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Roanoke: a colônia que desapareceu – e a lenda...

As Crianças Verdes

14 de agosto de 2009 Comments (0) Views: 2098 Destaques, Fortianismo, Ufologia

Sonic, o chupacabras

Kentaro Mori

O já folclórico ‘chupacabras’ assemelha-se tanto em aparência como em enredo a um personagem de videogame contemporâneo, ‘Sonic, o porco-espinho’. Enquanto este breve texto não pretende defender que o personagem eletrônico foi origem da figura do chupacabras, irá sim procurar se estender sobre os curiosos paralelos. Outros já notaram as semelhanças, porém geralmente por brincadeira. Há no entanto algo sério por trás disto e o que significa, se significa algo, será sugerido ao final.

Aparência
A mais conhecida representação do chupacabras está relacionada à sua gênese com tal nome em Porto Rico. Se o leitor já leu qualquer referência sobre o tema, é bem provável que tenha visto alguma versão do esboço original de Jorge Martin. Ele foi criado em dezembro de 1995 a partir do “caso” de Madelyne Tolentino, três meses antes, e algo que diferencia este esboço de tantos desenhos de monstros e seres alienígenas são as curiosas extensões pontiagudas se estendendo das costas (espinha) do ser.

Este é justamente o mais notável aspecto das representações de Sonic, personagem criado em 1991 por Naoto Oshima e adotado como mascote da companhia de jogos eletrônicos Sega. Como porco-espinho estilizado, os espinhos são facilmente compreensíveis.

A série de jogos Sonic, que se estende até hoje, alcançou o auge de seu sucesso justamente em meados dos anos 90. Sítios on-line mencionam que por essa época mais crianças americanas reconheciam a figura do porco-espinho azul do que outros ícones como Mickey Mouse, Abraham Lincoln ou Mario (o mascote eletrônico da concorrente Nintendo).

Na descrição original do chupacabras, os “apêndices similares a espinhos” são relatados como “de cores claras fosforescentes (…) correndo ao longo do corpo, da cabeça ao fim das costas”. As “cores dos espinhos mudam constantemente de vermelho a azul, amarelo, verde, laranja a violeta”. Quando Sonic pula e assume o formato de uma bola, ao rodar e usar seus espinhos, também é envolto por uma esfera brilhante de cores variadas. Todo o jogo é repleto de cores fosforescentes.

História
“No início acreditei que estes animais eram o resultado de um experimento genético ou biônico”, disse Jorge Martin. Esta foi uma das primeiras especulações em torno da origem e natureza do chupacabras, que persiste até hoje, embora outras histórias tenham surgido ao longo tempo – “agora acredito que não são de origem terrestre”, completa Martin, por exemplo.

Os responsáveis pelo “experimento genético ou biônico” seriam os americanos, que possuem bases militares em Porto Rico. Especulou-se que uma ou mais aberrações genéticas haviam simplesmente escapado. Esta versão em particular é um paralelo quase exato com o enredo dos jogos de Sonic:

“Era uma vez um mundo pacífico chamado Mobius [ou a Terra no futuro] que é ameaçado quando o Dr. Kintobor [ou Ivo Robotnik, ou Eggman], um cientista gentil que estava pesquisando as poderosas Esmeraldas Caos, é transformado em um raivoso megalomaníaco depois de um acidente de laboratório. Todos os lindos animais do planeta são transformados em seres robóticos do mal (Badniks) – exceto por Sonic o porco-espinho, um amigo de Kintobor que era muito rápido para ser capturado. Agora Sonic deve encontrar todas as Esmeraldas Caos, resgatar seus amigos e derrotar Kintobor antes de ser tarde de mais”.

O Dr. Kintobor, ou Robotnik, transforma animais graciosos em robôs biônicos escravos, e no caminho polui e destrói a natureza. Todo o tema do jogo estava sintonizado com o movimento ecológico e o mau uso da tecnologia (tão evidentes naqueles anos, que chegaram a pontos bizarros com figuras infantis como o “Capitão Planeta”).

Discussão
A lenda do chupacabras não surgiu do nada em 1995. Tampouco deve ter surgido a partir do personagem azul de videogame. Ele tem precedentes mais claros que vão das “mutilações” de animais nos EUA ao “Vampiro de Moca”, ambos dos anos 70, décadas antes. As coincidências entre a aparência e história de Sonic e a criatura vampiresca podem bem ser isso: coincidências.

Representar espinhos ou “apêndices” na coluna de um animal da forma como Martin representou não precisa necessariamente estar baseado no desenho de Sonic. Qualquer criança, instada a desenhar um porco espinho, pode representar o animal de forma semelhante. O chupacabras, além disso, apesar de ter seus espinhos descritos por vezes como fosforescentes, teria o resto do corpo em tons escuros, grandes olhos vermelhos, garras, e pernas similares às de um canguru. Algo bem diferente do fofo personagem infantil.

Feitas todas estas ressalvas – e muitas outras que ainda devem ser apropriadas, incluindo a enorme diversidade de descrições do chupacabras – não se pode deixar de sugerir, porém, que as coincidências não sejam “meras” coincidências. Tanto Sonic quanto o chupacabras são produtos culturais que se disseminaram com sucesso em uma mesma época. Ambos são referidos no singular, como se só existisse um Sonic e um chupacabras. “Acredito que é um fenômeno sociológico. Notem que sempre se fala sobre ‘o’ chupacabras, e não sobre ‘os’ chupacabras”, nota o argentino Max Seifert.

Enquanto Sonic não deve ser a origem do chupacabras, influências e referências culturais semelhantes podem ter estado por trás de ambos. E, afinal, é possível que a dona-de-casa Madelyne Tolentino tenha jogado demais com o Sega MegaDrive das crianças. Ou não, talvez tenha sido o MasterSystem mesmo.

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