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| Motos perpétuos hoje |
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"Se você vai construir uma máquina do tempo em um carro, por que não fazer com estilo?”, perguntava o doutor Emmett Brown no filme ‘De Volta para o Futuro’, explicando porque havia usado um carro esportivo DeLorean, com suas portas em asa e carroceria de aço escovado. Carl Tilley, um inventor de fundo de quintal do Tennesee, EUA, pensou o mesmo a respeito de seu moto perpétuo.

Já em junho de 2001, Tilley em companhia do sócio Robert Kibbey dizia a um canal de TV que eles “estavam gerando mais energia do que usavam” – um moto perpétuo. O sistema precisava de baterias, mas a partir delas acabava gerando força suficiente para ligar TVs e recarregar plenamente as mesmas baterias. Depois de demonstrar o dispositivo em diversas aplicações domésticas, a idéia de criar um carro elétrico capaz de andar sem nunca precisar recarregar suas baterias surgiu. E o carro escolhido foi nada menos que um DeLorean 1981.
Tilley retirou o motor e converteu o automóvel, equipando-o com doze baterias e dois de seus dispositivos – precavido, um deles era de salvaguarda. E no meio do ano passado, o revolucionário ‘Veículo Elétrico Tilley’ (VET) estava pronto. Com todo este estilo, a demonstração do VET não poderia ficar para trás: a recém criada ‘Fundação Tilley’ alugou o circuito de corridas de Nashville, palco da fórmula Indy e da Nascar, apenas para uma demonstração do conceito. Sete de setembro foi o dia, e o carro realmente andou algumas milhas, dirigido por um piloto profissional. Porém, o próprio Tilley precisou dirigir seu VET, e então convenientemente um rolamento apresentou problemas, e a demonstração foi interrompida, para desapontamento de todos que estavam assistindo. Prometeu-se um outro teste no futuro, mas sem data marcada. O revolucionário VET não andou mais do que suas próprias baterias o teriam levado sem quaisquer motos perpétuos.
A história não acaba aqui. A já citada ‘Fundação Tilley’ atraiu muita atenção, e alguns investidores. Também ocorreram desentendimentos entre Carl Tilley e seu sócio, Robert Kibbey. A ficha criminal de Tilley, incluindo fraude e roubo, foi revelada. Finalmente, em 29 de maio de 2003, o departamento de comércio e seguros do Tennesse invadiu a Fundação Tilley e levou “tudo que não estava pregado no chão”, segundo o canal de TV local. Segundo relatos, isso foi feito porque Carl Tilley estaria guardando dinheiro em potes de café e outros lugares.
Os mais crédulos já levantam a suspeita de que o governo acaba de roubar e destruir mais um inventor de moto perpétuo. O mesmo teria ocorrido com Stanley Meyer. No começo dos anos 90, este outro inventor de garagem entrou com sete patentes nos EUA relacionadas a um inovador meio de eletrólise, isto é, uma forma de transformar a água nos gases hidrogênio e oxigênio. Isso não é incomum, mas seu método era tão eficiente que ele alegava estar desenvolvendo um carro movido a água da torneira, e também um dispositivo que poderia fazer o mesmo por qualquer carro. Seu erro foi vender participações e licenciamentos desta suposta tecnologia. Cansados de nunca ver resultados concretos, os investidores o processaram. Em 1996, ainda incapaz de demonstrar qualquer avanço concreto – sua eletrólise seria convencional – ele foi condenado por fraude. Mas veio a falecer três anos depois, alimentando rumores de conspiração.
Estas tentativas modernas de alcançar o moto perpétuo, ou talvez simplesmente de enganar as pessoas, procuram evitar o rótulo de moto contínuo e recorrem a fictícios princípios intrincados e secretos, sempre em processo de desenvolvimento. Mas ainda há as tentativas mais convencionais, como a da Ilha das Canárias no Maranhão, ou a de Aldo Costa, na França. Apesar de falar de “tensores espaço-temporais”, seu moto perpétuo ainda é uma tentativa de criar uma roda desequilibrada.

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