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Gravação de pilotos e torre revela OVNIs em Manaus?

Para entender os extraterrestres

20 de julho de 2009 Comments (0) Views: 784 Destaques, Ufologia

UFOs Cadentes

por Kentaro Mori

Analisando pontos pretos em imagens de satélite, comumente interpretados como simples ruído, Louis A. Frank da Universidade de Iowa sugeriu em 1986 que os pontos eram na realidade cometas menores compostos basicamente de gelo. Uma quantidade enorme deles adentraria nossa atmosfera, algo em torno de 20 cometas de 40 toneladas cada por minuto. Com um bombardeio contínuo ao longo de bilhões de anos, grande parte ou mesmo toda a água de nosso planeta deveria então ter vindo dessa forma inusitada, ou ao menos esta é a teoria de Frank. Imagens mais recentes desta vez do observatório robótico de Iowa levaram Frank a publicar em 2001 no Journal of Geophysical Research mais evidências de sua controversa teoria, mas ainda séria e plausível.  

Isso se soma à teoria cada vez mais citada da panspermia cósmica, segundo a qual a própria vida na Terra teria sido ‘semeada’ do espaço. O que é certo é que a queda de cometas e meteoritos, chamados de ‘estrelas cadentes’ (que felizmente não são estrelas caindo de verdade), influenciam o planeta como um todo e para isso basta lembrar das quedas de meteoros maiores incluindo a que teria extinguido os dinossauros. Reconhecer isto é impressionante uma vez que há pouco mais de duzentos anos a ciência, que já previa com precisão eclipses e traçava os movimentos celestiais, considerava os relatos de ‘pedras caindo do céu’ pura superstição, fruto da confusão de camponeses incultos de relâmpagos ou mesmo pedras expelidas por vulcões. De lá para cá as ‘estrelas cadentes’ passaram de superstição inculta a fatores determinantes em teorias a respeito de temas tão profundos quanto a própria vida, o que não deixa de atestar uma característica central da ciência: sua capacidade de reconhecer seus próprios erros. De fato depois que trabalhos científicos acumularam evidências suficientes de que realmente existiam ‘pedras caindo do céu’ não se passaram vinte anos até que isto fosse amplamente reconhecido por todos cientistas. À ciência, o último árbitro é sempre a evidência.

Contudo, nas últimas décadas muitos começaram a falar de algo mais ‘caindo do céu’: “UFOs”, “discos voadores”, que se entendem por espaçonaves extraterrestres. As similaridades são fascinantes. Embora a ciência só tenha aceito as ‘estrelas cadentes’ há duzentos anos, a crença na queda de corpos vindos do espaço existe desde tempos imemoriais. Particularmente relevante é a origem da superstição de fazer um desejo ao ver uma estrela cadente. As estrelas cadentes, acreditava-se, eram partes do reino dos deuses que caíam por acidente quando eles abriam buracos na abóbada celeste para espiar nosso mundo. Desta forma, estrelas cadentes seriam indícios de aberturas ao mundo dos deuses e você poderia fazer um pedido. As analogias às quedas de UFO são claras: na sua atividade de observar nosso mundo, algumas partes do reino dos alienígenas acabam caindo inadvertidamente. O nosso pedido talvez seja desempenhado pelo desejo de adquirir um pouco da tecnologia mágica deles através de engenharia reversa. Em ambos os casos artefatos de ‘outros mundos’ caem por acidente no nosso enquanto os seres desses mundos nos visitam ou espiam, e isto nos permite alcançar parte do poder mágico deles.  

Também pode ser curioso notar que o próprio Islamismo tem como um de seus dogmas a peregrinação à Meca onde os devotos devem dar sete voltas à Caaba, em cujo interior está nada menos que um meteorito. Não são poucos os ufólatras que acham essencial fazer sua peregrinação à Roswell pelo menos uma vez na vida – exatamente como dita o Islamismo. Dentro de algum tempo, é provável que o costume de dar voltas aos dois “locais de impacto” torne-se outra parte deste novo culto. Pelo menos visitar o museu local já é.  

Mas o que mais deve interessar os interessados pela ufologia é o prospecto do reconhecimento científico das quedas de UFO, tendo como modelo o caso das ‘estrelas cadentes’. Aqui também há similaridades e sem dúvida, a ciência pode um dia vir a reconhecer a factualidade das quedas de UFO, ou podemos dizer, dos ‘UFOs cadentes’. Basta que isso seja provado de forma satisfatória e científica e é claro, para isso é crucial que realmente existam espaçonaves ETs se acidentando por aí.  

E se houverem? Podemos analisar a idéia dos ‘UFOs cadentes’, mas devemos entender que não só sua eventual realidade como suas conseqüências também devem ser comparadas às das reais ‘estrelas cadentes’ – que como vimos podem ser entre muitas outras coisas a origem de toda a água no planeta, ou seja, que têm impactos ambientais em escala planetária.

Uma leitura descompromissada da literatura OVNI aponta centenas de quedas de UFO (esta lista do CSETI aponta 272 “quedas possíveis”). A grande maioria destas supostas quedas, sem surpresa, teriam ocorrido após o início da ufologia em 1947. Faça as contas e haveria em torno de 5 supostas quedas de UFO por ano nos últimos 50 anos. A maior parte destes supostos incidentes seriam falsos, muitos ufólogos admitirão, mas também serão rápidos em retrucar que apenas uma parcela da “atividade OVNI” pelo mundo acaba sendo notada pela ufologia devido ao encobrimento governamental. O raciocínio dita que muitas outras quedas reais devem ser completamente desconhecidas por ocorrerem, por exemplo, sobre o alto-mar ou em localidades muito mais desertas que o Novo México e serem assim totalmente encobertas pelo governo. Faz sentido.

Até porque, podem lhe contar, em cinco décadas milhões de avistamentos foram registrados pelo mundo apesar da mesma conspiração governamental. O resultado é que, embora um leigo possa ficar impressionado, a ufologia popular vê hoje as ‘quedas de UFO’ como algo realmente comparável a estrelas cadentes. Talvez não numericamente igual às milhões que diariamente adentram a atmosfera, mas algo que ocorreria com bastante freqüência. O conhecimento disto seria algo irrefutável, que só aqueles mal-informados ou mal-dispostos não aceitariam.

Tomemos então a estimativa inicial de cinco quedas de UFO por ano. Suponha que a atividade OVNI é constante desde o surgimento de nossa espécie. Isso rapidamente nos traz a estimativa de 500.000 quedas de OVNI em 100.000 anos. Suponha que antes do surgimento da espécie humana propriamente dita a atividade OVNI era menor e havia ‘apenas’ uma queda de UFO por ano. Assim, ao longo dos quatro bilhões de anos que têm as mais antigas rochas encontradas, algo ao redor de 4 bilhões e 500 mil UFOs já devem ter caído em nosso planeta.

Agora suponha que cada ‘disco voador’ pese em média cinco toneladas. Chegamos a um derradeiro número: mais de 20 bilhões de toneladas de legítimo material alienígena de ‘discos voadores’ estariam dispersas pelo nosso planeta. Este número é apenas um chute, baseado em diversas suposições – incluindo a primordial: de que realmente há naves extraterrestres caindo em nosso planeta. No entanto, todas estas suposições parecem coerentes com as crenças mais populares na ufologia, e o número é assim conseqüência óbvia da crença de que naves extraterrestres caem com regularidade na Terra. Se imaginarmos que aproximadamente a cada 100.000 anos uma ‘nave-mãe’ de dezenas de quilômetros de tamanho e milhões de toneladas se acidenta por aqui, apenas isso já deveria adicionar mais dezenas de bilhões de toneladas de material alienígena à Terra ao longo de seus bilhões de anos de existência.  

Talvez fosse mais adequado lidar com estimativas baseadas no volume das naves ex
traterrestres. Ou talvez a idéia de que somos visitados há bilhões de anos contrarie mesmo a ufologia corrente. Contudo, o que se atenta aqui é que naves extraterrestres não devem ser como os monstros sobrenaturais de filmes de matinê que viram pó ou fumaça quando morrem. Mesmo que espaçonaves alienígenas quase magicamente virassem pó ou fumaça, a menos que violem leis físicas básicas a massa de seu material não pode simplesmente sumir. Reações nucleares poderiam converter parte da massa em energia, mas essa conversão nunca poderia ser significativa ou a energia liberada facilmente partiria o planeta ao meio. Nós ainda podemos supor que os materiais que compõem um ‘disco voador’ devam ser excepcionalmente resistentes. Lembremos aqui do mágico metal de Roswell que se ‘consertaria sozinho’ e voltaria ao formato original. Como um material mágico como este não impede que as naves caiam com tanta freqüência já deve ser outro enigma.  

Se quedas de UFOs são algo tão comum quanto se propaga, mesmo que ocorra em média ‘apenas’ uma queda por ano em todo o planeta, então o impacto ambiental destas quedas ao longo do tempo deve ser significativo, planetário. A questão não é mais de encobrimento governamental, mas geológica, de ciência planetária. A cada ano a mineração mundial de ouro totaliza ‘mera’ 1,5 tonelada. Todo o ouro já produzido na história humana é estimado em apenas 300.000 toneladas (alguns estimam menos da metade disto). Ou seja, por nosso chute anterior o material de ‘discos voadores’ que está ou esteve acessível na superfície do planeta de forma ‘pura’ seria mais de 60 mil vezes superior a todo o ouro de que nossa espécie já dispôs. A queda de um único ‘UFO’ com massa superior a 1,5 tonelada superaria em instantes a produção anual de ouro do mundo em uma época em que extraímos este metal valioso de todos os confins do mundo com as mais sofisticadas técnicas. Quem dera os UFOs fossem feitos de ouro 24 quilates.  

Nada disto desprova nenhuma ‘queda de UFO’. Porém, como esperado, impõe sérias limitações fundamentais à idéia que domina o cenário ufológico desde a ressurreição há pouco mais de 20 anos do ‘caso Roswell’. Um ‘caso’ que mesmo sendo o maior e melhor relacionado ao tema com centenas de testemunhas, até hoje não trouxe muito além disso: testemunhos não raro grandemente contraditórios. Quando há centenas de supostas quedas de UFO sem nenhuma – nem sequer uma – confirmação segura, ao invés de corroboração o que os crédulos não enxergam é que isto é em si evidência de que o fenômeno não envolve realmente espaçonaves alienígenas caindo. Do contrário, a cotação para o grama de disco voador deve ser mais baixa que a do ouro.

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