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15 de janeiro de 2009 Comments (4) Views: 1817 Ceticismo, Ciência, Destaques, Fortianismo

Círculos no Gelo Explicados (em parte)

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São círculos, símbolo de perfeição desde a Antiguidade. São feitos de gelo, por vezes em gelo fino que não poderia sustentar uma pessoa sem se romper. Eles são os círculos de gelo, um mistério intrigante. Ou nem tanto.

Tal fenômeno vem sendo registrado pelo menos desde 1930, em vários países dos dois lados do Atlântico, e todos eles têm algo em comum. Não são fraudes, mas tampouco são um fenômeno sobrenatural ou – como muitos supõem – extraterrestre.

Antes de explicá-los, contudo, vejamos algumas das mais curiosas idéias já sugeridas para sua formação. São ainda mais interessantes que espaçonaves cortando gelo.


METEOROS E BALEIAS

O Norwegian Crop Circle Group tem online o excelente artigo de Bob Rickard do Fortean Times que contém praticamente toda a informação relevante sobre o tema, incluindo a primeira foto do caso registrado em 1930. Não perca, em inglês: Rings of Ice (PDF, FT74, 1994).

whaleflat Nele ficamos sabendo das mais tresloucadas teorias aos círculos no gelo. Entre elas, a idéia do doutor Jerome Carr de que um círculo em particular teria sido “criado pela queda quase perpendicular de um meteorito e os padrões de ondas resultantes sobrepostos para produzir anéis de gelo quebrado”. O investigador da MUFON Paul Rosenfield de fato vasculhou o fundo do rio em busca do meteorito, sem sucesso.

Outra sugestão assegurava que o fenômeno seria “resultado de uma fonte de água diretamente abaixo do gelo ‘arrotando’ água aerada”. É uma idéia adorável, como bolhas de ar realmente formam anéis ao emergia, e talvez seja uma boa oportunidade de também publicar esta fotografia recente do fenômeno da flatulência de baleias, em verdade o primeiro registro de tal. Será que encontraremos círculos no gelo nas trilhas migratórias de baleias?

Explicações mais plausíveis relacionam os círculos quase perfeitos com as também curiosas “panquecas de gelo”, que são similares e razoavelmente bem entendidas, mas não são exatamente a mesma coisa.

A tais idéias se somam a sugestão óbvia, e a que eu mesmo considerava plausível, de que os círculos fossem fraudes criadas com ferramentas para cortar gelo. Estava errado. A verdadeira solução a este fenômeno é natural.

 

REDEMOINHOS

Muitos jornais britânicos (bem, pelo menos dois deles) mencionaram que:

“Os círculos ocorrem em curvas no rio onde a água em aceleração cria uma força chamada ‘torsão rotacional’, que quebra um pedaço do gelo e o gira. Enquanto o disco fica em rotação, ele mói o gelo circundante, até adquirir uma forma circular perfeita”.

Como nada menos que o Daily Mail noticiou, em uma nota acompanhada de muitas outras fotos de círculos no gelo.

E de fato, enquanto o mecanismo exato pelo qual se formam não seja conhecido, todos os círculos no gelo estão associados a redemoinhos na água. E graças à Internet você pode ver o efeito em ação:

Esse é o círculo de gelo em Sheridan Creek no Canadá, filmado pouco antes do Natal passado. Um especialista citado nele não parece saber explicá-lo.

A literatura sobre o tema indicada pela Fortean Times mostra que não só os círculos no gelo estão sempre associados a redemoinhos, como alguns dos círculos foram observados em lenta formação ao longo de semanas. Sem nenhum disco voador por perto. Alguns deles alcançaram tamanhos gigantescos de até 200 metros de  tamanho… e permaneciam em rotação!

É realmente lamentável que o tema, descrito há quase um século, jamais tenha sido explorado em detalhe por cientistas, resumido a ser meramente descrito como uma curiosidade inexplicada, e daí, a ser explorada por todo tipo de especulação.

Embora seja obviamente um mecanismo natural envolvendo a interação do congelamento da água e redemoinhos, os processos exatos ainda não foram definidos, e mesmo uma reprodução controlada jamais foi realizada.

A chave aos mistérios do Universo pode estar relacionada com descobrir como os círculos de gelo se formam. Ainda que seja uma chave bem pequena.

 

MAIS PERIPÉCIAS DO GELO

Já que falamos de curiosidades Fortianas do gelo, além do absurdo, inexplicado e ainda assim muito real efeito Mpemba, também vale apresentar as… lanças de gelo:

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E as “roscas de neve”:

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Ambos se formam sem intervenção humana, de forma natural, e são razoavelmente bem compreendidos. E fabulosos.

Olhando para a rosquinha de neve, não posso deixar de imaginar que talvez o homem não tenha inventado a roda no final das contas.

ATUALIZAÇÃO: O engenheiro Elias Di Domenico, membro do Centro de Ufologia Brasileiro no Orkut, envia este ótimo adendo. Domenico já havia sugerido uma explicação no Orkut para o fenômeno há um bom tempo.

Com o objetivo de deixar uma explicação mais clara do fenômeno natural dos círculos de gelo, resumimos abaixo a explicação postada em Dezembro de 2006 na comunidade no Orkut do CENTRO DE UFOLOGIA BRASILEIRO (CUB)

Círculos de Gelo

Este fenômeno natural que aparece em rios ou canais sob temperaturas congelantes é derivado de algo bem comum: os redemoinhos d’água.

Redemoinhos d’água se formam naqueles lugares em que o rio se alarga repentinamente e a água mais parada fica andando em círculos. No inverno, ou em locais mais frios, alguns rios ou canais sofrem um congelamento e os pedaços de gelo crescem primeiro nas partes onde a água está mais calma.

No redemoinho, a porção de água que fica em seu centro congela primeiro, formando um pedaço de gelo fino que vai aumentando com o tempo. "Embalado" pela correnteza do rio este pedaço de gelo fica girando e aumentando, até que sua borda comece a raspar em algum obstáculo: uma pedra ou a própria margem do rio. Este processo de raspagem é o responsável pela forma geométrica perfeita que o círculo de gelo apresenta. Mesmo que o congelamento continue e o gelo se torne mais grosso, o círculo não aumentará seu diâmetro. Mesmo raspando sua borda, o círculo se mantém em movimento até que, com uma espessura de gelo maior, o atrito da raspagem supere a força exercida pela correnteza do rio.

Vejamos o caso do rio Hemlock em Michigan, EUA:

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O relato diz que o movimento deste círculo de gelo era no sentido horário.

Na foto vemos uma "espuma" (ou resíduos) represada na parte esquerda do círculo, ou seja, a corrente é mais forte no lado esquerdo. Isto faz o círculo de gelo girar no sentido horário. Isto vai de acordo também com a geometria do rio: é uma curva leve à direita, a correnteza tende a ficar no lado esquerdo.

Vemos que o lado direito do círculo de gelo está raspando na margem, ou em uma pedra da margem, e foi o obstáculo que limitou o tamanho do círculo.

Analisemos outra foto, em um canal em Norwalk, Connecticut, EUA:

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Neste caso acima vemos uma queda d’água, cuja "espuma" escoa junto à margem do canal, à esquerda do foto. Este círculo deve girar no sentido anti-horário. A borda do círculo, à direita da foto, está raspando no muro lateral, impedindo o aumento do círculo.

Na imagem que ilustra o topo desta nota não conseguimos identificar facilmente as pedras que limitam/esmerilham a borda do círculo. Tudo indica que elas estão abaixo da linha d’água.

Já no vídeo do círculo de gelo em Sheridan Creek no Canadá, além de não vermos o que limita o diâmetro do círculo, não vemos o fluxo d’água responsável pelo movimento, que corre por baixo do gelo.

Por outro lado, no início do debate na comunidade do CUB, havia sido levantada a possibilidade de serem bolhas de gás, que se desprenderiam a partir do fundo de um rio ou lago.

Mas, neste outro caso, teríamos algo bem diferente do que círculos de gelo, teríamos "poças" no gelo:

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Elias Di Domenico (Engenheiro Eletricista)

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4 Responses to Círculos no Gelo Explicados (em parte)

  1. […] Resta então revisar apenas estas primeiras semanas de 2009, onde explicamos os círculos no gelo: […]

  2. Paulo disse:

    Muito interessante. E o efeito visual é lindo!!

  3. Claudio disse:

    Interessante fenômeno de origem plenamente natural. Mais uma vez é importante frisar a beleza e encanto que a própria natureza pode nos proporcionar com fenômenos ainda pouco conhecidos e muitas vezes pouco estudados para uma explicação mais específica. Aqueles que buscam sinais extraterrestres em tudo não precisam se decepcionar: a nossa natureza é tão intrigante quanto poderia ser uma visita alienígena!

  4. […] abordamos e explicamos os círculos no gelo, e embora a explicação para os círculos menores certamente não se relacione com a solução […]

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