Ceticismo

Published on agosto 8th, 2009 | by Kentaro Mori

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Motos perpétuos hoje

Kentaro Mori,
baseado no Museu dos Dispositivos Impraticáveis de Donald Simanek

"Se você vai construir uma máquina do tempo em um carro, por que não fazer com estilo?”, perguntava o doutor Emmett Brown no filme ‘De Volta para o Futuro’, explicando porque havia usado um carro esportivo DeLorean, com suas portas em asa e carroceria de aço escovado. Carl Tilley, um inventor de fundo de quintal do Tennesee, EUA, pensou o mesmo a respeito de seu moto perpétuo.

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Já em junho de 2001, Tilley em companhia do sócio Robert Kibbey dizia a um canal de TV que eles “estavam gerando mais energia do que usavam” – um moto perpétuo. O sistema precisava de baterias, mas a partir delas acabava gerando força suficiente para ligar TVs e recarregar plenamente as mesmas baterias. Depois de demonstrar o dispositivo em diversas aplicações domésticas, a idéia de criar um carro elétrico capaz de andar sem nunca precisar recarregar suas baterias surgiu. E o carro escolhido foi nada menos que um DeLorean 1981.

Tilley retirou o motor e converteu o automóvel, equipando-o com doze baterias e dois de seus dispositivos – precavido, um deles era de salvaguarda. E no meio do ano passado, o revolucionário ‘Veículo Elétrico Tilley’ (VET) estava pronto. Com todo este estilo, a demonstração do VET não poderia ficar para trás: a recém criada ‘Fundação Tilley’ alugou o circuito de corridas de Nashville, palco da fórmula Indy e da Nascar, apenas para uma demonstração do conceito. Sete de setembro foi o dia, e o carro realmente andou algumas milhas, dirigido por um piloto profissional. Porém, o próprio Tilley precisou dirigir seu VET, e então convenientemente um rolamento apresentou problemas, e a demonstração foi interrompida, para desapontamento de todos que estavam assistindo. Prometeu-se um outro teste no futuro, mas sem data marcada. O revolucionário VET não andou mais do que suas próprias baterias o teriam levado sem quaisquer motos perpétuos.

A história não acaba aqui. A já citada ‘Fundação Tilley’ atraiu muita atenção, e alguns investidores. Também ocorreram desentendimentos entre Carl Tilley e seu sócio, Robert Kibbey. A ficha criminal de Tilley, incluindo fraude e roubo, foi revelada. Finalmente, em 29 de maio de 2003, o departamento de comércio e seguros do Tennesse invadiu a Fundação Tilley e levou “tudo que não estava pregado no chão”, segundo o canal de TV local. Segundo relatos, isso foi feito porque Carl Tilley estaria guardando dinheiro em potes de café e outros lugares.

Os mais crédulos já levantam a suspeita de que o governo acaba de roubar e destruir mais um inventor de moto perpétuo. O mesmo teria ocorrido com Stanley Meyer. No começo dos anos 90, este outro inventor de garagem entrou com sete patentes nos EUA relacionadas a um inovador meio de eletrólise, isto é, uma forma de transformar a água nos gases hidrogênio e oxigênio. Isso não é incomum, mas seu método era tão eficiente que ele alegava estar desenvolvendo um carro movido a água da torneira, e também um dispositivo que poderia fazer o mesmo por qualquer carro. Seu erro foi vender participações e licenciamentos desta suposta tecnologia. Cansados de nunca ver resultados concretos, os investidores o processaram. Em 1996, ainda incapaz de demonstrar qualquer avanço concreto – sua eletrólise seria convencional – ele foi condenado por fraude. Mas veio a falecer três anos depois, alimentando rumores de conspiração.

Estas tentativas modernas de alcançar o moto perpétuo, ou talvez simplesmente de enganar as pessoas, procuram evitar o rótulo de moto contínuo e recorrem a fictícios princípios intrincados e secretos, sempre em processo de desenvolvimento. Mas ainda há as tentativas mais convencionais, como a da Ilha das Canárias no Maranhão, ou a de Aldo Costa, na França. Apesar de falar de “tensores espaço-temporais”, seu moto perpétuo ainda é uma tentativa de criar uma roda desequilibrada.

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10 Responses to Motos perpétuos hoje

  1. Sabia que nenhuma das idéias apresentada não funcionariam mais todas são ótimas, só falta um pequeno detalhe que o mundo todo não ta levando em consideração. Adianto algo pra todos! Temos que usar um pouco de energia de uma outra pra fonte qualquer e com ela obtermos de volta um pouco maior que a fornecida. Estou a tempos em busca dela e logo aprestarei ao mundo, Acredito não estar longe, só quem me atrasa são faltas de verbas.

    Abraço!…

  2. Pedro Jungbluth says:

    Gostaria muito que nessa matéria estivessem os experimentos do Sr. Antônio Dariva, já que ele chegou a criar uma empresa para captação de recursos e engana muita gente por aí. Sua idéia é simples: Num motor a ar comprimido, o ar frio resultante absorve com sobra o calor resultante da compressão, criando energia no processo, que ele afirma ser a absorção do calor do ar atmosférico.
    O erro é clássico, o cilindro de ar leva 5 horas para ser comprimido, liberando pouco calor lentamente, e quando acontece a expansão, que é rápida, passa essa impressão do frio superar o calor.
    O resultado é que o cilindro sempre esvazia, e ele afirma que é falta de eficiência, e que apenas precisa de recursos pra resolver a questão.
    E afirma que não busca moto perpétuo, apenas busca um motor que leve um carro por 350 km com um cilindro de ar de 25m³, o que é imposível tamb´me, mas é o que ele afirma na hora de captar recursos.

  3. adney says:

    eu acho que tem jeito sim mas o governo nunca vai liberar

  4. olivaldo j c biazotti says:

    eu não tenho mais o que pesquisar, não preciso de verba para talvez chegar lá
    so preciso para construir um primeiro motor, mas como ninguem acredita assim tão fácilmente(com razão é claro), com o principio que descobri, a primeira coisa que vou fazer é uma super bike, daqui a dois meses aproximadamente estara pronta.
    com um aparelho que inventei, vou dobrar o valor da pedalada, ou seja, a mesma força aplicada em uma bike sem meu aparelho atinge 20 kmh, na minha bike atingirá 40 kmh, tenho um prototipo que prova na pratica que o aparelho vai funcionar. me aguardem
    e não vou com isto, necessariamente quebrar a primeir e a segunda lei da termodinamica
    se alguem quiser entrar em contato comigo
    olli
    44 9119 5803

  5. E ai? cade a super bike?

  6. adriano brzozoski says:

    Será que é possível enganar as leis da física?
    Com certeza não, porém vão tentando, quem sabe vcs comseguem burlar tais leis…

  7. ANTONIO LUIZ MIGOTTO says:

    vejam bomba migotto no youtube e google geraçao de energia limpa.

  8. oi, é possivel sim fazer um motor moto perpetuo e ate ja fizeram, usando um motor de opala 6CC que funciona assim.
    so aproveita a parte de baixo com os pistoes e esteja roletados ou seja rolamentos no lugar das brozinas
    nos pistoes sao presos tipo panelas com o fundo para cima.
    e por cima onde vai o cabeçote fica as bobinas de campo. que qdo passar os pulsos eletricos de alta voltagem cria um campo violento.
    o segredo da coisa que eu entendi é assim
    como o alternador da 110v alternados que nem precisa oscilar pra poder aumentar para 6000 volts. e saiba que pra fazer campo magnetico precisamos de voltagens e nao amperagem neste caso.
    e antes de mandar o pulso para bobina temos que fazer esta descarga usando os capacitores grandes. que por hora vem do controlador no volante que qdo o pistao esta na posiçao correta ai manda o pulso que sera puxado para cima, ao contrario da gasolina que é empurrado para baixo
    isso ja fizeram na decada de 80 a pessoa andou o dia todo sem gastar um centavo se quer.
    abraços joao/bsb

  9. bom esqueci de um detalhe o segredo é para gerar energia gasta energia, mas para transformar nao gasta nada, entao esta conversao de 110v para 6000v é que sustenta o moto continuo
    abraços joao/bsb

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