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Uma Guerra de Palavras

A Segunda Vinda de Michael Jackson

6 de julho de 2009 Comments (0) Views: 813 Ceticismo, Destaques, Ufologia

EBEs Aquáticas

por Martin Kottmeyer, publicado em REALL News vol.3/n.2 em Fev/1995

Resumindo a estrutura das experiências de abdução alienígena em 1987, Budd Hopkins mencionou o que agora parece uma lacuna enigmática em sua compreensão do que é hoje definido como o "programa híbrido". Algumas mulheres têm seus óvulos removidos dos tubos de Falópio, presumivelmente fertilizados e então "desenvolvidos fora do útero, sob circunstâncias que uma pessoa mal pode imaginar". (Intruders, pág. 196) Ninguém precisa imaginar mais. Vários abduzidos vieram revelar quais são essas circunstâncias.

A fonte mais antiga desta informação é um dos cernes das estórias de entidades biológicas extraterrestres (ou E.B.E.s) que se espalharam nos anos oitenta: The Dulce Papers [Os Documentos de Dulce] de Paul Bennewitz. Estes documentos descrevem uma instalação subterrânea que o governo deu a E.B.E.s em um acordo secreto. Entre os documentos estão desenhos de "criaturas bebê" em um líquido âmbar vistas por uma abduzida, Myrna Hansen, que alegou ter sido levada para lá em maio de 1980. Os seres são submergidos no fluido com dúzias por útero artificial e dezenas ou centenas de tanques com seres em fases diferentes de desenvolvimento. Um desenho mostra um gray deitado em uma incubadora retangular clara submerso em um líquido claro. Outro, desenhado em um estilo diferente, mostra um cinza mais velho flutuando em um fluido âmbar em um tubo de vidro de cinco pés.

Eu não sei quando os documentos de Dulce foram escritos e circulados primeiro. Ele estava mostrando-os a ufologistas e abduzidos muito antes de publicação geral. Uma cópia de uma entrevista de 1984 com Bennewitz indica que eles já existiam por aquela época. Pelo final dos anos oitenta e começo dos noventa eles tinham sido reimpressos em várias publicações. O folclore E.B.E. foi ridicularizado por muitos investigadores e Hopkins muito provavelmente escolheu ignorar esta fonte de informação se ele a conhecia já em 1987.

A próxima a testemunhar foi Betty Andreasson Luca na regressão dela de 19 de novembro de 1987. Ela descreve estar vendo alienígenas removendo um feto de outra mulher em uma cena claramente idêntica à do livro Intruders de Hopkins que tinha chegado às livrarias naquele verão. Depois ela vê um bebê em um líquido em um recipiente de vidro. O recipiente repousa frente a uma parede de recipientes de vidro cheios de plantas e coisas. Símbolos são visíveis. Isto se parece com uma sala de espécimes no estilo de uma sala de discos em Hangar 18 (1980). Em um desenho diferente nós vemos um recipiente diferente, um cilindro transparente com um feto suspenso verticalmente em um fluido e mantido no lugar por fios esticados presos nas orelhas e no topo da cabeça. Nenhum cordão umbilical está presente e a boca e o nariz estavam cobertos. Como poderia viver? Um biólogo profissional admitiu que a situação parecia intrigante para ele e Raymond Fowler é levado a especular que esta é uma unidade temporária para abrigar e transportar o feto em animação suspensa até que alcançasse um útero artificial. (The Watchers, 1990, pp. 20-30.) Pode ser pertinente notar que os documentos de Dulce indicavam que aliens poderiam absorver nutrição como uma esponja colocando as mãos deles em sangue. Embora ainda estranho biologicamente, tal informação emprestaria uma lógica à natureza do desenho dela.

Em A Vida Secreta de 1992 as circunstâncias da ectogênese de híbridos são tão bem conhecidas que são diagramadas na "Common Abduction Scenario Matrix" ["Tabela de Cenário de Abdução Comum"] de David Jacobs. Ele dá o testemunho de três abduzidos — James Austino, Karen Morgan e Anita Davis — como exemplos do que está sendo visto. Os fetos ou podem estar na vertical em uma solução líquida ou deitados em condições líquidas ou secas. Tanto quanto de 50 a 100 fetos são vistos no incubatório. Austino descreve uma parede de tanques de peixe com líquido azul e um borbulhamento. O pequeno alien é preso a fios. Anita Davis fala de tanques de peixe borbulhantes cheios de um fluido viscoso. O pequeno feto está conectado a uma corda que provê comida ou algo. Em maio de 1992 a minissérie de TV Intruders foi levada ao ar e reflete o avanço do folclore. Nos são mostrados fetos em um tanque de peixe apesar de sua ausência no livro Intruders que a inspirou.

O livro de John Mack Abduction (1994) também contém testemunho sobre incubatórios. "Jerry" vê um bebê "bem pequeno, magro" flutuando em um cilindro de plástico transparente. Os aliens querem aparentemente que ela se sinta orgulhosa da realização deles com seu bebê. "Por que eles fariam isto?", ela perguntou. Depois ela vê centenas de incubadoras retangulares com fetos. "Catherine" também vê um incubatório repleto do chão ao teto com recipientes de plástico com pequenos humanóides deformados submersos em água. O desenho dela da cena é incluído no livro de Mack. Mack expressa perplexidade sobre o programa híbrido com respeito a como os fetos parecem muito frágeis. Eles são "dificilmente estoque vital para perpetuar a raça humana ou qualquer outra raça". Em resposta, "Jerry", em uma abdução mais recente, descreve "lindos híbridos jovens com pele de porcelana". Outro abduzido insiste que os híbridos não parecem apáticos para ele, mas têm uma vitalidade sem igual.

Todo o aparecimento destes testemunhos sobre incubatórios é de forma suspeita novo. A análise meticulosa de Thomas Bullard de 270 casos de abdução e relacionados até 1985 não apresenta nenhuma menção de incubatórios. O mais próximo parece ser a "Conexão de Dakota do Sul" que viu lascas parecidas com cortiça e literalmente centenas de "pequenas pessoas inacabadas por toda a sala". Seria a preparação para uma grande fraude? Mas por que nos dar mesmo tal pista? Também há casos dos próprios abduzidos serem envolvidos em fluido, mas eles provavelmente podem ser traçados ao episódio de 1971 "Ordeal" da série de TV U.F.O. que por sua vez também foi provavelmente inspirada pelas experiências de Leland Clark em 1965 com fluidos respiráveis como o FX-80 também conhecidos como perfluorocarbonos. (Dr. Ron Holtz, "Perfluorocarbons and the Breathing Pool", The Ufologist, abril-junho de 1991, pp. 5-7.) Enquanto alguns poderiam sugerir que estes testemunhos demonstram uma nova abertura por parte dos alienígenas, o fato persiste de que havia exemplos abundantes de tours pelo interior dos discos sendo oferecidos a abduzidos no período estudado por Bullard. Nós também não podemos assumir que o programa de incubadoras é novo. Betty Andreasson Luca antedata a experiência dela a 1973. Alguém não deveria tê-lo testemunhado antes dado o quão freqüentemente é visto agora?

Um precursor notável para estes relatos de incubatórios aliens "reais" existe dentro do filme estrangeiro maravilhosamente estranho Humanoid Woman (1981). O filme começa com astronautas que entram em uma astronave circular grande que tinha sofrido um acidente meses antes. Humanóides magros com olhos impressionantes estão flutuando sem vida ao redor. À medida que a câmera se move nós vemos um par de cilindros de vidro sendo que cada um contém um embrião que flutua em uma posição vertical. Dentro há um emaranhado de fios presos em lugares como as orelhas e o topo da cabeça. Ao contrário do desenho de Betty Andreasson, estes fios não estão esticados e
claramente não estão sendo usados como apoio. Os exploradores concluem eventualmente que esta astronave era um laboratório de clonagem porque acharam seres idênticos em fases diferentes de desenvolvimento. Eles eram evidentemente "criaturas de tubo de ensaio" crescidas in vitro.

Clones eram um item ocasional das estórias OVNI dos anos setenta como o Clássico Sun schlockumentário The Outer Space Connection e o caso Brian Scott, para não mencionar certos rumores de recuperação de acidentes de OVNI. Poderia ser cogitado se poderia ter sido um desenvolvimento natural copiar material deste filme em casos posteriores. É porém um filme bem obscuro e eu não posso dizer que as semelhanças compelem a uma suposição de influência. O cenário era incomum, mas a imagem seguramente não era. Imagens de bebês sendo criados fora do útero têm sido uma noção futurística comum discutida em áreas feministas influentes como A Dialética do Sexo e certas opiniões jornalísticas sobre as tendências da tecnologia reprodutiva representadas por laparoscopia, fertilização in vitro, mães de aluguel, drogas para fertilidade e assim sucessivamente.

Susan Merrill Squier em seu livro publicado recentemente Babies in Bottles: Twentieth Century Visions of Reproductive Technology (Rutgers University Press, 1994) compilou uma história desta imagem ou ícone popular com suas conotações ideológicas mutantes. Ela localiza a imagem tão longe quanto 1863 e a história para crianças de Charles Kingsley The Water Babies [Os Bebês Aquáticos], um conto de moralidade repleto com temas da embriologia e zoologia daquele tempo. Squier documenta o interesse de Julian Huxley na história quando moço e o uso consciente dele disto como um popularizador da ciência. A idéia de bebês crescendo fora do útero passou a ser chamada de "ectogenêse" e era um assunto de debate por pensadores notáveis como J.B.S. Haldane, J.D. Bernal, Eden Paul, Norman Haire e Vera Brittain nos anos 20. A Eugenia estava em moda com suas esperanças e medos sobre como o homem poderia moldar seu futuro biológico. Alguns gostaram da idéia de ectogenêse; outros a acharam detestável na época, assim como hoje.

A ectogenêse foi permanentemente estabelecida como um ícone cultural quando o irmão de T.H. Huxley, Aldous, começou sua obra-prima Admirável Mundo Novo (1921) com uma visita fictícia, 600 anos a partir de então, ao Centro de Incubação e Condicionamento de Londres Central. Óvulos são fertilizados e sujeitos ao "processo bokanovsky" que rende em média 96 embriões idênticos. Padronização de forma contribui à estabilidade desta sociedade futura. Os óvulos são transferidos de tubos de ensaio a bocais, rotulados e transferidos para o porão úmido onde podem ser vistos "os flancos arredondados dos bocais [recipientes] que se alinhavam ao infinito, fileira após fileira, prateleira sobre prateleira". Os ruídos de maquinaria agitam levemente o ar. Os bocais se movem em esteiras lentas, periodicamente injetados com vários extratos. O trauma da decantação procede e nós somos informados de que as mais baixas castas trabalhadoras são alimentadas com menos oxigênio para inibir o crescimento do cérebro. "A 70% do oxigênio normal obtém-se anões". Depois de decantar os humanos desenvolvidos são condicionados para seus trabalhos futuros, "seu inescapável destino social".

Admirável Mundo Novo é requerido em muitas faculdades, um membro estabelecido do Cânone Westran. Mencioná-lo é invocar o horror de uma "distopia" futura de organização, menos sórdida que 1984 [de Orwell] é certo, mas algo que todos vêem que deveria ser evitado. Huxley considerou fazer um filme a partir dele em 1945, mas a RKO havia adquirido os direitos e tinha desejado muito dinheiro na revenda. Enquanto estava negociando, Huxley mencionou a um amigo que ele temia que o filme poderia ser censurado em um ponto fundamental. "Um ponto prático me preocupa. O que dirá o escritório de Hays sobre bebês em garrafas? Nós precisamos tê-los, já que nenhum outro símbolo do triunfo da ciência sobre a natureza pode ser tão efetivo quanto este. Mas eles permitirão? " (Squier, pág. 153.)

Esta função simbólica da ectogenêse não mudou. Bebês sob vidro seriam um troféu tecnológico que mostraria como a ciência dominou a natureza a ponto do próprio mistério da vida isto ter sido arrancado do útero. Você pode estar seguro de que os inventores continuarão almejando esta meta, em todo caso sob a desculpa de evitar as ligações emocionais de gestação conectada a mães de aluguel. Alguns duvidam que algum dia será prático ou compensador. Eu tenho menos dúvida nesse ponto do que sobre como a ectogenêse se parecerá. Cilindros sólidos transparentes e aquários com embriões submergidos foram tão retratados que parecem o caminho óbvio. Entretanto as experiências de Harlow que provam a necessidade de excitação tátil em primatas em desenvolvimento provêem pelo menos uma razão para pensar que a ectogenêse requereria uma forma de recipiente mais orgânica. Até mesmo se houver modos de contornar este problema com neuroquímica caprichosa, minha intuição é que incubadoras alienígenas estão próximas demais das expectativas da imaginação atual e sem as dificuldades e surpresas que tendem a aparecer em projetos de alta tecnologia. Compare os foguetes de revistas populares de ficção científica do começo do século XX à complexidade rica dos veículos no empreendimento do pouso na Lua com a Apollo para ver aonde quero chegar.

A exibição de Mack do desenho de Catherine do incubatório alienígena é irônico de alguns modos. Apresenta uma legenda que começa "Todos os seres no tanque são idênticos…". Mack fala fenômeno de abdução OVNI atingindo o coração do paradigma Ocidental, negando seu senso de domínio e poder e uma visão material da realidade. Contudo, como o comentário de Huxley indicou, não há nada que celebraria mais o excesso de materialismo que mostrar que a ciência futura dominará até mesmo os segredos da vida. O que poderia ser mais Ocidental que embriões em linha de montagem? Poderia algo contrariar mais a ligação Oriental à vida e ao holismo que dizer que a ectogênese é plausível e desejada por seres mais avançados no universo? A visão de abdução alienígena é muito menos uma ameaça para o pensamento Ocidental do que uma reflexão carnavalesca de seus sonhos e pesadelos.

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