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Um Fenômeno Plástico

Arte e OVNIs? Não, obrigado, só arte…

6 de julho de 2009 Comments (0) Views: 639 Ceticismo, Destaques, Ufologia

Discos que aumentam

por Martin S. Kottmeyer, original em REALL News
Eu negligenciei uma faceta da natureza mutante das crenças em OVNIs quando escrevi “Um Fenômeno Plástico” alguns anos atrás. A pergunta realmente não passou por minha mente enquanto o escrevia, embora eu quase certamente tenha ouvido em algum lugar a idéia de que os discos tenham ficado maiores depois do filme ‘Contatos Imediatos de Terceiro Grau’. Mesmo que eu tivesse pensado nisto, provavelmente teria ignorado a idéia depois de alguma pesquisa. Estatísticas sobre os tamanhos de discos voadores não são oferecidas nos trabalhos mais comumente consultados, especificamente naqueles que foram referenciados em meu “Um Fenômeno Plástico”. A ausência de tais estatísticas, eu acredito, deriva do sentimento geral, até mesmo entre defensores do fenômeno, de que as estimativas de tamanho são tão altamente subjetivas que são praticamente inúteis.
Eu mudei de idéia quando li os resultados de um estudo que Ed Stewart fez de 1169 recortes de jornal de jornais canadenses coletados da onda de avistamentos de discos voadores em 1947. Ele publicou os resultados recentemente em um site sobre céticos sobre OVNIs. Embora a maioria dos recortes não oferecesse nenhuma informação sobre o tamanho dos discos, 125 deles o fizeram. Quando ele os organizou por ordem de tamanho houve uma surpresa, a categoria principal tinha os discos na faixa de tamanho de 30 centímetros a 1 metro e a próxima era de discos ainda menores. Se você inclui nas contas os discos comparados em tamanho a bolas de basquete, beisebol e golfe, a fração de relatos descrevendo discos com 1 metro ou menos chega a três-quartos dos 125, especificamente 87 deles.
A estranheza é comparada em dados americanos. Embora Bloecher não tenha fornecido uma tabela em seu estudo sobre a onda de 1947, eu pude preparar uma usando os dados ele proveu. As escalas de categoria foram escolhidas para ser idênticas às do estudo de Stewart.

Menores que 30 centímetros: 56 avistamentos
De 30 centímetros a 1 metro: 32
De 1 a 3 metros: 22
De 3 a 10 metros: 20
De 10 a 30 metros: 20
De 30 a 100 metros: 12
Maiores que 100 metros: 02

De 164 casos que fornecem descrições utilizáveis, 53% (88) são descritos como de 1 metro ou menos. Embora a distribuição não seja tão surpreendente comparada ao Canadá, o problema permanece o mesmo. As descrições de discos voadores em 1947 mostram a maioria deles muito menor do que nós estamos acostumados a ouvir.
Stewart viu o problema: tais discos “não poderiam levar qualquer ocupante a menos que eles fossem do tamanho de um lagarto doméstico”. Aliens Grays padrão, reptóides, ou aliens parecidos com louva-a-Deus não cabem dentro de tais discos. Similarmente, você não poderia levar humanos para dentro deles a menos que eles possuíssem poderes de miniaturização indistinguíveis de poderes sobrenaturais fora do reino da ciência.
Da mesma forma, isto evoca a questão do envolvimento de aeronaves novas com pilotos humanos como o Flying Flapjack, um dos principais suspeitos em vários artigos de jornais e revistas dos anos quarenta e cinqüenta. A noção de que isso estava relacionado às aeronaves desenvolvidas pelos Irmãos Horten também cai por terra. Então o que está ocorrendo aqui?
Alguns, da persuasão desmascaradora, sem dúvida começarão e entreter o envolvimento de pássaros e balões meteorológicos neste ponto. Embora provavelmente não muito incorreto, isto não é exatamente aonde eu estou chegando. O que é curioso aqui é que estas pessoas se importaram em relatar estes avistamentos mesmo que achassem que os discos tivessem estes tamanhos aparentemente estranhos para nós. Por que eles não mantiveram o avistamento de tais discos pequenos para eles mesmos?
Stewart deve ter acertado em cheio ao notar que as pessoas estavam, em parte, levando a frase ‘disco voador’ [do inglês, flying saucer ou pires voador] um pouco literalmente demais. “As descrições de discos nas notícias faziam referência a pires de xícaras usados sobre a mesa que poderiam ter implantado um tamanho pequeno na mente dos leitores quando eles leram as histórias iniciais”. Nós devemos somar que no primeiro artigo da Associated Press de 25 de junho de 1947 sobre a história de discos voadores não havia nenhuma informação sobre o tamanho dos objetos misteriosos. O uso repetido de “objetos” no texto da história não dá nenhuma pista boa sobre tamanho, exceto no mais vago senso de que alguém poderia preferir uso do termo “objeto” para referir-se a artigos que você pode erguer ou mover. Se estas coisas estivessem na faixa de tamanho de uma casa ou campo de futebol americano, você acharia que um termo diferente deveria ser usado.
A palavra grande não era usada no artigo. Em outros lugares Arnold fala dos objetos como “naves” ou “aeronaves estranhas” que insinuam algo bem maior que pires de mesa. Mas estas informações tiveram claramente menos exposição que seu primeiro relato e era a frase mágica ‘disco voador’ [pires voador, flying saucer] que estava na ponta da língua das pessoas. Pode ser que a mídia canadense tenha divulgado menos ainda as entrevistas subseqüentes, e isso explicaria por que a distribuição canadense aponta para tamanhos menores.
Entretanto, pires de mesa, de acordo com minha experiência, não se estendem à faixa de tamanho de 30 centímetros a 1 metro, e é nela que a maioria dos relatos se acumulam. Nós provavelmente temos que lembrar das pesquisas de 1947, que indicaram que qualquer convicção sobre os discos voadores mostrava que as pessoas favoreciam a idéia de que os discos eram algum tipo de arma secreta sendo desenvolvida nos Estados Unidos. Havia algo no pano de fundo histórico recente que influenciasse as estimativas a esta faixa de tamanho?
Honestamente, eu não estou seguro, e espero que alguém possa oferecer algum dia uma resposta definitiva. Enquanto isso, um par de possibilidades passam por minha mente. Nós sabemos que havia um rumor/mito complexo sobre ‘foo-balls ‘ e ‘foo-fighters ‘ durante a segunda guerra mundial e eu vi artigos que sugerem tamanhos comparáveis a bolas de basquete ou objetos na faixa de 30 centímetros a um metro e meio, mas não estou certo se este material era amplamente disseminado na cultura de 1947. Alternativamente, os experimentos de foguetes de Robert Goddard no período pré-Guerra eram razoavelmente bem conhecidos e eu vi fotografias e filmes onde esses foguetes parecem pequenos, certamente muito menores que os foguetes V-2 nazistas. Dado que os discos são armas secretas ‘Americanas’, os foguetes de Goddard poderiam ter provido um ancestral adequadamente menor. Mas parece mais razoável que o V-2 devesse ser a escolha mais provável para guiar uma idéia sobre que tamanho uma arma secreta deveria ter e eles tinham 46 pés de comprimento. Eu espero que fique óbvio que eu não sou entusiástico sobre qualquer uma destas noções. Eu só as ofereço para começar uma discussão.
Independente da resposta, a descoberta de Stewart joga uma luz sobre um par de mistérios existentes há muito tempo sobre o período inicial da história de discos. Há anos tenho ficado impressionado com o fato de que houve tão poucos casos de ocupantes nos relatos da onda de 1947. Pesquisadores encontraram nada menos que 36 contatos imediatos do terceiro grau detalhados nas ondas de Aeronaves Fantasma de 1896-7. Pelo menos 14 deles são explicitamente extraterrestres e alguns mais podem ser implicitamente. Em contraste, em 1947 há talvez 4 encontros com entidades com 3 deles mais ou menos explicitamente extraterrestres. O outro envolve pessoas vestidas com uniformes da Marinha. “Por quê?” torna-se um pouco patente agora. Nas ondas de aeronaves fantasma, era explícito desde o início que os objetos eram naves que carregavam passageiros. Na onda de discos de 1947, os discos eram apenas objetos. A suposição corrente parece ser de que eles também eram pequenos, logo não havia nenhuma expectativa entre a maioria dos crentes de que eles pousariam e pessoas emergiriam.
Mais especulativamente, isto pode nos dar uma resposta para por que os relatos de contatos de terceiro grau dos anos cinqüenta, quando envolviam aliens (uma boa fração não envolvia, envolvia pilotos terrestres aparentemente), seres preferencialmente pequenos estavam envolvidos. Três encontros imediatos de 1947 eram respectivamente descritos como “pequenas pessoas” (7 de julho – Tacoma, Washington); “um pequeno homem, com meio metro de altura e com uma cabeça do tamanho de uma bola de basquete” (8 de julho – Houston, TX) e pequenos homens estranhos (9 de julho – Nashville, Tennessee). Dada a dominância dos tamanhos pequenos das naves, isto começa a fazer sentido. Este preconceito permaneceu em casos melhor conhecidos durante os anos seguintes e na época do estudo de James McDonald, publicado 1973, mais de 119 “anões” ou “pigmeus” existiam comparados a 85 humanóides de ‘tamanho normal’ e 13 gigantes. Pode haver alguma outra explicação para esta distribuição desigual e eu adoraria conhecer qualquer alternativa. Até que algo melhor apareça, isto parece uma explicação bem adequada.
Certo, nós sabemos agora que os discos de 1947 eram pequenos, mas sabemos que eles mudaram? Nós podemos recordar alguns casos recentes de OVNIs gigantescos como os casos de Hudson Valley ou as Luzes de Phoenix, mas também havia um par de casos de OVNIs gigantescos em 1947. Há certamente discos pequenos hoje também; eles são apenas menos conhecidos. O que nós realmente queremos saber é “A distribuição de tamanho mudou”?
Nós poderíamos considerar brevemente um par de tabelas nos trabalhos de Jacques Vallee. Uma mostra que a média nos casos amostra da onda de 1954 na França era de 5 metros em diâmetro. Vallee estava impressionado que a forte invariância entre as propriedades destes casos era o diâmetro das máquinas. Porém, isto envolveu apenas casos de pousos. Uma amostra de casos de objetos em vôo, ele confessa, “é completamente diferente: os objetos às vezes são tão grandes quanto dez, vinte, ou até mesmo trinta metros, mas raramente maiores”. Ambos resultados são incompatíveis com o que nós vemos em casos de 1947. Estas não são boas notícias para aqueles que vêem OVNIs como consistentes com o passar do tempo e que tal constância seria um argumento que favorece a hipótese extraterrestre (ETH).
Ainda, poderia ser argumentado que dados franceses não deveriam ser comparados a dados americanos por causa de disparidades culturais. Eu decidi fazer um estudo de descrições de tamanhos no banco de dados do Centro Nacional de Relatos de OVNIs (NUFORC em inglês). Eu coletei todas as descrições de tamanhos de OVNIs que têm a forma de disco de 1977, o ano do filme de Spielberg ‘Contatos Imediatos de Terceiro Grau’ até o presente – março de 2001. A limitação de forma para a categoria de disco foi uma questão tanto de conveniência (menos tempo) quanto de um sentimento de que isto poderia ser mais justo. Os relatos de 1947 eram altamente predispostos a formas discóides e poderia haver uma preocupação de que incluindo casos de OVNI triangulares modernos isso poderia ser visto como um esforço para influenciar as coisas a um tamanho maior. O prazo começando especificamente em 1977 foi incitado por aquela noção que eu ouvi – desculpas por esquecer quem a levantou – de que o filme de Spielberg fez OVNIs maiores mais populares. Os resultados: revisando 651 casos, 109 descrições utilizáveis foram distribuídas como segue:

Menores que 30 centímetros: 06 avistamentos
De 30 centímetros a 1 metro: 03
De 1 a 3 metros: 10
De 3 a 10 metros: 20
De 10 a 30 metros: 28
De 30 a 100 metros: 23
Maiores que 100 metros: 19

Meros 8% estão abaixo de 1 metro comparados aos 58% e 75% das duas amostras de 1947. Inversamente, aqueles com mais de 30 metros compõem 39% dos relatos recentes comparados a 9% de antigamente – quatro vezes mais. Também é bom notar que das descrições do NUFORC julgadas muito vagas para uso, mais de 50 incluem palavras na gama de grande, muito grande, enorme, imenso e gigantesco. A palavra pequeno aparece menos que uma dúzia de vezes.
Cinco dos discos no banco de dados da NUFORC foram comparados a campos de futebol americano e uma pessoa alegou que o disco tinha duas vezes o tamanho do estádio de Tampa. Você também tem que adorar o sujeito que calcula que a nave que ele viu tinha quase 4 quilômetros de comprimento e sugere que ela usava “propulsão levitadora magnetizum”. Como aludido acima, a existência de OVNIs grandes tem sido um padrão muito comum nas últimas duas décadas e a impressão de que é uma característica geral entre OVNIs é facilmente encontrada entre proponentes da ETH. Por exemplo, considere esta citação de um website popular dedicado a avistamentos de OVNI: “Foram vistos de perto discos voadores de tamanho enorme tanto por civis quanto por profissionais do exército e foram verificados através de radar – tanto terrestres quanto aéreos”. Naves de abdução também podem ser “grandes, grandes mesmo” como desenhos de testemunha por Betty Andreasson em The Watchers e a gigantesca esfera do tamanho de um caminhão do caso de Allagash.
Nós poderíamos discutir sobre o assunto de quão improvável parece que tais naves enormes consigam flutuar sem deixar efeitos significativos no ambiente circunvizinho. Inevitavelmente, proponentes desclassificarão isso com a lei de Clarke sobre a qualidade mágica de tecnologia superior. Nem o assunto inescrutável de gastar recursos de energia da magnitude necessária os aborrece muito. Estimativas Dysonescas sobre os recursos futuros da civilização podem ser botados à mesa com avisos de que as energias usadas em dúbias missões do ônibus espacial impressionariam até mesmo os fãs de ópera espaciais de uma geração anterior.
No mínimo, o fato de que a distribuição de tamanho mudou reflete diferenças em crenças sobre o que os discos são. Com os discos agora firmemente considerados como astronaves alienígenas, as pessoas que vêem coisas sugerindo discos pequenos têm uma razão extra para duvidar de que o que estão vendo representa um mistério real ou significante. Também há provavelmente uma tendência entre aqueles que relatam discos para distorcer as estimativas de tamanho para ficar mais de acordo com preconceitos derivados de casos de OVNI populares ou fontes como o filme de Spielberg. Forjadores e aqueles procurando fama modelarão suas narrativas preferencialmente de modo consistente com as convicções atuais.
O fato de que as dimensões dos discos são incompatíveis em três estudos separados é naturalmente um resultado que interessa aos defensores da hipótese psicossocial muito mais que aos que teorizam a ETH. É algo que os defensores da PSH esperam. Nós temos que citar uma predição de David Clarke e Andy Roberts de seu livro de 1990 Phantoms of the Sky (Fantasmas do Céu) que diz, “Fenômenos aéreos do tipo de UFOs continuarão a ser relatados mas as naves serão gradualmente maiores e mais complexas em forma e iluminação”. Nenhum teórico da ETH predisse ou prediria tal coisa. Eles oferecerão desculpas – tamanho e distância são as coisas mais subjetivas em relatos de OVNIs – e reinterpretações – o programa Híbrido requer números crescentes de abduções e portanto naves maiores – mas o fato permanece de que nunca ocorreria a eles esperar tal mudança. Realmente, nós citamos uma autoridade em “Um Fenômeno Plástico” que alegou que o fenômeno UFO é muito constante em suas propriedades para ser um mito. Simplesmente não é assim.
Referências

  1. A Plastic PhenomenonThe REALL News, 6, #2, February 1998, pp. 1, 7-11.
  2. Ed Stewart “-47/CANUFO: 1947 UFO Wave Canadian Media” UFO Updates, Tue, 13 Mar 2001, also UFO Skeptics Discussion Forum Message #386 March 10, 2001 “Stats from 1947 Wave on Shape, Size and Kenneth Arnold”
  3. Bloecher, Ted Report on the UFO Wave of 1947 author, 1967.
  4. By usable, I mean that a numerical estimate or comparative like size of a baseball or automobile exists. Descriptions using small, big, large, or an angular comparative like half the size of the moon are excluded.
  5. Clarke, Arthur C. Profiles of the Future Bantam, 1963, chapter 15.
  6. Kottmeyer, Martin “A Plastic PhenomenonThe REALL News, 6, #2, February 1998, pp. 1, 7-11.
  7. Ford, Brian German Secret Weapons: Blueprint for Mars Ballantine, 1969, p. 54
  8. McCampbell, James M Ufology Celestial Arts, 1976, chapter 8.
  9. Vallee, Jacques and Janine Challenge to Science Ace Books, 1966, pp. 185-7.
  10. Vallee, pp. 204-6.
  11. Occurs 1/27/1998
  12. Occurs 9/22/1995
  13. Neff, James “You Don’t Have to ‘Believe’ in UFOs Any Longer” Sightings website 5-28-00
  14. Fowler, pp. 81-2
  15. Fowler, Raymond The Allagash Abductions, Wild Flower, 1993, pp. 71-72, 200.
  16. Phantoms in the Sky: UFOs – A Modern Myth Robert Hale, 1990, p. 175.

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