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Fotografia da “Batalha de Los Angeles” era retocada

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A Virgem do Sol

19 de março de 2011 Comments (14) Views: 4172 Ciência, Destaques

Scott e o Escorbuto

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Artigo de Maciej Ceglowski, publicado em Idle Words
Tradução gentilmente autorizada, colaboração de Vitor Moura

Ultimamente tenho relido um dos meus livros favoritos, The Worst Journey in the World [A Pior Viagem do Mundo], um relato da expedição de Robert Falcon Scott para o pólo sul realizada em 1911. Eu não posso fazer justiça ao livro em um resumo, apenas recomendar que você largue tudo o que está fazendo e comece a lê-lo, mas há um detalhe que me deixou particularmente perplexo na primeira vez em que o li, e que resolvi entender melhor quando conseguisse pôr o livro de lado.

Escrevendo a respeito do primeiro inverno que os homens passaram no gelo, Cherry-Garrard menciona de forma casual uma surpreendente palestra sobre o escorbuto por um dos médicos da expedição:

“Atkinson [estava] inclinado à teoria de Almroth Wright de que o escorbuto é devido a uma intoxicação ácida do sangue causada por bactérias…
Havia pouco escorbuto nos dias de Nelson, mas o motivo não está claro, pois, de acordo com a pesquisa moderna, suco de lima só ajuda a preveni-lo. Tínhamos, em Cape Evans, sal de sódio que devia ser usado para alcalinizar o sangue como uma experiência, se a necessidade surgisse. A escuridão, o frio e o trabalho duro estão, na opinião de Atkinson, entre as causas mais importantes para o aparecimento do escorbuto.”

Bem, eu tinha aprendido na escola que o escorbuto havia sido vencido em 1747, quando o médico escocês James Lind provou em um dos primeiros experimentos médicos controlados que frutas cítricas eram uma cura eficaz para a doença. Daquele ponto em diante, somos informados, a Marinha Real tinha exigido que uma dose diária de suco de limão fosse misturada na bebida dos marinheiros, e o escorbuto deixou de ser um problema para longas viagens oceânicas.

Mas aqui estava um cirurgião da Marinha Real em 1911 aparentemente ignorante da causa da doença ou de como curá-la. De alguma forma, um grupo altamente treinado de cientistas no início do século XX sabia menos sobre o escorbuto do que o capitão do mar comum nos tempos de Napoleão. Scott deixou uma base abastecida abundantemente com carne fresca, frutas, maçã e suco de lima, e rumou para uma região tomada pelo gelo por cinco meses sem nenhuma proteção contra o escorbuto, enquanto permanecia confiante de que não estava em risco. O que aconteceu?

De todas as histórias contadas, o escorbuto é uma doença horrível. Scott, que tem razões para saber disso, dá uma descrição sucinta:

“Os sintomas do escorbuto não ocorrem necessariamente em uma ordem regular, mas geralmente o primeiro sinal é uma inflamação das gengivas, elas ficam inchadas. A tonalidade rosa esbranquiçada próxima dos dentes é substituída por um vermelho raivoso, e enquanto a doença avança, as gengivas tornam-se mais esponjosas e adquirem uma cor purpúrea, os dentes podem ficar soltos e as gengivas doloridas. Manchas aparecem nas pernas, e sente-se dor em velhas feridas e contusões; mais tarde, a partir de um leve edema, as pernas, e depois os braços, crescem demais e ficam enegrecidos atrás das articulações. Após isso o paciente logo fica inválido, e os últimos estágios dessa doença horrível se estabelecem, em que a morte é uma libertação misericordiosa”.

Uma das características mais marcantes da doença é a desproporção entre a sua gravidade e a simplicidade da cura. Hoje sabemos que o escorbuto é devido unicamente a uma deficiência em vitamina C, um composto essencial para o metabolismo que o corpo humano deve obter dos alimentos. O escorbuto é rápida e completamente curado pela restauração da vitamina C na dieta.

Exceto pela natureza da vitamina C, os médicos do século XVIII sabiam disso também. Mas na segunda metade do século XIX, a cura para o escorbuto foi perdida. A história de como isso aconteceu é uma demonstração impressionante do problema da indução, e de como o progresso em uma área de estudo pode levar a inesperados regressos em outra.

Uma infeliz série de acidentes conspirou com os avanços na tecnologia para desacreditar a cura para o escorbuto. O que era uma simples deficiência na dieta se tornou uma doença sutil e imprevisível, que poderia atacar sem aviso prévio. Ao longo de cinqüenta anos, o escorbuto voltaria a atormentar não só os exploradores polares, mas milhares de crianças nascidas em ricos lares de europeus e americanos. E seria somente por pura sorte que a real causa do escorbuto seria redescoberta, e a vitamina C, finalmente, isolada em 1932.

Não é fácil encontrar alimentos frescos que não possuam vitamina C. As plantas e os animais tendem a estar cheios dela, uma vez que a molécula é usada em todos os tipos de síntese bioquímica como uma doadora de elétrons. Mas as mesmas qualidades reativas que a tornam uma vitamina útil também a tornam fácil de destruir. A vitamina C degrada rapidamente na presença de luz, calor e ar. Por esta razão, está ausente da maioria dos alimentos conservados que tenham sido cozidos ou secos. Sua destruição é também rapidamente catalisada por íons de cobre, que pode ser uma das razões pela qual os marinheiros, com suas grandes caldeiras de cobre para cozinhar, eram especialmente suscetíveis à doença.

Como os nossos corpos não podem sintetizar a vitamina, eles aprenderam a conservá-la muito bem. Leva-se seis meses para o escorbuto se desenvolver em pessoas saudáveis após a vitamina C ser removida da dieta, e apenas uma pequena quantidade diária é suficiente para manter uma pessoa saudável.

Sabe-se desde a antiguidade que os alimentos frescos em geral, e os limões e as laranjas, em particular, curam o escorbuto. Começando com a tripulação de Vasco da Gama, em 1497, os marinheiros têm repetidamente descoberto o poder curativo das frutas cítricas, e a cura tem sido com igual frequência esquecida ou ignorada pelos exploradores posteriores.

Lind tende a ganhar o crédito pela descoberta da cura cítrica já que apresentou algo parecido com um experimento controlado. Levaram-se contudo mais quarenta anos de experimentos, análises e lobby político para que o seu resultado fosse institucionalizado pela Marinha Real. Em 1799, todos os navios da Marinha Real em serviços estrangeiros eram obrigados a servir suco de limão:

“A ração prevista para os marinheiros da Marinha foi fixada em 1 oz. [28 gramas] de suco de limão com 1 oz. de açúcar, servido diariamente após 2 semanas no mar, o suco de limão sendo muitas vezes chamado de ‘suco de lima’ e nossos marinheiros ‘espremedores de lima’. As conseqüências desta nova regulamentação foram surpreendentes e, no início do século XIX, podia-se dizer que o escorbuto havia desaparecido na marinha britânica. Em 1780, as admissões de casos de escorbuto no Hospital Naval de Haslar foram 1.457; entre os anos 1806-1810, foram apenas dois”.

(Como veremos, a confusão entre limões e limas teria sérias repercussões).

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O escorbuto era a principal causa de morte dos marinheiros em longas viagens oceânicas; alguns navios sofreram perdas tão elevadas quanto 90% de seus homens. Com a introdução do suco de limão, os britânicos de repente tinham uma enorme vantagem estratégica sobre os seus rivais, uma que eles utilizaram bem nas guerras napoleônicas. Os navios ingleses podiam agora ficar no mar mantendo bloqueios por até dois anos, isolando os portos franceses, enquanto os mercadores que transportavam as frutas cítricas para os navios em serviço militar continuavam a morrer de escorbuto, proibidos eles próprios de tocar na cura.

O sucesso do suco de limão foi tão grande que muito da Sicília foi logo transformado em um limoeiro para a frota britânica. O escorbuto continuou a ser um sério problema em outras marinhas que demoraram a adotar as frutas cítricas como uma cura, incluindo a Marinha Mercante, mas para a Marinha Real havia se tornado uma doença do passado.

Em meados do século XIX, entretanto, os avanços na tecnologia foram reduzindo a necessidade de qualquer tipo de prevenção do escorbuto. A energia a vapor havia encurtado os tempos de viagem consideravelmente desde a época dos veleiros, de modo que era raro que marinheiros, com exceção de baleeiros, passassem meses no mar sem alimentos frescos. Os sucos cítricos eram uma exigência legal em todos os navios britânicos em 1867, mas na prática estavam se tornando supérfluos.

Assim, quando o Almirantado começou a substituir o suco de limão por um substituto ineficaz em 1860, demorou muito tempo para alguém perceber. Nesse ano as autoridades militares substituíram os limões do Mediterrâneo pela limas ocidentais indianas. Os motivos para isso foram principalmente coloniais – era melhor comprar de plantações britânicas do que continuar importando limões da Europa. A confusão nos nomes não ajudou. Tanto ‘limão’ quanto ‘lima’ eram usados como um termo coletivo para citros, e apesar de limões e limas ácidas européias serem frutas muito diferentes, os seus nomes latinos (citrus medica, var. limonica e citrus medica, var. acida) sugeriam que elas estavam tão intimamente relacionadas como maçãs verdes e vermelhas. Além disso, como havia uma crença generalizada de que as propriedades anti-escorbuto dos limões eram devidas à sua acidez, fazia sentido que as limas mais ácidas do Caribe seriam ainda mais eficientes para combater a doença.

Só que nisso a Marinha se enganou. Testes em animais mostrariam mais tarde que o suco de lima fresco tem um quarto do poder de combate ao escorbuto em relação ao suco de limão fresco. E o suco de lima que era servido aos marinheiros não era fresco, passava longos períodos de tempo depositado em tanques abertos ao ar, e tinha sido bombeado através de uma tubulação de cobre. Um experimento com animais em 1918 utilizando amostras representativas de suco de lima da marinha de guerra e da marinha mercante mostrou que a ‘prevenção’ comumente não possuía nenhum poder anti-escorbuto.

Na década de 1870, portanto, a maioria dos navios britânicos estava navegando sem proteção contra o escorbuto. Somente a velocidade e uma nutrição melhorada em terra estavam impedindo os marinheiros de ficarem doentes.

Coube ao infeliz George Nares descobrir esse fato em 1875, quando ele liderou a Expedição Ártica Britânica na tentativa de alcançar o Pólo Norte, através da Groenlândia. Algumas teorias oceanográficas da época postulavam um mar polar aberto, e Nares foi orientado a navegar pela costa da Groenlândia para depois ele e seus companheiros se valerem de um trenó e ver quão longe ao norte poderiam adentrar no gelo.

A expedição foi um fiasco. Dois homens no grupo desenvolveram escorbuto poucos dias após deixar o navio, já no trenó. Em cinco semanas, metade dos homens estava doente, e apesar de terem previsto depósitos com suprimentos abundantes para a sua viagem de regresso, eles mal conseguiram realizá-la. Uma equipe de resgate enviada para interceptá-los descobriu que o suco de lima não teve o seu habitual efeito dramático. E o pior de tudo, alguns dos homens que ficaram no navio, que nunca deixaram de tomar a sua dose diária, também pegaram escorbuto.

O fracasso da expedição de Nares provocou um alvoroço na Grã-Bretanha. A Marinha Real acreditava-se capaz de sustentar todas as tripulações em até dois anos sem sinais de escorbuto, mas aqui havia uma hábil e adequadamente provida tripulação incapacitada pela doença dentro de semanas. Pela primeira vez desde o século XVIII, a eficácia do suco de frutas cítricas como um preventivo absoluto foi posta em dúvida.

Uma evidência mais preocupante veio alguns anos depois durante a Expedição Jackson-Harmsworth para a Terra de Franz-Josef, em 1894. Os membros desta expedição passaram três anos em um navio preso no gelo. Koettlitz, o médico-chefe, descreve o que aconteceu:

“Os membros da expedição comiam carne fresca regularmente pelo menos uma vez por dia, na forma de um urso polar. As pessoas no navio tinham, no entanto, um preconceito contra esse alimento, que certamente não era particularmente saboroso, e insistiam, contra todos os conselhos, em comer a carne conservada e salgada. Esta carne eu ocasionalmente notei estar um pouco ‘estragada’ ou com um ‘cheiro ruim’, e depois ouvi que isso ocorria freqüentemente. O resultado foi que, embora eu visitasse o navio a cada dia, e me certificasse pessoalmente de que cada homem engolia a sua dose de suco de lima (que foi tornada obrigatória, e era da melhor qualidade), o navio inteiro estava contaminado com escorbuto, e dois morreram”.

Este padrão de carne fresca prevenir o escorbuto seria uma constante na exploração do Ártico. Isso desafiava o entendimento comum do escorbuto como uma deficiência de matéria vegetal. De alguma forma, os homens poderiam viver por anos em uma dieta constituída apenas de carne e se manterem saudáveis, desde que a carne fosse fresca.

Este é um bom exemplo de como a mesma ubiqüidade da vitamina C tornava difícil identificá-la. Embora o escorbuto estivesse sempre associado a uma falta de verduras, a carne fresca contém quantidades adequadas de vitamina C, com concentrações particularmente elevadas nos órgãos carnudos que os exploradores consideravam uma iguaria. Coma um fígado de urso a cada poucas semanas e o escorbuto será o menor dos seus problemas.

Mas a menos que você já entenda e acredite no modelo de nutrição de vitaminas, a noção de uma substância residual que exista tanto em limas frescas e rins de urso, mas que está ausente de um barril de suco de lima porque você por acaso o preparou em um vaso de cobre começa a soar muito pouco plausível.

Médicos da época olharam para esta evidência intrigante e especularam. Outras doenças haviam sido recentemente demonstradas como tendo sua origem em infecções bacterianas. O modelo de bactérias era novo, e já tinha tido sucesso espetacular na identificação e no tratamento de doenças como tifo, tuberculose e cólera. E se a causa do escorbuto também houvesse sido mal interpretada? E se em vez de uma doença de carência, o escorbuto fosse na verdade um tipo de intoxicação alimentar crônica devido à contaminação bacteriana da carne? Assim nasceu a teoria ptomaína do escorbuto, e Koettlitz tornou-se seu entusiástico defensor:

“Que a causa do surto de escorbuto em tantas expedições polares tenha sido sempre a de que algo estava radicalmente errado com as carnes em conserva, fossem enlatadas ou salgadas, é praticamente certo; que os alimentos são produtores de escorbuto por estarem, ainda que ligeiramente, estragados, é praticamente certo; que o benefício dos chamados ‘anti escorbuto’ é uma ilusão, e que alguma propriedade antiascórbica foi removida de alimentos no processo de preservação é também uma ilusão. Um alimento animal é escorbútico – em outras palavras, produtor de escorbuto – ou não é. Ou está estragado ou está bom. Uma mudança decompositora, mesmo que apenas leve e sem sabor, ocorreu ou não ocorreu. As bactérias são capazes de produzir ptomaínas nele ou não são capazes, e se elas não são capazes, então a comida é saudável e não produtora de escorbuto”.

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A ‘ptomaína’ na teoria nunca foi realmente definida além de algo como um produto nocivo da ação bacteriana. Mas a teoria tinha uma lógica interna. Carnes mal conservadas seriam contaminadas pela ptomaína. Em condições normais, isso não seria suficiente para causar escorbuto. Não somente os alimentos frescos consumidos na dieta tinham um tipo de efeito antídoto (se esse efeito age para neutralizar o veneno, ou simplesmente substituindo-o na dieta, não ficou claro), mas o ambiente também desempenhava um papel importante. Alguns fatores parecem predispor as pessoas a um envenenamento crônico por ptomaína, incluindo a escuridão, o esforço intenso, o ócio, o ar fechado, o tempo de confinamento e o frio.

Em viagens prolongadas em condições adversas, a ptomaína acumulada em carnes mal conservadas iria afetar a saúde, resultando nos sintomas clássicos de escorbuto. Uma vez que os alimentos estragados fossem interrompidos, o corpo rapidamente excretaria a ptomaína acumulada e voltaria à saúde.

Os sucos cítricos eram eficazes em prevenir o escorbuto porque a sua acidez desnaturava a ptomaína, ou matava as bactérias que a causavam. O verdadeiro culpado estava na carne ruim, e os tonéis de suco de lima exigidos por lei em todos os navios de alto mar eram outro exemplo de superstição médica ultrapassada que dava agora lugar a uma compreensão mais sofisticada da doença.

Esta era a última novidade no conhecimento médico sobre o escorbuto quando Scott se preparou para a sua primeira expedição à Antártida, em 1903. Seria a primeira expedição britânica séria para o continente em cinqüenta anos. Scott levou o próprio Dr. Koettlitz consigo como o seu médico-chefe.

Scott planejou tudo meticulosamente, e consciente da teoria da ptomaína, prestou uma atenção especial à qualidade de suas provisões. Embora pouco pudesse fazer quanto às condições de frio e aperto da viagem, ele sabia que poderia evitar qualquer risco de escorbuto utilizando apenas produtos enlatados completamente intocados. Por sua parte, Koettlitz previu que enquanto houvesse carne de foca fresca disponível, “podemos tomar como certo que não ouviremos falar de escorbuto em conexão com a expedição, não importa o tempo que possamos permanecer no Extremo Sul”.

Scott não tinha tempo para supervisionar o enlatamento de suas provisões para a viagem do Discovery, mas ele se assegurou de que antes que fossem servidas, todas as latas seriam abertas na presença de sua equipe médica, incluindo o Dr. Koettlitz, e cuidadosamente examinadas para verificar sinais de deterioração. A qualquer dúvida as latas seriam designadas ao lixo.

Foi assim uma amarga surpresa para Scott quando soube que um dos primeiros do grupo do Discovery que havia partido no trenó se arrastava em campo com sintomas inconfundíveis de escorbuto após uma ausência de apenas três semanas. Exames posteriores revelaram que muitos dos homens a bordo do navio também estavam nos estágios iniciais da doença. As medidas preventivas falharam, e Scott se angustiou profundamente:

“Uma vez que o mal chegou, o que é preciso fazer agora é eliminá-lo. Na minha ausência, Armitage, em consulta com os médicos, já tomou medidas para resolver as coisas, servindo a carne fresca regularmente e aumentando a ração de frutas engarrafadas, e ele prestou um serviço ainda maior supervisionando o cozinheiro. Eu não sei se ele ameaçou enforcá-lo ou se usou de medidas mais persuasivas, mas, o que quer que tenha feito, houve uma acentuada melhoria na cozinha.

Com a idéia de dar a todos os marinheiros do convés uma mudança de ar, por sua vez, criamos um espaço na choupana principal empilhando caixotes ao redor do fogão. Neste espaço cada grupo de marinheiros viveria durante uma semana; eles tinham almoço e jantar a bordo, mas permitia-se que cozinhassem sua ceia na choupana. Os atuais ocupantes apreciam este tipo de vida em piquenique imensamente.

Realizamos uma limpeza completa dos porões, desinfetando-os, cobrimos de cal as laterais e deixamos tudo perfumado e limpo.

Como passo seguinte, lidei com as roupas e as redes para dormir. É fácil amontoar roupas, especialmente em condições como as nossas; no entanto, todas elas foram descartadas agora, exceto aquelas de fato em uso. As redes e os lençóis eu achei muito secos e confortáveis, mas os arejamos bem. Nós liberamos todas as fontes de luz do convés de modo a obter mais luz do dia nos andares inferiores, e lavamos os tombadilhos e limpamos todos os buracos e cantos até que tudo estivesse completamente limpo. Eu sou obrigado a confessar que não houve uma mudança muito radical em tudo isso; observamos muito pouca sujeira, e a eclosão entre nós dessa doença não pode ter vindo de condições insalubres de vida; nossos homens são deixados bem ao seu próprio conforto para isso. Mas agora fazemos de tudo para termos certeza, convictos de que todo cuidado é pouco”.

Scott enviou um grupo para matar focas para coletar tanta carne fresca quanto possível (sua tripulação podia comer uma foca inteira em dois dias e meio). Eles reuniram o suficiente para eliminar por completo a necessidade de carne enlatada. As focas abatidas foram armazenadas, como troncos de madeira, congeladas no gelo. Enquanto isso Koetlittz conseguiu fazer germinar e crescer uma colheita modesta de agrião sob uma clarabóia, o solo da Antártida se mostrando surpreendentemente fértil. Sua confiança na teoria da ptomaína não o cegou para as vantagens práticas de um remédio comprovado (brotos de agrião contêm uma quantidade absurda de vitamina C). O agrião cresceu o bastante para complementar uma refeição para todos os homens, e em combinação com a carne fresca das focas, foi suficiente para banir todos os sinais de escorbuto.

Scott ficou aliviado, mas sabia que algo tinha escapado do seu entendimento. Apesar dos cuidados escrupulosos, a doença tinha se infiltrado, e ele não estava certo por que suas precauções haviam falhado. Evidentemente, não foi suficiente inspecionar a carne provando-a e cheirando-a – mesmo quantidades pequenas de ptomaína podiam ser suficientes para causar o escorbuto.

Sua solução foi descartar toda a carne enlatada da expedição e confiar inteiramente na carne de foca e pingüim. Isso seria ótimo enquanto os homens permanecessem no Discovery, mas havia o problema do que fazer sobre as viagens de trenó programadas. A ração planejada para o trenó era pemican (uma mistura de carne seca e gordura) e biscoito, mas como Scott havia perdido toda a confiança na segurança da carne conservada, ele teve que encontrar uma maneira de substituir o pemican com foca.

A carne fresca de foca era muito pesada como uma substituta, então Scott tinha que repetidamente fervê-la para remover tanta água quanto possível (destruindo toda a vitamina C no processo). Esta carne de foca concentrada ainda era quase duas vezes mais pesada que o pemican equivalente, mas foi o melhor que pôde fazer.

Em novembro de 1902, Scott, Wilson e Shackleton partiram na viagem principal da expedição. O objetivo deles era levar uma equipe de cães tão ao sul quanto possível ao longo da plataforma de gelo Ross e ver se eles poderiam encontrar uma rota útil para uma eventual tentativa de chegar ao Pólo.

As coisas não seguiram bem. Scott inadvertidamente deixou seus cães famintos, tornando-os impossíveis de controlar e quase inúteis para puxar carga. Muito rapidamente, os seus homens tiveram de começar a puxar os trenós, o que significava andar três milhas para cada milha de progresso para o sul. Eles começaram a matar os cães mais fracos e dá-los como alimento para o resto (os cães estavam com tanta fome que não hesitaram em dilacerar seus camaradas caídos). Os próprios homens não podiam pensar em nada mais além de comida, suas rações sendo inadequadas para o trabalho de puxar o trenó.

Wilson, um médico, verificava as gengivas e as pernas dos homens a cada domingo buscando por sinais de escorbuto. Shackleton foi o primeiro a manifestar os sintomas, embora não tivesse sido informado sobre isso por várias semanas. Logo Scott e Wilson estavam apresentando os sintomas também. Logo Shackleton enfraqueceu e começou a tossir sangue durante a noite, e esteve em perigo real de um colapso físico.

O grupo mal retornou para casa. Durante a maior parte da viagem de regresso, Shackleton não foi capaz de puxar, cambaleando ao lado dos trenós. Depois de seu retorno ao Discovery, os homens ficaram acamados e em estado de colapso físico completo, levantando-se apenas o tempo suficiente para comer as prodigiosas refeições. Scott comentou em seu diário sobre a lassidão extraordinária e a falta de energia que a doença provocou nele.

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Oito anos após a expedição do Discovery, Scott voltou à Antártida para uma tentativa de chegar ao Pólo. Consciente do que tinha acontecido em sua primeira viagem, ele teve o cuidado de procurar o aconselhamento de peritos sobre as últimas novidades concernentes ao escorbuto, tanto dos médicos quanto dos exploradores árticos.

O conselho que ele recebeu não foi alterado – o escorbuto era uma condição de acidez do sangue causada por ptomaínas na carne contaminada. O lendário explorador Fridtjof Nansen tinha alguns conselhos particularmente curiosos – caso ele próprio se visse em apuros, disse Nansen, era melhor escolher latas de carne que estivessem completamente podres ao invés das latas que estivessem apenas um pouco estragadas, já que as ptomainas tinham maior probabilidade de ter se deteriorado nas primeiras.

Desta vez, Scott fez questão de fornecer a seus homens carne fresca de foca, e escorbuto não foi um problema no campo principal. No inverno de 1911, Wilson, Bowers e Cherry-Garrard partiram em uma viagem de cinco semanas fantasmagóricas para tentar recolher os ovos do pingüim imperador. Esta viagem, que deu ao livro de Cherry-Garrard o seu título, realizou-se na mais completa escuridão e as temperaturas caíram abaixo de -77 Fahrenheit. Os homens, forçados a revezar e a procurar por suas pegadas à luz de velas, faziam às vezes tão pouco quanto uma milha de progresso por dia. Quando as roupas de Cherry-Garrard foram pesadas em seu retorno, elas continham 24 quilos de gelo. Como os homens sobreviveram desafia a crença – jamais houve uma outra viagem durante a noite polar, mesmo com equipamentos modernos –, mas eles retornaram e para grande alívio de Scott não apresentavam sintomas de escorbuto.

Um dos objetivos de Scott para a viagem de inverno era determinar a ração apropriada para andar de trenó sobre o planalto polar, onde os homens teriam que caminhar por várias semanas em altitudes acima de 10.000 pés. Depois de alguns ajustes com as proporções, os homens na Jornada de Inverno tinham montado uma ração satisfatória, e Scott decidiu adotá-la inalterada para a sua viagem no final daquele ano:

Sledging ration for one man for one day. Rations laid out on a table. British Antarctic Expedition 1910-13 (Ponting Collection).

A ração polar de Scott: 450g de biscoito, 340 gramas de pemican, 85g de açúcar, 57g de manteiga, 24g de chá, 16g de cacau. Esta ração contém cerca de 4500 calorias (andar de trenó requer 6500) e nenhuma vitamina C.

Scott deixou o acampamento com 16 homens em 1º de novembro de 1911. Seu plano era deixar depósitos ao longo da rota, e enviar grupos de homens de volta em intervalos até que ele ficasse com três companheiros no grande planalto sul da geleira Beardmore. A expedição usou homens, cães, cavalos (abatidos e dados aos cães ao pé da geleira), e um par de trenós motorizados experimentais que quebraram depois de apenas alguns quilômetros sobre o gelo.

Scott enviou de volta os seus homens em estágios; cada grupo encontrava progressivamente mais dificuldades ao fazer a viagem de volta ao acampamento. O último grupo, enviado de volta a partir do topo da geleira Beardmore, foi liderado por Edward Evans, que rapidamente desenvolveu um caso grave de escorbuto. Após andar bravamente a maior parte da distância, ele ficou incapacitado e teve de ser deixado no gelo sob os cuidados de um companheiro, enquanto o terceiro homem no grupo marchava forçosamente as trinta milhas restantes para o acampamento para convocar uma equipe de resgate.

Scott, alheio a este desenvolvimento ameaçador, seguiu adiante. O resto de sua história é bem conhecido. Tendas norueguesas no Pólo, um retorno cada vez mais desesperado, dois em seu grupo adoecendo e morrendo, então uma terrível nevasca a onze milhas de distância de seu último depósito, os três homens congelando até a morte em sua barraca.

A evidência de que o Grupo Polar sofria de escorbuto na sua viagem de retorno é forte, mas circunstancial. As feridas que não cicatrizavam, a morte repentina de Seaman Evans durante a descida de Beardmore e a grande fraqueza deles são consistentes com a doença. Tanto Scott quanto Wilson teriam facilmente reconhecido os sintomas, mas é possível que eles tenham optado por não registrá-los. Havia um certo estigma com relação ao escorbuto, especialmente no caso deles, tendo padecido tanto para evitar a doença. Scott tinha quase deixado de fora qualquer menção ao escorbuto do seu relatório de 1903, antes de decidir fazê-lo para a causa da ciência, e é possível que ele sentisse uma reticência semelhante agora.

Carreiras acadêmicas inteiras têm se dedicado a criticar a jornada final de Scott. Provavelmente seria mais fácil listar as coisas que não contribuíram para a sua morte, do que tentar classificar as contribuições relativas de esgotamento, frio, desnutrição, más condições climáticas, má sorte, mau planejamento e decisões precipitadas. Mas em relação ao escorbuto, pelo menos, os exploradores polares estavam em uma posição impossível.

Eles tinham uma teoria da doença que fazia sentido, dadas as evidências, mas estava completamente errada. Eles haviam chegado à idéia de uma substância não detectável na sua alimentação, presente em quantidades vestigiais, com uma relação causal direta com o escorbuto, mas pensaram nisso em termos de um veneno a ser evitado. Em certo sentido, o salto adicional necessário para uma correta compreensão era muito pequeno. Em outro sentido, ele teria exigido uma espécie de revolução copernicana em seu pensamento.

Foi pura sorte que levou à descoberta de fato da vitamina C. Axel Holst e Frolich Theodor vinham estudando o beribéri (outra doença de carência) em pombos, e quando decidiram mudar para um modelo com mamíferos, por acaso escolheram porquinhos-da-índia [cavia porcellus], o único animal além de seres humanos e macacos que requer vitamina C em sua dieta. Alimentados com uma dieta de cereais puros, os animais não apresentaram sinais de beribéri, mas rapidamente adoeceram e morreram de algo que se assemelhava muito ao escorbuto humano.

Ninguém tinha visto o escorbuto em animais antes. Com um simples modelo animal para a doença na mão, tornou-se uma questão de executar os experimentos corretos, e ficou rapidamente estabelecido que o escorbuto era afinal uma doença de carência. Muito rapidamente o composto que previne a doença foi identificado como uma pequena molécula presente no repolho, suco de limão e muitos outros alimentos, e em 1932 Szent-Györgyi isolou definitivamente o ácido ascórbico.

Há vários aspectos desta ‘segunda vinda’ do escorbuto no final do século XIX que eu acho particularmente impressionantes:

Primeiro, o fato de que desde o século XV em diante, era raro o médico que reconhecesse ignorância sobre a causa e o tratamento da doença. A enfermidade podia se adequar a tantas teorias de doença – o desequilíbrio nos humores vitais, o ar ruim, a acidificação do sangue, infecção bacteriana – que, apesar da existência de uma cura inequívoca, sempre houve uma série de tratamentos alternativos e ineficazes. Em nenhum momento os médicos expressaram dúvida sobre as suas teorias, por mais que fossem ineficazes.

Em segundo lugar, como era difícil interpretar corretamente a evidência sem o conceito de ‘vitamina’. Agora que entendemos o escorbuto como uma doença de carência, podemos explicar os resultados anômalos que parecem contradizer essa teoria (o fracasso do suco de lima em expedições polares, por exemplo). Mas as evidências em si mesmas não apontam claramente para uma solução. Não estava claro quais resultados eram os resultados anômalos que precisavam ser explicados. A teoria da ptomaína fazia previsões corretas (carne fresca previne o escorbuto), mesmo que ela estivesse completamente errada.

Terceiro, como o progresso tecnológico em uma área pode levar a regressões surpreendentes. Eu mencionei que o advento das viagens a vapor permitiu acidentalmente substituir um anti-escorbuto eficaz por um ineficaz. Um exemplo ainda mais gritante foi a série de casos de escorbuto em crianças que afligiam as famílias de classe superior no final do século XIX. Este surto foi resultado direto de um outro desenvolvimento tecnológico, a pasteurização do leite de vaca. O procedimento tornou o leite imensamente muito mais seguro para as crianças beberem, mas também destruía a vitamina C. Para as crianças mais pobres, que tendem a ser amamentadas e rapidamente desmamadas sendo alimentadas com comida de adultos, isto não era um problema, mas os bebês alimentados com uma dieta especial rica em cereais cozidos e leite estavam em grave risco. Demorou alguns anos para que o escorbuto infantil, a princípio chamado de ‘doença de Barlow’, fosse devidamente identificado. Nesse ponto, os médicos foram pegos entre dois fogos. Eles poderiam recomendar que os pais não fervessem o leite, e expor as crianças à infecção bacteriana, ou poderiam insistir na pasteurização, com o risco de escorbuto. A teoria dominante de escorbuto como intoxicação bacteriana nublou a questão ainda mais, de forma que levou tempo para se chegar à solução mais adequada – a suplementação da dieta com suco de cebola ou batata cozida.

Em quarto lugar, como uma pequena base de evidências foi necessária para construir um enorme edifício teórico. O famoso experimento de Lind, por exemplo, envolveu dois marinheiros comendo laranjas por seis dias. Lind passou a propor um método completamente ineficaz de preservar o suco de limão (fervendo-o), que ele nunca pensou em testar. Um dos experimentos que ‘confirmava’ a teoria da ptomaína envolvia alimentar um punhado de macacos com carne fresca e enlatada. Os macacos frutíferos morreram dentro de dias, os que morreram por último, e com o mínimo de sangue nas fezes, foram considerados serem aqueles sem escorbuto. E mesmo esses experimentos falhos eram uma raridade em comparação com o número de afirmações vazias pelas autoridades médicas, sem qualquer teste ou base na realidade.

Por fim, uma das mais simples doenças conseguiu absolutamente confundir-nos por tanto tempo, ao custo de milhões de vidas, mesmo depois de termos tropeçado em uma cura inequívoca. Isso faz você imaginar quantas doenças incuráveis do mundo moderno – a depressão, a hipertensão, o autismo, a obesidade – passarão a ter soluções igualmente simples uma vez que sejamos capazes de vê-las na perspectiva correta. Será que estaremos batendo em nossas testas daqui a sessenta anos querendo saber como nós deixamos passar algo tão óbvio?

No decurso da elaboração deste artigo, fui tentado várias vezes a escolher um vilão. Talvez o nome perfeito para isso seja o de Almroth Wright, que usou de sua considerável reputação médica para promover a teoria da ptomaína e assim atrasou a uma nova compreensão apropriada do escorbuto por muitos anos. Ou o desastrado Almirante não-identificado que promoveu a sua carreira ao defender a troca pelas limas indianas ocidentais. Ou até mesmo o próprio infeliz Scott, que pregava sobre as virtudes do progresso científico sem nunca ter realizado um experimento próprio, assumindo riscos terríveis e mostrando uma confiança deveras anti-científica baseada em pura coragem para livrar os seus homens de qualquer dificuldade.

Mas o vilão aqui é apenas a boa e velha ignorância humana, essa mestra do disfarce. Nós tendemos a pensar que o conhecimento, uma vez adquirido, é algo permanente. Em vez disso, mesmo agarrar-se a ele exige um esforço constante e cuidadoso.

– – –

Em resumo: Escorbuto é ruim, Ciência é difícil

Tentarei adicionar notas a este ensaio; no meio tempo, caso queira conversar sobre o assunto comigo convido a conferir esta lista de links.

[Fotos: National Science Foundation/Patrick Cullis, Mattie B]

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14 Responses to Scott e o Escorbuto

  1. regina disse:

    Que artigo excelente! Que bom que o Mori encontrou e publicou isso. Seria ótimo que ele fosse divulgado mais amplamente.

  2. Patola disse:

    Quem de nós no lugar do Scott não faria o mesmo? Confiamos no máximo nos teste clínicos que lemos em artigos científicos…

  3. Fabrício Lara disse:

    Não fazia idéia sobre os detalhes na história dessa doença…
    Dá pra entender perfeitamente a visão da época, que desconhecendo os micronutrientes como as vitaminas, pensavam que a culpa era da tal de ptomaína.
    É um caso em que uma teoria consegue explicar certa evidência (comer carne fresca cura a doença), mesmo estando completamente errada.

  4. Caco Simeano disse:

    Parabéns pelo artigo! Além de muito interessante, é um exemplo perfeito de como é difícil ter certezas irrefutáveis. O real cientísta deve sempre lembrar que a certeza de hoje pode ser a bobagem de amanhã, dai estar sempre num movimento de se questionar (coisa que as instituições religiosas doutrinam ao contrário: ‘nós temos a verdade, e ela é irrefutável’).

    O texto também deixa uma agonia: De que um conhecimento humano pode ser esquecido no futuro. Que consequências poderia ter a humanidade ao entrar na onda new-age/religiosa/radical, onde temos lideres religiosos negando vacinas, médicos receitando homeopáticos, pessoas comuns duvidando da ciência?! Só consigo lembrar de todo o conhecimento grego perdido por mais de mil anos, trocado por inquisições, dogmas, tabús e escuridão.

  5. paulo6jr disse:

    E Medjugorje?

  6. Julio Kendy disse:

    Quem explica melhor a condição humana frente à realidade não são os céticos nem os crentes. São os poetas:

    “Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.”

    Pois o que tanto céticos quanto crentes acreditam ser a realidade nada mais é do que a sua interpretação pessoal da realidade…

    Excelente artigo, excelente tradução e muito oportuno.

  7. Otto Pessanha disse:

    É um aviso pra sempre procurar mais resposta, mesmo quando achamos que sabemos muito sobre um assunto, não é possível saber tudo.

  8. Magno disse:

    Parabéns Otto Pessanha!

    Excelente comentário. Só espero que na sua visão, ele englobe sobre tudo mesmo.

  9. Juliano disse:

    Ótimo artigo. Alerta sobre o risco de algo, mesmo sendo científico para uma determinado período, na verdade ser um retumbante erro. Também demonstra que o conhecimento real sobre algo pode sim regredir. Disto a importância das pesquisas científicas sérias e em grande quantidade e qualidade para o mundo. Se dependesse da cabeça de muitos com seus dogmatismos, ainda estaríamos morrendo de escorbuto. Nem o limão como tratamento tínhamos descoberto ainda. Repito, um belo alerta o artigo.

  10. Biasetto disse:

    Mori e Vítor,
    Vim dar uma olhada nesta matéria, depois de uma sugestão do Juliano lá no blog.
    Realmente, ele tinha razão: muita boa!
    Valeu!

  11. Marcelo disse:

    Totalmente ridículo “procurar” vilões nessa ou em outra qualquer situação desse tipo. Quanto aos tolos que exaltam o “pensamento grego” e fala sobre inquisições nada mais ridículo se a pessoa tem o mínimo de conhecimento sobre História e sabe que foram os ” medievais” que conservaram o pensamento grego e que criaram as Universidades. Realmente a tolice humana não tem limites e a repetição “papagaística” de tolices populares também não.

  12. Galaad Mikkal disse:

    Vi recentemente no documentário Human Planet que os povos nativos do polo norte obtem vitamina C em animais como o Narval. Ou seja, a solução poderia estar ao lado. Parabéns pelo excelente site!

  13. Valkerschner disse:

    Um triste exemplo de como o método indutivo pode levar a erros de interpretação. Ótimo artigo, leitura obrigatória para quem gosta de ciência.

  14. Carlos Lomba disse:

    Parabéns pelo artigo.

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