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Trindade: Dúvida, Boatos e Fraude

Estudos de Caso em Más interpretações de "OVNIs" por...

6 de julho de 2009 Comments (0) Views: 1011 Ceticismo, Destaques, Ufologia

A maldição das múmias espaciais

por Martin S. Kottmeyer, traduzido de ‘REALL News

Ufologistas são diligentes em encontrar semelhanças entre casos de OVNIs, mas freqüentemente parecem ignorar as diferenças. Raymond Fowler e Budd Hopkins acharam significante que Betty Andreasson e Sandra Larson compartilhassem operações de implantes nasais idênticas, mas ficam calados quanto à aparência extremamente dissimilar dos cirurgiões. Andreasson relatou entidades de pele cinza com quatro pés de altura e cabeça em formato de pêra. Larson relatou uma entidade com braços metálicos de 6 pés de altura e bandagens sobre a cabeça. Ela se referiu à entidade definido-a como uma "múmia".
A diferença entre as entidades é ainda mais surpreendente quando você começa a contar todas as outras características que os dois casos compartilham além das operações nasais. Ambas experimentam sensações flutuantes e viajam através de paredes. Ambas são examinadas no abdômen. Ambas ficam temporariamente enjauladas em compartimentos transparentes moldados ao corpo. Ambas vêem um reino em uma paisagem distante sem vegetação como um deserto, que tem edifícios quadrados. Ambas viagem por túneis. Ambas são tiradas em bolhas de transporte.
Embora Andreasson não relate ter encontrando qualquer múmia, há características de seu relato que remetem a maioria de nós a múmias, o Egito. Ela viu pirâmides. Elas estão distintamente baseadas no estilo egípcio. Além do ângulo semelhante e faces planas, há um recuo de algumas faces precisamente como a Grande Pirâmide de Queóps. Esta característica de recuo não é conhecida amplamente, mas é acessível no trabalhos populares como Os Mistérios das Grandes Pirâmides de Andre Pochan. Ela também viu uma cabeça grande como a Esfinge. A Fênix encontrada por Andreasson continua o tema já que era um pássaro sagrado no Egito. Heródoto até a menciona em seu relato sobre o Egito.
Em um texto anterior, "The Alien Booger Menace" (The REALL News, Vol. 1, # 6), eu demonstrei que semelhanças como implantes nasais podem apontar para empréstimo cultural mais do que para experiências compartilhadas. Comparando os relatos de Larson e Andreasson levantam-se muitas disparidades que contribuem ao caso contra a experiência compartilhada. Larson foi encaixada em um cubo transparente para propósitos de exibição. Andreasson foi encaixada em um molde de corpo transparente e então teve líquido vertido nela para propósitos de transporte. O líquido repete uma experiência contada por Louise Smith da tripla abdução de Kentucky em 1976, e escrito no livro Abducted! Pode ser pertinente notar que este livro inclui um relato do caso de Larson. A experiência dramática de Smith de líquido sendo vertido em cima dela tem um precursor notável no terráqueo encaixado em fluido no episódio "Ordeal" da série [de TV] de 1972 U.F.O. Ao contrário de Larson, mas como Mona Stafford da tripla abdução de Kentucky, Andreasson tem seu olho arrancado da cavidade. Esta bizarra afirmação recorda um truque mágico executado por cirurgiões psíquicos filipinos e explicado por William Nolen na em seu livro Healing. Doutores sabem que o nervo ótico não possui a elasticidade necessária para tal feito, mas o público aparentemente não sabe. O Dictionary of Common Fallacies de Philip Ward tem uma entrada dedicada a uma idéia mais comum no começo do século de que os cirurgiões às vezes removem olhos, os lavam, raspam, tratam, e os substituam.
Andreasson parece tentar melhorar o caso de Larson de alguns modos. A remoção de cérebro, muito reminescente ao pior episódio* de Jornada nas Estrelas ("Spock’s Brain"), não recorre em Andreasson. Larson tomou uma ducha depois de seu encontro para se livrar de qualquer germe alienígena. Os aliens lhe perguntam sobre sabão e ela lhes dá uma amostra. Por outro lado, Andreasson entra em uma câmara onde é banhada em uma luz de limpeza e novas roupas lhe são dadas depois. É possível perceber que esta é uma variante do procedimento de desinfecção em "The Andromeda Strain" [O Mistério de Andrômeda] (1971) envolvendo uma luz brilhante que destrói bactérias de pele. Ela também queima todos os pêlos do corpo no filme. Essa parte não ocorre em Andreasson, mas é esperado que aliens nunca forneçam evidência intrigante deste tipo.
A mudança da entidade para diferente de uma múmia pode ser outra tentativa de melhoria. Múmias parecem fora de lugar na cultura americana. Elas são mais associadas com uma forma kitsch de filmes de horror antigos do que com a modernidade da viagem espacial. Cineastas tentam ser criativos, mas há uma tendência distinta para favorecer aliens com uma qualidade futurística. Isso significa eles são normalmente calvos, já que o cabelo seria conotativo de macacos; e com grandes cabeças ou cérebros com corpos pequenos ou sem corpo algum, já que isso seria a extrapolação lógica de evolução humana se as tendências dos últimos milhões de anos continuassem. Exemplos de filmes, televisão, revistinhas de ficção científica contam às dúzias. Um fã de filmes trash, eu acho que era Michael Weldon, demonstrou o dilema para os abduzidos por sua reação a um obscuro filme latino-americano envolvendo múmias do espaço. Era a priori uma premissa sem esperança. "Múmias espaciais"?
Os aliens de Andreasson, com as cabeças calvas, em forma de pêra, são totalmente convencionais. O estilo é reconhecidamente parte de uma família de formas alienígenas criadas para a série de Televisão The Outer Limits [A Quinta Dimensão] mas o precursor imediato deles é demonstravelmente o alien feito para The UFO Incident, o filme para a televisão, adaptação de The Interrupted Journey. O filme é notavelmente fiel ao livro e o design do alien também é bastante fiel aos desenhos que apareceram no livro, e foram elaborados para David Baker para a edição de abril de 1972 do NICAP’s UFO Investigator. Mas aquela fidelidade não era sem defeito. Há um ângulo agudo no canto interno das órbitas oculares onde os originais mostram uma curva arredondada. As pupilas dos olhos são muito maiores. Os desenhos de Andreasson refletem estas alterações. Há quatro close-ups dos aliens e o olho direito é sempre diferente em aparência do esquerdo. Em três das cenas o olho na esquerda aparece vazio com uma ausência de branco: é invertido no segundo close-up. A disparidade parece ser devida ao uso de vidro grosso pelo designer [no olho] e o ângulo da câmera criando o efeito. Qualquer que seja a razão, Andreasson repete a disparidade em seu desenho de Quazgaa. Quazgaa também é desenhado com uma prega de pálpebra sobre o olho que é proeminente no alien do filme, mas parece uma extrapolação de uma característica do desenho de Baker. O desenho de Baker inclui uma abertura da boca coberta por uma membrana. O filme e Andreasson mostram rachas para bocas. Presumivelmente a experiência de Andreasson de ter uma agulha inserida no nariz também é similarmente emprestada do filme.
O status e superioridade de credibilidade concedidas o caso dos Hill sobre outros casos podem ser suficientes para que Andreasson favorecesse os aliens de UFO Incident ao invés de múmias espaciais. O filme também poderia forçar a escolha do poder das imagens sendo maior que descrições verbai
s como as que Larson deu em Abducted! Porém, parece obrigatório perguntar se é razoável para Andreasson favorecer os aliens dos Hill, por que Larson também não fez o mesmo? Afinal de contas, Larson caiu nas mãos de ufologistas porque viu The UFO Incident, que a fez preocupar-se sobre um lapso de tempo e o avistamento de OVNI que ela experimentou alguns meses antes.
Uma possibilidade é que isso se relaciona à queda dela nas mãos da APRO que teve um interesse especial no abdução de Pascagoula em 1973. Era um caso famoso que teve exposição nacional. Haviam vários relatos populares como um artigo na revista Rolling Stone e o livro Beyond Earth, mas eram só pessoas com a APRO que chamaram atenção ao aspecto de múmia da entidade de Pascagoula e julgaram isto uma característica que aumentava a credibilidade do caso. Era dito que Larson não tinha tido nenhum interesse anterior em OVNIs e tinha pouco conhecimento do assunto. Isto pode ser verdade, apesar do envolvimento do filme. Praticamente os únicos detalhes que poderiam estar baseados no filme está a advertência final para não falar porque ela não seria acreditada.
Muito do caso parece diferente de qualquer coisa relatada antes. Só o caso de Pascagoula parece reprisado, e então em só dois particulares. Ambos envolvem exames de abdômen por múmias. Não é nenhum exagero acreditar que ela apanhou estes temas em conversação com entusiastas de OVNIs ou investigadores antes de suas sessões de hipnose. Além disto, os dois casos são diferentes. Os OVNIs são diferentes. A história de Hickson é breve enquanto a de Larson é em rica em detalhes e prolongada com operações múltiplas e uma viagem para outro reino.
A pergunta volta-se para Pascagoula; se era razoável para Andreasson favorecer a entidade dos Hill, por que Charles Hickson optou por múmias espaciais? O poder da imagem visual sai fora de cena porque The UFO Incident não estava disponível ainda em 1973. A fama ainda poderia favorecer tal empréstimo, mas a descrição verbal pode ter parecido vaga e esquecível. O desenho em The Interrupted Journey está cru, rabiscado, e mais como uma caricatura de um sujeito bravo que usa um boné. Não é um alien convincente. Mais, a história de uma mulher passando por um teste de gravidez horroroso poderia ser uma escolha incongruente para um homem abduzido. (Admitidamente, Sammy Desmond repetiu a agulha no umbigo apesar da contra-indicação. As pessoas são engraçadas.) Ainda outro fator é que o relato de Hickson parece-se mais como um pesadelo vívido do que um exercício de imaginação ativa de contadores de histórias. Sonhos possuem freqüentemente aspectos que são estranhos e aparentemente impenetráveis à razão. Poderia ajudar se nós soubéssemos a origem dos aliens de Hickson, mas eles parecem tão diferentes inicialmente de aliens convencionais que parece uma tarefa perdida traçá-los.
Felizmente, os Lorenzens salvaram os historiadores de uma enorme dor de cabeça por eles mesmos cobrirem semelhanças entre a entidade de Pascagoula e um caso do Peru envolvendo um homem designado C.A.V. O homem encontrou três múmias com um perfil em geral humano, mas as pernas estavam unidas e elas deslizavam ao longo do chão. Elas tinham aproximadamente 5’9" de altura. A face não tinha traços característicos exceto por algo como um nariz. Os braços pareciam normais, mas a mão consistia em um grupo de quatro dedos grudados juntos e um dedo polegar separado que criava a impressão de garras. A semelhança com a entidade de Pascagoula é notavelmente boa, e eu tenho que concordar com os Lorenzens de que as chances contra coincidência são muito remotas para ser consideradas. Eles ainda dizem que nem Hickson nem Parker (o outro experimento Pascagoula) tinham interesse em OVNIs anteriormente, e o caso apareceu "apenas" no Boletim APRO e no capítulo 8 de seu livro de 1968 UFOs Over the Americas.
"Apenas" não é exatamente como eu descreveria um livro Signet que foi comercializado em massa pela América nas prateleiras de farmácias a cinco dólares e centavos, mas talvez eles estivessem sendo modestos. Os Lorenzens ainda se perguntaram por que, se ambos os casos envolvem fabricação, esta forma particular fora escolhida. "Por que não um tipo mais aceitável e mais freqüentemente relatado"? Encontros com ocupantes mais críveis estavam prontamente disponíveis. Eles temporariamente prefiguraram Fowler e Hopkins em seu estilo de argumentação ignorando as disparidades igualmente notáveis entre os dois casos nestas observações de Encounters with UFO Occupants. Felizmente, eles retificam esta falta em seu próximo livro Abducted! quando eles garantem, "A única real diferença entre as duas descrições era que o peruano disse que a pele das criaturas tinha cor arenosa e que eles tiveram ‘bolhas’ onde os olhos estariam e que ficavam se movendo". Este é pelo menos um começo. o OVNI de C.A.V. tem a forma de um disco. O OVNI de Hickson tem a forma de um peixe. As entidades de C.A.V. estavam perdidas e pediram ver nosso líder. Eles mantêm uma conversação estendida sobre uma variedade de coisas que incluem como nós estamos arriscando o equilíbrio do universo e como eles podem se reproduzir por fissão. C.A.V. tenta seqüestrar uma das múmias quando elas tentam partir em um esforço para ficar rico, mas elas eram muito escorregadias. Elas não tentam seqüestrá-lo e administram um exame de abdômen. Se as entidades são as mesmas porque elas são reais, por que sua nave e seus comportamentos são tão diferentes?
A nave em forma de peixe e o exame de abdômen com olho são pistas críticas ao que acontece aqui. Elas não são parte do caso C.A.V., mas eles são parte de UFOs Over the Americas. O Capítulo 3 é chamado ‘OVNIs Subaquáticos’ e apresenta um incidente de junho de 1959 em Buenos Aires envolvendo um objeto com forma de um enorme peixe. O exame de olho sobre o abdômen é uma composição de casos na página 206: um incidente de 1880 que envolve uma bola luminosa suspensa no ar, deixando o indivíduo aterrorizado que é seguido por um relato breve do caso dos Hill e seu exame físico depois dos quais os autores discutem como OVNIs poderiam induzir efeitos hipnóticos e choque.
A mistura e distorção dos elementos destes casos são idênticos ao modo como os sonhos misturam e compõe memórias recentes para propor uma experiência dramática. A escolha das múmias pela mente de Hickson origina-se do título dado ao capítulo relatando o caso C.A.V.: "Os Rastejadores de Carne". Era o alien mais assustador do livro. Funcionou. O relato pessoal de Charlie Hickson é reimpresso em UFO Contact em Pascagoula e inclui esta linha: "Minha carne rasteja quando eu penso naquelas três coisas que apareceram pela abertura".

Com respeito a C.A.V., as objeções dos Lorenzens sobre aceitabilidade e freqüência desmorona com a constatação de que C.A.V. veio do Peru.A cultura peruana é significativamente diferente da qual os Lorenzens estavam vivendo. Múmias eram pervasivas na religião inca. Os líderes incas eram embalsamados com grande cuidado e seus restos eram adorados como um deus. As múmias seriam colocadas em templos. Seriam feitos sacrifícios a elas. Eram retiradas para festivais. Foram nomeadas pessoas para tomar cuidado da múmia. Um arqueólogo achou uma Necrópole de 429 múmias que demonstraram a antigüidade da prática na cultura de Nazca. Seria preciso um perito em folclore peruano para encontrar os precursores culturais imediatos à experiência de C.A.V., mas nós não precisamos de uma análise detalhada para entender que um peruano poderia achar a idéia de múmias espaciais mais acreditável e emociona
lmente ressonante que as pessoas nos E.U.A..
Também é pertinente notar que C.A.V. viu um psiquiatra que sentiu que ele provavelmente tinha imaginado a experiência. Ele tinha sabido há pouco que um dos caminhões usados em seu negócio tinha sofrido um acidente, e ele estava se estendendo em excesso com negócios múltiplos e responsabilidades familiares. C.A.V. admite a possibilidade de alucinação ou sonho, mas não concorda. Richard Greenwell, um ufologista que entrevistou C.A.V., também deu sua opinião: "Pessoalmente, eu considero a experiência irreal – mas interessante". (FSR NOV/DEC. 1970) Ufologistas podem argumentar que os casos reforçam um ao outro, mas parece mais provável que eles arruínam um ao outro. Se o caso C.A.V. é psicologicamente e culturalmente explicável, esses elementos que recorrem em experiências OVNI posteriores são provavelmente igualmente irreais.
E igualmente interessante. As múmias espaciais de C.A.V. que planam são um produto da cultura peruana que ilumina os processos de transmissão cultural e formação de histórias em experiências de abdução. Os Lorenzens introduziram isto na América onde brevemente arraigou influenciando Hickson. Sobre sua influência isso se espalhou a Larson. Andreasson quase incluiu isto em seu relato, mas as entidades de O Incidente de OVNI acabaram ganhando. Mas foi por pouco. Em O Incidente OVNI as entidades andam. Na remistura de Andreasson as entidades deslizam. Como as múmias espaciais dos Lorenzens. As múmias colocaram uma maldição em qualquer tentativa de entender estas quatro experiências como semelhantemente reais experiências que apóiam a Hipótese Extraterrestre (ETH). O padrão de semelhanças e diferenças só faz sentido com a premissa de que são humanos, não aliens que estão dirigindo o espetáculo. A ETH não funciona. Pelo menos, não sem um monte de bandagens terríveis.

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*"Spock’s Brain" foi oficialmente avaliado como o pior episódio em Entertainment Weekly’s current Star Trek collector’s edition, 79º de 79.

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