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Desmistificando o "Mistério" das Esferas de Pedra

Pareidolia e os Marcianos

14 de agosto de 2009 Comments (1) Views: 1924 Destaques, Fortianismo, Ufologia

Desenhos Antigos Reinterpretados

Kentaro Mori

Os Euhemerísticos, aqueles que defendem que mitos do passado são "relatos" literais, têm uma ampla gama de armas para convencer o público. Entre elas estão várias imagens, desenhos e esculturas antigas que parecem encontrar paralelos no mundo moderno. Astronautas, máquinas, naves, ETs e até OVNIs são encontrados à exaustão. Alguns destes desenhos realmente se parecem muito com o que os euhemeríticos afirmam que são. Mas só se os olharmos à luz de nossa própria cultura moderna, o que é exatamente o que fazemos quando os olhamos descomprometidamente.

Por exemplo, vejam a escultura budista à esquerda, representando uma árvore sagrada.

E então vejam uma obra de Deschámps, seu "aparador de garrafas":

O que isso quer dizer? Será que os budistas do passado fizeram contato com ETs usando aparadores de garrafa e desejando sua volta passaram a construir "imitações"? Aposto que não. Na verdade, a árvore sagrada budista da escultura não só parece-se com um aparador de garrafas, podem-se encontrar "paralelos" nas lojas de roupas, em singelos suportes giratórios para meias. Nas bancas de jornais, suportes giratórios de cartões-postais também são muito parecidos. Podemos achar similares em vários outros lugares. Até em alguns cabideiros.

Logo abaixo, vêem-se dois desenhos de tribos antigas:

 

Se os olharmos à luz de nossa cultura, eles se assemelhan a desenhos esquemáticos de submarinos ou talvez de naves espaciais circulares. O primeiro parece ser uma nave de três andares, enquanto o segundo é bem mais complexo. Se olharmos bem, veremos que em ambos na parte superior há estranhas bolas, parecendo indicar fontes de luz. Realmente, seriam indicativos de um contato?

Contudo, para a cultura que realmente fez estes desenhos, eles não representam naves. Representam os mundos. As divisões internas representam as divisões entre os diferentes mundos espirituais, o conhecido conjunto céu-terra-inferno. O segundo desenho também representa estes três mundos, a estranha espécie de cruz no meio é o "axis mundi", o eixo do mundo, pelo qual o xamã – e apenas ele – poderia atravessar e assim viajar pelos mundos espirituais. O primeiro desenho também tem este axis mundi, mas ele está menos destacado. Agora sim, as "estranhas bolas" na parte superior fazem sentido: são apenas representações de estrelas.

Se alguém ainda tem dúvidas de que são apenas os antropólogos a reinterpretarem erroneamente o que só pode ser entendido como desenhos esquemáticos de naves extraterrestres, vejamos mais um desenho:

Neste daqui, claramente, vemos apenas a terra e o céu. No centro está o axis mundi, e na parte superior fica claro que as "estranhas bolas" são de fato apenas representações de estrelas.

Ou será que é uma nave com animais?

De toda forma, para ajudar a representar o ponto aqui, escrevi também uma paródia, "Contatos na Pré-escola" (satirizando as teorias de "Contato na Pré-História), mostrando que se desenhos antigos podem ser reinterpretados como contatos com aliens, desenhos infantis também podem ser. Na paródia, não mostrei desenhos antigos, o que faço aqui. Vejamos a figura à direita.

Ela claramente mostra pessoas dentro e fora de uma tenda. Se não fosse pela tenda, muitos ficariam inclinados a achar que seria o desenho de seres extraterrestres…

O desenho é todo estilizado – exatamente como desenhos infantis. Ou será que galinhas não tinham olhos antigamente?

Ainda temos exemplos de arquitetura como a abaixo.

Sem dúvida, parece ter saído direto de um filme de ficção científica. Arrisco dizer que parece o núcleo central do reator nuclear da "Estrela da Morte" de Guerra nas Estrelas.

Mas é claro, é apenas uma coluna ornamentada retirada de seu contexto e vista com os olhos de nossa cultura. Se observarmos todo o resto da construção, veremos que este é um estilo arquitetônico que nada tem a ver com reatores nucleares de filmes de George Lucas.

Espero que depois destes exemplos, tenha ficado claro qual é o problema de reinterpretar desenhos antigos. Nós os interpretamos através de nossa cultura contemporêna, quando na verdade eles foram evidentemente feitos por outras culturas, com diferentes mitos, crenças e principalmente, escolas de arte.

Isso não prova que todo desenho antigo que pareça representar algo avançado possa ser descartado, mas lembra o que é fruto do simples bom-senso: precisamos antes investigar o que o objeto poderia representar na cultura que o construiu do que imprimir de pronto a nossa cultura sobre outras, algo que além de tudo é arrogante.  

É realmente possível que tenhamos sido visitados no passado e que esta visita tenha acabado ficando indistingüível de mitologia pura. Porém também é possível que seu filho tenha de fato visto um monstro debaixo da cama, e que pelo fato disso parecer demais com a "mitologia" infantil, você desconsidere seu relato.

O caso dos Dogon poderia ter sido um a acabar com a ambigüidade e dúvida que paira nesta questão. Se uma tribo ainda na idade da Pedra tivesse lendas que indicassem conhecimentos astronômicos não só iguais, mas além de nossos próprios, isso seria uma evidência muito boa a favor de contatos antigos com civilizações avançadas.

Na verdade há inúmeras outras formas pelas quais uma visita poderia também ter sido notada de forma indistingüível, a maior parte dessas envolveria conhecimento científico avançado. Mas a despeito disso, nenhuma delas foi encontrada. É uma pena, tudo o que temos até o momento são relatos de monstros embaixo da cama. Você vai acreditar neles?

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One Response to Desenhos Antigos Reinterpretados

  1. Rafael disse:

    Bem, eu adorei o artigo e sem querer impor alguma teoria maluca, é certo que, como você mesmo afirma acima, PODE ter havido num passado remoto algum contato com civilizações e seres fora do orbe, mas quando faz referência a monstros debaixo da cama, comparando-as com a crença em algo que não tenha provas, está impondo de forma indireta a visão dogmática da ciência atual, que justamente o contraria as teorias a la Däninken, que por vezes recorrem a fraudes, mas que realmente mostram coisas inquietantes que poderiam ser levadas mais a sério. Como exemplo disso tomo os casos do gigante de Tassilli, no Saara; a imagem maia de Pacal pilotando uma “nave”; o caso das estatuetas Dogu, que vc já postou aqui e comparou com os trajes modernos(que foi um tanto ridículo, mas útil); além das imagens medievais que mostram supostas naves e seres espaciais em tais naves. Pode ser que a teoria de Däninken, por mais estapafúrdia que seja, possa estar de algum modo correta. Pois como escritores das lendas do Mahabharata poderiam descrever coisas tão intrigantes, como uma possível Guerra Nuclear ocorrida há uns dez mil anos, além de descrever detalhes sobre objetos voadores chamados Vimanas. Espero que vocês possam fazer uma abordagem, não apenas refutando, mas que levasse em conta tais fatores tão intrigantes. Eu sei que o site é sobre ceticismo, mas e se Däninken estiver certo? Abraços!!!

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