medidas, foi ao arquivo e encontrou este registro, com o nome de <strong>William West</strong>:</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="2011 04 29 mistaken identity 2   Will West, Osama Bin Laden e a Ci&ecirc;ncia da Identidade" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/2011-04-29-mistaken-identity-2.jpg" border="0" alt="2011 04 29 mistaken identity 2 destaques ciencia " width="400" height="243" /></p>
<p>Estupefato, o prisioneiro respondeu: ‘<em>Essa foto é minha, mas não sei como você a tirou, porque sei que nunca estive aqui antes</em>’.”</p></blockquote>
<p>E West estava dizendo a verdade, porque o registro anterior pertencia a um <em>outro</em> prisioneiro que já estava cumprindo prisão perpétua naquela exata penitenciária desde 1901. Ele não só possuía a mesma aparência e medidas, como também se chamava William West. Diz a lenda que o caso se tornaria emblemático para a adoção da então nova ciência de identificação por impressões digitais, a datiloscopia: era a única técnica que diferenciaria com segurança os dois Wests (um era <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Henry_Classification_System" target="_blank">classificado</a> 13/32, o outro 30/26). A impressão de seu polegar na identidade deve algo ao caso de Will e William West.</p>
<p>É uma fábula da ciência forense, boa demais para ser verdade. E de fato, em realidade a história dos dois Wests só chegou à literatura em 1918, anos depois que as digitais já haviam sido reconhecidas e implantadas como um sistema de identificação superior. O sistema de medidas biométricas usado anteriormente nunca foi promovido como um método exato e único de identificação, assim a reunião dos dois Wests muito parecidos não foi exatamente uma falha, era de certa forma um sucesso pela forma como, a partir de características e medidas físicas, duas pessoas parecidas pudessem ser facilmente localizadas.</p>
<p>Por outro lado, a realidade também é que os fatos básicos da história, das fotos às fichas, são verdadeiros e com um detalhe fascinante: o oficial responsável por implantar o sistema de identificação por medidas nos EUA, o major <strong>Robert W. McClaughry</strong>, foi pai do escrivão <strong>M.W. McClaughry</strong>, aquele que estava presente e não só mediu William e Will West em 1901 e 1903 ainda com o sistema Bertillon antigo, como foi também pioneiro na implantação da nova datiloscopia já em 1905. O único detalhe pouco fascinante nesta história infelizmente é seu mais importante: não se sabe ao certo se os dois Wests seriam parentes, ou mesmo irmãos gêmeos. O mesmo sobrenome de família e os nomes similares sugerem que sim. Há fontes não verificadas de que seu parentesco teria sido estabelecido, mas à época, e sendo que os dois não se conheciam nem sabiam que teriam um irmão gêmeo, a questão ficou, e permaneceu, em aberto.</p>
<p>O que se afirmou com segurança surpreendente é que depois de mais de um século em uso na datiloscopia, jamais foram encontradas duas pessoas com impressões digitais idênticas. Mesmo gêmeos idênticos, univitelinos, como os West podem ter sido, possuem impressões digitais diferentes. Embora impressões de gêmeos sim tenham maior similaridade, um indicativo de como nossas digitais são fruto tanto de nossa herança genética quanto de elementos fortuitos do ambiente em que crescemos, a começar do ventre materno.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="finger prints   Will West, Osama Bin Laden e a Ci&ecirc;ncia da Identidade" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/finger-prints.jpg" border="0" alt="finger prints destaques ciencia " width="345" height="326" /></p>
<p>É quase poético que as pontas de nossos dedos sejam em mais de um aspecto um reflexo de quem somos e literalmente um sinônimo de nossa própria identidade. Babilônios dois milênios antes de <strong>Jesus</strong> já usavam impressões digitais como assinaturas, mas foi apenas no século 19 que a ciência, através do polímata <strong>Francis Galton</strong>, <a href="http://www.galton.org/fingerprinter.html" target="_blank">demonstrou que elas seriam mesmo únicas a cada indivíduo</a>. Algo da história da ciência da identificação revela mais alguns nexos interessantes.</p>
<p>Antes de sujar o polegar com tinta, o primeiro sistema de identificação científica foi criado pelo francês <a href="http://criminaljustice.state.ny.us/ojis/history/bert_sys.htm" target="_blank"><strong>Alphonse Bertillon</strong></a>. Usado no caso dos Wests, diversas medidas físicas, como o tamanho da cabeça, o comprimento do dedo médio (!), do pé e braço eram realizados, permitindo fichar uma pessoa em uma de 243 categorias. Assim, mesmo um arquivo com 5.000 pessoas teria apenas em torno de 20 fichas em cada categoria, facilitando imensamente localizar uma pessoa – há dois séculos, a tecnologia de percorrer milhares de fichas sistematicamente para encontrar um cartão era algo tão fabuloso quanto o <em>Google</em>. E em essência não tão diferente.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="The speaking portrait   Will West, Osama Bin Laden e a Ci&ecirc;ncia da Identidade" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/The_speaking_portrait.jpg" border="0" alt="The speaking portrait destaques ciencia " width="600" height="183" /></p>
<p>Detalhes adicionais como cores dos olhos e cabelo permitiriam ainda 1.701 agrupamentos diferentes, que eram ao final completados na identificação pelas fotos de frente e perfil da pessoa, as conhecidas “<em>mugshots</em>”. Bertillon foi o pioneiro em avançar esta padronização e registro objetivo de rostos através de fotografias, assim como a fotografia de cenas de crimes. Seu sistema biométrico foi abandonado em favor da datiloscopia, mas as “mugshots” que introduziu persistem e também penetraram na cultura popular.</p>
<p>Fascinante também é que a partir das medidas, e no processo de categorização, tudo era transformado através de fórmulas em números. Algo como uma fórmula da identidade, se a ideia de um indivíduo único ser “reduzido a um número” assusta, a datiloscopia também o faz, porque de pouco adiantaria um sistema de identificação único que não possa ser indexado e pesquisado com facilidade. Como o <em>Google</em>.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Osama Bin Laden Dead   Will West, Osama Bin Laden e a Ci&ecirc;ncia da Identidade" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/Osama-Bin-Laden-Dead.jpg" border="0" alt="Osama Bin Laden Dead destaques ciencia " width="525" height="295" /></p>
<p>E a era digital nos leva por fim a <strong>Osama Bin Laden</strong>, enquanto rumores dão conta que as primeiras identificações e confirmações de sua identidade – ainda com grande margem de erro – foram feitas através de medidas biométricas. Isto é, imagens anteriores do líder da <em>Al Qaeda</em> foram analisadas, a partir delas foram feitas medidas e, sim, podemos dizer que Bin Laden se transformou em um número que foi então verificado no homem morto no Paquistão. Não tão diferente do sistema Bertillon, mas muito mais sofisticada, essa identificação levou poucas horas, de fato pode ter levado poucos minutos.</p>
<p>A confirmação adicional da identidade única do terrorista, ainda segundo boatos, pulou o sistema datiloscópico, e foi diretamente à identificação genética, através de seu DNA. Embora gêmeos idênticos partilhem a mesma carga genética, e ainda que se possa imaginar assim que digitais sejam uma forma mais confiável de identificação, o fato de que basta uma amostra genética que pode ser obtida mais facilmente que uma impressão completa, e os métodos mais objetivos com que amostras genéticas são diferenciadas, fazem com que o teste de DNA seja a mais sofisticada forma através da qual a ciência pode identificá-lo entre quase sete bilhões de outras pessoas. Como as impressões digitais, de testes de paternidade a evidência nos piores crimes, e agora, em um dos mais relevantes casos de identificação na história a ciência da genética e da identificação forense moldam e mudam o mundo em que vivemos.</p>
<p>Uma “mugshot” do terrorista morto pode dirimir algumas dúvidas ao fornecer uma imagem simbólica de identificação, mas a historia de Will e William West há mais de um século demonstram como fotografias, mesmo décadas antes do advento do <em>Photoshop</em>, são pouco confiáveis. Por certa ironia histórica que quase soa como ficção, o presidente americano que autorizou sua captura e eventual morte possui um nome parecido.</p>
<p>Em uma fábula, Osama Bin Laden e <strong>Barack Obama</strong> seriam gêmeos idênticos, sendo um malévolo e o outro um heroi do bem, descobrindo fortuitamente a existência um do outro em um combate mortal. Na realidade qualquer forma que o governo americano forneça para comprovar a identificação do homem morto depois de uma década de buscas será questionada. [<a href="http://www.futilitycloset.com/2011/04/29/mistaken-identity-2/" target="_blank">Futility Closet</a>, @<a href="http://fabianelima.com/" target="_blank">fabianelima</a>, <a href="http://www.scafo.org/library/110105.html" target="_blank">Scafo</a>]</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Scott e o Escorbuto</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Mar 2011 17:51:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo de Maciej Ceglowski, publicado em Idle Words Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura Ultimamente tenho relido um dos meus livros favoritos, The Worst Journey in the World [A Pior Viagem do Mundo], um relato da expedição de Robert ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="scott tent pole   Scott e o Escorbuto" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/scott_tent_pole.jpg" border="0" alt="scott tent pole destaques ciencia " width="600" height="385" /></p>
<p>Artigo de <a href="http://idlewords.com/about.htm" target="_blank"><strong>Maciej Ceglowski</strong></a>, publicado em <em><a href="http://idlewords.com/2010/03/scott_and_scurvy.htm" target="_blank">Idle Words</a></em><br />
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura</p>
<p>Ultimamente tenho relido um dos meus livros favoritos, <em><a href="http://www.amazon.com/gp/product/0143039385?ie=UTF8&amp;tag=idlewords-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=0143039385" target="_blank">The Worst Journey in the World</a></em> [A Pior Viagem do Mundo], um relato da expedição de <strong>Robert Falcon Scott</strong> para o pólo sul realizada em 1911. Eu não posso fazer justiça ao livro em um resumo, apenas recomendar que você largue tudo o que está fazendo e comece a <a href="http://www.gutenberg.org/etext/14363" target="_blank">lê-lo</a>, mas há um detalhe que me deixou particularmente perplexo na primeira vez em que o li, e que resolvi entender melhor quando conseguisse pôr o livro de lado.</p>
<p>Escrevendo a respeito do primeiro inverno que os homens passaram no gelo, <strong>Cherry-Garrard</strong> <a href="http://books.google.com/books?id=RXS04HcPrFwC&amp;lpg=PP1&amp;dq=worst%20journey%20in%20the%20world&amp;pg=PA220#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">menciona</a> de forma casual uma surpreendente palestra sobre o escorbuto por um dos médicos da expedição:</p>
<blockquote><p>“Atkinson [estava] inclinado à teoria de <strong>Almroth Wright</strong> de que o escorbuto é devido a uma intoxicação ácida do sangue causada por bactérias&#8230;<br />
Havia pouco escorbuto nos dias de Nelson, mas o motivo não está claro, pois, de acordo com a pesquisa moderna, suco de lima só ajuda a preveni-lo. Tínhamos, em Cape Evans, sal de sódio que devia ser usado para alcalinizar o sangue como uma experiência, se a necessidade surgisse. A escuridão, o frio e o trabalho duro estão, na opinião de Atkinson, entre as causas mais importantes para o aparecimento do escorbuto.”</p></blockquote>
<p>Bem, eu tinha aprendido na escola que o escorbuto havia sido vencido em 1747, quando o médico escocês <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/James_Lind" target="_blank"><strong>James Lind</strong></a> provou em um dos primeiros experimentos médicos controlados que frutas cítricas eram uma cura eficaz para a doença. Daquele ponto em diante, somos informados, a Marinha Real tinha exigido que uma dose diária de suco de limão fosse misturada na bebida dos marinheiros, e o escorbuto deixou de ser um problema para longas viagens oceânicas.</p>
<p>Mas aqui estava um cirurgião da Marinha Real em 1911 aparentemente ignorante da causa da doença ou de como curá-la. De alguma forma, um grupo altamente treinado de cientistas no início do século XX sabia menos sobre o escorbuto do que o capitão do mar comum nos tempos de <strong>Napoleão</strong>. Scott deixou uma base abastecida abundantemente com carne fresca, frutas, maçã e suco de lima, e rumou para uma região tomada pelo gelo por cinco meses sem nenhuma proteção contra o escorbuto, enquanto permanecia confiante de que não estava em risco. O que aconteceu?</p>
<p>&#8230;</p>
<p>De todas as histórias contadas, o escorbuto é uma doença horrível. Scott, que tem razões para saber disso, dá uma descrição sucinta:</p>
<blockquote><p>“Os sintomas do escorbuto não ocorrem necessariamente em uma ordem regular, mas geralmente o primeiro sinal é uma inflamação das gengivas, elas ficam inchadas. A tonalidade rosa esbranquiçada próxima dos dentes é substituída por um vermelho raivoso, e enquanto a doença avança, as gengivas tornam-se mais esponjosas e adquirem uma cor purpúrea, os dentes podem ficar soltos e as gengivas doloridas. Manchas aparecem nas pernas, e sente-se dor em velhas feridas e contusões; mais tarde, a partir de um leve edema, as pernas, e depois os braços, crescem demais e ficam enegrecidos atrás das articulações. Após isso o paciente logo fica inválido, e os últimos estágios dessa doença horrível se estabelecem, em que a morte é uma libertação misericordiosa”.</p></blockquote>
<p>Uma das características mais marcantes da doença é a desproporção entre a sua gravidade e a simplicidade da cura. Hoje sabemos que o escorbuto é devido unicamente a uma deficiência em vitamina C, um composto essencial para o metabolismo que o corpo humano deve obter dos alimentos. O escorbuto é rápida e completamente curado pela restauração da vitamina C na dieta.</p>
<p>Exceto pela natureza da vitamina C, os médicos do século XVIII sabiam disso também. Mas na segunda metade do século XIX, a cura para o escorbuto foi perdida. A história de como isso aconteceu é uma demonstração impressionante do problema da indução, e de como o progresso em uma área de estudo pode levar a inesperados regressos em outra.</p>
<p>Uma infeliz série de acidentes conspirou com os avanços na tecnologia para desacreditar a cura para o escorbuto. O que era uma simples deficiência na dieta se tornou uma doença sutil e imprevisível, que poderia atacar sem aviso prévio. Ao longo de cinqüenta anos, o escorbuto voltaria a atormentar não só os exploradores polares, mas milhares de crianças nascidas em ricos lares de europeus e americanos. E seria somente por pura sorte que a real causa do escorbuto seria redescoberta, e a vitamina C, finalmente, isolada em 1932.</p>
<p>Não é fácil encontrar alimentos frescos que não possuam vitamina C. As plantas e os animais tendem a estar cheios dela, uma vez que a molécula é usada em todos os tipos de síntese bioquímica como uma doadora de elétrons. Mas as mesmas qualidades reativas que a tornam uma vitamina útil também a tornam fácil de destruir. A vitamina C degrada rapidamente na presença de luz, calor e ar. Por esta razão, está ausente da maioria dos alimentos conservados que tenham sido cozidos ou secos. Sua destruição é também rapidamente catalisada por íons de cobre, que pode ser uma das razões pela qual os marinheiros, com suas grandes caldeiras de cobre para cozinhar, eram especialmente suscetíveis à doença.</p>
<p>Como os nossos corpos não podem sintetizar a vitamina, eles aprenderam a conservá-la muito bem. Leva-se seis meses para o escorbuto se desenvolver em pessoas saudáveis após a vitamina C ser removida da dieta, e apenas uma pequena quantidade diária é suficiente para manter uma pessoa saudável.</p>
<p>Sabe-se desde a antiguidade que os alimentos frescos em geral, e os limões e as laranjas, em particular, curam o escorbuto. Começando com a tripulação de <strong>Vasco da Gama</strong>, em 1497, os marinheiros têm repetidamente descoberto o poder curativo das frutas cítricas, e a cura tem sido com igual frequência esquecida ou ignorada pelos exploradores posteriores.</p>
<p><strong>Lind</strong> tende a ganhar o crédito pela descoberta da cura cítrica já que apresentou algo parecido com um experimento controlado. Levaram-se contudo mais quarenta anos de experimentos, análises e lobby político para que o seu resultado fosse institucionalizado pela Marinha Real. Em 1799, todos os navios da Marinha Real em serviços estrangeiros eram obrigados a servir suco de limão:</p>
<blockquote><p>“A ração prevista para os marinheiros da Marinha foi fixada em 1 oz. [28 gramas] de suco de limão com 1 oz. de açúcar, servido diariamente após 2 semanas no mar, o suco de limão sendo muitas vezes chamado de ‘suco de lima’ e nossos marinheiros ‘espremedores de lima’. As conseqüências desta nova regulamentação foram surpreendentes e, no início do século XIX, podia-se dizer que o escorbuto havia desaparecido na marinha britânica. Em 1780, as admissões de casos de escorbuto no Hospital Naval de Haslar foram 1.457; entre os anos 1806-1810, foram apenas dois”.</p></blockquote>
<p>(Como veremos, a confusão entre limões e limas teria sérias repercussões).</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="oranges lemons limes   Scott e o Escorbuto" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/oranges_lemons_limes.jpg" border="0" alt="oranges lemons limes destaques ciencia " width="600" height="451" /></p>
<p>O escorbuto era a principal causa de morte dos marinheiros em longas viagens oceânicas; alguns navios sofreram perdas tão elevadas quanto 90% de seus homens. Com a introdução do suco de limão, os britânicos de repente tinham uma enorme vantagem estratégica sobre os seus rivais, uma que eles utilizaram bem nas guerras napoleônicas. Os navios ingleses podiam agora ficar no mar mantendo bloqueios por até dois anos, isolando os portos franceses, enquanto os mercadores que transportavam as frutas cítricas para os navios em serviço militar continuavam a morrer de escorbuto, proibidos eles próprios de tocar na cura.</p>
<p>O sucesso do suco de limão foi tão grande que muito da Sicília foi logo transformado em um limoeiro para a frota britânica. O escorbuto continuou a ser um sério problema em outras marinhas que demoraram a adotar as frutas cítricas como uma cura, incluindo a Marinha Mercante, mas para a Marinha Real havia se tornado uma doença do passado.</p>
<p>Em meados do século XIX, entretanto, os avanços na tecnologia foram reduzindo a necessidade de qualquer tipo de prevenção do escorbuto. A energia a vapor havia encurtado os tempos de viagem consideravelmente desde a época dos veleiros, de modo que era raro que marinheiros, com exceção de baleeiros, passassem meses no mar sem alimentos frescos. Os sucos cítricos eram uma exigência legal em todos os navios britânicos em 1867, mas na prática estavam se tornando supérfluos.</p>
<p>Assim, quando o Almirantado começou a substituir o suco de limão por um substituto ineficaz em 1860, demorou muito tempo para alguém perceber. Nesse ano as autoridades militares substituíram os limões do Mediterrâneo pela limas ocidentais indianas. Os motivos para isso foram principalmente coloniais – era melhor comprar de plantações britânicas do que continuar importando limões da Europa. A confusão nos nomes não ajudou. Tanto ‘limão’ quanto ‘lima’ eram usados como um termo coletivo para citros, e apesar de limões e limas ácidas européias serem frutas muito diferentes, os seus nomes latinos (<em>citrus medica</em>, <em>var. limonica</em> e <em>citrus medica, var. acida</em>) sugeriam que elas estavam tão intimamente relacionadas como maçãs verdes e vermelhas. Além disso, como havia uma crença generalizada de que as propriedades anti-escorbuto dos limões eram devidas à sua acidez, fazia sentido que as limas mais ácidas do Caribe seriam ainda mais eficientes para combater a doença.</p>
<p>Só que nisso a Marinha se enganou. Testes em animais mostrariam mais tarde que o suco de lima fresco tem um quarto do poder de combate ao escorbuto em relação ao suco de limão fresco. E o suco de lima que era servido aos marinheiros não era fresco, passava longos períodos de tempo depositado em tanques abertos ao ar, e tinha sido bombeado através de uma tubulação de cobre. Um experimento com animais em 1918 utilizando amostras representativas de suco de lima da marinha de guerra e da marinha mercante mostrou que a ‘prevenção’ comumente não possuía nenhum poder anti-escorbuto.</p>
<p>Na década de 1870, portanto, a maioria dos navios britânicos estava navegando sem proteção contra o escorbuto. Somente a velocidade e uma nutrição melhorada em terra estavam impedindo os marinheiros de ficarem doentes.</p>
<p>Coube ao infeliz <strong>George Nares</strong> descobrir esse fato em 1875, quando ele liderou a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/British_Arctic_Expedition" target="_blank">Expedição Ártica Britânica</a> na tentativa de alcançar o Pólo Norte, através da Groenlândia. Algumas teorias oceanográficas da época postulavam um mar polar aberto, e Nares foi orientado a navegar pela costa da Groenlândia para depois ele e seus companheiros se valerem de um trenó e ver quão longe ao norte poderiam adentrar no gelo.</p>
<p>A expedição foi um fiasco. Dois homens no grupo desenvolveram escorbuto poucos dias após deixar o navio, já no trenó. Em cinco semanas, metade dos homens estava doente, e apesar de terem previsto depósitos com suprimentos abundantes para a sua viagem de regresso, eles mal conseguiram realizá-la. Uma equipe de resgate enviada para interceptá-los descobriu que o suco de lima não teve o seu habitual efeito dramático. E o pior de tudo, alguns dos homens que ficaram no navio, que nunca deixaram de tomar a sua dose diária, também pegaram escorbuto.</p>
<p>O fracasso da expedição de Nares provocou um alvoroço na Grã-Bretanha. A Marinha Real acreditava-se capaz de sustentar todas as tripulações em até dois anos sem sinais de escorbuto, mas aqui havia uma hábil e adequadamente provida tripulação incapacitada pela doença dentro de semanas. Pela primeira vez desde o século XVIII, a eficácia do suco de frutas cítricas como um preventivo absoluto foi posta em dúvida.</p>
<p>Uma evidência mais preocupante veio alguns anos depois durante a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jackson-Harmsworth_Expedition" target="_blank">Expedição Jackson-Harmsworth</a> para a Terra de Franz-Josef, em 1894. Os membros desta expedição passaram três anos em um navio preso no gelo. <strong>Koettlitz</strong>, o médico-chefe, descreve o que aconteceu:</p>
<blockquote><p>“Os membros da expedição comiam carne fresca regularmente pelo menos uma vez por dia, na forma de um urso polar. As pessoas no navio tinham, no entanto, um preconceito contra esse alimento, que certamente não era particularmente saboroso, e insistiam, contra todos os conselhos, em comer a carne conservada e salgada. Esta carne eu ocasionalmente notei estar um pouco ‘estragada’ ou com um ‘cheiro ruim’, e depois ouvi que isso ocorria freqüentemente. O resultado foi que, embora eu visitasse o navio a cada dia, e me certificasse pessoalmente de que cada homem engolia a sua dose de suco de lima (que foi tornada obrigatória, e era da melhor qualidade), o navio inteiro estava contaminado com escorbuto, e dois morreram”.</p></blockquote>
<p>Este padrão de carne fresca prevenir o escorbuto seria uma constante na exploração do Ártico. Isso desafiava o entendimento comum do escorbuto como uma deficiência de matéria vegetal. De alguma forma, os homens poderiam viver por anos em uma dieta constituída apenas de carne e se manterem saudáveis, desde que a carne fosse fresca.</p>
<p>Este é um bom exemplo de como a mesma ubiqüidade da vitamina C tornava difícil identificá-la. Embora o escorbuto estivesse sempre associado a uma falta de verduras, a carne fresca contém quantidades adequadas de vitamina C, com concentrações particularmente elevadas nos órgãos carnudos que os exploradores consideravam uma iguaria. Coma um fígado de urso a cada poucas semanas e o escorbuto será o menor dos seus problemas.</p>
<p>Mas a menos que você já entenda e acredite no modelo de nutrição de vitaminas, a noção de uma substância residual que exista tanto em limas frescas e rins de urso, mas que está ausente de um barril de suco de lima porque você por acaso o preparou em um vaso de cobre começa a soar muito pouco plausível.</p>
<p>Médicos da época olharam para esta evidência intrigante e especularam. Outras doenças haviam sido recentemente demonstradas como tendo sua origem em infecções bacterianas. O modelo de bactérias era novo, e já tinha tido sucesso espetacular na identificação e no tratamento de doenças como tifo, tuberculose e cólera. E se a causa do escorbuto também houvesse sido mal interpretada? E se em vez de uma doença de carência, o escorbuto fosse na verdade um tipo de intoxicação alimentar crônica devido à contaminação bacteriana da carne? Assim nasceu a teoria ptomaína do escorbuto, e Koettlitz tornou-se seu <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2511962/pdf/brmedj08208-0030.pdf" target="_blank">entusiástico defensor</a>:</p>
<blockquote><p>“Que a causa do surto de escorbuto em tantas expedições polares tenha sido sempre a de que algo estava radicalmente errado com as carnes em conserva, fossem enlatadas ou salgadas, é praticamente certo; que os alimentos são produtores de escorbuto por estarem, ainda que ligeiramente, estragados, é praticamente certo; que o benefício dos chamados ‘anti escorbuto’ é uma ilusão, e que alguma propriedade antiascórbica foi removida de alimentos no processo de preservação é também uma ilusão. Um alimento animal é escorbútico – em outras palavras, produtor de escorbuto – ou não é. Ou está estragado ou está bom. Uma mudança decompositora, mesmo que apenas leve e sem sabor, ocorreu ou não ocorreu. As bactérias são capazes de produzir ptomaínas nele ou não são capazes, e se elas não são capazes, então a comida é saudável e não produtora de escorbuto”.</p></blockquote>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="ptomaine poisoning death certificate   Scott e o Escorbuto" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/ptomaine-poisoning-death-certificate.jpg" border="0" alt="ptomaine poisoning death certificate destaques ciencia " width="468" height="210" /></p>
<p>A ‘ptomaína’ na teoria nunca foi realmente definida além de algo como um produto nocivo da ação bacteriana. Mas a teoria tinha uma lógica interna. Carnes mal conservadas seriam contaminadas pela ptomaína. Em condições normais, isso não seria suficiente para causar escorbuto. Não somente os alimentos frescos consumidos na dieta tinham um tipo de efeito antídoto (se esse efeito age para neutralizar o veneno, ou simplesmente substituindo-o na dieta, não ficou claro), mas o ambiente também desempenhava um papel importante. Alguns fatores parecem predispor as pessoas a um envenenamento crônico por ptomaína, incluindo a escuridão, o esforço intenso, o ócio, o ar fechado, o tempo de confinamento e o frio.</p>
<p>Em viagens prolongadas em condições adversas, a ptomaína acumulada em carnes mal conservadas iria afetar a saúde, resultando nos sintomas clássicos de escorbuto. Uma vez que os alimentos estragados fossem interrompidos, o corpo rapidamente excretaria a ptomaína acumulada e voltaria à saúde.</p>
<p>Os sucos cítricos eram eficazes em prevenir o escorbuto porque a sua acidez desnaturava a ptomaína, ou matava as bactérias que a causavam. O verdadeiro culpado estava na carne ruim, e os tonéis de suco de lima exigidos por lei em todos os navios de alto mar eram outro exemplo de superstição médica ultrapassada que dava agora lugar a uma compreensão mais sofisticada da doença.</p>
<p>Esta era a última novidade no conhecimento médico sobre o escorbuto quando Scott se preparou para a sua primeira expedição à Antártida, em 1903. Seria a primeira expedição britânica séria para o continente em cinqüenta anos. Scott levou o próprio Dr. Koettlitz consigo como o seu médico-chefe.</p>
<p>Scott planejou tudo meticulosamente, e consciente da teoria da ptomaína, prestou uma atenção especial à qualidade de suas provisões. Embora pouco pudesse fazer quanto às condições de frio e aperto da viagem, ele sabia que poderia evitar qualquer risco de escorbuto utilizando apenas produtos enlatados completamente intocados. Por sua parte, Koettlitz previu que enquanto houvesse carne de foca fresca disponível, “podemos tomar como certo que não ouviremos falar de escorbuto em conexão com a expedição, não importa o tempo que possamos permanecer no Extremo Sul”.</p>
<p>Scott não tinha tempo para supervisionar o enlatamento de suas provisões para a viagem do <em>Discovery</em>, mas ele se assegurou de que antes que fossem servidas, todas as latas seriam abertas na presença de sua equipe médica, incluindo o Dr. Koettlitz, e cuidadosamente examinadas para verificar sinais de deterioração. A qualquer dúvida as latas seriam designadas ao lixo.</p>
<p>Foi assim uma amarga surpresa para Scott quando soube que um dos primeiros do grupo do Discovery que havia partido no trenó se arrastava em campo com sintomas inconfundíveis de escorbuto após uma ausência de apenas três semanas. Exames posteriores revelaram que muitos dos homens a bordo do navio também estavam nos estágios iniciais da doença. As medidas preventivas falharam, e Scott se <a href="http://books.google.com/books?id=l5YSAQAAIAAJ&amp;lpg=PA399&amp;ots=YHMSjoLVis&amp;dq=The%20evil%20having%20come%2C%20the%20great%20thing%20now%20is%20to%20banish%20it.%20scott&amp;pg=PA399#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">angustiou profundamente</a>:</p>
<blockquote><p>“Uma vez que o mal chegou, o que é preciso fazer agora é eliminá-lo. Na minha ausência, Armitage, em consulta com os médicos, já tomou medidas para resolver as coisas, servindo a carne fresca regularmente e aumentando a ração de frutas engarrafadas, e ele prestou um serviço ainda maior supervisionando o cozinheiro. Eu não sei se ele ameaçou enforcá-lo ou se usou de medidas mais persuasivas, mas, o que quer que tenha feito, houve uma acentuada melhoria na cozinha.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Com a idéia de dar a todos os marinheiros do convés uma mudança de ar, por sua vez, criamos um espaço na choupana principal empilhando caixotes ao redor do fogão. Neste espaço cada grupo de marinheiros viveria durante uma semana; eles tinham almoço e jantar a bordo, mas permitia-se que cozinhassem sua ceia na choupana. Os atuais ocupantes apreciam este tipo de vida em piquenique imensamente.</p>
<p>Realizamos uma limpeza completa dos porões, desinfetando-os, cobrimos de cal as laterais e deixamos tudo perfumado e limpo.</p>
<p>Como passo seguinte, lidei com as roupas e as redes para dormir. É fácil amontoar roupas, especialmente em condições como as nossas; no entanto, todas elas foram descartadas agora, exceto aquelas de fato em uso. As redes e os lençóis eu achei muito secos e confortáveis, mas os arejamos bem. Nós liberamos todas as fontes de luz do convés de modo a obter mais luz do dia nos andares inferiores, e lavamos os tombadilhos e limpamos todos os buracos e cantos até que tudo estivesse completamente limpo. Eu sou obrigado a confessar que não houve uma mudança muito radical em tudo isso; observamos muito pouca sujeira, e a eclosão entre nós dessa doença não pode ter vindo de condições insalubres de vida; nossos homens são deixados bem ao seu próprio conforto para isso. Mas agora fazemos de tudo para termos certeza, convictos de que todo cuidado é pouco”.</p></blockquote>
<p>Scott enviou um grupo para matar focas para coletar tanta carne fresca quanto possível (sua tripulação podia comer uma foca inteira em dois dias e meio). Eles reuniram o suficiente para eliminar por completo a necessidade de carne enlatada. As focas abatidas foram armazenadas, como troncos de madeira, congeladas no gelo. Enquanto isso Koetlittz conseguiu fazer germinar e crescer uma colheita modesta de agrião sob uma clarabóia, o solo da Antártida se mostrando surpreendentemente fértil. Sua confiança na teoria da ptomaína não o cegou para as vantagens práticas de um remédio comprovado (brotos de agrião contêm uma quantidade absurda de vitamina C). O agrião cresceu o bastante para complementar uma refeição para todos os homens, e em combinação com a carne fresca das focas, foi suficiente para banir todos os sinais de escorbuto.</p>
<p>Scott ficou aliviado, mas sabia que algo tinha escapado do seu entendimento. Apesar dos cuidados escrupulosos, a doença tinha se infiltrado, e ele não estava certo por que suas precauções haviam falhado. Evidentemente, não foi suficiente inspecionar a carne provando-a e cheirando-a – mesmo quantidades pequenas de ptomaína podiam ser suficientes para causar o escorbuto.</p>
<p>Sua solução foi descartar toda a carne enlatada da expedição e confiar inteiramente na carne de foca e pingüim. Isso seria ótimo enquanto os homens permanecessem no Discovery, mas havia o problema do que fazer sobre as viagens de trenó programadas. A ração planejada para o trenó era pemican (uma mistura de carne seca e gordura) e biscoito, mas como Scott havia perdido toda a confiança na segurança da carne conservada, ele teve que encontrar uma maneira de substituir o pemican com foca.</p>
<p>A carne fresca de foca era muito pesada como uma substituta, então Scott tinha que repetidamente fervê-la para remover tanta água quanto possível (destruindo toda a vitamina C no processo). Esta carne de foca concentrada ainda era quase duas vezes mais pesada que o pemican equivalente, mas foi o melhor que pôde fazer.</p>
<p>Em novembro de 1902, <strong>Scott</strong>, <strong>Wilson</strong> e <strong>Shackleton</strong> partiram na viagem principal da expedição. O objetivo deles era levar uma equipe de cães tão ao sul quanto possível ao longo da plataforma de gelo Ross e ver se eles poderiam encontrar uma rota útil para uma eventual tentativa de chegar ao Pólo.</p>
<p>As coisas não seguiram bem. Scott inadvertidamente deixou seus cães famintos, tornando-os impossíveis de controlar e quase inúteis para puxar carga. Muito rapidamente, os seus homens tiveram de começar a puxar os trenós, o que significava andar três milhas para cada milha de progresso para o sul. Eles começaram a matar os cães mais fracos e dá-los como alimento para o resto (os cães estavam com tanta fome que não hesitaram em dilacerar seus camaradas caídos). Os próprios homens não podiam pensar em nada mais além de comida, suas rações sendo inadequadas para o trabalho de puxar o trenó.</p>
<p>Wilson, um médico, verificava as gengivas e as pernas dos homens a cada domingo buscando por sinais de escorbuto. Shackleton foi o primeiro a manifestar os sintomas, embora não tivesse sido informado sobre isso por várias semanas. Logo Scott e Wilson estavam apresentando os sintomas também. Logo Shackleton enfraqueceu e começou a tossir sangue durante a noite, e esteve em perigo real de um colapso físico.</p>
<p>O grupo mal retornou para casa. Durante a maior parte da viagem de regresso, Shackleton não foi capaz de puxar, cambaleando ao lado dos trenós. Depois de seu retorno ao Discovery, os homens ficaram acamados e em estado de colapso físico completo, levantando-se apenas o tempo suficiente para comer as prodigiosas refeições. Scott comentou em seu diário sobre a lassidão extraordinária e a falta de energia que a doença provocou nele.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="Inside Scott Hut 2   Scott e o Escorbuto" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/Inside_Scott_Hut_2.jpg" border="0" alt="Inside Scott Hut 2 destaques ciencia " width="400" height="268" /></p>
<p>Oito anos após a expedição do Discovery, Scott voltou à Antártida para uma tentativa de chegar ao Pólo. Consciente do que tinha acontecido em sua primeira viagem, ele teve o cuidado de procurar o aconselhamento de peritos sobre as últimas novidades concernentes ao escorbuto, tanto dos médicos quanto dos exploradores árticos.</p>
<p>O conselho que ele recebeu não foi alterado – o escorbuto era uma condição de acidez do sangue causada por ptomaínas na carne contaminada. O lendário explorador <strong>Fridtjof Nansen</strong> tinha alguns conselhos particularmente curiosos – caso ele próprio se visse em apuros, disse Nansen, era melhor escolher latas de carne que estivessem completamente podres ao invés das latas que estivessem apenas um pouco estragadas, já que as ptomainas tinham maior probabilidade de ter se deteriorado nas primeiras.</p>
<p>Desta vez, Scott fez questão de fornecer a seus homens carne fresca de foca, e escorbuto não foi um problema no campo principal. No inverno de 1911, <strong>Wilson</strong>, <strong>Bowers</strong> e <strong>Cherry-Garrard</strong> partiram em uma viagem de cinco semanas fantasmagóricas para tentar recolher os ovos do pingüim imperador. Esta viagem, que deu ao livro de Cherry-Garrard o seu título, realizou-se na mais completa escuridão e as temperaturas caíram abaixo de -77 Fahrenheit. Os homens, forçados a revezar e a procurar por suas pegadas à luz de velas, faziam às vezes tão pouco quanto uma milha de progresso por dia. Quando as roupas de Cherry-Garrard foram pesadas em seu retorno, elas continham 24 quilos de gelo. Como os homens sobreviveram desafia a crença – jamais houve uma outra viagem durante a noite polar, mesmo com equipamentos modernos –, mas eles retornaram e para grande alívio de Scott não apresentavam sintomas de escorbuto.</p>
<p>Um dos objetivos de Scott para a viagem de inverno era determinar a ração apropriada para andar de trenó sobre o planalto polar, onde os homens teriam que caminhar por várias semanas em altitudes acima de 10.000 pés. Depois de alguns ajustes com as proporções, os homens na Jornada de Inverno tinham montado uma ração satisfatória, e Scott decidiu adotá-la inalterada para a sua viagem no final daquele ano:</p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="scott ration   Scott e o Escorbuto" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/scott_ration.jpg" border="0" alt="scott ration destaques ciencia " width="600" height="422" /></span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">A ração polar de Scott: 450g de biscoito, 340 gramas de pemican, 85g de açúcar, 57g de manteiga, 24g de chá, 16g de cacau. Esta ração contém cerca de 4500 calorias (andar de trenó requer 6500) e nenhuma vitamina C. </span></p>
<p>Scott deixou o acampamento com 16 homens em 1º de novembro de 1911. Seu plano era deixar depósitos ao longo da rota, e enviar grupos de homens de volta em intervalos até que ele ficasse com três companheiros no grande planalto sul da geleira Beardmore. A expedição usou homens, cães, cavalos (abatidos e dados aos cães ao pé da geleira), e um par de trenós motorizados experimentais que quebraram depois de apenas alguns quilômetros sobre o gelo.</p>
<p>Scott enviou de volta os seus homens em estágios; cada grupo encontrava progressivamente mais dificuldades ao fazer a viagem de volta ao acampamento. O último grupo, enviado de volta a partir do topo da geleira Beardmore, foi liderado por Edward Evans, que rapidamente desenvolveu um caso grave de escorbuto. Após andar bravamente a maior parte da distância, ele ficou incapacitado e teve de ser deixado no gelo sob os cuidados de um companheiro, enquanto o terceiro homem no grupo marchava forçosamente as trinta milhas restantes para o acampamento para convocar uma equipe de resgate.</p>
<p>Scott, alheio a este desenvolvimento ameaçador, seguiu adiante. O resto de sua história é bem conhecido. Tendas norueguesas no Pólo, um retorno cada vez mais desesperado, dois em seu grupo adoecendo e morrendo, então uma terrível nevasca a onze milhas de distância de seu último depósito, os três homens congelando até a morte em sua barraca.</p>
<p>A evidência de que o Grupo Polar sofria de escorbuto na sua viagem de retorno é forte, mas circunstancial. As feridas que não cicatrizavam, a morte repentina de <strong>Seaman Evans</strong> durante a descida de Beardmore e a grande fraqueza deles são consistentes com a doença. Tanto Scott quanto Wilson teriam facilmente reconhecido os sintomas, mas é possível que eles tenham optado por não registrá-los. Havia um certo estigma com relação ao escorbuto, especialmente no caso deles, tendo padecido tanto para evitar a doença. Scott tinha quase deixado de fora qualquer menção ao escorbuto do seu relatório de 1903, antes de decidir fazê-lo para a causa da ciência, e é possível que ele sentisse uma reticência semelhante agora.</p>
<p>Carreiras acadêmicas inteiras têm se dedicado a criticar a jornada final de Scott. Provavelmente seria mais fácil listar as coisas que não contribuíram para a sua morte, do que tentar classificar as contribuições relativas de esgotamento, frio, desnutrição, más condições climáticas, má sorte, mau planejamento e decisões precipitadas. Mas em relação ao escorbuto, pelo menos, os exploradores polares estavam em uma posição impossível.</p>
<p>Eles tinham uma teoria da doença que fazia sentido, dadas as evidências, mas estava completamente errada. Eles haviam chegado à idéia de uma substância não detectável na sua alimentação, presente em quantidades vestigiais, com uma relação causal direta com o escorbuto, mas pensaram nisso em termos de um veneno a ser evitado. Em certo sentido, o salto adicional necessário para uma correta compreensão era muito pequeno. Em outro sentido, ele teria exigido uma espécie de revolução copernicana em seu pensamento.</p>
<p>Foi pura sorte que levou à descoberta de fato da vitamina C. <strong>Axel Holst</strong> e <strong>Frolich Theodor</strong> vinham estudando o beribéri (outra doença de carência) em pombos, e quando decidiram mudar para um modelo com mamíferos, por acaso escolheram porquinhos-da-índia [<em>cavia porcellus</em>], o único animal além de seres humanos e macacos que requer vitamina C em sua dieta. Alimentados com uma dieta de cereais puros, os animais não apresentaram sinais de beribéri, mas rapidamente adoeceram e morreram de algo que se assemelhava muito ao escorbuto humano.</p>
<p>Ninguém tinha visto o escorbuto em animais antes. Com um simples modelo animal para a doença na mão, tornou-se uma questão de executar os experimentos corretos, e ficou rapidamente estabelecido que o escorbuto era afinal uma doença de carência. Muito rapidamente o composto que previne a doença foi identificado como uma pequena molécula presente no repolho, suco de limão e muitos outros alimentos, e em 1932 <strong>Szent-Györgyi</strong> isolou definitivamente o ácido ascórbico.</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Há vários aspectos desta ‘segunda vinda’ do escorbuto no final do século XIX que eu acho particularmente impressionantes:</p>
<p>Primeiro, o fato de que desde o século XV em diante, era raro o médico que reconhecesse ignorância sobre a causa e o tratamento da doença. A enfermidade podia se adequar a tantas teorias de doença – o desequilíbrio nos humores vitais, o ar ruim, a acidificação do sangue, infecção bacteriana – que, apesar da existência de uma cura inequívoca, sempre houve uma série de tratamentos alternativos e ineficazes. Em nenhum momento os médicos expressaram dúvida sobre as suas teorias, por mais que fossem ineficazes.</p>
<p>Em segundo lugar, como era difícil interpretar corretamente a evidência sem o conceito de ‘vitamina’. Agora que entendemos o escorbuto como uma doença de carência, podemos explicar os resultados anômalos que parecem contradizer essa teoria (o fracasso do suco de lima em expedições polares, por exemplo). Mas as evidências em si mesmas não apontam claramente para uma solução. Não estava claro quais resultados eram os resultados anômalos que precisavam ser explicados. A teoria da ptomaína fazia previsões corretas (carne fresca previne o escorbuto), mesmo que ela estivesse completamente errada.</p>
<p>Terceiro, como o progresso tecnológico em uma área pode levar a regressões surpreendentes. Eu mencionei que o advento das viagens a vapor permitiu acidentalmente substituir um anti-escorbuto eficaz por um ineficaz. Um exemplo ainda mais gritante foi a série de casos de escorbuto em crianças que afligiam as famílias de classe superior no final do século XIX. Este surto foi resultado direto de um outro desenvolvimento tecnológico, a pasteurização do leite de vaca. O procedimento tornou o leite imensamente muito mais seguro para as crianças beberem, mas também destruía a vitamina C. Para as crianças mais pobres, que tendem a ser amamentadas e rapidamente desmamadas sendo alimentadas com comida de adultos, isto não era um problema, mas os bebês alimentados com uma dieta especial rica em cereais cozidos e leite estavam em grave risco. Demorou alguns anos para que o escorbuto infantil, a princípio chamado de ‘doença de Barlow’, fosse devidamente identificado. Nesse ponto, os médicos foram pegos entre dois fogos. Eles poderiam recomendar que os pais não fervessem o leite, e expor as crianças à infecção bacteriana, ou poderiam insistir na pasteurização, com o risco de escorbuto. A teoria dominante de escorbuto como intoxicação bacteriana nublou a questão ainda mais, de forma que levou tempo para se chegar à solução mais adequada – a suplementação da dieta com suco de cebola ou batata cozida.</p>
<p>Em quarto lugar, como uma pequena base de evidências foi necessária para construir um enorme edifício teórico. O famoso experimento de Lind, por exemplo, envolveu dois marinheiros comendo laranjas por seis dias. Lind passou a propor um método completamente ineficaz de preservar o suco de limão (fervendo-o), que ele nunca pensou em testar. Um dos experimentos que ‘confirmava’ a teoria da ptomaína envolvia alimentar um punhado de macacos com carne fresca e enlatada. Os macacos frutíferos morreram dentro de dias, os que morreram por último, e com o mínimo de sangue nas fezes, foram considerados serem aqueles sem escorbuto. E mesmo esses experimentos falhos eram uma raridade em comparação com o número de afirmações vazias pelas autoridades médicas, sem qualquer teste ou base na realidade.</p>
<p>Por fim, uma das mais simples doenças conseguiu absolutamente confundir-nos por tanto tempo, ao custo de milhões de vidas, mesmo depois de termos tropeçado em uma cura inequívoca. Isso faz você imaginar quantas doenças incuráveis do mundo moderno – a depressão, a hipertensão, o autismo, a obesidade – passarão a ter soluções igualmente simples uma vez que sejamos capazes de vê-las na perspectiva correta. Será que estaremos batendo em nossas testas daqui a sessenta anos querendo saber como nós deixamos passar algo tão óbvio?</p>
<p>No decurso da elaboração deste artigo, fui tentado várias vezes a escolher um vilão. Talvez o nome perfeito para isso seja o de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Almroth_Wright" target="_blank">Almroth Wright</a>, que usou de sua considerável reputação médica para promover a teoria da ptomaína e assim atrasou a uma nova compreensão apropriada do escorbuto por muitos anos. Ou o desastrado Almirante não-identificado que promoveu a sua carreira ao defender a troca pelas limas indianas ocidentais. Ou até mesmo o próprio infeliz Scott, que pregava sobre as virtudes do progresso científico sem nunca ter realizado um experimento próprio, assumindo riscos terríveis e mostrando uma confiança deveras anti-científica baseada em pura coragem para livrar os seus homens de qualquer dificuldade.</p>
<p>Mas o vilão aqui é apenas a boa e velha ignorância humana, essa mestra do disfarce. Nós tendemos a pensar que o conhecimento, uma vez adquirido, é algo permanente. Em vez disso, mesmo agarrar-se a ele exige um esforço constante e cuidadoso.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Em resumo: Escorbuto é ruim, Ciência é difícil</span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Tentarei adicionar notas a este ensaio; no meio tempo, caso queira conversar sobre o assunto comigo convido a conferir esta </span><a href="http://pinboard.in/u:maciej/t:scurvy" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">lista de links</span></a><span style="font-size: xx-small;">.</span></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">[Fotos: </span><a href="http://www.theatlantic.com/infocus/2011/03/recent-scenes-from-antarctica/100019/" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">National Science Foundation/Patrick Cullis</span></a><span style="font-size: xx-small;">, </span><a href="http://www.flickr.com/photos/mattieb/" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">Mattie B</span></a><span style="font-size: xx-small;">]</span></p>
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		<title>Feliz Natal!</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Dec 2010 14:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="580" height="351"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VIksHVxEH2c?fs=1&amp;hl=en_US"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/VIksHVxEH2c?fs=1&amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="580" height="351"></embed></object></p>
<p>Enquanto celebramos uma data repleta de diversos significados a <a href="http://www.jpl.nasa.gov/video/index.cfm?id=954" target="_blank">NASA</a> divulga este belíssimo vídeo de um pôr-do-sol um tanto diferente.</p>
<p>É um pôr-do-sol marciano, capturado pelas lentes de nossa valente sonda robótica <em>Opportunity</em>.</p>
<p>Em nosso planeta o céu é azul e o Sol ao fim do dia toma tons avermelhados, porém em Marte ocorre exatamente o oposto. O Sol é o mesmo, e do espaço seu tom é branco, o que muda é a atmosfera. No planeta azul ela absorve e então irradia tons azulados, e no planeta vermelho&#8230; tons avermelhados. Ao vermos o Sol próximo do horizonte, os raios de luz passam por um caminho mais longo através da atmosfera e esse efeito se intensifica. Seu tom aparente será o do espectro de cores complementares àquelas absorvidas pelo próprio céu: vermelho na Terra, azul em Marte.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="Luke Skywalker on Tatooine   Feliz Natal!" border="0" alt="Luke Skywalker on Tatooine destaques ciencia " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/12/Luke-Skywalker-on-Tatooine.jpg" width="600" height="266" /></p>
<p>Motivo pelo qual <strong>Luke Skywalker</strong> vendo dois sóis se ponto em Tatooine pode parecer muito bacana, mas uma pequena sonda robótica bem real e mais próxima de <strong>R2D2</strong> já assiste a um Sol poente ainda mais interessante.</p>
<p>Com a ciência, comemorar solstícios e o nascimento ininterrupto do Sol pode ir muito além. Feliz Natal!</p>
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		<title>O navio de Teseu e a imperman&#234;ncia do Carbono-14</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2010 02:47:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [já] nem o homem nem o rio são os mesmos.” – Heráclito “O navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram de Creta tinha trinta remos, e foi ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="buddhabrot   O navio de Teseu e a imperman&ecirc;ncia do Carbono 14" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/11/buddhabrot.jpg" border="0" alt="buddhabrot fortianismo destaques ciencia " width="500" height="625" /></p>
<blockquote><p>“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [já] nem o homem nem o rio são os mesmos.” – Heráclito</p>
<p>“O navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram de Creta tinha trinta remos, e foi preservado pelos atenienses até o tempo de Demétrio de Falero, porque eles removiam as partes velhas que apodreciam e colocavam partes novas, de forma que o navio se tornou motivo de discussão entre os filósofos a respeito de coisas que crescem: alguns dizendo que o navio era o mesmo e outros dizendo que não era.” – Plutarco</p></blockquote>
<p>O paradoxo do barco de Teseu é ao mesmo tempo uma das doutrinas essenciais do Budismo: a impermanência, a consciência de que tudo está em fluxo constante. A profundidade deste conceito pode ser apreciada tanto filosoficamente quanto vislumbrada cientificamente, compreendendo melhor a datação por radiocarbono, conhecida também como teste de Carbono-14. É uma longa jornada que vai literalmente de estrelas a muitos anos-luz até a ponta de seus pés, mas àqueles dispostos a dedicar algum tempo e esforço a viagem valerá a pena.</p>
<p>Ela começa por lembrar que toda forma de vida que conhecemos é orgânica, isto é, baseada no elemento carbono. Presente em diversas formas, desde seu estado puro na grafite de um lápis até em compostos complexos como o plástico do mouse que você segura, o carbono possui propriedades singulares que permitem que forme produtos de enorme variedade e complexidade – motivo pelo qual a química orgânica é um dos terrores na escola. Novamente, o tema pode ser complexo mas tem suas recompensas: é por esta complexidade que a própria vida, em todos seus meandros, pode florescer baseada neste elemento.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="m17close hst c1   O navio de Teseu e a imperman&ecirc;ncia do Carbono 14" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/11/m17close_hst_c1.jpg" border="0" alt="m17close hst c1 fortianismo destaques ciencia " width="500" height="376" /></p>
<p>Cada um destes átomos singulares de carbono compondo cada uma de todas nossas células começou sua jornada na fornalha de estrelas. “<em>Nós somos feitos da poeira de estrelas</em>”, lembrava <strong>Carl Sagan</strong>,  pois os átomos de carbono são criados a partir de elementos mais leves no núcleo de estrelas gigantes, a temperaturas superiores a 100 milhões de graus. As estrelas por sua vez também possuem seu ciclo de vida, e quando ele chega ao seu fim, lançam em enormes explosões os muitos elementos que criaram, e que poderão se reunir novamente em outros sistemas estelares, talvez com seus sistemas  planetários. Como o nosso sistema solar.</p>
<p>Nesta história cósmica da gênese do elemento em que toda a vida conhecida se baseia, o detalhe fabuloso é que cada um dos átomos de carbono em seu corpo pode ter sido formado no núcleo de uma estrela diferente. Veja duas estrelas no céu, separadas por anos-luz de distância, e imagine como há bilhões de anos, os minúsculos átomos que formam o seu próprio corpo estavam tão ou mais distantes. Somos poeira de estrelas, de muitas estrelas, separadas por vastas distâncias, reunidas aqui. Recupere o fôlego, porque a atmosfera é justamente o próximo passo de nossa jornada.</p>
<p>Ao encontrarem-se no sistema solar, e em particular, no planeta Terra, o caminho dos átomos de carbono continua. Tais átomos passam a fazer parte do ciclo do carbono no planeta, em constante transformação, deslocando-se da atmosfera aos oceanos, e vice-versa. Eles também podem mergulhar em períodos de menor fluxo, como depósitos fósseis, ou descendo às profundezas do planeta, de onde podem ser liberados novamente à atmosfera em grandes erupções. E há, claro, um outro reservatório de troca, e um especialmente relevante a nós: a biosfera, todas as formas de vida de que falamos. Os átomos de carbono que fazem parte de você.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="656387 35750838   O navio de Teseu e a imperman&ecirc;ncia do Carbono 14" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/11/656387_35750838.jpg" border="0" alt="656387 35750838 fortianismo destaques ciencia " width="500" height="342" /></p>
<p>O fluxo do carbono relacionado à vida deve ser familiar. As plantas fixam o elemento da atmosfera através da fotossíntese. O físico Richard Feynman notou como, de certa forma, as árvores e plantas se formam do ar. De fato, o que faz uma pequena semente se transformar em um enorme Jatobá é em sua maior parte o carbono que o vegetal tomou do ar para constituir seu tronco, raízes e folhas. Folhas estas que podem finalmente chegar aos animais que se alimentarem delas, e então aos animais que se alimentarem destes animais, incluindo os seres humanos. Pelo que o carbono que foi criado em estrelas e fixado do ar em matéria orgânica chega também a você.</p>
<p>Como animais, estamos constantemente ingerindo compostos orgânicos, e constantemente excretando compostos orgânicos, integrados como uma pequena parte deste enorme e longo fluxo. À semelhança do barco de Teseu, praticamente todo o material compondo seu corpo hoje terá sido substituído em alguns anos. E ao retornarmos ao barco de Teseu, finalmente temos a oportunidade de abordar a impermanência do Carbono-14. Esta é a parte mais complicada da história, mas a que permite uma apreciação da beleza de todo este conhecimento em relação ao rio da vida.</p>
<p>Em um Universo onde tudo está em constante fluxo, o próprio carbono está presente em diferentes variedades atômicas, chamadas isótopos – possuindo o mesmo número atômico, mas com diferentes massas, dependendo do número de nêutrons. Quase todo o carbono na Terra possui seis prótons e seis nêutrons em seu núcleo, o carbono-12, mas uma parcela infinitesimal de um entre um trilhão de átomos de carbono possui oito nêutrons, formando assim o carbono-14 (C-14). Por que tão infinitesimalmente raro?</p>
<p>Porque o isótopo C-14 é instável, é radioativo, transformando-se em nitrogênio-14 com o tempo. De fato, em aproximadamente 60.000 anos uma amostra de C-14 decai e se transforma quase completamente em nitrogênio. Nenhum átomo de C-14 que você encontrar terá muito mais de 60.000 anos, e é muito provável que seja muito mais novo. Entre os trilhões de átomos de carbono que você poderá encontrar, esse átomo radioativo em particular deve ter tomado um caminho diferente.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="horizonmoon nasa   O navio de Teseu e a imperman&ecirc;ncia do Carbono 14" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/11/horizonmoon_nasa.jpg" border="0" alt="horizonmoon nasa fortianismo destaques ciencia " width="500" height="375" /></p>
<p>É nas camadas mais altas da atmosfera, banhadas diretamente por intensos raios cósmicos, que o nitrogênio-14 pode ser atingido por nêutrons e formar o C-14, a provável origem do átomo radioativo e impermanente. Esta formação se dá constantemente; enquanto o C-14 decai e volta a se transformar em nitrogênio, nitrogênio na alta atmosfera sob a ação de raios cósmicos por sua vez se torna C-14. O resultado é que a proporção na atmosfera deste elemento de vida relativamente curta é aproximadamente constante, enquanto parte decai, outra parte se forma.</p>
<p>O C-14 formado por raios cósmicos nos limites entre a Terra e o espaço se distribui pela atmosfera, e como tal, faz parte do ciclo do carbono, incluindo o fluxo que passa pela biosfera, que como vimos, começa com a fixação do carbono pelas plantas. Desta forma, a concentração de C-14 fixado em um tronco de madeira, ou nas raízes, folhas e frutas de uma árvore em crescimento é aproximadamente a mesma daquela presente na atmosfera.</p>
<p>Porém, no instante em que uma planta morre, ela deixa este ciclo de troca com a atmosfera. O C-14 que fixou continua a decair, mas não é mais reposto por novos isótopos da atmosfera. Sua concentração só diminui, e diminui a uma taxa de decaimento radioativo constante e devidamente conhecida pela ciência: reduz-se à metade em aproximadamente 5.730 anos, a meia-vida do C-14. Chegamos por fim à datação por radiocarbono, o teste de carbono-14.</p>
<p>Em 1949, <strong>Willard Libby</strong>, por sugestão de <strong>Enrico Fermi</strong>, desenvolveu a ideia de aproveitar esta diminuição constante da proporção de C-14 em matéria orgânica para estimar quando ela deixou de fazer parte da troca constante com a atmosfera. Bastaria comparar sua porção de C-14 com aquela presente na atmosfera. Se a proporção houvesse diminuído pela metade, por exemplo, isso significaria que o C-14 esteve decaindo pelo seu período de meia-vida, por aproximadamente 5.730 anos. Outras proporções permitiriam estimativas indo de algumas décadas até dezenas de milhares de anos atrás. Por seu trabalho, Libby recebeu o prêmio Nobel, e o teste de radiocarbono é amplamente conhecido por revolucionar a arqueologia, definindo um relógio para conhecer tanto da história da vida.</p>
<p>Com enorme precisão, a datação por carbono-14 também pode ser aplicada a nós. Não fixamos carbono diretamente da atmosfera, mas nos alimentamos de plantas que acabaram de fazê-lo ou de animais que acabaram de se alimentar destas plantas, renovando em um fluxo contínuo o carbono em nossos corpos. Enquanto nos alimentamos, enquanto estamos vivos, participando deste fluxo, a concentração de C-14 em nossas células é aproximadamente a mesma daquela encontrada na atmosfera. Enquanto você está vivo, radioisótopos formados na alta atmosfera por raios cósmicos, a partir da poeira de estrelas cruzando vastas distâncias, passam por seu corpo, de fato constituem o seu corpo depois de serem fixados em compostos orgânicos pelas plantas.</p>
<p>Mas nada disso é permanente, são apenas fluxos mais ou menos rápidos que outros. No momento de sua morte o C-14 deixará de ser reposto, diminuindo então a uma taxa constante, pela qual o momento em que você se afastou do rio da vida poderá ser reconstruído. Cientificamente. Este, claro, é apenas um dos fluxos dos quais você se afastou: o carbono-12, estável, que constitui quase todo seu corpo continuará fazendo parte da biosfera por ainda muito tempo, incluindo alguns compostos especialmente relevantes relacionados com seu código genético, se você tiver deixado descendentes. Estes compostos podem ter seu material reposto, mas a informação que carregam… seria tema para outra longa história, em outro longo fluxo.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="33696 4590   O navio de Teseu e a imperman&ecirc;ncia do Carbono 14" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/11/33696_4590.jpg" border="0" alt="33696 4590 fortianismo destaques ciencia " width="500" height="316" /></p>
<p>O carbono-14 é um marcador da impermanência, decaindo e formando-se constantemente. E como parte da química da vida, nos lembra que o paradoxo do barco de Teseu, seja como for solucionado filosoficamente, é o paradoxo que observamos cientificamente em todo o Universo, e do qual somos mesmo parte. A profundidade da impermanência só se torna mais bela e relevante quando compreendida também através dos olhos da ciência.</p>
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<p><span style="font-size: xx-small;">[Imagens: </span><a href="http://www.superliminal.com/fractals/bbrot/bbrot.htm" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">Melinda Green</span></a><span style="font-size: xx-small;">, </span><a href="http://apod.nasa.gov/apod/ap040828.html" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">APOD</span></a><span style="font-size: xx-small;">, </span><a href="http://www.sxc.hu/photo/656387" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">sxc.hu/belleofthe</span></a><span style="font-size: xx-small;">, </span><a href="http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap070320.html" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">APOD</span></a><span style="font-size: xx-small;">, </span><a href="http://www.sxc.hu/photo/33696" target="_blank"><span style="font-size: xx-small;">sxc.hu/pipp</span></a><span style="font-size: xx-small;">]</span></p>
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