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Todo Mundo em Pânico – Parte 2

Fotos fantasmas: tutorial

26 de dezembro de 2007 Comments (4) Views: 1725 Ceticismo, Fortianismo

Judas: traidor, herói, demônio


Revelado no ano passado, o Evangelho de Judas teve um timing perfeito com a moda recente de teorias alternativas para a história de Jesus. Segundo o texto gnóstico do século III, Judas seria o apóstolo mais próximo de Jesus, e o único que compreendeu sua verdadeira mensagem — cumprindo o sacrifício de desempenhar o papel de seu “traidor”. O que só prova que histórias alternativas como a do Sangue Real, plagiada por Dan Brown, ou sobre Jesus budista, são tão antigas quanto o próprio Jesus. Ou mesmo anteriores a ele, já que o próprio Cristo é apenas uma versão alternativa de outras revelações.

Mas enfim, como se o evangelho de Judas já não fosse suficientemente interessante, as inevitáveis contestações já surgiram. Em um editorial no NYTimes, e em um livro, a professora de estudos bíblicos April DeConick, da Rice University, fornece uma interpretação alternativa da interpretação alternativa do Evangelho de Judas. Isso mesmo.

Segundo a tradução de DeConick, diametralmente oposta à patrocinada pela National Geographic Society, ao invés de herói Judas seria literalmente um demônio. Todo o evangelho seria uma paródia. A estudiosa baseia sua interpretação simplesmente na interpretação diferente das mesmas palavras em copta. Na tradução original divulgada pela National Geographic, por exemplo, um trecho diria:

“E quando Jesus ouviu isto, ele riu e disse a ele, “Você décimo terceiro espírito, por que tenta tão obstinadamente?”

Já segundo DeConick, o trecho copta deve ser traduzido como:

“Quando Jesus ouviu (isto), ele riu. Ele disse [a Judas], “Por que competes (com eles), ó décimo terceiro demônio?”

A National Geographic, claro, logo divulgou uma resposta. Segundo Marvin Meyer, um dos tradutores originais do evangelho, embora a tradução de DeConick seja uma interpretação possível, simplesmente não faria sentido porque ignoraria todas as passagens em que Judas é enaltecido. Incluindo o próprio texto identificado como o Evangelho (termo que significa “Boa Nova”) de Judas. E se o texto era satírico, seria o único desta natureza existente naquela época.

Céticos e ateus podem bem dizer: “e daí?”. A existência de evangelhos apócrifos com versões completamente diferentes das histórias bíblicas deveria dizer algo sobre a origem e evolução dos evangelhos oficiais, OK.

Porém mesmo neles, que compõem o livro mais reproduzido da história, e talvez um dos mais lidos, já há contradições sem fim e interpretações das mais diversas. Incluindo o hilário caso recente do pastor evangélico que ignorava um acento para dormir com a mulher de um fiel.

Se Judas era herói ou demônio segundo um manuscrito copta de 1.700 anos é uma questão histórica relevante, mas as implicações que pode ter não são maiores do que uma simples leitura atenta à Bíblia já não deveria oferecer. E sem dúvida, é menos relevante do que um acento em “adúltera”. Esse seria um evangelho ainda mais polêmico.

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4 Responses to Judas: traidor, herói, demônio

  1. joao pedro disse:

    Muito absurdo o conteúdo desse texto . Mostra mais uma vez que em máteria de religião essa página , que como um todo é ótima , peca sempre por dar preferência a teorias e fatos sem comprovação e a ignorar tudo que vai contra a ideologia do seus autor(es)/colaboradores .

    Não são muito diferentes dos neo-pentecostais criacionistas e a cronologia de 6000 anos da origem da terra.

  2. Marcello disse:

    Exelente conteudo!!!
    Conciso, claro e com boas referencias.

    parabéns

  3. drika disse:

    obrigado ja tinha muitas duvidas agora tenho mais ainda

  4. Daniel Teixeira disse:

    Encaro este fragmento como um fragmento alternativo escrito uns 300 anos depois de Judas. Alguém que conhecia a história de Judas quis dar um novo conceito a ela ou até mesmo acredite que foi assim que tenha acontecido. O problema é que foi escrito muito tempo depois, baseado em suposições. Não muito diferente de alguém hoje que quer dar uma nova cara a algo acontecido a uns 200 ou 300 anos atrás, como a revolução francesa, processo de libertação de escravos ou até mesmo temas mais atuais, como Hitler.

    Como diria a banda Engenheiros do Hawai: “Qualquer nova, qualquer notícia, qualquer coisa que se mova é um alvo”

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