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Na edição de incío de maio
de 1952, a publicação dos Diários Associados
anunciava na capa:
"EXTRA: DISCO VOADOR NA BARRA DA TIJUCA
O CRUZEIRO apresenta, num furo jornalístico
espetacular, a mais sensacional documentação
jamais conseguida sôbre o mistério dos
discos voadores - O estranho aparelho veio
do mar, com enorme velocidade e foi visto
durante um minuto - Côr cinza azulada.
absolutamente silencioso, sem deixar rastro
de fumaça ou de chamas - Relato completo da
fascinante aparição na Barra da Tijuca.
Reportagem de ED KEFFEL e JOÃO MARTINS"
Comentário: Uma série sensacional de
cinco fotografias. Sensacional demais: "Ed
Keffel só tinha 5 negativos disponíveis em sua
máquina fotográfica. Ele tinha que saber com
antecedência o que ia acontecer. E sabia. Estava
tudo programado. Em apenas 5 fotos conseguiram
registrar o suposto disco voador de perfil, por
cima, por baixo e inclinado de lado", notou
o ufólogo Claudeir Covo.
A fraude, realizada pela revista "O
Cruzeiro", tomou um rumo inesperado com o
envolvimento de militares brasileiros. Longe de
"encobrir" o caso, eles o endossaram. Oficiais
da Aeronáutica, liderados pelo coronel João Adil
de Oliveira, analisaram as imagens e, ao falhar
em reproduzi-las usando um modelo lançado ao ar,
as declararam autênticas. A fraude foi realizada
em verdade através de fotomontagens.
Um mês depois que as imagens fossem manchete,
a revista Ciência Popular, através de seu
diretor, Ary Maurell Lobo, cumpria seu papel e
garantia que nós, brasileiros, não fôssemos
todos crédulos:
"A
respeito do “disco voador” que marcou entrevista
na Barra da Tijuca com os fotógrafos ...
salientamos as molecagens que têm sido feitas
nos EE.UU e Europa, com o lançamento de pequenos
discos no espaço, e fotografando-os. Tudo quanto
saiu publicado nos periódicos mencionados pode
ser facilmente obtido por êsse processo, ou
mediante uma montagem especial, com sucessivas
fotografias. Não queremos afirmar que a
sensacional reportagem seja de tão criminosa
natureza, mas não a aceitamos", escrevia
Lobo em junho de 1952. Acertou com relação à
"montagem especial".
Já em 1963, o astrônomo Donald Menzel, temido
inimigo das naves interplanetárias -- ou de seus
promotores -- martelava o prego certo sobre o
caso. As sombras do disco voador e da paisagem
são incoerentes. O "relatório Condon", o estudo
da Universidade do Colorado sobre uma série de
casos de OVNIs publicado em 1968, apoiou a
objeção de Menzel através de análise indepente.
A imagem analisada, no início desta página,
indica que o disco voador é iluminado pela
esquerda, enquanto a paisagem, mais notavelmente
a palmeira, é iluminada pela direita.
Nos anos 80, o americano William Spaulding e
os brasileiros Carlos Reis e o já mencionado
Claudeir Covo apresentariam mais evidências de
que as fotografias teriam sido trucadas. Na
quinta e última fotografia, Covo notou que "para
gerar a sombra no objeto, o Sol deveria estar
dentro do Oceano Atlântico".
Finalizamos com a conclusão do relatório
Condon:
"Este caso é apresentado como um exemplo
de fotografias descritas como prova
incontestável de discos voadores, mas que contêm
uma inconsistência interna simples e óbvia".
Confira:
Fraudes Ufológicas - O Caso Barra da Tijuca
E também:
Condon Report, Case 48: Barra Da Tijuca, Brazil
(em inglês)
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