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	<title>Ceticismo Aberto &#187; Ufologia</title>
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	<description>Paranormal e Ufologia sem ofender sua inteligência</description>
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		<title>Anamorfose, Constela&#231;&#245;es e Extraterrestres</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 03:56:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="fedcomiteanamorphosis.png   Anamorfose, Constela&ccedil;&otilde;es e Extraterrestres" border="0" alt="fedcomiteanamorphosis.png destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/fedcomiteanamorphosis.png.jpg" width="545" height="409" /></p>
<p>Trabalho sensacional de <a href="http://www.flickr.com/photos/fdecomite/with/5522732116/" target="_blank">fdecomite</a>: a partir de uma série de linhas redondas, cria-se um reflexo composto de linhas na esfera metálica, em um exemplo de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anamorphosis" target="_blank">anamorfose</a>. Apenas através do reflexo na esfera pode-se ver a imagem deliberadamente construída e de certa forma oculta nas linhas originais.</p>
<p>Um dos primeiros exemplos de arte anamórfica foi criado por ninguém menos que <strong>Leonardo Da Vinci</strong>:</p>
<div align="center"><iframe width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/8owCtUTaMd0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Mas de certa forma o efeito de perspectiva por trás da anamorfose está em algumas das figuras mais antigas conhecidas pela humanidade, as próprias constelações.</p>
<p><a href="http://scienceblogs.com.br/100nexos/2009/12/aprendendo_com_a_constelao_de/" target="_blank"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="Starlightd1   Anamorfose, Constela&ccedil;&otilde;es e Extraterrestres" border="0" alt="Starlightd1 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/Starlightd1.jpg" width="500" height="383" /></a></p>
<p>As figuras que traçamos entre as estrelas distantes só são constelações vistas a partir da Terra – e em períodos temporais específicos, dependendo da velocidade com que as estrelas se movimentam. A figura de uma constelação pode ser composta por pontos de luz distantes tridimensionalmente muitos anos-luz, e o divertido jogo acima demonstra o efeito <a href="http://scienceblogs.com.br/100nexos/2009/12/aprendendo_com_a_constelao_de/" target="_blank">Aprendendo com a Constelação de Homer Simpson</a>.</p>
<p>Mas onde entram os extraterrestres? Talvez você não saiba, mas aqueles extraterrestres cabeçudos, de pele cinza e grandes olhos negros, são originários de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Betty_Hill_star_map#Analyzing_the_star_map" target="_blank">Zeta Reticuli</a>, um sistema estelar binário a apenas 39 anos-luz da Terra.</p>
<p>Como sabemos disto? Em um dos mais conhecidos casos de suposto sequestro por alienígenas, em 1961 <strong>Betty Hill</strong> diz ter visto um mapa estelar exibido pelos alienígenas em um telão holográfico, indicando as principais estrelas e as rotas de viagem usadas pelos cabeçudos. Sob hipnose, Hill reproduziu os pontos e linhas.</p>
<p>Anos depois, uma professora chamada <strong>Marjorie Fish</strong> leu o relato de Hill em um livro popular e ficou fascinada com o mapa estelar. Apesar de não ser uma astrônoma, a professora mergulhou na literatura e na informação astronômica disponível à época, e montou um modelo das estrelas próximas capazes de abrigar vida, usando linhas e pequenas bolas. A partir dele, e ao longo de anos, Fish tentou descobrir quais seriam as estrelas que Betty Hill teria visto em seu mapa estelar.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="BettyHill StarMap   Anamorfose, Constela&ccedil;&otilde;es e Extraterrestres" border="0" alt="BettyHill StarMap destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/BettyHill_StarMap.jpg" width="600" height="399" /></p>
<p>E foi Fish que identificou que a &#8220;combinação exata&#8221; que apontava as estrelas principais no mapa alienígena como o sistema de Zeta Reticuli. As estrelas entrariam então para a cultura popular – até Fox Mulder mencionou o fato estabelecido sobre a origem dos aliens cabeçudos.</p>
<p>É uma história fascinante: alienígenas exibem um mapa estelar, e a partir dele uma professora consegue, após muito esforço, identificar a origem de nossos visitantes no Universo. Ufólogos como <strong>Stanton Friedman</strong> utilizam este elemento como uma peça central a validar o caso de abdução dos Hill. Infelizmente, alguns erros foram cometidos.</p>
<div align="center"><embed flashVars="playerVars=autoPlay=no" src="http://www.metacafe.com/fplayer/5139769/betty_barney_hill_star_map_of_zeta_reticuli.swf" width="540" height="304" wmode="transparent" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" name="Metacafe_5139769" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash"></embed></div>
<p>Ainda que suponhamos que Betty Hill realmente foi sequestrada por alienígenas e realmente viu um mapa estelar tridimensional, podemos confiar que o esboço que ela rabiscou posteriormente realmente reproduzia de forma acurada o que (talvez) tivesse visto?</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="hill5   Anamorfose, Constela&ccedil;&otilde;es e Extraterrestres" border="0" alt="hill5 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2012/01/hill5.jpg" width="494" height="356" /></p>
<p>A resposta é que nunca nenhum pesquisador OVNI realizou este teste com Betty Hill, que já faleceu. Qualquer um pode apreciar intuitivamente que seria difícil a qualquer pessoa, sob hipnose ou não, reproduzir com exatidão um padrão com mais de uma dezena de pontos e linhas de variados tamanhos.</p>
<p>Mas ainda que suponhamos que Betty Hill realmente foi sequestrada por alienígenas, realmente viu um mapa estelar tridimensional e realmente conseguiu reproduzi-lo com precisão em seu esboço, podemos confiar que o trabalho de Marjorie Fish identifica sem ambiguidade o sistema de Zeta Reticuli como o único sistema estelar que se ajusta ao mapa?</p>
<p>A resposta é negativa. Já à época em que foi divulgado, <strong>Carl Sagan</strong> e <strong>Steven Soter</strong> – que colaborariam mais tarde na série Cosmos, onde também comentaram o caso – mostraram que o padrão de pontos no mapa de Hill, com a margem de erro que Fish se permitiu, poderia se ajustar a outros sistemas estelares e que a semelhança visual se devia primariamente às linhas desenhadas ente as estrelas. E as linhas eram em grande parte arbitrárias, como a anamorfose das constelações demonstra.</p>
<p>Desde então, falhas ainda mais fundamentais foram encontradas com a ideia de Zeta Reticuli: o próprio catálogo de Gliese de estrelas próximas utilizado como base por Fish tornou-se ultrapassado. Utilizando simplesmente os dados muito mais precisos e completos gerados pelo satélite <em>Hipparcos</em> no início da década de 1990, o astrônomo <a href="http://airminded.org/2008/11/05/goodbye-zeta-reticuli/" target="_blank"><strong>Brett Holman</strong></a> demonstrou que, aplicando os critérios de Fish, excluindo sistemas estelares incapazes de suportar vida, seis das quinze estrelas que ela escolheu devem ser removidas, destruindo a “combinação exata” encontrada. Mais de um terço dos pontos não encontra combinação, e a crítica original de Sagan e Soter sobre a arbitrariedade de traçar linhas entre pontos aleatórios contra um vasto catálogo estelar se torna ainda mais forte. O artigo de Holman tem o título de “<em>Adeus, Zeta Reticuli</em>”.</p>
<p>Como comenta <a href="http://badufos.blogspot.com/2011/08/skeptic-does-mufon-symposium-part-5-of.html" target="_blank"><strong>Robert Schaeffer</strong></a>, ufólogos como Friedman pouco se abalam com essas informações. Apesar de conceder que o catálogo estelar <em>Hipparcos</em> é com certeza mais acurado que o utilizado por Fish, Friedman não aceita a conclusão inevitável que deriva daí que a identificação de Fish deve estar incorreta. Para Friedman, Zeta Reticuli permanece sendo a “base” ainda que essa base só tenha sido apontada através de dados que ele reconhece não serem corretos.</p>
<p>Talvez o casal Hill tenha sido sequestrado por alienígenas, embora haja uma série de evidências de que seu relato – que é tudo que existe para apoiar essa alegação – <a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/2016/os-olhos-que-falavam" target="_blank">contêm elementos de fantasia</a>. Talvez sejamos visitados por alienígenas. Mas é muito pouco provável que, como dizia Mulder, <a href="http://x-files.wikia.com/wiki/Reticulum" target="_blank">eles sejam de Zeta Reticuli e apreciem comer nossos fígados com cebolas</a>.</p>
<p>Incontáveis abduzidos, canalizadores e ufólogos com supostas fontes secretas ou extraterrestrenas passaram a mencionar <em>Zeta Reticuli</em> após o trabalho de Marjorie Fish, sem saber que ao fazê-lo apenas demonstravam como suas fontes são em verdade os erros e enganos muito terrestres e humanos.</p>
<p>[Confira também: <a href="http://blogs.elcorreo.com/magonia/2008/11/11/el-mapa-estelar-marjorie-fish/" target="_blank">El mapa estelar de Marjorie Fish</a>]</p>
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		<title>O Papa-Asno e os OVNIs de Nuremberg</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Nov 2011 15:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="papaasno nuremberg   O Papa Asno e os OVNIs de Nuremberg" border="0" alt="papaasno nuremberg destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/11/papaasno-nuremberg.jpg" width="640" height="438" /></p>
<p>Publicado em <a href="http://www.wunderkabinett.co.uk/damndata/index.php?/archives/920-Best-Evidence-The-Pope-Ass-and-the-Nuremberg-Spheres.html" target="_blank"><em><strong>Damn Data</strong></em></a>, traduzido por colaboração de Vitor Moura</p>
<p>Em 1523, o reformador <strong>Martinho Lutero</strong> publicou um panfleto inflamatório chamado <em>Of Two Wonderful Popish Monsters</em> [Sobre Dois Maravilhosos Montros Papistas, em tradução livre]. O panfleto descrevia o aparecimento recente de duas criaturas bizarras: o <em>Papa-Asno</em> e o <em>Monge-Bezerro</em>. Ambos tinham sido criados por Deus para demonstrar através de uma alegoria viva o seu descontentamento com a Igreja Católica. O Papa-Asno (com um corpo humano mas uma cabeça de asno) mostrava a ira de Deus pela Igreja ter o Papa como líder. O Monge Bezerro (uma monstruosidade gorda com orelhas enormes) demonstrava o descontentamento de Deus com a prática de ouvir confissões.</p>
<p align="center"><font size="1"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="papasno mongebezerro lutero 1523   O Papa Asno e os OVNIs de Nuremberg" border="0" alt="papasno mongebezerro lutero 1523 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/11/papasno-mongebezerro-lutero-1523.jpg" width="500" height="372" /></font></p>
<p align="center"><font size="1">O Papa-Asno e o Monge-Bezerro. De Martinho Lutero e Philip Melancthon, &#8216;Deuttung der cwo grewlichen Figuren&#8217; (Wittenberg, 1523)</font></p>
<p>De que forma Lutero esperava que o seu público tomasse esses monstros híbridos? Provavelmente, ele sabia que, enquanto os leitores bem-educados os veriam como metáforas, a classe camponesa, provavelmente, acreditaria neles literalmente. Uma tradução inglesa de 1579 do folheto adverte o leitor contra tomar os monstros como “<em>meras fábulas</em>”. Pelo contrário, devem “<em>tremer de medo ao ver tais monstros prodigiosos</em>”, que são sinais evidentes da “<em>ira e da fúria de Deus</em>”.</p>
<p>Talvez seja apenas uma questão de tempo antes que algum ufólogo ansioso sugira que o Papa-Asno e o Monge-Bezerro fossem na verdade extraterrestres caídos na Terra. Afinal, um recente documentário chamado <em>Best Evidence: Top 10 UFO Sightings</em> [A Melhor Evidência: Os 10 Melhores Avistamentos de OVNIS, em tradução livre] promove o conto de 1561 das esferas de Nuremberg como fornecendo uma prova convincente de que os OVNIs já nos visitavam há séculos.</p>
<p align="center"><font size="1"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="nuremberg 1561   O Papa Asno e os OVNIs de Nuremberg" border="0" alt="nuremberg 1561 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/11/nuremberg-1561.jpg" width="500" height="511" />      <br />“Fenômeno no céu em Nuremberg em 14 de abril de 1561”, Hans Glaser (<em>Digitale Bibliothek: The Yorck Project 9)</em></font></p>
<p>Antes de considerar as esferas em si, vale a pena fazer uma rápida revisão histórica geral. Em 1561, Lutero só estava morto há 20 anos, e o choque da Reforma tinha criado uma onda de paranóia apocalíptica entre a população européia semi-faminta infestada de doenças. Os teólogos protestantes declararam que a Igreja Católica era a Besta descrita no Livro do Apocalipse, cujos mil anos de reinado seriam seguidos pela batalha final entre o bem e o mal, enquanto que para muitos católicos, o próprio Lutero era o Anticristo, que teria precipitado o conflito final.</p>
<p>Ambos os lados se aproveitaram da imprensa, recentemente inventada, para bombardear o povo com propaganda na forma de panfletos e cartazes sensacionalistas. O poder do Diabo sobre o mundo estava crescendo, eles proclamavam em voz alta. As comunidades rurais estavam infestadas com bruxas ansiosas para fazer a vontade de Satanás. E sinais e prodígios apareciam diariamente – uma prova segura de que o fim dos tempos estavam próximo.</p>
<p>Entre os panfletos falando do nascimento de bezerros de duas cabeças e de bruxas que afligiam a Terra havia um alegando que um “<em>espetáculo medonho</em>” tinha sido visto nos céus de Nuremberg. Um grupo de esferas coloridas, aparentemente, surgiu de dois tubos e se engajavam numa batalha uma contra a outra. Também foram vistas uma enorme lança preta e várias cruzes voadoras cor de sangue. Depois de pinotear suspensos durante uma hora, os objetos voaram para o Sol, embora alguns caíssem na Terra e evaporassem.</p>
<p>O autor do panfleto interpreta a batalha aérea como um sinal da ira de Deus, e exorta os seus leitores a “<em>endireitarem suas vidas</em>” e rezar para que Deus “<em>afaste a sua ira</em>”. Ele também menciona outras maravilhas vistas no céu naquele ano, incluindo um crucifixo, “<em>ataúdes e caixões com homens negros ao lado deles</em>”, e “<em>varas e chicotes</em>”. Os ufólogos, naturalmente, ignoram completamente os caixões, os crucifixos, as cruzes sangrentas, os chicotes e os homens negros. Para eles, o panfleto simplesmente descreve a aparição de um par de naves-mãe e uma flotilha de espaçonaves esféricas.</p>
<p>Seletivos? Bem, sim – apenas um pouco.</p>
<p>Talvez os alienígenas realmente tenham sobrevoado Nuremberg no século XVI por nenhuma razão melhor do que a de confundir a população. E talvez eles realmente se parecessem com o Papa-Asno e Monge-Bezerro do panfleto anterior de Lutero. Ou talvez, em vez disso, devêssemos ser cautelosos ao interpretar textos de 500 anos de idade sem ao menos considerar brevemente o contexto da sua publicação original.</p>
<p>- &#8211; -</p>
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		<title>Extraterrestre &#8220;Palito&#8221; na Argentina foi criado em computador</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 02:10:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotos de Alienígenas]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/g4B-yHvvT_o" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>No ano passado, um esbelto alienígena fez uma discreta aparição ao fundo da cena de um noticiário em Caleta Olivia, Argentina. O vídeo já teve mais de 20 milhões de visualizações desde então, mas pouco depois que foi publicado no Youtube, <a href="http://www.youtube.com/user/christianrend3r" target="_blank">os autores</a> também divulgaram este vídeo:</p>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/gtEkzejgnbI" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Onde se pode ver o vídeo original em maior definição (iniciando em 00:14). E também o extraterrestre original em algumas outras cenas. E em outro vídeo, os criadores capturaram o mesmo modelo de alienígena dançando em um dos marcos de Caleta Olivia.</p>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/3D7p28eFv0s" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Caso reste alguma dúvida de que o vídeo foi criado inserindo o modelo alienígena digitalmente (segundo os criadores, “em cinco minutos”), um dos sócios da empresa de efeitos virtuais confessou a fraude ao programa <em>Fact or Faked</em>:</p>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/zoI3orpd40c" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Um vídeo de “extraterrestre palito” solucionado, restam apenas uma infinidade de outros tão ou mais duvidosos. Selecionamos alguns na continuação.</p>
<p><span id="more-6311"></span><br />
<h1>O Homem de Quives</h1>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/g36ScqOB1Wo" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Em 2007, um vídeo capturado em Santa Rosa de Quives, no Peru, provocou comoção pela suposta aparição de uma criatura movendo-se para a direita, chamada de “O Homem de Quives” ou “O Duende de Santa Rosa”. Depois de explorar o vídeo e propagar o alegado mistério, o vídeo original com melhor qualidade foi finalmente divulgado, deixando claro que <a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/1765/quives-stick-figure-alien-indeed-a-plant" target="_blank">o extraterrestre era apenas um ramo dos arbustos</a>.</p>
<h1>O Alien de Fresno</h1>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/BJmzJyzRcjc" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Promovido em 2009 por <strong>Victor Camacho</strong>, até hoje não se divulgou abertamente o vídeo com uma qualidade aceitável – circulam apenas, como no caso peruano, vídeos de vídeos. Analisar a gravação original pode ser crucial para desvendar o caso, embora aqui um engano seja pouco provável – é ou uma autêntica criatura desconhecida, ou uma fraude.</p>
<p>O programa <em>Fact or Faked</em> buscou reproduzir o vídeo, incluindo através de um boneco puxado por fios, sem muito sucesso. Como sugerimos originalmente, contudo, o que a equipe televisiva não tentou foi simplesmente puxar pedaços de pano com fios.</p>
<p>Curiosamente, o mesmo programa sim tentou essa ideia ao reproduzir o extraterrestre de Caleta Olivia.</p>
<p>Seja como for, a menos que o autor deste vídeo confesse a fraude, tudo o que temos é um vídeo duvidoso que pode ser reproduzido com pedaços de pano e cordas. Sobre essa possibilidade, veja também os vídeos seguintes.</p>
<h1>Meme de “Nightcrawlers”</h1>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/ziB35K9shuI" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>E agora este tipo de alienígena-criatura se torna um <em>meme</em> na rede, a ponto de vermos vídeos surgindo de fontes anônimas, geralmente de artistas digitais tentando a sorte com vídeos virais.</p>
<p>O vídeo acima teria sido encontrado, em uma fabulosa coincidência, por um sujeito que já estaria analisando o vídeo original de Fresno. É supostamente de Yosemite, também nos EUA.</p>
<p>O indicador de hora bem como o ruído no vídeo parecem um tanto artificiais – isto é, adicionados em pós-produção, digitalmente, para emular artefatos analógicos. Isso sugere que as criaturas também foram criadas em computação gráfica, o que seria curioso uma vez que seria uma recriação digital da fraude original usando pedaços de pano.</p>
<p>Fato é que qualquer vídeo extraordinário de fonte anônima divulgado na Internet perde <strong>toda</strong> sua credbilidade. A identificação da fonte e testemunhas é a pedra fundamental para começar a estabelecer alguma verossimilhança em um mundo onde imagens são apenas uma coleção de pixels sem qualquer conexão obrigatória com a realidade.</p>
<p>Como o próximo vídeo, anônimo, mas curiosamente real:</p>
<p><iframe height="369" src="http://www.youtube.com/embed/0aRn6uiMxDI" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Não pude encontrar nenhuma informação sobre a fonte, exceto que seria supostamente de Fresno. O vídeo é interessante porque destaca de forma mais clara como pedaços de pano puxados por fios – que é tudo que estamos vendo – podem se comportar. Não é uma reprodução exata do vídeo original de Fresno, mas ilustra a ideia.</p>
<p>Vídeos reais, mas em verdade pouco misteriosos.</p>
<p>Este último vídeo lembrou-me de uma tradição japonesa. Para desejar um dia ensolarado, criou-se a superstição de criar pequenos amuletos chamados “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Teru_teru_bozu" target="_blank">Teru teru bozu</a>”, nada menos que pequenos bonecos de pano estilizados, com uma cabeça redonda representando a careca de um monge budista. Os amuletos são pendurados em janelas, e garantiriam o bom tempo.</p>
<p align="center"><font size="1"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="2006 06090004 2   Extraterrestre &ldquo;Palito&rdquo; na Argentina foi criado em computador" border="0" alt="2006 06090004 2 fotos de alienigenas" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/10/2006_06090004_2.jpg" width="500" height="375" />       <br />[</font><a href="http://moku-moku.air-nifty.com/taiken/2006/06/post_3ee3.html" target="_blank"><font size="1">fonte</font></a><font size="1">]</font></p>
<p>Da próxima vez que um dos vídeos deste novo meme surgir, ao invés de pensar em assustadoras criaturas andando sorrateiramente pela noite, talvez seja mais engraçado pensar em pequenos amuletos de pano com rostos sorridentes. Puxados por fraudadores, por vezes.</p>
<p>Nada a temer exceto tropeçar nos fios.</p>
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		<title>Podcast &#8220;Vis&#227;o Hist&#243;rica&#8221; aborda Discos Voadores, Extraterrestres e Ufologia</title>
		<link>http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/6300/podcast-viso-histrica-aborda-discos-voadores-extraterrestres-e-ufologia</link>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 12:44:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ufologia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Comandada pelos historiadores Gabriel Perboni e Pedro Ferrari, a mais nova edição do podcast com “a missão de despertar o interesse por personagens, eventos e períodos históricos e fomentar sua pesquisa em qualquer nível” adentra o mundo dos discos voadores! ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="banner 25historica   Podcast &ldquo;Vis&atilde;o Hist&oacute;rica&rdquo; aborda Discos Voadores, Extraterrestres e Ufologia" border="0" alt="banner 25historica destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/10/banner-25historica.jpg" width="600" height="155" /></p>
<p>Comandada pelos historiadores <strong>Gabriel Perboni</strong> e <strong>Pedro Ferrari</strong>, a mais nova edição do podcast com “<em>a missão de despertar o interesse por personagens, eventos e períodos históricos e fomentar sua pesquisa em qualquer nível</em>” adentra o mundo dos discos voadores!</p>
<p>Viaje pela abordagem histórica indo da ficção sobre extraterrestres aos supostos contatos reais com estes seres coincidentemente humanóides, com a participação deste que escreve aqui e também do amigo e historiador <strong>Rodolpho Gauthier</strong>, que desenvolveu sua tese sobre os primórdios dos discos voadores na mídia brasileira:</p>
<p><strong>Visão Histórica 25</strong>: <a href="http://historica.com.br/podcast/visao-historica/025-ja-chegou-o-disco-voador" target="_blank">Já chegou o disco voador?</a></p>
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		<title>Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 03:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Fortianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ufologia]]></category>
		<category><![CDATA[física]]></category>

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		<description><![CDATA[Um engenheiro da Universidade de Washington pode ter descoberto um fascinante fenômeno natural através de vídeos na Internet. “Há alguns anos em apresentações em museus eu estava explicando a ótica dos arco-íris e explicando a dinâmica de tempestades”, conta William ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Himmelserscheinung_ber_Nrnberg_vom_14._April_1561f.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6219" title="Himmelserscheinung ber Nrnberg vom 14. April 1561f   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/Himmelserscheinung_ber_Nrnberg_vom_14._April_1561f.jpg" alt="Himmelserscheinung ber Nrnberg vom 14. April 1561f ciencia" width="600" height="401" /></a></p>
<p>Um engenheiro da Universidade de Washington pode ter descoberto um fascinante fenômeno natural através de vídeos na Internet.</p>
<p>“<em>Há alguns anos em apresentações em museus eu estava explicando a ótica dos arco-íris e explicando a dinâmica de tempestades</em>”, conta <a href="http://amasci.com/" target="_blank"><strong>William Beaty</strong></a>. “<em>Tropecei então com uma estranha ideia: não deveriam os fortes campos eletrostáticos das tempestades terem um efeito visível em arco-íris? Campos elétricos deveriam distorcer levemente gotas d’água, fazendo com que a distribuição de luz de um arco-íris mudasse um pouco</em>”, especulou.</p>
<p>Como esse fenômeno se pareceria? “<em>Por vezes deveríamos notar um arco-íris tremeluzindo durante um relâmpago, e então retornando lentamente a seu padrão inicial enquanto os campos elétricos se acumulassem antes de outro raio</em>”.</p>
<p>Apesar da possibilidade tantalizante, Beaty não encontrou evidências do fenômeno de arco-íris dançando em meio a tempestades – pelo menos ainda. Mas os usuários do site Youtube, “LordHermie” e “JimBob” lhe chamaram a atenção para algo não muito diferente: vídeos capturados em diferentes partes do globo, dos EUA à Malásia, registrando fachos de luz em rápido movimento sobre nuvens de tempestades.</p>
<h3>Parélios Dançantes?</h3>
<p><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/1Z_-uK5Btik" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/Sc9Ks6H3coY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/cUcH3VClzUI" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><iframe width="290" height="247" src="http://www.youtube.com/embed/fEiQKOLXU8Y" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Os vídeos acima, capturados por diferentes testemunhas pelo mundo, assistidos e compartilhados com perplexidade, demonstram algo muito similar ao sugerido por Beaty. “<em>Ao invés da distorção de gotas de água</em>”, nota Beaty, “<em>estes devem ser padrões luminosos de parélios causados por cristais de gelo alinhados</em>”.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/fig20.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6220" title="fig20   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/fig20.jpg" alt="fig20 ciencia" width="420" height="343" /><br />
</a>[<a href="http://www.atoptics.co.uk/" target="_blank">Atmospheric Optics</a>]</p>
<p><a href="http://www.atoptics.co.uk/halosim.htm" target="_blank">Parélios</a> são relativamente comuns: basicamente, basta que haja cristais de gelo na atmosfera para que o fenômeno ocorra. Para que ele seja mais facilmente percebido, contudo, as condições propícias são que a fonte de luz, como o Sol, esteja próximo do horizonte e o céu limpo.</p>
<p>Quando os cristais estão desalinhados, forma-se um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Halo_(optical_phenomenon)" target="_blank">halo</a>, um círculo de luz em torno do Sol. Quando estão alinhados, principalmente por forças aerodinâmicas, criam os parélios (ou “falsos sóis”) propriamente ditos, surgindo como um par de “sóis” aos lados do astro-rei. O fenômeno ótico não ocorre apenas com o Sol, e uma Lua cheia particularmente brilhante, com as condições atmosféricas apropriadas, também pode ser vista com halos ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Moon_dog" target="_blank">paraselenes</a> ao seu redor.</p>
<p><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/sunhalo_rosen.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-6221" title="sunhalo rosen   Novo Fenômeno Natural Faz Luzes Dançarem no Céu" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/06/sunhalo_rosen.jpg" alt="sunhalo rosen ciencia" width="600" height="351" /></a><br />
[Peter Rosén, <a href="http://apod.nasa.gov/apod/ap110110.html" target="_blank">APOD</a>]</p>
<p>Se basta a existência de cristais de gelo, sabemos que eles podem popular o topo de nuvens de tempestades. E se a “estranha ideia” de Beaty é que os cristais poderiam se alinhar em resposta a campos elétricos de tempestades, o alinhamento foi tanto observado em laboratório a campos elétricos relativamente fracos (Foster, Hallet, 2002, 2008), como através de radares meteorológicos em resposta à atividade elétrica de tempestades (Caylor, Chandrasekar, 1996).</p>
<p>A novidade, e a espetacular novidade, seria que estes fenômenos já reconhecidos e sendo estudados se combinem para produzir espetáculos de luzes visíveis, algo que ainda não parece ter sido estudado academicamente.</p>
<h3>Em Busca de Confirmação</h3>
<p>O brilho particular de um halo ou de parélios está literalmente nos olhos do observador: os cristais de gelo não se distribuem apenas em um anel ou na região onde se observam os parélios. Como o fim dos arco-íris, você poderia perseguir os parélios, mas nunca os alcançaria. Os cristais se distribuem pelo céu, e apenas aqueles nos ângulos certos, determinados pela geometria dos cristais e o ângulo entre a fonte de luz e o observador responde pelos brilhos particulares.</p>
<p>O que vemos nos vídeos, na opinião deste autor, não é completamente similar a halos. Realmente parece haver algo direcionando a luz solar em fachos, e é relevante que todos os vídeos mostram os fachos próximos do topo iluminado das nuvens com o sol brilhando obliquamente. Cristais de gelo alinhando-se em resposta a campos elétricos em rápida mudança, a sugestão original de Beaty, parecem parte da resposta, mas o fenômeno não parece se enquadrar como uma classe de halo ou parélio.</p>
<p>Mais pesquisa é necessária, e explicações alternativas aos vídeos podem incluir desde fraudes digitais, artefatos das câmeras até fenômenos muito mais mundanos, como movimentos de partes das nuvens direcionando os raios de luz por entre vãos, ou algo talvez tão inusitado, sugerido pelo físico <strong>Martin Shough</strong>, como ondas de choque de trovôes provocando triboluminescência.</p>
<p>Todas estas explicações alternativas têm seus problemas. Os vídeos foram enviados por usuários diferentes e não foram associados, até o momento, a uma campanha viral. Os fenômenos não são compatíveis com as características de artefatos digitais ou óticos próprios de câmeras, e o movimento rápido dos fachos de luz não parece compatível com uma simples ação mecânica direta.</p>
<p>Uma das mais fortes evidências de que o fenômeno se relaciona com o campo elétrico é de fato a forma como as luzes se movimentam, primeiro bruscamente e então retornando lentamente a seu estado inicial, em um movimento que traçado lembra o de um dente de serra. É exatamente o comportamento esperado da acumulação de um campo elétrico que é então descarregado através de um relâmpago, para então acumular-se novamente. Que ele seja produzido pelo alinhamento simultâneo de um conjunto de cristais de gelo também é mais plausível que o movimento direto de uma nuvem.</p>
<p>Beaty divulgou sua ideia e os vídeos relacionados no ano de 2009, mas resta confirmar, ou refutar, se o fenômeno realmente faz o cruzamento entre cristais de gelo, a luz do Sol e o campo elétrico de tempestades. Restaria ainda compreendê-lo plenamente. Caso se confirme, é algo que deve ter sido observado incontáveis vezes ao longo da história em todo o mundo, e como os parélios tradicionais, pode ter sido registrado associado a um sem número de superstições e mistificações, até que seu mecanismo físico real seja compreendido.</p>
<p>Porém, tão curioso quanto o fato de que o fenômeno ainda não tenha sido explorado academicamente é que tampouco parece haver registro na literatura fortiana ou ufológica. Ou haveria? Temos relatos de fachos de luz dançando ao redor de nuvens de tempestades?</p>
<p>Seja como for, não é a toda hora que se descobre um novo fenômeno natural, e se há algo excitante no estudo do inusitado é assistir à descoberta de algo verdadeiramente novo.</p>
<p>[Com agradecimentos a Bill Beaty, Martin Shough e Manuel Borraz]</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<p>- Beaty, W. J.; “<strong><a href="http://amasci.com/amateur/sundog.html" target="_blank">Leaping Sundogs produced by storm electrostatic fields</a></strong>”, Nov 2009</p>
<p>- Caylor, I.J.;   Chandrasekar, V.; “<a href="http://ieeexplore.ieee.org/xpl/freeabs_all.jsp?arnumber=508402" target="_blank">Time-varying ice crystal orientation in thunderstorms observed with multiparameter radar</a>”, Geoscience and Remote Sensing, IEEE Transactions, Volume 34, Issue 4 , Jul 1996, pp 847-858</p>
<p>- Foster, TC; Hallett, J; “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S016980950200008X" target="_blank">The alignment of ice crystals in changing electric fields</a>”, Atmospheric Research, Volume 62, Issues 1-2, May 2002, pp 149-169</p>
<p>- Foster, TC; Hallett, J; “<a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0169809508000884" target="_blank">Enhanced alignment of plate ice crystals in a non-uniform electric field</a>”, Atmospheric Research, Volume 90, Issue 1, October 2008, pp 41-53</p>
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		<title>Quem Ensinou Deus a Pilotar? As Origens do Mito dos Deuses Astronautas</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2011 04:19:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ufologia]]></category>
		<category><![CDATA[deuses astronautas]]></category>
		<category><![CDATA[erich von daniken]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo de Gareth Medway, publicado em Magonia 57, setembro de 1996 Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Lisângelo Berti O livro God Drives a Flying Saucer [“Deus Pilota Um Disco Voador”] de R. L. Dione (Corgi, 1973; 1a. ed. 1969) zomba ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="deuses astronautas   Quem Ensinou Deus a Pilotar? As Origens do Mito dos Deuses Astronautas" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/05/deuses_astronautas.jpg" border="0" alt="deuses astronautas ceticismo" width="600" height="382" /></p>
<p>Artigo de <strong>Gareth Medway</strong>, publicado em <em><a href="http://magonia.haaan.com/2009/aaorigins/" target="_blank">Magonia 57</a></em>, setembro de 1996<br />
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Lisângelo Berti</p>
<p>O livro <em>God Drives a Flying Saucer</em> [“Deus Pilota Um Disco Voador”] de <strong>R. L. Dione</strong> (Corgi, 1973; 1a. ed. 1969) zomba da metafísica tradicional:</p>
<blockquote><p>“<em>… nenhum suposto sistema de lógica pode resolver as inconsistências e paradoxos inerentes à crença de que o homem é habitado por algo místico, sobrenatural e imortal chamado de alma</em>”.</p></blockquote>
<p>Voltando-se para a Bíblia, o que se diz dos milagres ali registrados? Dione não encontra razão para duvidar da correção da Bíblia: “<em>…se não fosse pelas referências a milagres, a Bíblia permaneceria incontestada como uma proeza monumental em relatos históricos</em>”.</p>
<p>Ele julga a possibilidade de poderes sobrenaturais absurda, portanto a única explicação é que tecnologia de discos voadores estava em ação. Admitindo isso, tudo se torna simples: <strong>Adão</strong> e <strong>Eva</strong> foram criados por engenheiros genéticos trabalhando sob a direção de Deus, que é o “<em>líder dos mestres tecnólogos</em>”; anjos eram astronautas; a visão de <strong>Ezequiel</strong> foi de discos voadores; assim como para a Imaculada Conceição, é “<em>lógico supor</em>” que Gabriel era um “<em>especialista em biologia</em>” que artificialmente inseminou <strong>Maria</strong> com uma agulha hipodérmica; e “<em>o esperma utilizado pode muito bem ter sido de Deus tornando <strong>Jesus</strong> o Filho de Deus como a Bíblia ensina</em>”.</p>
<p>No fim, o Deus super tecnológico de Dione mal pode ser diferenciado daquele sobrenatural dos católicos. Não temos almas, mas a tecnologia pode tornar imortais nossas mentes, as quais são eletromagnéticas por natureza: “<em>Deus irá escolher qual de nós sobreviverá como anjos nos ceús… pela análise das anotações de nossos anjos da guarda e pelo estudo da fitas de monitoramento que estão agora mesmo registrando nossas vidas</em>”.</p>
<p>Dione foi evidentemente influenciado pela igreja Romana, já que devotou todo um capítulo para Fátima e citou a Bíblia através de uma versão revisada da tradução Douay. <strong>David F. McConnell</strong>, em seu livro <em>Flying Saucers of the Lord</em> (“Discos Voadores do Senhor” Economy Printing Company, Miami, Horida, 1969) usou a tradução do Rei James (sendo assim presume-se que seja protestante), mas suas interpretações são muito semelhantes às de Dione:</p>
<blockquote><p>“Exôdo 13:21 E o Senhor ia adiante deles de dia numa coluna de nuvem, para guiá-los pelo caminho, e a noite em um coluna de fogo, para os iluminar, para prosseguirem de dia e a noite. Este era um caso de disco ou discos voadores do Senhor liderando os filhos de Israel pelas vastidões do Mar Vermelho …. Salmo 97:3 Adiante dele vai um fogo que abrasa os seus inimigos em redor.. Os discos voadores do Senhor com os anjos vão a frente do Senhor e queimam seus inimigos”.</p></blockquote>
<h3>Uma Questão de Fé</h3>
<p>Até cerca de 1950, a religião parecia estar em declínio por toda a parte, enquanto que a ciência e o materialismo avançavam, aparentemente em direção ao ateísmo universal. Uma das objeções padrão à religião era que a Bíblia é cheia de milagres, algo que o progresso da ciência tinha indicado ser impossível. O Livro de Josué registra que Deus, a pedido de Josué, parou o sol em seu movimento durante todo um dia. Em tempos antigos, isto não parecia estranho; após <strong>Newton</strong>, era difícil de acreditar.</p>
<p>1950 viu a publicação de <em>Mundos Em Colisão</em> de <strong>Immanuel Velikovsky</strong>. Apesar de seu autor poder não ter percebido conscientemente, a intenção deste livro parece ter sido a reconciliação da ciência com a religião.</p>
<p>Como era judeu, para Velikovsky a religião significava o Velho Testamento. Ele sugeriu que muitas das maravilhas da Bíblia poderiam ser explicadas em termos totalmente científicos como sendo catástrofes em decorrência dos deslocamentos dos planetas Vênus e Marte. Ele considerava que Vênus teria surgido apenas há alguns milênios, quando foi ejetado de Júpiter. Em cerca de 1.500 AC ele se aproximou da Terra, causando vários efeitos gravitacionais dramáticos como a separação do Mar Vermelho e a interrupção do movimento do Sol mencionada acima. Por fim ele alcançou sua presente órbita que era então ocupada por Marte. Vênus estabeleceu-se na órbita de Marte, e Marte foi afastado do Sol, passando pela Terra em meio ao período relatado no Livro dos Reis bíblico, causando posteriormente vários aparentes milagres.</p>
<p>O dr. Velikovsky era amigo tanto de <strong>Sigmund Freud</strong> como de <strong>Albert Einstein</strong>, e evidentemente esperava que seu nome estaria um dia ao lado deles. Ele ficou desapontado: apesar de Mundos em Colisão ter sido publicado pela respeitada editora acadêmica <em>Macmillan</em> de Nova York, não apenas escritores científicos o denunciaram, mas universidades ameaçaram boicotar a lista inteira de livros da Macmillan enquanto o trabalho de Velikovsky nela permanecesse. Eles então transferiram os direitos para a <em>Doubleday</em>, que não trabalha com livros de ensino, e apesar de todas as críticas o livro vendeu bem por décadas. Apesar de haver existido objeções perfeitamente legítimas às teorias de Velikovsky no campo astronômico, esta reação extremada levou à suspeita de que seus oponentes estavam de alguma forma cientes do propósito religioso oculto do livro, e era a isso que objetavam.</p>
<p>De certo modo, Velikovsky estava firmemente inserido na tradição Rabínica, na qual toda e qualquer coisa pode ser encontrada na Torá (Lei de Deus). No século 12, quando a filosofia Aristotélica tornou-se popular entre os judeus, rabinos proclamavam encontrá-la em sua totalidade nas suas escrituras. Aristóteles ensinava existirem três partes da alma: a alma animal, a alma racional, e a alma divina. Pois a palavra Bíblica Hebraica para &#8216;alma&#8217; é <em>nephesh</em>, mas vez ou outra <em>ruach</em> ou <em>neshamah</em>, ambas significando &#8216;vento&#8217; ou &#8216;sopro&#8217; e são utilizadas no sentido de &#8216;sopro da vida&#8217;. (Gênesis 2:7: “<em>E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o neshamah da vida; e o homem foi feito nephesh vivente</em>”.) Assim foi explicado que nephesh era a alma animal, ruach a alma racional, e neshamah a alma divina. Tendo desta maneira descoberto todo o sistema de Aristóteles inserido em seus livros sagrados, eles declararam que Aristóteles deveria ter viajado para Jerusalém e aprendido com os judeus.</p>
<p>Já se brincava com a ideia de Antigos Astronautas desde 1919 com <strong>Charles Fort</strong> em <em>O Livro dos Malditos</em>. Também se tornou uma tema regular na ficção científica. Notavelmente, em novembro de 1947, <em>Fantastic Stories</em> teve um conto &#8216;<em>Son of the Sun</em>&#8216; (Filho do Sol), na forma de uma mensagem de um extraterrestre que revela para a raça humana que a nave sendo vista pelos céus (isto foi poucos meses após o início da primeira onda de discos voadores) tem visitado a Terra há tempos: seus ocupantes foram anteriormente confundidos com deuses. Eles deixaram para trás “<em>certos pontos de referência</em>” no Egito e em outros lugares. O autor desta obra, &#8216;<em>Alexander Blade</em>&#8216;, não era outro senão <strong>Brinsley le Poer Trench</strong>, em seguida autor de uma série de livros sobre o tema, iniciando com <em>The Sky People</em> (“O Povo Celestial”, Neville Spearman, 160) e por daí em diante.</p>
<p>O primeiro tratamento importante sobre o tema foi o de <strong>Desmond Leslie</strong> em <em>Flying Saucers Have Landed</em> (“Os Discos Voadores Pousaram”), o qual apareceu três anos após Mundos Em Colisão. Após algumas narrativas de OVNIs modernos, Leslie subitamente voltou milhares de anos atrás para a Atlântida. Naqueles dias as pessoas voavam em máquinas chamadas <em>vimanas</em>, sobre as quais se escreveu: “<em>&#8230;sua superfície exterior era aparentemente sem emendas e perfeitamente lisa, e brilhavam no escuro como se cobertas com uma pintura luminosa</em>”. (FSHL, p. 81, citando W. Scott Elliott, The Story of Atlantis “A História de Atlântida”).</p>
<p>Estes não foram os primeiros discos voadores: de fato, a vida humana foi trazida primeiramente para a Terra a partir de Vênus pelos Senhores da Chama, de quem Leslie citou das <em>Stanzas of Dzyan</em> (“Estrofes de Dzyan”):</p>
<blockquote><p>“Os Senhores da Chama ergueram-se e preparam-se&#8230; o Grande Senhor da Quarta Esfera (a Terra) aguardava sua chegada. O inferior (Terra) estava preparado. O superior (Vênus) estava conformado..”. Sua chegada assim foi descrita: “Quando com o poderoso rugido de uma rápida descida de incalculáveis alturas, cercada pelas massas incandescentes de fogo as quais preenchiam o céu disparando línguas chamejantes, a nave dos Senhores da Chama irromperam através dos espaços aéreos. Ela se deteve sobre a Ilha Branca que repousa no Mar de Gobi, verde ela era, e radiante com as primeiras flores, como se a Terra oferecesse seu melhor e mais belo para receber seu Rei”. (FSHL, p. 166, citando Besant e Leadbeater, Man: How, Whence and Whither “Homem: Como, De Onde e Para Onde”)</p></blockquote>
<p>Leslie comentou: “<em>Neste fragmento temos a primeira narrativa da aterrissagem de uma grande espaçonave ou disco voador&#8230; Por mais incrível que pareça, não pode haver outro significado para esta passagem</em>”.</p>
<p>Ele datou esta aterrissagem ao ano 18.617.841 AC&#8230;</p>
<p>Em vista destas sensacionais conclusões, alguém poderia perguntar, quão confiáveis são essas fontes? Esta questão parece não ter ocorrido a Leslie. Suas principais fontes citadas são as Estrofes de Dzyan, junto com os escritos de <strong>Annie Besant</strong>, <strong>Charles Leadbeater</strong>, <strong>W. Scott Elliott</strong> e <strong>Alice Bailey</strong>. As Estrofes de Dzyan foram primeiro publicadas no livro <em>A Doutrina Secreta</em> de <strong>Madame Blavatsky</strong>, apresentado com a descrição: “<em>Um Manuscrito arcaico &#8211; uma coleção em folhas de palma feitas impermeáveis a água, fogo e ao ar, por algum processo específico e desconhecido – que está diante dos olhos de quem escreve</em>”. Infelizmente, este livro parece não ter estado diante dos olhos de mais ninguém, e a própria Madame Blavastsky provavelmente só o viu em clarividência. Portanto é razoável objetar que é uma questão de fé, ao invés de um registro histórico, aceitar sua narrativa dos Senhores da Chama. Além do mais, a informação fornecida por Besant, Leadbeater, Scott Elliot e Bailey foi também obtida por investigação psiquíca, (A data 18.617.841 estava “<em>de acordo com as Tábuas de Brahmin</em>”).</p>
<blockquote><p>“Assim que abandonamos nossa própria razão e estamos dispostos a confiar na autoridade, não há fim para nossos problemas. Autoridade de quem? Do Velho Testamento? Do Novo Testamento? O Corão? Na prática, as pessoas escolhem o livro considerado sagrado pela comunidade na qual nasceram, e destacam desse livro as partes que gostam, ignorando as outras&#8230; Nenhum católico, por exemplo, levará a sério o texto que diz que um bispo deveria ser o marido de uma mulher”. (Bertrand Russel, Unpopular Essays “Ensaios Impopulares”, 1950, p. 108).</p></blockquote>
<p>Assim, as principais fontes de Leslie foram escritores teosóficos, e mesmo que a Sociedade Teosófica queira negar, a Teosofia é de fato uma religião, com os escritos de Blavatsky, Besant e cia. sendo suas escrituras. Desmond Leslie era evidentemente um teosofista, e ele estava apenas atualizando sua religião vitoriana para incorporar o novo fenômeno dos discos voadores.</p>
<p>Para ser justo, ele também foi capaz de citar alguns livros inquestionavelmente antigos, principalmente o <em>Mahabharata</em>, que menciona naves voadoras e armamentos letais tais como a “<em>Arma de Brahma</em>” descrita em termos comparáveis a uma bomba nuclear. Apesar do próprio Mahabharata ser um livro sagrado para os hindus. Alguns anos atrás encontrei um guru indiano que estava a caminho da Califórnia. Ele disse que seu primeiro lar foi uma caverna no Himalaia, a qual era equipada com seu próprio aparelho de televisão. Ele explicou que teve de conseguir um para ver a dramatização do Mahabharata, já que era um dever religioso assisti-la.</p>
<p>Para muitos ocidentais, é claro, religião significa cristianismo e escritura, a Bíblia. O surgimento em 1956 de <em>UFO and the Bible</em> “OVNIs e a Bíblia” de <strong>Morris K. Jessup</strong> (Citadel Press, Nova York) já não foi novidade. Ele iniciou dizendo: “<em>Dificilmente uma semana se passa sem que um leitor atento me envie sugestões de que deveria expôr as referências bíblicas aos OVNIs e fenômenos relacionados considerados por assim dizer milagrosos</em>”.</p>
<p>Jessup começou com um posicionamento: “<em>Acredito que é hora da Igreja e da Ciência enterrarem seus respectivos machados de guerra e deixar que o cachimbo da paz intelectual ilumine enquanto ambas as partes amadurecem ao redor da fogueira da tolerância e da pesquisa objetiva</em>”. Como um exemplo da reconciliação destes dois lados, escolhe Reis II 2:11: “<em>E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que uma carruagem de fogo, e cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho</em>”. Jessup citou um “<em>qualificado e profundo estudioso da Bíblia</em>” um Sr. <strong>H. Lawrence Crowell</strong>, como afirmando que “<em>as palavras em aramaico ruach cearah deveriam ser traduzidas como &#8216;explosão de energia&#8217; ao invés de &#8216;redemoinho&#8217;”</em>. Ele poderia assim, oferecer uma nova versão:</p>
<blockquote><p>“Indo eles andando e falando, eis que apareceu um OVNI, emitindo faíscas e explosões, que os separou um do outro; e Elias foi arrebatado ao céu com uma explosão de energia”.</p></blockquote>
<p>Tendo atingido este princípio de interpretação outros milagres são facilmente explicados. Considerando passagens tais como: “<em>&#8230; e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carruagens de fogo, em redor de Eliseu</em>”. (Reis II 6:17); “<em>Cavalgava um querubim e voou; sim, levado velozmente nas asas do vento</em>”. (Salmos 18:10), Jessup comentou: “<em>Não podemos mais nos dar ao luxo de rir destas referências como meramente “pitorescas” e alegóricas, pois elas começam a soar cada vez mais como descrições precisas de OVNIs</em>”.</p>
<h3>Além da Crença</h3>
<p>Pertinente aqui é o furor, criado por <em>Honest To God</em> “Honesto Para Com Deus” (SCM Press, 1963) escrito pelo bispo de Woolwich, <strong>John A. T. Robinson</strong>, que propôs uma pequena revolução na teologia. Ele iniciou perguntando se fazia sentido falar de Deus “<em>lá em cima</em>” em um universo copernicano. Ainda que seu argumento não tenha sido demonstrado claramente, ele apresentou uma proposta de substituir a religião “<em>supranaturalista</em>” por uma “<em>naturalística</em>”. Isto significava livrar-se dos milagres e quetais que a era científica tinha tornado um obstáculo para a fé, apesar de ele estar inseguro pelo quê eles deveriam ser trocados.</p>
<p>A edição original de Honesto Para Com Deus foi de 6.000 cópias, mas antes do fim do ano, mais de 350.000 tinham sido vendidas, mostrando que as questões levantadas já haviam incomodado muitas pessoas. Inevitavelmente houve controvérsia e pedidos pela renúncia do bispo, mas o mais significativo é que os críticos não concordavam entre eles. Um homem escreveu para ele “<em>Eu tenho, e milhares têm, uma imagem de Deus no céu. Os pregadores sempre falaram de um Deus lá em cima, mas agora os pregadores estão contradizendo tudo que haviam dito&#8230; Estas novas crenças arrasarão os cristãos que acreditam existir um Deus e pode muito bem ser que a Igreja em geral se divida. As palavras de fé nada mais significarão. É como de repente dizer a um jovem que acredita de todo coração no Papai Noel, &#8216;não existe Papai Noel, é o seu pai&#8217;. Seria o fim do mundo para eles</em>”. (Esta citação, e os outros comentários do debate sobre Honesto Para Com Deus, SCM, 1963). <strong>C. S. Lewis</strong>, ao contrário, ponderou que o bispo estava fazendo muito barulho por nada: “<em>Há muito nós abandonamos a crença em um Deus que está sentado em um trono, em um paraíso que possa ser situado</em>”.</p>
<p>Vozes de louvor eram muito mais comuns: a esposa de um vigário disse que o bispo tinha “<em>feito a Igreja parecer mais viva de novo, quando por anos pareceu tão insuportavelmente morta!</em>”. Cartas expressando concordância vieram de sacerdotes, teólogos, médicos, diretores de escola e empresários. “<em>Um político bem conhecido</em>” escreveu: “<em>Ler o livro, e ouvir o que se fala, tem feito mais para validar a mensagem básica cristã e a tornar relevante para mim do que todos os sermões e serviços de que ouvi falar ou compareci</em>”.</p>
<p>Até a chegada do debate sobre a ordenação de mulheres esta questão foi a maior controvérsia religiosa que a Igreja da Inglaterra tinha visto neste século. O que sugere, falando de modo geral, que o britânico se sentia incapaz de acreditar em um reconfortante Deus Pai &#8216;lá em cima&#8217;, bem como não podia acreditar no Papai Noel. Ainda que não se convertessem simplesmente ao ateísmo (como a maioria dos materialistas esperava que fizessem) eles porém sentiam a necessidade de algum tipo novo de religião ou crença, algo para substituir o velho Deus sobrenatural. O bispo Robinson ressaltou que nunca experimentou ter “renascido” (Honesto Para Com Deus, p. 27). Deste então, o mais notável desenvolvimento dentro da Igreja tinha sido o aumento da cristandade “renascida”. Um antigo “renascido”, me conta que é perfeitamente justo afirmar que cristãos renascidos são ensinados a não pensar. Ao invés disso são instruídos a se guiar pela autoridade da Bíblia e pela inspiração do Espírito Santo. Para esta parcela em crescimento da Igreja, não pode haver conflito entre ciência e religião, já que eles simplesmente não pensam sobre esta questão.</p>
<p>Mas para o resto do &#8216;Corpo de Cristo&#8217; o problema ainda permanece, e as igrejas convencionais, não renascidas, seguem em declínio. Assim, os Deuses Espaciais têm sido capazes de oferecer sua ajuda para preencher o vácuo deixado pela partida do Deus Pai do seu trono no céu.</p>
<h3>Retorno dos Deuses</h3>
<p>Poucos anos depois apareceu o mais bem sucedido livro sobre Antigos Astronautas, <em>Eram os Deuses Astronautas?</em> de <strong>Erich Von Daniken</strong> 1969 (1a. ed. como Erinnerungen an die Zukunst, Econ-Verlog, 1968. O título original significava &#8216;Memórias do Futuro&#8217;). O que parecia gritante a qualquer um familiarizado com a literatura seria a falta de originalidade do livro. A despeito de suas contínuas referências a &#8216;<em>minhas teorias</em>&#8216; (etc.), quase tudo em seu livro já tinha sido percebido por Desmond Leslie, <strong>Robert Charroux</strong>, <strong>Pauwels</strong> e <strong>Bergier</strong>, <strong>W. Raymond Drake</strong> e outros. De fato, as citações de von Daniken do Ramayana e Mahabharata foram simplesmente pinçadas de “Os Discos Voadores Pousaram” (ele traduziu as versões inglesas do século 19 para o alemão, de onde <strong>Michael Heron</strong> converteu-as de volta ao inglês, assim as versões em <em>Eram Os Deuses Astronautas?</em> foram traduzidas triplamente. Do mesmo modo, quando von Daniken escreveu: “<em>Vista do alto, a clara impressão que a Planície de Nazca com 60 km de extensão provocou em mim foi a de um aeroporto</em>” (Eram Os&#8230;, p. 32), ele estava provavelmente mais influenciado nesta impressão pelo “<em>Despertar dos Mágicos</em>” de Louis Pauwels e Jacques Bergier (Mayflower, 1971, p. 117; 1a. ed. Paris, Editions Gallimard, 1960): “<em>Fotografias tiradas da planície de Nazca invariavelmente lembram as luzes de iluminação de um aeroporto</em>”. Seria tedioso analisar todo o livro desta forma, mas quase tudo nele havia sido dito antes.</p>
<p>Então por que este livro vendeu muito mais que seus predecessores? Parte do motivo sem dúvida é que von Daniken escreve em um estilo fluente e acessível (acima da média dos autores ufológicos), ele aparentou (ainda que superficialmente) ser científico, e de fato se dispôs a visitar muitos dos lugares sobre os quais escreveu.</p>
<p>Diferente de Desmond Leslie e muitos outros, seu tratamento foi simples e desprovido de misticismo. Leitores do <em>The Sky People</em> “O Povo Celestial” de Brinsley le Poet Trench, por exemplo, puderam travar conhecimento com o Jardim do Éden (um experimento galáctico de cruzamento de espécies realizado em Marte), Atlântida, Osíris e Ísis, Abraão, folclore dos índios pele-vermelhas, Sodoma (destruída por armas nucleares), tectitas, Jericó, a explosão siberiana em 1908, e a Estrela de Belém, mas talvez tudo tenha ficado muito confuso quando ele adicionou Madame Blavatsky, Kundalini, Gnosticismo, natureza etérea, mediunidade, o significado da cruz, poderes telepáticos e a &#8216;jornada de volta à Bondade&#8217;.</p>
<p>Talvez o motivo principal tenha sido simplesmente o fato de ter sido publicado na hora e lugar certos para influenciar aqueles que, como os descontentes leitores de Honesto Para Com Deus, procuravam um Deus não sobrenatural &#8216;lá em cima&#8217;. Por exemplo, Darwin deixou os cristãos pouco à vontade com o Gênesis, e o bispo Robinson pouco se preocupou em defendê-lo:</p>
<blockquote><p>“Cem anos atrás a Igreja foi forçada a esclarecer se aceitava a narrativa de Adão como história ou mito. Até então, existiram muitos teólogos (São Paulo provavelmente entre eles) que, se inquiridos a respeito, não teriam imaginado que a veracidade da história dependesse de Adão ser de fato um personagem histórico. Mas a questão é que eles não foram pressionados a tal. Não havia uma necessidade que levasse à distinção entre as categorias de história e mito. Mas com a controvérsia darwiniana sobre a evolução a necessidade tornou-se vital. Era imperativo para a apologética cristã deixar claro que o Gênesis não era uma narrativa rival da antropologia primitiva. Se a distinção não tivesse sido feita, seria virtualmente impossível continuar a pregar a fé bíblica ao homem científico moderno”.</p></blockquote>
<p>O próprio bispo se contentou com o mito, atribuindo a Adão e Eva o papel de metáforas para Todo Homem e Toda mulher, que sempre estão sujeitos a tentação (a Serpente). “<em>Retroceda o quanto quiser, a natureza humana terá sido sempre assim. Este é o porquê de no mito eles terem sido colocados no início</em>”. (John A. T. Robinson, But that I can&#8217;t believe! “Mas nisso não posso acreditar!”, Fontana, 1967).</p>
<p>Como são felizes aqueles que podem aceitar um mito como a verdade absoluta! Os renascidos, como sempre, permanecem com a Bíblia nesta questão. Muitos deles supõem que o mundo foi criado em 4.000 AC, portanto a datação radioativa está toda errada, dinossauros e o homem de Neanderthal nunca existiram e Darwin está condenado ao inferno. Alguns até mesmo sugerem que Deus criou fósseis, do modo como foram encontrados, com a intenção de enganar (“<em>E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira</em>”, Tes II 2:11) com o objetivo de testar a fé dos cristãos nas escrituras.</p>
<p><em>De Volta às Estrelas</em> ofereceu, de novo, uma reconciliação entre as escrituras e a ciência: ele toma o Jardim do Éden com um registro acurado, não dos feitos de um Senhor Deus sobrenatural, mas da manipulação genética pela qual desconhecidos cosmonautas criaram o <em>homo sapiens</em> a partir do homem-macaco. Mesmo versículos estranhos podem desta forma ser críveis:</p>
<blockquote><p>“’<em>Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão’</em>. Eva deve ter sido produzida em um balão de ensaio. Assim uma quantidade de desenhos em cavernas apresentando objetos similares a balões de ensaio próximos a um homem primitivo foram preservados. Poderiam inteligências alienígenas com ciência e conhecimento altamente desenvolvidos sobre as reações de imunidade biológicas dos ossos terem usado a medula de Adão como cultura celular, e levado o esperma a nela se desenvolver?”.</p></blockquote>
<h3>Assim está escrito na Bíblia</h3>
<p>Milagres à parte, a exatidão da Bíblia tem sido assunto de disputa desde o século 18: até então, aparentemente não havia ocorrido a ninguém duvidar dela. <strong>Thomas Paine</strong>, autor de <em>A Era da Razão</em>, opôs-se à Bíblia pelo fato dela quase sempre retratar Deus com um louco tirano. Ele se baseia em argumentos críticos contra a suposta perfeição textual da Bíblia: o Livro de Reis (“<em>pouco mais que uma história de assassinatos, traição, e guerras</em>”) que na verdade contradiz-se a si mesmo: quando diz que os Reis de Judá e Israel eram ambos chamados Jorão, “<em>um capítulo (Reis II 1:17) diz que Jorão de Judá começou a reinar no segundo ano de Jorão de Israel; e outro capítulo (8:16) diz que Jorão de Israel começou a reinar no quinto de ano do Jorão de Judá</em>”. Tais erros são suficientes para refutar a velha afirmação de que é a palavra de Deus, ditada pelo Espírito Santo a escribas incapazes até mesmo de um simples erro clerical. Os cristãos renascidos respondem que não é possível compreender a Bíblia apropriadamente a menos que você nasça de novo em Jesus; qualquer um que levantar objeções como a citada acima ainda está sob a influência de Satã.</p>
<p>Escritores ufológicos estão divididos nesta questão. Alguns, como Dione, consideram-na precisa em seu todo, meramente necessitando de uma interpretação científica. Ao contrário do <em>Gods and Spacemen in the Ancient East</em> (“Deuses e Astronautas no Oriente Antigo”, Neville Spearman, 1968, Sphere, 1993) de <strong>W. Raymond Drake</strong>, embora contente com <em>A Doutrina Secreta</em>, Romances Sânscritos, <em>Oahspe</em> (produzido através de escrita automática por um dentista de Nova York), <em>O Livro dos Mortos</em> Egípcio e o Tibetano, as revelações de <em>Aetherius</em> através do Dr. <strong>George King</strong>, tinha dúvidas em relação ao valor histórico da Bíblia: “<em>Egiptólogos, assiriologistas, arqueologistas de renome, homens da ciência, que devem conhecer os fatos, não encontram qualquer evidência do Êxodo&#8230; nenhum texto egípcio refere-se à milagrosa libertação mencionada na Bíblia&#8230; o Livro do Êxodo não é um registro verídico, crítico de eventos, história como escrevemos hoje&#8230; Com o devido respeito ao erudito Moisés, esta confusa narrativa religiosa em estilo inchado não faz juz a sua grande sabedoria; é duvidoso que por seu mérito literário atraísse alguma editora para publicá-lo hoje em dia</em>”. (Ed. Mayflower, pp. 157-8).</p>
<p>Esta atitude é compreensível: qualquer um tentando uma revolução no pensar tenderia a desafiar os padrões aceitos e quem os estabeleceu. Se isso incluiu &#8216;A Bíblia está certa&#8217;, o livre pensador seria levado a questioná-la. Literatura do Antigo Oriente e obras de moderna inspiração, não tendo sido mencionadas na infância, não deveria haver motivos para duvidar delas.</p>
<p>Seja como for, os textos em que ele se baseou eram na sua maior parte obras religiosas de um tipo ou de outro. O mesmo é verdade para Robert Charroux. A capa para a edição original francesa do seu <em>Le livres des Secrets Trahis</em> (Robert Laffont, 1965) promete ter sido feito “<em>a partir de documentos mais antigos que a Bíblia</em>”. Estes são principalmente o Livro de Enoque e o <em>Popol Vuh</em>. Enoque trata dos “anjos caídos”, os quais desceram a terra, casaram com fêmeas humanas e ensinaram várias artes e ciências: isso indica “<em>uma colonização de nosso mundo por cosmonautas</em>” (p. 127); o conhecimento convencional, porém, posiciona o livro no período intertestamental. O Popol Vuh relata que uma mulher chamada <em>Orejona</em> desceu à Terra de Vênus, e deu à luz a raça humana acasalando com uma anta. Charroux aparentemente aceitou o fato por que este estava em um livro que ele supunha “<em>mais velho que a Bíblia</em>”.</p>
<h3>A Verdade do Evangelho</h3>
<p>Sobre o assunto da Imaculada Conceição, o bispo Robinson assim resumiu a posição dos céticos modernos: “<em>Você não pode acreditar tanto assim, pode? Estrelas pairando sobre manjedouras, coros angélicos iluminando os céus, Deus vindo à Terra na forma de um homem &#8211; como um visitante do espaço exterior? Você não pode mesmo acreditar em tudo isso hoje em dia</em>”. (But that I can&#8217;t believe! “Mas nisso não posso acreditar!”, p. 27).</p>
<p>A resposta do bispo foi vaga, sugerindo que a estrela e os anjos e a mãe Virgem eram “<em>poesia</em>”, um modo de dizer “<em>Deus está em todo lugar</em>”. Ele inconscientemente sugeriu a nova solução de <em>&#8216;um visitante do espaço exterior</em>&#8216;, que seria tão entusiasticamente adotada por alguns. “<em>O único objeto celestial a aparecer subitamente próximo o suficiente a Terra para ser visível dentro de um pequeno ângulo, que se mova orientando seguidores, que permaneça parado, é uma espaçonave controlada por uma inteligência</em>”. (W. Raymond Drake, Gods and Spaceman throughout History “Deuses e Espaçonaves Através da História”, Sphere, 1977, p. 184) “<em>A chegada do Cristo menino à Terra por meio de uma espaçonave é menos fantástica, mais crível, lógica e aceitável, do que o dogma etéreo ensinado pela Igreja Cristã</em>”. (Robin Collyns, Did Spacemen Colonise the Earth? “Homens do Espaço Colonizaram a Terra?”, Mayflower, 1975, p. 163). Em 1976 W. Raymond Drake podia declarar: “<em>Hoje as únicas pessoas preparadas para aceitar estas maravilhas do Novo Testamento como literalmente verdade parecem ser nós que acreditamos nos Discos Voadores</em>,” (Gods and Spacemen in Anciente Israel “Deuses e Homens do Espaço no Antigo Israel”, Sphere, p. 11).</p>
<p>A questão da ressurreição era complicada até mesmo para os ufólogos escritores, mas não intimidou <strong>Paul Thomas</strong> (<em>Flying Saucers Through the Ages</em> “Discos Voadores Através das Eras”, Neville Spearman, 1965; ed. francesa, 1962, Thomas era na verdade <strong>Paul Misraki</strong>, um conhecido músico popular francês) que era católico (tal como Dione ele concedeu um capítulo a Fátima), assim como seu tradutor para o inglês <strong>Gavin Gibbons</strong>. Contudo, sua interpretação para o retorno de Jesus dos mortos não lhe recomendaria junto a Congregação para a Doutrina da Fé. Ele sugeriu que Jesus Cristo era uma &#8216;<em>mutação biológica</em>&#8216; produzida por experimentação genética alienígena. Na verdade, o interesse dos Anjos Astronautas pelas Crianças de Israel, desde o tempo de Abraão, era por um grupo genético o qual daria origem ao primeiro espécime da nova fase da evolução: humanos que poderiam morrer e então naturalmente voltar a vida, como foi demonstrado através da crucificação.</p>
<p>Se isso fosse verdade, alguém poderia esperar que Jesus tivesse sido encorajado a ter tantos filhos quanto possível: mas, como Thomas/Misraki admite, ele deixou o mundo sem crianças (o Sangue Sagrado e o Santo Graal o contradizem); então parece que por alguma razão os alienígenas decidiram fazer uma pausa antes de tornar os benefícios da imortalidade disponíveis a todos.</p>
<h3>A vida no porvir</h3>
<p>O outro conceito chave de uma religião é o ensinamento sobre o futuro, no qual quase sempre, os erros do presente serão corrigidos de alguma forma. Ou existe uma vida após a morte na qual recompensas e punições serão atribuídas, ou vidas futuras serão concedidas com base no comportamento passado, ou senão existirá uma Segunda Vinda, na qual o Reino Divino será trazido a Terra, e (após os perversos serem jogados no poço ardente que queimará para todo o sempre) a paz universal e a felicidade reinarão pela eternidade. Uma das profecias mais conhecidas em relação a esta última afirmação é Marcos 13:26-27: “E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória. E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu”.</p>
<p>Morris K. Jessup produziu sua própria versão:</p>
<blockquote><p>“Podemos parafraseá-la um pouco? (tal como combinar os versículos 26 e 27) A reluzente e poderosa nave mãe aparecerá por entre as nuvens e o Mestre enviará seus assistentes em naves menores, e reunirão de todas as partes da terra aqueles que sobreviveram ao impacto do cataclisma e que alcançaram temporariamente lugares a salvo, e particularmente aqueles que a Raça Pastora considerou mais adequados para a propagação e ressurgimento da humanidade em uma nova geração racial, e estes serão levados a viver por um tempo nas regiões celestiais que são o lar dos OVNIs no espaço.</p>
<p>Não resta muito mais a dizer, resta?”</p></blockquote>
<p>Algumas pessoas concluiriam a partir disto tudo que não há motivos para acreditar em Deuses ou Astronautas. Na verdade tudo isso prova que as pessoas têm uma forte necessidade de algum tipo de religião, e se uma lhes é tomada eles logo procuram por outra. Mesmo os mais ferrenhos secularistas admitiriam que a crença em Deuses Astronautas é inofensiva enquanto religião: destes crentes não se espera que obedeçam a todo comando de uma classe sacerdotal, ou que queimem heréticos na fogueira. A Ciência poderá um dia ser capaz de fornecer uma explicação concreta para o impulso religioso: até lá, a fronteira entre ciência e religião permanecerá território incerto e litigioso.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<blockquote><p><strong>Do Púlpito</strong></p>
<p><strong>Barry H. Downing</strong>, um pastor presbiteriano em Endwell, Nova York, foi um clérigo (que provavelmente falava por muitos) que veio a favor de tais interpretações com <em>The Bible and Flying Saucers</em> (“A Bíblia e os Discos Voadores” Sphere, 1973; 1a. ed. EUA, 1968). Downing foi capaz de salvar um Deus mais tradicional do trabalho dos Anjos Espaciais por meio do seguinte argumento: “<em>Suponha que, em quinhentos anos, os humanos na Terra devam ter avançado tecnologicamente para a era espacial, a ponto de sermos capazes de viajar para um outro mundo em uma espaçonave e descobrir seres inteligentes que são cientificamente primitivos. Suponha que missionários cristãos viajem pelo espaço até este planeta para tentar converter este povo primitivo ao Cristianismo. Como estas pessoas falariam sobre nossos missionários? A Bíblia parece sugerir que os anjos são muito similares a missionários de um outro mundo</em>”.</p>
<p><strong>Deuses Estranhos</strong></p>
<p>O ponto inicial do <em>The Sirius Mystery</em> “O Mistério de Sirius” de <strong>Robert Temple</strong> eram os Dogons, uma tribo sudanesa, de quem antropólogos franceses aprenderam tradições relatando serem visitados por criaturas vindas de Sirius.</p>
<p>Temple reproduziu as opiniões deles, e então tentou provar que a mesma informação era conhecida pelos antigos sacerdotes egípcios como uma tradição secreta, e mais tarde por vários filósofos gregos que teriam sido iniciados nos seus mistérios. Claro que estas tradições nunca foram escritas, e Temple teve que adivinhá-las a partir de pistas escassas. Suas fontes principais eram <em>The Gods of the Egyptians</em> “Os Deuses dos Egípcios” de <strong>Wallis Budge</strong>, os épicos da mesopotâmia, os Livros Herméticos, <em>The Greek Myths</em> “Os Mitos Gregos”, <em>Plutarch On Isis and Osiris</em> “Plutarco Sobre Isis e Osiris”, e os neo-platonistas. Todos estes são escritos sagrados dos pagãos, ou modernos resumos dos mesmos. Em um palpite, alguém poderia supor que Robert Temple seria ele mesmo um pagão, particularmente pelo fato de ignorar completamente a Bíblia, e sua única referência ao cristianismo seja: “<em>As perversões do cristianismo sempre me pareceram personificar uma perversão da noção do &#8216;pecado&#8217;, pelo modo com que esse tal &#8216;pecado&#8217; seria explorado como uma chantagem mundana aos outros seres humanos</em>”.</p></blockquote>
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		<title>A Hist&#243;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&#225;rios</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Apr 2011 03:08:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="caso falconlake   A Hist&oacute;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&aacute;rios" border="0" alt="caso falconlake ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/caso_falconlake.jpg" width="600" height="285" /></p>
<p>Artigo de <strong>Aaaron Sakulich</strong>, publicado em <em><a href="http://www.theironskeptic.com/articles/michalak/michalak.htm" target="_blank">The Iron Skeptic</a></em>     <br />Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura</p>
<p>Comecei a ler sobre OVNIs e fenômenos paranormais quando era um garotinho. Ainda me lembro, com muita clareza, de uma das primeiras “provas irrefutáveis” que eu vi dos entusiastas de OVNIs. Naqueles dias, eu devorava tudo, acreditava sem questionar e, portanto, a imagem de um homem deitado em uma cama de hospital com uma queimadura no formato de uma grade em sua barriga, que ele alega ter sido causada pelo calor que saiu de uma nave espacial, ficou para sempre impressa em minha memória.</p>
<p>Encontrei essa imagem de novo hoje. O homem da foto se chama <strong>Stefan Michalak</strong>, um polonês de nascimento e canadense por imigração. O que eu não sabia na época era que a história por trás dessa imagem é tão bizarra e tão ridícula, que é absolutamente espantoso que alguém possa tê-la levado a sério algum dia.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="uLtb8ph2WQQ   A Hist&oacute;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&aacute;rios" border="0" alt="uLtb8ph2WQQ ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/uLtb8ph2WQQ.gif" width="320" height="240" /></p>
<p>A data era 20 de maio de 1967. O local era um lugar chamado Falcon Lake, a 75 quilômetros ao norte da fronteira dos EUA com o Canadá, uma espécie de resort e colônia de férias em Whiteshell Provincial Park. Para aqueles de vocês não acostumados com o sistema métrico, um parque provincial é a mesma coisa que um parque estadual, e 75 quilômetros é um pouco menos de 47 milhas.</p>
<p>Neste dia em particular Stefan Michalak tinha saído e estava nas cercanias do parque. Na época ele trabalhava como mecânico industrial, com um profundo conhecimento de metalurgia, soldagem e coisas do tipo. Ele também era um geólogo amador. Whiteshell Park era praticamente um deserto selvagem, conhecido por suas formações geológicas e várias minas haviam sido construídas na região ao redor.</p>
<p>Naquela manhã Michalak havia deixado a hospedaria e chegado ao parque em torno das nove horas. Ele foi em busca de prata; vários outros geólogos haviam descoberto veios de quartzo que prometiam uma boa quantidade do metal precioso. Michalak encontrou um veio de quartzo em uma área pantanosa perto de um riacho, almoçou, e havia voltado para inspecionar os minerais quando foi surpreendido pelo som de gansos voando sobre sua cabeça. Observando o céu para vê-los voar, ficou ainda mais surpreso ao ver duas grandes naves espaciais “<em>vermelhas, em forma de charuto</em>” com “<em>protuberâncias nelas</em>”, descendo do céu azul claro num ângulo de aproximadamente 45 graus.</p>
<p>A nave que estava mais distante parou por um momento e depois voou para o céu, alterando suas cores do vermelho para o laranja e para o cinza, enquanto partia para o oeste. A mais próxima das duas continuou a descer, finalmente chegando a parar sobre uma rocha plana a cerca de 160 metros de distância. Ela também mudava de cor, indo do vermelho ao cinza no que parecia ser “<em>aço inoxidável quente</em>” envolvido por “<em>um brilho dourado</em>”.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="michal36   A Hist&oacute;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&aacute;rios" border="0" alt="michal36 ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/michal36.jpg" width="450" height="444" /></p>
<p>É aqui que a história fica inacreditável. Aparentemente, Michalak estava usando óculos de soldador para proteger os olhos de estilhaços de rocha esvoaçantes enquanto fazia as suas investigações geológicas na veia de quartzo. Agora eles viriam a ser úteis para protegê-lo das luzes brilhantes que reluziam de aberturas no disco voador, queimando seus olhos e criando pós-imagens vermelhas.</p>
<p>Ele ficou parado por cerca de meia hora, desenhando o objeto. Este tinha cerca de 12 metros de largura por 3 metros de altura, e possuía um pequeno domo no topo que tinha mais 3 metros de altura. O objeto cheirava a enxofre, que chegou ao nariz de Michalak graças a um vento quente produzido pela máquina. Havia também um zumbido, semelhante a um motor, e o som de gases assobiando.</p>
<p>De repente, uma porta se abriu de um lado da nave e, acima dos outros ruídos, Michalak pôde ouvir vozes humanas, embora não de forma clara o suficiente para entender as palavras, aparentemente. Ele se aproximou da nave, gritando em inglês “<em>Ok, garotos Yankees, estão tendo problemas? Saiam e vamos ver o que podemos fazer sobre isso</em>”. Aparentemente, neste momento ele pensava que se tratava de uma aeronave norte-americana que estava tendo alguns problemas técnicos. Quando nenhuma resposta veio, cumprimentou a nave em russo, italiano, francês, alemão, ucraniano e, novamente, em inglês.</p>
<p>As vozes se calaram. Sendo, aparentemente, ou o homem mais corajoso do mundo ou um idiota, de acordo com o seu ponto de vista, ele se aproximou da nave e enfiou a cabeça na porta. Do lado de dentro, ele viu luzes piscando, painéis e luzes girando como “<em>em um computador</em>”.</p>
<p>A porta, para a sua surpresa, de repente se fechou. Três compartimentos se fecharam “<em>como um obturador de câmera</em>” para encerrá-lo, e o disco voador deu uma espécie de pulo pequeno e engraçado. Em vez da porta, Michalak estava agora a olhar para uma espécie de grade retangular, com furos redondos espaçados. Uma explosão de gás quente saiu da abertura, pondo fogo em sua camisa e chapéu e queimando-o terrivelmente. Enquanto tentava arrancar a sua roupa em chamas, a nave silenciosamente subiu e voou em uma rajada de vento quente. Não só ele foi terrivelmente queimado, mas a sua luva derreteu quando ele tocou a superfície da nave, e depois de sua partida, ele vomitou várias vezes, sentiu-se enjoado e tudo mais.</p>
<p>Aqui é onde a primeira de muitas inconsistências na sua história surge. Ele e seus partidários afirmam que ele voltou para a hospedaria. No caminho, ele tentou solicitar a ajuda de um policial, que ou a) o ignorou e passou direto por ele, ou b) passou por ele, retornou e, ao ouvir a história, foi embora.</p>
<p>Eu digo que isso é inconsistente porque a Polícia Montada Real Canadense que supostamente “<em>passou</em>” por Michalak produziu um relatório detalhado. Em sua versão dos acontecimentos, Michalak acenou para ele. O policial pergunta o que está errado, e Michalak afirma que o oficial deveria ficar longe, porque ele podia estar radioativo ou contagioso, ou alguma coisa do tipo. O oficial observou que, embora ele não pudesse perceber cheiro de álcool em Michalak, ele parecia muito bêbado, com os olhos vermelhos. Ele também se recusava a responder perguntas diretas de forma coerente. Ele mostrou o seu chapéu queimado ao policial, mas quando o policial lhe perguntou por que a sua cabeça não fora queimada, ele se recusou a responder. Ele também se recusou a permitir que o o oficial olhasse a sua camisa, a qual o policial notou estar queimada. Michalak parecia que havia, nas palavras do relatório policial, “<em>tomado substâncias negras, possivelmente cinzas de madeira, e esfregado-as em seu peito</em>”. Em nenhum momento Michalak permitiu ao oficial chegar perto o suficiente para ver se ele estava ou não realmente queimado, e quando ele lhe fez perguntas como “<em>se tocar a nave era quente o suficiente para derreter a sua luva, por que a sua mão não se queimou?</em>”, ele, mal-humorado, se recusou a responder. Ele teve a gentileza de fazer um esboço da nave para o oficial, apesar do fato que ele afirmou ter feito um quando estava no lago. Por que ele simplesmente não pegou aquele e mostrou ao policial? Apenas mais uma pergunta sem resposta, que não pode ser respondida.</p>
<p align="center"><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/michalakreport.jpg" target="_blank"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="michalakreport thumb   A Hist&oacute;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&aacute;rios" border="0" alt="michalakreport thumb ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/michalakreport_thumb.jpg" width="300" height="389" /></a>     <br /><span style="font-size: xx-small">Relatório do policial. Clique para ampliar a imagem</span></p>
<p>O oficial se ofereceu para dar uma carona a Michalak, que ele recusou. De acordo com o homem gravemente queimado, ele então foi até à hospedaria, mas com medo de que expusesse outras pessoas à radiação caso entrasse, foi em direção à floresta e lá ficou por um tempo. Por volta de quatro horas da tarde, a dor ficou tão intensa que ele entrou na hospedaria e pediu por um médico, só para ouvir que o médico mais próximo estava a 45 quilômetros de distância. Inserir comentário sobre Saúde Socializada [no Canadá] aqui.</p>
<p>Então ele pegou um ônibus de volta para casa. Mas antes disso, como todas as boas testemunhas OVNI, ele chamou um jornal e pediu-lhes uma “<em>carona pra casa, mas sem publicidade</em>”. Uma vez em casa, ele passou algumas semanas em recuperação, acabou perdendo o apetite (ele afirma ter perdido cerca de 20kg em 2 semanas), embora sofresse de desmaios ocasionais. As queimaduras na parte superior do peito e na testa se recuperaram rapidamente, mas aquelas em seu estômago desapareciam, voltavam, desapareciam, voltavam, várias vezes. Ele foi observado por um grupo de médicos e alguns psicólogos, que chegaram à conclusão de que ele estava relativamente livre de deficiência mental.</p>
<p>Deve-se notar aqui que a RCMP e investigadores quiseram ver o local de pouso alienígena. Levaram Michalak para a floresta, mas ele foi incapaz de encontrar o local, o que, com razão, levantou suspeitas nos investigadores. Mais tarde, ele entrou em contato novamente, alegando que havia encontrado o local sozinho e recuperado a sua fita métrica, algumas amostras de solo, e assim por diante. Posteriormente neste artigo, quando a questão relativa à radiação for levantada, tenha em mente que todas as amostras de solo que deram positivo para radiação foram recolhidas pelo próprio Michalak. Ele teria tido tempo suficiente para, digamos, brincar com elas.</p>
<p>Mais tarde, os investigadores conversaram com Michalak, e um deles tornou-se, por algum motivo desconhecido, totalmente convencido de que o homem tinha sofrido uma alucinação induzida pelo álcool e, talvez, se machucado de alguma forma desastrada, provavelmente no curso de uma brincadeira. Os entusiastas de OVNIs instantaneamente saltaram sobre esse fato como hienas sobre um peru ferido. Os investigadores oficiais eram tendenciosos, eles dizem. Eles já tinham a cabeça feita, afirmam.</p>
<p>Mas aqui estão os fatos simples, relativos ao processo: Michalak alegou que não só não havia bebido no dia do encontro, como que não havia bebido qualquer tipo de bebida alcoólica durante todo o final de semana. Uma verificação rápida com o barman local confirmou que, na noite anterior ao encontro, Michalak havia entrado e tomado pelo menos cinco garrafas de cerveja. Ao retornar ao local com os investigadores, eles pararam em um bar e ele tomou um bom número de “presbiterianos”, uma bebida feita com uísque destilado do centeio e metade de bebida não alcoólica condimentada com gengibre mais água. Mas, eu lhe garanto, ele não tem culpa: uma pesquisa realizada pouco antes de escrever esta frase indica que os presbiterianos são deliciosos.</p>
<p>Enfim, o que eu não entendo é por que Michalak iria negar de forma tão inflexível seus hábitos de consumo. Tudo o que ele tinha que dizer era “<em>eu bebi um pouco de cerveja na noite anterior, mas isso não está relacionado com o caso</em>”. Mas em vez disso, ele o negou firmemente, mesmo diante do barman que lhe havia servido. (Por coincidência, o entusiasta OVNI vai discorrer longamente sobre como nunca foi demonstrado que o barman seria uma ‘testemunha confiável’. Ele está fazendo a alegação de que um cara bebeu algumas cervejas; eu não preciso de uma averiguação completa de antecedentes para crer que ele poderia estar dizendo a verdade. Na verdade, em comparação com o cara dizendo que foi incendiado por pessoas do espaço, ele parece uma fonte confiável de veracidade).</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="michalak grade   A Hist&oacute;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&aacute;rios" border="0" alt="michalak grade ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/michalak_grade.jpg" width="400" height="300" /></p>
<p>Uma coisa que os entusiastas de OVNIs gostam de frisar é o fato de que se demonstraram várias vezes que Michalak possuía um nível de radiação um pouco mais elevado do que os níveis normais, como se tivesse sido irradiado pelo que quer que fosse o gás quente do escapamento. O que eles nunca mencionam é que o investigador finalmente descobriu que o relógio tinha o mesmo nível de radiação. Naquela época, o mostrador dos relógios era pintada com tinta contendo rádio para fazê-lo brilhar fracamente no escuro e ser fácil de ler. Assim, uma das duas coisas imediatamente salta à mente: o investigador acidentalmente enviesou os resultados, mantendo o relógio muito perto do contador Geiger, ou um homem devidamente inteligente poderia ter se tornado ligeiramente radioativo através do uso de uma substância semelhante.</p>
<p>Claro, é possível que ele estivesse radioativo por causa de seu encontro com uma nave espacial, mas eu me pergunto: o que é mais provável? Homem esperto inventa um conto estranho, um idiota distorce os resultados dos testes de radiação, ou alienígenas viajam zilhões de milhas através do espaço apenas para fritar o geólogo?</p>
<p>Enfim, a história não termina com a recuperação de Michalak da doença. Não. Nem de longe. Ele levou várias equipes de pesquisadores lá uma série de vezes. Em uma ocasião, Michalak alegou ter encontrado alguns pedaços de metal “<em>estranhos</em>” em uma fenda perto do suposto local de pouso. Após análise, o metal em si era não-radioativo, similar na composição à prata disponível comercialmente, e coberto com uma fina camada de areia. Supostamente, o metal tinha sido encontrado sob alguns centímetros de terra e, apesar de Michalak ter “<em>muito mais</em>” amostras, ele permitiu aos investigadores apenas uma olhada superficial em algumas delas.</p>
<p>Isso por si só deve ser estranho o suficiente para ficar ressabiado deste caso todo, até onde vai a credibilidade. Então existe um cara que teve um encontro casual com uma nave espacial, meses depois ele retorna ao local e encontra facilmente alguns artefatos alienígenas bem escondidos, que acabam revelando serem compostos de materiais que você pode comprar em uma loja de ferragens, e que ele não deixa ninguém ver, mas se gaba de quantos ele tem e de como eles podem ser importantes? E acontece que o cara é um metalúrgico, você diz? Mas que puxa, com certeza ele não saberia como trabalhar com metais e produzir amostras falsas.</p>
<p>Em resumo, o que nós realmente temos que nesse caso? Uma história com pelo menos uma grande inconsistência (envolvendo o policial) e uma estranha incoerência (no que diz respeito à cerveja). Nós temos o que os entusiastas de OVNIs chamariam de uma prova científica incontestável (as leituras de radiação) que são altamente prováveis que tenham sido invalidadas. Nós temos uma história maluca sobre os restos dde aliens espaciais deixados para trás no local, e as ações altamente excêntricas do testemunho supostamente confiável. A única coisa que não é imediatamente explicada são as queimaduras no senhor Michalak.</p>
<p>E, no entanto, pergunta-se: as queimaduras dele realmente provam alguma coisa? Elas provam que ele foi queimado, e nada mais. Você não precisa de uma nave espacial pilotada por alienígenas para fazer roupas pegarem fogo. Dê-me dez minutos e uma total falta de supervisão de um adulto e posso queimar cada pedaço de roupa do seu corpo. Extraterrestres não são necessários.</p>
<p>E as queimaduras em seu estômago? Mais uma vez, não há nada de extraterrestre nisso. As queimaduras em seu estômago apenas provam que ele foi queimado. Isso não prova nada sobre a existência de homens do espaço. Dê-me um espremedor de batatas e uma fogueira de acampamento e posso repetir o que aconteceu com ele. Quero dizer, ajudaria se você me desse algumas bebidas alcoólicas antes ou se eu tivesse alguma profunda razão para fazê-lo, mas você captou a idéia.</p>
<p>Assim, se, como eu suspeito, esse caso não passa de uma história da carochinha, por que ele fez isso? Bem, vamos analisar as causas comuns. Será que ele se tornou famoso? Sim, muito. Na verdade, ele recusou uma carona para casa de um policial, e depois foi e chamou um jornal para pedir uma carona para casa. Isso não soa como as ações de um sujeito que não quer ficar famoso. Ele voltou ao local com mais e mais equipes de investigadores, participou de talk shows, e assim por diante. Ele até chegou a ser tema de um episódio de <em>Unsolved Mysteries</em>.</p>
<p><iframe height="405" src="http://www.youtube.com/embed/uLtb8ph2WQQ" frameborder="0" width="500" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Ele se tornou rico? Não exatamente, mas ele com certeza fez uma boa tentativa nessa direção. Ele escreveu um livro, que por alguma razão foi impresso em uma tiragem limitada, em polonês. Anos mais tarde, ele expressou uma profunda raiva com o fato de ele não ter feito uma montanha de dinheiro com o livro, pelo contrário, o editor pode ter perdido dinheiro no negócio. Mas só porque ele acabou não lucrando não significa que ele não tentou ganhar dinheiro com a história. Significa apenas que ele fracassou na tentativa.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="encounter   A Hist&oacute;ria de Stefan Michalak: Extraterrestres Desnecess&aacute;rios" border="0" alt="encounter ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/encounter.jpg" width="300" height="432" /></p>
<p>Então ele obteve fama, excitação e tentou ficar rico. Que outras razões poderiam existir? Bem, ele havia estado no parque a princípio procurando minério de prata. Que melhor maneira de manter a competição fora da área do que alegar que você foi atacado e que quase morreu lá? Adicione às suas tentativas de convencer o mundo que o parque era altamente radioativo como resultado das atividades de alienígenas, e há tanta prova de que ele está tentando manter a concorrência afastada quanto a de que o evento realmente ocorreu. O fato de que mais tarde ele fez valer seus direitos na área certamente não prejudica a tese.</p>
<p>Quando tudo se resume a isso, não há nada neste caso que eu não poderia reproduzir na minha cozinha. Dê-me uma caixa de cerveja, meu fogão, e um punhado de suprimentos, e eu poderia ser Stefan Michalak. Nenhum alienígena é necessário. É possível que ele esteja dizendo a verdade, que ele tenha sido queimado por uma nave alienígena? Sim. É verdade também que todos os buracos na história e seu comportamento muito estranho apontam inequivocamente que toda essa coisa é uma obra de ficção? Sim.</p>
<p>Nos vemos por aí.</p>
<p>- &#8211; -</p>
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		<title>FBI confirma o caso Roswell? O memorando Guy Hottel</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 06:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<category><![CDATA[aztec]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="guyhottel azteccrash   FBI confirma o caso Roswell? O memorando Guy Hottel" border="0" alt="guyhottel azteccrash ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/guyhottel_azteccrash.jpg" width="600" height="305" /></p>
<p>O FBI americano lançou um novo sítio, “uma nova sala de leitura eletrônica” curiosamente batizada de “<a href="http://vault.fbi.gov/" target="_blank"><strong>The Vault</strong></a>”, ou algo como “<em>O Cofre</em>”. Com mais de 2.000 documentos acessíveis e disponíveis para pesquisa e consulta eletrônica com alguns cliques, a iniciativa lembra muito – e alguns diriam, pode soar como uma tentativa deliberada de confundir-se com – o projeto “<a href="http://www.theblackvault.com/" target="_blank"><strong>The Black Vault</strong></a>”, uma iniciativa não-governamental iniciada em 1996 disponibilizando arquivos governamentais que já foram secretos. Além de ser uma iniciativa popular de mais de uma década, o <em>The Black Vault</em> já acumula mais de meio milhão da páginas.</p>
<p>A nova e muito mais modesta versão do FBI vem chamando atenção pelos documentos relacionados a temas como <a href="http://vault.fbi.gov/UFO/" target="_blank">OVNIs</a>, incluindo o <a href="http://vault.fbi.gov/Roswell%20UFO/" target="_blank">Caso Roswell</a> e <a href="http://vault.fbi.gov/Majestic%2012" target="_blank">MJ-12</a>, <a href="http://vault.fbi.gov/Animal%20Mutilation" target="_blank">Mutilações Animais</a>, <a href="http://vault.fbi.gov/Extra-Sensory%20Perception" target="_blank">Percepção Extra-Sensorial</a> e <a href="http://vault.fbi.gov/reading-room-index" target="_blank">muito mais</a>. Há mesmo os arquivos do FBI de personalidades como <a href="http://vault.fbi.gov/Carl%20Sagan" target="_blank"><strong>Carl Sagan</strong></a>.</p>
<p><a href="http://vault.fbi.gov/" target="_blank"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="fbivault   FBI confirma o caso Roswell? O memorando Guy Hottel" border="0" alt="fbivault ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/fbivault.jpg" width="600" height="258" /></a></p>
<p>A página inicial do “The Vault” do FBI já deixa claro que todos os arquivos haviam sido liberados publicamente – ainda que nem todos tivessem sido disponibilizados eletronicamente. Ainda assim, supostos especialistas em áreas como OVNIs parecem surpresos com tais documentos. São ufólogos que parecem desconhecer a ufologia, e em especial, um memorando que se destaca e tem sido citado em relação ao Caso Roswell.</p>
<p>Consiste de apenas uma página, de autoria do agente especial <a href="http://vault.fbi.gov/hottel_guy" target="_blank"><strong>Guy Hottel</strong></a> em 22 de março de 1950, endereçado ao diretor do FBI, então ninguém menos que <strong>J. Edgar Hoover</strong>. O que ele diz soa bombástico:</p>
<blockquote><p>“Para: Diretor, FBI     <br />Data: 22 de março de 1950      <br />De Guy Hottel, SAC, Washington      <br />Assunto: Informação relativa a Discos Voadores</p>
<p>A informação seguinte foi fornecida ao agente especial XXXXX. Um investigador da Força Aérea declarou que <strong>três assim chamados discos voadores foram recuperado no Novo México</strong>. Eles foram descritos como sendo circulares em formato, com centros elevados, e aproximadamente 50 pés [15 metros] de diâmetro. <strong>Cada um era ocupado por três corpos de forma humana mas apenas 3 pés [1 metro] de altura, vestidos em uma roupa metálica de textura muito fina</strong>. Cada corpo estava enrolado de forma similar a trajes usados por [speed flyers] e pilotos de teste. De acordo com o informante Sr. XXXXX, os discos foram encontrados no Novo México devido ao fato de que o governo possui um sistema de radar muito potente naquela área e se acredita que o radar interfere no mecanismo de controle dos discos. Nenhuma avaliação adicional foi tentada pelo agente especial XXXXX relativa ao acima”.</p>
</blockquote>
<p>Discos voadores acidentados? Pequenos corpos de homenzinhos em trajes metálicos? Novo México? Radares interferindo com mecanismos de controle dos discos? É natural que quem conheça a ufologia moderna lembre-se de Roswell. Ocorre que este memorando, apropriadamente, não está na pasta referente ao caso Roswell. Infelizmente não está identificada como deveria ao caso de que deriva: <strong>o Caso Aztec</strong>.</p>
<h3>Nunca vi, sempre acreditei</h3>
<p>Se você nunca ouviu falar do caso Aztec, mas sim do caso Roswell, é fácil colocar-se a par da história: praticamente todos os detalhes do caso Roswell são originais do caso Aztec. O disco acidentado, os destroços recolhidos e levados para a base aérea de Wright Patterson, os corpos de prováveis e pequenos alienígenas, as propriedades extraordinárias do material do disco voador, mesmo a tentativa do governo de encobrir todo o caso. Todos estes elementos surgiram não com o caso Roswell em 1947 – que só ressurgiria com estes detalhes décadas depois, quando <strong>Charles Bertliz</strong> finalmente o venderia para um grande público em 1980 – mas sim com o caso Aztec, divulgado em 1949 na coluna da revista de fofocas “<em>Variety</em>” de <strong>Frank Scully</strong>, que logo venderia um livro sobre o tema.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="AztecCrashMain   FBI confirma o caso Roswell? O memorando Guy Hottel" border="0" alt="AztecCrashMain ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/AztecCrashMain.jpg" width="500" height="351" /></p>
<p>Um dos motivos pelos quais o caso Aztec foi rapidamente esquecido é o fato de que toda a história foi criada por uma dupla de estelionatários que seriam expostos alguns anos depois. <strong>Sillas Newton</strong> circulou a história, promovendo um misterioso “Dr. Gee”, um alto cientista do governo que revelava toda a história, mas que era apenas seu comparsa, <strong>Leo GeBauer</strong>. Aqui estava o golpe: através de engenharia reversa, a tecnologia alienígena permitiria, entre tantas coisas… encontrar petróleo e ouro. Era um golpe muito antigo de vender máquinas miraculosas a investidores com muito dinheiro e pouco ceticismo, vestido com a mais recente e moderna história, a de um disco voador acidentado.</p>
<p>Newton e Gebauer eram golpistas convincentes, enganando muitas vítimas. Não se sabe se enganaram, ou se colaboraram com Frank Scully, porque o livro “<em>Behind the Flying Saucers</em>”, com todo o conto, vendeu e rendeu muito bem também ao jornalista. É aqui, finalmente, que entra o FBI, Guy Hottel e J. Edgar Hoover.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="newtongebauer   FBI confirma o caso Roswell? O memorando Guy Hottel" border="0" alt="newtongebauer ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/newtongebauer.jpg" width="461" height="330" /></p>
<p><strong>Bill Moore</strong> rastreou como o conto dos estelionatários chegou ao memorando. Newton contou a história a <strong>George Koehler</strong>, da estação da rádio local KMYR em Denver. Koehler contou a <strong>Morley Davies</strong>, que contou aos vendedores de carro <strong>Murphy</strong> e <strong>van Horn</strong>, que contaram ao colega <strong>Fick</strong>, que contou ao editor do Kansas City Wyandotte Echo. A história chegou à mídia, mas depois deste longo telefone sem fio, Newton havia sumido da história e Koehler havia se transformado em “Coulter”. Do noticiário, o conto chamou a atenção do agente do Escritório de Investigações Especiais, que é o agente especial mencionado, e que completou o caminho de Newton a Guy Hottel. Que enviou o memorando ao diretor do FBI.</p>
<p>Em 1998 este memorando, já liberado, provocou certo estardalhaço enquanto alguns pesquisadores OVNI tentaram promovê-lo como prova de que a história do acidente em Aztec, a despeito do envolvimento dos estelionatários, seria real. Como se o fato de que um agente especial tivesse ouvido uma versão da história e não se interessado em investigá-la lhe conferisse alguma credibilidade. Seja como for, o memorando não é nenhuma novidade, e se o FBI não o tivesse listado como um tópico separado em seu “Cofre” eletrônico é possível que não chamasse tanta atenção. E é muito provável que seja logo esquecido outra vez, e então “redescoberto” em mais alguns anos.</p>
<h3>Desinformação</h3>
<p>Que a história do mais famoso caso ufológico da atualidade, o caso Roswell, tenha sua origem no conto de dois estelionatários pode soar inacreditável, mas em uma área onde os “especialistas” desconhecem a história da própria área a que se dedicam, e em que acreditam, tudo é possível. Você encontrará um livro sobre a suposta queda de discos voadores em Aztec, o próprio livro de Frank Scully, publicado em 1950, mas não encontrará livros sobre o caso Roswell publicados antes da década de 1980. Roswell era uma nota de rodapé na ufologia, conhecido por outros nomes e confundido mesmo com o próprio caso Aztec.</p>
<p>Mas nem tudo se resume a criticar a curta memória da ufologia.</p>
<p>Newton e Gebauer não inventaram a história do disco acidentado do nada. Tudo começou com uma brincadeira publicada pelo editor do jornal <em>Aztec Independent Review</em> em 1948 sobre um disco acidentado com pequenos homenzinhos de Vênus. Uma brincadeira jornalística, como a que circularia mesmo em <a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/fotos-de-alienigenas/5550/o-et-do-fbi-kgb-ss" target="_blank">uma famosa foto logo depois</a>, inspirou os estelionatários. Se o diário de um estelionatário pode ser confiado, entretanto, Newton escreveu que após sua identidade ser revelada, ele teria recebido a visita de dois agentes do governo. Ao invés de silenciá-lo os agentes teriam lhe dito que sabiam que a história era falsa, mas que… Newton e Gebauer deveriam continuar a contá-la! Em troca, eles protegeriam a dupla. Seja a história verdadeira ou não, quando a dupla foi finalmente condenada por estelionato em 1952, receberam apenas sentenças de prisões suspensas.</p>
<p>E então relembramos como esta história absurda, em praticamente todos seus detalhes, seria ressuscitada em associação ao caso Roswell décadas depois. Mesmo o detalhe a respeito de sistemas de radar interferindo com discos voadores ressurgiria, e muitos o julgariam novo, ainda que estivesse lá, desde 1950, vindo direto da imaginação de um golpista condenado. Mesmo os desenhos criados em 1986 para ilustrar o caso Aztec em um livro não muito conhecido parecem ter sido inspiração direta para moldar a imagem muito conhecida da figura da <a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/fotos-de-alienigenas/5556/a-autopsia-alien" target="_blank">Autópsia Alien</a> em 1995, veiculada a milhões de lares em horário nobre pelo mundo.</p>
<p><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="aztecalienautopsy214h1   FBI confirma o caso Roswell? O memorando Guy Hottel" border="0" alt="aztecalienautopsy214h1 ufologia" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/aztecalienautopsy214h1.jpg" width="500" height="345" /></p>
<p>Repetidamente, o caso Aztec figura como um ilustríssimo desconhecido, um marcador que mancha e se sobrepõe em outros casos, sendo ele mesmo sempre esquecido. A situação lembra companhias de cartografia que inserem ruas inexistentes em seus mapas. O objetivo é localizar plagiadores: aqueles que simplesmente copiarem seus mapas, acabarão por copiar inadvertidamente as ruas inexistentes. Apenas aqueles que realmente explorarem o território saberão distinguir as ruas reais das inexistentes.</p>
<p>A ufologia popular reproduz com enorme ênfase os detalhes do conto do caso Aztec, a ponto das ruas inexistentes destacarem-se mais do que qualquer avenida real. Aztec é o marcador que denuncia o triste estado das lendas ufológicas. Será realmente surpresa que basta ao FBI divulgar o memorando Guy Hottel sem oferecer um contexto para que entusiastas e mesmo veículos de mídia tenham automaticamente associado-o a Roswell?</p>
<p>A melhor forma de suprimir uma informação não é negá-la, é deixar que ela se perca em meio a um estrondoso ruído. Como céticos, e ao expor fraudes, pretendemos diminuir o ruído e mapear um terreno desconhecido, mas as ruas inexistentes são por demais atraentes, e muitos preferirão mapas imaginários à realidade que possa existir à nossa frente.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>leia mais</h3>
<ul>
<li><a href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/2072/discos-voadores-e-frank-scully" target="_blank"><strong>Discos Voadores e Frank Scully</strong></a></li>
<li><a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/fotos-de-alienigenas/5556/a-autopsia-alien" target="_blank"><strong>A Autópsia Alien</strong></a></li>
<li><a href="http://www.ceticismoaberto.com/galeria/fotos-de-alienigenas/5550/o-et-do-fbi-kgb-ss" target="_blank"><strong>O ET do FBI, KGB, SS…</strong></a></li>
<li><a href="http://www.nmsr.org/aztec.htm" target="_blank"><strong>The Aztec UFO Scam</strong></a></li>
<li><strong>Mirage Men</strong>: A Jouney in Disinformation, Paranoia and UFOs, Mark Pilkington, Constable, 2010</li>
</ul>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Incr&#237;vel Hist&#243;ria do Contato da Salyut-6 com Extraterrestres</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Apr 2011 03:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ufologia]]></category>
		<category><![CDATA[contatos imediatos]]></category>
		<category><![CDATA[extraterrestres]]></category>
		<category><![CDATA[fraudes]]></category>
		<category><![CDATA[lendas urbanas]]></category>

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		<description><![CDATA[“No dia 18 de junho de 1981, o Gosplan convocou uma reunião extraordinária, com a presença de especialistas em UFOs, cosmonautas e autoridades soviéticas, inclusive militares. Seu moderador foi o próprio chefe do programa espacial soviético, General Georgi Timofeevict Beregovoy. ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="salyut6 contato01   A Incr&iacute;vel Hist&oacute;ria do Contato da Salyut 6 com Extraterrestres" border="0" alt="salyut6 contato01 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/salyut6_contato01.jpg" width="600" height="344" /></p>
<blockquote><p>“No dia 18 de junho de 1981, o Gosplan convocou uma reunião extraordinária, com a presença de especialistas em UFOs, cosmonautas e autoridades soviéticas, inclusive militares. Seu moderador foi o próprio chefe do programa espacial soviético, <strong>General Georgi Timofeevict Beregovoy</strong>. Ao seu lado estava <strong>Vladimir Kovalyonok</strong> [transliterado também como Kovalenok], o cosmonauta que, em companhia de <strong>Viktor Savinikh</strong> [Savinykh], permanecera 77 dias no espaço, a bordo da estação Salyut-6. … A revelação que fizeram foi de aturdir o mundo. Trata-se simplesmente da história de um contato de 2º grau &#8211; que só não foi de 3º porque o comando da missão terra, instruiu: NYET. A Salyut-6 fez contato com uma nave extraterrestre durante 4 dias (com interrupções) e orbitaram juntas, a uma distância de 400 km de nosso planeta. O evento envolveu cinco astronautas : Kovalyonok, Savinikh e três ETs a bordo do veículo desconhecido que tinha a forma de uma esfera”. [<a href="http://www.vigilia.com.br/vforum/viewtopic.php?t=831" target="_blank">Revista Manchete de 24 de setembro de 1984</a>]</p>
</blockquote>
<p>É uma história de contato sensacional. Ela se estende na forma como os cosmonautas soviéticos estabeleceram contato com as inteligências extraterrestres, tentando inicialmente flashes de sua lanterna em código Morse, mas só conseguindo sucesso com uma suposta mensagem matemática. Há ainda os detalhes da descrição física dos ETs – essencialmente seres humanos, ou “parecidos com seres humanos”:</p>
<blockquote><p>”usavam capacetes leves, tipo capuzes apertados. … Eles tinham sobrancelhas compridas e grossas e narizes retos, dignos de estátuas gregas. O que mais impressionou os cosmonautas foram os olhos &#8211; enormes, azuis, duas vezes maiores que os nossos- fixos neles, sem mostrar o menos sinal de emoção. Os traços eram bonitos, muito morenos. Eles lembravam homens hindus solenes. Mas nenhum músculo se mexia nos seus rostos. Tinham um ar de robôs”.</p>
</blockquote>
<p>Conseguir enxergar o tamanho e a cor dos olhos de extraterrestres durante um contato em órbita da Terra é algo fantástico. O detalhe de que tudo ainda teria sido fartamente fotografado e mesmo filmado pelos cosmonautas, e que os registros teriam sido exibidos às mais de 200 pessoas presentes na reunião no ministério soviético, estando guardados hoje em algum arquivo ultra-secreto, sem dúvida ajuda a alimentar o interesse pela história.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="salyut6 contato03   A Incr&iacute;vel Hist&oacute;ria do Contato da Salyut 6 com Extraterrestres" border="0" alt="salyut6 contato03 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/salyut6_contato03.jpg" width="600" height="375" /></p>
<p>A má notícia é que é um conto tão sensacional simplesmente porque foi inventado por um tablóide sensacionalista.</p>
<p>O que dizem os pesquisadores OVNI russos, e o que dizem os próprios envolvidos, Beregovoy, Kovalyonok e Savinikh a respeito de tudo isso?</p>
<h3>Negativas</h3>
<p>Encontrei o principal esclarecimento à história do contato da Salyut-6 na pesquisa de <strong>Boris Shurinov</strong>, que critica as fantasias divulgadas no ocidente sobre casos em seu país. Quando o caso foi notícia, um periódico de Moscou questionou Georgi Beregovoi sobre todo o assunto. Sua resposta:</p>
<blockquote><p>“Certa vez tentei investigar o tema por mim mesmo. Li em um pequeno jornal ucraniano onde diziam sobre meus contatos com representantes de civilizações extraterrestres. e um filme que eu teria mostrado a membros do Politburo. Queria saber de onde tudo aquilo tinha vindo, e descobri que era uma reprodução de um artigo publicado em um jornal da Ásia Central que por sua vez havia usado um artigo do estrangeiro. Este é o grau de autenticidade dessa informação”.</p>
</blockquote>
<p>Também consultei o pesquisador russo <strong>Mikhail Gershtein</strong>, que comentou:</p>
<blockquote><p>“No documentário ‘V Poiskah Prisheltzev’ (‘Em Busca de Extraterrestres’, 1988, em russo), o produtor mostrou um recorte de jornal do ‘National Enquirer’ [com a história] ao cosmonauta Viktor Savinikh e traduziu algumas partes dela. Savinikh declarou que era mentira pura: ‘Eles [os criadores dessa história] nos fazem de bobos, os leitores, a seu bel-prazer…”.</p>
</blockquote>
<p>Mentira pura. E quanto à testemunha que resta, de fato a mais citada, Kovalionok?</p>
<h3>Confirmação?</h3>
<p>Curiosamente há um núcleo de verdade na lenda do contato da Salyut-6. “<em>Eu vi um objeto</em>”, contou Kovalionok em uma entrevista a <strong>Giorgio Bongiovanni</strong>, presenciada por Shurinov.</p>
<blockquote><p>“De fato era diferente daqueles que vi pelo cosmos: espaçonaves, estações orbitais. Era um corpo de forma ovóide. Em sua frente estava algo que lembrava um sólido de revolução, um cone”.</p>
</blockquote>
<p>Kovalionok confirmaria seu avistamento em outras ocasiões, como em <a href="http://www.ufoevidence.org/cases/case396.htm" target="_blank">2002</a> e <a href="http://www.ufoevidence.org/Cases/CaseSubarticle.asp?ID=397" target="_blank">2004</a>, chegando a traçar mesmo um esboço do objeto que teria visto:</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="KovalyonokSketch   A Incr&iacute;vel Hist&oacute;ria do Contato da Salyut 6 com Extraterrestres" border="0" alt="KovalyonokSketch destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/KovalyonokSketch.jpg" width="500" height="390" /></p>
<blockquote><p>“O caso de que você me pergunta aconteceu em 5 de maio de 1981, por volta das 6 horas da tarde, durante a missão Salyut. … Eu havia acabado de fazer exercícios de ginástica, quanto vi em minha frente, pela portinhola, um objeto que não podia explicar. O objeto tinha o tamanho de um dedo. Fiquei surpreso em ver que era um objeto em órbita. É impossível determinar o tamanho e distância de um objeto no espaço, por isso não posso dizer que tamanho de fato tinha. Savinikh se preparou para capturar uma foto dele, mas o OVNI subitamente explodiu. Apenas nuvens de fumaça sobraram. O objeto se dividiu em duas peças interligadas, lembrando um peso de ginástica”.</p>
</blockquote>
<p>Algo muito diferente da lenda de contato por quatro dias com extraterrestres de narizes retos. Em outras declarações Kovalionok deixa mais claro que o evento durou alguns minutos, o que explica por que nenhum registro pôde ser feito do que teriam visto. O tão desejado filme não existe.</p>
<p>“A imprensa soviética noticiou o evento amplamente. Jornais e revistas soviéticos publicaram muitos artigos e mensagens sobre ele”, contou ainda Kovalenok, “mas eram principalmente artigos críticos”.</p>
<p>Como o avistamento por alguns minutos de algo que os cosmonautas mal puderam descrever se transformou em um extenso relato a respeito de uma esfera com metade do tamanho da estação espacial e o contato com extraterrestres de capacete, código Morse e tanto mais?</p>
<h3>National Enquirer e Henry Gris</h3>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="nationalenquirer today   A Incr&iacute;vel Hist&oacute;ria do Contato da Salyut 6 com Extraterrestres" border="0" alt="nationalenquirer today destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/nationalenquirer_today.jpg" width="600" height="373" /></p>
<p>Lembre-se de que Beregovoi comentou que ao ler sobre a fantástica lenda em um jornal ucraniano, descobriu que a fonte era um jornal estrangeiro. Lembre-se de que foi mostrado a Savinikh um recorte do <em>National Enquirer</em> com a história. Resulta que a única e primeira fonte a respeito da suposta conferência no Gosplan, com todos os detalhes sobre o contato, é mesmo o <em>National Enquirer</em>, um tablóide americano hoje mais dado a fofocas de celebridades, mas que à época apostava suas fichas na ufologia e histórias fantasiosas sobre extraterrestres.</p>
<p>Contos de alienígenas “por trás da cortina de ferro” enviadas por seus correspondentes especiais, entre eles <strong>Henry Gris</strong>, sempre cobertas pelo suposto sigilo soviético eram um grande filão.</p>
<p>Foi em um artigo de Gris, que comentava ser “<em>o primeiro jornalista a trazer esta notícia ao ocidente</em>” que o singelo e rápido avistamento de Kovalenok e Savinikh se transformaria na lenda que rodou o mundo, e ironicamente, retornou mesmo a Rússia. Tudo que você leu, pela rede, seja na revista Manchete, em publicações sobre discos voadores no Brasil ou em outras línguas é apenas uma versão da nota original de Gris para o&#160; tablóide americano.</p>
<p>E qual seria a fonte de Gris para tão bombástica história?</p>
<blockquote><p>“Tenho que me referir apenas ao que me disse, por sua parte, a fonte a qual não posso revelar o nome nem apelido, mas que certamente é muito confiável. Posso dizer que, na conferência em Moscou, ela foi convidada”.</p>
</blockquote>
<p>Gris diz confiar em sua testemunha sem nome, mas devemos confiar em Gris? O próprio boletim MUFON de março de 1983, reproduzindo com permissão um artigo do pesquisador sueco <strong>Anders Liljegren</strong> sobre as bombásticas histórias de OVNIs na URSS publicadas pelo Enquirer recomendava que “<em>pesquisadores OVNI devem jogar suas edições do </em>National Enquirer<em> nas profundidade de suas lixeiras</em>”. Liljegren havia notado como a história publicada pelo Enquirer, “<em>Navios Soviéticos Atacados por OVNIs do Fundo do Mar</em>” não possuía qualquer dado verificável, com exceção do nome do navio que, quando checado, seria em verdade um cargueiro com capacidade diferente da informada e construído na Alemanha Ocidental. Já “<em>Alienígenas Espaciais Atiram em Patrulheiros de Floresta com Raio Bizarro</em>”, segundo Liljegren, descrevia um suposto caso com a mesma data e detalhes quase idênticos ao de um outro caso divulgado anos antes na Finlândia. “<em>Temos toda razão para acreditar que este é um relato forjado</em>”, indicou Liljegren.</p>
<p>Se isso não foi suficiente, que tal a história do bebê alienígena mantido vivo por cientistas russos? Publicada no mesmo ano de 1983 pelo mesmo <em>National Enquirer</em>, e assinada pelo mesmo Henry Gris, ela descreve como:</p>
<blockquote><p>“Por mais de dois meses uma fantástica criança de outro planeta viveu, respirou, comeu e dormiu sob os olhos atentos de doutores soviéticos, dizem cientistas russos. O pequeno garoto de olhos roxos, com dedos palmeados – o único sobrevivente de um feroz acidente OVNI – finalmente morreu em 3 de outubro de infecção generalizada”.</p>
</blockquote>
<p align="center"><font size="1"><a href="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/mufon_ru0714_83.jpg" target="_blank"><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="mufon ru0714 83 thumb   A Incr&iacute;vel Hist&oacute;ria do Contato da Salyut 6 com Extraterrestres" border="0" alt="mufon ru0714 83 thumb destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/mufon_ru0714_83_thumb.jpg" width="500" height="620" /></a>       <br />[National Enquirer, 22 de novembro de 1983, via </font><a href="http://www.nicap.org/1mufon/mufon_ru0714_83.htm" target="_blank"><font size="1">NICAP</font></a><font size="1">]</font></p>
<p>Como no caso da Salyut-6, os intrépidos jornalistas americanos na União Soviética dizem que conseguiram todos os detalhes da história exclusiva através de suas fontes anônimas, “<em>temerosas de retaliação governamental, só concordaram em falar com a condição de que seus nomes não fossem revelados</em>”.</p>
<p>Mesmo esta inacreditável e inverificável história do bebê espacial de olhos roxos mantido vivo por soviéticos foi levada a sério por alguns, e é citada em um livro sobre o tema no Brasil. Deve estar contudo claro que uma profusão de histórias com detalhes inacreditáveis supostamente vindas do outro lado da cortina de ferro, tendo como fonte única o tablóide <em>National Enquirer</em> através de fontes anônimas, obedecem a um padrão.</p>
<p>E o padrão possui muito pouca credibilidade. Os detalhes extraordinários do suposto contato da Salyut-6 pertencem a este padrão.</p>
<h3>Peças restantes</h3>
<p>Houve de fato um avistamento em maio de 1981 testemunhado pelos cosmonautas Kovalionok e Savinikh a bordo da estação espacial soviética Salyut-6. O evento durou alguns minutos, e não foi registrado em fotografias ou filmes. A história transpiraria na imprensa soviética, e a partir dela, correspondentes americanos de um tablóide que à época lucrava com as mais fantásticas histórias de discos voadores e extraterrestres, fossem elas verdadeiras ou não, adicionariam os detalhes próprios de um tablóide, inventando uma conferência e um filme que jamais existiram. Do tablóide a história circularia o mundo, chegando à Europa, Brasil, e fazendo o caminho de volta para a mesma União Soviética, onde foi prontamente negada pelos envolvidos.</p>
<p>Mesmo sem a negativa dos envolvidos, já havia muitos motivos para duvidar da história. Como notado, Beregovoi nunca foi chefe do programa espacial soviético. Chegou a ser diretor do Centro de Treinamento de Cosmonautas, um posto muito diferente e que dificilmente o deixaria em comando de uma hipotética conferência com a maior revelação da história da humanidade a 200 ouvintes, nenhum dos quais veio à tona desde então, além da fonte anônima de Henry Gris. Mesmo os detalhes do contato e comunicação com os extraterrestres não fazem sentido: diz-se que só se obteve uma resposta como um “<em>logaritmo de seu número</em>”, que seria originalmente a sequência 101101 – na base decimal equivalente a 45. Por si só nada disso faz sentido, mas em uma história de ficção, mencionar a matemática como linguagem e misturar termos como logaritmos e sequências binárias soa atraente.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="salyut6 contato02   A Incr&iacute;vel Hist&oacute;ria do Contato da Salyut 6 com Extraterrestres" border="0" alt="salyut6 contato02 destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/salyut6_contato02.jpg" width="600" height="399" /></p>
<p>Nesta breve revisão do caso, não pude obter o testemunho direto de Beregovoi – falecido em 1995 – tampouco de Savinikh, tendo que confiar no trabalho dos pesquisadores russos Shurinov e Gershtein. E a peça intrigante ao caso que resta, certamente, é o que os cosmonautas teriam visto de fato, ainda que não fossem alienígenas de grandes olhos azuis e narizes retos.</p>
<p>Este é todavia um mistério muito menor do que a lenda que o obliterou. Anos antes, a bordo da mesma Salyut-6, cosmonautas também haviam visto OVNIs próximos de sua estação espacial, que, segundo o especialista espacial <strong>James Oberg</strong>, foram identificados como sacos de dejetos lançados da própria estação. Kovalenok comentou como seu OVNI acompanhava sua órbita, e como não podia estimar seu tamanho e distância. É possível que tivesse se enganado por algo similar, ou mesmo idêntico.</p>
<p>Fosse o que fosse, infelizmente não possuía olhos azuis nem respondeu a seu sinal de “positivo”.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>[Com agradecimentos a <strong>Mikhail Gershtein</strong>, e com informações de <strong>Boris Shurinov</strong>]</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Virgem do Sol</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Apr 2011 12:20:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mori</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artigo de Peter Rogerson, publicado em MUFOB volume 4, número 2, junho de 1971 Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura Um exame de algumas tradições mitológicas, com relevância para a ufologia contemporânea Desde a publicação de Passaporte para Magonia ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="virgem sol   A Virgem do Sol" border="0" alt="virgem sol destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/virgem_sol.jpg" width="600" height="374" /></p>
<p align="right">Artigo de <strong>Peter Rogerson</strong>, publicado em <a href="http://magonia.haaan.com/2009/sun-maiden/" target="_blank">MUFOB volume 4, número 2, junho de 1971</a>     <br />Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura</p>
<p><strong>Um exame de algumas tradições mitológicas, com relevância para a ufologia contemporânea</strong></p>
<p>Desde a publicação de <em>Passaporte para Magonia</em> de <strong>[Jacques] Vallée</strong> tem havido uma crescente consciência de que o fenômeno OVNI pertence a um contexto mais amplo de eventos, que possui um profundo significado mitológico para a espécie humana.</p>
<p>Esse mito pode ser resumido como uma crença em uma fabulosa terra habitada por seres sobrenaturais, que podem e de fato intervêm nos assuntos dos homens. Eles podem “levar” homens e mulheres à sua terra, ou como consortes ou como criados ou ainda para realizar tarefas especiais. Eles podem viver entre os homens por um tempo, mas ao final são chamados de volta à sua pátria. Eles podem ter interesse nos assuntos de indivíduos, famílias ou nações, seja para ajudar ou prejudicar. Acima de tudo eles são poderosos: </p>
<blockquote><p>“Nós poderíamos acabar com metade da raça humana, mas não &#8230; pois estamos esperando a salvação” </p>
</blockquote>
<p>um membro da nobreza diz a um vidente irlandês (1). Por isso, deve-se respeitá-los; não se deve portar de forma indecorosa em sua presença ou nos lugares sagrados a eles. Uma crença que persiste até hoje:</p>
<blockquote><p>“Sou a favor da idéia de que os vigilantes [do céu] têm de estar de alguma forma em sintonia com o que quer que controle os OVNIs antes que eles venham a aparecer &#8230; de preferência, um pequeno grupo harmonioso deve sentar-se quieto e pensar sobre OVNIs”.</p>
</blockquote>
<p>escreve <strong>Janet Gregory</strong> nas revistas Pegasus em um recente debate sobre vigílias (2) pensando que o bate-papo em geral e os ruídos de rádios transistorizados são uma afronta aos habitantes de Magonia. </p>
<p>Há muitas vertentes intrigantes da crença relacionada ao mito geral da Terra das Fadas, como salientou <strong>John Rimmer</strong>. (3) Em muitos aspectos, um dos mais importantes desses mitos é o da virgem divina, que pode seduzir os homens e levá-los para um país desconhecido ou, como nos contos que iremos explorar neste artigo, pode transmitir-lhes mensagens de grande importância. Esta donzela é, simultaneamente, uma figura de sereia-nereida e uma deusa do sol. O sol é a origem do arquétipo da Mandala, (O brilho do sol é visto como um símbolo da plenitude espiritual) com que o OVNI é tão identificado como a lenda do Graal. (4) Desta forma, podemos traçar uma linha mitológica de profunda importância. </p>
<p>Em South West nas assombradas Ilhas Ocidentais, segundo a tradição, no dia de Páscoa no pico de Ben More o sol pode ser visto a dançar, para celebrar a Ressurreição, de acordo com a versão cristianizada da lenda, que na verdade é muito mais antiga e deve datar dos dias de adoração ao sol. Num dia de Páscoa, uma viúva subiu a montanha para ver por si mesma: </p>
<blockquote><p>“Ela disse que o sol veio acima do horizonte [como] um clarão ofuscante dourado, e quando atingiu o cume das magníficas montanhas&#8230; ele começou a mudar de cor, tornou-se verde, em seguida, roxo e vermelho, um profundo vermelho de sangue e branco, um branco claro e intenso, e, finalmente, branco-ouro, como a Glória do próprio Deus. E ele ficou dançando, dançando para cima e para baixo, indo de pico a pico, de cume de morro a a cume de morro”. </p>
</blockquote>
<p>O preço dessa visão mística, tal como aquele extraído de quem vê os segredos encantados da Terra das Fadas, é a cegueira.</p>
<p><img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto; padding-top: 0px" title="fatima children   A Virgem do Sol" border="0" alt="fatima children destaques" src="http://www.ceticismoaberto.com/wp-content/uploads/2011/04/fatima_children.jpg" width="496" height="531" /></p>
<p>Daqui somos impelidos à história de Fátima (4, 6, 7, 8, 9, 10, 11). Aqui três crianças camponesas [acima] encontraram na Cova da Iria uma mulher celestial. Foi em 13 de maio de 1917 quando, cuidando de ovelhas, viram um flash de luz brilhante. Em seguida, perto de uma árvore de carvalho, uma mulher materializada em um globo de fogo. De acordo com as crianças: </p>
<blockquote><p>“A senhora maravilhosa parecia jovem, seu vestido branco como a neve e, amarrada em seu pescoço havia uma faixa dourada que cobria totalmente o corpo dela. Um manto branco com uma borda de ouro cobria a cabeça. Perto de suas mãos havia um rosário de grãos perolados. O rosto era circundado por um halo dourado.” (8) </p>
</blockquote>
<p>A senhora entregou uma mensagem, e então foi embora no globo luminoso. Novamente, nos dias 13 de junho, 13 de julho e 13 de setembro a senhora reapareceu para as crianças. Até o dia 13 de setembro um bom público se reuniu, mas apenas as crianças viram a senhora, alguns (mas não todos) viram um “avião de luz” chegar e retornar para o sol no leste, e estranhos flocos que se dissolviam quando tocados, caídos do céu. No mês seguinte, no ápice desta visão fantástica, veio a famosa dança do sol. Ao meio-dia o sol apareceu através das nuvens, incandescente com um brilho claro. De repente, pareceu girar descontroladamente, e ao fazê-lo mudou de cor, amarelo, verde, azul, e em seguida, um profundo vermelho-sangue, caindo em direção à terra, a temperatura aumentando. Então, subitamente o encanto foi quebrado, o sol estava de volta em um céu sem nuvens. Enquanto o espetáculo acontecia a senhora voltou a aparecer para as crianças, dando-lhes mensagens que elas tinham que entregar aos grandes do mundo. </p>
<p>Apenas as crianças viram a senhora e nem todos da multidão viram a dança do sol, (10) algo que aqueles que atribuem o fenômeno a naves espaciais eletromagnéticas não conseguem explicar. Sobre este evento <strong>Michell</strong> escreve: </p>
<blockquote><p>“Há uma espécie de atmosfera de conto de fadas sobre a história toda. A senhora parece ter sido uma das figuras sobrenaturais como a servente do Santo Graal, que pode aparecer para uma pessoa e ser invisível para a outra. Revelou-se do alto ou por uma árvore, como os anjos que visitaram Joana d’Arc, ou como as deusas lendárias locais da Portugal pré-cristã”. (4) </p>
</blockquote>
<p>É bom ter essas visões em mente, porque tais visões ocorrem fora do ambiente religioso tradicional. Dois séculos antes de Fátima um estranho rumor circulou na França de Luís XIV. Tratava-se de uma aparição maravilhosa percebida por um tal de <strong>Marechal Ferraut</strong> (12, 13). Voltando para casa à noite a cavalo por uma floresta escura em Provence, ele passou por um carvalho seco. Lá, ele viu uma luz estranha. </p>
<blockquote><p>“Entre esta árvore e uma mais nova, o espaço intermediário constituído por cerca de uma dezena de metros, estava uma figura alta e absolutamente imóvel e, aparentemente inanimada. Parecia a princípio ser feita de nuvens transparentes&#8230; No entanto, rapidamente se tornando mais e mais consistente, ela logo se transformou em uma mulher muito bonita. Ela estava vestida de branco, as jóias mais esplêndidas brilhavam em seus braços e seios e algo como uma tiara sobre o seu lindo cabelo dourado&#8230;” (12) </p>
</blockquote>
<p>Uma estranha paralisia , como aquela que acomete os percipientes de OVNIs, apoderou-se dele. A estranha figura anunciou que era o espírito da falecida esposa do rei. Ela ordenou que levasse uma mensagem ao rei, que consistia em parte de uma mensagem sobre a aparição que o próprio rei tinha visto na mesma floresta 30 anos antes. Ele prometeu entregar a mensagem, sob as mais terríveis ameaças. No entanto Ferrault tinha ainda mais medo do rei, e encontraria a aparição mais duas vezes antes de realizar a missão. O rei, conta-se, pagou-lhe muito para manter silêncio sobre a natureza integral da mensagem. </p>
<p>O leitor já terá visto o paralelismo com Fátima e outras visões de Maria – a árvore, a mulher de uma beleza impressionante e o segredo para os líderes. As diferenças também – a visão das crianças é de uma beleza tranqüila, já a do velho guerreiro é atemorizante, e dotada de um poder terrível. </p>
<p>No espaço de tempo entre essas duas histórias, uma visão estranha ocorreu em uma vila costeira de Maine próxima de Machiasport que parece criar um elo entre as lendas como a de Fátima e da investigação psíquica moderna, (14,15). No final de agosto de 1799 uma estranha voz se fez ouvir na casa de um capitão do mar, <strong>Paul Blaisdell</strong>, seguida alguns meses mais tarde (em janeiro de 1800) por uma aparição de uma linda mulher vestida com roupas brancas brilhantes, que flutuava “um pouco acima do chão”, alegando ser uma Sra. <strong>George Butler</strong> (falecida) e invocando seu ‘marido’ e ‘pai’ para prová-lo. O objetivo das visitas era forçar <strong>George Butler</strong> a se casar com a filha do capitão, <strong>Lydia</strong>, um propósito que foi finalmente realizado. </p>
<p>As descrições do que aconteceu durante o período são incríveis. A aparição reuniu grande número de pessoas na adega de Blaisdell (em certa ocasião, havia mais de duas centenas de presentes) e proferiu sermões, intercalou com as profecias, as quais acabaram por passar. Há a descrição de uma dessas palestras. A escritora, uma jovem hóspede, foi acordada por batidas na porta e foi para o porão, onde vinte pessoas já estavam reunidas: </p>
<p>“Então ouvi uma voz&#8230; era estridente, mas suave e agradável”. Então apareceu uma massa disforme de luz, crescendo na figura de uma mulher, que então passou entre as fileiras dos espectadores, falando o tempo todo. Na última tornou-se disforme, “expandido em todos os lugares” e, em seguida, desapareceu em um instante. O reverendo <strong>Abraham Cummings</strong>, que publicou o caso, (14) teve uma experiência ainda mais curiosa. Informado sobre a aparição, ele era cético e foi ver por si mesmo: </p>
<blockquote><p>“Cerca de 60 metros à sua frente havia um pequeno montículo ou elevação no chão, e ele pôde ver um grupo de pedras brancas na encosta, fracamente visíveis contra a relva escura &#8230; dois ou três minutos depois, ele olhou para cima &#8230; Uma dessas rochas brancas subiu do chão, e agora tinha tomado a forma de um globo de luz com um tom rosado. Enquanto ele ia em direção ao globo, manteve os olhos nele, temendo que pudesse desaparecer, mas ele não tinha ido mais de cinco passos, quando a massa incandescente brilhou bem para onde ele estava (e) ganhou o aspecto de uma mulher vestida, mas pequena, do tamanho de uma criança de sete anos. Ele pensou: “Você não é alta o suficiente para ser a mulher que tem aparecido entre nós.” Imediatamente a figura ampliou para o tamanho normal&#8230; e agora ela aparecia gloriosa, com raios de luz brilhando de sua cabeça em todas as direções, e chegando ao chão”. (15) </p>
</blockquote>
<p>Mudo de alegria misturada com terror, Cummings ficou em silêncio, e a figura, em seguida, desapareceu. O mundo parecia banal, sem brilho, em comparação à sua glória, ele registrou mais tarde. </p>
<p>Os habitantes de Magonia podem mudar a sua forma à vontade: “Eles podem se transformar, ficar pequenos ou grandes, pois eles podem assumir a forma que eles quiserem.” (16) Há paralelos com essas histórias. Os Waterdales, Northfleet, Kent, por exemplo, onde, em um quarto, a figura fantasmagórica de uma pequena menina que cresce até o tamanho de uma mulher foi vista. (17) Novamente, há Warminster, um turbilhão de fecundas mitologias, onde um membro da equipe de investigação de <strong>Shuttlewood</strong> foi ‘tomado’ por seres minúsculos que cresceram ao seu tamanho normal e em seguida eles o reduziram, junto com eles mesmos. (18) (Os Sidhe levam o corpo e a alma das pessoas, transformando-as em um dos seus). Eles o devolveram, mas ele nunca mais foi o mesmo, e começou a definhar. Nos outros dias dizia-se que ele era um “Changeling” [“Transmorfo”], pois os Sidhe nunca desistem daqueles que já levaram.</p>
<p>Aqueles que foram apanhados vão para a própria Magonia, o mundo encantado, localizado de acordo com várias culturas sob a terra, ou no mar, no céu, ou em outros mundos estranhos. É sempre a Shangri-La, logo depois do horizonte, tão perto e ainda assim tão longe. Poucos vão voluntariamente a esse paraíso, pois uma vez que se entra não há retorno. Então “eles” levarão os homens pela força, especialmente aqueles que atentaram contra o seu código ou que têm perturbado o seu lugar secreto. Um destes contos de tentativa de seqüestro é contado por <strong>Elliot O’Donnell</strong>, o conhecido caçador de fantasmas. (19) Um parente de O&#8217;Donnell (B.) estava dirigindo sua carruagem conjugada numa noite ao longo de uma estrada do Hospital para Ballynanty em Limerick, uma rota conhecida por ser assombrada pelos Sidhe. Ele havia caído no sono quando de repente foi despertado por seu condutor agarrando-se a ele: </p>
<blockquote><p>“O cavalo tinha chegado a um ponto morto, e estava parado, tremendo, enquanto que a estrada estava cheia de uma série de pequenas figuras sombrias que iam surgindo ao redor da carruagem tentando arrastar os infelizes condutores que estavam bastante agitados e aterrorizados, dos seus assentos. O Sr. B, no entanto, concluindo que o que ele via só podiam ser fadas, de cuja existência tinha sido até agora muito cético, tomou as rédeas e instou o cavalo para a frente. Enquanto isso, seu criado parecia estar ainda paralisado de medo, e não foi até que eles estivessem bem fora de vista que o homem encontrou-se mais uma vez na posse de sua língua e faculdades normais&#8230; Então ele descreveu o que lhe tinha acontecido&#8230; Ele estava conduzindo tranquilamente, até que o cavalo parou de repente, e quando ele olhou para baixo para ver qual era a causa disso, ele percebeu uma multidão de fadas, que correram em sua direção, e tentaram arrastá-lo para fora do carro. Ele disse que o toque daquelas criaturas era tão frio que o entorpeceram, mas que rezando fortemente ele aguentou. A causa do ataque foi aparentemente&#8230; </p>
<p>“Foi tudo porque fomos para cima deles, senhor, quando eles estavam dançando. Eles não podem ser perturbados quando estão em suas festas se divertindo. Caso tivessem-me derrubado na estrada, talvez eu houvesse perdido a minha visão ou a minha audição ou o uso de meus membros, e, em qualquer caso, a minha alma.” (19) </p>
</blockquote>
<p>Tivesse tal história sido narrada hoje, não há dúvida de que seria interpretada como uma tentativa de seqüestro por extraterrestres. É igualmente verdade, claro, que em épocas anteriores a aventura de <strong>Gustafsson</strong> e <strong>Rydberg</strong>, por exemplo (20) teria sido vista como uma tentativa por parte dos <em>trolls</em> ou dos homens das águas de levar seres humanos a seus lares subterrâneos. </p>
<p>É claro que o supostamente simples fenômeno OVNI é na verdade incalculavelmente complexo. Qualquer bela teoria que possamos sonhar nunca cobre todo o espectro de eventos. Algumas peças do quebra-cabeça sim se encaixam; é evidente, por exemplo, que a lenda moderna de OVNIs é parte integrante de uma tradição mitológica imensamente antiga, das quais algumas facetas apresentamos aqui. Podemos de fato ver os OVNIs como um símbolo arquetípico derivado do sol em um nível de “realidade”. </p>
<p>No entanto, este certamente não é todo o significado por trás do mito ou da realidade. Podemos interpretar o fenômeno como sendo subjetivo? Se assim for, pode o subconsciente humano criar uma alucinação tão complexa, ou ela teria que ser implantada por alguma inteligência extraterrena, e que tipo de mente pode conseguir isso, e com que finalidade? Se o fenômeno é objetivo ainda mais perguntas parecem ser levantadas, a mais simples sendo: como poderia um fenômeno objetivo ser visível apenas a um número limitado de pessoas contíguas umas às outras? Certamente, se o fenômeno é resultado das atividades de uma inteligência extraterrestre, ela está operando em um nível muito mais complexo e sutil do que a maioria dos expoentes da hipótese extraterrestre está preparada para admitir.</p>
<p>- &#8211; -</p>
<h3>Referências</h3>
<blockquote><p>1. Evans-Wentz, W.Y. <a href="http://www.amazon.co.uk/Fairy-Faith-Celtic-Countries/dp/1600963358%3FSubscriptionId%3D02E5W5871AJF7PMMMS82%26tag%3Djohrimsmagblo-21%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3D1600963358" target="_blank">The Fairy Faith in Celtic Countries</a>, quoted in Jacques Vallée, Passport to Magonia, 1969.</p>
<p>2. Gregory, Janet. Letter to the Editor, Pegasus, vol.2, no.8.</p>
<p>3. Rimmer, John. ‘On the conceptual connection between fairies and UFO entities’, MUFOB, vol. 2, no.1.</p>
<p>4. Michell, John. Flying Saucer Vision, 1967, especialmente os capítulos 4, 5 e 6. As citações são do capítulo 5.</p>
<p>5. Swire, Otto F. The Outer Hebrides and Their Legends, 1966. Citação extraída do capítulo 7.</p>
<p>6. Vallée, Jacques. Anatomy of a Phenomenon, 1966.</p>
<p>7. Thomas, Paul (i.e. Paul Misraki) Flying Saucers Through the Ages, 1965.</p>
<p>8. Ribera, Antonio. ‘What happened at Fatima?’, Flying Saucer Review, vol.10, no.2.</p>
<p>9. Inglefield, Gilbert. ‘Fatima: the three alternatives’, Flying Saucer Review, vol.10, no.3.</p>
<p>10. Paris, S. A. ‘Fatima again’, Flying Saucer Review, vol.12, no.1, letter to the editor,</p>
<p>11. Stearn, Jesse. The Door to the Future, 1964</p>
<p>12. O’Donnell, Elliot. Family Ghosts, 1965</p>
<p>13. O’Donnell, Elliot, Ghosts With a Purpose, 1963.</p>
<p>14. Cummins, Abraham, Immortality proved by Testimony of Sense, 1859. Citado em:</p>
<p>15. Stevens, William, Oliver, Unbidden Guests, 1949</p>
<p>16. Gregory, Lady Augusta, <a href="http://www.amazon.co.uk/Visions-Beliefs-Ireland-Forgotten-Books/dp/1605061441%3FSubscriptionId%3D02E5W5871AJF7PMMMS82%26tag%3Djohrimsmagblo-21%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3D1605061441" target="_blank">Visions and Beliefs in the West of Ireland</a>, 1920; citado em ‘The UFO is alive and well and living in fairyland’, MUFOB, vol.3, no.6.</p>
<p>17. Sims, Victor, and George Owen. ‘the case of the haunted council house’, Sunday Mirror, November 20, 1961.</p>
<p>18. Shuttlewood, Arthur. Warnings from Flying Friends, 1968</p>
<p>19. O’Donnell, Elliot. Ghostland, 1925</p>
<p>20. Steiger, Brad. Strangers from the Skies, 1966</p>
</blockquote>
<p>[Imagem inicial: <a href="http://www.sxc.hu/photo/1325639" target="_blank"><em>Snowfall</em> de Nossirom</a>]</p>
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