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Os 223 Genes (de Sitchin)
Referência atualizada em 14 de março de 2004
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"À
imagem de quem
Adão -- o protótipo dos humanos modernos, Homo Sapiens -- foi
criado?”. É com essa pergunta que Zecharia Sitchin, autor do livro
O 12o Planeta, nos introduz a descoberta de genes
“enigmáticos”, parte do anúncio feito pelo consórcio internacional do projeto
Genoma em fevereiro de 2001.
Em um sumário de suas descobertas preliminares publicado no periódico Nature,
no meio de 150 páginas dedicadas ao tema, o projeto internacional apresentava
onze importantes achados – entre eles o de que 223 de nossos genes “parecem ter
sido transferidos de uma gama de espécies bacterianas”, em uma
transferência horizontal na árvore evolutiva.
Em outras palavras, parte de nosso magnífico genoma não seria fruto de uma
contínua evolução que foi selecionando de nossos ancestrais mais remotos ao
lindo bebê
Homo Sapiens à sua frente, mas teria em algum momento de nossa história
adentrado direta e clandestinamente de simples bactérias!
Zecharia Sitchin logo entraria clandestinamente nesta história científica, com
sua nota intitulada:
“O caso dos genes alienígenas de Adão”
Sitchin defende que nós fomos criados através de engenharia genética por seres
extraterrestres, os Anunnaki de Nibiru (o “12o planeta”), e teríamos
sido feitos “à sua semelhança” a partir de hominídeos que habitavam este
primitivo planeta quando de sua visita.
Na nota, ele encaixa os 223 genes em suas histórias, aparentemente sem muitos
problemas. Primeiro, é preciso notar como o cerne desta descoberta seria o de
que temos genes em comum com bactérias. E enquanto os cientistas sugeriram que
foram justamente inseridos por e elas e delas, também teriam notado que “não
está claro se a transferência foi de humanos a bactérias ou de bactérias a
humanos”. As bactérias poderiam ter adquirido os genes de nós. Nesse caso então
o quê teria inserido esses genes? Ou quem? E de onde?
“Leitores de meus livros devem estar sorrindo agora, pois já sabem a resposta”,
escreve Sitchin. Extraterrestres, é claro, os Annunaki. Eles “vieram à Terra há
aproximadamente 450.000 anos” em busca de ouro. Depois de 150.000 anos,
exaustos, resolveram criar sua mão-de-obra: “Enki -- o cientista chefe --
iniciou um processo de engenharia genética, adicionando e combinando genes dos
Anunnaki com os dos hominídeos já existentes”. E o resultado foi nada menos que
nós,
Homo sapiens, a mão-de-obra terrestre para os extraterrestres.
“É assim”, ele sugere, “que nós chegamos a possuir estes peculiares genes
extras. Foi à imagem dos Anunnaki, não de bactérias, que Adão e Eva foram
criados". O Projeto Genoma teria descoberto os “genes alienígenas de Adão”, uma
“corroboração pela ciência moderna dos Anunnaki e suas proezas genéticas na
Terra”.
Uma
busca no Google em março de 2004 mostra que esta nota de Sitchin foi
reproduzida por mais de 4.000 sítios on-line. Infelizmente, está errada.
O caso dos genes bacterianos dos vertebrados
O problema com os “genes alienígenas de Adão” é que os genes discutidos e
anunciados não seriam originais de “Adão”, isto é, não seriam exclusivos ao
homem moderno. Teriam sido inseridos em nossa linhagem evolutiva há centenas de
milhões de anos, e não há 300.000 anos, como Sitchin claramente afirma. Seriam
genes presentes em todos os vertebrados, possivelmente presentes neles há pelo
menos 450 milhões de anos atrás.
O próprio Sitchin cita a informação, embora de forma habilidosa para que não
evidencie o problema. Enquanto o anúncio original publicado na Nature diz que:
“uma análise mais detalhada feita por computador indicou
que pelo menos 113 desses genes são comuns em bactérias, mas entre
eucariontes,
parecem estar presentes apenas em vertebrados” (ênfase inserida)
O autor de O 12o Planeta cita o trecho
desta forma:
“A equipe do Consórcio Público, conduzindo uma busca
detalhada, descobriu que em torno de 113 genes (dos 223) ‘são comuns em
bactérias’ --
embora estejam completamente ausentes mesmo em invertebrados” (ênfase
inserida)
Ao invés de dizer que os genes estão presentes em
vertebrados, e não apenas em humanos, diz que estão “ausentes mesmo em
invertebrados”. Sitchin exibe suas habilidades literárias.
Nosso talentoso autor também cita várias vezes um artigo publicado no periódico
Science. Curiosamente, não cita que no mesmo artigo podemos ler que “alguns
pesquisadores suspeitam que o
genoma vertebrado antigo recebeu genes bacterianos” (ênfase inserida).
Curioso, pois tanto a frase anterior quanto a posterior são citadas.
Os seres vertebrados surgiram há milhões de anos, e nem mesmo Sitchin defende
que foram os Anunnaki a criá-los. Segundo ele, os Anunnaki teriam vindo ao nosso
planeta há “apenas” 450.000 anos, supostamente criando o ser humano há 300.000.
Como tais genes podem ser encontrados também em outros vertebrados, não são
“genes de Adão”, muito menos devem ser alienígenas. O anúncio feito pelo Projeto
Genoma sempre se referiu aos possíveis genes bacterianos dos vertebrados.
E há mais. Ou menos.
O caso dos genes inexistentes
Tais genes bacterianos transmitidos lateralmente aos vertebrados podem mesmo não
existir. Apenas quatro meses depois do anúncio de descobertas preliminares do
Projeto Genoma, a mesma Science publicou um artigo do The
Institute for Genomic Research
que pretendia “corrigir o registro”, segundo Steven Salzberg. O novo
estudo, centrado especificamente na questão, reduzia os genes possivelmente
adquiridos lateralmente a pouco mais de 40, “tendendo a zero” à medida que mais
genomas e mais buscas fossem realizadas.
Mais um mês e a própria Nature também publicaria outro estudo feito pela
GlaxoSmithKline que igualmente contrariava a promiscuidade de genes
entre bactérias e vertebrados. Analisando parte dos genes em questão, o estudo
defendeu que eles “podem ser explicados em termos de herança através de origem
comum ao invés de um pulo de bactérias a vertebrados”.
“O relatório publicado na Nature em fevereiro de 2001 tinha o seguinte
título geral: ‘Seqüenciamento e análise inicial do genoma humano’. Era um
relatório preliminar, que divulgava genericamente o que se tinha aprendido até
aquele momento. E se aprendeu muito”, disse o bioquímico Jorge H. Petretski em
uma lista de discussão sobre ufologia, a
BURN.
“Mas alguns meses depois... já se tinha aprendido mais um pouco”, completou.
Mal para Zecharia Sitchin, que pretende revelar a “verdadeira” história não só
da humanidade, como de seres extraterrestres, datando de centenas de milhares de
anos.
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Com agradecimentos a Jorge H. Petretski pela ajuda na correção desta
‘referência’
Leia mais:
- THE CASE OF
ADAM’S ALIEN GENES - O relato original de Zecharia Sitchin sobre os 223
genes
- Got
bacterial genes?
-
Researchers Challenge Recent Claim That Humans Acquired 223 Bacterial Genes
During Evolution
-
Setting the Record Straight
Referências:
- Lander, E.S. et al. Initial sequencing and analysis of the human
genome. Nature 409, 860-921 (February 15, 2001).
http://www.nature.com/genomics/human/papers/409860a0_r_4.html
- Salzberg, S.L. et al. Microbial genes in the human genome: lateral
transfer or gene loss? Science 292, 1903-1906 (June 8, 2001). Published
online May 17, 2001.
- Stanhope, M.J. et al. Phylogenetic analyses do not support horizontal gene
transfers from bacteria to vertebrates. Nature 411, 940-944 (June 21, 2001).
http://www.nature.com/nature/links/010621/010621-3.html