#03 - 17 de abril de 2004
CETICISMOABERTO

"Se lhe ensinassem que os elfos causam a chuva,
toda vez que chovesse, você veria a prova dos elfos."
( Ariex )
PARABÓLICA
Sangue de gato preto tem poder! Adentrei o mundo virtual da magia, que
envolve vários segmentos de prática mágica; um mundo em ascensão nesta sociedade
em que a igreja católica vem deixando a cena principal e dando lugar a outros
movimentos, inclusive o de "resgate" do paganismo. E foi justamente tomando contato
virtualmente com essas práticas que, não faz muito tempo, fiquei sabendo de um caso
A Ciência é uma Religião? cientistas individuais algumas vezes escorregam
de volta para o vício da fé, e alguns podem acreditar tão cegamente em uma teoria
favorita, que até ocasionalmente falsificam evidências. ( Richard Dawkins )
A bomba-relógio do aquecimento global: deter o processo requer cooperação
internacional urgente e sem precedentes. O fenômeno é real e as consequências
potencialmente desastrosas. Mesmo assim, ações práticas poderiam desacelerar e,
CURTA
DICAS
Tratado da Argumentação: as preocupações que permeiam este livro vinculam-se
àquelas dos autores da Renascença e, mais ainda, às dos autores gregos e latinos
que estudaram a arte de convencer e as técnicas da discussão. Este tratado é dirigido
não apenas aos filósofos, mas a todos aqueles que têm a tarefa de convencer, seja a
que título for. Subtítulo: a nova retórica. Autores: Lucie Olbrechts-Tyteca; Chaim
Perelman. Editora: Martins Fontes. 654 pp. Preço médio: R$60,00
Dicionário de Obras Filosóficas: este dicionário é uma obra de consulta e um
instrumento de trabalho. Qualquer um, mesmo sem formação especializada, pode
familiarizar-se com as obras mais importantes do pensamento universal. A obras são
classificadas em ordem alfabética, os verbetes trazem resumo da obra, análise de suas
principais idéias e noções; exame do interesse filosófico, descrição do contexto,
influência exercida pela obra, referênciais cronológicas, biográficas e um índice
detalhado dos autores. Autor: Denis Huisman. Editora: Martins Fontes. 610 pp.
Preço médio: R$70,00
INTERZINE
EZ: O que é ufologia?
Mori: Ufologia vem de "ufology", ou seja, seria o estudo de "UFOs", que em bom (?)
português seriam os OVNIs, Objetos Voadores Não Identificados. Soa melhor que
"ovniologia", sem dúvida. É um estudo um tanto ingrato e pode mesmo ser questionado
sobre sua validade ou viabilidade científica. Porque, grosso modo, a ufologia pode ser
resumida em algo como "É um pássaro? É um avião? É o super-homem? Não? Então é um
OVNI". E OVNIs não são, é claro, realmente sinônimos ou eufemismos válidos de
naves alienígenas ou qualquer outra coisa certa. Ou seja, a ufologia é um estudo que se
centra no que por definição não se pode saber muito sobre. E, para ilustrar tal problema,
nada melhor que notar que a mais verificada e sólida constatação da ufologia é a de que
a maior parte dos OVNIs pode ser identificada, isto é, que não são OVNIs. Praticamente
todos reconhecerão isto, embora talvez não dêem a importância devida à informação.
EZ: Existe, digamos, uma "ufologia científica"?
Mori: Há abordagens sérias, críticas e rigorosas da ufologia e alegações relacionadas
a ela, como histórias de abduções aliens, contatados, etc. Penso que podem ser,
sim, consideradas abordagens científicas, mais relacionadas a ciências humanas
em particular, como história e sociologia, do que a ciências naturais, como física ou
astronomia. No mais de meio século em que a "ufologia" existe, não adicionou qualquer
conhecimento às ciências naturais. Curiosamente, neste período, não poucos fenômenos
atmosféricos foram descobertos ou reconhecidos pela Ciência, como relâmpagos
globulares, sprites, jets e afins. Mas não graças à ufologia. E há estudos sociológicos
e psicológicos relacionados ao tema que adicionaram conhecimento valioso, colocaram-no
em um contexto e prometem mais descobertas. Em poucas palavras, a ufologia diz
muito mais sobre o homem do que sobre o mundo. E muito menos ainda sobre o que há
fora dele.
EZ: Qual a relação entre a ufologia e a Exobiologia?
Mori: Ufologia deveria lidar com OVNIs. Exobiologia com vida extraterrestre. Pode ser
tentador imaginar que uma tenha a ver com a outra, mas é apenas uma possibilidade,
por hora. Sem dúvida, seria muito mais fácil estudar vida extraterrestre se ela viesse
até nós, mas é uma idéia parecida demais com a de que ratos de laboratório seriam em
verdade a mais inteligente forma de vida na Terra, como sugeriu Douglas Adams. Nós
seríamos o experimento deles, apesar de nossas vãs crenças e tola arrogância.
“A ufologia diz muito mais sobre o homem do que sobre o mundo. E muito menos ainda sobre o que há fora dele."
EZ: Como surgiu seu interesse pela ufologia?
Mori: Sempre me interessei por esses assuntos. E acreditava. Por volta dos quinze
anos, acreditei mais em um deles, tenebroso: os "UFOs nazistas". A idéia de "discos
voadores" serem tecnologia plausível - de acordo com a lenda, criada pelos nazistas
- me era fascinante. Ainda tenho guardados desenhos que fiz de como imaginava
que os discos voadores funcionariam. Mas era só uma brincadeira, hoje percebo. "UFOs
nazistas" são apenas fantasia e, infelizmente, algumas fraudes. Fraudes autenticamente
neonazistas.
EZ: Por que tornou-se cético?
Mori: Não foi nada repetino ou particularmente interessante, não vi nenhuma luz! Pelo
menos não literalmente. Entrei na internet por volta de 1996, e a primeira coisa que fiz
foi digerir uma enorme quantidade de credulidade na rede, e com muito prazer, devo
admitir. Depois li "O Mundo Assombrado pelos Demônios", mas o livro não me "converteu"
de pronto, embora sempre tenha sido um fã de Sagan. Com o tempo, fui descobrindo
material de melhor qualidade sobre esses temas, e não por mera coincidência, arrisco
dizer, era material mais crítico, cético.
EZ: Como criou o CA?
Mori: A partir do grupo de discussão de ufologia do UOL. Comecei a enviar mensagens
para lá, fiquei empolgado e escrevi pequenos textos sobre o tema. Então, por volta
do início de 2001, um website chamado "Área51Brasil" pediu por um colunista e eu me
ofereci para colaborar... aí surgiu a coluna "CeticismoAberto". Depois criei um sítio com
esse nome, divulgando as colunas, as "rapidinhas" e as inevitáveis traduções de material
em inglês, que achava excelente. O sítio foi crescendo, sempre nômade, ao pular de servidor em servidor, e no ano passado finalmente se tornou parte da STR. Não se limita mais à ufologia, ainda que a maior parte do material seja relacionada ao tema.