( http://www.str.com.br/principal.php )
EZ: Notamos uma maior presença da STR em programas de televisão. Isso se
deve ao trabalho de marketing da STR ou ao aumento do interesse da mídia pela
participação de céticos e racionalistas ?
DS: Nem um nem outro. Sete aparições em poucas semanas me parecem mais
um pico estatisticamente esperável do que um aumento consistente da nossa
presença, embora só o futuro possa dizer isso ao certo. Todo "marketing" da STR
se resume à existência do site, uma pequena quantidade de produtos circulando
com a nossa marca e um eventual crédito em artigos e matérias na mídia. Por isso,
nao sei se é adequado falar em marketing, já que ele costuma ser uma atividade-meio,
ao passo que em ativismo, divulgação também é atividade-fim. Todos os convites
para a televisão surgiram porque um produtor ou jornalista soube que a STR ou
algum de nós tem determinado cohecimento ou ponto de vista, o que é resultado
direto de esforços individuais e coletivos de ativismo, em especial a criação de
sites e textos.
EZ: A televisão e a mídia, em geral, são resistentes ao ceticismo?
DS: Em primeiro lugar, é preciso lembrar que nao só o ceticismo organizado ainda é
vastamente desconhecido, como a própria posição cética também. Muita gente,
como eu, já deve ter encontrado pessoas que levavam alguns minutos só para
aceitarem a idéia de que existem pessoas sem crnças místico-religiosas. A mídia é
resistente, e com toda razão, a tudo aquilo que se acha que pode nao dar audiência
ou, pior, ofender o público. Acho que o trabalho da STR e as aparições de seus
membros têm contribuído para mostrar que não precisa ser assim.
EZ: É possível formar uma cultura cética, em grande escala, sem recorrer aos
meios de comunicação de massa?
DS: Sem dúvida. Muitos céticos preferem simplesmente sentar e esperar alguns
séculos por uma mudança cultural. Outra alternativa seria introduzir o pensamento
crítico e o método científico na educação formal. Mas como fazer isso acontecer?
Os meios de comunicação de massa seriam um importante instrumento para chegar
a essa mudança. Não é à toa que a mídia é chamada de quarto poder
O cético deve ser um sujeito que só "ganha"
na base do debate, e do debate civilizado.
EZ: Quais são os riscos, as desvantagens ou, mesmo, as armadilhas ao participar
de programas de TV ?
DS: Há diversos problemas potenciais. A tevê exige mensagens curtas, o que
prejudica qualquer raciocínio mais elaborado. Nunca se sabe que efeitos a edição
pode ter. Nunca temos referências à mão para consultar. A comunicaçao oral
é muito influenciada pelo contexto, pela postura e pelo tipo de relação que se
desenvolve entre os interlocutores. Mas é preciso superar todos esses problemas
se queremos atingir o grande público.
EZ: Houve críticas a sua participação no programa TV Pop, principalmente em
relação a uma suposta passividade de sua parte. Como você responde a estas
críticas?
DS: Não creio que fui passivo, acho que quem viu assim estava julgando por
contraste. Em comparação com a atitude do Décio Pitinini, fui passivo. Mas a
maior parte dos seres humanos também se encaixaria na mesma descrição. De
qualquer maneira, creio que passaríamos a imagem errada se enviássemos um
representante que estivesse sempre interrompendo os demais ou ganhasse espaço
na base do grito, como ali seria preciso, para ser ouvido. O cético deve ser um
sujeito que só "ganha" na base do debate, e do debate civilizado. Quem prefere
"impor-se" socialmente está pensando mais em ser um "macho alfa" do que em
preservar a racionalidade e a ética que devem guiar nosas ações e servir de modelo
ao público.
EZ: Quais as maiores dificuladades que a STR enfrenta, hoje, na divulgação do
ceticismo e do pensamento racional?
DS: Acho que são as dificuldades inerentes ao ceticismo e que valem para todos
os grupos céticos: a cultura religiosa em que estamos imersos, a falta de ajuda do
sistema educacional e da mídia, a dificuldade de opor pensamento crítico a crença.