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Fotografias de fantasmas: Como fazer

Um Almoço Light

9 de agosto de 2009 Comments (3) Views: 1559 Ceticismo, Destaques, Paranormal

O Ceticismo como técnica de auto-defesa intelectual

© Peter Huston, Translated with permission

Tradução ao português realizada por Homero

1. Como definir o ceticismo?

Ou

“Esta Coisinha Louca Chamada Ceticismo!”

O que é o ceticismo? Estando envolvido com o “ceticismo” por bastante tempo, isto é mais que uma questão abstrata para mim. De fato, como eu gasto grande quantidade de tempo e esforços com o “ceticismo”, e tenho feito isso por anos, a questão me é próxima, imediata e importante. Uma vez que o “ceticismo” é basicamente uma entidade indefinida, muitas vezes é difícil explicar aos outros em que eu estou envolvido ou porque despender valioso tempo e esforço nisto! Alguns dias genuinamente não sei, eu mesmo, o que espero conseguir com este vago esforço chamado “ceticismo”. (E espero, que quando descobrir o que estou tentando realizar, isto valha todo esforço e energia que despendi!).

Definir o escopo e o conteúdo do “ismo” chamado “ceticismo”, somente se tornará importante quando auto-proclamados céticos se tornarem mais conscientes disso. Ceticismo como uma entidade organizada existe em níveis locais, nacionais e internacionais e estão crescendo. Há muitos colegas céticos em “grupos céticos”. E na Internet não há apenas muitos sites céticos, mas também muitas listas de discussão céticas, webrings céticos (grupos de páginas relacionadas que se auto-referenciam de modo a formar um “anel” de ligação entre si – Nota do Tradutor) e muitas salas de chat que recebem encontros em datas e horários regulares. A despeito de tudo isso, há na realidade pouco consenso sobre o que termos como “cético” e “ceticismo” significam. Isto é verdadeiro para muitas pessoas no movimento. Há pouco tempo ouvi alguém descrever uma publicação de nível nacional cética como “um vai e volta cético”. Embora ela estivesse contente com este rótulo, fiquei pensando o que exatamente esta frase significa. Um folclorista (estudioso do folclore) que conheço descreve céticos como “uma comunidade emergente que luta para se definir”. Se aceitarmos a definição de “um cético” como “alguém que pratica ou está envolvido com o ceticismo” nós ainda ficamos com a curiosa necessidade de definir e analisar o que é ceticismo. Recentemente estive envolvido em uma discussão na Internet sobre “se o ceticismo deveria ir para o mainstream (corrente principal de pensamento – nota do tradutor)”. Antes que nós possamos efetivamente ir para o mainstream, penso que ajudaria se pudéssemos explicar ou definir ceticismo para o mainstream.

Resumindo, qual o significado atual de “ser cético” ter se tornado um “ismo”? Um adjetivo, “cético”, agora se tornou um substantivo, “ceticismo”. Quando pessoas se unem sob a bandeira do ceticismo o que elas esperam conseguir? O que é “ceticismo”?

Para algumas pessoas ceticismo é:

  • · Um modo de analisar afirmações paranormais. – (por que justo afirmações paranormais?)
  • · Um movimento – (Se é assim, é um movimento sociológico, político, ou que tipo de movimento exatamente isto é?)
  • · Um modo de defender a ciência – (E isto é realmente defender a ciência, e se é como e do que se defende?)
  • · Para algumas pessoas “ceticismo” é um modo de defender a sociedade, a academia (sociedade cientifica – nota do tradutor), a civilização ocidental, a democracia propriamente dita ou qualquer número de outras coisas boas. – (Ainda bem que pelo menos alguém defende essas coisas!)
  • · Para algumas pessoas ceticismo é o CSICOP, (o Comitê para a Investigação Cientifica de Alegações Paranormais) ou talvez o CSICOP e vários grupos locais ou outras entidades politicamente ou formalmente organizadas. – (Bem, eles começaram isso tudo. Eu tenho de dar crédito por isso! Mas eles são o início e o fim do ceticismo?).
  • · Para alguns críticos, ceticismo significa que o establishment (não há tradução, literalmente a fundação ou estabelecimento – aqui no sentido de conjunto de forças de controle sociais – nota do tradutor) procura suprimir novas idéias e neutralizar ameaças ao domínio hierárquico do conhecimento criado através de um auto selecionado conjunto de paradigmas arbitrários. – (Puxa! Eu odiaria ser responsável por tudo isso!! Alguns de meus melhores amigos são kooks (maluquinhos, dados a comportamentos excêntricos ou a fantasias, quase insanos – nota do tradutor), afinal!)

Parte disso é verdade, parte é falsa, para todas essas noções. Mas eu penso, baseado em minha experiência, que todas essas definições são imperfeitas. Em minha opinião, (e reconhecidamente este artigo não é nada mais que a opinião pessoal) muitas dessas idéias são muito abrangentes e extensas em seu alcance. Elas tentam fazer do ceticismo algo muito maior do que ele é ou definir objetivos que parecem francamente irrealistas. (Estaremos nós, por exemplo, realmente salvando a democracia desmascarando avistamentos de OVNIS?). Outras, por contraste, são muito reduzidas. (Ainda que influentes, muitos céticos não têm filiação formal com o CSICOP, por exemplo). Ou condenam todos os céticos pelas ações de uns poucos. (Eu nunca fui proprietário de nenhuma pessoa negra e nunca interferi com o comércio inter-estados com uma caixa de energia Orgone também!). Com algumas exceções, entretanto, geralmente o termo ceticismo, bem como as metas do ceticismo, são deixadas indefinidas pelos céticos. Inevitavelmente isto terá de ser corrigido.

2. Bem, então, o que é ceticismo? E por quê?

Ou

“Talvez agora eu não tenha de ser tão rabugento quando aquela época especial do mês chegar!” (Nosso encontro cético! O que mais?)

Nós, como céticos, somos deixados com o foco da questão indefinida. O que estou sugerindo neste artigo é que:

  • · Ceticismo é uma técnica.
  • · Ceticismo é um modo de analisar/avaliar idéias.
  • · Ceticismo é uma ferramenta intelectual.

Resumindo, ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual.

Em outras palavras, ceticismo é um modo de as pessoas poderem examinar e defender-se de idéias más, falsas ou potencialmente daninhas. Eu escolhi esta definição cuidadosamente. Ainda que eu não considere esta definição o “início e o fim” das “definições de ceticismo”, eu a considero muito útil em muitas maneiras.

Por que precisamos de uma “técnica de autodefesa intelectual”? A resposta é simples. Vivemos na era da informação. A maioria de nós pensa que (especialmente aqueles de nós com acesso a Internet) esta poderia facilmente ser chamada de “Era da Desinformação”. Vivemos em uma era onde a ciência, os meios de comunicação e a troca intercultural estão aumentando em uma taxa incrível. Nunca houve outra era na história onde os indivíduos foram expostos a um tão constante e contínuo fluxo de novas idéias em uma base regular. Necessitamos de uma maneira de filtrar essa informação de modo que não percamos tempo e energia com ineficazes, inacuradas, incorretas ou mesmo perigosas idéias. Ceticismo, como é geralmente entendido, é o meio de filtrar essa “má informação”.

Neste ponto não seria uma má idéia fazer um breve resumo, em um formato simplificado, as idéias básicas sobre ceticismo. Ceticismo, como uma técnica, basicamente envolve o seguinte sistema de avaliar idéias.

  • · Suponha que algo é falso a menos que se prove ser verdadeiro.
  • · Use a Navalha de Occam, a presunção de que se duas explicações são possíveis, normalmente a mais simples é verdadeira.
  • · Assuma que alegações extraordinárias
    requerem provas (evidencias) extraordinárias.
  • · Assuma que o ônus da prova é de quem defende a alegação

Como se pode ver há uma clara ênfase em cortar idéias falsas ou não aceitáveis. Esta é uma das razões pelas quais escolhi minha afirmação que “ceticismo é um método de autodefesa intelectual” com cuidado, ao invés de algo mais neutro como talvez que ceticismo significa um modo de pesar idéias. A ênfase está no aspecto de negativa, e, em autodefesa é assim que deve ser.

Essas idéias funcionam 100% do tempo? Realmente não, algumas idéias não se prestam a um método tão claro de avaliação. Além disso, muitas pessoas podem apontar casos isolados onde algumas dessas suposições não eram verdadeiras, onde talvez a Navalha de Occam não se aplicava a um determinado caso. Mas como nenhum sistema de autodefesa é perfeito, este também não se esperava que fosse. Ainda assim, ceticismo é uma útil técnica de avaliar idéias e filtrar as prejudiciais.

Eu poderia também argumentar que muitos aspectos da vida, incluindo estéticos, emocionais, atléticos, espirituais, éticos e formas de relacionamento, não se prestam à análise cética muito bem. Ceticismo e análise racional podem ajudar esses aspectos, mas seu uso nesses campos é de alguma forma limitado. (Por exemplo, análise racional pode ajudar um artista treinado em muitos aspectos da criação de uma pintura. Isso pode incluir a escolha de materiais, composição ou design, e similares, mas a necessidade de se expressar raramente é baseada inteiramente na racionalidade).

3. Se o ceticismo é uma técnica e um pouco mais, então o que ele não é?

Ou

“Precisa de uma vida? Bem, você não vai conseguir uma se não tentar!!”

Se aceitarmos a premissa positiva que ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual então devemos também verificar o que o ceticismo não é. É uma técnica e pouco mais. Eu defendo o seguinte:

  • · Ceticismo não é uma filosofia completa.
  • · Ceticismo não é uma religião.
  • · Ceticismo não ensina que as pessoas precisam ser 100% racionais.
  • · Ceticismo não é um estilo de vida.

Eu repito que ceticismo, em minha opinião, é nada mais que um método de autodefesa intelectual, e céticos são pessoas que tem estudado as técnicas que se aplicam a este método e as avaliam. Quando apresentei uma versão previa deste artigo em uma filial, em Massachusetts, da New England Skeptics Society, eles pareciam estar familiarizados com o significado das afirmações acima e sorriam com concordância à explanação. Ainda assim, deixe-me elaborar melhor algumas dessas proposições.

Ceticismo não é nem uma filosofia completa nem uma religião completa. Embora trate de muitas questões filosóficas importantes, como questões de crenças e a determinação da natureza da realidade, não é uma filosofia completa. Devido a inerente ênfase nas coisas não provadas, e a inerente negatividade, acredito que pessoas que estão procurando algo para crer ou para motivá-las em suas vidas devem procurar além do ceticismo e do movimento cético. Eu diria que não deveriam abandonar seu ceticismo ao fazer isso, mas levá-lo com eles. Ceticismo é uma parte importante na procura de questões espirituais de uma forma segura. Entretanto, ceticismo é principalmente sobre descrença e tem seu foco em idéias não provadas. Para encontrar idéias positivas, deve-se ir a outra parte.

Ceticismo não afirma que pessoas devem ser 100% racionais. Eu não alego ser 100% racional. Nem mesmo alego ser 99% racional. (De fato, suspeito que poucos de meus amigos ou conhecidos julgariam minha racionalidade em 80%) Se eu fosse 100% racional pararia com a cerveja e comidas gordurosas e evitaria fazer sexo na ausência de intenções reprodutivas se no lugar pudesse um bom livro ou me exercitar. Eu pagaria minhas contas na data correta e somente compraria CDs e brinquedos se tivesse recursos disponíveis. Eu seria um contador no lugar de escritor. Sim, como um ser humano, tenho ajustado minhas metas bem abaixo dos 100% de racionalidade e nunca me arrependi disso.

Igualmente, ceticismo não é um estilo de vida e não deve ser perseguido como tal. Há pessoas que se deliciam destruindo a crença de outras. Tristemente, muitas desse tipo são atraídas para o ceticismo e algumas atingem altos níveis de proeminência. Não obstante, se sua intenção ao interagir com estranhos é por a prova suas crenças a procura de falhas, tornando cada novo encontro interpessoal em uma procura intelectual do tipo “máquina de procura e destruição”, isso pode ser desaprovado de muitas maneiras, para dizer o mínimo. Depois de muitos anos com o movimento cético, acredito que cada cético deve procurar equilibrar o ceticismo e seus interesses externos. Ceticismo pode complementar esses interesses externos, mas não pode ser um substituto para os mesmos.

Ceticismo pode ser um valioso complemento para qualquer vida, mas não pode, isoladamente, ser toda a vida. Mais elaboradamente, de tempos em tempos, eu me sento e tento me auto-avaliar. Para fazer isso divido a mim mesmo em uns poucos reinos. Estes tendem a ser:

  • 1. Mente
  • 2. Corpo
  • 3. Emoções ou espirito

E algumas vezes acrescento um outro reino:

  • 4. Ações sociais ou interpessoais

Análise racional, e sua sub-divisão, o ceticismo, pode ser útil com qualquer desses reinos. A conexão entre “mente” ou processos intelectuais e análise racional é obvia.

Para o reino “corpo”, uma simples olhada em uma edição de Muscles and Fitness Magazine, uma publicação com foco em musculação e fitness, irá revelar um surpreendentemente forte respeito pelos estudos científicos entre o staff editorial e leitores. Entretanto, Muscles and Fitness não é uma revista cientifica. Algumas vezes ao cometer erros em ciência, eles erram espantosamente em suas conclusões. Mas está claro mesmo para um eventual leitor desta publicação que articulistas e o staff editorial querem conhecer os mais recentes desenvolvimentos nos campos de nutrição, fisiologia e ciências relacionadas, sabendo que isto os beneficiará em suas procuras pessoais. Pessoas com uma meta podem avaliar os resultados e ceticismo e análise racional ajudam a conseguir bons resultados.

No reino do emocional e espiritual, há também uso para o ceticismo. Em um nível básico, tenho notado, através da analise racional, que quando faço exercícios regularmente e me alimento bem me sinto bem melhor do que quando não me comporto assim. Ceticismo pode ajudar uma pessoa a evitar armadilhas inclusive muitas dos vários boatos (hoaxes) da New age (das quais Carlos Castaneda é indubitavelmente o mais conhecido). Um conhecimento de ceticismo pode fazer uma pessoa mais cuidadosa com o recrutador de cultos comum. Assim, mesmo aqui, um reino da vida tradicionalmente ignorado ou mesmo desdenhado por muitos auto-proclamados céticos, ceticismo é claramente útil para atingir os objetivos desejados.

No reino social ou interpessoal, as coisas são mais fracamente definidas, mas ainda há uso para o ceticismo e analise racional. Você pode pegar pessoas em mentiras mais facilmente, por exemplo, se você for cético. O ceticismo pode claramente ajudar a avaliar algumas ações sociais e em questões interpessoais, mas estes devem ser determinados caso a caso.

Não obstante, o ceticismo propriamente não é, na exclusão de outros interesses, um estilo de vida. De fato, eu argumento que, se aceitarmos que o ceticismo é uma técnica para autodefesa intelectual, então não existe realmente em exclusão, mas pode somente ser visto quando interagindo com outras idéias. Eu argumento que nós como céticos devemos começar a tentar ver como o ceticismo intera
ge com outras idéias, mais do que como um ambiente separado.

4. Se o ceticismo é tanto e ao mesmo tempo tão pouco, sobre o que devem os grupos céticos ser publicamente céticos?

Ou

“O que é pior? Genocídio nos Bálcãs ou Arquivo-X?”

Se aceitarmos a premissa que o ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual, e o fato de que pessoas formam grupos locais para praticar esta técnica, praticando um “ativismo cético” e disseminando a idéia que “ceticismo” é útil e bom, então devemos pensar um pouco sobre onde e como nós, os membros desses grupos, devemos publicamente aplicar essas técnicas (embora aqueles que se dedicam as coisas além do ceticismo possam também achar estas idéias úteis). Já que o ceticismo é inerentemente uma série negativa de técnicas criadas para idéias não comprovadas, esta questão pode ser resumida em que idéias então nós escolhemos atacar?

Tradicionalmente, céticos tem focado seu criticismo naquilo que vagamente é definido como reinos do paranormal, supranatural e alegações pseudocientificas. Embora eu deva voltar a esses reinos mais tarde, para o momento prefiro iniciar com uma folha em branco. Se aceitamos a idéia que ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual então não é necessário focar nesse tipo de idéias mais do que em qualquer outro tipo. (Por muitas razões, acredito que estas idéias têm um lugar especial no ceticismo, algo que vou elaborar mais adiante).

Se iniciarmos com a noção de que ceticismo é uma técnica de autodefesa intelectual então podemos facilmente que seu primeiro uso deve ser nos proteger. E haverá muitas oportunidades. Enquanto eu escrevo existem literalmente seis mensagens em minha secretária eletrônica esperando para serem apagadas. Duas delas são de empresas que mentem regularmente e uma é de um recrutador de telemarketing de esquemas de pirâmides. O Presidente dos Estados Unidos está sendo demandado por perjúrio depois de ser arremessado em um escândalo sexual onde se misturaram uma tiete universitária e alguns charutos cubanos contrabandeados e depois ter mentido sobre tudo isso. Minha leitura recreacional inclui referencias a Koko, a gorila que chama pessoas desagradáveis de “demônios do banheiro!” – uma maravilhosa expressão para qualquer símio incluindo eu mesmo. Ainda há grande controvérsia se isto, ou qualquer expressão de Koko é uma verdadeira comunicação inter-especies. A necessidade de ceticismo em nossas vidas nos rodeia!

Mas grupos céticos, eu sinto, devem ter algum interesse em ações sociais e alguma consideração ativista. O ativismo deve ser direcionado cuidadosamente e as causas cuidadosamente selecionadas.

Deixe-me apresentar dois exemplos bem direcionados de ativismo cético.

-No Colorado, organizações céticas têm dado especial atenção em apontar alegações de toque terapêutico entre os profissionais dos departamentos de saúde oficial. Muitos dos profissionais do sistema de saúde estão atualmente recebendo créditos educacionais para toque terapêutico, como um sistema de saúde alternativo que alega funcionar manipulando campos de energia no corpo humano. A existência desses “campos de energia” e a utilidade da terapia de toque são seriamente contestadas pela ciência e medicinas modernas. Se alguém procura por tratamento com um profissional de saúde e recebe toque terapêutico como tratamento, ele tem o direito de saber se o tratamento funciona.

A introdução da terapia de toque afeta diversas causas importantes. Entre elas estão o modo como não-cientificamente provadas técnicas tem sido informalmente aceitas por alguns profissionais de saúde. Também a questão de quantas instituições de saúde requerem créditos educacionais para seus membros, mas não monitoram a validade ou utilidade dos assuntos que os membros podem estudar para receber esses assim chamados créditos educacionais. Mixar esta assim chamada medicina alternativa e a medicina tradicional é procurar por problemas. De fato, não é incomum que pessoas assumam que terapias de toque e outros tratamentos “alternativos” são válidos simplesmente porque são aceitas por muitos profissionais de saúde.

Em efeito, o que os céticos do Colorado estão perguntando é, “Isto funciona como alegado e vocês podem prová-lo?” e “Se não, por que estão ensinando isso?” Ao fazer isso, muitas interessantes questões estão sendo trazidas à tona, e as técnicas do ceticismo estão sendo bem ilustradas e ganhando publicidade. (Para uma versão dos detalhes desta questão veja “Therapeutic Touch -Skeptics in Hand to Hand Combat over the Latest New Age Health Fad" In "Skeptic" Vol. 3, No. 1. Pp. 40 -49. Por favor, note que, existem alegações de que este artigo apresenta uma versão muito distorcida dos eventos devido a rivalidades políticas entre dois grupos céticos do Colorado.)

Igualmente importante, como o artigo acima mostra, os céticos do Colorado sabem o que estão fazendo quando se posicionam contra essas alegações. Eles não se embaraçam ao falar sobre isso.

– Eric Krieg, do PhACT, a Associação para o Pensamento Crítico, tem como alvo mecanismos de moto perpétuo (também chamados alegações de “Free Energy”) muitos dos quais visam fazendeiros. Estas alegações, obviamente, desafiam nosso conhecimento de física como atualmente a entendemos e merecem ser analisadas. Comumente, muitos fazendeiros vivem no limite da margem de lucro. Quando um fazendeiro financeiramente desesperado despende uma substancial quantia de dinheiro em uma máquina de “free energy”, e a máquina não faz o que alega, o problema é evidente por si só. Esta é claramente uma causa válida para justificar a atenção do ceticismo.

Por outro lado, nem todos podem falar sobre qualquer coisa. Krieg é bem preparado para compreender este tipo de afirmação já que ele é Engenheiro Elétrico que cresceu na área rural. Em outras palavras, ele entende ambos, as máquinas e os problemas que elas causam. )Para mais detalhes sobre Krieg e suas ações veja estes links – http://www.voicenet.com/~eric/dennis.htmlhttp://www.voicenet.com/~eric/dennis4.htmlhttp://www.csicop.org/si/9707/krieg.html – O último site é um artigo sobre o assunto que apareceu na edição de julho/agosto da Skeptical Inquirer.)

Uma causa apropriada, eu sinto, deve:

  • · Ser sua importância auto-evidente e não precisar de justificação aos olhos da opinião pública.
  • · Ser algo que os céticos disponíveis tenham habilidade/conhecimento para falar com conhecimento de causa.
  • · Ser algo em que os céticos disponíveis possam fazer a diferença

Se a causa selecionada preencher estes parâmetros então o objetivo final do ativismo cético pode ser alcançado. Este objetivo final deve ser Fazendo Diferença Enquanto Envia uma Mensagem!!

Às vezes os céticos escolhem causas onde eles não encontram estes objetivos. Nestes casos, acabam parecendo tolos e seus esforços podem ser realmente contraproducentes. Para dar um exemplo negativo, recentemente CSICOP, um proeminente grupo cético, decidiu produzir um press-release indicando que o filem de ficção cientifica e aventura Arquivo-X minava a crença das pessoas na ciência e era perigosa para a sociedade. Aplicando os objetivos e parâmetros acima a esta questão:

  • · A afirmação não parece se justificar aos olhos da opinião pública. Poucas pessoas leigas fora do ceticismo vêem o filme Arquivo-X como perigoso para a ciência e a educação. Muitos leigos acham a idéia humorística ou tola e, a seus olhos, a credibilidade do CSICOP declina imediatamente.
  • · Não só o CSICOP parecia não ter conhecimento sobre o assunto, como o press-release tinha sido claramente escrito antes do lançamento do filme. É improvável que qualquer dos autores do texto tenham visto o filme em questão.
  • · Finalmente, este press-release não fez muito de qualquer maneira, porque a despeito das críticas medíocres, o filme fez bastante dinheiro para que produtor anuncie breve planos para uma seqüência. De fato, não tenho certeza do que o CSICOP esperava que conseguir com este press-release.

Mesmo entre web sites céticos e listas de discussão poucas pessoas expressaram concordância ou apoio ao texto, e muitas criticaram. Muitos céticos, de fato, são fãs de Arquivo-X (eu inclusive – nota do tradutor). Eu concluo, pelas razões apresentadas acima, que o press-release do CSICOP condenando Arquivo-X é exatamente o tipo de ação que céticos devem evitar.

Um cínico poderia perguntar não somente por que CSICOP produziu este press-release, mas por que não estão trabalhando com problemas reais? Uma simples revista das ações e eventos atuais revelam um largo espectro de eventos e problemas onde as habilidades especiais, conhecimento e perspectivas céticas poderiam ser de grande ajuda.

Alguns melhores alvos para ativismo cético podem ser:

  • · Fraudes de negócios. Isto pode incluir exemplos como Ponzi (Ponzi foi um comerciante italiano que inventou e aplicou no mercado americano entre 1919 e 1920, um esquema em que as pessoas investiam dinheiro para receber juros enormes. Usando o dinheiro de novos investidores para pagar antigos, ele nunca investiu um centavo e arrematou milhões. Foi preso no final, quando ficou claro que ele não poderia pagar a todos que investiram – nota do tradutor) ou Pirâmides onde simples cálculos matemáticos mostram que o esquema está destinado a falhar.
  • · A cura do câncer Quaker – Nós vivemos em uma época em que as assim chamadas “medicinas alternativas” estão se tornando largamente aceitas. A distinção entre terapias alternativas e quaker é freqüentemente perdida e muitos membros da população ficam vulneráveis.
  • · Disputas em acusações de proteção/falsidade sobre crianças – Embora muito emocionalmente desgastante, a quantidade de pseudociências e irracionalidade neste campo, é difícil imaginar isso, até que estes comecem a explorar o estado do atual sistema de proteção e a jogar com a mente das pessoas que trabalham nele.
  • Outra coisa vem à mente. Repetindo os fatores chave, em minha opinião, antes que um grupo cético publicamente devote grande atenção e esforço a uma causa:
  • · Ser sua importância auto-evidente e não precisar de justificação aos olhos da opinião pública.
  • · Ser algo que os céticos disponíveis tenham habilidade/conhecimento para falar com conhecimento de causa.
  • · Ser algo em que os céticos disponíveis possam fazer a diferença

Provavelmente não há nada mais contraproducente para a boa imagem publica dos céticos do que ver alguns auto intitulados céticos atirando sem precisão contra algum alvo sobre o qual ele conhece pouco e sobre o qual poucas pessoas ligam de qualquer modo. Eu poderia sugerir aos meus companheiros céticos um novo termo para essas pessoas? “Demônios do banheiro”.

5. E sobre alegações paranormais?

Ou

“Quem você vai chamar?”

Céticos têm tradicionalmente gasto muito tempo e energia enfocando alegações paranormais. De fato, um interesse em alegações paranormais foi uma das coisas que primeiro me interessou no ceticismo. Por muitas razões, acredito que céticos, devem, de uma forma limitada e cuidadosa, continuar com a tradição de estudo de alegações paranormais e afins. Uma vez que umas poucas alegações paranormais são imediatamente perigosas, e meu tema neste artigo é que o ceticismo é um método de autodefesa intelectual, sinto que o uso principal das investigações de alegações paranormais por céticos é promover a consciência e o conhecimento das técnicas do ceticismo. Uma boa alegação paranormal é maravilhosamente bem servida para isso. Deixe-me explicar as razões que eu penso devemos continuar a olhar em muitas das alegações paranormais.

  • · Uma boa alegação é uma real catalisadora de atenção. O público está muito interessado em alegações paranormais. Este interesse pode, e deve, ser utilizado para ensinar habilidades de pensamento crítico.
  • · Uma boa alegação é boa ferramenta de ensino. Quando usada como ferramenta de ensino, uma boa alegação paranormal pode se uma valiosa ajuda em apresentar idéias céticas e habilidades de pensamento crítico para muitas pessoas que de outra forma não mostrariam interesse nisso.
  • · Uma boa alegação é um dramático exemplo de ceticismo em ação. Esta é a razão porque especialistas em determinado campo geralmente não aceitam a realidade de fenômenos paranormais. Quando olhado com cuidado eles usualmente tem uma explicação racional esperando para ser encontrada.

Entretanto temos que manter alegações paranormais em perspectiva. Não é uma meta realística assumir que a análise freqüente de alegações paranormais de modo cético tornará 100% das pessoas racionais. De fato, é improvável que um único campo de alegações paranormais tenha encontrado a extinção a partir da caça pelos céticos de seus casos individuais. Nós podemos, pelo menos, fazer a triagem.

Por exemplo, embora tivéssemos diferenças no passado, o cético Joe Nickell escreveu um livro (e alguns textos curtos) apresentando argumentos muito convincentes que o assim chamado manto de Turim é um boato (hoax). Depois de expor estes argumentos é difícil compreender que qualquer um que os ouça continue a acreditar que o manto é a real mortalha fúnebre de Cristo transformada através de um milagre. Contudo fica claro pare qualquer um que tenha olhado com cuidado uma livraria como a Barnes and Noble depois disso, estes argumentos, convincentes como são, não tiveram o menor peso na publicação de livros afirmando que o manto é, de fato, real. É evidente que um argumento convincente, neste caso, teve apenas um pequeno impacto, na melhor das hipóteses, sobre a propagação da alegação.

Parafraseando Abraham Lincln, “você pode convencer todas as pessoas algum tempo. E pode convencer algumas pessoas todo o tempo. Mas você não pode convencer todas as pessoas todo o tempo”. E céticos precisam aprender isso e aceitá-lo. Se não podemos destruir todas as alegações paranormais em todo lugar, então isto não deve ser estabelecido como objetivo final real ou pressuposto.

Algum tempo atrás, o Inquiring Skeptics of Upper New York, o grupo cético local, foi visitado por uma folclorista que estudava grupos céticos de forma acadêmica. “Porque vocês não são tão dogmáticos quanto o pessoal de Buffalo?” ela perguntou? Nós pensamos algum tempo e então várias pessoas presentes disseram um nome. Dentro de nosso grupo há um individuo que acredita em muitos fenômenos paranormais, incluindo que UFOs são naves espaciais. Ele assiste reuniões do ISUNY regularmente e tem feito isso desde o início de nossa organização. Nós nunca tivemos certeza de como lidar com ele. (um companheiro do CSICOP chegou a recomendar que o expulsássemos, mas nós sabíamos que não era o que desejávamos fazer). Bem, tem sido assim há muitos anos, e a despeito do brilhantismo de nossos argumentos e o incrível tamanho de nossa biblioteca, ele ainda permanece não convencido. Por outro lado, eu penso que nós, os participantes do ISUNY, lentamente compreendemos que se não podemos nem convencer este único individuo de nossos ensinamentos, nós não vamos convencer o mundo. Temos de encontrar um novo propósito.

6. Más alegações paranor
mais

Ou

“Ãn….. O faremos agora?

Na seção anterior eu fiz freqüente referencia a “boas alegações paranormais”. Foi intencional. Existem boas e más alegações paranormais. Como grupos céticos devemos evitar as más alegações paranormais a todo custo. Não se aproxime delas. Você terá apenas prejuízo.

Deixe-me apresentar alguns poucos exemplos de “má alegação paranormal”.

O abduzido por OVNIS local.

Em nossa região vive um proeminente abduzido por OVNIS. Ele recebe muita atenção, incluindo artigos na (já extinta) OMNI magazine, um perfil na (agora cancelada) Sightings, e uma menção nominal (crítica claro) no livro de Carl Sagan “O Mundo Assombrado pelos Demônios”. Ele é, como alega, o único possuidor de um legítimo dispositivo de monitoração alienígena e este artefato está sendo estudado por um físico do MIT. Contudo nós recusamos em duas ocasiões que ele falasse para nosso grupo cético local. Por que? Alguns poderiam argumentar que um procedimento mais apropriado seria permitir que ele falasse, e então gentilmente argumentar, procurando por furos em suas alegações de modo que todos pudessem perceber. Mas, de novo, não é isso que consideramos apropriado fazer.

O homem em questão, que alega ter sido abduzido por ÓVNIS, tem um histórico de problemas mentais incluindo internação contra sua vontade. Seu passado inclui registro de ter vivido na rua, problemas maritais e de ficar sobre influencia de álcool em momentos impróprios. O alegado implante parece ter sido colocado em seu pênis, um local embaraçoso para discutir, anos atrás. Estudos concluíram que é provavelmente uma fibra de algodão que penetrou na uretra de algum modo e desenvolveu uma cápsula de colágeno. Conversas anteriores com o homem em outros grupos céticos tem incluído alguns relatos bizarros como a afirmação que poderia apresentar provas irrefutáveis de vida extraterrestre apenas se uma de suas ex-esposas permitisse que ele fosse em casa recuperar alguns de seus pertences abandonados lá. Ele é bastante orgulhoso do fato de uma companhia de seguro contra abduções de ÓVNIS ter declarado seu caso “genuíno” e prometido pagar a ele um milhão de dólares, exatamente como o combinado, mesmo que o pagamento se dê na taxa de um dólar ao ano. Ele, aparentemente, tira grande conforto de sua identificação como abduzido por OVNIS e apesar de alegar que sua vida foi destruída por esse incidente e é responsável por todos os problemas listados acima, ele fala sobre a experiência sempre que possível.

Contudo nós recusamos sua oferta de conversar por duas vezes. Resumindo, os participantes do ISUNY sentiram que a causa da preservação da lógica e da razão não iria avançar notavelmente pelo ataque a este individuo ou a seu sistema de crenças. E do ponto de vista de relações públicas seria provavelmente um desastre. Se criticássemos suas crenças pareceríamos valentões. Se não, pareceríamos tolos. E, afinal, sempre haveria a sensação que escolhemos para criticar pessoas com aparentes problemas de dogmatismo para representar os crentes em ÓVNIS.

A Mulher Solitária

Algum tempo atrás, eu estava em contato por carta com uma mulher em outro estado. Ela desejava informação, de um razoavelmente conhecido cético, sobre coincidências e “paralelismo psiquico”. Ela afirmava estar tentando explicar um poder paranormal que ela possuía. Naturalmente eu fiquei intrigado e perguntei por mais detalhes.

Tornando a historia curta, devido a problemas de saúde, esta mulher de 50 e poucos anos não tinha tido relacionamentos românticos por virtualmente 20 anos. Ela, aparentemente, vivia sozinha. Ela desenvolveu a crença que ela e outro individuo foram “almas gêmeas” e tinham se conhecido em uma vida passada. Em toda parte ela se lembrava desse homem e via nessas lembranças como incidentes significantes. Ela descrevia isso como “um paralelismo psíquico e muito mais que meras coincidências”. Ela tinha sonhos com ele e acreditava que esses sonhos poderiam refletir incidentes que ocorreram com eles no passado. Havia outros incidentes também.

A explicação óbvia, claramente, é a obsessão causada pela solidão devido a trágicas circunstâncias. Quando eu, com o maior tato possível, sugeri que eram coincidências e que talvez ela devesse parar de pensar nele como uma “alma gêmea”, ela respondeu que existiam coisas demais de que ela se lembrava dele e que não poderia ser coincidência e ele deveria ser uma “alma gema”. Ela conclui que a ciência e a razão não podiam oferecer uma explicação e que ela deveria procurar por si mesma. (Para registro, ela não havia feito qualquer esforço para encontrar a pessoas, recusando-se a identificá-lo, mas afirmando que ele estava perto geograficamente dela. Eu suspeito que ele poderia ser algum tipo de celebridade).

Claramente, não havia nada a ser ganho ao perseguir esta comovente afirmação ou atacar as crenças desta mulher em uma troca de cartas.

O Paciente de Doença Mental

Há algum tempo eu tenho recebido correspondência de um paciente mental que acredita poder dar forma ao tempo e espaço com o “extraordinário poder de sua mente”. Ele deseja que seus poderes sejam testados. Ele não pode, entretanto, especificar o que exatamente ele pode fazer e recusa-se a responder sobre de que maneira especifica estes poderes podem ser testados cientificamente. Eu fui informado que este é um problema comum em pacientes de doença mental que tiram grande conforto em ilusões envolvendo grandes, mas escondidos, poderes. Melhor que terem esse conforto ameaçado, eles mantém as ilusões mantendo os “poderes” vagos e além da compreensão de meros mortais como eu.

Por que eu lhe dei atenção em primeiro lugar? Eu cometi o erro de sugerir que ele poderia ter uma melhor chance testando seus “poderes” se enviasse com suas cartas um laudo de saúde mental. Minha intenção com esta sugestão era enviar uma pessoa claramente doente para um tratamento. Ao invés disso, eu consegui um “correspondente” e ele, como requisitado, incluiu um laudo “claro” de saúde mental de seu psiquiatra e terapeuta indicando que ele tinha sido cuidado por muitos anos e que eles consideravam aceitável que ele “perseguisse seus interesses no paranormal”.

Eu tenho ouvido relatos similares de outros grupos céticos, notavelmente os céticos Australianos. Evitar pacientes mentais como objetos de debates paranormais! Você terá pouco a ganhar, exceto embaraço!

Todas essas “más afirmações” envolvem pessoas com óbvios problemas. É relativamente comum que pessoas com problemas desenvolvam ilusões em certos padrões e procurem por céticos. Se isto acontecer com você, tome uma decisão madura – esconda-se ou fuja da cidade!

Quando lidando com pessoas com problemas e crenças ilusórias aqui estão os muitos e graves riscos reais que corre:

  • · Você pode ultrapassar sua base de conhecimento. É muito tentador oferecer o diagnostico de possível problema psiquiátrico ou alegar “propensão à fantasia”. Raramente, se tanto, céticos tem acesso ao tipo de informação ou educação que permita esse conhecimento especializado.
  • · Você pode ser processado. Se você chamar um maluco de maluco ou um doido de doido ou mesmo um esquizofrênico de esquizofrênico então advogados virão para cima de você, a menos que possa manter as afirmações acima!
  • · Você pode facilmente parecer um valentão. Por que chamar um doido de doido se ele obviamente está se comportando como doido?

Adicionalmente, falando genericamente, não é seu problema se outra pessoa está agindo como doido. Escolher pessoas com problemas raramente é admirado, mesmo se céticos estão agindo assim para provar que a pessoa em questão não ve
io realmente de Júpiter (ou qualquer outro lugar!).

Muitas reivindicações envolvem diretamente indivíduos com problemas reais. Não as escolha. É um mau Karma. Somente sorria e lembre-se que a) a vida se complica para todos nós uma vez ou outra e b) em algumas culturas doentes mentais são encaradas como bênçãos de Deus. Imagine-se como membro de uma dessas culturas. Não obstante, doentes mentais e pessoas com problemas emocionais não são abençoadas para céticos e grupos céticos. Ao contrário, são situações sem vencedores. Evite situações sem vencedores. Tente manter distancia de confusão ou pessoas doentes que acreditam terem poderes além de sua compreensão. Você será mais feliz se o fizer. (Eles podem, depois de tudo, pensar em você estando em um campo de cereais). Sorria. Esta é uma boa vida.

E lembre-se, eu argumentei que se você não pode e não deve tentar explicar todas as alegações paranormais, é bom ser seletivo. Mas se você for pressionado e forçado a oferecer uma explicação, para uma pessoa com problemas e suas alegações irracionais, lembre-se desta frase de Carl Sagan. Memorize e repita quando necessário. “Claramente há algo sobre isso. E é fascinante. Mas a questão que devemos responder é, isto está vindo do espaço exterior (ou de outro mundo) ou está vindo deste espaço (ou de nosso mundo)?” Então sorria sabiamente. Não continue sua explicação. Apenas sorria e balance a cabeça como se estivesse ponderando, todo sabedoria e conhecimento. Não mencione qualquer doença mental. Não coloque seu anel “Decodificador Escalar de Tendências de Personalidade Fantasiosas”. Sorria, balance a cabeça, olhe sabia e compassivamente. Vá para casa e se congratule pelo trabalho bem feito.

Seja amável com essas pessoas. Mesmo Sagan, apesar de tudo, ouviu vozes de mortos. Todos nós ficamos estranhos às vezes.

7. Ceticismo como técnica de autodefesa intelectual – Algumas vantagens escondidas.

Ou

“Quer dizer que eu realmente não preciso afirmar que estou salvando o mundo?”

Neste artigo eu tenho apresentado uma perspectiva simples do ceticismo. Minha sugestão inicial é que nós paremos de tentar pensar no ceticismo como uma filosofia e simplesmente ao tratemos como uma técnica com alcance e utilidades limitadas. Especificamente, sugeri que olhássemos o ceticismo como uma técnica de autodefesa intelectual.

Eu espero que se tentarmos fazer as coisas desse modo então o ceticismo se tornará aerodinâmico e simplificado de muitos modos. No momento, ceticismo, de modo discutível, freqüentemente parece abarcar mais do que pode lidar e acaba parecendo algumas vezes um apanhado de pequenas peças de várias filosofias, doutrinas e ciências.

Um dos pontos chave é que nós diminuamos a ênfase em alegações paranormais como se fosse início e fim de todo ceticismo. Isto pode ser controverso. Primeiro de tudo, sinto que isto já está acontecendo, de modo que minha sugestão é simplesmente que reconheçamos e o direcionemos. Em segundo lugar, freqüentemente parece haver uma certa insegurança entre alguns dos céticos mais proeminentes em se envolver com o ceticismo. Algumas vezes, isto parece que se alegações são feitas de modo que o futuro da humanidade está em perigo e só pode ser preservado se conduzirmos uma sistemática refutação de toda e qualquer casa mal-assombrada ou avistamento de OVNIS. Uma de minhas esperanças é que se as recomendações deste artigo forem seguidas, então esta aparente insegurança e justificações grandiosas se reduzam.

Se compreendermos as limitações do ceticismo, vendo-o como técnica e não filosofia então nós poderemos esperançosamente acomodar diferentes pontos de vista filosóficos mais facilmente. Ceticismo, como um “ismo”, tem estado em débito com o trabalho de muitos filósofos. Infelizmente, parece as vezes, que quando essas filosofias são trazidas para as discussões céticas é para saber se são ou não relevantes. Por que céticos não podem permitir que se desenvolvam filosofias pessoais de uma maneira diversa e natural? Por que qualquer filosofia é necessária se o que todos nós praticamos é uma técnica de autodefesa intelectual? Uma das controvérsias subjacentes do movimento cético é justamente que tipo de filosofia ele pretende ser.

Outra controvérsia deste tipo no ceticismo é sobre quem somos nós, que aspiramos ao ceticismo? Há uma ambivalência nas publicações céticas. Algumas afirmam que o ceticismo e o pensamento crítico devem ser praticados por todas as pessoas. Outras parecem ver o ceticismo como algo que deve ser cuidadosamente manuseado por uma elite para as massas. Eu estou advogando claramente uma posição populista para o pensamento crítico. Sinto que se encaramos o ceticismo como uma técnica de autodefesa intelectual então nós temos a obrigação de tentar mostrar o valor destas técnicas a uma larga parcela da população.

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3 Responses to O Ceticismo como técnica de auto-defesa intelectual

  1. Macc disse:

    Proponho um problema:

    1 A história mostra que os governos e as grandes instituições são as entidades que mais fraudam os fatos e as teorias para chegar aos seus objetivos. Ou seja, não temos motivos ou podemos confiar na ciencia e em suas instituições!

    +1 O ceticismo como movimento intelectual só consegue afirmar o que é fato ou não utilizando-se da produção científica…

    = 2 Pois bem, como o ceticismo fará para se defender da propria ciencia oficial?

    Conclusão: Se não pudermos utilizar a ciencia ocidental como referencia o que é o ceticismo afinal? Se confiarmos na ciencia sem verificarmos suas alegações, não somos crentes?

  2. Renato disse:

    Embora não passado pelo site como um todo e apenas me deparei com este texto, gostaria de saber onde poderia neste site, além do comentário,
    poder debater temas referentes ao ceticismo. Tenho lido um outro site de ceticismo, no entanto ficou muito vago pois o mesmo estava mais preocupado, ao invés de debate de idéias, conseguir através de preconceito e sacarmo, colocar suas idéias. Prefiro um debate onde possam expressar idéias e entrar em campo de questionamentos.

  3. jesa nideck disse:

    vazio!

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