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Os 20 experimentos mais bizarros da história
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Para pesquisar meu novo livro,
Elephants on Acid (algo como "Elefantes com LSD"), eu vasculhei
arquivos científicos buscando pelos mais bizarros experimentos de todos os
tempos -- o tipo que é estupenda e completamente estranho... o tipo que o faz
pensar "como alguém pode conceber fazer uma coisa assim?".
Listados abaixo estão vinte destes experimentos. Você encontrará todos eles (e
em torno de 80 outros) discutidos em maior detalhe em meu livro em inglês,
publicado no mês de novembro de 2007 pela editora Harcourt. A Kirkus Reviews o
chama de "um dos melhor livros para leitura no banheiro sobre ciência/história
de todos os tempos".
Há muito mais no livro do que é apresentado aqui. Você pode
comprá-lo agora na Amazon.
1 - Elefantes e LSD
O que acontece se você
der LSD a um elefante? Numa sexta-feira, dia
3 de agosto de 1962, um grupo de
pesquisadores de Oklahoma decidiu descobrir.
Warren Thomas, diretor do
zoológico municipal, aplicou 297 miligramas
de LSD em Tusko, o elefante. Dois outros
cientistas, Louis Jolyon West e Chester M.
Pierce, da faculdade de medicina da
Universidade de Oklahoma, o acompanhavam.
A dose usada corresponde
a 3 mil vezes a dose típica utilizada em
seres humanos. É a maior dose de LSD jamais
administrada a um ser vivo.
Posteriormente os
cientistas explicaram que a experiência foi
planejada para descobrir se o LSD induziria
o elefante ao estado de musth (um
frenesi temporário que alguns machos às
vezes experimentam durante o qual se tornam
extremamente agressivos e secretam uma
substancia de odor desagradável pelas
glândulas temporais). Alguns críticos, no
entanto, alegam que não passou do desejo de
satisfazer uma curiosidade doentia.
Seja lá qual foi a razão
do experimento, ele não saiu como planejado.
Tusko reagiu como se tivesse sido picado por
uma abelha. Trombeteou por seu cercado por
alguns minutos e então caiu de pernas para o
ar. Horrorizados, os pesquisadores tentaram
revivê-lo, mas cerca de uma hora depois o
elefante estava morto. Os três cientistas
concluíram constrangidos “Parece que
elefantes são altamente sensíveis aos
efeitos do LSD”.
Nos anos que se seguiram
houve controvérsia acerca da causa da morte
do animal. Alguns alegavam que não foi o LSD
o causador do óbito, mas sim as drogas
utilizadas para tentar reanimá-lo. Então,
vinte anos depois, Ronald Siegel, da
Universidade de Los Angeles, decidiu dar fim
ao debate administrando a mesma dose de LSD
a dois outros elefantes.
Ao invés de injetar o
LSD, Siegel misturou a droga na água. Quando
administrado dessa forma o LSD parece não
ser fatal aos animais. Os elefantes não só
sobreviveram como permaneceram calmos.
Ficaram vagarosos, balançando para frente e
para trás e emitiram ruídos estranhos
parecidos com chios e trinados, mas em
algumas horas já estavam de volta ao normal.
Entretanto, Siegel
observou que a dosagem que Tusko recebeu
pode ter excedido o limiar de toxicidade, de
forma a ser impossível precisar a causa da
sua morte.
A polêmica continua.
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2 – Obediência

Imagine que você é
voluntario para um experimento científico.
Quando você chega ao laboratório descobre
que os pesquisadores querem que você mate
uma pessoa. Você protesta, mas os cientistas
são categóricos “O experimento requer que
você faça isso”. Você concordaria e mataria
a pessoa?
Quando perguntados sobre
o que fariam em uma situação semelhante
quase todos respondem prontamente que
obviamente se recusariam a cometer o
assassinato. Mas o famoso Experimento da
Obediência de Stanley Milgram, conduzido na
universidade de Yale na década de 60,
revelou que essas pessoas estão erradas. Se
o pedido for feito de maneira adequada,
quase todos nós cederíamos e nos tornaríamos
assassinos obedientes.
Milgram disse aos
voluntários que eles faziam parte de um
experimento para determinar o efeito da
punição no aprendizado. Um dos voluntários
(que era na verdade um ator em cooperação
com Milgram) faria o papel do Aprendiz e
tentaria memorizar uma série de palavras. Os
outros voluntários (os voluntários reais)
acompanhariam a leitura com um gabarito e
dariam uma descarga elétrica no argüido a
cada vez que ele errasse. A cada resposta
errada os choques aumentavam 15 volts de
potência.
O experimento começava. O
aprendiz errava propositalmente e logo a
potência do choque chegava a 120 volts.
Nessa altura o aprendiz começava a chorar e
a reclamar da dor. Em 150 volts o aprendiz
começava a gritar de dor e a implorar pra
que o deixassem sair. É claro que era tudo
atuação, mas os voluntários, que nada
sabiam, começaram a hesitar e perguntaram
aos pesquisadores o que deveriam fazer. A
resposta era sempre a mesma “O experimento
requer que você continue”.
Milgram não tinha nenhum
interesse nos efeitos da punição no
aprendizado. O que ele queria na verdade era
saber quanto tempo as pessoas demorariam
para se recusar a apertar o botão de choque.
Será que permaneceriam obedientes à
autoridade dos pesquisadores a ponto de
matar alguém?
Para a surpresa de
Milgram, mesmo podendo ouvir os gritos
agonizantes do aprendiz que vinha da sala ao
lado, dois terços dos voluntários
continuaram a pressionar o botão até atingir
a potência máxima de 450 volts, quando o
aprendiz caiu em um silencio assustador,
aparentemente morto.
Alguns dos voluntários
tremiam e suavam, enquanto alguns riam
histericamente, mas continuaram a apertar o
botão. Mais perturbador ainda: quando os
voluntários não podiam ver nem ouvir o
aprendiz a cooperação era de quase 100%. O
que os olhos não vêem o coração não sente,
afinal.
Posteriormente Milgram
comentou “Eu diria, com base em milhares de
pessoas que observei durante os experimentos
e na minha própria intuição, que se um
sistema de campos de extermínio como os da
Alemanha nazista fosse implantando nos
Estados Unidos, seria possível encontrar
trabalhadores e encarregados pelo seu
funcionamento em qualquer cidade de médio
porte do país”.
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3 – O cachorro de duas
cabeças de Demikhov

Em 1954 Vladimir Demikhov
chocou o mundo quando revelou uma
monstruosidade cirurgicamente criada. Um
cachorro de duas cabeças.
Ele criou a criatura em
um laboratório localizado nos arredores de
Moscou, onde enxertou a cabeça, ombros e
pernas frontais de um filhote no pescoço de
um pastor alemão.
Demikhov preparou uma
apresentação diante de repórteres de todo o
mundo. Jornalistas suspiravam enquanto as
duas cabeças se debruçavam para beber
simultaneamente em uma tigela de leite e
estremeciam enquanto o leite da cabeça do
filhote pingava do tubo desconectado de seu
esôfago.
A União Soviética
ostentou o cachorro como prova da
proeminência médica da nação.
No decorrer dos quinze
anos seguintes Demikhov criou um total de
vinte outros cachorros de duas cabeças.
Nenhum deles viveu por muito tempo, sendo
vítimas inevitáveis das conseqüências de
rejeição de tecido. O recorde foi de um mês.
Demikhov explicou que os
cachorros faziam parte de uma série de
experimentos que tinham o objetivo de
descobrir uma técnica para o transplante de
coração e pulmão humanos.
Em 1967, o cirurgião
sul-africano Christian Barnard foi o
primeiro a transplantar um coração, mas
Demikhov é amplamente reconhecido como o seu
precursor.
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4 – A iniciação de
comportamento heterossexual em um
homossexual masculino

Em 1954 James Olds e
Peter Milner da Universidade de McGill
descobriram que a região septal é o centro
de prazer do cérebro. Estímulos elétricos
nessa região produzem sensações de intenso
prazer e excitação sexual.
Os cientistas
demonstraram sua descoberta inserindo fios
no cérebro de um rato e mostrando que quando
o rato descobria que podia se proporcionar
prazer pressionando um pedal (que envia um
estímulo elétrico para o cérebro) ele
passava a pressionar o pedal
compulsivamente, mais de duas mil vezes por
hora.
Em 1979, Robert Heath da
Universidade de Tulane concebeu uma
aplicação ainda mais original para a
descoberta de Olds e Milners. Heath decidiu
testar se o repetido estímulo da região
septal poderia transformar um homossexual em
heterossexual.
Heath se referia a seu
paciente homossexual como B-19. Eletrodos de
teflon foram inseridos na região septal do
cérebro de B-19 para a qual eram enviados
estímulos cuidadosamente controlados.
Em pouco tempo o jovem
começou a relatar indícios de motivação
sexual. Heath então improvisou um aparelho
que permitia que o paciente B-19 se
auto-estimulasse.
B-19 logo se tornou
obcecado com o botão do prazer. Em uma
sessão de três horas pressionou o botão
1.500 vezes até o ponto que, segundo Heath,
“estava sofrendo de uma euforia subjugante e
teve que ser desconectado”.
A essa altura a libido de
B-19 estava tão em alta que Heath decidiu
iniciar o último estágio da experiência no
qual B-19 seria apresentado a uma parceira.
Com permissão judicial
Heath providenciou o encontro de B-19 com
uma prostituta de 21 anos em seu
laboratório. Os dois foram deixados a sós em
uma sala e por mais de uma hora B-19 não fez
nada. Quando a garota de programa tomou a
iniciativa, no entanto, B-19 correspondeu e
os dois transaram.
Pouco se sabe sobre a
vida de B-19 depois disso. Heath declarou
que o homem voltou à antiga vida de
prostituição homossexual, mas que também
teve um caso com uma mulher casada.
Heath concluiu que o
“tratamento” foi parcialmente bem sucedido,
mas nunca mais tentou converter outros
homossexuais.
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5 - A cabeça de um
cachorro

O que pode ser mais
terrível que criar um cachorro de duas
cabeças? Que tal manter a cabeça de um
cachorro viva SEM o seu corpo?
Desde a Revolução
Francesa, quando a guilhotina enviou
milhares de cabeças rolando para cestas,
cientistas se perguntam se seria possível
manter uma cabeça viva sem o corpo, mas foi
só em 1920 que alguém conseguiu uma
resposta.
O médico soviético Sergei
Brukhonenko criou uma máquina primitiva que
exercia as funções do coração e do pulmão à
qual ele batizou de “autojetor”. Com o
auxílio do aparelho ele conseguiu manter
viva a cabeça de um cachorro.
Brukhonenko exibiu uma
cabeça viva de cachorro em 1928 diante de
uma audiência de cientistas internacionais
no Terceiro Congresso de Fisiologistas da
URSS.
Para provar que a cabeça
sobre a mesa realmente estava viva ele a fez
reagir a estímulos. Brukhonenko bateu com
uma marreta na mesa, e a cabeça hesitou.
Lançou luz em seus olhos, que piscaram. O
médico chegou ao ponto de alimentá-la com um
pedaço de queijo, que imediatamente caiu
pelo tubo esofagueal do outro lado.
A cabeça de cachorro foi
assunto de discussões em toda a Europa e
inspirou o dramaturgo George Bernard Shaw a
dizer “Estou tentado a ter minha própria
cabeça cortada de forma que eu possa
continuar a ditar peças e livros sem ser
importunado por doenças, sem ter que me
preocupar em me vestir e comer, tendo como
única ocupação a criação de obras primas das
artes dramáticas e da literatura”.
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6 – Homem Macaco
Por décadas circularam
rumores acerca de experiências soviéticas
com o intuito de criar um híbrido entre o
homem e o macaco através do cruzamento de
chimpanzés com humanos. Mas foi só após o
colapso da União Soviética e a abertura dos
arquivos russos que os rumores foram
confirmados.
O Doutor Ilya Ivanov era
um especialista em biologia reprodutiva
veterinária mundialmente reconhecido. Em
1927 ele viajou para a África a fim de
pesquisar meios de criar um híbrido.
Suas pesquisas não foram
bem sucedidas, em grande parte graças à
equipe do laboratório na Guiné Ocidental
onde ele trabalhou. Temendo as
conseqüências, Ivanov teve que esconder de
seus companheiros o real propósito de suas
pesquisas. A necessidade de conduzir o
experimento em segredo tornou impossível
obter resultados positivos, embora tenham
sido registradas duas tentativas bem
sucedidas de inseminar chimpanzés fêmeas com
esperma humano.
Frustrado, Ivanov
eventualmente voltou à União Soviética
trazendo consigo um orangotango, batizado de
Tarzan, com quem ele esperava dar
prosseguimento a suas pesquisas.
Anúncios foram feitos em
busca de voluntárias para carregar o filho
do macaco e, surpreendentemente, algumas
mulheres se interessaram. Mas o orangotango
morreu e Ivanov foi enviado para um campo de
prisioneiros, dando fim à sua pesquisa.
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7 – O Experimento da
Prisão de Stanford

Philip Zimbardo queria
descobrir porque as prisões são lugares tão
violentos. Seria pela natureza violenta dos
prisioneiros ou pelo efeito corrosivo da
estrutura de poder característica do lugar?
Para descobrir, Zimbardo
criou uma prisão falsa no porão do
departamento de psicologia da Universidade
de Stanford. Aos voluntários, todos com
ficha criminal limpa e resultados normais em
exames psicológicos, foram designados
aleatoriamente os papeis de prisioneiro ou
de guardas. Seu intuito era de não
interferir por duas semanas e observar como
eles interagiriam.
O que aconteceu em
seguida virou lenda.
As condições sociais na
prisão de mentira deterioraram-se com uma
velocidade incrível. Na primeira noite os
prisioneiros encenaram uma revolta e os
guardas, se sentimento ameaçados pela
insubordinação, reagiram com dureza.
Inventaram formas de impor a disciplina
usando métodos como revistas aleatórias
durante as quais os prisioneiros eram
deixados nus, minimizar os privilégios do
banheiro, abuso verbal, privação de sono e
de comida.
Sob essa pressão os
prisioneiros começaram a ruir. O primeiro
desistiu apenas trinta e seis horas depois,
gritando que se sentia “como se estivesse
queimando por dentro”. Dentro dos seis dias
que se seguiram outros quatro prisioneiros
desistiram, um dos quais sofria de erupções
na pele por todo o corpo causadas pelo
estresse. Ficou claro para todos eles que os
novos papeis estavam rapidamente se tornando
mais que apenas um jogo.
Até mesmo Zimbardo se
sentiu seduzido pela psicologia corrosiva da
situação. O médico começou a ter delírios
paranóicos de que os prisioneiros estariam
planejando uma fuga e chegou a contatar a
polícia real. Felizmente, a essa altura o
pesquisador percebeu que as coisas haviam
ido longe demais. Apenas seis dias haviam se
passado e os estudantes felizes e saudáveis
haviam se tornado prisioneiros deprimidos e
guardas sádicos.
Zimbardo convocou uma
reunião no dia seguinte e disse que todos
podiam ir pra casa. Os prisioneiros
restantes se sentiram aliviados, mas os
guardas ficaram nervosos, estavam se
acostumando e gostando do novo papel.
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8 – Expressões faciais
ao decapitar um rato

Em 1924 Carney Landis, um
estudante de psicologia na Universidade de
Minnesota, desenvolveu um experimento para
descobrir se as emoções evocavam expressões
faciais características. Por exemplo: há uma
expressão que todos usamos para demonstrar
choque? E uma expressão para demonstrar
nojo?
A maioria dos voluntários
do experimento de Landis eram colegas de
faculdade. Ele os levou até seu laboratório
e pintou linhas em seus rostos para poder
observar melhor os movimentos de seus
músculos faciais. Em seguida os voluntários
eram expostos a uma variedade de estímulos
projetados para provocar uma forte reação
psicológica.
Landis registrava cada
reação com fotografias. Os voluntários
tinham que cheirar amônia, olhar fotografias
pornográficas e enfiar a mão em um balde
cheio de sapos pegajosos. O clímax da
experiência era quando Landis entregava-lhes
uma bandeja com um rato vivo e pedia-lhes
que o decapitasse.
A maioria resistia ao
pedido, mas no fim, dois terços dos
voluntários fizeram o que lhes foi pedido.
Diante da resposta negativa do um terço que
se recusou a obedecer, Landis pegou a faca e
decapitou o rato ele mesmo.
O experimento demonstrou
o grande desejo e disposição das pessoas de
obedecerem aos pedidos dos pesquisadores, a
despeito do quão bizarro os pedidos possam
ser, antecipando os resultados da
experiência de Milgram em quase 40 anos.
Entretanto, Landis nunca percebeu que a
obediência dos voluntários era muito mais
interessante que suas expressões faciais. O
cientista se manteve fixo em seu objetivo,
mesmo não tendo obtido sucesso em encontrar
um padrão de expressões.
9 – O médico bebedor de
vômito
Até onde você iria para
comprovar uma teoria? No começo do século 19
Stubbins Ffirth, um estagiário de medicina
na Filadélfia, foi mais longe que a maioria
das pessoas. Bem mais longe.
Tendo observado que a
febre amarela se alastrava durante o verão,
mas desaparecia durante o inverno, Ffirth
conclui que não se tratava de uma doença
contagiosa. Segundo sua teoria a doença
seria causada por um excesso de estimulantes
como o calor, comida e barulho.
Para provar seu ponto de
vista Ffirth se prontificou a mostrar que
por mais que fosse exposto à febre amarela,
ele não a contrairia. Inicialmente o
estudante de medicina fazia pequenas
incisões em seu braço e derramava sobre elas
vômito colhido de pacientes com febre
amarela. Ele não ficou doente.
Então ele pingou um pouco
de vômito em seus olhos. Fritou um pouco da
substancia em uma frigideira e inalou o
vapor. Colocou um pouco em uma pílula e a
ingeriu. Finalmente começou a tomar copos
cheios de vômito puro. Mesmo assim não ficou
doente.
Ffirth finalizou seu
experimento untando-se com outros fluidos de
pacientes de febre amarela: sangue, saliva,
suor e urina.
Com a saúde intocada
Ffirth considerou sua teoria provada.
Infelizmente ele estava enganado. Hoje
sabemos que a Febre Amarela é muito
contagiosa, mas é preciso que a transmissão
seja feita diretamente através da corrente
sanguínea, geralmente pela picada de um
mosquito, para causar a infecção. Ainda
assim, considerando tudo que Ffirth fez pra
se infectar, é um milagre que tenha
permanecido vivo.
10 – Lavagem cerebral
benéfica

O Dr. Ewen Cameron
acreditava ter encontrado uma cura para a
esquizofrenia. Sua teoria era de que o
cérebro poderia ser reprogramado para ser
saudável através da imposição de novos
padrões de pensamento.
Seu método consistia em
fazer os pacientes usarem fones de ouvido e
ouvirem mensagens tocadas repetidas vezes
por dias ou até mesmo semanas. Ele chamava o
método de “condução psíquica”, mas a
imprensa o batizou de “lavagem cerebral
benéfica”.
Durante a década de 50 e o início da década
de 60 centenas dos pacientes do Dr. Cameron
na Allan Memorial Clinic em Montreal, se
tornaram suas cobaias inconscientes – tendo
ou não esquizofrenia. Alguns pacientes deram
entrada na clínica com problemas simples
como ansiedade causada pela menopausa para
se verem sedados com barbiturato, amarrados
a uma cama e forçados a ouvir por dias a
mensagens como “As pessoas gostam de você e
precisam de você. Você confia em si mesmo”.
Em uma ocasião, para
testar a técnica, Cameron fez os pacientes
dormirem com drogas enquanto ouviam à
mensagem “Quando você avistar um pedaço de
papel, você irá pegá-lo”. Posteriormente ele
os levou a um ginásio vazio, no meio do qual
havia um pedaço de papel. Cameron observou
com alegria que muitos dos pacientes foram
direto até o pedaço de papel para pegá-lo.
A CIA se interessou pelas
experiências de Cameron e passou a
financiá-lo, mas eventualmente a agência
concluiu que os experimentos eram um
fracasso e cortou a verba. O próprio médico
declarou que os experimentos haviam sido
“uma viagem de dez anos pela estrada
errada”.
No final da década de 70
um grupo de ex pacientes de Cameron
processou a CIA pelo apoio dado a seu
trabalho e conseguiram, em um acordo extra
judicial, um ressarcimento em dinheiro cujo
valor é desconhecido.
Leia mais
11 - Transplante de
cabeça de macaco

A revelação do cachorro
de duas cabeças de Vladimir Demikhov em 1954
desencadeou uma disputa bizarra entre os
dois super poderes da época: EUA e URSS.
Determinado a provar que
os seus cirurgiões eram os melhores do
mundo, o Governo Americano passou a
financiar o trabalho de Robert White, que
então trabalhava em uma série de cirurgias
experimentais em seu centro de pesquisas
cerebrais em Cleveland, resultando no
primeiro transplante de cabeça de macaco do
mundo.
O transplante ocorreu em
14 de março de 1970. White e seus
assistentes levaram horas para remover
cuidadosamente a cabeça de um macaco e
transplantá-la para um corpo novo. Ao
despertar e descobrir que seu corpo havia
sido trocado, o macaco fulminou White com os
olhos e brandiu-lhe os dentes.
O animal sobreviveu um
dia e meio antes de sucumbir a complicações
da cirurgia. As coisas poderiam ter sido
piores pra ele, no entanto. White observou
que, do ponto de vista cirúrgico, teria sido
mais fácil implantar a cabeça ao contrário.
O médico imaginou que se
tornaria um herói, mas o público ficou
extremamente chocado com a experiência. A
despeito da rejeição, White prosseguiu com
uma campanha em busca de fundos para
financiar a pesquisa para um transplante de
cabeça humana.
Ele viajou o país na
companhia de Craig Vetovitz, um quase
quadriplégico, voluntário para ser o
primeiro a ser submetido ao procedimento.
Embora ainda não tenha acontecido, Robert
White ainda espera realizar a cirurgia.
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12 – O touro de controle
remoto

Parado sob o sol quente
em uma arena em Cordova, Espanha, Jose
Delgado, um pesquisador de Yale, encarava um
touro imenso. O animal tomou distância, e
arremeteu contra o cientista, ganhando cada
vez mais velocidade. Delgado, embora
aparentemente indefeso, não expressava medo.
Quando o touro estava a poucos centímetros,
o cientista sacou um controle remoto e
apertou um botão. O aparelho enviou um sinal
para um chip implantado no cérebro do animal
que imediatamente parou, bufando algumas
vezes e, em seguida, se afastando
pacificamente.
O experimento de Delgado
na arena foi uma demonstração da habilidade
de seu “stimoceiver” de manipular o
comportamento. O stimoceiver era um chip de
computador, operado via controle remoto, que
poderia ser usado para estimular diferentes
regiões do cérebro do animal. Tais estímulos
produziam uma variedade de efeitos,
incluindo o movimento involuntário dos
membros, a indução de emoções como amor ou
ódio e inibição de apetite.
É de se surpreender que
um experimento que parece tanto ficção
cientifica tenha ocorrido em 1963. Durante
as décadas de 70 e 80 os pesquisadores da
área de estímulos elétricos do cérebro foram
desaparecendo, estigmatizados pela idéia de
que seus experimentos poderiam controlar a
vontade e os desejos das pessoas.
Recentemente a área tem
entrado e evidência novamente com relatos de
ratos, pombos e até mesmo tubarões
controlados por controle remoto.
Leia mais
13 – O macaco e a
criança

A história está repleta
de relatos sobre bebês criados por animais.
Na maioria destes casos as crianças
continuam a agir como animais mesmo quando
reintegrados à sociedade. O psicólogo
Winthrop Kellogg se perguntou o que
aconteceria em uma situação contrária. E se
um animal fosse criado por humanos como
igual? Ele agiria como um deles?
A fim de responder a essa
questão em 1931 Kellogg levou uma chimpanzé
de sete meses para sua casa. A macaca,
chamada Gua, foi criada por ele e por sua
esposa como se fosse humana e tratada
exatamente da mesma forma que tratavam
Donald, o filho de 10 meses do casal.
Donald e Gua brincavam
juntos, comiam juntos e eram ambos
submetidos a testes regulares para registrar
seu desenvolvimento. Em um desses testes
Kellogg suspendeu um biscoito no teto da
sala e cronometrou quanto tempo seus
“filhos” levavam para pegá-lo.
Gua geralmente se saía
melhor nesse tipo de testes, mas em termos
de aquisição de linguagem seu desempenho foi
frustrante. A chimpanzé parecia não
conseguir assimilar a capacidade de fala.
Surpreendentemente o mesmo parecia acontecer
com Donald. Nove meses após o início do
experimento suas habilidades de comunicação
não eram muito melhores que a de Gua.
Quando um dia o garoto
demonstrou fome emitindo um “latido”
semelhante ao que Gua usava para pedir
comida, o casal decidiu que o experimento
havia ido longe demais. Donald evidentemente
precisava de amigos de sua própria espécie e
em 28 de março de 1932 Gua foi enviada de
volta para o centro de primatas. Nunca mais
se ouviu falar dela.
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14 - “Minhas unhas são
terrivelmente amargas”
Numa noite de verão de
1942 o Professor Lawrence Leshan se
encontrava parado na escuridão de uma cabana
em um acampamento no norte do estado de Nova
Iorque. À sua frente um grupo de garotos
dormia. Leshan começou então a repetir em
voz alta “Minhas unhas são terrivelmente
amargas. Minhas unhas são terrivelmente
amargas”.
Hoje esse tipo de
comportamento poderia colocar alguém em um
hospício ou na prisão, mas Leshan não era
louco nem criminoso. Ele estava conduzindo
um experimento de aprendizado durante o
sono. Todos os garotos haviam sido
diagnosticados como roedores de unha
crônicos, e Leshan queria descobrir se a
exposição noturna à sugestão negativa sobre
roer unhas poderia livrá-los do hábito.
Inicialmente o
pesquisador usou um fonógrafo para
transmitir a mensagem. O aparelho repetia a
mensagem 300 vezes por noite enquanto os
garotos dormiam. Mas cinco semanas após o
início do experimento o fonógrafo quebrou.
Leshan improvisou ficando parado no escuro e
recitando a mensagem ele mesmo.
Ao fim do verão Leshan
examinou as unhas dos garotos e concluiu que
40% deles haviam parado com o hábito. O
efeito de sugestão durante o sono parecia
ser real.
A conclusão foi
posteriormente contestada, entretanto. Em
1956, em um experimento na Faculdade de
Santa Monica, William Emmons e Charles Simon
utilizaram um eletro encefalograma para se
certificarem que os voluntários estavam
realmente dormindo antes de enviar a
mensagem. Os efeitos da sugestão
desapareceram.
15 – A eletrificação de
cadáveres humanos

Em 1780 o professor de
anatomia italiano Luigi Galvani descobriu
que uma fagulha de eletricidade poderia
fazer os membros de um sapo morto se
moverem. Logo cientistas de toda a Europa
estavam repetindo seu experimento. Mas não
demorou muito até que se cansassem de sapos
e decidissem tentar um animal maior. O que
aconteceria se um cadáver humano fosse
eletrificado?
O sobrinho de Galvani,
Giovanni Aldini, viajou pela Europa
oferecendo espetáculos de revirar o
estômago. Sua mais celebrada demonstração
ocorreu em 17 de janeiro de 1803 quando ele
aplicou os pólos de uma bateria de 120 volts
ao corpo do assassino executado, George
Forster.
Quando Aldini introduziu
fios na boca e nas orelhas do morto, os
músculos de sua mandíbula se agitaram e seu
rosto se contorceu em uma expressão de dor.
Seu olho esquerdo abriu como se para
observar seu carrasco. Para o grand finale
Aldini prendeu um fio em sua orelha e outro
em seu reto. O cadáver de Forster iniciou
uma dança repugnante. O London Times
escreveu “Pareceu aos desinformados da
platéia que o cadáver estava sendo
ressuscitado”.
Outros pesquisadores
conduziram experiências semelhantes na
esperança de reviver os mortos sem sucesso.
Leia mais
16 – Vendo através dos
olhos de um gato

Em 1999 um grupo de
pesquisadores liderados pelo Dr. Yang Dan,
um professor de neurobiologia na
Universidade da Califórnia, anestesiou um
gato com pentotal de sódio e o prendeu
firmemente a uma armação cirúrgica. Em
seguida colaram receptores feitos de metal
em seus globos oculares e o forçaram a olhar
para uma tela que mostrava repetidamente
cenas de árvores balançando ao vento e um
homens usando uma camisa de gola rulê.A
experiência que lembra a lavagem cerebral
mostrada em Laranja Mecânica era na verdade
uma tentativa de entrar no cérebro de outra
criatura e ver diretamente através de seus
olhos.
Os pesquisadores
inseriram eletrodos no centro responsável
pelo processamento da visão do gato. Os
eletrodos mediam a atividade elétrica das
células cerebrais e transmitiam essa
informação para um computador que a
decodificava e transformava em imagem. As
mesmas imagens que o gato observava na tela
eram transferidas, através de seus olhos,
para o computador no outro lado da sala.
O potencial comercial da
tecnologia é ilimitado. Câmeras que gravam
através dos olhos, fotografias tiradas com
um piscar de olhos, espionagem. Use a
imaginação.
Leia mais
17 – Desestimulando
sexualmente perus

Perus machos não são
muito exigentes. Dê a um peru qualquer coisa
parecida com uma fêmea que ele vai tentar
acasalar com ela satisfeito.
Esse comportamento
intrigou Martin Schein e Edgar Hale da
Universidade da Pensilvânia, e os fizeram
questionar qual seria o estímulo mínimo
necessário para excitar um peru. A fim de
descobrir, os dois pesquisadores embarcaram
em uma série de experimentos que envolveram
remover, pedaço por pedaço, partes de um
modelo criado para parecer com uma fêmea até
que o macho perdesse o interesse.
Cauda, patas e asas foram
todas removidas, mas ainda assim a ave
amorosa caminhou em direção ao modelo e
tentou copular. Os pesquisadores continuaram
a remover partes do modelo até que restou
apenas sua cabeça presa a uma estaca.
Surpreendentemente o macho continuou a
mostra grande interesse. Na verdade, ele
preferia a cabeça presa na estaca que o
corpo sem a cabeça.
Cabeças de animais reais
funcionavam melhor, mas na ausência de uma o
macho não hesitava em cortejar a cabeça
feita de madeira que os pesquisadores
providenciaram.
Procurando saber se o
comportamento se repetia em outras aves
domésticas os pesquisadores experimentaram a
mesma idéia com galos. Suas observações
podem ser encontradas no artigo “Efeitos de
variações morfológicas de modelos de
galinhas na resposta sexual de galos”.
18 – “Você iria para a
cama comigo hoje à noite?”
Alguns dos homens que
caminhavam tranquilamente pelo campus da
Universidade da Flórida em 1978 foram
abordados por uma bela mulher que dizia: “Eu
tenho observado você. Te acho muito
atraente. Você iria para a cama comigo hoje
à noite?”.
Os rapazes provavelmente
pensaram que se tratava de seu dia de sorte,
mas na verdade eles estavam tomando parte
involuntariamente num experimento criado
pelo psicólogo Russell Clark.
Clarck convenceu os
estudantes de seu curso de psicologia social
a ajudarem-no a descobrir qual sexo seria
mais receptivo a uma oferta sexual de um
estranho. A única maneira de descobrir,
segundo ele, seria ir para a rua e observar
o que aconteceria em uma situação real.
Instruídos por ele alunos e alunas saíram
pelo campus fazem a proposta a estranhos.
Os resultados não
surpreenderam. Setenta e cinco por cento dos
homens aceitaram a proposta (e aqueles que
recusaram, em sua maioria, alegaram que eram
casados ou tinham namorada).
Das mulheres abordadas,
no entanto, nenhuma aceitou. Na verdade,
grande maioria se sentiu ofendida e exigiu
que o rapaz se afastasse.
Inicialmente o
experimento de Clark foi rejeitado pela
comunidade psicológica como sensacionalista,
mas eventualmente ganhou aceitação e
admiração por mostrar o quão discrepantes
são as atitudes sexuais de homens e
mulheres. Hoje é considerado um clássico.
19 – Eletrocutando o
filhotinho
Quando Stanley Milgram
publicou os resultados de seu experimento da
obediência em 1963, a comunidade científica
ficou abalada. Alguns pesquisadores acharam
difícil acreditar que as pessoas pudessem
ser tão facilmente manipuladas e iniciaram
uma busca por algum erro de julgamento que
Milgram possa ter cometido.
Charles Sheridan e
Richard King teorizaram que talvez os
voluntários estivessem colaborando por terem
percebido que tratava-se de uma encenação.
Para testar essa possibilidade os dois
pesquisadores resolveram refazer o
experimento original adicionando um novo
elemento. Ao invés de usar um ator eles
usariam uma vítima real que seria
eletrocutada de verdade. Obviamente a
experiência não poderia ser feita com uma
pessoa, então eles decidiram utilizar um
filhotinho.
Sheridan e King disseram
aos voluntários – estudantes de um curso de
psicologia – que o cachorro estava sendo
treinado para distinguir entre uma luz forte
e uma fraca. Ele teria que se posicionar à
esquerda ou à direita dependendo do tipo de
luz. Se ele se posicionasse de maneira
errada o voluntário teria que pressionar o
botão para dar o choque. Assim como no
experimento de Milgram o choque aumentava em
15 volts a cada resposta incorreta, mas
dessa vez o filhote realmente recebia o
choque.
À medida que a voltagem
aumentava o filhote começava a latir, depois
a pular inquieto e, finalmente, a uivar em
dor. Os voluntários ficaram aterrorizados.
Andavam pra frente e para trás, ofegando e
gesticulando com as mãos para tentar mostrar
ao cachorro onde ele deveria se posicionar.
Muitos choraram. Ainda assim a grande
maioria, 20 dos 26 voluntários, continuaram
a pressionar o botão até a voltagem máxima.
Curiosamente todos os
seis estudantes que se recusaram a
pressionar o botão eram homens. Todas as
treze mulheres a participar do experimento
obedeceram prontamente até o fim.
20 – A batida do coração
durante a morte
Em 31 de outubro de 1938,
John Deering deu a última tragada em seu
cigarro, sentou-se em uma cadeira e deixou
que um guarda colocasse um capuz negro sobre
sua cabeça e pregasse um alvo em seu peito.
Em seguida o guarda prendeu eletrodos em
seus pulsos.
Deering era voluntário em
um experimento, o primeiro do gênero, no
qual teria seus batimentos cardíacos
gravados enquanto era fuzilado por um
pelotão de execução. A idéia foi do médico
da prisão, Dr. Stephen Besley, que achou que
o condenado à morte poderia prestar um
serviço à ciência em seus últimos segundos
de vida.
O eletrocardiograma
mostrou que, apesar da aparente calma, o
coração de Deering batia muito acelerado com
120 batidas por minuto. Quando o xerife deu
a ordem para que atirassem o coração de
Deering subiu para 180 batidas por minuto.
Quatro balas atravessaram seu peito,
arremessando-o contra a cadeira. Uma dos
projeteis perfurou o lado direito de seu
coração. Por quatro segundos o órgão teve
espasmos. Logo depois teve mais espasmos.
Então o ritmo caiu gradualmente até que,
15.4 segundos após o primeiro tiro, parou.
No dia seguinte o Dr.
Besley descreveu a experiência à imprensa:
“Ele parecia calmo. Mas o eletrocardiograma
mostrou que sua aparente placidez escondia
as verdadeiras emoções dentro dele. Ele
estava morto de medo”.
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De
Elephants on Acid, Alex Boese.