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Sobre a Parapsicologiapor Vera Filizzola Este texto é oferecido como um ponto de vista diferente, frisando o ceticismo aberto |
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"A experiência mais bonita que se pode ter é a do misterioso... Aquele para quem esta emoção é uma estranha, quem já não pode pausar para admirar e maravilhar-se, é como se estivesse morto". - Albert Einstein
"Cada cultura humana teve as suas ligações com o "paranormal". Isto está sugerido desde os afrescos das cavernas pleistocênicas da França e da Espanha e, ainda mais anteriormente, nos sítios mortuários Neandertais" - Carl Sagan
Sagan iniciou assim o seu prefácio para o livro "The Encyclopedia of the Paranormal".
Evidentemente, depois relegou estes estudos aos casos patológicos, explicações atribuídas a causas naturais pela ciência de hoje e dos dados que ela arregimentou, descontando-se as fraudes possíveis, ganância por dinheiro fácil ou por um status de importância nas sociedades que se sucederam até a nossa através dos tempos. Porém, no final do seu prefácio, Sagan fez uma menção de relevo e à qual se deve dar atenção:
"Mas, se o paranormal está na "pele" (integuments) de cada uma das culturas humanas, se o paranormal se mostrar como sendo um aspecto onipresente na natureza humana, então, seguramente, é nossa a obrigação de o compreendermos". Carl Sagan (op.cit.Forewords).
Decididamente, sou cética a respeito da metodologia científica usada, até hoje, pela parapsicologia, ou o que dela restou, com algumas variantes criadas hoje por alguns dos centros de pesquisas parapsicológicas mundiais. Na ex-União Soviética, a parapsicologia foi denominada, com mais acerto, de "Psicobiofísica". A União Soviética foi em certa época da Guerra Fria contra os Estados Unidos, o local mais avançado nesta área de pesquisas taxada por muitos de "Ciência de Cinderela", por motivos óbvios. Foi o avanço russo que influenciou a incrementação das experiências ligadas à parapsicologia nos Estados Unidos e à criação da era da "espionagem psíquica" financiada e gerenciada pelas Forças Armadas Americanas.
Hoje em dia, a simples menção da metodologia criada para auferir dados sobre os fenômenos PES (percepção extra-sensorial), diante dos personagens de renome mundial que se submeteram aos métodos da parapsicologia, lhes causa arrepios de repulsa. Todos eles acabaram por abandonar os experimentos e alguns resolveram criar os seus centros de pesquisa sob outras denominações, usando de metodologia científica mais moderna e bem aparelhada nos seus laboratórios e impulsionados pela sua própria intuição, criando métodos mais condizentes para a eclosão da elusiva PES. Foi o caso do sensitivo Robert Monroe e da criação do seu "The Monroe Institute for Applied Sciences".
Tenho um desejo intenso de, um dia, escrever sobre o "martiriológico" impingido aos sensitivos que se submeteram à metodologia então usada pela parapsicologia!
A russa Nina Colagina (psicocinese), a mais famosa entre os "ratos de laboratório" da União Soviética e do mundo inteiro em certa época, foi tratada a "pão de Ló" dentro dos critérios soviéticos. Em compensação, apesar de receber como moradia uma casa aparelhada com todas as comodidades e atenção esmerada por parte das autoridades, uma pesada Cortina de Ferro sempre se abria e fechava ao seu redor obrigando-a ao seguimento de horários rigorosos - hora das refeições, de se deitar, relaxar, trabalhar, repetição dos efeitos de PES que se manifestavam através dela "ad infinitum", hora de receber um pequeno número de seus familiares, etc. Este cotidiano depauperou a sensitiva extraordinária, causando-lhe sérios problemas de saúde e um mundo de infelicidade!
A metodologia usada pela parapsicologia, quando surgiu, é quase que completamente contraproducente para a eclosão de qualquer tipo de PES. Entretanto, este fenômeno que pode fazer parte da pele da humanidade desde o seu surgimento neste planeta, segundo Carl Sagan, compareceu nos laboratórios de pesquisas mundiais, deixando estatísticas irrefutáveis e afirmando-se como autêntico apesar das repetições tediosas e do intragável manuseio do "Baralho Zenner", além de outros tédios e sacrifícios mais.
O grande feito da parapsicologia e dos seus cientistas, J.B. Rhine, nos EUA, Naumov e Leonid Vasilev - Prêmio Nobel - na Rússia, os mais famosos dentre todos e citados em todas as épocas quando se fala sobre a parapsicologia/psicobiofísica, foi o de não deixar dúvidas de que algo ainda desconhecido da ciência acontece a um expressivo número de terrestres ao redor do planeta, independendo de raça, credo ou cor. Algo que não pode ser descrito como "coincidência" (existem os comprovantes estatísticos), causa natural, patologias diversas e outros argumentos usados pela grande maioria dos cientistas de todas as áreas, que ainda seguem o paradigma newtoniano-cartesiano, apesar de Eisntein e da sua Teoria da Relatividade, somada às teorias do grande cientista, matemático e físico alemão Werner Heisenberg haverem destruído há um século o paradigma da objetividade científica e do universo feito de objetos e leis controláveis pertencentes ao paradigma newtoniano-cartesiano.
"O método científico não pode mais tentar ser objetivo e neutro, simplesmente porque essa objetividade e neutralidade são impossíveis".
Há que se fazer um apelo aqui, em nome dos sensitivos. Os fenômenos englobados na PES são elusivos, delicados e caprichosos, necessitam de uma forma de abordagem diferente, nova, criativa, para provocá-los. Geralmente, os fenômenos PES eclodem em situações de relaxamento do "sujet", devaneio, sonho "lúcido", estado de fragilidade física (digo: física e não mental) ou de forma impactuante, quando menos se espera! Um deles - Poltergeist - sugere a existência de outras dimensões ou mundos paralelos.
O que dizer do tédio extremo e dos sacrifícios impostos ao sensitivo, que se queixa dos processos obsoletos e errôneos, usados pela parapsicologia desejosa em compreender os fenômenos PES e definir as suas leis?
Ninguém imagina o sofrimento acarretado para pessoas sérias e honestas, quando se vêem como um joguete de forças que não podem explicar e que, simplesmente, delas tomam conta e fazem-nas reagir, às vezes, de forma incontrolável. Ninguém imagina o sofrimento e constrangimento imposto a estas pessoas, quando dizem o que lhes acontece para o seu médico e familiares e é taxado de desequilibrado, mentiroso, imaginativo, esquizofrênico e no mais das vezes, impingem outras patologias amedrontantes, além da falta de respeito no trato. Isto, "noves fora" as ironias e as ridicularizações sistemáticas que se tornam comuns. Pior ainda são os tratamentos psiquiátricos a eles reservados nos casos de reincidência e que são cruéis: eletrochoques ou choques através de drogas, medicação de tarja preta e... seus efeitos colaterais. Cidadãos prestantes transformam-se em idiotas ou em catatônicos imprestáveis, talvez para sempre!
Há que se dar, porém, uma certa razão aos cientistas céticos. O número de pretensos parapsicólogos e a sua ignorância, aliada à falta de investigação competente, surgiu aos montes como erva daninha no seio da parapsicologia, o que contribuiu intensamente para o descrédito de alguns em relação à legitimidade da PES, ajudando a levar o que poderia tornar-se uma nova e importante ciência para o rol das pseudociências, onde hoje se encontra a parapsicologia. O papel que deveria ser exercido por ela foi ocupado e com excelência pela psicologia transpessoal e pela física moderna, com o peso de cientistas do calibre de um David Bohm, Amit Gioswami, [Linus] Pauling, companheiro de pesquisas do psicólogo Carl G. Jung, este, considerado o inspirador da psicologia transpessoal e Albert Eistein, que encorajou Jung a seguir a sua idéia sobre a sincronicidade, totalmente compatível com a nova maneira de pensar da física (Jung, 1973).
Os fundadores da psicologia transpessoal foram os psicólogos e psiquiatras Abraham Maslow, Anthony Sustich, Roberto Assagioli, Stanislav Grof e outros que fizeram e estão fazendo um bom trabalho de pesquisas e criando novas teorias, na companhia de cientistas de outras áreas científicas e do conhecimento: biólogos, neurocientistas/fisiologistas, antropólogos, sociólogos, mitologistas, filósofos, generalistas como G. Bateson (já falecido), etc.
A base da psicologia transpessoal está cimentada na "consciência" - "A psicologia transpessoal e as suas observações contradizem diretamente a atual idéia sobre consciência enquanto subproduto de processos neurofisiológicos no cérebro". Stanislav Grof - MD - psiquiatra.
Agindo no papel que foi reservado para a parapsicologia, a psicologia transpessoal concorda com a teoria do físico e filósofo David Bohm - A ordem implicada e a ordem explícita - e com o seu "modelo holográfico do cérebro", além das suas próprias conquistas na área do paranormal. O The Monroe Institute for Apllied Sciences, fundado pelo bem sucedido engenheiro e sensitivo Robert Monroe (já falecido) em Faber - Virgínia - USA, chamou a si, também, a verificação profunda dos fenômenos de PES através dos "Estados de Consciência Alterados". Bob Monroe sofrera o seu "martiriológico" com os experimentos laboratoriais levados a efeito pelo Dr. Charles Tart que com ele escreveu um livro - Viagens Fora do Corpo - a sensitividade exibida por Robert Monroe (OOBE - out of body experience).
Resolvido a criar e empregar métodos mais condizentes e humanos de pesquisa da PES, os laboratórios do seu instituto foram aparelhados pela Nasa e durante alguns anos o estabelecimento serviu como orientador e pesquisador dos dons exibidos pelos "espiões psíquicos" das Forças Armadas Americanas, devido à sua seriedade e honestidade de intenção, trabalhos competentes e modernidade da sua aparelhagem. Outro ponto positivo se encontra no staff de cientistas respeitáveis, em várias áreas e pesquisadores gabaritados que orientam e documentam as estatísticas e resultados dos trabalhos arquivados no instituto e à disposição para verificações, criação de hipóteses e teorias, visando auxiliar o pessoal credenciado na área.
O físico, teórico e quântico, Amit Goswami é um outro cientista que resolveu dedicar-se ao estudo da consciência - como origem da PES - do universo e de tudo o que ele contém.
"A antítese do realismo materialista é o idealismo monista. Segundo esta filosofia, a consciência e não a matéria é fundamental. Tanto o universo da matéria quanto o dos fenômenos mentais, como por exemplo o pensamento, são criados pela consciência... A consciência é a realidade única e final". Amit Goswami, PhD.
Brandindo a física quântica como arma, argumento e prova final, Goswami explica a origem da PES e dos seus fenômenos e as experiências transpessoais do self, usando das "hierarquias entrelaçadas", do "princípio de não-localidade" (aplicado à consciência), da "autopoiesis" (auto-criação) de H. Maturana e Francisco Varela (Teoria da Cognição de Santiago-1970) e do"processo mental" de Gregory Bateson, que inaugurou a aurora do "novo pensamento" que serve de escopo, também, para algumas das teorias encontradas na psicologia transpessoal.
Diz Goswami:"Se nenhuma área científica está inteiramente preparada e pronta para revelar os mistérios da consciência, dos seus Estados Alterados e da PES, a física moderna está"!
O que se deduz de tudo o que foi explanado aqui?
Que a parapsicologia perdeu o seu lugar único para a psicologia transpessoal e a física moderna, que hoje lideram esta área com desenvoltura, criando metodologias mais eficientes e condizentes com as pesquisas que se propuseram estudar, sempre aperfeiçoando os seus métodos, para a aquisição do conhecimento científico e das leis que regem uma outra realidade ainda oculta para a ciência oficial, mas que possui poderosos emissários: os fenômenos englobados na PES, agindo na nossa realidade física-material desde a aurora da humanidade.
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Bibliografia:
- The Encyclopedia of the Paranormal - Gordon Stein -PhD - editor
- O Livro das Revelações - Eduardo C. Borgonovi
- O Universo Auto Consciente -Amit Goswami - PhD
- O Jogo Cósmico -Stanislav Grof - MD
- Viagens Fora do Corpo e arquivos: The Monroe Institute for Apllied Sciences -Faber -Virginia - USA