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Memória extracerebral ou síndrome da falsa
memória?
Alejandro Agostinelli, publicado em
Dios!
tradução gentilmente autorizada
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Aonde o cérebro guarda a informação sobre um
acontecimento fantástico, como o de uma suposta
vida anterior? É possível "lembrar" de algo que
não ocorreu? A hipnose -ao invés de liberar
memórias ancestrais reprimidas- favorece estados
de sonho onde fantasia e realidade se tornam
indistinguíveis. Não só pode criar lembranças
fictícias: a ampla divulgação popular de seus
hipotéticos benefícios propícia outras falsas
crenças.
É uma pergunta que poucos formulam
mas cujas conseqüências são extremamente
instrutivas. Em que lugar do cérebro se armazena
a lembrança de vidas passadas? O psiquiatra
Brian Weiss responde: "Ninguém sabe. Para
alguns, a informação se encontra em um campo
energético ao redor do corpo". O problema do
"suporte" da memória de um espírito desencarnado
-por definição sem matéria- põe em sérios apuros
aos que acreditam; alguns, inclusive, procuraram
novas definições para jogar um véu de
cientificismo a um tema basicamente religioso; é
o caso dos autores que chamam o hipotético
suporte "memória extracerebral".
Enquanto os que aderem à crença de vidas
anteriores devem encher páginas e páginas com
casos supostos -quer dizer, com muitas
afirmações que ainda não podem demonstrar-
psicólogos, neurofisiólogos e psiquiatras
procuram explicações às anomalias da memória
apoiando-se em fenômenos que sim são
observáveis, como o são o cérebro, o
comportamento e as crenças das pessoas.
Assim, a aceitação de memórias que poderiam ser
falsas deu lugar a um imenso campo de
investigação. E agora sim se sabe, por exemplo,
por que as falsas memórias se parecem tanto com
as reais. Stephen Kosslyn, da Universidade de
Harvard, descobriu que a zona do cérebro
encarregada de perceber uma imagem e de
arquivá-la como uma memória também se ocupa da
imaginação dessa imagem. As fronteiras entre
feito imaginado e feito percebido são imprecisas
porque, em ambos os casos, entra em atividade a
região temporária média do cérebro. Diante da
dificuldade de recuperar lembranças confiáveis,
os partidários da hipnose regressiva partem para
citar o caso de pacientes que revivem sua
infância ou dão detalhes específicos de sua vida
intra-uterina. Para o psiquiatra Nicholas
Spanos, por exemplo, o hipnotizado em realidade
não se comporta como a criança que realmente foi
e sim como imagina que se comportaria uma
criança de certa idade: seus estudos
demonstraram que os regressos tendem a
superestimar as capacidades intelectuais e as
habilidades das crianças. A possibilidade de
evocar experiências da etapa fetal, por outra
parte, é descartada pelo senso comum. "A
imaturidade neurológica dos bebês antes de
nascer -escreve Spanos- impede de conservar e
muito menos interpretar lembranças."

HIPNOSE:
CONFIANÇA CEGA
Outro estudo mais recente realizado em agosto de
2001 pelo doutor Joseph Green, um professor da
Universidade Estadual de Ohio, concluiu que o
mesmo uso da hipnose alimenta a convicção de que
um acontecimento imaginário existiu em
realidade. Durante uma reunião da Sociedade
Americana de Psicologia, o estudioso explicou
que a hipnose -ao invés de recuperar memórias
"perdidas"- gera falsas lembranças, e que as
pessoas confiam mais em sua memória quando a
hipnose é a ferramenta utilizada para
"recuperá-las".
Green entrevistou 96 estudantes universitários
sobre o dia, mês e ano de certo evento
histórico. Quase a metade dos jovens responderam
sob hipnose, enquanto que a outra metade
realizou um exercício de relaxação muscular
antes das perguntas. Quando o teste acabou, os
estudantes calcularam quanta confiança tinham em
suas respostas. "Assim se comprovou que todos
tinham ao menos uma resposta errada. Demos a
eles, então, uma oportunidade para trocar suas
respostas, e dizer quão seguros estavam delas em
sua versão revisada" (1). O que descobriu a
investigação? Que não havia diferenças na
precisão dos hipnotizados se comparados seus
relatos com os do grupo que fez exercícios de
relaxação. Tampouco houve diferenças no nível de
confiança, apenas que os hipnotizados trocaram
menos respostas quando lhes foi dada a
oportunidade de fazê-lo. "Enquanto a hipnose não
reforça a confiabilidade das lembranças, sim
parece haver certa evidência de que esta aumenta
o nível de confiança na memória", disse Green.
Dito em palavras mais singelas: os que foram
"hipnotizados" se sentiram mais seguros de que
sua memória era "boa" em comparação com aqueles
que não o foram. Este achado, segundo Green, tem
a ver com os chamados "mitos que rodeiam a
hipnose". Em um estudo prévio, Green descobriu
que nove de cada dez pessoas em quatro países
pensam que a hipnose pode ajudar as pessoas a
recordar memórias perdidas. Este lugar comum em
relação aos efeitos benéficos da hipnose sobre a
memória faz com que os hipnotizados outorguem um
grau de confiança a uma técnica que -ao menos
quando usada para tentar recuperar a memória-
nunca se demonstrou competente.
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Referências:
(1) Carpenter, Jeff; Hipnosis: nada de 'sueros
de la verdad'. Un estudio asegura que la
hipnosis no ayuda a los pacientes a recordar. Em
ABCNEWS.com 29/08/01. Tradução: Diego Zuñiga. Em
La Nave de los Locos.