Indiana Jones e as Crônicas de Akakor

“Pulmão do planeta”? Umbigo do Mundo? Segundo as “Crônicas de Akakor” a Amazônia seria muito mais.

Reveladas por Tatunca Nara, um dos remanescentes da tribo Ugha Mugulala, não eram apenas um registro escrito da história da tribo dos Ugha, o que já seria suficientemente impressionante, como se estendiam por mais de 12.000 anos, período no qual vastas cidades teriam sido erguidas pela floresta tropical. Não paravam aí. As obras incluíram vastas redes de túneis subterrâneos construídos pelos deuses dos Ugha (ou Mugulala) que… vieram de um outro sistema solar.

Tudo seria publicado em um livro homônimo pelo jornalista alemão Karl Brugger, e falando em deuses astronautas, o próprio Erick von Däniken veio ao país algumas vezes para conferir, e depois divulgar, a história.

Muito bem, com civilizações milenares fundadas por alienígenas no meio da floresta amazônica, faltavam apenas Indiana Jones da vida real para ir em caça das cidades da perdição. Vários se apresentaram para a tarefa.

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Poder de mente nível 2

Mais informações sobre o fabuloso mestre Ryuken (antes referido como “Ryukerin”). No vídeo acima vemos uma demonstração conclusiva do poder de mente. No vídeo abaixo, vemos mais de perto os resultados do desafio fatal:

Vários leitores, com razão, se mostraram consternados com o mestre. Um senhor de idade, mais precisamente com 65 anos em 2006, quando o desafio acima foi realizado. Uma ambulância foi de fato chamada.

Felizmente o desafio não foi fatal. Infelizmente, o senhor de idade não aprendeu sua lição.

Como a entrada na Wikipedia em japonês sobre o mestre Ryuken Yanagi informa, ele inicialmente admitiu a derrota, declarando como bom japonês que preza a honra que se retiraria das artes marciais. Mas dias depois voltou atrás e contestou a luta, afirmando que seu oponente deveria usar luvas (!?).

Mais pesquisa mostra que Ryuken Yanagi é o “mestre” da academia de Aikidô “Daitoryu”, onde se fazem consultas nada baratas que prometem curar doenças incuráveis através do poder de mente. Seus clientes podem acabar sofrendo muito mais do que a dor de levar socos no rosto.

De verdade.

Jibóia gigante no Pará?

José Paulo Grandal, do Pará, gentilmente nos enviou a curiosa imagem de uma “Giboia”. Mesmo Grandal duvida do colossal tamanho contido na legenda, mas à primeira vista o animal parece de fato muito grande.

Consultamos o herpetólogo Chad Arment, de Strangeark.com, que gentilmente nos esclareceu que “a foto da cobra foi publicada originalmente, de acordo com a Newton’s Encyclopedia of Cryptozoology, em 28 de abril de 1949, no jornal A Província do Pará, creditada a Joaquim Alencar. A cobra supostamente media 45 metros, e foi encontrada no rio Abuna, Acre. Houve uma boa confusão sobre os detalhes ao longo dos anos, e comprimentos diferentes foram divulgados com a mesma foto. Os detalhes do local na foto [que você enviou] parecem ser outra variante”.

Com relação ao tamanho, “não há, infelizmente, maneira de determinar o comprimento da cobra a partir da foto”, Arment lamenta. “E eu não vejo qualquer indicação visual sustentando um comprimento extraordinário para a anaconda”.

Como Craig York também notou, o desfoque gradual da água em frente à cobra sugere que ela estava a pouca distância, talvez menos de um metro do fotógrafo. Neste caso, seu tamanho aparente seria apenas um truque de perspectiva.

Poderíamos acreditar em cobras grandes, mas a foto (in?)felizmente não apóia nada extraordinário.

Balovnis pela paz

Na semana passada, Rafael Sampaio enviou uma mensagem “urgente” a uma lista de discussão sobre ufologia:

“Há uns 40 minutos atrás vi alguns pontos brancos no céu, lembrando muito as tais “flotillas” do México e do Peru. Tinha seguramente mais de 50 objetos. O avistamento se deu no bairro da Tijuca e os objetos aparentemente iam na direção do Andaraí e São Conrado. Se alguém mora em alguma dessas localidades, talvez ainda dê tempo de ver alguma coisa e registrar (coisa que não pude fazer), e quem sabe, identificar os objetos”.

Rafael, contudo, não se contentou com o mistério. Partiu em busca de soluções. Não demorou muito, e ele mesmo esclareceu seu avistamento, ao encontrar a notícia:

Sem surpresa, o caso é mais um exemplo de balovnis: o fantástico fenômeno pelo qual balões no céu são confundidos por “flotillas” de OVNIs apenas porque veículos sensacionalistas insistem que pontos brancos no céu movendo-se aleatoriamente são uma invasão alien.

Rafael Sampaio gentilmente nos descreveu em mais detalhes seu contato com este fascinante fenômeno:

“Bom, em primeiro lugar é importante dizer que eu estava dentro de um ônibus em movimento, o que obviamente não seria a melhor forma de se observar o deslocamento das bexigas, além do que a visão era muitas vezes obstruída por prédios e árvores. Inicialmente tive a impressão de ver algo em baixo dos balões, o que me levou logo a pensar que fossem o que realmente eram (bexigas), porém sem ainda tanta certeza. Eles ora pareciam estar indo lentamente numa mesma direção, ora pareciam estagnados. Vez ou outra um ou outro se movia de modo diferente dos demais, um pouco mais rápido, pode-se dizer. Algumas gaivotas voavam nas proximidades (o que pode ter influenciado na observação do deslocamento particular de um ou de outro), e um avião atravessou o campo de visão bem mais acima, dando alguma noção da altitude em que os balões se encontravam. À medida em que me afastava, a impressão de que estariam estáticos aumentava, o que a física explica. :)”

Balovnis. Você ainda terá seu contato imediato com eles. E não, não há piadas sobre o padre voador por aqui.

Fotografados seres de luz

“‘Eu olhei e pensei, ‘Ah meu Deus, eu enloqueci”, disse a moradora [de Calgary, Canadá] Karen Henuset na primeira vez que viu os espectros. ‘Assim eu pedi que nossa babá viesse e desse uma olhada, e os pêlos em seus braços se arrepiaram’. É ‘claro como o dia. Você vê dois olhos em cada um deles, e eles têm essa coisa em cima da cabeça. É um pouco esquisito’, disse Reid Henuset”.

Mas um vizinho é mais cético. Ele acredita que “a imagem é um reflexo de uma janela. E só aparece à tarde entre a 4:30 e 6 horas. A imagem só desaparece de uma forma — céu nublado”. Da NBC.

Tudo muito bem, mas a invasão silenciosa também chegou ao Reino Unido:

“David e Ann Lawrence [de Weston] viram seu novo vizinho [de luz] e decidiram fotografar a criatura. Ann disse: ‘A casa teve uma extensão construída e desde então, o sol brilhando sobre a janela tem criado essa imagem na parede oposta”.

Anteriormente, os seres de luz se manifestavam de forma mais modesta, como sinais divinos.

“Seriamente”, o “fenômeno” foi interpretado por alguns como um milagre, algo relacionado a “Maitreya e os irmãos do espaço”. Mas há controvérsias. Há um documentário sobre o tema, associando a aparição de “cruzes de luz” com curas e tudo mais.

Confira, em português, mais sobre as cruzes milagrosas. Claro que há os céticos chatos que explicam tudo como reflexos do sol em janelas.

Mas cuidado. Também há os demônios de sombra, bem no estilo Ghost.

Ou pareidolia mesmo. [via Marcianitos]

Vídeo flagra formação de círculo inglês

Criado pela equipe de Mathew Williams, para o jornal News of the World, um “complexo” círculo inglês.

Williams é o primeiro, e até hoje o único indivíduo a ser preso, julgado e condenado pela polícia britânica por criar um círculo na plantação, no ano de 2000. A condenação foi por causar danos à propriedade.

A técnica usada por Williams continua sendo a pioneira dos bons velhinhos. [via ufomystic]

Anomalia Pioneer explicada?

Slava Turyshev, JPL-NASA, parece ter explicado pelo menos 30% da anomalia Pioneer. E a explicação não envolve forças exóticas ou monstros espaciais. Turyshev simplesmente levou em conta o efeito da radiação do calor dos geradores por toda a espaçonave, algo geralmente tão ínfimo que é desprezível, mas em se tratando de uma anomalia da ordem de milionésimos da velocidade prevista, poderia ser muito significativa.

O pesquisador modelou a Pioneer 10 em apenas um ponto no tempo, precisamente julho de 1981. Pode parecer pouco, mas foi um trabalho hercúleo, desde a acumulação de dados antigos — as Pioneer são de uma época longínqua em que projetos eram feitos em papel — até o cálculo de como milhões de elementos modelados se comportariam.

Os resultados foram bem promissores: o efeito realmente age no sentido correto, afetando a velocidade em até 30% do que foi efetivamente medido na anomalia. Refinamentos talvez possam indicar que o efeito seja ainda maior — ou, quem sabe, menor. Confira mais, em inglês, na Planetary Society.

“Encontros Imediatos”: Série de documentários portuguesa

A RTP estatal portuguesa lançou uma série de documentários sobre ufologia (!) com 13 episódios, “Encontros Imediatos”, iniciando em 6 de abril passado.

Contando com “mais de três dezenas de consultores e investigadores das principais universidades [portuguesas] que lançam um olhar distanciado e específico sobre o testemunho dos sujeitos envolvidos nesses inesperados ‘Encontros’, cuidando de expôr, em termos didáticos, as hipóteses mais atuais e possíveis e as teorias mais pertinentes no atual quadro do conhecimento”, como o apresentador e professor Joaquim Fernandes comenta, promete ser no mínimo uma série diferente do que se costuma ver sobre o tema na TV.

Não espere uma série “ortodoxamente cética”. Ainda como Fernandes conta, “valorizamos mais a experiência subjetiva humana, a sua dimensão emocional, social e cultural, e menos as respostas finais e conclusivas sobre os estímulos físicos que eventualmente a causaram”. No vídeo acima você vê a primeira parte do primeiro episódio, com o resto no blog astroPT.

O segundo episódio também já está disponível online, e o terceiro deverá ir ao ar hoje na TV do outro lado do Atlântico.

Um único planeta dos macacos

Charley Lineweaver, cientista do instituto SETI, tem uma visão pessimista sobre a própria busca por inteligência extraterrestre. Em uma palestra (confira os slides, PDF em inglês), Lineweaver lembra ainda outra vez que nada indica que haja uma “tendência evolucionária” favorecendo o surgimento de inteligência como a nossa. Assumir que vida inteligente seria uma tendência natural, e não um acidente raríssimo, seria o que Lineweaver chama de “Hipótese do Planeta dos Macacos”.

“Experimentos independentes em evolução têm sido conduzidos na Terra ao longo dos últimos 200 milhões de anos. Os nomes destes experimentos individuais são América do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Madagascar, Índia e América do Norte”, escreve.

Todos estes confins do planeta ficaram isolados do resto do mundo por longos períodos, favorecendo uma diversidade única de espécies particulares, mas em nenhum desses confins surgiu qualquer forma de inteligência comparável à nossa. Se nossa espécie subitamente sumisse da face do planeta, nada garante que uma outra espécie tomaria nosso lugar para construir cidades e esconder a Estátua da Liberdade. Nem mesmo macacos.

Da mesma forma, ainda que a vida fosse relativamente comum pelo universo, incluindo mesmo formas de vida complexas, poderia haver infindáveis ecossistemas exóticos sem nada como um ser inteligente erigindo civilizações. Se a evolução e a adaptabilidade não são fruto de mero acaso, uma inteligência como a nossa bem poderia ser.

Lineweaver tece outras analogias interessantes para apoiar seu argumento, como a de que enxergar uma tendência ao desenvolvimento de cérebros maiores seria similar a enxergar um nicho pronto para ser preenchido para seres com narizes de maiores dimensões, rumo “naturalmente” à utilíssima tromba de um elefante.

“Eu costumava pensar que o cérebro era o órgão mais importante, até me dar conta de quem me dizia isso”, ele parafraseia.

O argumento defendido por Lineweaver não é de forma alguma original, e certamente não é definitivo. Mas vale uma olhada em seus slides, assim como vários outros das conferências Are We Alone?. [via io9]

Espiritualismo no PROCON inglês

Médiums e espiritualistas temem que mudanças em leis regulando a indústria possa deixá-los vulneráveis à ação civil maliciosa de céticos“, informa a BBC (em inglês). E não são pingüins voadores, isso é a sério. São pessoas que alegam falar com os mortos temendo serem processadas por esses malignos céticos exigindo absurdamente que eles provem o que alegam.

Como se vê, é um caso serísssimo, que pode afetar a indústria espiritualista britânica, regida desde 1951 por uma lei especial que permitia através de falhas jurídicas que médiums alegassem que o que fazem seria apenas para “entretenimento” e quaisquer taxas cobradas seriam para as despesas do estabelecimento e afins. Provar a veracidade de suas alegações não seria necessário, e em mais de meio século apenas cinco charlatães foram condenados.

Carole McEntee-Taylor, da Associação de Trabalhadores Espirituais lembrou que “[a lei antiga] protegia o médium porque significava que a pessoa recebendo a informação tomava responsabilidade pessoal. Seria preciso provar que o médium era fraudulento ou estaria concedendo conselhos que as fariam tomar decisões envolvendo dinheiro”.

Mas a partir de 26 de maio, a atividade passará a ser regulada pela Diretiva de Práticas Comerciais da União Européia. Como uma prática comercial, será responsabilidade do médium provar que não enganou consumidores vulneráveis. O que, obviamente, alarmou os médiuns, que organizaram uma reveladora petição:

“Nós … consideramos discriminatórias as implicações de escolher apenas a religião Espiritualista para ser incluída nas Leis de Proteção ao Consumidor, e não as outras religiões. Quaisquer mudanças [na lei antiga] devem ser feitas apenas depois de extensa consulta a todas as principais organizações espiritualistas”.

A petição teve mais de 2.600 signatários, e pelo menos em sua primeira parte é completamente razoável. O espiritualismo não deveria ser a única religião a estar sujeita a leis de proteção ao consumidor. Todas também deveriam.

O editor de Spitirualist News, contudo, vê as novidades com mais calma. Mas continua revelador em suas recomendações:

“Tudo que o espiritualismo precisa fazer é se assegurar de que os médiuns operem dentro da nova lei sobre serviços que envolvem transações que poderiam ser interpretadas como um ‘contrato com o consumidor’. Isto pode exigir algumas precauções como avisos verbais e possivelmente, no caso de sessões privadas, declarações de imunidade assinadas, mas são certamente algo possível a qualquer médium espiritualista”.

Lembra muito outro religioso ensinando suas técnicas. [via ricbit]