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	<title>Ceticismo Aberto &#187; Paranormal</title>
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	<description>Paranormal e Ufologia sem ofender sua inteligência</description>
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		<title>Explicando o Fantasma da &#8220;Luz de Paulding&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 02:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Paranormal]]></category>
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		<description><![CDATA[“A Luz de Paulding tem sido um mistério na parte norte de Michigan, nos EUA, por mais de 40 anos. Até os dias de hoje ela pode ser vista quase todas as noites! Pessoalmente eu a testemunhei pela primeira vez ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="583" height="425" src="http://www.youtube.com/embed/OBzEs9baq5M" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<blockquote><p>“A Luz de Paulding tem sido um mistério na parte norte de Michigan, nos EUA, por mais de 40 anos. Até os dias de hoje ela pode ser vista quase todas as noites! Pessoalmente eu a testemunhei pela primeira vez em fevereiro de 1999, e para minha surpresa a luz fantasma se moveu em nossa direção flutuando no ar, parecendo-se exatamente com alguém carregando uma lamparina. Enquanto começou a se aproximar, ela desaparecia e iniciava o movimento novamente, cada vez mais rapidamente!”.</p>
</blockquote>
<p>E a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Paulding_Light" target="_blank">Luz de Paulding</a> não é uma fraude.</p>
<p>Seu primeiro registro data de 1966, quando um grupo de jovens relatou a luz para o xerife local. Desde então, a misteriosa luz de fato surge toda a noite no local.</p>
<p>Embora as histórias variem bastante, a lenda mais popular envolve a morte de um maquinista. Diz a lenda que uma linha de trem passava pelo vale, e a luz é a da lanterna do maquinista que morreu tentando impedir que um trem colidisse com vagões parados na linha.</p>
<p>O fato de que nunca houve uma linha férrea no vale é apenas um pequeno detalhe, é claro. Poderiam ser ferrovias fantasmas, quem sabe.</p>
<p>Fato é que o Mistério da Luz de Paulding pode ser rapidamente desvendado simplesmente observando-a através de um telescópio. Como estes estudantes da Universidade Tecnológica de Michigan, liderados por <strong>Jeremy Bos</strong>, mostram:</p>
<p><iframe width="583" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/YKIQ8DpWC_Q" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="http://www.mtu.edu/news/stories/2010/october/story32436.html" target="_blank">As luzes enigmáticas são faróis e lanternas dos carros trafegando na rodovia US-45</a>, que possui um trecho em linha reta naquela exata posição a quase 10 km de distância.</p>
<p>Se você observar o vídeo original mais uma vez, tendo esta solução em mente, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=yOrpPWMUJ_4" target="_blank">pode enxergar</a> como as luzes mais brilhantes são os faróis altos de carros do lado esquerdo, vindo em nossa direção. Quando há carros na direção oposta, do lado direito, os motoristas abaixam os faróis, diminuindo a intensidade da luz branca, e permitindo que vejamos as lanternas vermelhas traseiras dos carros do lado direito da pista.</p>
<p>Como algo tão prosaico pode ter permanecido um mistério por 40 anos? A verdade é que o mistério foi solucionado há muito – como Bos comenta, outra equipe de investigadores na década de 1980 já havia chegado e divulgado a mesma conclusão. Antes disto, outras pessoas que visitassem o local munidas mesmo de um bom binóculo, ou as que simplesmente caminhassem até o final da trilha também já haviam percebido a origem nada fantasmagórica das luzes.</p>
<p>É realmente incomum enxergar luzes de carros a quase 10 km de distância, e a equipe de estudantes sugere que camadas de inversão térmica podem favorecer a observação. Outros fatores também contribuem para o efeito: no ponto de observação, à noite, não há nenhuma outra fonte de iluminação. À medida que as luzes dos carros distantes sobem o pequeno trecho do vale, também alteram seu ângulo bem como, ao alternar entre faróis altos e baixos, podem dar a impressão de se afastar e aproximar subitamente. A distância é superior à capacidade da visão humana de perceber profundidade, de forma que confiando apenas em outros sinais, como a intensidade luminosa, observadores realmente têm a impressão de que as luzes estão se aproximando com grande rapidez.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="marfa lights   Explicando o Fantasma da &ldquo;Luz de Paulding&rdquo;" border="0" alt="marfa lights paranormal fortianismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/09/marfa-lights.jpg" width="500" height="375" /></p>
<p>Exatamente o mesmo efeito, e a mesma explicação – luzes de automóveis a grande distância – também explica o fenômeno mais conhecido das <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marfa_Lights" target="_blank">Luzes de Marfa</a>. Assim como a Luz de Paulding, estas foram repetidamente investigadas e demonstradas como luzes de carros, mas a lenda e o mistério se espalham mais rápido, e de forma mais duradoura, que uma explicação prosaica.</p>
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		<title>Voc&#234; foi Cutucado por Deus</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jun 2011 02:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Paranormal]]></category>
		<category><![CDATA[isaac asimov]]></category>
		<category><![CDATA[james randi]]></category>
		<category><![CDATA[obe]]></category>
		<category><![CDATA[relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo de Daniel Loxton, publicado em Skepticblog Tradução gentilmente autorizada O pioneiro cético Isaac Asimov (um dos fundadores do CSICOP, hoje CSI) produziu uma biblioteca tão impressionante de livros (mais de 500!) que suas múltiplas autobiografias foram apenas pontuações. Eu ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="touched by his noodly appendage   Voc&ecirc; foi Cutucado por Deus" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/touched_by_his_noodly_appendage.jpg" border="0" alt="touched by his noodly appendage paranormal destaques ceticismo " width="600" height="307" /></p>
<p>Artigo de <strong>Daniel Loxton</strong>, publicado em <a href="http://skepticblog.org/2011/06/07/you-have-been-poked-by-god/" target="_blank"><em>Skepticblog</em></a><br />
Tradução gentilmente autorizada</p>
<p>O pioneiro cético <strong>Isaac Asimov</strong> (um dos fundadores do <a href="http://www.csicop.org/about/about_csi" target="_blank"><em>CSICOP</em></a>, hoje <em>CSI</em>) produziu uma biblioteca tão impressionante de livros (<a href="http://www.asimovonline.com/oldsite/asimov_catalogue.html" target="_blank">mais de 500!</a>) que suas múltiplas autobiografias foram apenas pontuações. Eu tenho três autobiografias de Asimov na biblioteca <em><a href="http://www.skeptic.com/junior_skeptic/" target="_blank">Junior Skeptic</a></em>. Às vezes, apenas por diversão, pego uma ao acaso, abro-a e leio as primeiras duas páginas que vejo à minha frente. Toda vez que faço isso, sem falta:</p>
<ol>
<li>leio algo engraçado;</li>
<li>aprendo algo interessante e;</li>
<li>sinto um post no blog surgindo pronto em minha cabeça.</li>
</ol>
<p>Isto certamente aconteceu quando li a história de Asimov de sua experiência pessoal com a premonição psíquica ou a intervenção divina – na forma de um literal cutucão no ombro.[1]</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/055356997X?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=055356997" target="_blank"><img style="background-image: none; margin: 0px 0px 0px 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: right; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Asimov Cover2   Voc&ecirc; foi Cutucado por Deus" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Asimov-Cover2.jpg" border="0" alt="Asimov Cover2 paranormal destaques ceticismo " width="220" height="360" align="right" /></a>Como contado em <em><a href="http://www.amazon.com/gp/product/055356997X?ie=UTF8&amp;tag=skepticblog04-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=055356997" target="_blank">I. Asimov</a></em> [um trocadilho entre a abreviatura de seu nome e “<em>Eu. Asimov</em>” em inglês], a história tomou lugar em uma tarde de 1990. Asimov estava dormindo em um leito privado de hospital (onde estava sendo tratado por sérios problemas cardíacos). Sua esposa <strong>Janet</strong> havia voltado para casa para alguns afazeres domésticos, deixando Asimov sozinho em seu quarto trancado.</p>
<p>Então algo estranho aconteceu. Asimov recordou: “<em>Eu estava dormindo e então um dedo me cutucou. Eu acordei, é claro, e olhei assustado para ver o que havia me acordado e por que motivo</em>”.</p>
<p>Ele examinou o quarto bem claro, iluminado pelo Sol. Estava vazio. A porta estava trancada e com correntes. O banheiro estava vazio. Não havia ninguém no armário. Era um verdadeiro mistério intrigante, envolvendo um quarto trancado, muito parecido com aqueles sobre o qual ele comumente escrevia. Sua mente se apressou sozinha a chegar a uma solução:</p>
<blockquote><p>“Por mais racionalista que seja, não havia forma pela qual pudesse evitar pensar que alguma influência sobrenatural havia interferido para me dizer que algo havia acontecido com Janet (naturalmente, meu maior medo). Eu hesitei por um momento, tentando combater a ideia, e se envolvesse qualquer outra pessoa que não Janet, eu realmente teria deixado a ideia de lado. Mas eu liguei para ela”.</p></blockquote>
<p>Felizmente, sua esposa atendeu prontamente. Ela estava bem.</p>
<blockquote><p>“Aliviado, eu desliguei o telefone e parei para considerar o problema de quem ou o que havia me cutucado. Teria sido apenas um sonho acordado, uma alucinação? Talvez, mas pareceu absolutamente real”.</p></blockquote>
<p>Ao final, ele descobriu o que havia acontecido: envolvido em seus próprios braços, Asimov havia conseguido cutucar <em>a si mesmo</em> no ombro. Mistério solucionado.</p>
<p>Mas imagine, ele refletiu, que as coisas tivessem se desenrolado de outra forma.</p>
<blockquote><p>“Agora suponha que no exato momento em que me cutuquei, Janet, por alguma coincidência absolutamente sem significado, tivesse tropeçado e machucado seu joelho. E suponha que eu tivesse ligado e ela houvesse reclamado e dito, ‘Eu acabei de me machucar’.</p>
<p>Teria eu resistido ao pensamento de uma interferência sobrenatural? Eu espero que sim. No entanto, não posso estar seguro. É o mundo em que vivemos. Corromperia os mais fortes, e não imagino que eu seja o mais forte”.</p></blockquote>
<h3>A Persuasão da Experiência Pessoal</h3>
<p>É fácil ver como a experiência visceralmente convincente de Asimov poderia tê-lo persuadido, e Asimov foi honesto o suficiente para admiti-lo. Afinal, aconteceu durante uma doença ameaçadora, próxima do final de sua vida, em uma época em que ele estava obcecado com a morte. (Em uma nota relacionada porém mais leve, Asimov teve um sonho ao redor dessa época em que ele chegou, surpreso, no Céu. Depois de discutir com um anjo que o saudou a respeito de haver um engano em permitir a entrada de um velho ateu, Asimov ‘<em>pensou por um momento e então se voltou ao anjo escrivão e perguntou: ‘Há alguma máquina de escrever por aqui que eu possa usar?’</em>’[2]).</p>
<p>Eventos como a premonição de Asimov são uma força inexorável a favor da crença sobrenatural: humanos são facilmente confundidos, e se agarram facilmente a explicações sobrenaturais; experiências deste tipo são imensamente poderosas; e as implicações das crenças sobrenaturais podem ser muito, muito sedutoras. É muita coisa para resistir.</p>
<p>Como Asimov perguntou em uma [edição da revista] <em>Skeptical Inquirer</em> em 1986:</p>
<blockquote><p>“Você gosta de ideia de morrer, ou de que alguém que você ame morra? Você pode culpar alguém por convencer-se de que há algo como uma vida eterna e que essa pessoa verá todos aqueles que ama em um estado de felicidade perpétua?</p>
<p>Você se sente confortável com as incertezas diárias da vida, sem nunca saber o que o próximo momento trará? Você pode culpar alguém por convencer-se de que pode alertar e se precaver contra estas incertezas ao ver o futuro através da configuração das posições planetárias, ou da disposição de cartas de baralho, o padrão de folhas de chá ou eventos em sonhos?” [3]</p></blockquote>
<p>Isaac Asimov era um cético, um racionalista, um cientista por formação (sem mencionar “<em>o maior educador de ciência de nosso tempo, e talvez de todos os tempos</em>”, como foi saudado pelo editor da <em>Skeptical Inquirer</em>, <strong>Kendrick Frazier </strong>[4]). Ainda assim, um engano trivial o levou muito perto da fronteira da crença sobrenatural – tão próximo que ele <em>tomou uma atitude</em> levado por esta crença. Apenas para estar seguro.</p>
<p>A história de Asimov não é incomum, mesmo entre céticos. Por exemplo, <strong>James Randi</strong> (outro dos fundadores do CSICOP) uma vez acordou e descobriu-se flutuando no teto, olhando para baixo e vendo seu corpo, dormindo em sua cama. Esta experiência deixou Randi não apenas impressionado, como convencido. Foi, ele disse, “<em>uma experiência muito forte para mim. Eu realmente acreditei, pela evidência apresentada a mim, que havia tido uma experiência fora do corpo que se ajustava à descrição que ouvimos tantas vezes</em>”. No entanto, depois lhe foi  mostrada evidência clara de que seu vôo astral não poderia ter ocorrido literalmente, mas deve ter sido ao invés um sonho ou alucinação. Durante sua experiência fora do corpo, Randi interagiu com sua gata Alice enquanto ela estava deitada sobre o lençol de cor <em>chartreuse</em>. Depois lhe foi mostrado que a gata estava trancada do lado de fora, e o lençol chartreuse estava na lavanderia – não em sua cama. [5] Sem o acaso de que elementos físicos não combinavam com sua experiência, “<em>eu teria agora que dizer a vocês que, até onde sabia, havia tido uma experiência fora-do-corpo</em>”. Mas e quanto àqueles que viveram um episódio assim sem o benefício da experiência investigativa de Randi – ou seu golpe de sorte [com a gata]? “<em>Se não tiverem uma evidência convincente do contrário</em>”, Randi refletiu, “<em>o que os impedirá de dizer ‘Estou absolutamente seguro de que tive uma experiência extra-corpórea’? … Por favor, considere isto cuidadosamente, e não se esqueça, porque é um bom exemplo de que mesmo um arqui-cético poderia ter sucumbido</em>”.</p>
<p>Muito de meu próprio trabalho <a href="http://skepticblog.org/2010/07/26/the-reasonableness-of-weird-things/" target="_blank">enfatiza</a> o mesmo ponto: é compreensível que tantas pessoas boas e inteligentes acreditem em coisas estranhas. De fato, é mais que compreensível; é comumente <em>razoável</em>. Para muitas pessoas em muitas situações, o paranormal <em>é a melhor explicação que têm para os fatos à sua frente</em>.</p>
<p>E quando esses fatos incluem experiências diretas e pessoais que parecem inexplicáveis… Bem, as palavras de Asimov se aplicam a mim também:</p>
<p>“<em>Corromperia os mais fortes, e não imagino que eu seja o mais forte</em>”.</p>
<p>Nem de longe.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<ol>
<li>Asimov, Isaac. <em>I. Asimov.</em> (Bantam: New York, 1994.) p. 14</li>
<li>ibid. p. 337 – 338</li>
<li>Asimov, Isaac. “The Perennial Fringe.” <em>Skeptical Inquirer.</em> Vol. 10. Spring, 1986. p. 212</li>
<li>Frazier, Kendrick. “A Celebration of Isaac Asimov: A Man for the Universe.” <em>Skeptical Inquirer.</em> Vol. 17. Fall 1992. p. 30</li>
<li>Randi, James. “A Report from the Paranormal Trenches.” <a href="http://www.skeptic.com/productlink/magv01n1" target="_blank">Skeptic magazine. Vol. 1, No. 1. 1992.</a> p. 25. Transcrito de uma palestra dada na Caltech em 12 de April de 1992.</li>
</ol>
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		<title>A Neurologia das Experi&#234;ncias de Quase Morte</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 20:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo de Alex Likerman, publicado em Happiness in this World Traduzido por colaboração de Rodrigo Véras e André Rabelo Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (EQM), mas recentemente me deparei com um ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="astral projection   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="astral projection paranormal ciencia ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/astral-projection.jpg" width="600" height="400" /></p>
<p align="right">Artigo de <strong>Alex Likerman</strong>, publicado em <em><a href="http://www.happinessinthisworld.com/2011/05/15/the-neurology-of-near-death-experiences/" target="_blank">Happiness in this World</a></em>    <br />Traduzido por colaboração de <a href="http://calmariatempestade.wordpress.com/" target="_blank">Rodrigo Véras</a> e <a href="http://cienciaumavelanoescuro.haaan.com/" target="_blank">André Rabelo</a></p>
<p>Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (<a href="http://www.neardeath.woerlee.org/" target="_blank">EQM</a>), mas recentemente me deparei com um livro fascinante chamado <em>O Portal Espiritual no Cérebro </em>(<a href="http://us.penguingroup.com/nf/Book/BookDisplay/0,,9780525951889,00.html?The_Spiritual_Doorway_in_the_Brain_Kevin_Nelson" target="_blank"><em>The Spiritual Doorway in the Brain</em></a><em>)</em> de <a href="http://www.psychologytoday.com/blog/the-spiritual-doorway-in-the-brain" target="_blank"><strong>Kevin Nelson</strong></a>, que relata que cerca de 18 milhões de americanos podem ter tido uma. Se for verdade<strong>, </strong>é provável não apenas que alguns dos meus pacientes estejam entre eles, mas também alguns dos meus amigos. O que me levou a pensar: o que exatamente a ciência tem a nos dizer sobre a sua causa?</p>
<p>Que <a href="http://www.susanblackmore.co.uk/Chapters/ShermerNDE.htm" target="_blank">EQMs</a> acontecem não está em disputa. A sequência e os tipos de eventos dos quais elas são compostas são suficientemente similares entre as pessoas que as relatam de tal forma que EQMs poderiam ser consideradas como algum tipo de síndrome, semelhante a uma doença sem causa conhecida. Mas apenas porque milhões de pessoas já viveram EQMs, isso não significa que a explicação mais comumente aceita para elas – que almas deixam os corpos e encontram deus ou alguma outra evidência de vida após a morte – esteja correta.</p>
<p>Afinal de contas, as pessoas interpretam erroneamente as suas experiências o tempo todo (uma ilusão ótica representando o exemplo mais básico). Sem dúvida, muitas pessoas que relatam EQMs são profundamente afetadas por elas<strong>, </strong>mas, geralmente,<strong> </strong>mais <strong></strong>como um resultado de suas interpretações das experiências (i.e., “a vida após a morte é real”) do que como resultado da experiência em si. Acontece que um número de observações reproduzíveis combinado com uma pitada de conjecturas gerou uma explicação neurológica inteiramente plausível para todos os casos de experiências que incluam EQM.</p>
<p>Em seu livro, Nelson comenta que normalmente 20% do fluxo sanguíneo é direcionado para o cérebro, mas que este fluxo pode abaixar para 6% antes de ficarmos inconscientes (e mesmo nesse nível, nenhum dano permanente será causado). Nelson ainda observa que quando nossa pressão sanguínea diminui demais e desmaiamos, o nervo vago (um longo nervo que se conecta com o coração) <strong></strong>desloca a consciência para o sono REM – mas não totalmente em algumas pessoas. Um número de sujeitos parece ser suscetível ao que ele chama de “intromissão REM”.</p>
<p>A intromissão REM ocorre tipicamente, quando ocorre, na transição da vigília para o sono. Nelson descobriu em sua pesquisa que o funcionamento do mecanismo que alterna as pessoas entre o sono REM e a vigília tendeu a ser diferente naquelas que relataram EQMs. Nessas pessoas, ele descobriu que a mudança era mais propensa a “fragmentar e misturar” esses dois estados de consciência (o controle do nosso estado de consciência é localizado no nosso tronco cerebral<strong> </strong>e é precisamente regulado), fazendo com que essas pessoas exibam simultaneamente características de ambos. Durante a intromissão REM, as pessoas se viram paralisadas (“<a href="http://psychology.uwaterloo.ca/~acheyne/" target="_blank"><em>paralisia do sono</em></a>”), totalmente despertas, mas experimentando luzes, sensações fora do corpo e narrativas surpreendentemente vívidas. Durante o sono REM, muitos dos centros de prazer do cérebro são estimulados também (animais que tiveram suas regiões REM danificadas perderam todo o interesse em comida e até em morfina), o que pode explicar os sentimentos de paz e unicidade também relatados durante EQMs.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="centrifuge blackout   A Neurologia das Experi&ecirc;ncias de Quase Morte" border="0" alt="centrifuge blackout paranormal ciencia ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/centrifuge_blackout.jpg" width="600" height="200" /></p>
<p>A neurofisiologia também pode explicar o sentimento de estar se movendo através de um túnel, tão regularmente mencionado em EQMs. É bem sabido que pessoas experimentam uma “visão de túnel” imediatamente antes de desmaiar. Experimentos com pilotos <strong></strong>girados<strong> </strong>em centrífugas gigantes têm reproduzido o fenômeno de visão de túnel, aumentando as forças G e diminuindo o fluxo sanguineo em suas retinas (a periferia da retina é mais suscetível a quedas na pressão sanguínea do que o seu centro, de tal forma que o campo de visão parece comprimido, fazendo cenas parecerem vistas dentro de um túnel). Quando óculos especiais que geram sucção foram colocados nos olhos dos pilotos para neutralizar o efeito de queda da pressão sanguínea da centrífuga, os pilotos perderam a consciência sem desenvolver o efeito da visão de túnel – provando que a experiência da visão de túnel é causada por uma redução no fluxo sanguineo dos olhos.</p>
<p>Talvez o aspecto mais intrigante das EQMs seja o quão costumeiramente elas estão associadas com experiências fora do corpo. Isso também, entretanto, trata-se de uma ilusão. Evidências de que experiências fora do corpo nada têm a ver com almas deixando corpos podem ser encontradas na observação de que elas também têm sido relatadas por pessoas acordando do sono, recuperando-se de anestesia, enquanto estão desmaiando, durante convulsões, durante enxaquecas e quando estão em altas altitudes (não há razão para pensar que as almas das pessoas estão deixando seus corpos durante nenhuma dessas situações não ameaçadoras para a vida).</p>
<p>Mas as evidências mais fascinantes de que experiências fora do corpo são fenômenos neurológicos vêm dos estudos feitos inicialmente na década de 1950 por um neurocirurgião chamado <a href="http://www.psych.ualberta.ca/GCPWS/Penfield/Tour.html" target="_blank"><strong>Penfield</strong></a>. Ele estava interessado em compreender como poderia distinguir tecidos cerebrais normais de tumores cerebrais ou<strong> </strong>“cicatrizes” que eram responsáveis por causar convulsões. Ele estimulou os cérebros de centenas de pacientes conscientes no esforço de mapear o córtex cerebral e entender aonde em nossos cérebros nosso corpo físico é representado.</p>
<p>Um paciente sofria de danos no lobo temporal e quando Penfield estimulou a região temporoparietal do seu cérebro, ele relatou ter deixado o seu corpo. Quando a estimulação parou, ele “voltou”, e quando Penfield estimulou a região temporoparietal de novo, ele deixou o seu corpo mais uma vez. Penfield também descobriu quando variava a corrente e a localização do estímulo, podia fazer os membros do seu paciente parecerem<strong> </strong>encurtados ou produzir uma cópia de seu corpo que existia ao seu lado!</p>
<p>Em o <em>Cérebro Contador de Histórias </em>(<em><a href="http://books.wwnorton.com/books/detail.aspx?ID=17227" target="_blank">The Tell-tale Brain</a></em>)<strong>, </strong><a href="http://cbc.ucsd.edu/ramabio.html" target="_blank"><strong>V. S. Ramachandran</strong></a> descreve um paciente que teve um tumor removido da sua região frontoparietal direita e desenvolveu um “gêmeo fantasma” ligado ao lado esquerdo do seu corpo. Quando Ramachandran colocou água fria no seu ouvido (um procedimento conhecido como teste calórico de água fria, o qual estimula o sistema de equilíbrio do cérebro, conhecido por ter conexões com a região frontoparietal), o gêmeo do paciente se afogou, movimentou-se e mudou de posições.</p>
<p>Neurologistas têm reconhecido desde então que a região temporoparietal do cérebro é responsável por manter a representação de nossos esquemas corporais. Quando uma corrente externa é aplicada nessa região, ela para de funcionar normalmente e nossa <em></em>representação<strong><em> </em></strong>do corpo “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364661303000275" target="_blank">flutua</a>”. Outras evidências de que esse fenômeno é uma ilusão vêm de experimentos nos quais as pessoas que tiveram experiências fora do corpo enquanto passavam do sono para a vigília eram incapazes de identificar objetos colocados no quarto depois que adormeciam, sugerindo fortemente que a imagem que viram deles mesmos dormindo nas suas camas era reconstruída em sua memória. Embora não exista ainda nenhuma evidência de que níveis baixos de oxigênio no sangue causem disfunção da região temperoparietal da mesma forma que uma corrente aplicada, esta permanece como uma hipótese testável e a explicação mais provável.</p>
<p>Em suma, embora longe de estar provada como uma explicação para o que realmente explica as EQMs, a hipótese da intromissão REM tem mais evidências para corroborá-la do que a idéia de que nós realmente deixamos nossos corpos quando a morte está à espreita.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><strong>Mais informações sobre experiências de quase morte:</strong></p>
<ul>
<li>Keith Augustine (2008) &#8211; <a href="http://www.infidels.org/library/modern/keith_augustine/HNDEs.html" target="_blank">Experiências alucinatórias de quase morte</a> </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/page-26369.html" target="_blank">Página de Olaf Blanke</a>, grande pesquisador da área </li>
<li><a href="http://lnco.epfl.ch/media" target="_blank">Vídeos do Laboratório de Neurociência Cognitiva (LNCO)</a> </li>
<li><a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">Página de Al Cheyne</a>, grande pesquisador da área </li>
<li>Artigos disponíveis de Al Cheyne sobre <a href="http://www.psychology.uwaterloo.ca/people/faculty/acheyne/index.html" target="_blank">paralisia do sono</a> </li>
</ul>
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		<item>
		<title>&#8220;Mas comigo funciona!&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Mar 2011 22:36:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Texto de J.M. Hernández, publicado em La Ciencia y sus Demonios Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Jorge Jarufe Roberto é uma pessoa normal, gosta de praticar esporte e de viajar. Compartilha muito tempo e inúmeras aventuras com Paulo, seu amigo ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="placebo    &ldquo;Mas comigo funciona!&rdquo;" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/placebo_.jpg" border="0" alt="placebo  paranormal destaques ceticismo " width="600" height="325" /></p>
<p>Texto de <strong>J.M. Hernández</strong>, publicado em <em><a href="http://cnho.wordpress.com/2009/11/23/%C2%A1pues-a-mi-me-funciona/" target="_blank">La Ciencia y sus Demonios</a></em><br />
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de <strong>Jorge Jarufe</strong></p>
<p><strong>Roberto</strong> é uma pessoa normal, gosta de praticar esporte e de viajar. Compartilha muito tempo e inúmeras aventuras com <strong>Paulo</strong>, seu amigo de infância. Além dos muitos anos de amizade, também estão unidos por hobbies e gostos muito parecidos.</p>
<p>No entanto, existe uma grande diferença entre ambos: Roberto tem muito azar. Sem ir muito longe, outro dia eles compraram umas bugigangas para melhorar o equilíbrio na prática de um dos esportes que lhes apaixonam: o surf. Umas pequenas pulseiras que segundo o fabricante lhes permitiria melhorar seu estilo. De fato, Paulo notou uma considerável diferença desde o primeiro dia, que foi apreciável aos olhos de todo mundo. Roberto continuou com seu surf de sempre, perdendo os 85 Reais investidos.</p>
<p>Não é a primeira vez que acontece algo assim. Há um par de anos, Paulo encontrou uma solução para outro problema que os dois têm: passar mal em barco. Sendo grandes apaixonados pelos esportes náuticos, as náuseas eram um inconveniente para os dois há anos. Paulo soube de um segredo para evitar a moléstia: cobrir o umbigo com um pedaço de esparadrapo. O truque não tem nenhuma justificativa, mas desde então, Paulo não passa mal, enquanto que Roberto continua esvaziando o estômago pela borda na primeira onda que sacode a embarcação.</p>
<p>O mesmo aconteceu com aquele caríssimo tratamento floral quando estiveram na Tailândia, com aquele remédio homeopático para evitar o jet-lag e até com o ionizador que ambos compraram para melhorar o sono. Paulo sempre amortiza o investido; Roberto não faz mais que jogar dinheiro fora.</p>
<p>Logicamente, o coitado do Roberto começa a ficar chateado. Nunca acreditou em má sorte, mas está cada vez mais convencido de que apesar do seu ceticismo, alguma coisa deve existir e o atingiu em cheio.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="hipnosis   &ldquo;Mas comigo funciona!&rdquo;" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/hipnosis.jpg" border="0" alt="hipnosis paranormal destaques ceticismo " width="308" height="356" /></p>
<h4>Sugestão e sugestionabilidade</h4>
<p>O caso de Roberto e Paulo, contudo, não é nada excepcional. Roberto é uma pessoa a quem a psicologia qualificaria como pouco sugestionável, enquanto Paulo apresenta uma alta sugestionabilidade. Todos somos sugestionáveis, em maior ou menor medida, e muitos de nós o temos comprovado em múltiplas ocasiões: quem nunca se sentiu mal após ler uma relação de sintomas de determinada doença? Quem não teve nunca um amuleto que levava a provas ou em viagens e que lhe fazia sentir-se mais seguro?.</p>
<p>Os efeitos da sugestão são conhecidos há séculos, tendo-se constatado em inumeráveis momentos e sendo levados em conta desde muito pela prática médica. Está comprovado que quando se diz a uma pessoa que vai lhe ser dado um remédio para sua doença, numa porcentagem significativa dos casos a pessoa melhora, ainda que lhe seja dada apenas água com açúcar sem poder de cura algum. Isso é conhecido como “efeito placebo”, e ainda que só agora estejamos começando a compreender seu funcionamento (Benedetti et al., 2005; Zubieta et al., 2005), sua existência está tão comprovada que sempre é considerada nos ensaios clínicos para provar qualquer medicamento.</p>
<p>Mas a sugestão ou efeito placebo não se limita às doenças. Também se apresenta uma alta sugestionabilidade diante de acontecimentos da vida cotidiana, influenciando aspectos tão variados como nossa auto-estima, relações sociais, percepção, imaginação ou estados emocionais (González &amp; Miguel, 1999).</p>
<p>O que nos provoca a sugestão? A resposta a essa pergunta não é simples: desde estímulos externos (algo muito utilizado na publicidade subliminar ou nas técnicas de seitas), até o que em psicologia se conhece como “auto-sugestão”, produzida por estados ou processos próprios. Isso faz com que diante de uma determinada prova, estejamos sujeitos tanto à influência do entorno (experimentador, decoração, sons..) como a nosso próprio estado de ânimo e convicções. Isso é bem sabido por muitas terapias alternativas e outras disciplinas pseudo-científicas, que começam assegurando que “é necessário acreditar” para que o tratamento funcione.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Ensaios clínicos e protocolos experimentais: como evitar o efeito placebo e outros desvios</h4>
<p>Além do que foi comentado, um aspecto importante é a existência de possíveis causas alheias ao processo que estamos investigando e que o influenciam, o que pode nos levar a conclusões erradas. Por exemplo, uma pessoa pode morrer de infarto após usar um determinado medicamento; mas, as causas do infarto podem não estar relacionadas com o remédio e ambos acontecimentos podem ter coincidido por acaso.</p>
<p>Devido a esse tipo de situações, quando testamos algum produto em uma população de estudo, costumamos dividi-la em dois grupos: um primeiro grupo recebe o tratamento, enquanto que um segundo grupo -chamado grupo de controle- não recebe nada. Os resultados são registrados em ambos grupos e comparados entre si, para conferir se um possível efeito pode ser aleatório ou devido a outras causas externas.</p>
<p>Agora, tal como comentávamos antes, o efeito da sugestão própria ou provocada deve ser tomado em consideração na hora de realizar um procedimento experimental, seja este o teste de um medicamento ou qualquer outro fenômeno e a utilização de um grupo de controle. Isto devido ao já mencionado efeito placebo, que provoca melhores resultados se o sujeito sabe em que consiste o teste que vai ser realizado nele.</p>
<p>Por outro lado, o próprio pesquisador pode mostrar um desvio inconsciente, que o inclina a ver os resultados mais favoráveis a sua idéia preconcebida e tender a desprezar o minimizar as contradições. Tem sido demonstrado em numerosas ocasiões que sem intenção de manipular os dados, tendemos a “adaptá-los” a nossas idéias preconcebidas.</p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="w5449skl   &ldquo;Mas comigo funciona!&rdquo;" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/w5449skl.gif" border="0" alt="w5449skl paranormal destaques ceticismo " width="599" height="460" /><br />
Desvio de amostra em uma pesquisa sobre o tamanho de peixes</span></p>
<p>Por isso, os protocolos mais rigorosos para projetar testes experimentais incluem o que se denomina “método duplo cego”. Neles, administra-se o tratamento real ao grupo experimental, enquanto que se administra algo similar e indistinguível ao grupo de controle, mas que não produz nenhum efeito. Desta maneira, um individuo não sabe se está sendo tratado com o principio ativo ou simplesmente com um placebo. O experimentador tampouco sabe se está administrando ou registrando resultados de um sujeito tratado com o produto real ou com um placebo, desta forma se elimina também a influência ou desvio do investigador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>A estatística como instrumento de avaliação de resultados</h4>
<p>Suponhamos que após administrar um determinado tratamento em 100 pessoas, medimos resultados positivos em três delas, enquanto que no grupo de controle, ao que foi administrado um placebo, temos um caso de melhoria entre 100. Isso significa que o tratamento é efetivo ou tanto os três positivos do primeiro grupo como os do de controle são mero acaso? E se os resultados são 30 êxitos no primeiro grupo e 10 no segundo?</p>
<p>É muito difícil, para não dizer temerário, nos aventurarmos a estabelecer uma conclusão sobre a efetividade de um mecanismo quando as taxas de êxito não são claramente majoritárias. Afortunadamente, foram desenvolvidos métodos para poder analisar se os números são significativos ou se não podem ser diferenciados do mero acaso.</p>
<p>Por isso, qualquer estudo que consista em medir os efeitos de determinado fenômeno sobre una população experimental deve incorporar as análises estatísticas necessárias que nos levem a concluir se podemos considerar um acontecimento acima do que caberia esperar do acaso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Um problema a mais: a correlação</h4>
<p>Como se todo o mencionado até agora já não fosse dificuldade suficiente, existe um fenômeno denominado correlação de variáveis que pode mimetizar os resultados de um experimento.</p>
<p>Utilizando a redução ao absurdo como exemplo ilustrativo, suponhamos que desejamos saber se os analfabetos compreendem a Teoria da Relatividade com maior dificuldade do que pessoas com estudos de primeiro grau. Para isso, estabelecemos dois grupos: um de analfabetos e outro que concluiu o ensino básico. A ambos entregamos um livro de divulgação sobre a Relatividade e damos uma semana de tempo para que o leiam. Depois, entrevistamos pessoalmente todos os sujeitos de ambos grupos perguntando cinco conceitos básicos de física relativista. Os resultados obtidos dizem que a taxa de acertos em analfabetos é inferior a 5% enquanto que no outro grupo aproxima-se de 50% .</p>
<p>Concluiríamos, apesar de que estatisticamente fosse significativa a diferença, que as pessoas que não sabem ler têm muito mais dificuldade para compreender os conceitos básicos de Relatividade? Obviamente, isso seria uma conclusão equivocada, dado que nenhum daqueles no grupo de analfabetos pode ler o livro. O que na realidade comprovamos é óbvio: os analfabetos não sabem ler e os que finalizaram o ensino básico sim.</p>
<p>Obviamente, sem tanto exagero como no exemplo, este fenômeno acontece muitas vezes na natureza: projetamos um experimento que na realidade está medindo uma variável diferente, ainda que relacionada àquela que queremos estudar.</p>
<p><span style="font-size: xx-small;"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="image3   &ldquo;Mas comigo funciona!&rdquo;" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/image3.gif" border="0" alt="image3 paranormal destaques ceticismo " width="533" height="370" /><br />
Correlação entre peso corporal e freqüência cardíaca máxima, mínima e a media da população estudada (López-Fontana et.al, 2005). </span></p>
<p>Poderíamos apontar muitos casos similares, mas mencionaremos alguns dos mais conhecidos:</p>
<ul>
<li>Existe uma elevada correlação positiva e significativa entre as vendas anuais de chiclete e a incidência de crimes nos Estados Unidos da América. (Obviamente, não é correto concluir que proibindo a venda de chiclete se poderia reduzir o crime, pois ambas variáveis dependem de uma terceira: o tamanho da população analisada).</li>
<li>Estatisticamente, pessoas destras vivem mais anos do que as canhotas. (Não corra para aprender a usar a mão direita, a explicação é que as estatísticas também provam que a maior parte dos canhotos são jovens, isso porque antigamente nas escolas obrigavam os canhotos a aprender a usar a mão direita).</li>
<li>Tem-se documentado uma correlação positiva e significativa entre o índice de divórcios de um país e suas importações de bananas (aqui preferimos não fazer observações).</li>
</ul>
<p>Podemos ver que ainda que um teste nos demonstre que duas variáveis estão relacionadas, não tem sentido concluir que também tenha que existir una relação causa-efeito entre ambas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>O caso contrário: como aproveitar a sugestão, os desvios e as correlações</h4>
<p>Diz um ditado popular espanhol: “Feita a lei, feita a cilada”. Porque as limitações da experimentação são amplamente utilizadas por trapaceiros, pseudocientistas e charlatões de todas as categorias.</p>
<p>Terminemos com um último exemplo: suponhamos que queremos estudar a influência de uma pulseira holográfica no equilíbrio do corpo humano. Bastaria provar em um grupo com 10 amigos, dos quais 5 percebem efeitos e outros 5, não? Ou inclusive na que os dez resultam positivamente beneficiados? Não podemos estar seguros de que os resultados devam-se ao treinamento, sugestão ou a qualquer outra causa desconhecida.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="powerbalance rubens barrichello   &ldquo;Mas comigo funciona!&rdquo;" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/03/powerbalance_rubens_barrichello.jpg" border="0" alt="powerbalance rubens barrichello paranormal destaques ceticismo " width="600" height="400" /></p>
<p>O teste ótimo seria convocar um grupo com 300 amigos. Sem que ninguém saiba, a 150 deles se coloca o holograma num dos bolsos, e aos outros uma simples chapa do mesmo material sem gravações. Faz-se a prova aduzindo tratar-se de uma nova e divertida brincadeira, sem que quem anota os resultados saiba quem leva o holograma e quem tem a chapinha vazia. A continuação, analisam-se se as diferenças entre ambos grupos &#8211; no caso de existirem &#8211; são estatisticamente significativas ou não.</p>
<p>Parece complicado demais? Sinceramente, pensemos se não é mais complicado gastar dinheiro ou brincar com a nossa própria saúde com base em quatro testemunhas e a alguns “protocolos” que são completamente inadequados?</p>
<p>* * *</p>
<h4>Referências</h4>
<ul>
<li>Benedetti, F., Helen S. Mayberg, Tor D. Wager, Christian S. Stohler, &amp; Jon-Kar Zubieta. 2005. <a href="http://www.jneurosci.org/cgi/content/full/25/45/10390?maxtoshow=&amp;HITS=10&amp;hits=10&amp;RESULTFORMAT=1&amp;author1=Zubieta&amp;andorexacttitle=and&amp;andorexacttitleabs=and&amp;andorexactfulltext=and&amp;searchid=1&amp;FIRSTINDEX=0&amp;sortspec=relevance&amp;volume=25&amp;fdate=8/1/2005&amp;resourcetype=HWCIT">Neurobiological Mechanisms of the Placebo Effect</a>. <em>J.</em> <em>Neuroscience. 25: 10390-10402</em>.</li>
</ul>
<ul>
<li>González, H. &amp; J.J. Miguel. 1999. <a href="http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/167/16715105.pdf">Características de la sugestionabilidad y su relación con otras variables psicológicas</a>. <em>Anales de Psicología. 15(1): 57-75</em>.</li>
</ul>
<ul>
<li>López-Fontana, CM, MA Martínez-González, A. Sanchez-Villegas y JA Martínez. 2005. <a href="http://www.alanrevista.org/ediciones/2005-3/actividad_fisica_mujeres_obesas_acelerometria_cuestionario.asp">Comparación de la estimación de la actividad física en una población de mujeres obesas por acelerometría y con cuestionario</a>. <em>Arch. Latin.Nutr. 55(3)</em>.</li>
</ul>
<ul>
<li>Morales, G. &amp; L.M. Gallego. 2004. <a href="http://www.cop.es/colegiados/B-00722/evaluacion%20sugestionabilidad.htm">Evaluación de la sugestionabilidad</a>. <em>Psiquiatria.com. Recurso online. Última visita: 21/11/2009</em>.</li>
</ul>
<ul>
<li>Zubieta, J.K., Joshua A. Bueller, Lisa R. Jackson, David J. Scott, Yanjun Xu, Robert A. Koeppe, Thomas E. Nichols, and Christian S. Stohler. 2005. <a href="http://www.jneurosci.org/cgi/content/full/25/34/7754?maxtoshow=&amp;HITS=10&amp;hits=10&amp;RESULTFORMAT=1&amp;author1=Zubieta&amp;andorexacttitle=and&amp;andorexacttitleabs=and&amp;andorexactfulltext=and&amp;searchid=1&amp;FIRSTINDEX=0&amp;sortspec=relevance&amp;volume=25&amp;fdate=8/1/2005&amp;resourcetype=HWCIT">Placebo Effects Mediated by Endogenous Opioid Activity on µ-Opioid Receptors</a>. <em>J. Neuroscience. 25: 7754-7762</em>.</li>
</ul>
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		<title>Um milagre oficialmente reconhecido &#233; mesmo um milagre?</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 04:10:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Carlos Orsi Martinho, reprodução gentilmente autorizada A notícia de que o Vaticano reconheceu a cura de uma freira, supostamente portadora do Mal de Parkinson, como sendo um milagre operado por intercessão do falecido papa João Paulo II, chega num ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Statue of John Paul II in Denver CO IMG 5607   Um milagre oficialmente reconhecido &eacute; mesmo um milagre?" border="0" alt="Statue of John Paul II in Denver CO IMG 5607 paranormal fortianismo ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/01/Statue_of_John_Paul_II_in_Denver_CO_IMG_5607.jpg" width="600" height="344" /></p>
<p align="right">por <a href="http://carlosorsi.blogspot.com/2011/01/um-milagre-oficialmente-reconhecido-e.html" target="_blank"><strong>Carlos Orsi Martinho</strong></a>, reprodução gentilmente autorizada</p>
<p>A notícia de que o Vaticano reconheceu a cura de uma freira, supostamente portadora do Mal de Parkinson, como sendo um milagre operado por intercessão do falecido papa <strong>João Paulo II</strong>, chega num momento onde estou até as orelhas em estudos e análises a respeito exatamente desse tipo de fenômeno.</p>
<p>A mídia deu um bom destaque à história do milagre e, como sói acontecer nesses casos, sem basicamente nenhum tipo de análise crítica das falhas lógicas embutidas &#8212; na verdade, falhas essenciais &#8212; no processo católico de criação de beatos e santos.   <br />É instrutivo, portanto, dar uma olhada em alguns detalhes do caso.</p>
<p>Começando pela questão da cura da freira <strong>Marie Simon-Pierre</strong>. <a href="http://www.latimes.com/news/nationworld/world/la-fg-john-paul-beatify-20110115,0,1088918.story" target="_blank">Esta reportagem do <em>Los Angeles Times</em></a> lembra que, em 2010, autoridades no próprio Vaticano haviam expressado dúvidas quanto ao diagnóstico de Parkinson. É curioso ainda mencionar, numa nota à parte, que esclerose múltipla – uma doença responsável por quatro milagres certificados do santuário de Lourdes, e que também afeta o sistema nervoso em sua comunicação com os músculos – apresenta, de acordo com o psiquiatra <strong>Terence Hines</strong>, vários casos conhecidos de remissão natural.</p>
<p>Hines, em seu livro <a href="http://www.amazon.com/gp/product/1573929794?ie=UTF8&amp;tag=carlosorsi-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=1573929794" target="_blank"><em>Pseudoscience and the Paranormal</em></a><img border="0" alt=" paranormal fortianismo ceticismo " src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=carlosorsi-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=1573929794" width="1" height="1" title="   Um milagre oficialmente reconhecido &eacute; mesmo um milagre?" /> cita um estudo no qual o acompanhamento de pacientes de esclerose múltipla revelou que, 25 anos após o início da doença, 75% deles estavam vivos e dos sobreviventes, 55% não apresentavam nenhuma deficiência significativa.</p>
<p>Mesmo supondo que o diagnóstico da freira foi correto, e que ela não estivesse sofrendo de alguma outra doença mais facilmente curável (ou de uma aflição de origem psicológica), é possível afirmar (a menos que, num caso clássico de raciocínio circular, já se parta dessa premissa) que a cura tenha sido operada por milagre – isto é, por uma suspensão das leis da natureza – e que o milagre foi obtido por intermédio de João Paulo II?</p>
<p>Não e não.</p>
<p>Primeiro, porque declarar que um fenômeno (no caso, uma cura) não tem explicação conhecida – mesmo supondo que nenhum outro médico sobre a face da Terra, com um conjunto de competências e de experiências diferente do dos membros da comissão que investigou o caso, fosse capaz de explicar o ocorrido – é apenas uma manifestação de ignorância.</p>
<p>Dizer &quot;<em>não sei o que provocou a cura de irmã Marie, logo foi um milagre operado por intercessão de João Paulo II</em>&quot; faz tanto sentido quanto dizer &quot;<em>não sei o que causou aquela luz no céu, logo ela veio de uma nave da galáxia de Andrômeda</em>&quot;.</p>
<p>Segundo, a questão da atribuição: a freira rezou para João Paulo II, e depois foi curada. Faz sentido estabelecer uma relação de causa e efeito?</p>
<p>Em princípio, pode-se tratar apenas de um caso de <i>post hoc ergo propter hoc</i>, o erro lógico de supor que, só porque uma coisa aconteceu depois da outra, ela foi causada pela outra. É como imaginar que estou escrevendo esta postagem porque comi sanduíche de queijo no café da manhã. As causas precedem os efeitos, mas nem tudo que precede um efeito deve ser necessariamente lançado na lista de suas causas.</p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_pr0Ge5NxS-Y/TTGUN7-mcoI/AAAAAAAAAKY/H_cT2oSMe6k/s1600/2002vatican1eurocentobv240.jpg"><img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_pr0Ge5NxS-Y/TTGUN7-mcoI/AAAAAAAAAKY/H_cT2oSMe6k/s1600/2002vatican1eurocentobv240.jpg" title="2002vatican1eurocentobv240   Um milagre oficialmente reconhecido &eacute; mesmo um milagre?" alt="2002vatican1eurocentobv240 paranormal fortianismo ceticismo " /></a></p>
<p>A hipótese de coincidência, em oposição à de causalidade direta, ganha força quando levamos em conta o fato de que candidatos a santo tão populares quanto João Paulo II costumam ser alvos de <i>campanhas</i> – basicamente, os fãs do candidato passam a sugerir a todas as pessoas que conhecem e que precisam de um &quot;milagre&quot; que rezem para ele, solicitando a intercessão. Com milhares, ou milhões, de suplicantes, o surgimento de um ou dois casos que escapem ao poder explicativo das comissões investigatórias é uma certeza matemática.</p>
<p>Assim como nas eleições parlamentares brasileiras – onde, dado um determinado nível de investimento em publicidade de campanha, a conquista do mandato é virtualmente inevitável – deve haver um <i>break-even</i> de orações que também torna a beatificação, e posterior santificação, de um candidato um fato garantido.</p>
<p>Resumindo, o sistema de reconhecimento de santos e beatos do Vaticano é formado por uma máquina de geração de eventos, <i>a campanha</i>,&#160; que multiplica as súplicas (às vezes por séculos a fio, se necessário) até que a lei das probabilidades gere um pequeno saldo a respeito do qual um grupo de especialistas esteja disposto a manifestar ignorância. A essa manifestação segue-se a aplicação de dois erros básicos de raciocínio: o apelo à ignorância e o <i>post hoc</i>. </p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><font size="1">[imagem inicial: </font><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Statue_of_John_Paul_II_in_Denver,_CO_IMG_5607.JPG" target="_blank"><font size="1">Wikimedia</font></a><font size="1">]</font></p>
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		<title>Psicografia de Chico Xavier colocada &#224; prova</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 02:25:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
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		<category><![CDATA[chico xavier]]></category>
		<category><![CDATA[espiritismo]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualismo]]></category>
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		<description><![CDATA[“A verdade que fere é pior do que a mentira que consola… entenda quem puder” – O Evangelho segundo Chico Xavier (2000) “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” – João 8:32 Foge do escopo de Ceticismo Aberto ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="chicoxavier 3   Psicografia de Chico Xavier colocada &agrave; prova" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/12/chicoxavier_3.jpg" border="0" alt="chicoxavier 3 paranormal fortianismo destaques " width="600" height="266" /></p>
<blockquote><p>“A verdade que fere é pior do que a mentira que consola… entenda quem puder”<br />
– <strong>O Evangelho segundo Chico Xavier</strong> (2000)</p>
<p>“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”<br />
– <strong>João 8:32</strong></p></blockquote>
<p>Foge do escopo de <em>Ceticismo Aberto</em> discutir crenças religiosas, mas é essencialmente parte do escopo de <em>Ceticismo Aberto</em> discutir crenças sobre fenômenos supostamente paranormais ou sobrenaturais. Alguns deles se relacionam, sim, com religiões, e é no contexto de analisar criticamente sua suposta paranormalidade que os abordamos.</p>
<p>Introdução mais do que necessária ao discutir aqui supostos feitos extraordinários de <strong>Francisco Cândido Xavier</strong>. Tido como médium reconhecido principalmente pelas mensagens “psicografadas”, em qualquer análise cética de sua obra o trabalho do criminologista e grafoscopista <strong>Carlos Augusto Perandréa</strong> deve ser considerado. Em 1990 Perandréa publicou no periódico científico da Universidade Estadual de Londrina, <em>Semina</em>, estudo comparando um bilhete de <strong>Ilda Mascaro Saullo</strong>, falecida em 1977, com uma mensagem “psicografada” por Chico Xavier no ano seguinte.</p>
<p>Suas conclusões são categóricas:</p>
<blockquote><p>“A mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em 22 de julho de 1978, atribuída a Ilda Mascaro Saullo, contém, conforme demonstração fotográfica, em ‘número’ e em ‘qualidade’, consideráveis e <strong>irrefutáveis características de gênese gráfica suficientes para a revelação e identificação de Ilda Mascaro Saullo como autora da mensagem questionada</strong>. Em menor número, constam, também, elementos de gênese gráfica, que coincidem com os existentes na escrita-padrão de Francisco Cândido Xavier”. [ênfase adicionada]</p></blockquote>
<p>Um trabalho de um reconhecido criminologista, revisado por pares, publicado em uma revista científica de uma grande instituição acadêmica, afirmando haver características “irrefutáveis” para identificar uma mensagem escrita por Chico Xavier como também sendo de autoria de uma mulher falecida meses antes? A ciência comprova a psicografia?</p>
<p>Muitos pensam e afirmam que sim, motivo pelo qual devemos avaliar a alegação.</p>
<h3>Não tão pares</h3>
<p>Como <strong>Vitor Moura</strong> já havia atentado em sua <a href="http://obraspsicografadas.haaan.com/2008/uma-anlise-do-caso-ilda-mascaro-saullo/" target="_blank">análise do caso Ilda Mascaro Saullo</a>, os comentários dos revisores do trabalho de Perandréa são reveladores: nenhum deles avalia tecnicamente o trabalho em si mesmo. Um deles defende a publicação com base na “<em>possibilidade de identificação da autoria de mensagens espirituais</em>” ressaltando que “<em>o autor abstém-se de vincular sua descoberta a qualquer fato juridicamente relevante</em>” – o periódico dedicava seu número a assuntos jurídicos. O outro recomendou a publicação baseada na “<em>confiabilidade científica e ética, moral</em>” do próprio Perandréa, confiando nos “<em>grandes conhecimentos técnicos</em>” do mesmo Perandréa.</p>
<p>Aparentemente nenhum deles avaliou a grafoscopia em si mesma, e o caráter científico do estudo devido à sua publicação em um periódico revisado por pares se torna menos sólido.</p>
<p>Como uma avaliação crítica centrando-se à parte técnica do trabalho resultaria? Perandréa publicou logo depois o trabalho como um livro, “<em>A psicografia à luz da grafoscopia</em>” (Editora Jornalística Fé, 1991), e recentemente <strong>Moizés Montalvão</strong>, embora tampouco seja um perito em grafoscopia, divulgou uma análise extremamente interessante da obra: “<a href="http://obraspsicografadas.haaan.com/2010/psicografia-luz-da-grafoscopia-o-que-perandra-no-viu/" target="_blank"><strong>Psicografia à luz da grafoscopia: o que Perandréa não viu</strong></a>”</p>
<h3>Gramas</h3>
<p>Em sua análise, Perandréa destaca as semelhanças. Como exemplo, entre a forma como Ilda escreveu “Ortensio”, e como Chico a psicografou:</p>
<blockquote><p>“No cotejamento dos vocábulos [abaixo], constata-se perfeita igualdade nas letras ‘t’, bem como nos gramas de ligação entre os símbolos ‘r’ para ‘t’, ‘t’ para ‘e’, ‘e’ para ‘n’.”</p></blockquote>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="chicoxavier ildamascaro01   Psicografia de Chico Xavier colocada &agrave; prova" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/12/chicoxavier_ildamascaro01.png" border="0" alt="chicoxavier ildamascaro01 paranormal fortianismo destaques " width="333" height="242" /></p>
<p>Curiosa similaridade. Como Montalvão nota, contudo:</p>
<blockquote><p>“’Ortensio’ é constituído de 8 letras e 7 gramas (ligações entre as letras. O técnico encontrou equivalência em uma letra (t) e em três gramas. O que nos leva a supor que não houve semelhança em 7 das 8 letras e em 4 dos 7 gramas. Ou seja, cerca de 75 por centro está diferente. Ainda assim ele considerou o resultado positivo!”.</p></blockquote>
<p>A crítica se estende, e renovamos nossa indicação de sua leitura. Escrita de forma clara e honesta – Montalvão deixa claro não ser um grafoscopista logo de início – qualquer leigo pode notar que a grafoscopia não é uma ciência muito exata. Onde Perandréa procura semelhanças, Montalvão busca as diferenças. E há muitas diferenças.</p>
<p>Aos que querem acreditar, a segunda conclusão de Perandréa – a de que a escrita-padrão do próxio Xavier se mesclou na psicografia – explicaria todas as diferenças. E as semelhanças permaneceriam comprovação “<em>considerável e irrefutável</em>” de que Ilda Mascaro escrevera do além através das mãos do médium.</p>
<p>Há entretanto uma diferença que não pode ser atribuída razoavelmente à “gênese gráfica” de Chico Xavier.</p>
<h3>Teresa</h3>
<p>No trecho inicial de sua carta usada para comparação, Ilda Mascaro escreve ao filho, Ortensio, e à nora, Teresa.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="chicoxavier ildamascaro03   Psicografia de Chico Xavier colocada &agrave; prova" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/12/chicoxavier_ildamascaro03.png" border="0" alt="chicoxavier ildamascaro03 paranormal fortianismo destaques " width="600" height="204" /></p>
<p>A linha inicial da mensagem “psicografada” por Xavier é diferente, não apenas na forma das letras, mas na forma como o nome da nora é soletrado: “Thereza”.</p>
<p>“Considerando-se a hipótese de ter havido comunicação mediúnica, o fato equivale à demonstração de que a falecida ‘esquecera’ como se escrevia o nome da nora (por Ilda chamada ‘filha querida’)&#8221;! É claro que por essa linha de raciocínio o caso se complica”, nota Montalvão. Destaque-se ainda que Perandréa, ao contrário de Montalvão, não faz nenhum comentário sobre esta discrepância.</p>
<p>Ainda que na grafia original de Ilda com algum esforço se possa entender um “h” depois do “T”, não há dúvida de que “Teresa” foi redigido com “s”. Assim como não há dúvida que Xavier escreveu “Thereza”, com “Th” e “z”. Alguns meses após o falecimento, Ilda teria mesmo esquecido como grafava o nome da filha querida? Seria ainda outro exemplo do médium interferindo na mensagem? Até que ponto toda diferença poderá ser atribuída a tal justificativa, e toda semelhança a algum fenômeno sobrenatural ou paranormal?</p>
<p>Os que querem acreditar têm todo o direito de acreditar, mas alegar um arcabouço claro e objetivo de que esta mensagem de Chico Xavier é irrefutavelmente identificada como provinda do espírito de uma pessoa falecida não parece razoável.</p>
<p>“Muito pouco de Ilda Mascaro se encontra na mensagem psicografada por Chico Xavier”, conclui a avaliação crítica de Montalvão.</p>
<p>Abaixo, da esquerda para a direita: trecho da mensagem “psicografada” por Xavier, recado de Ilda Mascaro e outra “ psicografia” de Xavier, de <a href="http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?Itemid=25&amp;id=48&amp;option=com_content&amp;task=view" target="_blank">outro suposto espírito</a>, completamente diferente.</p>
<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px; border: 0px;" title="chicoxavier ildamascaro02   Psicografia de Chico Xavier colocada &agrave; prova" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/12/chicoxavier_ildamascaro02.png" border="0" alt="chicoxavier ildamascaro02 paranormal fortianismo destaques " width="600" height="204" /></p>
<p>Confira: “<a href="http://obraspsicografadas.haaan.com/2010/psicografia-luz-da-grafoscopia-o-que-perandra-no-viu/" target="_blank"><strong>Psicografia à luz da grafoscopia: o que Perandréa não viu</strong></a>”.</p>
<p>- &#8211; -</p>
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		<title>Vídeos de Garoto Assombrado por Fantasma</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Nov 2010 12:48:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotos de Fantasmas]]></category>
		<category><![CDATA[Paranormal]]></category>
		<category><![CDATA[fantasmas]]></category>
		<category><![CDATA[histeria]]></category>
		<category><![CDATA[poltergeist]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[“Duppy” é uma palavra do patoá jamaicano, originária da África Oeste, que significa fantasma ou espírito. Grande parte do folclore do Caribe gira em torno dos duppies, geralmente considerados como espíritos malévolos. Diz-se que eles saem e procuram as pessoas ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="duppyfantasma   Vídeos de Garoto Assombrado por Fantasma" border="0" alt="duppyfantasma paranormal fotos de fantasmas " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/11/duppyfantasma.jpg" width="583" height="215" /></p>
<p>“<em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Duppy" target="_blank">Duppy</a></em>” é uma palavra do patoá jamaicano, originária da África Oeste, que significa fantasma ou espírito. Grande parte do folclore do Caribe gira em torno dos duppies, geralmente considerados como espíritos malévolos. Diz-se que eles saem e procuram as pessoas geralmente à noite, e as pessoas da ilha alegam de tê-los vistos.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Xj0gLiqb7QI?fs=1&amp;hl=en_US"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Xj0gLiqb7QI?fs=1&amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Pois um deles teria sido capturado no vídeo acima, ou pelo menos, seu tormento a um menino de 11 anos. O suposto Duppy provocou comoção em Martin Street, na cidade de Spanish Town, Jamaica, enquanto o garoto conta que o espírito seria um amigo que faleceu há quatro anos, e recentemente passou a aparecer usando um chapéu branco, com mãos e um relógio de pulso (?) negros. Além de puxar a criança, o Duppy também jogaria objetos, para desespero da família e vizinhos que buscam apoio religioso orando para que tudo acabe.</p>
<p>É um caso clássico de “Poltergeist”, envolvendo uma criança que diz ser atormentada por espíritos, que pode ser puxada ou <a href="http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/809/poltergeist" target="_blank">jogada</a>, completo com objetos sendo lançados a esmo. Embora as duas cenas em que o menino parece ser puxado de sua cadeira e então contra um muro possam intrigar, um segundo vídeo deixa mais claro o que ocorre aqui.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TCpRn_JJBcA?fs=1&amp;hl=en_US"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/TCpRn_JJBcA?fs=1&amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p>Aqui, o religioso <strong>Rohan Edwards</strong> tenta provocar o espírito a se manifestar. Embora – como no primeiro vídeo – nenhum objeto seja lançado em frente às câmeras, o garoto sim é “puxado” duas vezes e na segunda ocasião tenta lutar com o espírito. Desta vez, no entanto, a ação é bem menos convincente, e fica claro como o menino não é puxado por nenhuma força externa. Ele está simplesmente se jogando.</p>
<p>Que não há espíritos malignos envolvidos aqui se torna evidente, mas o caso não envolve apenas um garoto pregando peças. Como em diversos caso Poltergeist, há um contexto que vai desde o folclore local até detalhes pessoais. Note, por exemplo, que em todas as ocasiões em que o garoto é “puxado” pelo espírito, sua mãe rapidamente o acode. Não só esta ação contribui, principalmente no primeiro vídeo, para a impressão de que o garoto realmente está sendo puxado por alguma força externa, enquanto ele se apóia na própria mãe, como talvez mais importante, evidencia como ele encontra conforto no que está fazendo.</p>
<p>“<em>A consequência imediata dos comportamentos do menino é o aconchego da mãe</em>”, ressalta a psicóloga <a href="http://odivadeeinstein.wordpress.com/" target="_blank"><strong>Ana Arantes</strong></a> como uma hipótese explicativa aos eventos. “<em>O ‘fenômeno paranormal’ pode ser mantido por reforçadores sociais muito fortes (atenção social, aconchego e proteção materna e provavelmente de outros membros da família) e, nesse contexto, é possível também que tenha sido modelado e aprendido nessa mesma comunidade</em>”.</p>
<p>Embora o rosto da criança seja apropriadamente censurado para preservar sua identidade, também é possível ver que o menino sorri enquanto fala do fantasma que supostamente o traumatizou. “<em>Imagino que seja um indício não de que ele esteja ‘mentindo’, isto é, manipulando a audiência intencionalmente, mas sim uma reação às consequências que ele consegue, que são reforçadoras, e portanto, percebidas como ‘agradáveis’”, comenta Arantes. “Não duvido que, durante o ‘fenômeno’ ele esteja numa situação de sofrimento (físico e psicológico). Imagine uma criança que crê firmemente estar sendo perseguida pelo espírito de um amiguinho? Deve ser muito assustador</em>”.</p>
<p>No conflito entre superstição e razão, é fácil interpretar fenômenos assim como dicotomias em que ou se tem uma “autêntica” assombração aterrorizante ou “apenas” uma fraude insidiosa praticada por uma criança. O contexto psicossocial em que tais fenômenos ocorrem, convencem comunidades inteiras e chegam à mídia é no entanto sempre mais complexo. O caso lembra não só outros casos <em>Poltergeist</em> típicos, como também histórias clássicas como as <a href="http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/1965/fotos-de-fadas-elsie-wright-e-frances-griffith" target="_blank">fadas de Cottingley</a>.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><font size="1">[Com agradecimentos aos leitores que sugeriram o tema, e a </font><a href="http://odivadeeinstein.wordpress.com/" target="_blank"><font size="1">Ana Arantes</font></a><font size="1"> pela colaboração]</font></p>
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		<title>&#8220;Pulseiras do equil&#237;brio&#8221;, Power Balance, n&#227;o funcionam</title>
		<link>http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/3697/pulseiras-do-equilbrio-power-balance-no-funcionam</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 01:53:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Paranormal]]></category>
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		<category><![CDATA[personalidades]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Segundo seus vendedores, as “pulseiras do equilíbrio” funcionam porque “contêm embutidos dois hologramas quânticos de Mylar programados com frequências que interagem naturalmente com o campo eletromagnético do corpo humano”. Mas será que funcionam mesmo? Um estudo com 79 voluntários ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="1278520396 103803056 3POWERBALANCEWRISTBANDCebuCity   &ldquo;Pulseiras do equil&iacute;brio&rdquo;, Power Balance, n&atilde;o funcionam" border="0" alt="1278520396 103803056 3POWERBALANCEWRISTBANDCebuCity paranormal destaques ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/08/1278520396_103803056_3POWERBALANCEWRISTBANDCebuCity.jpg" width="600" height="368" />&#160; </p>
<p>Segundo seus vendedores, as “pulseiras do equilíbrio” funcionam porque “<em>contêm embutidos dois hologramas quânticos de Mylar programados com frequências que interagem naturalmente com o campo eletromagnético do corpo humano</em>”. Mas será que funcionam mesmo?</p>
<p>Um estudo com 79 voluntários na Faculdade de Ciências de Atividade Física da Universidade Politécnica de Madri, Espanha, demonstrou que as pulseiras Power Balance não têm qualquer efeito sobre nosso equilíbrio. Comandado por <strong>Jesús Javier Rojo</strong>, médico e professor, o estudo envolveu estudantes e duas provas de equilíbrio, com e sem a pulseira, que foram fornecidas pelas própria companhia que as vende.</p>
<p>Aqui está o detalhe importante: foi um estudo “duplo cego”, onde nem os estudantes nem os realizadores do experimento sabiam quais pulseiras continham os “hologramas quânticos” e quais os tinham removidos. Isso só seria descoberto depois. Os testes de equilíbrio foram de apoio monopodal e Romberg forçado, e “<em>uma vez terminada a tomada de dados, realizou-se um estudo estatístico para ver se havia efeito em ostentar a pulseira com ou sem o holograma ou se o efeito, se existisse, seria placebo. Os resultados indicam que a pulseira não tem nenhum efeito</em>”, conclui Rojo em <a href="http://www.elpais.com/articulo/sociedad/estudio/concluye/pulsera/Power/Balance/mejora/equilibrio/elpepusoc/20100517elpepusoc_11/Tes" target="_blank">declaração ao jornal <em>El País</em></a>.</p>
<p>Em quase todos os países onde está sendo vendida, cientistas e médicos opinam claramente como as pulseiras do equilíbrio – que são vendidas por outras marcas também, como “<em>Biolectik</em>” – não funcionam. Aí se incluem <a href="http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasVida/2010/8/a-sic-foi-descobrir-o-segredo-das-pulseiras-do-equilibrio08-08-2010-225352.htm" target="_blank">Portugal</a> (vídeo) e <a href="http://www.theage.com.au/sport/power-wristbands-might-be-the-biggest-scam-20100619-yo11.html" target="_blank">Austrália</a> (em inglês).</p>
<p>No Brasil, o quadro do Fantástico, “<em>Detetive Virtual</em>”, <a href="http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1003466-15605,00-PULSEIRA+DO+EQUILIBRIO+E+DESVENDADA.html" target="_blank">já expôs as pulseiras e explicou os “testes de equilíbrio” usados para vendê-las</a>:</p>
<p align="center"><object width="500" height="400"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XnM_M5YkG_I?fs=1&amp;hl=en_US"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/XnM_M5YkG_I?fs=1&amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="400"></embed></object></p>
<p>Como nota o físico <strong>Marco Moriconi</strong>, a forma como a força é aplicada na pessoa sendo testada – seja diretamente para baixo, ou de forma inclinada – pode responder por que algumas pessoas com e sem a pulseira conseguem se equilibrar ou não. Note que esses testes não são duplo cegos: tanto a pessoa quanto o “experimentador”, que na verdade é o vendedor, sabem quando a pulseira está ou não sendo usada.</p>
<p>Esse truque para “diagnosticar” e manipular resultados é em verdade anterior às pulseiras do equilíbrio, e vem sendo explorado por curandeiros na forma da “<a href="http://www.quackwatch.com/01QuackeryRelatedTopics/Tests/ak.html" target="_blank">Kinesiologia Aplicada</a>” (em inglês), uma espécie de “teste de músculos” sem fundamentos científicos criada em 1964, na qual o terapeuta pode obter qualquer tipo de diagnóstico que deseje e fazer com que o paciente acredite que foi realmente diagnosticado.</p>
<p>Como explicar o sucesso de pulseiras que não funcionam? Marketing e muito dinheiro. Diversas personalidades internacionais como <strong>Shaquille O’Neal</strong>, <strong>Cristiano Ronaldo</strong> e mesmo esportistas brasileiros como <a href="http://www.powerbalance.com/rubens-barrichello" target="_blank"><strong>Rubens Barrichello</strong></a> usam e promovem a pulseira, provavelmente em contratos de publicidade. </p>
<p><img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="barrichello powerbalance   &ldquo;Pulseiras do equil&iacute;brio&rdquo;, Power Balance, n&atilde;o funcionam" border="0" alt="barrichello powerbalance paranormal destaques ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/08/barrichello_powerbalance.jpg" width="600" height="335" /> </p>
<p>Enquanto são vendidas por mais de R$80 a consumidores incautos, o preço de revenda dessas pulseiras que são nada mais que plástico barato com pequenos adesivos holográficos chega a menos de R$2.</p>
<p>Será preciso comprar um pacote com 200 peças para obter estes preços de um fabricante na China, mas vendendo apenas cinco pulseiras que não funcionam ao preço do consumidor final, com a ajuda de “testes de equilíbrio” usando o truque da força aplicada obliquamente, o investidor já poderá recuperar seu dinheiro e passará a lucrar com as outras 195 pulseiras para vender. Se vender todas a R$80, será um lucro de 4.000% sobre o investimento inicial.</p>
<p>Como fonte de renda, as pulseiras parecem funcionar muito bem.</p>
<p><strong>Atualização 29/08/2010</strong>: Na última sexta-feira (27) a Agência Nacional de Vigilância Sanitária suspendeu a publicidade das pulseiras “bioquânticas”. As marcas <em>Power Balance</em> e <em>Life Extreme</em> estão sendo investigadas e deverão ser processadas por publicidade irregular, segundo <strong>Ana Paula Massera</strong>, gerente de fiscalização de propaganda da Anvisa, em declaração à agência Folha.</p>
<p>Confira a notícia: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/789769-anvisa-veta-publicidade-de-pulseira-da-moda-vendida-com-apelo-de-melhorar-equilibrio.shtml" target="_blank">Anvisa veta publicidade de pulseira da moda, vendida com apelo de melhorar equilíbrio</a> [via <a href="http://scienceblogs.com.br/dimensional/2010/08/anvisa_proibe_publicidade_de_p.php" target="_blank">n-dimensional</a>]</p>
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		<title>A profecia cumpre a si mesma</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 04:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<category><![CDATA[precognição]]></category>
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		<description><![CDATA[“Se as pessoas definem uma situação como real, ela se torna real em suas consequências”. – W.I. Thomas Segundo a lenda grega, Laio, o rei de Tebas havia sido alertado pelo Oráculo de Delfos que uma maldição iria se concretizar: ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Twelve Monkeys  1995   ER fanart   A profecia cumpre a si mesma" border="0" alt="Twelve Monkeys  1995   ER fanart paranormal fortianismo destaques " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/08/Twelve_Monkeys__1995___ER_fanart.jpg" width="600" height="338" /> </p>
<blockquote><p>“Se as pessoas definem uma situação como real, ela se torna real em suas consequências”. – <strong>W.I. Thomas</strong></p>
</blockquote>
<p>Segundo a lenda grega, <strong>Laio</strong>, o rei de Tebas havia sido alertado pelo Oráculo de Delfos que uma maldição iria se concretizar: seu próprio filho o mataria e que este filho se casaria com a própria mãe. Por tal motivo, ao nascer seu filho <strong>Édipo</strong>, Laio abandonou-o no monte Citerão pregando um prego em cada pé para tentar matá-lo. O menino foi recolhido mais tarde por um pastor e batizado como &quot;<em>Edipodos</em>&quot;, o de &quot;pés-furados&quot;, que foi adotado depois pelo rei de Corinto e voltou a Delfos. </p>
<p>Édipo consulta então o Oráculo que lhe dá a mesma previsão dada a Laio: que mataria seu pai e desposaria sua mãe. Achando se tratar de seus pais adotivos, foge de Corinto. No caminho, Édipo encontrou um homem e, sem saber que era o seu pai, brigou com ele e o matou, pois Laio o mandou sair de sua frente. Concretiza assim a previsão do Oráculo, que ainda iria lhe pregar outras peças, pois afinal, Édipo acaba se casando com a própria mãe.</p>
<p>Que a tragédia de Édipo não seria uma tragédia se o Oráculo de Delfos não tivesse feito sua previsão revela o paradoxo das profecias, ou pelo menos, das profecias que se fazem conhecidas. O dilema não se aplica apenas a supostas profecias sobrenaturais, ele se revela verdadeiro a qualquer previsão feita conhecida sobre o futuro. Em “<a href="http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/2106/o-problema-do-livre-arbtrio" target="_blank">O Problema do Livre Arbítrio</a>”, <strong>John Barrow</strong> explora as implicações da questão a conceitos aparentemente tão diversos quanto o determinismo e a liberdade.</p>
<p>Mesmo o psicólogo britânico <strong>Richard Wiseman</strong> investigou a influência de profecias auto-realizadas. Ao pesquisar as diferenças psicológicas entre pessoas que se consideravam incrivelmente sortudas – ou azaradas – Wiseman descobriu que esperar ter sorte realmente aumenta as chances de obter melhores resultados. Não por algum mecanismo sobrenatural, mas simplesmente porque ao esperar mais oportunidades boas, uma pessoa se torna mais aberta a inúmeras oportunidades, sejam elas boas ou ruins. Os que se consideram azarados acabam diminuindo as possibilidades fortuitas, por temer que sempre lhe causem prejuízo, e com isso acabam bem menos propensos a serem beneficiados pela boa fortuna. Sortudos e azarados teriam outras diferenças na abordagem do acaso e de seu futuro, abordadas por Wiseman no livro “<a href="http://www.psy.herts.ac.uk/wiseman/research/luckfactor.html" target="_blank">The Luck Factor</a>”.</p>
<p>Uma cigana russa, no entanto, não teve tanta sorte. Em outubro de 2009 a suposta vidente teria lido o futuro de <strong>Gennady Osipovich</strong>, vaticinando que ele estaria fadado à maldição de uma “<em>kazyonny dom</em>”, gíria russa para cadeia. O que ela talvez não esperasse é que Osipovich, ao ouvir a profecia e buscando evitá-la – como Édipo – mas com uma lógica duvidosa, tenha decidido matar a vidente. Com a cigana morta a previsão não se concretizaria, parece ter raciocinado.</p>
<p>Osipovich esfaqueou a profeta e duas outras testemunhas presentes na cena. Apenas a cigana pôde escapar com vida. Na semana passada, Osipovich foi sentenciado a 22 anos em uma prisão de segurança máxima, como profetizado.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p><font size="1">[Dica de <strong>Albener Pessoa</strong>, via </font><a href="http://www.themoscowtimes.com/columns//article/man-sentenced-for-murder-after-seer-predicts-prison/411803.html" target="_blank"><font size="1">Moscow Times</font></a><font size="1">, a quem duvide da história da cigana, a notícia pelo </font><a href="http://www.sledcomproc-kuzbass.ru/V_Kemerovskoy_oblasti_osuzhden_muzhchina_obvinyaemiy_v_osobo_tyazhkih_prestupleniyah__Novosti_870.htm" target="_blank"><font size="1">departamento de polícia</font></a><font size="1">. Lenda de </font><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89dipo" target="_blank"><font size="1">Édipo</font></a><font size="1"> via <em>Wikipedia</em>]</font></p>
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		<title>A&#231;&#227;o de &#8220;vidente&#8221; Jucelino da Luz contra site CeticismoAberto julgada improcedente</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 15:34:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O pedido de indenização por danos morais exigido pelo suposto “vidente” Jucelino Nóbrega da Luz contra o site CeticismoAberto, que publicou texto indicando que Jucelino “falsifica” e “adultera cartas depois dos acontecimentos”, foi julgado improcedente pelo juiz Fernando Colhado Mendes, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="673264 85522744   A&ccedil;&atilde;o de &ldquo;vidente&rdquo; Jucelino da Luz contra site CeticismoAberto julgada improcedente" border="0" alt="673264 85522744 paranormal destaques ceticismo " src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2010/07/673264_85522744.jpg" width="600" height="318" /> </p>
<p>O pedido de indenização por danos morais exigido pelo suposto “vidente” <b>Jucelino Nóbrega da Luz</b> contra o site <i>CeticismoAberto</i>, que publicou texto indicando que Jucelino “<i>falsifica</i>” e “<i>adultera cartas depois dos acontecimentos</i>”, foi julgado improcedente pelo juiz <b>Fernando Colhado Mendes</b>, da Comarca de Águas de Lindóia, São Paulo, em sentença proferida na última segunda-feira (19/07). </p>
<p>“<i>A tempestiva decisão judicial reconhece a liberdade de imprensa e como CeticismoAberto não abusou de seu objetivo de analisar de forma crítica e racional alegações extraordinárias</i>”, notou o responsável pelo site, <b>Kentaro Mori</b>, defendido na ação civil pelo advogado <b>Alexandre Pimentel Cabral de Medeiros</b>. Jucelino havia exigido ainda a retirada imediata dos textos, pedido que também foi recusado prontamente. A decisão é passível de recurso. </p>
<p>Há cinco anos, o suposto “premonitor” Juscelino Nóbrega da Luz tornou-se conhecido ao alegar ter previsto inúmeros acontecimentos através de sonhos, que seriam comprovados através de correspondências autenticadas em cartórios. Em 2007, quando alegou – após a tragédia – ter previsto o acidente do vôo TAM3054, o site <em>CeticismoAberto</em>, criado pelo estudante Kentaro Mori, publicou texto crítico questionando as cartas apresentadas pelo “vidente”. </p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/938/jucelino-nbrega-na-contagem-de-mortos" target="_blank">No texto</a>, aponta-se que Jucelino “<em>falsifica</em>” e “<em>adultera cartas</em>”, de acordo com informações do Banco Central do Brasil, através de consulta de <b>Daniel Sottomaior</b>. Em declaração por escrito, anexada à defesa, o Banco Central confirma que o vidente produziu “<em>falsificações grosseiras</em>” a partir de correspondências que recebeu da autarquia, e dá detalhes do conteúdo original das cartas que foi substituído pelas supostas premonições. </p>
<p>Em outros dois textos, pelos quais o vidente também reivindicou que lhe ofenderiam indevidamente a honra, prejudicando o lucro da venda de seus livros com premonições, <em>CeticismoAberto</em> citou ainda <a href="http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/1011/farsa-de-jucelino-da-luz-exposta-pelo-fantstico" target="_blank">reportagem do programa televisivo <em>Fantástico</em></a>, que também expôs Jucelino. A reportagem apresentou a opinião de grafotécnicos que examinaram a correspondência com previsões sobre a tragédia da TAM, enfatizando as irregularidades nas cartas apresentadas. </p>
<p>“<i>Além de uma vitória judicial reforçando o exercício da liberdade de imprensa mesmo na web, o caso ainda demonstra a solidariedade e a organização que a rede pode potencializar na defesa do interesse público</i>”, ressalta Kentaro Mori. Somando-se à representação do advogado Alexandre Medeiros, ele mesmo um ativista cético, a defesa contou com o apoio e participação de diversos profissionais, como os também advogados <b>Ubirajara Rodrigues</b>, <b>Juliano Pena</b>, <b>Gustavo Chalfun</b> e <b>Leandro Paiva</b>, os engenheiros <b>José Colucci</b> e <b>Daniel Sottomaior</b>, o psicólogo <b>Jayme Roitman</b>, os professores <b>Arlei Macedo</b> e <b>Renato Flores</b>, o escritor <b>Sérgio Navega</b> e o administrador <b>Ricardo D. Kossatz</b>, entre outros. </p>
<p>Jucelino da Luz move outra ação, na esfera criminal por calúnia, contra o mesmo <i>CeticismoAberto</i> de Kentaro Mori. A segunda ação ainda tramita na Comarca de Suzano, São Paulo.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>Confira a íntegra da sentença:</p>
<blockquote><p><font size="1">Processo Nº 005.01.2010.000989-0        <br />Texto integral da Sentença         <br />Autos n. 172/10 Vistos. Dispensado o relatório.         <br />D E C I D O. Como já decidi em outros feitos, em casos como o presente, são dois os direitos fundamentais tutelados: o direito à honra do autor (art.5º,X, da Constituição Federal) e o direito à livre manifestação do pensamento do réu (art.5º, IX, c.c. art.220, ambos da Constituição Federal). Com isso, há “conflito” entre dois direitos (ou princípios) fundamentais, previstos constitucionalmente.         <br />Nesses casos, o conflito é solucionado pelo princípio da razoabilidade, ou seja, deve ser verificado se o réu, ao exercer seu direito de livre manifestação do pensamento, abusou desse direito, e, com isso, causou dano à honra do autor.         <br />Em outros termos, deve-se analisar se o réu agiu no exercício REGULAR de seu direito ou se exerceu o direito de forma ABUSIVA. No primeiro caso, não há direito à indenização. No segundo sim, pois a “responsabilidade civil decorrente de abusos perpetrados por meio da imprensa abrange a colisão de dois direitos fundamentais: a liberdade de informação e a tutela dos direitos da personalidade (honra, imagem e vida privada). A atividade jornalística deve ser livre para informar a sociedade acerca de fatos cotidianos de interesse público, em observância ao princípio constitucional do Estado Democrático de Direito; contudo, o direito de informação não é absoluto, vedando-se a divulgação de notícias falaciosas, que exponham indevidamente a intimidade ou acarretem danos à honra e à imagem dos indivíduos, em ofensa ao fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana” (STJ, REsp. nº 818.764- ES).         <br />Então, passo a analisar a regularidade ou a abusividade do exercício de direito por parte do réu. Em primeiro lugar, destaco que o réu é responsável pelo site Ceticismo Aberto, cujo objetivo encontra-se destacado às fls.14:         <br />“O objetivo principal de Ceticismo Aberto é promover o uso do ceticismo na análise dos fenômenos ditos paranormais e ufológicos. Enfatizamos que o ceticismo se traduz na dúvida inquiridora, motivando análises e investigações rigorosas em busca de um maior e melhor esclarecimento”. (&#8230;) “O nome Ceticismo Aberto pretende deixar claro que o ceticismo defende a dúvida inquiridora, não a certeza dogmática, estando aberto a novas idéias e possibilidades, mas exigindo sempre provas rigorosas para aceitação de qualquer alegação.”         <br />Destaco, desde já, que os objetivos traçados pelo “site” inserem-se na liberdade de manifestação do pensamento, e, portanto, são lícitos. Assim, qualquer manifestação que não ultrapasse esses objetivos será também lícita.         <br />Pois bem, conforme se verifica dos documentos de fls.14/15 o réu limita-se a discutir e apontar possíveis falhas (irregularidades) nas cartas enviadas pelo autor, explicando os métodos utilizados para se chegar às conclusões que aponta. Friso que referido método já foi questionado por reportagem do Fantástico, embasada em análises periciais (fls.82). Da mesma forma, o Banco Central discutiu os métodos utilizados pelo autor, apontando irregularidades (fls.86), sendo de se destacar, nesse ponto, que a matéria ofensiva apontada ao réu nesses autos refere-se expressamente à apuração do Banco Central (fls.14).         <br />Com isso, segundo entendo, o réu limitou-se a apontar questionamentos/irregularidades nos métodos do autor, com base em análise técnica, o que se insere em sua liberdade de manifestação do pensamento e conduz à improcedência da presente ação. Acrescento que o autor é pessoa pública, e, consequentemente, sua atividade é, naturalmente, observada, fiscalizada e criticada. No sentido de tudo quanto exposto:         <br />“RESPONSABILIDADE CIVIL-Dano moral-Ponderação entre direitos à honra, dignidade, intimidade, vida privada e à liberdade de informação- Publicação de nota que anunciava a denúncia do requerente, pelo Ministério Público de São José do Rio Preto, por porte ilegal de arma de fogo- Inexistência de informação inverídica- Notícia objetiva, sem qualquer propósito ofensivo – Informações constantes de nota jornalística que foram integralmente confessadas pelo requerente em sua petição inicial- Colheita de informações a partir de documentos oficiais- Abuso do direito de informar não caracterizado- Documentos encartados aos autos, a fim de comprovar os danos morais suportados pelo requerente, que foram redigidos em datas anteriores aos fatos que deram ensejo à demanda- Exercício regular do direito de informar constatado- Dano moral indenizável- Inocorrência- Ação improcedente- Condenação do requerente no pagamento dos ônus da sucumbência- Recurso provido” (TJSP, Apelação nº572.983.4/7).         <br />Diante de todo o exposto e considerando o mais que dos autos consta, julgo IMPROCEDENTE a presente ação e extinto o feito com resolução de mérito, nos termos do art.269,I, do CPC. Sem condenação em honorários nessa fase.         <br />P. R. I.C         <br />Águas de Lindóia, 19 de julho de 2010         <br />Fernando Colhado Mendes         <br />Juiz de Direito</font></p>
</blockquote>
<p><font size="1">[imagem do topo: </font><a href="http://www.sxc.hu/photo/673264" target="_blank"><font size="1">sxc.hu/gmarcelo</font></a><font size="1">]</font></p>
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