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20 de agosto de 2009 Comments (0) Views: 1133 Ceticismo, Destaques, Fortianismo

Lusus serius: Os manifestos Rosacruzes e a ‘piada séria’

Mike Jay, publicado em nthposition
Tradução gentilmente autorizada

A publicação anônima dos três Manifestos Rosacruzes na Alemanha entre 1614 e 1616 foi e ainda permanece um do furores políticos mais explosivos jamais inspirados por um corpo de escritos esotéricos. Sua conclamação pela "Reforma Universal e Geral de Todo o Grande Mundo" ao redor da compreensão hermética do homem como um microcosmo da Natureza foi recebida com uma furiosa caça às bruxas por toda a Europa setentrional e promessas de morte e imolação a qualquer membro da elusiva "Fraternidade Invisível". 

Os manifestos originais foram aceitos quase que imediatamente por torrentes de panfletários, sociedades e contra-sociedades secretas, tanto protestantes quanto católicas, agentes provocadores, Fraternidades ‘falsas’ e espiões. Quando o furor passou, estava claro que não havia nenhum consenso sobre o que os manifestos realmente eram. Alguns acreditavam que eram revelações inspiradas divinamente; outros (incluindo aqueles mais proximamente associados com eles) os descartaram como um ludíbrio, ou ‘um pouco de diversão’; outros os consideraram como uma fraude, ou um ato de dano político deliberado – ou Pactos Horríveis Feitos Entre o Diabo e os Pretensos Invisíveis, como um folheto de Paris definiu. 

Enquanto as sementes jogadas pelos Manifestos originais se espalhavam, estas divisões aumentaram ao invés de diminuir. Hoje, Christian Rosenkreuz, o fundador mítico da Fraternidade, é aceito como uma figura inspirada divinamente por muitos grupos esotéricos, inclusive os seguidores de Rudolph Steiner e a maioria dos Rosacruzes assumidos; para a maioria dos estudiosos históricos, os manifestos são uma ‘fraude’ e o furor um caso de histeria de massa paranóide. 

Está bastante claro que os autores anônimos (embora não completamente misteriosos) dos Manifestos consideravam ambas visões mal-direcionadas. Há evidência para isto tanto nos próprios manifestos quanto nos escritos subseqüentes das partes envolvidas. Johann Valentin Andreae, o pastor suábio pietista intimamente associado com os manifestos (certamente com o final, ‘As Bodas Químicas de Christian Rosenkreuz’), foi bastante específico: "Em vão você espera pela vinda da Fraternidade – a comédia está em um fim". 

Mas "a fictícia fraternidade Rosacruz", como ele a chama, era obviamente mais que o ludíbrio que ele pretende. Os manifestos são trabalhos consideráveis, e obviamente sérios em intenção – até mesmo se não literalmente verdadeiros. Parece provável que Andreae estava exasperado em descartá-los como uma piada pelo fundamentalismo literal que estava crescendo ao redor deles, o qual ele estava a esta altura impotente para deter. Talvez uma descrição melhor dos manifestos poderia ser a usada como título por outro apologista Rosacruz, Michael Maier – o Lusus Serius, ou ‘piada séria’. 

Não é difícil entender a frustração de Andreae com a inabilidade do público de permitir que as ambigüidades dos Manifestos permanecessem, ou aceitar que eles deveriam ser lidos em mais de um nível. Não é como se, ao vestir sua mensagem em termos fictícios, os autores dos Manifestos estivessem fazendo qualquer coisa radicalmente nova. O lusus serius já era uma forma estabelecida, com raízes em algumas das escrituras espirituais mais antigas, e continuou evoluindo em formas contemporâneas que podemos reconhecer hoje. 

Os Manifestos de fato oferecem um ponto de partida excelente tanto para uma análise dos efeitos que podem ser alcançados pelo lusus serius quanto às técnicas que podem ser usadas para alcançá-lo. Eles são trabalhos excitantes, tantalizantes e inspiradores, alcançando o delicado equilíbrio de revelação e encobrimento que tornaram o furor possível. Além disso eles alcançam a mistura de mensagem revelatória com ficção imaginativa de dois modos muito diferentes. O ‘Fama Fraternitatis’, como o primeiro manifesto é conhecido, usa a forma de uma proclamação política para apresentar uma ficção como verdade; o manifesto final, as ‘Bodas Químicas de Christian Rosenkreuz’, usa a forma de uma narrativa alegórica para apresentar verdade como ficção. 

O Fama é estilizado como um anúncio oficial, mas é uma chamada para que se unam à causa da Fraternidade que é ‘invisível’. Este é um convite para uma reunião sem hora ou lugar. Ao invés, explica como a Fraternidade passou a ser. Esta é a história de um sábio chamado Christian Rosenkreuz que morreu há 120 anos, mas cuja câmara mortuária – e assim seu conhecimento e legado secreto – foi redescoberta recentemente. 

A história de Christian Rosenkreuz é uma união de pontos das influências que se esperava que aqueles atraídos pela chamada considerassem muito. Os encontros dele com os sábios de Damasco, Egito, Fez e Espanha falam da influência da magia, alquimia e kaballah; Paracelso é mencionado como alguém que tem feito algo similar. Similarmente, a descrição da Fraternidade apresenta um ideal de estudo, cura dos doentes, ignorando "a descrente e amaldiçoada fabricação de ouro, que passou tanto dos limites", e trabalhando discretamente para a mudança nos corações dos homens. 

Estas duas criações, Christian Rosenkreuz e a Fraternidade, provaram ter uma longevidade que um trato mais prosaico nunca poderia ter alcançado – uma longevidade que rapidamente tomou vida própria. Dentro de algumas gerações a maioria dos seguidores do ideal Rosacruz foram instados a acreditar na verdade literal destas histórias; até que na época em que Shelley escreveu seu romance juvenil ‘O Rosacruz’, a imagem da Fraternidade Invisível de adeptos fazedores de ouro era uma característica livre na consciência popular, sua fonte há muito esquecida: Shelley não mostra nenhum sinal de saber que os Manifestos sequer existiram. 

Mas esta ‘literalização’ dos Manifestos pelo público, e sua condenação como mentiras malignas pelas autoridades, pode ter vindo como uma surpresa aos seus autores devido à tradição na qual eles estavam escrevendo. Muitos dos trabalhos que mais os inspiraram eram ‘arcaizados’, i.e. apresentados em uma forma que sugeria que eram mais antigos do que de fato eram. Isto não era considerado uma ‘fraude’ – somente um modo elegante de dar ênfase às raízes e tradição da escrita. 

O exemplo mais famoso disto era, é claro, o ‘Corpus Hermeticum’, o corpo neo-platônico de diálogos mágicos e cosmológicos que eram, muito ironicamente, tomados literalmente em suas alegações de terem sido passados de Hermes Trismegistus, o sábio legendário de tempos pré-clássicos. Era esta crença de que o ‘Corpus’ tinha centenas de anos de idade que foi realmente responsável pelo crescimento do movimento Hermético do tempo em que os diálogos foram traduzidos primeiro por Ficino em 1463, e também pelo minguar dramático de interesse no mesmo movimento depois que eles foram corretamente datados por Isaac Casaubon em 1614. Uma vez que esta descoberta se tornou amplamente conhecida, só os apologistas herméticos mais teimosos como Fludd e Kircher continuaram a alegar sua verdade literal. Mas, como os próprios Manifestos deixam claro, a tradição hermética mal deveria se sustentar ou se abalar pela apresentação arcaizada dos textos. 

Tal arcaísmo era difundido no período helenístico onde revivificações (ou reinvenções) das religiões antigas era comuns. Muitos dos apocalipses judeus proféticos escritos na época mostraram a mesma tendência arcaizadora: ‘Jubileus’,
por exemplo, foi atribuído a Moisés, ‘1 Enoque’ a um patriarca do alvorecer do tempo. Esta técnica era, é claro, eminentemente adequada à profecia: o autor poderia revelar uma série de detalhes surpreendentemente precisos sobre o suposto futuro, o que conferiria maior autoridade à revelação que se seguia. 

Seria pouco generoso e perverso chamar este método de apresentação uma ‘fraude’ ou mentira: os autores podem acreditar na verdade literal do próprio arcaísmo (hoje em dia chamado ‘canalização’), ou podem estar apresentando sua revelação como alegoria e oferecendo a fonte arcaica como uma chave para decodificá-la. Ou, novamente, eles podem estar usando o recurso para fins literários. 

Há muitos exemplos mais próximos a nosso próprio tempo de todas estas abordagens, muitos dos quais tiveram sucesso em impulsionar o início de grandes movimentos espirituais. ‘Estrofes de Dzya’ de H P Blavatsky, por exemplo, às quais seus livros ‘Ísis Revelada’ e ‘A Doutrina Secreta’ formam um comentário estendido, são alegadas como fragmentos do "livro mais antigo do mundo", apresentado a ela em folhas de palmeira não-perecíveis pelos seus Mestres Invisíveis Tibetanos. Na ausência de qualquer evidência corroboradora, a maioria dos não-teósofos é relutante em aceitar a verdade literal disto, embora Blavatsky tenha negado veementemente o argumento de ludíbrio. Como seu contemporâneo Joseph Smith, cujo ‘Livro Mórmon’ se materializou de um modo semelhante, as queixas de céticos tiveram pouco efeito no movimento resultante. (Mas uma vez que a ‘Doação de Constantino’, o documento que confere autoridade divina ao Papa, é reconhecida hoje como sendo uma falsificação do século IX, temos que considerar realisticamente a autenticidade de revelação doutrinal como um luxo ao invés de uma necessidade). 

Um feito semelhante foi concretizado ao contrário pelo escritor de horror H P Lovecraft, que evoluiu seu antigo livro de sabedoria proibida, o ‘Necronomicon’, no curso de desenvolver o suporte cósmico de seus os contos do ‘Mito de Cthulhu’. Ele desfrutou do processo de aderná-lo o bastante para produzir uma publicação e história de tradução fictícias, um ludíbrio que, como os Manifestos, passou a desenvolver uma vida própria, com a crença persistente na existência literal do livro e uma subcultura de magia ritual dedicada a invocar sua prole cósmica. O próprio Lovecraft, que aproveitou toda a oportunidade para declarar seu convicto materialismo, estaria sem dúvida ou entretido ou assustado por este curso de eventos. Para ele, o ‘Necronomicon’ era um conceito que concretizava o fascínio de textos antigos e proibidos, muito como a história de Christian Rosenkreuz no ‘Fama’ concretizava o ideal do hermético iluminado. Os proponentes da mágica Lovecraftiana podem, porém, apontar a seus vívidos sonhos como uma fonte de ‘canalização inconsciente’ do além da parede do sono. 

É interessante comparar esta técnica de arcaização com outra variante que se desenvolveu neste século para se tornar um tema familiar de livros contemporâneos: o documento ficcionalizado recebido não do passado mas do futuro. Isto foi largamente estabelecido por H G Wells em seus primeiros romances como ‘A Guerra dos Mundos’ e ‘A Máquina de Tempo’; embora o recurso tivesse sido usado antes, tinha sido tipicamente ou uma desculpa para um trato utópico ou uma sátira leve de tradições contemporâneas. Ao usar isto como um dispositivo para tornar a profecia mais crível, a ‘inovação estilística’ de Wells pode ser vista em uma linha direta de descendência do Antigo Testamento e apocalipses judaicos – e, evidentemente, na forma da radiodifusão de Orson Welles produziu o maior lusus serius e furor subseqüente do século passado. (O próprio Welles depois produziu ‘F para Fraude’, uma apologia em filme para o lusus serius e a perversidade pós-moderna em geral). 

Talvez o contemporâneo equivalente mais próximo à forma do Fama são os trabalhos da Igreja do SubGenius, os antinômios anônimos surrealistas que propagam sua mensagem no estilo das chamadas religiosas contemporâneas, as exortações de vendas por correspondência das igrejas evangélicas. Embora sua paródia seja (esperamos) muito ampla para ser tomada literalmente, eles insistem na seriedade subjacente de sua mensagem: "Bem, se você pensou que esta Igreja era uma piada, então por Deus você nunca vai entender a GRAÇA!". Mas apesar de várias tentativas louváveis, um furor na escala dos Rosacruzes permanece algo com o que eles só podem sonhar. 

. . .

Se o Fama era parte de uma tradição contínua de ficção vestida como verdade, as ‘Bodas Químicas’ ocupa uma posição na tradição ainda mais difundida de verdade sob as vestes de alegoria narrativa. Mas era a combinação dos dois que é talvez sem igual, e era certamente unicamente efetiva. O chamado do ‘Fama’ era uma lista de reivindicações e promessas grandiosas que urgentemente clamavam o tipo de substância que as ‘Bodas Químicas’ fornecia; em troca, a insistência do Fama na "Reforma Universal e Geral de Todo o Grande Mundo" tornou certo que a alegoria das ‘Bodas Químicas’ era assiduamente varrida pelo seu significado oculto. 

Estudantes ansiosos de ‘Bodas Químicas’ foram não só recompensados com uma narrativa que ganhou uma reputação merecida de clássico de literatura esotérica, mas uma na qual o espírito do lusus serius foi perpetuado. Também antedatado (a 1459), conta a história de sete dias na vida de seu protagonista, que é convidado a um Casamento Real e faz uma viagem fantástica a um castelo onde um rei morto deve ser magicamente ressuscitado para seu próprio casamento. 

O ‘Bodas Químicas’ está entre os mais agradáveis e facilmente legíveis trabalhos de seu tipo, muito notavelmente assim entre seus vizinhos alemães. As transições fluidas de realidade para fantasia, através de sonhos, peças-dentro-de-peças e funcionamentos alquímicos, impelem o leitor por uma narrativa vívida e de movimento rápido onde nada é o que parece. Até mesmo seus protagonistas são permitidos a desfrutar de si mesmos no curso de sua busca espiritual séria: durante o pivotal "Quarto Dia" eles são todos reunidos para assistir uma peça que tem interlúdios leves ("Primeiro Interlúdio: aqui um leão foi disposto a lutar com um grifo, e o leão ganhou; o que foi muito bom de assistir"). 

O ‘Bodas Químicas’, aproximadamente contemporâneo com o trabalho posterior e mais hermético de Shakespeare, delineia mais ou menos o ponto alto da alegoria esotérica. Até mesmo mais que o arcaísmo do Fama, a forma alegórica teria sido imediatamente reconhecível a seus leitores contemporâneos. Dentro da tradição alemã, seguiu discernivelmente de clássicos medievais como ‘Parcifal’ de von Eschenbach: muito foi feito dos paralelos entre os Cavaleiros do Graal, a Fraternidade Invisível e o os ‘Cavaleiros da Pedra Dourada’ do ‘Bodas Químicas’, e também entre o milagrosamente preservado Titurel e o corpo não consumido de Christian Rosenkreuz em sua câmara mortuária. Dentro da tradição esotérica mais ampla, sua forma lembra narrativas Sufi como a ‘Conferência dos Pássaros’ de Farid ud-Din Attar, ou o clímax do contemporâneo neo-platônico do Corpus Hermeticum, o ‘Asno Dourado’ de Apuleius. 

‘Ficção esotérica’, como o lusus serius, é algo como uma contradição em termos. Envolve duas coisas diferentes ao mesmo tempo: revelar uma mensagem espiritual e construir um drama de personagens e ação. Já que ambos têm sua própria dinâmica, é freqüentemente necessário escolher entre eles. Os autores podem usar suas intenções esotéricas na manga
, proclamando a natureza revelatória de seu trabalho abertamente e abandonando a narrativa onde necessário para buscar seu propósito ‘sério’; ou eles podem focalizar suas habilidades em embutir a narrativa imperceptivelmente com o seu subtexto oculto. 

Se nós incluímos esta segunda abordagem como ‘ficção esotérica’, então antes do século XVIII, a maioria dos grandes de Dante a Shakespeare a Milton (e depois Goethe) entram na categoria; de fato, poderia ser mais simples compilar uma lista de autores que não codificaram sua ficção com um esquema esotérico. Mas da Ilustração em diante, ‘ficção esotérica’ se torna distintamente mais marginalizada, emergindo novamente como um gênero popular apenas no século XIX. Neste movimento vitoriano, porém, o espírito do lusus serius está largamente esquecido, e o toque leve do ‘Bodas Químicas’ está tradicionalmente perdido. ‘Zanoni: Um Conto Rosacruz’ de Bulwer Lytton, por exemplo, permanece impenetrável à maioria dos leitores modernos, sua narrativa paralisada pela tendência de seus Invisíveis Iluminados de interromper a história para oferecer sermões prolongados e bastante pomposos e também, de certo modo dramaticamente irritante, de estar sempre certos. 

Na vida real, Lytton era um estudioso oculto sensato e perceptivo, mas sua ficção ‘esotérica’ (por exemplo ‘Vril: A Raça Vindoura, O Assombrador e o Assombrado’) continuou sofrendo destes defeitos. Ainda, há exceções honráveis do período, como o inacabado ‘Manuscrito de Saragoça’ de Jan Potocki, um trabalho no estilo vivo, irreverente e ritmado do picaresco do século XVIII, que é uma delícia para ler e rememorativo ao ‘Bodas Químicas’ de modos bastante específicos para sugerir que Potocki estava familiarizado com ele. O ‘Manuscrito de Saragoça’ é dividido de forma similar em dias numerados na vida do protagonista, a maioria dos quais, como o ‘Bodas Químicas’, inclui tanto incidentes de despertar e um sonho (com trocas delirantemente confusas da realidade entre estes), e características que um Cabalista à busca uma revelação divina que faz um paralelo com as próprias experiências do protagonista. 

Embora o legado do estilo de ‘ficção esotérica’ de Lytton tenha sobrevivido até o presente, a influência do ‘Bodas Químicas’ e o lusus serius passou a duas escolas distintas de literatura contemporânea. Por um lado, as idéias dos Manifestos foram exploradas por literati esotérico que trataram de forma inteligente com conspiração oculta (e.g. Eco em ‘O Pêndulo de Foucault’) e as implicações metafísicas do lusus serius (e.g. Borges em ‘Orbis Tertius’). Mas estes são trabalhos sobre os assuntos evidenciados pelos Manifestos, em lugar de seus verdadeiros sucessores. A forma dos manifestos – o trabalho revelatório em roupagem de ficção – é mais claramente visto em best-sellers como a série Don Juan de Castaneda, ‘O Alquimista’ de Paulo Coelho e suas seqüências, ‘buscas espirituais’ como ‘A Profecia Celestina’ e a enorme subcultura de narrativas ‘canalizadas’ de aliens e anjos. Estes compartilham com os Manifestos a pretensão de ser ‘mais que ficção’, para não serem lidos apenas pelo seu mérito literário. Podemos sentir que há pouco mérito literário para lê-los, que em contraste, os Manifestos são obras-primas literárias, e muito mais, mas podemos reconhecer o legado em forma se não em qualidade. 

Talvez os escritores contemporâneos mais próximos de ligar estas duas escolas são Robert Shea e Robert Anton Wilson cuja série ‘Illuminati!’ lida com os assuntos históricos dos Manifestos enquanto também se apresentam meio-seriamente como ‘livros para viver de acordo com’ e revelações de sabedoria oculta. Em seu melhor, eles alcançam o lusus serius em sua forma de contracultura moderna: estes são livros que apenas hippies paranóicos tomarão seriamente, ou é exatamente isto que Eles querem que você pense? 

Claramente, procurar equivalentes modernos precisos dos Manifestos é cair na armadilha de literalismo que sempre foi não entender o essencial. Como Goethe disse do ‘Bodas Químicas’, "haverá uma estória para ser contada no momento certo, mas terá que ser renascida – não pode ser desfrutada em sua pele antiga". Nós não estamos mais na posição dos autores originais de cristãos místicos pietistas tentando uma revolução da igreja e política: isso realmente era um jogo sério, e um que iria levar a Fraternidade Invisível ao conflito militar efetivo. Mas os Manifestos tiveram sucesso em transmutar sua mensagem de ludíbrio para lenda; e a arma do lusus serius ainda está lá ser para ser descarregada por qualquer um que possa adaptar sua sensibilidade ao mundo que encontrar ao seu redor. 

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