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Os Ufólogos Alienistas

O Abominável ET de Ponta Grossa

6 de julho de 2009 Comments (1) Views: 994 Ceticismo, Destaques, Ufologia

O Pesadelo Médico de Betty Hill

por Martin S. Kottmeyer, original em Magonia

Entre os melhores documentos apresentados na famosa conferência de abdução no M.I.T. em 1992 estava um entitulado "Diferenças de Procedimentos Médicos: Aliens vs. Humanos". O autor foi John G. Miller, um médico que se formou na faculdade Baylor de medicina e exerceu medicina de emergência em tempo integral. Embora talvez um pouco sucinto demais e genérico, o documento era atencioso, bem pensado e inteiramente convincente no que tinha a dizer. As experiências de abdução alienígena envolvem medicina tanto grandemente quanto sutilmente diferente daquela praticada por doutores humanos. Os extraterrestres ignoram partes do corpo a que os doutores humanos dão grande interesse, como os intestinos superiores e o coração. Extraterrestres mostram mais interesse pela pele e crânio do que os doutores humanos. Fazem coisas absurdas como remover olhos, terapia com luzes coloridas e remover dor severa tocando a testa do paciente. Miller ofereceu uma conclusão que estava cuidadosamente medida e expressa: "As diferenças entre técnicas e procedimentos médicos humanos e os alegadamente alienígenas são grandes o bastante para invalidar qualquer teoria de que estes relatos se originam de algum modo nas experiências ou conhecimentos médicos das próprias testemunhas". (1) Na audiência estava John Mack e ele foi rápido em levar o discurso de Miller para o próximo nível: "A informação que você está fornecendo é extremamente útil do ponto de vista médico psiquiátrico. Ela estabelece a dificuldade de encontrar qualquer explicação teórica para isto como vindo da imaginação humana ou sonho ou qualquer coisa dessa natureza." (2) Miller foi mais cauteloso que isso e apresenta uma clara descrença em alguns procedimentos alienígenas. Eu aceito a opinião de Miller, mas a de Mack é um assunto completamente diferente. Ele pula para sua opinião ignorando o ambiente mais amplo do qual a imaginação e os sonhos humanos podem retirar material. Para demonstrar a falha aqui, eu farei mais uma vez um exame do pesadelo de Betty Hill de uma examinação médica forçada. 
Durante o dia após os avistamentos de OVNI dela e de seu marido, Betty ficou preocupada que eles pudessem ter sido expostos à radiação do OVNI. Quase todo ufologista de Keyhoe e Lorenzen a Ruppelt e Menzel falaram sobre histórias de radiação sendo detectada de OVNIs. Motores atômicos moviam OVNIs. Essa era a especulação. Betty discutiu seu medo de contaminação com sua irmã e ela por sua vez contatou um médico. Ele sugeriu que qualquer bússola comum deveria detectar radiação pela agulha que mostraria um distúrbio em contato com a superfície do carro. 
Encontrando uma bússola, Betty correu para fora na chuva e passou-a ao longo do lado molhado do carro. No início não houve nenhum efeito, mas então ela viu alguns círculos brilhantes no carro, cada um do tamanho de um dólar de prata. Nesse momento, recordou que o ruído em bipe que ouviram na noite precedente veio da direção do carro. Quando ela colocou a bússola em um dos pontos, a agulha tremeu. "Ela quase entrou em pânico, mas conseguiu se controlar." Ela tentou outra vez e a agulha saiu de controle. Eventualmente ela fez com que Barney dizesse os testes, mas ele não achava que qualquer coisa anormal estava acontecendo e sugeriu que a bússola estava apenas reagindo ao metal do carro. O teste convenceu Betty, entretanto. Ele deixou-a assombrada pela certeza de que ela e seu marido tinham sido contaminados. 
Os círculos no carro ecoam um caso de OVNI da onda de OVNIs em 1957 relacionada ao Sputnik. Mildred Wenzel naquela época relatou ter marcas redondas em seu carro que foram testadas com um contador Geiger e mostraram radioatividade. Isto pode ser algum tipo de primo folclórico da sociologicamente notória Epidemia de Manchas no Pára-Brisa em Seattle quando as pessoas começaram a conectar manchas nos pára-brisas a resíduos de um teste nuclear. Comentaristas descartam a noção de que uma bússola poderia detectar radioatividade. Barney provavelmente estava certo. O magnetismo normal no metal podia provavelmente explicar uma agulha de bússola que se desviava do norte magnético. Uma agulha fora de controle pode significar outras coisas, mas isso não é de nenhuma conseqüência aqui. O ponto importante é este: independente da validez do teste, Betty temeu que tivesse sido exposta à contaminação radioativa. 
Uns dez dias mais tarde, Betty teve uma série de pesadelos vívidos que formam a base de seu relato de abdução. Nosso interesse aqui está na examinação médica. O examinador pergunta seu nome. Eles discutem o que os vegetais são. Ela tenta contar-lhe sobre a carne e o leite, mas seu significado o elude. "Meu cabelo foi minuciosamente examinado, e ele removeu algumas mechas e então cortou uma grande parte no lado inferior esquerdo de trás. Eu não pude ver o que ele usou para fins de corte." Ele olha sua garganta. Olha em suas orelhas e coleta cera. Examina as mãos e as unhas e retira parte da unha. Em seguida, uma análise dos pés. "Eles mostraram muito interesse em minha pele." Um instrumento lhes dá uma visão ampliada da pele. Então um deles raspa um instrumento parecido com um abridor de cartas ao longo do braço de Betty. 
Uma máquina é puxada com fios que terminam em agulhas. A agulha é tocada em pontos sobre todo seu corpo. É um teste do sistema nervoso dela. Às vezes fez um membro estender-se ou contrair-se. "Ambos os homens estavam muito interessados neste teste." Vem então o teste de gravidez. Uma agulha é introduzida em seu abdômen com uma pressão súbita. Há uma enorme dor. Os examinadores estão surpresos e o líder "passou sua mão na frente de meus olhos. Imediatamente a dor tinha ido completamente, e eu relaxei". O teste termina e eles discutem coisas por um tempo, mas então o examinador volta para olhar os dentes dela para ver se eles são removíveis. Barney usava dentaduras e eles estavam perplexos com o fato delas serem removíveis. A discussão recomeça com coisas como o mapa estelar, mas não há não mais assuntos médicos. 
Qualquer pessoa tem dificuldade em negar que as diferenças em relação aos exames do doutor comum são muito mais impressionantes do que as poucas similaridades. Amostras de cabelo? Raspar a pele? Sobre o que é tudo isso? Onde está a amostra de sangue, a amostra de urina? E quanto a esse passe de mão sobre os olhos para parar a dor? Isso parece distintamente hocus-pocus; parecido demais com os artifícios dramáticos de um ato de levitação. Eu não explorarei a questão sobre se alguém poderia desenvolver uma desculpa para explicar estas coisas dentro do contexto de alienígenas reais. Eu poderia inventar uma se necessário, mas meu interesse aqui é mostrar que uma interpretação alternativa está prontamente disponível. 
Betty temia exposição à radiação. Sem surpresa, seu pesadelo é centrado em preocupações médicas. Nos anos cinqüenta, foi dada proeminência às conseqüências médicas de resíduos nucleares no advento de um teste chamado Projeto Bravo. Em 1 março de 1954 os EUA detonaram uma bomba atômica no atol de Bikini das ilhas Marshall. Os resíduos de cinzas caíram em um barco pesqueiro japonês chamado chamado ‘Lucky Dragon’. A maioria da tripulação de 23 homens adoeceu com náusea, dor, e inflamação de pele. Doutores em Tóquio examinaram os homens, cruzando os dados com as experiên
cias médicas acumuladas de Hiroshima. Eles estavam confusos, entretanto, pela presença de radioatividade residual. "Mesmo depois de cortes de cabelo, de unhas e uma esfoliação completa, os pescadores retiveram a radioatividade em sua pele." (3) 
Clipes de notícias dos ilhotas de Marshall sendo examinados depois do Projeto Bravo continham uma imagem demonstrando a natureza da perda de cabelo causada pela contaminação. Um examinador puxa delicadamente diversas mechas de cabelo da cabeça. Nenhuma tesoura ou outros instrumentos são usados. Somente dois dedos. Uma outra imagem, dita como sendo de lesões cutâneas, mostra marcas de despigmentação no braço de um nativo. A imagem sugere facilmente a impressão de que as camadas de pele tinham sido descascadas ou raspadas. (4) Aqui, então, está a possível fonte dos procedimentos de amostragem do cabelo, corte de unhas, da inspeção e do raspamento de pele. 
As agulhas passadas sobre todo o corpo de Betty têm sua fonte óbvia na agulha de bússola passada sobre o carro. As reações de contração são uma variação em sua ansiedade nervosa sobre os resultados do teste da agulha de bússola. 
O teste de gravidez tem interpretações múltiplas. Primeiramente, contaminação era sabida como causadora de mutações e deformidade fetal da experiência em Hiroshima. Uma gravidez seria indesejável e algo de muita preocupação. O abdômen poderia ser metaforicamente um equivalente à marca circular na caminhonete, e a dor de Betty e o surpreso examinador refletiria o medo da morte associado com a descrença que experimentou de Barney. Eu devo mencionar que não é incomum que as imagens oníricas sejam sobredeterminadas e esta interpretação provavelmente complementa ao invés de contradizer a interpretação da agulha no abdômen oferecida em uma discussão anterior. (5) O aceno de mão para aliviar a dor é mágica simples; indução hipnótica tem sido usada por muito tempo como meio de combater a dor. Eu duvido que qualquer pessoa inteiramente desperta acreditaria que funcionaria na dor resultante de uma agulha enfiada no abdômen, mas este é um pesadelo e assim não está sujeito a tais considerações. 
Os vegetais, a carne e especialmente o leite eram todas coisas que possuíam perigos de contaminação de resíduos atômicos. No incidente do Lucky Dragon, o atum foi armazenado enquanto os oficiais ponderavam a questão de se a contaminação era ruim o bastante para impedir sua venda. O leite era amplamente temido por causa dos testes que mostraram a presença de estrôncio-90. Quanto aos vegetais, a pergunta era se lavá-los seria suficiente para remover o perigo de contaminação. O fato de que o significado destes alimentos elude a compreensão do alienígena poderia ser entendido como uma forma primitiva de negação ou encobrimento análogo ao comportamento governamental de minimizar os perigos da radiação. 
O choque das dentaduras é um toque interessante e parece vir da infame estória de recuperação de acidente de Koehler. Uma característica proeminente dos aliens trazida à atenção era que eles tinham dentes perfeitos. A estória de Koehler chegou aos veículos de notícias nacionais [dos EUA] e não requer que Betty conhecesse qualquer coisa sobre literatura ufológica. Keyhoe desconsiderou a estória como nonsense em um livro anterior, mas ele não era mencionado no livro dele ‘The Flying Saucer Conspiracy’, o livro que sabemos que Betty leu pouco antes de seus pesadelos. Pode ser que o exame da boca no começo da experiência fosse uma preparação para essa cena, mas parece um pouco complicado demais para um sonho. Ele pode refletir apenas uma intrusão de procedimentos médicos mais normais no sonho. A amostra de cera do ouvido e o exame dos pés são detalhes aos quais não ofereço comentários. Quer eles sejam explicados por um conhecimento maior a respeito do incidente do Projeto Bravo ou por idiossincrasias da vida e experiências de Betty pode ser algo a especular, mas eu confio que os detalhes descritos nesta interpretação são suficientes para sustentar o ponto de que o raciocínio de Mack tinha falhas. A imaginação humana e os sonhos podem explicar os detalhes médicos desta abdução muito importante sem dificuldades profundas.
O fato de que o pesadelo médico de Betty Hill tem uma relação simples e inegável com sua ansiedade compreensível torna afirmações a respeito do envolvimento de aliens estritamente desnecessárias. É um fato bem conhecido que abduções posteriores ocasionalmente ecoam material do caso Hill, especialmente uma predileção por agulhas em procedimentos médicos. Transmissão cultural é a dedução simples.
Abduções posteriores também apresentam grandes divergências com o caso Hill. Eu sugeri origens para alguns destes procedimentos em outros artigos: implantes nasais, (6) sondas anais, (7) remoção de cérebro, de olhos, (8) de coração, (9) implante de embrião, (10) ectogênese. (11) Eles vêm de fontes indo de filmes ruins a médicos charlatões passando por literatura popular. A medicina alien não é muito parecida com a medicina humana, mas é muito semelhante ao horror criado pela imaginação humana.

***

Referências

1. Pritchard, Andrea (ed.). Alien Discussions, North Cambridge Press, 1994, 59-61 
2. Ibid., 62 
3. Radnet website, Information about source points of anthropogenic radioactivity: item 3A Marshall Islands – Lucky Dragon Incident 
4. The relevant newsreel clips most recently surfaced in the documentary "Race for the Superbomb", the 11 January 1999 edition of The American Experience. Video available from PBS, the Public Broadcasting Service 
5. "Entirely Unpredisposed", Magonia, 35 
6. A real-life sinus operation performed on Larson: "The Alien Booger Menace", The REALL News, 1, 6, July 1993 
7. Blockbuster Total Recall: "Probe D’Roid", The REALL News, 2, 6, June 1994 
8. "Spock’s Brain", generally accepted as Star Trek’s worst episode, and for eye removal see the tricks of the psychic surgeons of the Philippines: "The Curse of the Space Mummies", The REALL News, 3, 5, May 1995 
9. Killers from Space: "Gauche Encounters: Badfilms and the UFO Mythos" – still unpublished by popular demand 
10. Horror Planet: "Spawn of the Inseminoid", The REALL News, 2, 5, May 1994 
11. Brave New World: "Water EBEs", The REALL News, 3, 2, February 1995

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One Response to O Pesadelo Médico de Betty Hill

  1. Cara! Tanto texto vazio, para negar o que não se sabe, tentando “racionalizar contra”. Esqueceu de citar o que é realmente Ufologico, pois o “teste de gravidez” feito em Betty, naquela época era feito pela vagina, e os Etc o fizeram da formas moderna, como é feito hoje, pelo umbigo/abdomen. Além do mapa que Marjorie Fish levou vários anos para localizar no céu, pelo desenho que Betty fez de um que viu na nave dos ETs.

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