- O Pilar de Ferro de Delhi
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"No átrio de um templo em Délhi, Índia, encontra-se um pilar
construído com pedaços de ferro soldado, que há mais de 4.000 anos está
exposto às intempéries, sem que mostre o menor vestígio de ferrugem: pois
está livre de enxofre e fósforo. Temos aí uma liga de ferro desconhecida,
proveniente da Antigüidade". - Erich von Däniken - Eram os Deuses
Astronautas?
Ao
ler atentamente o trecho acima uma pessoa pode ficar confusa: se a coluna é de
ferro "livre de enxofre e fósforo" e está no átrio de um templo em Nova Délhi,
como pode ser uma "liga de ferro desconhecida da Antigüidade"? Felizmente, nós
não precisamos (e em verdade não devemos) nos limitar ao traficante de mistérios
suíço.
O pilar de ferro de Delhi tem em realidade pouco mais de
1.500 anos de idade. Com inscrições indicando que louvava o rei Chandragupta II
(373-413), acredita-se que havia originalmente em seu topo uma imagem do deus
hindu Garuda (deus-pássaro). O pilar revela o notável estado de desenvolvimento
da metalurgia indiana da época dos Guptas (300-500), porém como diversos estudos
demonstraram, não há nada de sobrenatural nele -- ele não é de "ferro 100% puro"
nem é uma "liga de ferro desconhecida da Antigüidade".
As explicações para o pilar de ferro estar de pé por mais de
1.500 anos dividem-se em duas categorias: as condições ambientais e o material
do pilar.
Já em uma edição da Nature de 1953 estava publicado um
trabalho de JC Hudson onde amostras de aço e zinco foram expostas ao tempo em
Delhi, perto do pilar, e também em outros locais para uma comparação. As
amostras em Delhi mostraram pouca corrosão. Durante a maior parte do ano, a
umidade relativa na área é inferior a 70%, por meses significativamente
inferior. Durante a maior parte dos últimos 1.500 anos o ar também não esteve
contaminado por dióxido de enxofre.
O trabalho do professor Ulick Evans pode chamar mais a
atenção. Publicado em 1960, em parte da pesquisa pedaços do pilar de Delhi foram
expostos a um ambiente industrial moderno poluído -- e corroeram-se rapidamente.
Assim, o ambiente onde está o pilar é um dos fatores determinantes para que ele
ainda esteja de pé.
Por outro lado, seu material também é um dos fatores. Ao
contrário das precisas informações de Däniken, ele contém fósforo e muito pouco
enxofre, levando a um ferro mais resistente à corrosão (mas, como constatado,
não tão resistente assim). A baixa quantidade de enxofre parece se dever ao uso
de carvão vegetal ao invés de mineral para a siderurgia, enquanto a adição de
fósforo parece intencional. Dizer que ele "não apresenta nenhum sinal de
ferrugem" é enganoso, pois parte da resistência à corrosão do pilar deve-se
justamente à ferrugem superficial, que forma um filme de superfície passiva
(similar ao que ocorre no "aço inox", que em verdade oxida superficialmente).
Infelizmente o pilar de ferro de Delhi não é um artefato da
metalurgia Atlante ou um presente alienígena inexplicável. É uma combinação
feliz de um ambiente apropriado e uma liga de ferro bem-feita, mas não
incrivelmente avançada. Em verdade, o pilar não é nem mesmo o único artefato de
metal da época dos Guptas que resistiu até hoje.
Dizem que traz sorte abraçar o pilar de costas. Se você é um
traficante de mistérios, abrace a lenda do inexplicável pilar de ferro indiano
que não enferruja sem olhar para qualquer referência séria. Pode trazer algum
dinheiro.
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Referências
- J.C. Hudson, Nature, 1953, Vol. 172, pg. 499.
- U. Evans, The Corrosion and Oxidation of Metals: Scientific Principles and
Practical Applications, 1960, St. Martin's Press, pg. 508
- J.C. Chaudari, Joswa, 1957, Vol. 5, No.1
- K. Daeves, Stahl und Eisen, 1940, Vol. 60, pg. 245.
Como citado em
-
Ashoka Pillar - alt.folklore.urban & Urban Legends
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Delhi Pillar - alt.folklore.urban & Urban Legends
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THE CORROSION RESISTANT DELHI IRON PILLAR
- Dr. R. Balasubramaniam