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O Paradoxo de Fermi: Uma Grande Gafe
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Você
já viu um lemingue? Eu devo admitir que não,
pelo menos não ao vivo. Ouvi dizer que vivem nas
highlands escandinavas e na tundra
norte-americana.
O único problema é que -
Acabei de descobrir que eles não podem existir!
Como?
Pense: Os lemingues se
multiplicam rapidamente, aproximadamente três
ninhadas ao ano, com até oito filhotes por
ninhada. Enquanto não tão espetacular quanto um
Tribble, em apenas três anos um único casal
poderia produzir 134 milhões de novas bocas para
alimentar. Em apenas 6,3 anos (18 gerações), o
mesmo casal poderia dar origem a
100.000.000.000.000.000 de descendentes --
ocupando completamente a superfície do planeta
Terra. A essas alturas a massa total lemingue
seria de 20 trilhões de toneladas - a mesma que
toda biosfera terrestre. Obviamente, algo tem
que ceder, muito antes.
Algo acaba cedendo.
A cada três ou quatro anos,
quase toda a população lemingue comete suicídio
dirigindo-se para o mar mais próximo e
afogando-se, em um terrível Jonestown roedor. Eu
sei, parece louco. Por que qualquer criatura sã
faria isso? Não consigo entender. Mas diz assim,
bem aqui...
Os lemingues também são
animais incrivelmente corajosos -- agitados,
ativos, inquietos, tudo que um desbravador
vigoroso poderia admirar. Por exemplo, quando um
lemingue descansando é subitamente perturbado,
em vez de fugir ele se senta, recua de encontro
a uma rocha, silvando e mostrando luta de
maneira determinada. Os pequenos garotos não
aceitam um não como resposta, e eles são ótimos
viajantes - durante cada êxodo eles vagam por
muitas centenas de quilômetros, e foram
avistados em bancos árticos de gelo a mais de 30
milhas do continente.
Uma pena que não possam
existir! Aqui está meu raciocínio:
-
Se os lemingues
existirem, então deveriam estar ao redor de
todos nós. Apenas veja o quão rapidamente
eles se produzem, quão frequentemente e
distante eles viajam, seu acesso a todos os
grandes continentes, como seu espírito é
indomável.
-
Se eles estão ao redor de
todos nós, então deveríamos poder
observá-los. Você se lembra, ocupação
completa da superfície do planeta em 6,3
anos?
-
Fato: Eu nunca vi nenhum
lemingue. Provavelmente você também não.
(Por que meu jardim não está repleto de
sujeira de lemingues?)
-
Já que não os observamos,
eles não estão aqui.
-
Já que eles não estão
aqui, eles não existem. Mas nós lemos sobre
eles em livros de zoologia! Eu chamo isto o
Paradoxo Lemingue.
Qual
o problema… você não gosta da minha lógica?
Tudo bem, vamos tentar com
pombas migratórias. Pássaros podem se reproduzir
consideravelmente rápido, e podem voar pelo
mundo inteiro. Aqui está meu raciocínio outra
vez: (1) Se as pombas migratórias existem, elas
deveriam estar aqui. (2) Se estão aqui,
deveríamos vê-las. (3) Não as vemos. (4) Logo
elas não estão aqui. (5) Logo elas não existem.
Bem, nós podemos acreditar nisso - a última
pomba migratória conhecida morreu em 1914 no
jardim zoológico de Cincinnati, e acredita-se
hoje que estejam extintas. Mas esta conclusão deveria
incomodá-lo apenas um pouco, já que pombas
migratórias estavam por aí por anos e
anos até que a humanidade acabou com todas.
Agora vamos tentar com
colonos extraterrestres interestelares: (1) Se
os aliens existirem, Eles deveriam estar por
aqui. (2) Se Eles estiverem aqui, então nós
deveríamos poder observá-los. (3) Nós não os
observamos. (4) Portanto eles não estão aqui.
(5) Portanto eles não existem. Já não ouvimos
tudo isto em algum lugar antes?
Pensando nisso, talvez eu
tenha visto um ou dois lemingues. São os
camaradas que gostam de expor a linha de
raciocínio acima, conhecida como o “Paradoxo
de Fermi.” Ultimamente está ficando na moda
aderir à idéia. Mas, como a marcha incansável
dos lemingues para morrer ao mar, pode ser
também o equivalente a um suicídio intelectual,
porque os Paradoxais cometerem um erro muito
fundamental.
O erro é que o “deveria” nos
passos (1) e (2) não é de forma alguma um
operador lógico. “Deveria” é somente um
julgamento subjetivo, afetado por suposições,
preconceitos, ignorância, agendas ocultas e
chauvinismos. “Deveria” não é “deve.” “Deveria”
é apenas talvez. Conseqüentemente, a seta de
implicação lógica não pode ser invertida de
forma válida, dado o fato da evidência nula.
Assim podemos realmente
concluir, após ter ouvido os promotores do
Paradoxo de Fermi, que os extraterrestres, assim
como os lemingues, não podem existir? Ou que
extraterrestres, como pombos migratórios, nunca
podem ter existido? Obviamente não.
Cientistas podem prontamente
explicar porque meu jardim não está infestado de
lemingues, ainda que estes roedores existam
neste continente e poderiam teoricamente chegar
aqui em grande quantidade rapidamente. E se
alguns estivessem por perto, mas eu não tenha
procurado com afinco por eles, ou não soubesse
exatamente como se parecem, eu poderia acabar
sem nunca encontrá-los. Noções similares podem
explicar porque os extraterrestres podem não
estar aqui, ou possam não ser observados, ainda
que estejam por perto.
Vamos pensar nisto um pouco
mais. Por que os extraterrestres podem não estar
aqui, ainda que existam em algum outro lugar da
Galáxia? Talvez haja bilhões de bilhões de
planetas repletos de vida zoológica fascinante,
mas não-tecnológica. Nós nunca saberíamos a
menos que fôssemos lá em pessoa para conferir.
Por que nós migramos,
colonizamos e nos estabelecemos? Principalmente,
para procurar novas oportunidades de enriquecer,
de escapar de governos ou perseguições
tirânicas, para escapar de pressões
populacionais, e assim por diante.
Bem, para enriquecer você
precisa de materiais, energia e fábricas.
Avanços em robótica logo tornarão possível
fábricas totalmente automatizadas, sem
intervenção humana -- que sejam capazes de
replicar mais fábricas ad infinitum -- até mesmo
aqui na Terra. Se mais materiais e energia forem
necessários, há uma abundância de sistemas
estelares inabitáveis que podem ser pilhados.
Por que explorar sistemas solares com vida, como
o nosso, que são inerentemente mais perigosos,
levantam questões éticas delicadas, e não podem
ajudar nos lucros? É mais provável que mantenham
distância de nós.

(Fonte:
Space Colony Art from the 1970s)
Um dos pontos de venda mais
fortes de Gerry O'Neill para colônias espaciais
é a tremenda diversidade política e social que
podem promover. Uma proliferação infinita de
colônias ou arcas espaciais com interesses
especiais é possível. Fugir de um tirano está
tão perto quanto a porta de saída. Os moradores
de arcas interestelares do estilo de O'Neill
provavelmente também evitarão sistemas habitados
como o nosso pelas mesmas razões que aqueles
buscando riqueza, e também porque estarão bem
adaptados física e psicologicamente à vida no
espaço profundo. Podem sentir pontadas de
astro-claustrofobia ao avançar muito em um
sistema solar, e podem ficar apreensivos ao
lidar com “apegados ao chão” com horizontes
limitados presos em planetas.
Quanto à superpopulação, há
muitas maneiras de lidar com ela que são muito
mais baratas e fáceis do que mandar pessoas para
as estrelas. Como pílulas anticoncepcionais, por
exemplo. Ou execução. Ou colônias espaciais,
também - se a massa de Júpiter for remontada em
esferas de 10 quilômetros de tamanho com 10
metros de espessura, a área de superfície
interior total é de aproximadamente um bilhão de
Terras. A Diaspar de Arthur Clarke em The
City and the Stars apresenta a idéia de
acordo com o impulso moderno de reciclar tudo, e
há incontáveis outras soluções.
Além disso, genes são
instruções de sobrevivência específicas a um
ambiente, de forma que a transmissão de
informação genética pura parece não ter sentido
a menos que o planeta alvo seja terraformado
como um prelúdio à colonização. É improvável que
isso seja feito em nosso sistema, que já é
habitado, pelas razões notadas anteriormente.
Arcas estelares, naves de várias gerações, e
bio-regeneração automatizada apenas criam novos
concorrentes independentes para exatamente os
mesmos recursos galácticos limitados. Onde está
o lucro para os criadores?
Como os bebês de proveta do Admirável
Mundo Novo de Huxley, haverá pouca
ligação com os pais, ou sentido de comunidade em
sociedades clonadas cuja interação cultural
tenha círculos fechados de informação
estendendo-se por 100.000 anos. Isto é
comparável à escala de tempo da especiação.
Quando o germe humano tiver finalmente inundado
a galáxia, nossos descendentes distantes poderão
ter evoluído para guaxinins inteligentes. Ou a
engenharia biológica pode permitir que viajantes
mudem de genes como calças jeans para servir ao
ambiente local em cada um de muitos planetas.
Eventualmente a “forma raiz”-- homem -- pode ser
esquecida.
Mas seguramente de todas as
milhões de raças alienígenas evoluindo na
Galáxia, pelo menos uma se tornará, como o
físico Freeman Dyson chamou, “um câncer de
exploração tecnológica sem sentido.” Tudo que é
necessário é uma única civilização ávida em
algum lugar, qualquer lugar, em qualquer hora e
ops! -- a galáxia inteira (incluindo nós)
é colonizada em um piscar de olhos cósmico. Nós
não vemos isto, portanto não há nenhum
extraterrestre. Este ponto é frequentemente
levantado como o coup-de-grace pelos
defensores do Paradoxo de Fermi. Assim fique
comigo enquanto exponho com cuidado o
não-problema que este argumento realmente é.
Antes de mais nada, eu
poderia simplesmente tomar o caminho mais fácil
e afirmar que nós não sabemos se fomos
colonizados ou não. Os arqueólogos e
paleontologistas peneiraram somente uma fração
minúscula da crosta terrestre em busca de
indícios de nosso passado. Muito foi destruído
pelo tempo. Muito permanece não-descoberto.
Nossas possibilidades de ter detectado uma
intervenção extraterrestre há milhões de anos
(ou mais), mesmo agora, são nulas.
Mas em vez de pular fora,
vamos tomar os dados nulos de hoje literalmente.
Vamos apenas supor que não há realmente nenhuma
evidência de uma onda maciça de colonização
extraterrestre varrendo nosso sistema solar
agora ou a qualquer momento no passado. O que
isto nos diz?
Infelizmente, não muito. A
ciência, como Sherlock Holmes, trabalha
excluindo várias possibilidades, uma por uma,
até que o que sobre não possa ser descartado por
qualquer teste conhecido e assim se presume que
seja verdadeiro. E nossos dados nulos? Tudo que
podemos dizer ao certo é que civilizações
gananciosas em grande escala podem ser
excluídas. Nós não as vemos, e sua ganância
significa que devem ser visíveis, assim elas não
existem por ora. Mas isto deixa ainda (eu estou
supondo) 99% de todos os tipos possíveis de
civilização que não são gananciosas por natureza
e não podem ainda ser excluídas pela escassa
evidência observacional.
Aparentemente civilizações
galácticas que fazem uso extenso e abusivo de
tecnologia altamente avançada e visível são
raras ou inexistentes. Por que as coisas são
assim? A extinção como um fenômeno natural é
completamente comum na terra, onde a vida
biológica tem uma taxa de extinção de espécies
de 99,9 por cento. Talvez não possa existir
nenhuma “maçã podre interestelar,” porque elas
se auto-destróem antes de danificar qualquer
outra, ou porque nunca sobreviveram o suficiente
para terminar seu programa de galacticoformação
e deixar quaisquer grandes efeitos observáveis.
De fato, pessimistas sociais podem argumentar
que a voracidade quase instintiva dos seres
humanos pela violência, acoplada com nossa
capacidade tecnológica para a auto-destruição,
pode eventualmente conduzir à aniquilação de
nossa civilização planetária.
Assim eu não tenho nenhum
problema em aceitar um mecanismo seletivo ainda
não especificado que resulte na “censura
cósmica” daquelas poucas civilizações galácticas
que exploram ao máximo tecnologias gananciosas
gritantemente óbvias. E você?
A propósito, estou falando de
civilizações realmente enormes. De culturas
extraterrestres planetárias ou espalhadas por um
sistema solar. De civilizações galácticas
pequenas que estão apenas começando não podemos
saber quase nada. Podemos somente ver ao longo
do plano galáctico alguns kiloparsecs porque o
gás e poeira interestelar obstróem a vista.
Mesmo os radiotelescópios mais precisos (aqueles
que podem penetrar a neblina) não podem resolver
uma esfera de Dyson com o tamanho da órbita da
Terra além de uma escala de alguns kiloparsecs.
E nenhuma busca pelo céu foi feita a esta
definição extrema até agora, em todo o caso.
Atividades de alta tecnologia
por extraterrestres podem não ser imediatamente
óbvias a distâncias interestelares. Certamente
uma fração significativa da Galáxia poderia ser
colonizada por naves de várias gerações sem que
pudéssemos observá-las. Fábricas circumsolares
gigantes poderiam estar ocupadas funcionando
perto de qualquer estrela exceto as mais
próximas, e nós não veríamos nada daqui.
Dyson afirma que a galáxia é
ainda selvagem, em parte porque os movimentos
estelares são aleatórios. Mas que benefício
poderia ser obtido regularizando os movimentos
estelares? Além disso, o fato de que as estrelas
ainda estão queimando sugere natureza a Dyson -
qualquer civilização realmente avançada as
desligaria e queimaria o precioso combustível de
hidrogênio mais eficientemente, ele diz. E eu
concordo.
Bem, como sabemos que isto
não está acontecendo? Os astrônomos descobriram
que a menos que a galáxia seja aproximadamente
dez vezes mais pesada do que parece ser, não há
gravidade suficiente para mantê-la unida. Se ela
permanece unida, então onde a “massa faltando”
invisível está escondida, talvez 90% do total?
Poderia ser material estelar represado,
armazenado em depósitos gigantes perto de
esferas de Dyson cercando os restos da grande
maioria das estrelas na Via Láctea? No momento,
não temos nenhuma maneira de saber.
Naturalmente, há outras
razões pelas quais os extraterrestres, embora
próximos, poderiam não ser observáveis por nós
ou poderiam não ter nos contatado. Talvez não
queiram que os encontremos, ou estão esperando
que passemos em um teste cósmico de entrada, ou
estão nos mantendo isolados em quarentena ou em
uma reserva galáctica selvagem ou um jardim
zoológico interestelar. Já que a tecnologia
superior é deles, devemos supor que terão
sucesso em se esconder de nós se esse for seu
desejo.
Não há realmente nenhuma
razão porque Eles não deveriam se manter em
silêncio. É antropocêntrico supor, por exemplo,
que uma nave espacial alienígena entrando no
Sistema Solar em uma missão de reconhecimento ou
de auto-replicação sentirá a obrigação de
anunciar sua presença a nós ou solicitar nossa
permissão para prosseguir. Sondas provavelmente
irão simplesmente nos ignorar e continuar com
seus negócios. É inteiramente concebível que
alguns extraterrestres não se importem
particularmente se nós os encontramos ou não, ou
podem estar interessados em se comunicar
conosco, mas esperam que nós falemos primeiro.
Ou, se a vida não for
especialmente rara no universo, então ao invés
de nos tratar como uma espécie em perigo, os
extraterrestres podem adotar uma abordagem muito
mais casual. Podem ter uma confiança tremenda em
sua habilidade de controlar eventos de primeiro
contato, baseados em inúmeros contatos
anteriores bem-sucedidos. Neste caso, a
humanidade pode esperar nem uma gerência
ultraconservadora de animais em extinção nem o
abuso astrofágico. A resposta mais provável
seria a observação cuidadosa e discreta, sem
nenhum esforço especial de esconder a presença
extraterrestre. Locais base seriam escolhidos
por razões de eficiência, manutenção e risco
ambiental baixo. E se nós viermos bater em sua
porta, eles responderão.
Os promotores do Paradoxo
estão agora verdadeiramente contra a parede. Os
únicos extraterrestres que podem positivamente
excluir são civilizações galácticas gananciosas.
Mesmo aquelas sociedades vigorosas que acabam
colonizando ou explorando podem não vir aqui, e,
com o equipamento astronômico atual, nós não
poderíamos ver muita desta atividade de qualquer
maneira. Civilizações menos avançadas e mundos
não-tecnológicos são inteiramente invisíveis, a
menos que resultem ser nossos vizinhos próximos.
Bem, apenas para ser
bonzinho, e pela discussão, eu amarrarei meus
dois braços firmemente em minhas costas e irei
supor que “deveria” equivale a “deva” no
argumento do Paradoxo de Fermi - mesmo que
saibamos agora que isto não é verdadeiro. Assim,
se os extraterrestres existirem, eles devem
estar aqui e nós devemos poder
observá-los, desde que procuremos.
Bem, Freitas, agora você
deixou mesmo, agora…. Uuuuffff!
Esqueceu-se de que eu posso
chutar, não?
Não se esqueça do terceiro
passo do Paradoxo de Fermi (3): Fato - nós não
os observamos no Sistema Solar. Disto a lógica
do “deve” nos leva inexoravelmente de volta à
conclusão de que estamos sozinhos. Assim - há um
tal “fato”?
Virtualmente todas as
discussões sobre o Paradoxo de Fermi assumem
alegremente que a ausência de extraterrestres ou
de suas obras na Terra ou no Sistema Solar é um
dado inquestionado. Não é verdade! De fato, a
vastidão de nossa ignorância nesta área é
raramente apreciada. Para mim, é este
fato que em grande parte anula toda a força
persuasiva que o Paradoxo de Fermi possa uma vez
ter tido.
Não, eu não sou um ufólatra
enrustido. Eu não estou falando sobre OVNIs. Em
verdade, está perfeitamente bem para mim se nós
ignorarmos a superfície da Terra, a atmosfera da
Terra, e os OVNIs por completo no restante desta
discussão. Parece justo?
Estou falando sobre uma sonda
interestelar que os extraterrestres possam ter
enviado aqui para reconhecer nosso sistema
estelar e suas proximidades. Não é implausível.
A Pioneer 10 não acabou de deixar o Sistema
Solar? Meu dispositivo alienígena seria algo
como nossas próprias sondas interestelares, as
naves Pioneer e Voyager, mas um tanto mais
sofisticadas.
Uma sonda extraterrestre
típica pode ter de 1 a 10 metros de tamanho --
isto é grande o bastante para abrigar uma antena
de microondas para relatar de volta aos
criadores, onde quer que estejam, e para
sobreviver a impactos de micrometeoritos por
milhões de anos, mas ainda leve o bastante para
cruzar o abismo interestelar sem consumir
quantidades gigantescas de energia.
Tudo bem, então. Onde ela
poderia estar?
Bem, quase... em qualquer
lugar, do Sol até a órbita de Plutão. Esse é o
lugar onde os artefatos alienígenas podem estar
se escondendo. Aproximadamente 260.000 UA
cúbicas (unidades astronômicas, a distância
média da Sol-Terra) de espaço interplanetário em
sua maior parte vazio, mais 100 bilhão de
quilômetros quadrados de terrenos planetários e
asteroidais. Para poder dizer ao certo que não
há nenhuma presença extraterrestre no sistema
solar, você terá que varrer com cuidado a maior
parte deste espaço em busca de artefatos.
Alguém já fez isso?
Vamos revisar os fatos. A
habilidade de um telescópio de detectar objetos
é medida por seu limite de magnitude visual. A
olho nu, uma pessoa pode ver até a sexta
magnitude. O céu é examinado exaustiva e
repetidamente por amadores a, no melhor dos
casos, uma magnitude +14. A varredura celeste de
Palomar Schmidt se estende a +21, mas esses
quadros são apenas instantâneos de remendos do
céu e não contam como uma busca. O melhor
telescópio na Terra alcança somente a magnitude
de +24.
Os três últimos limites de
magnitude correspondem mais ou menos a observar
um objeto imóvel de 10 metros, brilhante como um
espelho, orientado da forma mais conveniente
orbitando a 0.01, 0.25, e 1 unidade astronômica,
respectivamente. Um objeto que seja menor, em
movimento, preto ou deslocado a um ângulo
diferente da reflexão seria muito mais difícil
de ver.
Assim nós só podemos varrer a
unidade astronômica cúbica mais próxima do
espaço em busca de sonda, mas nós temos 260.000
UA cúbicas para procurar. Mesmo se o monte
Palomar fosse empregado exclusivamente para
procurar por artefatos alienígenas (não prenda
sua respiração!) poderia somente buscar por um
milionésimo do volume necessário e levaria
milhares dos anos. O espaço orbital, em outras
palavras, está pelo menos 99.9999 por
cento inexplorado para objetos medindo de 1 a 10
metros.
E quanto a sondas
estacionadas sobre superfícies planetárias? Dos
0.1 trilhões de quilômetros quadrados do
território do Sistema Solar, excluindo a Terra,
menos de 50 milhões foram examinados à definição
de 1-10 metros. Assim 99.95 por cento é ainda
território virgem no que se refere a uma busca
séria por artefatos extraterrestres.
A superfície da maioria dos
corpos no sistema solar foi mapeada somente, se
o foi, a uma definição de 10 quilômetros ou
acima. Os astrônomos têm mesmo dificuldade em
ver asteróides de um quilômetro voando por aí a
menos que passem consideravelmente perto da
Terra. Assim, quem pode dizer se não há
artefatos extraterrestres de 1-100 metros
vagando em algum lugar próximo, discretamente
executando sua missão?
Você vê? Tudo que sabemos ao
certo é quão ignorantes nós somos.
Se objetos estiverem
enterrados ou flutuando na atmosfera joviana,
não há qualquer possibilidade de que já os
tivéssemos encontrado. Mesmo habitats
extraterrestres artificiais de 1-10 quilômetros
habitando o Cinturão de Asteróides não poderiam
ser distinguidos de asteróides por observadores
terrestres, e a própria população do Cinturão é
escassamente catalogada. Assim é extremamente
improvável que nós já tivéssemos notado um
artefato extraterrestre em qualquer lugar no
Sistema Solar, a menos que ele estivesse
tentando desesperadamente chamar nossa atenção.
E por que deveria se incomodar em fazer isto?
Detectar um sistema
automatizado auto-replicador é apenas
marginalmente mais fácil. Os locais prováveis
são o Cinturão de Asteróides e as luas
exteriores Jovianas e Saturnianas. Estudos
técnicos recentes sugerem que sistemas
replicadores individuais podem ter 100 metros de
diâmetro, ou menos, assim um sistema de fábrica
para produzir sondas não deve exceder 0,1-1
quilômetro em tamanho, outra vez bem além de
nossa habilidade de enxergá-lo exceto na Lua e
partes de Marte. A ignição dos foguetes de fusão
para propelir sondas filhas para além do sistema
solar poderia ser detectada usando equipamento
amador, mas a janela de observação é muito
pequena e a duração muito curta. Sondas
auto-replicadoras devem ser capazes de replicar
uma geração inteira em 1000 anos ou menos, e
seguir rapidamente em seu caminho, assim somente
poços de mineração e pequenos destroços podem
sobrar nesta data adiantada. Outra vez,
provavelmente não seriam observáveis.
A massa total das sondas
necessárias para explorar mesmo toda a galáxia é
incrivelmente pequena. Eu fiz um
estudo técnico há alguns anos que mostra que
uma sonda auto-reprodutora, modelada na
espaçonave Daedalus (projetada pela Sociedade
Interplanetária Britânica alguns anos antes),
mas capaz de entrar em órbita em seu destino,
poderia ter uma massa completamente abastecida
de aproximadamente 10 bilhões de quilogramas. Se
tal dispositivo fizer 10 réplicas e a reprodução
continuar por 11 gerações, isso seria bastante
para “grampear” cada estrela na Galáxia. Isto
consumiria a massa de Ceres, o maior asteróide.
Assim, mesmo que nosso
sistema solar fosse o berçário de todas as 100
bilhões de sondas, como nós saberíamos se um
asteróide do tamanho de Ceres tivesse sido
consumido algum dia, lá fora no Cinturão de
Asteróides?
E vamos levar este argumento
um passo adiante. Suponha que um milhão de
civilizações extraterrestre pilhem, cada uma, o
sistema solar em busca dos materiais para
construir e lançar seus próprios milhões de
sondas espaciais, cada rede de sondas cobrindo
cada estrela na Galáxia. A exigência de recursos
total é ainda somente a massa de Júpiter. Eu
duvido que poderíamos dizer ao certo se mesmo
este tanto de matéria tivesse sido roubada em
algum momento de nossa pré-história remota.
(Seria o Cinturão de Asteróides apenas os restos
de alguma operação industrial alienígena
gigantesca no passado?)
Mais provavelmente, os
exploradores de estrelas não serão tão
gananciosos e podem desejar que nós forneçamos
não mais que uma nova geração de replicadores.
Isto é somente 100 bilhões de quilogramas, o
bastante para encher uma cratera um quilômetro
de tamanho a 40 metros de profundidade, ou para
fazer um asteróide de 400 metros de tamanho.
Provavelmente nós nunca notaríamos nada
faltando.
Ainda mais provavelmente, os
aliens programariam seus autômatos para
construir fábricas de auto-replicação de sondas
somente em sistemas estelares inabitáveis, e
para enviar apenas sondas exploratórias
não-reprodutoras para dar uma olhada por aqui.
Por que preocupar os nativos? Nenhuma massa
local faltaria neste caso, e não haveria nenhum
resto indicador em superfície.
Então! O Paradoxo de Fermi é
apenas um tigre sem presas. É todo barulho e
nenhuma mordida. Os promotores do Paradoxo pode
seguir com seu universo estéril. Há
extraterrestres por aí fora, sim senhor, e eu
sou um dos que vai procurar por eles. Nem de
longe procuramos com o esforço ou tempo
suficiente para encontrar qualquer um deles. Mas
iremos.
E talvez mais cedo do que
você pensa.
- - -
* O autor realizou três
buscas SETI, duas delas as primeiras a procurar
por sondas interestelares na órbita da terra, e
a terceira uma busca padrão através do rádio,
mas em uma freqüência incomum:
Veja também, do mesmo autor: