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Ficção Científica, Ciências Ocultas e Mitos Nazistas
Manfred Nagl (tradução de Alexis Lemos)
publicado em
NOVA
fantasia
reprodução gentilmente autorizada
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Não
é minha intenção fazer pouco do
nacional-socialismo interpretando-o em termos de
fantasias pitorescas. Todavia, negligenciar e
ver como inofensivos os elementos totalmente
irracionais do nazismo, evidentes desde sua
primeira origem, têm ao menos ajudado
parcialmente à conjurar uma aparentemente
"natureza incompreensível" das ações nazistas.
No
nacional-socialismo, as contradições e
irracionalidades de um sistema sócio-econômico
clássico capitalista e suas estruturas de poder,
foram transmutadas em uma ideologia e apologia
aparentemente "naturais". O poder explorador e
limitador de classes tornou-se racismo, com uma
raça de senhores e sua liderança mística; ciclos
de crise econômica e outros direcionamentos
tornaram-se a lei cósmica de ciclos recorrentes;
o caráter alienante da ciência e tecnologia
usados indevidamente como meios para dominação,
tornaram-se os conceitos centrais de cultos
secretos pseudo-religiosos; o atraso da economia
e tecnologia assim como as prevalecentes
condições sociais tornaram-se uma obscura
mistura de industrialismo enfurecido com uma
teoria de "Sangue e Solo". O continuísmo das
classes governantes obsoletas era salvaguardada
por mitos de "conspirações", enquanto às massas
oprimidas eram oferecidos bodes expiatórios como
um escoadouro para agressões reprimidas.
Qualquer um
que se negue à identificar as justificativas
para a irracionalidade na filosofia "séria" (de
Schopenhauer e Nietzsche à
Spangler ou Jung) como conduzindo ao
obscurantismo, naturalmente ficará impressionado
em ver que tais fantasias são subitamente e de
fato, tomadas muito seriamente quando o fascismo
chega ao poder.
Em 1919, a
burguesia alemã precisava experimentar quaisquer
meios que justificassem a defesa do seu poder.
Nesta época, mitos e mágica mudaram-se das salas
de visita e cafeterias para lutar contra razão e
revolução. A enchente de panfletos e
dissertações pseudo-científicas tornou-se
devastadora. A FC, lida pelas classes sociais
que não eram atingidas pelos panfletos
pseudo-científicos e filosóficos, também
sucumbiu à esta irracionalidade. A idéia de que
o tempo estava maduro para uma "reorientação
espiritual" também na literatura, era
persistentemente sugerido por tais autores. Eles
clamavam por sensações e fantasias imaginativas
que ajudariam a conquistar o "materialismo"
bruto e sua contraparte, o realismo. Uma
articulação aparentemente não-política destas
tendências, estendia-se como se segue:
Existem muitos
indícios de que o materialismo mecanicista -
derivado das ciências exatas que imprimiram
sua marca na última década, está finalmente
agonizando, devido à recente revolução
espiritual. Obviamente, as saudades
transcendentais da maioria da humanidade não
podem ser suprimidas à longo prazo... Em
primeiro lugar, chegamos novamente ao ponto
de vista do "assombro" - isto é, nós não
mais desprezamos como tolices todas as
coisas que não são explicáveis em termos das
leis conhecidas da física. Misteriosas
conexões entre os seres humanos,
independentes de separação espacial e
temporal, espectros, a aparição de
fantasmas, estão todos novamente no reino do
possível.(1)
A citação vêm
da revista Der Orchideengarten, a qual
era devotada a publicar somente ficção
fantástica e desenhos - de modo análogo às
revistas americanas "sobrenaturais" e
"fantásticas" de FC. Max Valier, que
posteriormente seria pioneiro de foguetes e
presidente da "Sociedade para o Vôo Espacial",
que viajou por todo o país palestrando sobre o
fim do mundo, sobre Atlântida e Lemúria, sobre a
Cosmogonia Glacial e a penetração no Espaço, e
que em 1929 fez uma tentativa mal-sucedida de
interessar Hitler no potencial militar
dos foguetes (2), foi ainda mais explícito, seja
escrevendo só -
Nossa época atual,
mais do que qualquer outra, requer uma fonte
e centro verdadeiramente cósmicos, para
orientação espiritual. Nós precisamos de um
choque tremendo, mesmo supra-terreno, para
fazer com que recuperemos o senso de nossa
identidade que perdemos no redemoinho do
egoísmo cotidiano... Na base de uma nova
teoria da cognição, buscaremos um
conhecimento mais profundo; e para nossas
emoções, buscaremos sensações do
verdadeiramente primevo choque, de forma que
mesmo o fim do mundo e desta Terra, será uma
experiência construtiva.(3)
- ou em
conjunto com G. W. Surya:
Acreditamos que a
astronomia e a astrofísica, dentre as
ciências naturais, são pela natureza do seu
tema, particularmente talhadas para
despertar essa elevação de pensamento, essa
revolução espiritual, a qual nós tão
desesperadamente precisamos, se o destino de
nossa Pátria, até mesmo o do mundo inteiro,
é fazer uma virada para melhor... Somente o
retorno à um ponto de vista profundo,
transcendental, podem ajudar a curar nossas
feridas à partir de dentro.(4)
Valier passava
a fazer mais precisas suas metáforas nebulosas
de realidades políticas e sociais
contemporâneas, declarando que "ele sentia-se
obrigado a considerar Einstein... como um
representante da extrema esquerda"(5). Uma nova
publicação de Surya, A Metafísica e a Guerra
Mundial, a qual tentava provar que as
guerras mundiais não eram devidas somente à
atividades humanas, mas que "outras forças"
estavam também em operação, era mais abertamente
apresentada como "uma tese política extremamente
importante".(6)
A função
política de tal teoria altamente transcendental
é claramente demonstrada nos trabalhos do
ex-monge cisterciano Adolph Joseph Lanz,
aliás, "Jörg Lanz von Liebenfels", aliás, "Dr.
Jörg Lanz". Ele foi o fundador da "Teozoologia"
e da "Ordo Novi Templi" (ONT). Em seus
trabalhos, termos como "materialismo" e
"egoísmo", tornam-se códigos para política
racional, socialismo, revolução, e
"intelectualismo judeu-bolchevista". "Revolução
espiritual", "Fé na transcendência" e
"idealismo", por outro lado, representam
conciliação social, políticas domésticas
reacionárias e uma política nacionalista para
estrangeiros:
ao promover seu
desenvolvimento, o Império
Talmúdico-Tacandálico obteve sucesso em
controlar a inteligência dos Cristãos
Arianos para seus propósitos, por intermédio
da... sociedade secreta dos Maçons. Esta
sociedade de obscurantistas é responsável
pelo assim chamado "Iluminismo", as várias
revoluções, liberalismo, socialismo e
materialismo no século XIX, e pelo
bolchevismo no XX... Durante a Idade
Média... não havia proletariado e nem
problema proletário. Esta classe somente
veio a existir através dos esforços
demoníacos dos maçons modernos e suas falsas
doutrinas do assim chamado "Iluminismo".(7)
Qualquer um
que veja a razão como a mais elevada atividade
da mente humana, é tão retrógrado quanto aqueles
eruditos da Renascença que consideravam a Terra
como centro do universo.(8)
O monte de esterco
conceitual, o excremento mental que é a
filosofia e a ciência
materialisticracionalistica-socialdemocrática-bolchevista-tacandálica
do período moderno, não serão mesmo de
interesse histórico nas futuras gerações.(9)
Lanz deriva
suas percepções da "teozoologia" e "metafísica
racial", cada uma destas um tipo de ciência
oculta. Se fôr extraído o nem tão distante
racismo moderno declarado, metafísica racial
poderia ser vista como o projeto para uma parte
considerável da FC produzida em nossos dias:
A prática da
metafísica de raças, está relacionada com a
pesquisa da história das raças antes de seu
ciclo de desenvolvimento terrestre
(pré-terrestre)... no futuro das raças
depois de seu período terrestre
(pós-terrestre), e finalmente com a pesquisa
das forças extra-sensoriais,
extra-terrestres e cósmicas que influenciam
o desenvolvimento racial no presente.(10)
As
contradições inerentes deste e de sistemas
similares não serão discutidas aqui. Uma análise
de tais itens assim como a rejeição simultânea
do darwinismo e a aceitação da pseudo-darwinista
"sobrevivência dos mais aptos", ou os argumentos
para um universo populado com seres
inteligentes, os quais são contraditos pelo
conceito de um universo racialmente
etnocêntrico, meramente ilustraria em detalhe as
bases irracionais destes sistemas insanos.
Parece mais frutífero apontar a flagrante
congruência de tais construções com os sintomas
psicóticos e as tendências fascistas de "caráter
autoritário", tais como [1] o desejo
sado-masoquista por submissão à uma força
externa irresistível (diversamente interpretada
como um "agente" da Providência, ou Natureza, ou
Destino, etc), com o concomitante desejo de
fazer as pessoas mais fracas pagarem, em
compensação por isso; [2] a projeção de nossos
próprios impulsos destrutivos e primitivos sobre
minorias impopulares; [3] a rejeição da política
racional, de fato, de todo e qualquer
esclarecimento intelectual; [4] as lendas de
"conspirações".(11)
O grau em que
fantasias conspiratórias foram projeções puras
de suas próprias intenções secretas, é
demonstrado pelo modo como elas foram primeiro
nutridas em grupos de ciências ocultas de algum
tipo de sociedade secreta. Estes grupos e seu
obscurantismo foram de considerável
significância no primitivo desenvolvimento do
partido nazista, sua ideologia e sua posterior
organização de células em "ordens".(12)
Da confusa
massa de conceitos obscuros que eram usados em
FC, quatro tentativas vagas de sistematização
podem ser extraídas: "Cosmogonia Glacial", o
mito da Atlântida/Thule, Teozoologia, e a teoria
do Mundo Oco. Estas sistematizações podiam ser
combinadas, e apoiavam-se uma na outra.
Cosmogonia
Glacial ou a Doutrina do Gelo Universal
(Welteislehre) e o mito da Atlântida tinham um
relacionamento particularmente próximo.
Atlântida (ou Thule) representava o Paraíso
Terrestre e o lar original dos arianos
teutônicos, enquanto o conceito de recorrência
cíclica da Cosmogonia Glacial assegurava que a
Atlântida se levantaria novamente. Deste modo, o
mito da Atlântida e a Cosmogonia Glacial
tornaram-se os temas dominantes da FC germânica
nos anos 1920 e 1930. Ou o ressurgimento da
Atlântida causaria a submersão dos países da
Entente (13) (possivelmente de acordo com a
teoria dos vasos comunicantes), ou restos da
Atlântida, a qual tinha sido destruída por
eventos cósmicos, eram descobertos no espaço,
advertindo os astronautas germânicos a
reconstruirem o legítimo império global ariano
(isto é, alemão), retornar à pureza racial, à
uma liderança mística e ao irracionalismo
chamado "ciência ariana":
As criaturas estavam
muito mais próximas da terra nestes dias.
Eles controlavam as misteriosas forças da
natureza não em virtude do seu conhecimento,
muito menos por sua ciência, mas em virtude
de seu próprio ser. Quanto mais a humanidade
aprendeu a pensar racionalmente, quanto mais
perdeu seus poderes visionários. Eles se
deliciaram com sua perspicácia e falharam em
notar o aviso de seus poderes primevos.(14)
Naturalmente,
as várias quedas da Lua sobre a Terra na
Cosmogonia Glacial, sempre ocorriam em tempos de
depravação racial e ética.
A crença na
Atlântida e na Cosmogonia Glacial também
inspiraram os cerca de 600 membros da "Sociedade
para o Vôo Espacial"(15), que desejavam escapar
da miséria alemã por meio de espaçonaves. Eles
queriam descobrir "novos mundos, como
conquistadores modernos"(16); eles planejavam
aumentar a grandeza da Alemanha construindo uma
estação espacial cujo "valor estratégico", entre
outras coisas, consistia, como Willy Ley
escreveu, em "criar tornados e tempestades,
destruindo exércitos em marcha e suas linhas de
suprimentos, e queimando cidades inteiras"(17).
Graças à ativa propaganda desta sociedade, a
idéia da viagem espacial tornou-se tão popular
que foguetes lunares tornaram-se um item regular
em desfiles carnavalescos, e Fritz Lang
foi estimulado a fazer o filme A Mulher na
Lua (1928), para o qual ele recorreu à
consultoria especializada da Sociedade.
Os líderes
nazistas tinham uma fraqueza especial pelo mito
da Atlântida. O professor racista e panfletário
Herman Wirth, interpretou um papel
principal nesta conexão, advogando em seus
concílios internos, "uma tremenda reviravolta da
cultura, para longe da idade da razão e
consciência, rumo à era de uma 'certeza
sonâmbula', a era da mágica supra-racional".
Heinrich Himmler e Wirth fundaram o "Grupo
de Estudo da História Espiritual", Deutsches
Ahnenerbe (Herança Germânica) - a qual propagava
tal pseudo-ciência e a qual era, por exemplo,
responsável pelos experimentos de congelamento
profundo (com coito subseqüente, "um antigo
remédio popular"!) nos campos de concentração,
bem como pela coleção de esqueletos em
Estrasburgo, abundantemente suprida por
espécimes de "raça inferior" assassinados (18).
Deste modo, eles acharam louváveis os esforços
do Conselheiro de Edificação do Governo
(Regierungsbaurat), Edmund Kiss, um dos
mais bem sucedidos exploradores dos temas
Cosmogonia Glacial/Atlântida. Além dos romances
de aventura em geral, ele escreveu uma
tetralogia (19) na qual apresentava uma versão
mitologizada da queda do império germânico, sua
reconstrução, e sua vindoura supremacia mundial
sob a norma fascista.
No primeiro
volume de Kiss, O Mar Vítreo, o
apocalipse de João, o qual "encarna o
conhecimento primitivo do cosmos e do nosso
mundo" (20), é reinterpretado como uma descrição
de uma catástrofe global, a qual resultou da
queda da "lua terciária". Antes deste evento,
havia existido ordem no mundo: escravos tinham
sido treinados com o "relho de mamute"
(p.120). Agora, para os "louros de olhos azuis",
havia chegado a hora de "manterem suas
cabeças erguidas sob as bordoadas do destino"
(p.169), e assegurar "a existência continuada da
raça humana" apossando-se das mulheres
disponíveis - lema: "Faça com que confiem em
você, depois agarre-as" (p.240).
No segundo
volume, Primavera em Atlântida, os "Ases"
(isto é, arianos) obtiveram sucesso. Eles se
multiplicaram rapidamente em seu reino
setentrional, até o ponto de construirem a "comunidade
orgânica de um império mundial" (p.11), com
seu centro e capital na Atlântida. "Peles
marrons de olhos puxados" trabalham para os
"louros de crânios estreitos". Graças à
uma efetiva "direção espiritual", os Ases são
reverenciados como "deuses brancos"
(p.12, p.18). "As nações escravas visitam
Atlântida, a fim de levarem a profunda e
inarrancável impressão do esmagador e
irresistível poder dos nórdicos, ao voltarem
para seus lares distantes" (p.41). (Hitler
tinha as mesmas idéias concernentes às medidas
que ele empregaria para inculcar uma
"consciência-mestra" nas "populações
não-germânicas das zonas setentrionais
ocupadas": "Ele também pensava que a superstição
era um fator que tinha de ser considerado no
negócio de liderar homens, mesmo sendo alguém
completamente superior à ela e rindo-se dela";
"o único propósito permitido de lições de
geografia deveria ser o de ensinar que a capital
do Império é chamada Berlim, e que todo mundo
deveria visitar Berlim pelo menos uma vez na
vida"; "uma vez por ano, seria dado à uma
trupe de kirghizes, um passeio turístico através
da capital, para que impressionassem sua
imaginação com o poderio e o poder de seus
monumentos de pedra")(21). De volta à Kiss:
o "Birô Racial de Asgard" (p.17), supervisiona a
manutenção da pureza racial na raça mestra (22);
todavia, os líderes têm de fazer as mesmas
concessões que os nazistas descobriram serem
inevitáveis:
O desejo de milhões
[é] criar uma base racial granítica como
alicerce do império, não um bloco de
absoluta pureza racial - os pecados de
nossos antepassados tornaram isso impossível
- mas um bloco de precioso material racial
com a riqueza da alma nórdica como sua
importante herança. (p.278)
O herói também
tinha o "olhar fixo do Führer", que Hitler
supostamente praticava na frente do espelho, e
que é fortemente evocativo dos efeitos de uma
tireóide hiperativa:
Mas no mesmo
momento... a centelha dourada brilhou novamente,
das profundezas dos persuasivos olhos cinzentos,
a centelha que constituía o mistério da radiante
essência infantil deste homem. Quando esta
centelha morria, as feições aquilinas dispostas
numa expressão de férrea e predatória
determinação, e o gélido fulgor cinza-claro,
obrigavam muitos inimigos, não usualmente dados
à tais ações, a evitar seus olhos. (p.72)
O terceiro
volume, A Última Rainha da Atlântida,
mostra o império dos Ases no ápice do seu poder.
Os "homens nórdicos" vivem em "castelos isolados
e fazendas fortificadas nas marcas
fronteiriças". Os atlantes continuam a provê-los
com mulheres "racialmente puras" ou puro-sangue
(p.28) - como podemos ver, precisamente o modo
de vida que os nazistas imaginavam para si
mesmos nos territórios ocupados do Leste
Europeu:
Por um momento, observamos os
trabalhadores, aqueles Zipangus fortes,
animalescos, cujos crânios são enfaixados em
tenra idade para que se desenvolvam para
trás, para que eles possam ser mantidos como
o grupo projetado para o trabalho
físico.(p.48)
Nós, os atlantes,
sabemos por nossa história milenar, tão
cheia de conquistas e derrotas, que somente
uma casta de seres humanos superiores podem
efetivamente governar o globo que é nossa
bela Terra. Raças inferiores devem ser
treinadas e moldadas para satisfazer as
necessidades e os propósitos que promovem o
crescimento do reino. (p.49, e igualmente
p.258)
Falta de
sorte! O "martelo do destino" (p.101), "atinge
com poderoso golpe" (p.118), a aparição de
uma nova Lua (a nossa) condena Atlântida, e os
Ases são mais uma vez reduzidos a pessoas que
devem "lutar por seu lugar ao sol"
(p.192).
Em Os
Cisnes Cantantes de Thule, os atlantes
sobreviventes têm de abrir seu caminho (tendo
com eles, naturalmente, a bandeira, branca e
azul com uma suástica, da Atlântida) de volta à
terra de origem. Em sua "luta pela vida,
território e poder" (p.27), o princípio da
liderança é restabelecido: "Situações
desesperadas só podem ser salvas se um homem
comanda e os outros obedecem" (p.65). Para
que mesmo o mais obtuso dos leitores entendesse
a referência, os Ases encontram a "Teutolândia"
habitada por uma "população de camponeses
nórdicos de... razoavelmente boa raça"
(p.208). Com a ajuda genética dos nativos, os
Ases criam - num mundo cheio de "ralé de pele
escura", "animais humanos" e "homens inúteis"
(p.183) - "uma nova, dura e arrepiante nobreza"
(p.188). Para conseguir isso, eles
ocasionalmente atacam tribos vizinhas para,
usando a terminologia de Hitler(23), "apurar a
raça" (p.169). O romance culmina com a seguinte
declaração:
Somente um homem que
irá proteger tanto seus objetivos quanto sua
liberdade com uma espada afiada no ataque e
na defesa, pode manter o domínio sobre sua
vida nessa terra. Ataque é sua melhor
política. Não é nunca uma questão de ser
nosso direito fazer assim. Isto é nosso em
virtude da nossa existência. É uma questão
de poder. (p.206)
As coisas que
Kiss projetou no passado distante, as quais
Hitler e Himmler queriam realizar no Leste
Europeu, foram projetados no futuro próximo por
Paul Alfred Mueller (pseudônimo "Lok
Myler") em sua série de panfletos Sun Koh, O
Herdeiro da Atlântida, e Jan Mayen
(24). Os heróis, tipos carismáticos de líder,
foram escolhidos pelo destino - e também
providos com recursos de uma sofisticada e
extremamente poderosa tecnologia. É sua vocação
criar novos territórios cultiváveis para o povo
alemão e as raças brancas. Isto eles obtém
retirando a Atlântida do oceano e fazendo a
Groenlândia (Thule) cultivável. O modo pelo qual
"Sun Koh" e "Jan Mayen" tratam o resto da
humanidade na perseguição dos seus objetivos,
diferencia-se dos métodos nazistas somente pelo
fato de que os fictícios povos inferiores se
submetem rapidamente. Mueller também foi um dos
autores que propagaram a teoria do "Mundo Oco".
Esta importação teórica dos EUA, experimentou o
ápice de sua popularidade em 1941-42, quando o
Ministério da Frota Alemã aparentemente
realmente executou experiências de radar, que
teria - se a teoria estivesse correta -
permitido-lhes observar Scapa-Flow [a principal
base da Marinha britânica - N. do T.] a partir
de Reugen, no Mar Báltico. A teoria do Mundo Oco
era tolerada pelos nazistas (25), mas tinha
somente uns poucos seguidores nos escalões
superiores do partido. Dessa forma, Mueller
tinha de manobrar cuidadosamente quando tentava
instituir a teoria do Mundo Oco na visão de
mundo oficial dos nazistas. Em seu romance, o
alto funcionário do partido nazista que tinha
sido convertido à teoria, sofreu um acidente
fatal quando ia fazer a comunicação ao Führer.
"Teozoologia",
propagada por Josef Lanz na série de panfletos
de Ostara, A Biblioteca dos Louros e Direitos
Masculinos (26), não era abertamente adotada
nos escritos oficiais nazistas, e só raramente
era explorada na FC (27). Todavia, esta teoria
mostra as mais obscuras motivações do
merniqueanismo racista, idéias que ainda estão
espalhadas na FC de hoje em dia. Lanz não pode
nem mesmo exigir o direito de ter sido o criador
e inventor deste sistema de ilusão sexualmente
neurótico. Um caso de compêndio para
psicanálise, Lanz meramente reinterpretou a
antropogênese teosófica de Blavatsky e Besant em
termos sexuais. Na teosofia, a humanidade cai
porque os homens copularam com animais
femininos; no sistema de Lanz "todas as
calamidades na história do mundo... têm sido
causadas pelas mulheres liberadas" (28). De
acordo com sua teoria, anunciada primeiramente
em 1905 (29) (August Strindberg foi um dos
primeiros convertidos):
A raça do puro-sangue
e completo Homem Ariano, não foi somente o
resultado de seleção natural. Em vez disso,
como indicam os escritos esotéricos, ele foi
o resultado de um cuidadoso e consciente
processo de criação por tipos superiores e
diferentes de seres, tais como os Theozoa,
Elektrozoa, Anjos et sim., os quais viveram
outrora nesta Terra (30).
Eles eram máquinas
eletro-bióticas perfeitas, caracterizados
por seu conhecimento e poder sobrenatural.
Seu conhecimento englobava tudo a ser
encontrado no universo e além, nos espaços
metafísicos da quarta, quinta e enésimas
dimensões. Eles percebiam tais objetos por
meio do seu olho
eletro-magnético-radiofótico em sua testa, o
rudimento do qual é a glândula pineal
humana. Eles tinham conhecimento de todas as
coisas, e podiam ler o passado, presente e
futuro a partir do éter. É por isto que eles
executavam o papel de oráculos até bem
dentro dos tempos históricos e continuam,
ainda hoje, nos médiuns. Eles possuíam
poderes sobrenaturais "divinos", cujo centro
está localizado no cérebro lombar. (Nota:
veja os "cintos mágicos" que conferiam
desmedido poder à deuses e demônios; a "capa
de invisibilidade" de Siegfried e Alberich.)
Seus corpos exsudavam raios de fogo e luz,
os quais... materializavam-se em uma mão e
se desmaterializavam na outra, quebrando
átomos e reconstruindo-os, cancelando a
gravidade. (31)
Todas as
espécies daninhas e imprestáveis de plantas,
animais, e humanos são naturalmente o trabalho
dos "Daemonozoa" (isto é, anjos caídos). O
pecado original do "Homo sapiens, ou, mais
precisamente, o Homo Arioheroicus" (32) foi
causado pelas mulheres destes arianos louros e
celestiais, que - como agora - foram atraídas,
"por causa da magnitude do membro" dos
"antropossauros masculinos" (com seus "pés de
mesa"!) e seus descendentes, "as raças de
animais humanos (negros, mongóis, judeus etc)".
As mulheres copulavam com estas criaturas baixas
de modo "mais sodomítico" (33). Especialmente os
traços faciais dos "sanguinários
bolche-judeus... nos fazem lembrar até hoje as
horríveis faces dos monstros-dragões
antediluvianos"; eles são os "descendentes
diretos dos... hominídeos-dinossauros de duas
pernas" e apropriadamente ainda pertencem ao
"reino animal"; Rosa Luxemburgo, a líder
assassinada da esquerda germânica e judia de
origem, era uma "pequena, anã Bezah puro-sangue"
- "como aquelas criadas 2000 anos atrás nos
templos-zoos da Palestina" (34). "Bolchevismo,
marxismo, sovietismo, comunismo, socialismo,
democratismo... são desdobramentos... destas
origens raciais primevas, vis e inferiores"
(35). Para fazer a correção destas condições
raciais e políticas, os arianos devem praticar a
pureza racial e a procriação científicas:
Através do
influenciamento consciente e orientado à
objetivos das glândulas secretoras, seremos
capazes, nos próximos dois séculos de
reconstruir os átomos e células de todas as
criaturas viventes e... finalmente criar uma
nova raça humana, a qual desenvolverá como
resultado o Aryoheróico. (36)
E quanto à
técnica, "a tecnologia... [E] toda a sabedoria
científica superior... deve permanecer como
conhecimento secreto de uma elite governante
heróico-ariana numericamente pequena,
puro-sangue". (37)
Uma criatura escrava
recém-criada, com nervos rudes e mãos
fortes, cujas potencialidades mentais tenham
sido cuidadosamente limitadas... realizará
para nós todos aqueles trabalhos para os
quais nós não tivermos inventado máquinas...
O proletariado e a sub-humanidade não podem
ser melhorados ou salvos ou tornados
felizes. Eles são trabalho do Demônio e
devem ser simplesmente - claro, humanamente
e sem dor, eliminados. Em seu lugar, teremos
máquinas biológicas, cuja vantagem sobre
máquinas mecânicas é que elas consertarão e
reproduzirão à si mesmas... Este 'robô' será
a chave para o futuro, dado que sua
existência solucionará não somente o
problema tecnológico, mas também o social e
o rácio-econômico - e através disso todos os
problemas políticos - que nos importunam.
Igualdade total é besteira!... A questão
social é uma questão racial e não
econômica... Quem pode dizer onde a
igualdade de direitos irá parar? Por que
pará-la no aborígene australiano? Gorilas,
chimpanzés e morcegos têm exatamente a mesma
reivindicação por "direitos humanos"
socialistas.(38)
Lanz
descobriu-se em ilustre companhia com tais
idéias. Oswald Spengler articulou o
conceito fascista-tecnocrático de tecnologia,
ciência e filosofia como instrumentos de
dominação quase da mesma forma - os arianos
tornar-se-iam novamente "os sábios sacerdotes da
máquina" (39) e cultivar as ciências como uma
religião de classe dominante:
O grupo da
espécie-Führer permanece pequeno. Eles
constituem o grupo das verdadeiras bestas de
rapina, o grupo dos dotados, os quais
dominarão o crescente rebanho dos outros, de
um jeito ou de outro. (40)
Estas são... não
somente dois tipos de tecnologia... mas
também dois tipos de criaturas humanas...
aqueles cuja natureza é para comandar, e
aqueles que obedecem, sujeitos e objetos de
qualquer processo político e econômico. O
mais significante sintoma do iminente
declínio e queda, está para ser encontrado
no que eu gostaria de chamar de traição da
tecnologia... Em vez de manter o
conhecimento científico secreto, o
conhecimento que representa a mais sagrada
posse das pessoas "Brancas", foi
prepotentemente revelado para qualquer um,
em universidades, em conversas, palestras, e
publicações... As vantagens insubstituíveis
que as pessoas brancas mantinham, têm sido
desperdiçadas, dissipadas, traídas. (41)
Himmler e
Hitler (42) queriam prevenir a iminente
derrocada da civilização "Ocidental", nos
territórios conquistados da Europa do Leste ao
menos, precisamente através destes métodos que
eles imputavam aos judeu-bolchevistas: "tentar
eliminar os transportadores nacionais de
inteligência dentro de uns poucos anos, para
fazer as pessoas... prontas para um destino de
permanente escravidão e opressão" (43). As
pessoas dos "Territórios Orientais" deviam, de
acordo com as idéias de Hitler e Himmler, viver
em comunidades aldeãs isoladas e desenvolver
seus próprios "cultos mágicos": "Seria melhor
ensinar-lhes a entender apenas uma linguagem de
sinais. O rádio deveria prover música ilimitada,
o que é bom para estas comunidades. Eles não
devem aprender a usar seus cérebros." (44)
Hitler, o
discípulo de Lanz, também considerava "Ciências
puras e aplicadas... uma realização quase
exclusivamente Ariana" (45). Somente "quando
conhecimento readquire o caráter de conhecimento
secreto, iniciático, e deixa de ser acessível à
qualquer um, isto preencherá novamente a sua
função normal, nomeadamente aquela de ser os
meios e o poder para controlar tanto a natureza
humana quanto a não-humana" (46). Com seu
inegável instinto para o que era publicamente
aceitável, Hitler discutiu suas teorias
favoritas somente entre íntimos. Estas idéias
provaram ser coletadas quase que exclusivamente
de tratados de "ciência popular" tais como os de
Boelsche e Lanz:
Eu tenho lido um
trabalho sobre a origem das raças humanas.
Eu costumava pensar muito sobre esse assunto
na minha juventude, e eu devo dizer que se
alguém olhar mais de perto para os mitos e
lendas tradicionais... chega-se às mais
peculiares conclusões. Em parte alguma há um
desenvolvimento dentro das espécies que seja
comparável em grau e tipo ao que o homem
teve de experimentar, para cobrir a
distância entre um estado de quase-símio e
seu presente modo de ser... Mitos não podem
ter sido construídos sem qualquer
fundamento. Qualquer conceito deve ser
precedido pelo fenômeno do qual é derivado.
Não há nada que nos impeça, e deveras, eu
acredito que deveríamos estar certos, em
assumir que personagens e situações
mitológicos são representações de uma
realidade anterior. (47)
Um novo tipo de ser
humano está começando a se manifestar, muito
no sentido científico de uma nova mutação.
As velhas espécies de homem até aqui
existentes, agora entram necessariamente no
estágio biológico de degeneração... Uma
submergirá sob o homem e a outra se erguerá
bem acima do homem atual... Sim, o homem
deve ser transcendido... O novo homem vive
entre nós. Ele existe!... Eu vou lhes contar
um segredo. Eu vi o novo homem, destemido e
impiedoso. E eu tive medo. (48)
Lanz poderia
não só afirmar ser um dos "avôs do Fascismo e
Nacional Socialismo"(49), ele é também um
legítimo ancestral da moderna FC. Como declarou
em 1930, "uma geração totalmente nova de
autores está já agora vivendo de sua exploração
das idéias-'Ostara'" (50).
Uma ciência e
tecnologia funcionando como uma religião de
massa e a "transcendência do homem" são hoje
mesmo os conceitos favoritos de precisamente
todos aqueles burocratas (e seus aliados
literários) que pensam em si mesmos como
particularmente progressistas e
não-preconceituosos. Da mesma forma que no
fascismo, freqüentemente eles também propagam
uma pseudo-filosofia de modo-de-vida-são,
usualmente consistindo de um barbarismo
social-darwinista como estilo de governo e
princípio de organização social. Como Hitler
disse: "Sim, nós somos bárbaros. Nós realmente
escolhemos sê-los. É um título principesco.
Somos nós que renovaremos o mundo, Este mundo
está morrendo" (51). A epítome de todos os
slogans contra-revolucionários, "Em nosso
mais distante passado jaz nosso mais moderno
futuro", de Lanz (52), foi o lema
sócio-político do fascismo. Na FC - germânica e
americana - este conceito é ainda constantemente
utilizado e reanimado (quanto ao bestseller de
Erich Von Däniken, Memórias do Futuro,
alguém poderia começar uma ação de direitos
autorais contra ele). Sua conjunção tradicional
com o racismo, têm, sem dúvida, se tornado menos
prevalente, mas a combinação programática de
"espada e feitiçaria" como estilo de poder e
estrutura social, com "ficção científica",
representando o capitalismo sem freios e o
industrialismo tecnocrático, ainda está conosco.
(Manfred Nagl é
crítico literário, e autor de Science Fiction
in Deutschland).
* Imagem de capa: "Stalin
vs. Hitler", © 2000 by Alexey Lipatov.
Notas
1 - Der
Orchideengarten, Vol. 1, No. 2, p.23.
2 - Veja de
Bernd Ruland, Wernher von Braun: Mein Leben fuer
die Raumfahrt, Offenburg 1969, p56ff. Valier é
também o autor de Der Verstoss in den
Weltenraum, München e Berlin, 1924 (a 5ª e 6ª
ed. apareceram em 1928 e 1930 com o título
Raketenfahrt.)
3 - Max Valier,
Welt-Untergang (ed. ampliada de Untergang der
Erde, München 1923, pp7-8).
4 - G.W. Surya
(isto é, Demeter Georgievitz-Weitzer) e Max
Valier, Okkulte Weltallstehre, München 1922,
p294.
5 - Valier
(§3), p.19, nota 1.
6 - Surya e
Valier (§4), p352.
7 - Joerg
Lanz-Liebenfels, "Der zoologische und
talmudische Ursprung des Bolochewismus" em
Ostara, No. 13/14 (2ª ed. 1930), p8ff (texto em
negrito estava em itálico no original).
8 - Idem,
"Rassenmystik, eine Einfuehrung in die
ariochristuche Geheimlehre," em Ostara, No. 78
(2ª ed. 1929), p14.
9 - Idem,
"Theozoologie oder Naturgeschichte der Goetter,
IV," em Ostara, No. 15 (2ª ed. 1929), pl4.
10 - Idem,
"Einfuehrung in die praktische
Rassenmetaphysik," em Ostara, No. 80, 1915, pl
(texto em negrito estava em itálico no
original).
11 - Veja
também Erich Fromm, Fuga de Liberdade (Die
Furcht vor der Freiheit, 2ª ed., Frankfurt 1968,
pp203-234); Erik H. Erikson, Infância e
Sociedade (Kindheit und Gesellschaft, 2ª ed.,
Stuttgart 1965, pp320-346); Theodor W. Adorno et
al., A Personalidade Autoritária (Der
autoritaere Charakter, Amsterdam 1968,
1:88-187).
12 - Veja
também Joachim Besser, "Die Vorgeschichte des
Nationalsozialismus im neuen lacht," Die Pforte
2, 1950; Wilfried Daim, Der Mann, der Hitler die
Ideen gab, München 1958; George L. Mosse, "The
Mythical origins of National Socialism," Journal
of the History of Ideas 22 (1961), No. 1;
Reginald Phelps, "Before Hitler Came: Thule
Society and Germanen Orden," Journal of Modern
History 35 (1963), No. 3; Dietrich Bronder,
Bevor Hitler kam, Hannover 1964; Allan Mitchell,
Revolution in Bayern 1918/1919, München 1967,
p91ff, Friedrich Heer, Der Glaube des Adolf
Hitler. Anatomie einer Politischen
religiositaet, München and Esslingen 1968; e
Karl Dietrich Beacher, Die deutsche Diktatur,
Koln e Berlin 1969, pp52-98.
13 - E.g.: F.O.
Bilse. Gottes Muehien, Berlin 1924.
14 - Otto Willi
Gail, Der Stein vom Mond, Breslau 1926, p269ff
(publicado nos EUA como Stone from the Moon em
Science Wonder Quarterly, Primavera de 1930).
Veja também O.W. Gail, Der Schuss ins All,
Brealau 1925, e Hans Hardts Mondfahrt, Stuttgart
1928; este livro juvenil (uma versão abreviada
dos romances acima mencionados) foi traduzido
para dinamarquês, finlandês, francês, holandês,
norueguês e húngaro. A última edição alemã (21ª,
30º milheiro) foi em Stuttgart, 1949. Excertos
deste romance apareceram em Die Rakete, o
periódico da Sociedade para o Vôo Espacial. Der
Schuss ins All foi serializado por numerosos
jornais diários germânicos e publicado duas
vezes nos EUA como The Shot into Infinity (em
Science Wonder Quarterly, Outono de 1929, e
Science Fiction Quarterly, 1941). Para a
doutrina da Cosmogonia Glacial veja, por
exemplo, Ph. Fauth ed., Hoerbigers
Glazial-Kosmogonie, 2ª ed., Leipzig 1926 (1ª ed.
1913).
15 - Talvez o
seu membro mais proeminente, Hermann Oberth,
autor de Die Rakete zu den Planetenraumen, 1923
(3ª ed. Berhn e Munchen, 1929 com o título Wege
zur Raumschiffahrt) continuou na mesma tradição
após a Segunda Guerra Mundial. Ele propagou a
crença em discos voadores, escreveu o
Katechismus der Uraniden, Wiesbaden-Schierstein
1966, e ocasionalmente funcionou como figura de
proa do NPD (partido neo-nazista).
16 - Hans
Dominik, Das Erbe der Uraniden, Berlin 1928,
pl37.
17 - Willy Ley,
Die Fahrt ins Weltall, Leipzig 1926, p67.
18 - A citação
é do relato feito por Hermann Rauschning de suas
conversas com Hitler, Gespraeche mit Hitler,
Zurich e New York 1940, p2l5. Sobre os nazistas
e a Atlântida veja seu principal ideólogo,
Alfred Rosenberg, Der Mythus des 20.
Jahrhunderts, München 1936, pp24-28. Veja
também, Michael H. Kater, Das "Ahnenerbe", Diss.
Heidelberg 1966 (para material sobre um encontro
secreto sobre Cosmogonia Glacial de 12-19 de
Julho, 1939, veja p.l02/394, notas 20-21);
Reinhard Bollmus, Das Amt Rosenberg und seine
Gegner, Stuttgart 1970, pp.l78/250; Helmut
Heiber ed., Reichsfuehrer! - Briefe an und von
Himmler, 2ª ed., München 1970 (sobre Atlântida,
veja cartas 58 e 59; sobre Cosmogonia Glacial,
veja cartas 26, 33a e 87). À respeito da crença
de Hitler na Cosmogonia Glacial--ele desejava
colocar uma estátua comemorativa ao seu autor,
Hanns Hoerbiger, em Linz, junto das de Ptolomeu
e Copérnico--veja Henry Picker, Hitler's
Tischgespraeche, ed. P.E. Schramm, 2ª ed.,
Stuttgart 1965, pl67 e 298. Os competidores
teosóficos e antroposóficos em assuntos
concernentes à Atlântida, que tinham
originalmente inspirado os nazistas, foram
proibidos durante o Terceiro Reich--por exemplo,
Die Kosmische Vorgeschichte der Menschheit, de
Rudolf Steiner, Dornach 1941. Hoje, Juergen
Spanuth--Das entraetselte Atlantis, Stuttgart
1953, Und doch! Atlantis entraetselt, Stuttgart
1957; Atlantis, Heimat, Reich und Schicksal der
Germanen, Tübingen 1965--e ex-empregados do Birô
Rosenberg ainda estão propagandeando uma teoria
de Atlântida germanófila, na Alemanha Oriental
fascista, tais como Deutsche Nachrichten, etc.
Veja Bollmus, op. cit., p259ff, nota 3, e
p3l5ff, nota 158.
19 - Edmund
Kiss, Das glaeserne Meer, Leipzig 1930 (4ª ed.
1941); Fruehling in Atlantis, Leipzig 1933 (2ª
ed. 1939); Die letzte Koenigin von Atlantis,
Leipzig 1931 (4ª ed. 1941); Die Singschwaene aus
Thule, Leipzig 1939 (3ª ed. 1941). Numa primeira
fase, Kiss recebeu um prêmio por seu trabalho.
20 - Kiss, Das
glaeserne Meer, p.305. No texto subseqüente,
números entre colchetes referem-se à páginas no
último romance nomeado.
21 - In Picker
(§18), pp462-469 e p.143. O "etnologista"
Himmler sobre o mesmo assunto: "Devemos fazer
ainda mais para inculcar uma atitude pacífica e
não-militante dirigido às mentes das pessoas
detrás de nossas linhas.... Devemos apoiar todas
as religiões e seitas que encoragem o pacifismo.
Para todos os povos turcos, o budismo é o mais
adequado. Para outras nações, a carolice bíblica
poderia ser de utilidade"--em Heiber (§18),
carta 330.
22 - Hitler:
"Uma verdadeira dominação do mundo só pode ser
fundada sobre uma raça em particular"--Picker
(§19), pl68.
23 - Ibidem,
p.253.
24 - Lok Myler,
Sun-Koh, der Erbe von Atlantis, série de 150
panfletos (1933-39); Jan Mayen, 120 panfletos
(1935-39). A série Sun-Koh foi tão bem sucedida
(ed. média 60.000; ed. grande 90.000), que Jan
Mayen foi escrito como um tipo de eco. Ambas as
séries apareceram em várias impressões.
(Especialmente a série Sun-Koh continha
passagens grosseiramente plagiadas de romances
serializados pré-guerra, de Robert Kraft.) Ambas
as séries reapareceram depois de 1945. Jan
Mayen--agora o "Mestre da Energia Atômica" (ed.
Utopia-Zukunftsromane, 1949/50)--durou somente
por dez continuações, mas a série Sun-Koh obteve
outras 110 continuações entre 1949 e 1953. Neste
ponto, a editora, Planet Verlag, descontinuou a
série porque uma lei contra "livros prejudiciais
à juventude" era iminente. (Esta editora também
produziu O Sexto e o Sétimo Livros de Moisés.)
Entre 1958 e 1961, a série apareceu numa edição
de biblioteca circulante em 37 volumes,
publicada por Borgsmueller em Muenster. Sob seu
pseudônimo do pós-guerra de "Fireder van Holk,"
Mueller escreveu outras duas dúzias de romances
de FC, publicadas por Biel Verlag e Weiss
Verlag, ambas de Berlin. Ele conseguiu publicar
um número de continuações reescritas de Sun-Koh
na série de panfletos Utopia da Pabel-Verlag e
co-escreveu a série Mark Powers der Held des
Weltalls. [Nagl não diz, mas Sun-Koh explica a
origem e o sucesso de Perry Rhodan entre os
alemães. N. do T.]
25 - Veja
Johannes Lang, Die Hohlweittheorie, 2ª ed.,
Frankfurt 1938, p281; também K. Neupert,
Welt-Wendung! - Inversion of the Universe,
Augsburg 1924, e Geokosmos - Weltbild der
Zukunft, Zurich e Laipzig 1942.
26 - Welt,
Mensch und Gott, de Lang, Frankfurt 1936, foi
examinado como Arquivo P/100 pela Seção de
Superintendência Consultiva para Publicações
Astrológicas e Relacionados na
Reichsschrifttumakammer, Berlin, e passou. Lang
incluiu em seu trabalho os mitos da Atlântida,
astrologia, cosmogonia glacial, teozoologia,
teoria do mundo oco - elas estão todas lá, em
acordo.
27 - Ostara,
Buecherei der Blonden und Mannesrechtler, foi
publicado de 1905 à 1930. Edições individuais
algumas vezes tiveram três impressões. De acordo
com Heer (§13), p70l, Lanz reivindicava um total
de 500.000 cópias impressas. 28 - Por exemplo,
Krieg im All, de St. Bialkowski, Leipzig 1935;
implicitamente em Stone from the Moon de Gail
(1915); transferida para outro planeta em Per
Krag und sein Stern, de Dietrich Kaerrner,
Berlin 1939.
29 - Ostara No.
33: "Die Gefahren des Frauenrechts und die
Notwendigkeit der mannesrechtlichen
Herrenmoral," 1909, pl0.
30 -
Lanz-Liebenfels, Theozoologie oder die Kunde von
den Sodoms-Aeffligen und dem Goetterelektron,
1905.
31 - Idem,
Bibliomystikon oder die Geheimbidel der
Eingeweihten, Vol. II: Daemonozoikon, Pforzheim
1931, pl58.
32 - Ibid.,
Vol. III: Theozoikon, Pressbaum bei Wien 1931,
p40.
33 - Ibid.,
Vol. I: Anthropozoikon, Pforzheim 1930, p90.
34 - "A mulher
têm sido assim, responsável por uma seleção de
2000 anos em direção à grandes genitais"--Ostara
No. 21: "Rasse und Weib und Vorliebe fuer den
Mann der minderen Artung," 1909, p9.
35 - Ostara No.
13/14, página-figura 1, e p13, nota 27.
36 - Ibid., p1.
37 -
"Theozoologie IV: Der neue Bund und der neue
CTott," in Ostara No. 15 (2ª ed. 1929), pl2.
Veja também "Theozoologie VII" em Ostara No. 19
(2ª ed. 1930).
38 - "Die
Blonden als Traeger und Opfer der technischer
Kultur," em Ostara No. 75, p18; citado de acordo
com Heer (§13), p7l5.
39 - Ostara No.
19, p5f.
40 - Oswald
Spengler, Der Mensch und die Technik, München
1932, p70 (itálicos do texto original, em
negrito aqui e em outras citações de Spengler,
são de autoria do citado autor).
41 - Ibid.,
p27, p50, e pp84-86.
42 - Hitler
nunca mencionou abertamente que ele havia lido
as publicações Ostara durante seu período em
Vienna, mas veja seu Mein Kampf, München 1942,
p2l e pp59-63. Daim (§12) e Heer (§12) acharam
uma quantidade de plágios grosseiros direto de
Lanz.
43 - Hitler
(§42), p358.
44 - Picker
citando Hitler (§18), p190. Veja também, p271, e
as memórias de Himmler à respeito da
administração dos "Territórios Orientais"
ocupados (em Vierteljahreshefte fuer
Zeitgeschichte, Vol. 5, 1957, p197).
45 - Hitler
(§42), p317.
46 - Hitler,
como citado em Rauschning (§18), p40.
47 - Hitler,
como citado em Picker (§18), p166.
48 - Rauschning
(§18), pp230-233. A coleção de esqueletos em
Strasbourg, para a qual "espécimes perfeitos",
selecionados dentre prisioneiros de campos de
concentração e comissários soviéticos, foram
assassinados, tinha, pode-se supôr, o propósito
de provar as "origens zoológicas" de Lanz para a
"raça judia-bolchevista".
49 - Lanz,
Bibliomystikon (§31), 2:145.
50 - Ostara No.
12/14, do apêndice, sem número de página.
51 - Hitler,
citado em Rauschning (§18), p78.
52 - Lanz,
Bibliomystikon (§32), 3:28.