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OVNI de Vórtice em Caratinga

17 de julho de 2008 Comments (3) Views: 1956 Ufologia

Vallee sobre os Mensageiros da Enganação

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O Daily Grail republicou o clássico ufológico de Jacques Vallee, “Messengers of Deception”, que alertava há mais de duas décadas sobre o perigo dos cultos e da manipulação da área para os mais diversos e escusos fins. Entre os cultos sobre os quais o ufólogo francês chamava a atenção estava o então obscuro grupo que anos depois seria mais conhecido como Heaven’s Gate.

Interpretado por ninguém menos que Truffaut no filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau de Spielberg, Vallee continua sendo uma das principais figuras no desenvolvimento da ufologia apesar de ter evitado maior exposição pública nos últimos anos.

Em resposta a críticas e comentários recentes da comunidade ufológica, o ufólogo concedeu uma entrevista ao Daily Grail. Apesar de suas idéias e declarações não se alinharem perfeitamente com as posições e evidências que CeticismoAberto expõe e defende, traduzimos integralmente sua entrevista por representar uma opinião diversa em geral muito sensata e válida.

Se todos os ufólogos fossem como Jacques Valleé, haveria muito menos trabalho para céticos.

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TDG: Jacques, obrigado por falar conosco do The Daily Grail. Vamos direto ao novo lançamento: a publicação original de Messengers of Deception em 1979 marcou um ponto de virada e tanto em sua posição na comunidade da ufologia. Seu alerta de que devíamos ser mais cautelosos ao abraçar o fenômeno e que suas qualidades subjacentes poderiam ser negativas e enganadoras em natureza, ao invés de benevolentes, foi rejeitado por muitos (e ainda parece causar descontamento hoje). Estou ansioso para saber o que agiu como catalisador para que escrevesse Messengers of Deception, e se tem algum pensamento sobre por que tantos na comunidade de pesquisa OVNI o retratam como uma espécie de traição?

Vallee: A evidência para uma “sub-corrente” de enganação por trás de alguns supostos casos OVNI só se torna visível quando você passa tempo em campo entrevistando testemunhas e rastreando a evidência. Tornou-se incômodo para mim porque representava uma perda de tempo e uma distração ao estudo de observações autênticas. Pesquisadores que coletam relatos apenas através de descrições em livros ou na mídia não encontrariam necessariamente este nível do fenômeno e compreensivelmente resistiriam à sugestão de que a crença na intervenção extraterrestre está sendo manipulada para servir a objetivos políticos ou de cultos.

Mesmo pessoas que estão plenamente conscientes deste aspecto negativo não querem trazê-lo à tona porque pensam que será negativo ao tema. Muitos ufólogos respeitáveis não querem que os relatos enganadores sejam expostos, assim como a Igreja Católica negou por muito tempo o abuso em suas fileiras. Dedos-duro nunca são bem-vindos: fui mesmo acusado de ser um “cérebro infiltrado” nas páginas augustas da Society for Scientific Exploration! Minha própria posição sempre foi a de que, pelo contrário, a melhor forma de ganhar o respeito da comunidade intelectual é expor as fraudes, a pesquisa mal-feita e a manipulação sempre que as encontremos.

TDG: A mensagem subjacente do livro parece mais relevante do que nunca – nos últimos anos vimos o caso “Serpo” ganhar muito impulso em certas partes da comunidade, e agora a história dos “Drones CARET” parece ter tomado vida própria, apesar de haver pouca ou nenhuma evidência por trás de qualquer uma dessas histórias. Considerando os perigos da credulidade de que você alerta em Messengers of Deception, ainda pensa que ufólogos famosos e a mídia deveriam ser mais diligentes em exercitar um ‘dever de cautela’ ao apresentar esses casos de forma tão empolgada?

Vallee: Se não estabelecermos um alto padrão para os dados que publicamos, toda a área sofre. Então se torna fácil para os céticos alegar que o fenômeno só aparece para “malucos e excêntricos”, como o astrofísico Stephen Hawking declarou recentemente na Inglaterra. Isto é exacerbado pela credulidade crescente do público e sua exploração desavergonhada pela mídia. Parece que as pessoas – incluindo indivíduos muito bem educados – estão prontas para acreditar em quase qualquer coisa que vejam na Internet ou no programa Larry King.

TDG: Em Messengers of Deception você aconselha as pessoas a tomar cuidado com ‘psy-ops’  iniciadas por agências de inteligência e militares – cita o caso da Segunda Guerra Mundial da ‘Seção de Controle de Londes’ (LCS), cuja única função era enganação estratégica, comumente usando “truques da ciência”. Mas o quanto devemos tomar este conselho em consideração? Grande parte dos ufólogos, a maior parte dos indivíduos que trabalharam na pesquisa e realização de visão remota, e também uma porção significativa de parapsicólogos, todos eles tiveram ligações fortes com grupos militares e de inteligência. Deveríamos então ser bem céticos quanto às alegações feitas sobre cada tópico, mesmo que soem cientificamente plausíveis?

Vallee: Os mesmos padrões devem ser aplicados aqui como na ciência em geral: Procure pela evidência por trás de cada alegação, rastreie as referências e teste os dados por si mesmo. Pessoas ligadas à comunidade de inteligência das grandes potênticas têm estado envolvidas intimamente com casos OVNI desde a Segunda Guerra Mundial. Esse interesse é legítimo, seja puramente pessoal (como a maioria deles alega) ou relacionado a seus deveres oficiais. O mesmo é verdade na parapsicologia.

Isto só se torna um problema quando o interesse quasi-oficial vai além da pura pesquisa e se estende para fraudar avistamentos, disseminar fotos ou filmes falsos e promover crenças bizarras, seja para servir como distração para operações de intelligência reais, ou como cobertura para o desenvolvimento de protótipos avançados. Um bom exemplo é dado pelas alegações de OVNIs vistos sobre a Unisão Soviética nos anos 1970, que foram plantadas pela KGB para encobrir o lançamento de satélites soviéticos que violavam tratados SALT. Toda nação pode jogar este jogo, e tem jogado.

TDG: Quando olhamos para a ufologia nos anos 1960, contra o que se vê hoje, não estou certo de que muito progresso tenha sido feito (talvez o oposto). A ufologia é um empreendimento infrutífero, sem fim, que não mereça nossa atenção prolongada? Você dedicou pessoalmente quase 50 anos de pesquisa e escritos a explorar o fenômeno – pode dar uma opinião simples à questão: o que está por trás do fenômeno OVNI?

Vallee: Você está me fazendo duas perguntas diferentes aqui. Eu me convenci de que há um fenômeno OVNI real uma vez que os erros, fraudes e manipulações ocasionais são excluídos. Sabemos de fato muito mais hoje do que há 10 anos atrás, graças a pesquisadores dedicados que investiram seu tempo e recursos a documentar os dados. Isto não é tão bom quanto um esforço sério de pesquisa científica, mas não se deve subestimar o que pode ser alcançado por amadores motivados. Dito isso, seria pouco realista esperar soluções rápidas, neste campo assim como em qualquer empreendimento científico.

Também estive interessado na natureza da consciência, e esse campo também não chegou mais próximo de uma solução em cinqüenta anos. De forma similar, veja alguns dos enigmas persistentes da arqueologia ou da medicina: tudo que podemos fazer é documentar nossos dados e esperar que alguém dê sentido a eles no futuro.

TDG: Voltando a outro aspecto de sua pesquisa que o tornou um ‘herético’ dentro da ufologia: Você foi um dos primeiros a explorar a idéia de que eventos OVNI eram tão ‘psíquicos’ em natureza quanto ‘físicos’. Pode detalhas alguns destes aspectos ‘psíquicos’ e o que pensa ser sua causa?

Vallee: Este ainda é um aspecto pouco conhecido dos avistamentos porque a maior parte dos investigadores não vasculha esta área, seja por falta de conhecimento em parapsicologia ou simplesmente porque pensam que já sabem a resposta, e que deva envolver espaçonaves alienígenas. É preciso uma testemunha corajosa para que o relato de tais experiências seja trazido à tona frente a pesquisadores céticos. Não acredito que uma observação OVNI torne qualquer um um ‘psíquico’, para usar a terminologia popular, mas o fenômeno vem em um ambiente de manifestações que incluem percepção aumentada de sincronicidades, sons e luzes paranormais e ocasionalmente coincidências absurdas similares àquelas descritas na literatura poltergeist.

TDG: Sobre isso, Margaret Mead uma vez escreveu: “Quando queremos entender algo estranho, algo previamente desconhecido, devemos começar com um conjunto totalmente diferente de perguntas. O que é isso? Como funciona? Há regularidades recorrentes?”. Eu estive intrigado com algumas destas “regularidades recorrentes” com relação a fenômenos paranormais – em particular os sons estranhos ouvidos, embora haja outras coisas como nevoeiros estranhos, gostos e cheiros bizarros – mas acho curioso que a pesquisa na ufologia não pareça lidar com estes. De sua própria pesquisa, pôde identificar alguma dessas “regularidade recorrentes” que para mim forneceriam algum tipo de evidência de que um fenômeno objetivo, estruturado, está em ação aqui?

Vallee: O fenômeno é muito robusto em suas manifestações, tanto físicas quanto fisiológicas. As primeiras podem ser vistas plotando a hora do dia em que as observações são feitas (a “Lei das Horas”), e o desenvolvimento de ondas específicas. Traços físicos, interferência com ignição de carros, fenômenos de padrões de luzes e energias foram todos documentados por autores sérios. Os fatores fisiológicos incluem evidência de exposição à radiação UV, efeitos freqüentes nos olhos (de conjuntivite a cegueira temporária), ferimentos ou bolhas na pele em reação a focos de luz, inibição temporária do controle muscular, perturbações no ciclo do sono, e fadiga e anemia em geral durando mais de 7 dias e com risco de morte em alguns casos extremos.

TDG: Apesar destas peças intrigantes de evidência, ‘céticos’ (do tipo do CSICOP) ainda tendem a descartar a ufologia como uma massa de “avistamentos de Vênus”. O movimento cético/racionalista – e a academia em geral — são culpados por ignorar o fenômeno baseado quase puramente em ego intelectual e medo de passar vergonha? E há um perigo de que ao alienar-se (com o perdão do trocadilho) das experiências do público, eles estejam de fato incentivando essas mesmas crenças? Como você nota apropriadamente em Messengers of Deception, “Quando o Establishment é racional, o absurdo é dinamite”.

Vallee: Ao negar a realidade dos relatos, deixando de lado as testemunhas (incluindo observadores treinados como pilotos ou tripulações militares) e tratá-las como bobos ou charlatães, os céticos acadêmicos estão em realidade ensinando ao público que a ciência é impotente em estudar o fenômeno. Enquanto a crença na realidade dos OVNIs cresce entre a população, acompanhada da evidência de que um fenômeno real existe, as pessoas naturalmente tendem a se afastar da ciência em sua busca por respostas, e essa é uma tendência muito perigosa.

TDG: De forma semelhante, em Messengers of Deception você nota que “a experiência de um contato imediato com um OVNI é uma tortura física e mental”. Pessoas com experiências OVNI são rejeitadas (e pior, ridicularizadas) injustamente por redes de apoio psicológico e médico, baseados simplesmente na natureza de sua experiência?

Vallee: O que essas pessoas sofrem é pior do que serem rejeitadas. Na maioria dos casos, são deixadas para cuidar de si mesmas, e se tornam presa fácil para grupos com respostas fáceis. Nas palavras de uma mulher que me escreveu depois de uma experiência horrível que ela interpretou como uma abdução alien, seguida de uma série desastrosa de sessões hipnóticas nas mãos de pesquisadores incompetentes, “os ufólogos foram piores que os seres que me abduziram”. O vácuo que foi criado pela negligência acadêmica está sendo preenchido por todos tipos de sistemas de crença irracionais, comumente ligados a teorias de conspiração e paranóia política. Isto era verdade quando escrevi o livro há trinta anos, e é ainda mais verdade agora”.

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A reedição de 2008 do trabalho clássico "Messengers of Deception" foi reeditada por Vallee e vem com um novo prefácio. Pode ser adquirida pela Amazon US e Amazon UK.

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3 Responses to Vallee sobre os Mensageiros da Enganação

  1. gabriel disse:

    Pois é, a ufologia deixou de ser coisa séria há muito tempo. Entrei no site da revista UFO, e me surpreendeu como não há filtro para o conteúdo apresentado, tudo que é possível colocar na revista, mesmo sem averiguação, é colocado. mas claro, sendo uma revista, ela precisa vender.
    Mori, trocando de assunto, gostaria de receber referências de artigos a respeito de Sai Baba, líder espiritual. O que você puder me indicar pra ler sobre ele. Obrigado.

  2. lordtux disse:

    “Vallee: Ao negar a realidade dos relatos, deixando de lado as testemunhas (incluindo observadores treinados como pilotos ou tripulações militares) e tratá-las como bobos ou charlatães, os céticos acadêmicos estão em realidade ensinando ao público que a ciência é impotente em estudar o fenômeno. Enquanto a crença na realidade dos OVNIs cresce entre a população, acompanhada da evidência de que um fenômeno real existe, as pessoas naturalmente tendem a se afastar da ciência em sua busca por respostas, e essa é uma tendência muito perigosa.”

    Esse é o cara, nessa trecho ele disse tudo.!!!

  3. Carlos Magno disse:

    Boa, Lordux!

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