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Investigação OVNI

Fala sério… A Experiência UFO como um Teatro

6 de julho de 2009 Comments (0) Views: 817 Ceticismo, Ufologia

De onde vêm os ETs?

por Fernando J.M. Walter, original em ‘CETESbr

De vários lugares, certamente; tanto os ETs quanto os "ETs", inclusive daqui mesmo(os Ets com aspas), ou seja, do bom e velho planeta Terra. No entanto, se esta simples pergunta já traz uma enorme dificuldade de resposta, tentarmos uma definição mais específica da origem dos mesmos é tarefa extremamente mais complexa.

Os poucos relatos nos quais são apresentadas (supostamente pelos próprios visitantes) indicações de seus locais de origem disponibilizam-nos uma série de nomes exóticos, trazendo imediatamente recordações dos velhos filmes de ficção-científica classe B que tiveram, principalmente durante a década de 50, seus momentos de glória. Pior, não oferecem a menor pista de sua localização; conseqüentemente, mostram-se de todo inúteis no sentido de ser realizada qualquer tentativa de investigação séria.

Temos no entanto alguns poucos casos, durante os quais teriam sido fornecidas(direta ou indiretamente) pelos visitantes indicações mais precisas. Ao contrário do que se poderia supor, foi pior a emenda que o soneto… Na medida que se dispunha, enfim de alguns dados "concretos", as investigações realizadas comprovaram erros(ou na melhor das hipóteses dúvidas) colossais, para decepção de muitos.

Aqui são apresentados, de forma resumida, dois desses casos:

  1. Caso Barney e Betty Hill: Sob hipnose, Betty(que não possuía nenhum treinamento em Astronomia) recorda-se de ter sido apresentada pelo líder dos Ets a um mapa estelar, que supostamente teria nele traçadas rotas de navegação. À partir de um rascunho tosco por ela posteriormente feito, uma professora de 2º grau americana, Marjorie Fish – num esforço, há que se reconhecer, admirável – montou várias maquetes tridimensionais apresentando sistemas estelares e após análises, informou que as criaturas teriam possivelmente procedido de um sistema estelar duplo da constelação austral do Retículo(daí o nome pelo qual foi alcunhado esse processo: The Zeta Reticuli Incident). Após a publicação da matéria pela revista americana Astronomy, em 1976, houve um acalorado debate no qual estiveram envolvidos a citada Sra. Fish e os astrônomos Carl Sagan e David Saunders, dentre outros, tendo sido demonstrado que a teoria "Reticuli" continha vários pontos duvidosos, e que nada efetivamente podia ser comprovado a partir dos "dados" disponibilizados por Betty e analisados por Marjorie Fish.

  2. O Caso UMMO: Rumoroso caso com origem na Espanha, com ramificações em vários países (França e Argentina, dentre outros). Os "Ummitas", ao longo de muitos anos, disponibilizaram inúmeros textos( distribuídos a partir de seus contactos) que abordavam temas vinculados à física, astronomia, química, sociologia, política e biologia, dentre outros tópicos, recheados de conceitos revolucionários. Várias novas teorias foram apresentadas; foi utilizada linguagem científica(inclusive fórmulas matemáticas) em muitos desses escritos. O alvoroço na comunidade de pesquisadores foi grande, como era de prever-se; os documentos UMMO estariam apresentando novos enfoques a conceitos que já eram de conhecimento da humanidade. Ainda segundo os textos, os "Ummitas" teriam constituição física bastante semelhante à nossa(ao menos externamente). No entanto, incluído no enorme cabedal de informações transmitidas, verificou-se, anos após, que o sistema estelar no qual estaria abrigada a civilização "Ummita" – a estrela catalogada como WOLF 424, localizada a 14 anos-luz de nosso sistema, é do tipo anã marron (ou castanha) – bastante mais fria que nosso Sol – além de ser um sistema duplo com componnentes próximas, o que tornaria altamente inviável a existência de planetas em sua órbita, quanto mais de, na existência desses, o suporte às condições de vida nos padrões humanóides terrestres. Claro que algo está incoerente nisso tudo, na medida que os "Ummitas" assumem-se, como já mencionado, bastante semelhantes fisicamente aos terrestres. A questão do habitat "Ummita" abalou, além de muitos outros fatores, a credibilidade do processo.

E temos por fim o que denominamos de "identificação genérica": Seres que identificam-se com frases do gênero "Viemos de Sagittarius"(constelação) ou "Viemos de Andrômeda"(galáxia!!), o que significa absolutamente… nada. Muitos assumem essa identificação de lugares de forma literal, adotando uma posição em tudo semelhante ao antiquíssimo conceito da "abóbada celeste de estrelas fixas".

O conceito de "constelação" foi inventado pelos nossos antepassados, no sentido de referenciar – e muitas vezes de reverenciar – de forma a rigor aleatória, objetos, animais, personagens mitológicos, deuses, etc. Lembremo-nos de que na área(aparente) ocupada por cada uma das atuais constelações, as estrelas aí inseridas estão quase sempre a grandes distâncias umas das outras – não só dentro da bi-dimensionalidade com que as vemos(referenciadas pelas coordenadas ‘ascensão reta’ e ‘declinação’, que são respectivamente os correspondentes celestes à longitude e latitude terrestres) , mas também em termos de "profundidade", ou seja, encontram-se a distâncias diferentes do nosso sistema solar. Cito como exemplo a (bela) constelação do Cruzeiro do Sul: as quatro principais estrelas (alfa, beta, gama e delta) encontram-se, respectivamente a 360, 570, 88 e 470 anos luz de distância. Cada uma delas contém diferentes características vinculadas à temperatura superficial e natureza dos sistemas (simples, duplos, etc.), por exemplo. Se formos considerar, adicionalmente, TODAS as estrelas – inclusive aquelas tão distantes que ainda não puderam ser identificadas, com nossos recursos tecnológicos atuais – contidas dentro dos limites do Cruzeiro do Sul(obviamente, assim , fazendo parte da constelação) teríamos milhões e milhões delas, havendo assim N possibilidades de existência de estrelas que suportem planetas capazes de permitir o estabelecimento de vida de acordo com certos padrões(pode-se utilizar aqui a Fórmula de Drake para algumas simulações). Por isso, algum "ET" que nos informe(ou que alguém imagine que esteja informando) que vem "do Cruzeiro do Sul" não estaria prestando rigorosamente nenhuma informação. Nada.

É também curioso que sempre a ciência esteja empurrando os locais de origem de supostos Ets para mais longe, à medida que novos fatos são comprovados ou descobertas são realizadas… Adamski afirmava que seus contactos procediam de Venus(antes de ser confirmado que Venus é um lugar absolutamente hostil à vida humanóide); os irmãos Duclout(Argentina) diziam que mantinham contacto com seres de Ganimede(satélite de Júpiter) – Ganimede é um mundo inóspito(no sentido de que, a despeito de recentes notícias, a existência de uma civilização tecnologicamente avançada lá residente é bastante improvável, em nossa opinião); de Marte foram tantas civilizações de lá "procedentes" que não faremos maiores comentários. Até mesmo astrônomos como o americano Percival Lowell(seu livro "MARS", aliás, é leitura interessantíssima) assumiram como fato concreto a existência de avançada civilização no Planeta Vermelho.

A questão aqui é a de que temos que ser rigorosos e procurar analisar, ou até mesmo divulgar, somente dados que possam ser de alguma forma cientificamente comprovados. Se não os temos, é preferível nã
o especular, e se especularmos, que não seja publicamente.

Não pretendemos aqui, igualmente, assumirmos o papel do "cético profissional". Somos tão interessados na progressiva explicação do (multifacetado) fenômeno OVNI – que sem dúvida É um fato concreto – quanto qualquer outro pesquisador com honestidade de propósitos e suficiente discernimento para separar o joio do trigo. Quando – e se – algum dia a comprovação científica de eventos anômalos passar a fazer parte obrigatória de qualquer processo de investigação, aí sim teremos a Ufologia divorciada em definitivo(com o perdão da redundância) dos timbres exóticos e popularescos – panis et circensis – a partir dos quais ainda é por muitos associada e difundida.

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