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31 de janeiro de 2002 Comments (3) Views: 1448 Fortianismo, Paranormal

Irmãs Fox: História do Espiritismo

Fox Sisters

[Retirado de “História do Espiritismo”, de Arthur Conan Doyle]

Algumas páginas devem ser dedicadas a um resumo da prova objetiva e muito convincente das moldagens tomadas de corpos de ectoplasma – por outras palavras, de formas materializadas. Quem primeiro explorou essa linha de pesquisa parece ter sido William Denton, autor de “Nature´s Secrets”, um livro de psicometria , publicado em 1863. Em 1875, trabalhando em Boston, U.S.A., com a médium Mary M. Hardy, empregou ele métodos que se assemelham aos usados por Charles Richet e Gustave Geley em suas mais recentes experiências em Paris. Então Denton fez uma demonstração pública no Paine Hall, quando a moldagem do rosto de um Espírito, ao que se diz, foi fundida em parafina.Outros médiuns com os quais estes moldes foram obtidos foram Mrs. Firman, Dr. Monck, Miss Fairlamb (posteriormente Mrs. Mellon) e William Eglinton. O fato de terem sido tais resultados corroborados posteriormente nas sessões de Paris, é um forte argumento em favor de sua validade. Mr. William Oxley, de Manchester, descreve como a 5 de fevereiro de 1876 foi obtida uma bela moldagem de uma mão de senhora e como em seguida um molde da mão de Mrs. Firman demonstrou uma grande diferença. Nessa ocasião Mrs. Firman estava amarrada pela cabeça, o peito, os braços e as mãos. Isto parecia suficiente, no que respeita à fraude por parte da médium, ao mesmo tempo que se verifica que a cera da moldagem era fervente, o que mostra que não podia ser trazida à sala das sessões. É difícil imaginar que outras precauções poderiam ter sido tomadas para garantir os resultados. Numa outra ocasião foram obtidas as moldagens de um pé e de uma mão, nas quais a abertura do pulso e do tornozelo eram tão pequenas que os membros não teriam passagem. Parece que não há outra explicação a não ser que pé e mão se houvessem desmaterializado.

Os resultados do Dr. Monck também parece suportar a crítica. Em 1878 Oxley fez experiências com ele em Manchester e teve o mesmo sucesso que com Mrs. Firman. Nessa ocasião diversos moldes foram tirados de duas individualidades diferentes. Diz Oxley dessas experiências: “A importância e o valor dessas moldagens de Espíritos jamais seriam superestimados porque enquanto a relação do fenômeno espírita com outros de atitude duvidosa ou céptica só é válida no campo da crença, esses moldes de mãos e pés são fatos patentes e permanentes e agora exigem dos homens de ciência, dos artistas, e dos trocistas, uma solução do mistério da sua produção”. Essa exigência permanece. Um famoso mágico, Houdini, e um grande anatomista, Sr. Arthur Keith, tentaram fazer moldes de mãos e os resultados, laboriosamente obtidos, apenas serviriam para acentuar o caráter único daquilo que procuravam copiar.

No caso de Eglinton, foi registrado pelo Dr. Nichols, biógrafo dos Davenport, que indiscutíveis moldes de mãos foram obtidos e que uma senhora presente reconheceu uma peculiaridade – uma leve deformidade – característica da mão de sua filhinha, que morrera afogada na África do Sul, com a idade de cinco anos.

Talvez os mais completos e probantes desses moldes sejam os obtidos por Epes Sergeant com a médium Mrs. Hardy, já mencionada em ligação com as experiências em Denton.As conclusões merecem ser citadas por extenso. Diz o escritor:

‘Nossas conclusões são as seguintes:

1.O molde de uma mão perfeita, em tamanho natural, foi produzida numa caixa fechada, por uma força desconhecida, exercitando inteligência e atividade manual.

2.As condições da experiência independiam do controle, do caráter e da boa fé da médium não obstante sua mediunidade ficasse completamente demonstrada pelo resultado.

3.Essas condições eram tão simples e tão severas que excluem completamentetoda oportunidade para fraude e toda possibilidade de ilusão, de modo que as nossas conclusões quanto à experiência são perfeitas.

4.O fato, de há muito conhecido dos investigadores, de que mãos desmaterializadas e evanescentes, guiadas por uma inteligência e projetadas por um organismo invisível, podem tornar-se visíveis e tangíveis, recebe uma confirmação desse duplo teste.

5.A experiência de moldagem, associada com a chamada fotografia espírita, dá provas objetivas da ação de uma força inteligente exterior a qualquer organismo visível e oferece uma boa base à investigação científica.

6.A pergunta: ”Como teria sido produzida essa moldagem dentro da caixa?” leva considerações que devem ser de máxima importância para a filosofia do futuro, do mesmo modo que sobre problemas de psicologia e de fisiologia e abre novos horizontes às forças latentes e ao alto destino do homem.’

Sete testemunhas respeitáveis assinam o relatório.

Se o leitor não ficar satisfeito com tão variados exemplos da validade dessas experiências de fotografia e moldagens, deverá ler as conclusões a que chegou o grande investigador Geley, ao fim de suas experiências clássicas com Kluski, a que iludimos de passagem.

O Dr. Geley realizou com Kluski algumas notáveis experiências sobre a formação de moldagens em cera, de mãos materializadas. Registrou os resultados[1]de uma série de 11 sessões bem sucedidas com tal objetivo. Em luz muito fraca a mão direita do médium foi segurada pelo Prof. Charles Richet e a esquerda pelo Conde Potocki. Uma vasilha com cera, mantida em ponto de fusão por meio de água fervente, foi colocada a sessenta centímetros em frente a Kluski e, para efeito de teste – o que era ignorado pelo médim – a cera estava impregnada de colestarina, a fim de evitar a sua substituição. Diz o Dr. Geley:

“A luz muito fraca não permitia que se assistisse ao fenômeno: éramos advertidos do momento de mergulhar a mão, pelo ruído no líquido. A operação exigira duas ou três imersões. A mão que estava agindo era mergulhada no vaso, retirada coberta de parafina quente, tocava as mãos dos controladores da experiência e então era mergulhada novamente na cera.Depois da operação a luva de parafina, ainda quente mas solidificada, era colocada de novo junto à mão de um dos colaboradores”.

Desta maneira 9 moldes foram tirados. 7 de mãos, 1 de pé e outro de um queixo com os lábios. Examinada a cera de que eram feitos, deu a reação característica da colesterina. O Dr. Geley mostrou 23 fotografias de moldes e de cópias em gesso que deles foram feitas. É preciso dizer que as moldagens mostram as dobras da pele, as unhas e as veias, as quais de modo algum se parecem com as do médium. Os esforços para obter moldagens semelhantes de mãos de criaturas vivas foram apenas parcialmente realizados, e as diferenças entre uns e outros são marcantes. Escultores e reputados modeladores declararam que não conhecem nenhum método de produção de moldagens semelhantes às obtidas nas sessões com Kluski.

Assim resume Geley os resultados[2]:

‘Enumeraremos agora as provas que temos dado da autenticidade das moldagens de membros materializados em nossas experiências em Paris e Varsóvia:

Mostramos que, além do controle do médium, cujas mãos mantínhamos sempre seguras, toda fraude era impossível.

1.
A teoria da fraude pela luva de borracha é inadmissível, porque essa tentativa dá resultados absurdos e grosseiros que, à primeira vista, se nota que são imitações.

2.Não é possível produzir tais luvas de cera usando um molde rígido pré-fabricado. Uma tentativa nesse sentido logo mostra a sua impossibilidade.

3.O emprego de um molde preparado de uma substância fusível e solúvel, coberto com uma camada de parafina durante a sessão e então dissolvido num balde d’água não é possível, com o processo empregado. Não tínhamos balde d’água.

4.A teoria de que uma mão viva era usada, fosse do médium ou de um assistente, é inadmissível. Isto não podia ser feito por várias razões, uma das quais é que a luva assim obtida é grossa e sólida, enquanto que as nossas são finas e delicadas e, ainda , que a posição dos dedos em nossas moldagens torna impossível a sua retirada , sem quebrar a luva. Além disso, as luvas foram comparadas com a mão do médium e dos assistentes e não se assemelham. Isso também é mostrado pelas mensurações antropológicas.

Finalmente, há a hipótese de terem sido as luvas trazidas pelo médium. Isto não se ajusta ao fato de havermos em segredo introduzido um produto químico na cera fundida, e que o mesmo foi encontrado nas luvas.

O relatório dos especialistas em moldagem neste ponto é categórico e final.’

Nada constitui prova para aqueles que se acham tão cheios de preconceitos que não tem mais lugar para o raciocínio. Mas é inconcebível que um homem normalmente dotado pudesse ler tudo quanto fica dito acima e duvidar da possibilidade de fazer moldagens de figuras ectoplásmicas.”


[1]Revue Métapsychique, June, 1921.

[2]“L´Ectoplasmie”, etc., pág. 278.

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3 Responses to Irmãs Fox: História do Espiritismo

  1. Odirlei disse:

    Olá, estou relendo alguns desses posts e não pude deixar de notar que houve uma troca dos títulos “Irmãs Fox: A História do Espiritismo” e “Moldes em Parafina: Materialização de Espíritos?”.

  2. Odirlei disse:

    Humm, parece que me enganei. Não houve troca.Só não achei nenhuma menção às Irmãs Fox no texto da História do Espiritismo.

  3. Jesa Nideck disse:

    É bom anotar:

    Os golpes de batidas tinham começado antes da chegada das irmãs Fox.
    Nenhuma sugestão poderia explicar esse fenômeno uma vez que o Espiritismo não tinha ainda nascido.
    Nenhuma manifestação inconsciente poderia também explicar este fenômeno : encontrou-se as ossadas do Espírito que se comunicou conforme suas indicações.
    Os fenômenos foram desde o início submetidos à mais severa crítica e disso saíram autenticados.
    Para saber mais :

    História do Espiritismo de Arthur Conan Doyle. (cap. IV, o épisódio de Hydesville)
    O Fenômeno espírita de Gabriel Delanne. (1ª parte, cap. II)
    Le Spiritisme devant la Science de Gabriel Delanne. (3ème partie, chap. I, historique)
    No Invisível – Léon Denis. (2ª parte, cap. XVI)
    Le Spiritisme du Dr Paul Gibier. (1ère partie, chap. III)
    La Revue Spirite 1998 – n° 36, p.39 e 37, p.22 (A história das irmãs Fox)

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