MENU

Senso comum versus Ciência

Socorro, existe um monstro na minha garagem!

9 de agosto de 2009 Comments (1) Views: 1250 Ceticismo, Ciência, Destaques

Clonando Notícias: O Show Raëliano deve continuar?

Alejandro Agostinelli, publicado em Dios!
Tradução gentilmente autorizada

Raël deve sua existência aos meios que “amam” e “odeiam” a sua peculiar religião ateística. E embora o anúncio da clonagem raëliana possa ser a maior fraude disco voadorística desde a “bonecópsia” de Roswell, a história que por enquanto pode ser contada é, principalmente, um folhetim cibermístico onde a parte do leão leva a mídia e sua hipocrisia. Mais quando outras razões prevalecem – diferente da credibilidade de um evento – para que este se difunda. Mas cedo ou tarde, ‘a verdade’ acaba por impor-se. Ao que parece, não importava tanto o caso da ‘primeira clonagem humana’ quanto o da clonagem de uma ‘história atraente’. A notícia inédita, então, é a que protagonizamos desde os mesmos meios, artífices da realidade sobre a qual pretendemos informar.

Quando em 26 de dezembro de 2002 Brigitte Boisselier, bispa raëliana e diretora científica da Clonaid, jurou que em uma filial de sua empresa fantasma havia nascido Eva, ‘o primeiro clone humano’, a imprensa mundial recolheu suas declarações com generosidade excessiva. Muito antes do lançamento em março de 1997 da Clonaid (a qual foi apresentada como uma filial da Valiant Venture Ltd., estabelecida nas Bahamas), Claude Raël Vorilhon vinha proclamando as boas novas, contando desde então com a voraz cobertura – às vezes tingida de um ceticismo burlesco – dos principais meios. Mas a doutora Boisselier, cinco anos depois, fez o anúncio sensacional com as mãos vazias. E a mesma coisa aconteceu com o segundo, terceiro, quarto e quinto anúncio. Em meados de janeiro, a imprensa parecia ter ‘perdido as esperanças’ de que a companhia raëliana apresentasse evidências, se viriam a demonstrar que tinha obtido êxito em suas experiências com um teste de DNA ou, consolo de tolos, permitissem entrevistar um parente da menina. Nenhuma promessa foi cumprida. Os mesmos meios que haviam instalado a ‘notícia’ começaram a ‘dar-se conta’ de que cada centímetro, cada segundo dedicado ao assunto eram publicidade gratuita e os principais beneficiados, a Igreja Raëliana e a Clonaid, não estavam dando o menor dado verificável em contrapartida. A informação genuína sobre as pretensas clonagens brilhava por sua ausência, apesar do que a controvérsia durou por semanas.

Os céticos – cientistas, jornalistas e afins – saíram a conjurar a revelação sensacional e o bom senso pareceu coroar a batalha. Mas cinco dias depois um advogado do estado da Flórida, Bernard Siegel, se apresentou a um juizado de menores de Fort Lauderdale para pôr o suposto bebê clonado sob custódia judicial face ao risco de que a hipotética cobaia humana tivesse nascido com defeitos genéticos. Deste modo, a história entrou em um cone de sombra: se o teste fosse realizado, os raëlianos se exporiam a que a possível fraude se revelasse e a mãe do bebê perderia a custódia. Se a motivação do raëlianos era promoverem-se, eximindo-se de apresentar provas, não corriam riscos enquanto obtiam a recompensa que estariam buscando: a persistência da dúvida manteria a história aberta e seus personagens principais em evidência. E ninguém que conheça o bastante a carreira religiosa de Raël ignora que o guru deste culto ufófilo adora o adágio de acordo com o qual “Só há algo pior que ter imprensa ruim, é a imprensa não falar de você" (1). Inesperadamente, Raël pediu para suspender os exames de DNA que o físico Michael Guillén, ex-jornalista científico da ABC News, iria administrar. "(…) Estava tudo pronto para demonstrar ao mundo a verdade. Então (ao saber da representação judicial de Siegel), chamei imediatamente a Boisselier e lhe falei: ‘Se existe algum risco de que levem o bebê de sua família, é melhor perder a credibilidade. Não faça o teste’. Ela concordou", expôs Raël, magnânimo, no último 2 de janeiro (2002). Assim o recurso judicial terminou convertendo-se no álibi perfeito.

Raël e a imprensa: Benefício mútuo garantido

Assim que os céticos ventilaram que Michel Guillén – o jornalista científico eleito pelos raëlianos para verificar a realidade do suposto bebê clonado – havia incorrido no passado em faltas sérias ao rigor científico, este começou a se justificar. Em 6 de janeiro, o jornalista voltou atrás. "O clone humano – adicionou – pode fazer parte de uma enganação elaborada". (2)

Depois da demanda de Siegel, a deserção de Guillén e o repentino ceticismo jornalístico, o altruísmo de Raël começou a vacilar. Porque suas declarações seguintes, mais que dissipar suspeitas, as aumentaram, ao ponto de deixar no ar a possibilidade de que todo o assunto era um gracejo colossal. "Se não é verdade – Raël declarou -, é a piada científica mais bonita" (porque) "nos permitiu comunicar nossa mensagem" (3). Seus porta-vozes logo ‘contextualizaram’ ou minimizaram esta declaração. Mas essa ambivalência marqueteira não podia deixar de lembrar do conto espetacular organizado pelo produtor britânico Ray Santilli, que em 1995 anunciou possuir o primeiro filme onde se provava a captura de alienígenas no deserto do Novo México: quando os críticos contestaram a qualificação dos ‘especialistas’ a que se recorria para endossar o vídeo com a bonecópsia de Roswell, ou quando impedia uma análise imparcial do celulóide original, exclamava: "Acreditem no que quiserem, mas para mim é autêntico".

Claude Vorilhon foi jornalista e se move nos meios com desenvoltura. Quando o Movimento Raëliano Internacional (MIR) se chamava Movimento para Receber os Elohims Criadores da Humanidade (MADECH, 1974-1978), Raël era convidado a programas de TV onde anunciava conferências que logo dava em salas cheias. Vorilhon era um ‘louco lindo’ a quem ninguém ousava considerar ‘perigoso’. Já em 1992, quando decide se mudar da França para o Canadá, seu culto tinha sido estigmatizado. Até os anos 90, Raël não possuía nenhum controle sobre o conteúdo das notícias que se publicavam sobre ele. As acusações de lavagem cerebral, libertinagem sexual, fascismo, satanismo, pedofilia e anti-semitismo estavam na ordem do dia. Na Europa, em resumo, os raëlianos desperdiçavam muita energia enviando cartas e repudiando o ‘racismo religioso’ dos jornalistas (4).

Em Montreal, Quebec, o maltrato dos meios não cessou. Mas a atmosfera estava mais aberta. Desde 1992 eles decidiram lançar uma atividade anual concebida para chamar a atenção da imprensa. A primeira ação consistiu em distribuir 10 mil preservativos em sinal de protesto contra a decisão da Comissão da Escola Católica de Quebec de retirar vendedores de preservativos em suas escolas secundárias. Logo deram conferências a favor da masturbação e Raël competiu em corridas automobilísticas, conseguindo uma mídia mais favorável. "Os jornalistas canadenses – escreve Susan Palmer, professora da Dawson College de Montreal – aplaudiram a posição anticlerical, pró-sexo e de liberação juvenil dos raëlianos. Os artigos publicados em 22 jornais eram unanimemente compassivos sendo, até mesmo, pró-raëlianos."

Deste modo, o MIR começou a crescer. Que defendia os direitos homossexuais, o aborto, a cuspida na hóstia que constituía distribuir preservativos entre os adolescentes católicos ou convocar os cristãos à apostasia (5), despertou simpatias entre a juventude e esteve entre as novas religiões mais difundidas junto com as Testemunhas de Jeová e a Igreja da Cientologia. Suas iniciativas – ‘originais e chocantes’, como esc
reveu o sociólogo Alain Bouchard – foram recompensadas com amplas coberturas. Em um estudo de 2001, Bouchard confrontou ‘os grandes marcos raëlianos’ com o tratamento secticida dos meios e chegou à conclusão paradoxal que são os jornalistas, menos que os raëlianos, os donos do espetáculo". (6)

Provas? Quem se interessa pelas provas?

Em dezembro de 2002, com o anúncio do nascimento de Eva, os raëlianos conseguiram levantar um debate que para eles era benéfico até mesmo no pior caso possível. Além disto, se tivessem pago uma campanha publicitária convencional, não teriam alcançado os 7 milhões de dólares que – asseguram – já juntaram para erguer a embaixada onde esperam receber os Elohím (como Raël chama aos ETs que a humanidade confundiu com deuses). E Raël demonstrou novamente que sabe como buscar titulares: em cada país onde apresentaram uma entrevista coletiva prometeram clonar alguma celebridade: Airton Senna no Rio de Janeiro, o imperador do Japão em Tóquio, Gardel em Buenos Aires e, quando estavam na Alemanha, até a Adolf Hitler, de forma que seu clone tivesse o castigo que o original não recebeu em vida.

Os meios deram para o MIR a cota de difusão que tanto precisava e esses, quando já ordenharam bastante o espetáculo, se retiraram relativizando a notícia que eles mesmos tinham contribuído para construir. O resultado? Um cacho hipócrita onde a informação importa menos que o espetáculo, o qual surge do aproveitamento recíproco (culto-meios/meios-culto) entre uma seita freak que acredita na clonagem como uma ferramenta sagrada e jornalistas secticidas que tiram sarro de um anúncio que antes levaram em consideração. Confortavelmente instalado na lógica do mercado, Raël só quer que se fale dele; e os meios, mais ibope ou vender mais exemplares. De acordo com o historiador de novas religiões Massimo Introvigne, que o entrevistou em duas ocasiões, Raël sempre foi considerando bastante cínico a respeito de suas próprias profecias: não o interessa tanto obter boa imprensa tanto quanto chamar atenção. O guru teria deixado renunciado à primeira ilusão porque – Introvigne continua – sabe que "nada pode evitar que falem mal dele."

Em 2001, Susan Palmer, que investigou o MIR durante quatorze anos, afirmou que se Raël pudesse criar o primeiro clone humano isto seria "a culminação de sua visão milenarista". Ou, pelo menos, o cumprimento da primeira metade de sua profecia, já que a segunda e definitiva seria a aterrissagem em 2035 de ‘nossos pais extraterrestres’. A socióloga instou a não subestimar o guru nem a seu movimento. "O curioso grupo adorador de discos com que me encontrei pela primeira vez na Feira Psíquica de Montreal em 1987 – escreveu – se tornou a primeira organização capaz de forjar uma razão religiosa fundamental para a clonagem. Esta motivação, e talvez seus recursos, produzirá o primeiro clone humano" (7).

Agora, quando o anúncio se concretizou, cada dia que passa desmente a predição de Palmer e reforça a hipótese de fraude. Nem todos pensam assim. Alguns críticos ainda dão uma margem de crédito ao anúncio da Clonaid já que – argumentam – Raël não correria o risco de imolar a credibilidade de seu movimento (a ponto de cumprir 30 anos) sem provas. Mas, confirmando a impressão de Introvigne, Raël até agora não só não apresentou evidência alguma mas fazê-lo não é uma questão que lhe tire o sono. Por isso resulta legítimo perguntar-se se a crescente expansão financeira e humana de sua odisséia religioso-científica, a qual em grande medida reside no valor de sua palavra, não terá convencido Raël de que o prestígio de seu grupo pode sair ileso prescindindo dos ‘critérios de prova terráqueos’. Depois de tudo, o andaime doutrinal de Raël repousa em uma ‘ciência extraterrestre’ que – segundo pretende – ‘substituirá à religião’. Da mesma forma, Clonaid poderia estar invocando aproximações de verificação diferente para esses que nós sabemos. Esta idéia – que para qualquer não-raëliano é um disparate – entre os seguidores de Raël e inclusive em audiências permeáveis às crenças heterodoxas pode parecer razoável. O MIR não cresceu graças a afirmações ainda mais extraordinárias que jurar que seus cientistas estão clonando humanos? "Quando a pele começou a recobrir a carne, pude ver outro eu que se desenhava pouco a pouco. De fato, o ser que saiu da máquina era uma réplica exata de mim mesmo", escreve Raël em seu livro Os extraterrestres me levaram para seu planeta (8). Esse ‘experimento’ de ficção científica classe B foi levado a cabo diante do próprio Yahvé (um ET que logo revelou ser seu pai) pouco antes que lhe deixasse acompanhar por um robô que lhe fabricaria seis bonitas e submissas bonecas com as quais ele assegurou ter passado "a noite mais tresloucada de sua vida" (9).

Como adivinhar o verso das jogadas de um profeta que armou seu pequeno império baseado na provocação, no engano e distração? O MIR se postula como ‘o alívio natural da Igreja Católica’, o qual, com seu dogmas defasados, seu conservadorismo e sua onda de sacerdotes acusados de pedofilia, enfrenta seu pior momento. Raël não especula que seus investidores e sua clientela, com quem compartilha a esperança de um pouco de eternidade, o acompanharão nesta cruzada herética ao preço de não fazer perguntas difíceis? Até agora, o movimento parecia prosperar em direção a uma resposta afirmativa. Mas, sem provas, se manterá a demanda de aspirantes a receber os serviços da Clonaid? O sociólogo Michel Wieviorka, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, pensa que sim: "Pode produzir-se a conjunção entre uma demanda solvente e uma oferta que reúna, por um lado, um tipo de raciocínio isento de consciência de culpa (…) e, por outro, a organização prática, científica e médica capaz de garantir o lançamento ao mercado do serviço solicitado, neste caso a clonagem. Estamos falando (…) de várias (presumidas) centenas de casais dispostos a colocar na mesa 200.000 dólares cada um como candidatos à clonagem. Sob estas condições, o poder do dinheiro poderia revelar-se considerável, e sempre suscetível de prevalecer sobre as barreiras políticas, jurídicas ou morais que se queiram opor". (10)

A verdade? E quem se importa com a verdade?

Sejamos claros: legitimar por meio de falsos argumentos o estereótipo popular da clonagem (isto é, que clonar equivale a produzir réplicas genéticas indistinguíveis do original) ou pretender, como arriscou Brigitte Boisselier, que é possível “transferir uma personalidade a um corpo novo”, já constituía uma fraude científica. Para dizê-lo nas palavras de Josep Egozcue, professor de Biologia Celular da Universitat Autònoma de Barcelona, o estabelecimento da eternização (em raëliano, elohimização, isto é: ser como nosso ‘pais cósmicos’) falha por sua base: "É o clone uma fotocópia de seu modelo? Evidentemente não. Da mesma forma que dois gêmeos ‘idênticos’ não são idênticos, um clone não é igual a seu modelo (…). Se os raëlianos conseguissem clonar eternamente, obteriam indivíduos distintos e sucessivos, mas com uma única memória. Ou nenhuma, se um deles padecesse de uma Alzheimer precoce" (11).

Agora então, quanto importava a pura e dura verdade aos meios que amplificaram as promessas raëlianas? Convenhamos que muito pouco: uma religião sui generis para a qual o homem é criação alienígena e assegura clonar humanos como via regia à vida eterna continua sendo – apesar de qualquer desmentido – "um bom material". Mas também, se importou em descobrir ‘a verdade’ a Agência Federal de Alimentos e Medicamentos dos EUA quando buscou os escritórios da Clonaid em diferentes estados e logo informou não ter encontrado nada? Estes laboratórios não são parte de uma companhia registrada? A ninguém consta:
são clandestinos ou hipotéticos, já que – segundo Boisselier – funcionam em países onde “não existe legislação ou não está especificamente proibida a clonagem humana”. Por último, interessará ‘a verdade’ ao canal Lifetime, que já está filmando a novela raëliana, que se for realizada como os Elohím mandam pode deixar a "O Vento será sua Herança" à altura de um capítulo de Bonanza? (*)

O que talvez esteja acontecendo é que essa ‘verdade’ que todos dizem buscar mas que ninguém encontra não é a verdade que muitos de nós gostaríamos de conhecer.

A Ilha do Tesouro, ou uma caixa postal nas Bahamas

Em janeiro passado (2003), Gabriel Barra, um chileno radicado na Suíça a cargo da Igreja Raëliana para a Iberoamérica e Espanha, disse durante uma entrevista coletiva em Buenos Aires: "Ao término de 2003 nascerá o primeiro clone Sul americano no Brasil". Àquela altura os jornalistas estavam saturados de ‘primícias alienígenas’. Ainda assim, os colegas lutavam para voltar às suas redações com declarações exclusivas do sacerdote disco-voadorista. Ao que parece, os raëlianos, fascinados com a imprensa fácil, adotaram o hábito de anunciar o que lhes ocorrer sem apresentar provas de nada, conscientes de que "de qualquer maneira são notícia". Poucos meios renunciaram à tentação de omitir de suas edições a tal tema tão atraente, pitoresco e provocante.

Em 31 de janeiro entrevistei Barra. O enviado de Raël, jornalista como foi seu guru, compartilhou a idéia de que os meios foram ‘muito generosos’ com eles. "Informam pelas dúvidas", disse. "E quando em uma semana (sic!) demos as provas, tampouco nos acreditaram…". Se escudou das suspeitas invocando que representa a uma religião minoritária. Se fosse um padre católico, disse, ninguém duvidaria de sua honestidade. Respondi-lhe que a religião, por definição, se subtrai de verificação científica já que promete o bem-estar em um plano espiritual. Dito de outro modo: embora os raëlianos se definam como parte de uma ‘religião científica’, suas atividades (prodigar promessas concretas que serão concretizadas na vida presente) expõem suas afirmações mais à refutação do que ocorre com as promessas transcendentais que caracterizam as religiões tradicionais, que prorrogam as ilusões de uma confirmação na ‘outra vida’ ou em esferas de existência incontrastáveis (12).

A ciência extraterrestre de Raël pode manipular critérios desconhecidos a nós, humildes mortais, mas a ele e seus seguidores não faltaram oportunidades de ensinar quais são esses critérios. Isto é: a Igreja Raëliana – aos olhos da vulgar ciência humana – produz pseudociência até que demonstre o contrário. De Raël conhecemos apenas uma sombra de sua peculiar definição do conceito de prova. Barra disse: "A prova não é mais que um processo de confiança". Como é? Barra citou uma resposta que ouviu de seu profeta: "No século XXI, tudo pode ser forjado". Então, se "tudo puder ser forjado", qualquer intenção de confirmação científica se torna um esforço vão. E, se qualquer coisa pode ser provada, que importância pode ter para Raël dizer a verdade?

Durante a conversa, quase de passagem, lhe perguntei sobre o status legal de Valiant Venture Ltd., a ‘companhia mãe’ da Clonaid. "Ah! Era uma caixa de correio que custou ao movimento 2.000 dólares…" Barra sorriu. Depois de tudo, não estava revelando nada que para Raël interessava manter escondido. Em seu livro Sim para a clonagem humana, Raël escreve: "(Para instalar Valiant Venture nas Bahamas) eu precisei de um investimento mínimo para alcançar uma cobertura nos meios avaliada em 15 milhões de dólares. Ainda estou rindo" (13).

Muitas risadas para uma religião cujo futuro depende de nos persuadir de que suas alegações científicas são algo mais que magia disfarçada de ciência. 

– – –

Alejandro Agostinelli é jornalista e o Editor Geral de Dios! 
(*) O Vento será sua Herança é o filme onde Spencer Tracy encarna John Scopes, o célebre advogado que em 1925 – em uma causa judicial famosa como o ‘julgamento do macaco’ – defendeu o ensino da evolução contra o Criacionismo em Dayton, estado do Tennessee, EUA.

Bibliografia
1) Introvigne, Massimo; "Los raëlianos, una religión atea tras el anuncio de la clonación", en Zenit [Zenit.org, 14/01/2003] http://www.cesnur.org/2003/mi_rael_es.htm
#Anchor-49575
2) Pethokoukis, James; "Is Michael Guillen a Flake? Was the doctor who offered to check out the Raelian cloning claim attacked because of his personal beliefs?" en BeliefNet [http://www.beliefnet.com/frameset.asp?pageLoc=/story/119/story_11993_1.html
&boardID=50527]. 
3) Cable noticioso difundido por la agencia AFP (20/01/03). 
4) Palmer, Susan J.; "The Rael Deal", en Religion in The News, Vol. 4, No. 2, boletín editado por The Leonard E. Greenberg Center for the Study of Religion in Public Life – Trinity College, Hartford CT (2001). http://www.trincoll.edu/depts/csrpl/RINVol4No2/Rael.htm
5) Bouchard, Alain [psicólogo, homónimo ref. 6]; "Les raéliens lancent une nouvelle campagne. Catholiques, apostasiez!" en Religion N° 241, Octubre 2002. En http://www.stchristophe.com/rg/rg241/religion.htm
6) Bouchard, Alain; "Les médias carburent au scandale, comme les raëliens carburent au…La secte, le sexe et la rationalité : du divertissement à l’exclusion sociale" en Les sectes, un danger?, Duhaime, Jean y St-Arnaud, Robert-Guy (comp.) Montréal, Fidès, 2001. 
7) Palmer, Susan J.; Íbidem.
8) Vorilhon, Claude; Los extraterrestres me llevaron a su planeta. Editorial Diana, México, 1981 (pp. 185).
9) Vorilhon, Claude; Íbidem. Pp. 186-189.
10) Wieviorka, Michel; "Nueva ecuación: ciencia, dinero y religión" en La Vanguardia (11/01/2003). Trad.: José María Puig de la Bellacasa. En http://www.lavanguardia.es/web/20030111/133736717.html
11) Egozcue, J; "Clonación: ¿realidad o raëlidad?" en La Vanguardia (03/02/2003) En http://www.lavanguardia.es/web/20030203/136145055.html
12) Stark, R. y Bainbridge, W; The Future of Religion: Secularization, Revival and Cult Fromation, U. de California Press, Bekeley, Los Angeles-Londres, 1985.
13) No pude acceder al libro. La cita procede de una crónica del Boston Globe del 4 de enero de 2003 "Clonaid retreats from DNA promise; skepticism grows" en http://www.startribune.com/stories/1556/3571354.html
NOTA. A primeira versão deste trabalho foi publicada em El Escéptico N° 16, março de 2003. Revista da Alternativa Racional a las Pseudociencias – Sociedad Para el Pensamiento Crítico. Aqui se publica uma versão revisada e atualizada.

Agradecimentos

A Alejandro J. Borgo, Pedro Luis Gómez Barrondo, Ignacio Cabria, Mariana Comoli, Carlos Domínguez, Alejandro Frigerio, Viviana Giménez, Luis R. González, L. Enrique Márquez, Eduardo Márquez-Blake, Mariano Moldes y Rubén O. Morales. Suas valiosas sugestões, t
raduções e contribuições enriqueceram o presente artigo. A meus amigos, muito obrigado!

Notas relacionadas (em Dios!)
Roswell: anatomía de un fraude
Síganme, que aquí no ha pasado nada
La ciencia que baja del cielo para salvarnos
Amor raëliano
¿Qué ofrece la empresa raëliana?
El científico que avaló el anuncio de Clonaid ¿está loco?
Cuando los espíritus se van, los extraterrestres llegan
Una campaña raëliana invita a los católicos a renegar de la Iglesia

Biografias
Brigitte Boisselier
Claude Raël Vorilhon
Michael Guillen
Ray Santilli
Susan Palmer
Alain Bouchard
Carlos Gardel
Adolfo Hitler 
Massimo Introvigne
Michel Wieviorka
Josep Egozcue
Gabriel Barra
Alejandro Agostinelli

Tags: , , ,

One Response to Clonando Notícias: O Show Raëliano deve continuar?

  1. Ricardo (Rio Verde - Go) disse:

    Excelente coteúdo. Eu não sabia o quanto esse Claude Raël Vorilhon é palhaço, é o quanto a mídia deseja ter ibope e não importa a credibilidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *