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Discos voadores e Frank Scully
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No fim dos anos 1940, "discos
voadores" estavam sendo amplamente relatados nos
EUA. Eles foram chamados de discos [saucers]
porque um piloto chamado Kenneth Arnold
descreveu algo que ele viu como se "movendo como
um disco". O nome "disco voador" foi rapidamente
adotado embora tenha sido uma citação incorreta.
Os objetos vistos foram descritos como discos
voadores.
Esta era a época pouco depois da Segunda Guerra
Mundial. A Guerra Fria estava tomando caminho.
Qualquer coisa desconhecida voando por aí era,
claro, de grande interesse para o exército
norte-americano, assim a Força Aérea criou um
projeto para estudar o fenômeno dos discos. Eles
avaliaram várias centenas de relatos antes de
fechar o projeto; aparentemente nada substancial
podia ser provado.
A história que você lerá a seguir é verdadeira.
Os nomes não foram alterados porque as partes
envolvidas não eram inocentes.
O Livro
Introdução
Em setembro de 1950 um novo livro sobre discos
voadores, Behind the Flying Saucers [Por
trás dos Discos Voadores], chegou ao
mercado. Produzido pelo escritor da Variety de
Hollywood, Frank Scully, este pequeno livro
alegava ter as respostas reais sobre os discos
voadores. As explicações de Scully
definitivamente não concordavam com aquelas
fornecidas pela Força Aérea americana. A nota do
editor reconheceu isto, dizendo "Porém, estamos
tão convencidos quanto qualquer editora prudente
poderia estar de que o senhor Scully abordou seu
assunto com probidade e interpretou os fatos e
números dados a ele com cuidado e precaução. Ao
escrever este livro, ele realizou entrevistas
extensas e contou com a ajuda dos cientistas e
outros peritos em tais campos como energia
magnética, astronomia e aerodinâmica - homens
que são por reputação luminares em sua
profissão, mas alguns os quais os nomes, como
será aparente ao ler este livro, devem ser
mantidos anônimos".
No Prefácio do Autor (6 1/2 páginas), Scully
escreveu "Embora eu não tenha o mais leve
interesse no que o exército possa ou não dizer
sobre este livro, eu quero que meus leitores
entendam minha posição. Eu nunca vi um disco
voador. Eu nunca tive uma alucinação de ter
visto um disco voador. Eu nunca me juntei a
qualquer histeria em massa no assunto, e ao
melhor de meu conhecimento e crença, nunca
participei na perpetração de qualquer fraude
sobre discos voadores. Eu falei com homens de
ciência que me disseram que não somente os
viram, como trabalharam com vários deles. Eu
tentei com o melhor de minha habilidade
encontrar falhas em suas histórias. Mas até hoje
não tive sucesso em enquadrá-los em quaisquer
das três categorias definidas pela Força Aérea".
As três categorias, como explicadas no Capítulo
1, são
1.
Enganos e confusões com várias coisas
incluindo objetos astronômicos,
2. Algum tipo de histeria em massa,
3. Fraudes.
Isto dá alguma indicação de que fraudes estavam
começando a ser um problema já naquela época.
Algumas das referências que encontramos indicam
que o livro vendeu bem. Encontramos uma
referência que indicou que 60.000 cópias de capa
dura foram vendidas a $2,75, bem como livros
adicionais de capa mole de 25 cents. Há certa
evidência para isso no fato de que cópias usadas
de capa mole estão facilmente disponíveis hoje
por livrarias de internet.
Conteúdo
O
livro tem 17 capítulos, como segue.
-
O Mistério da Universidade de Denver
-
O que o Cientista Disse
-
Alguma História Pessoal
-
Teorias em Colisão
-
O Extremo Lunar
-
Fraudes e Discos
-
Os Relatórios de Força aérea
-
De Fort a Fate
-
Inícios Adicionais
-
Como os Astrônomos os Vêem
-
Uma Correção Aerodinâmica
-
Dentro dos Discos Voadores
-
Da Magnetita a Einstein
-
Algumas Definições Magnéticas
-
Por que os Discos Pousaram Aqui
-
A Caixa de Perguntas
-
Algumas Conclusões Arejadas
Resumo do Livro
Eu farei um breve sumário do livro para tornar a
análise posterior mais significante. Nós iremos
capítulo por capítulo. O livro é escrito por
Scully na primeira pessoa, como uma narrativa. O
estilo é informal e contém muitas críticas ao
Pentágono e exército por sua "manipulação" do
tema de discos voadores. Alguns dos capítulos
têm baboseiras pseudocientíficas tão absurdas
que o leitor ficará abismado.
Capítulo 1 - O Mistério da
Universidade de Denver
Este
capítulo introduz os dois personagens
principais além de Scully. O primeiro
aparece como um conferencista não
identificado que dá uma conferência
sobre discos voadores de 50 minutos na
Universidade de Denver no dia 8 de março
de 1950. Grande segredo cercou este
caso; o evento não foi anunciado e a
identidade do palestrante não foi
revelada. Ele explicou que teria que
omitir nomes e datas já que alguns dos
cientistas envolvidos ainda estavam
trabalhando em projetos classificados e
não estavam livres para falar sobre os
discos voadores que examinaram. A
audiência descreveu a palestra depois
como "impressionante", "sensacional",
"eletrizante", "absurda", "ridícula", e
"inacreditável". A recepção foi
obviamente diversa, mas pelo menos 60
por cento da audiência indicou que o
conferencista sabia sobre o que estava
falando. Uma votação posterior reduziu o
número de crentes a 50 por cento.
A história continua e relata tentativas
pelo exército de descobrir quem o
conferencista misterioso era. As
tentativas não tiveram sucesso
imediatamente. Porém, em 17 de março
todos os envolvidos acreditaram ter
descoberto quem o conferencista era - um
tal de Silas Mason Newton, presidente da
Newton Oil Company e um diplomado da
Baylor e de Yale. Scully o descreveu
como "... um homem de substância como
também ciência e tão americano quanto
uma torta de maçã". Parece que Scully
conhecia Newton há vários anos.
Outro evento importante aparece no
Capítulo 1 - os discos voadores que se
"acidentaram" perto de Aztec, Novo
México. Aztec não está muito distante ao
nordeste de Farmington, no canto
noroeste do estado. É no contexto da
história de Aztec que o segundo
personagem principal aparece - um
misterioso "Dr. Gee". Ele é descrito
como "um colega do conferencista"
descrito acima e nunca é identificado
mais adiante. Era supostamente um
cientista que havia "estado a serviço do
governo em projetos ultra secretos de
defesa durante sete anos e havia
desempenhado um papel em 35.000
experiências em terra, mar e ar,
envolvendo 1.700 cientistas". Muito
impressionante.
Capítulo 2 -
O que o Cientista Disse
Aqui está a história do que o
conferencista misterioso disse na
Universidade de Denver. Scully diz que o
melhor relato da conferência veio do
Summerside Journal de Prince Edward
Island, Canadá. "Este jornal obteve sua
história obviamente de um correspondente
de Denver...", mas Scully a considerou
melhor que uma transcrição, o que não
existia.
O conferencista afirmou
que quatro discos voadores haviam
pousado na Terra. "Três dos quatro, ele
adicionou, tinham sido capturados e
inspecionados por homens com quem ele
estava identificado atualmente em
pesquisa geofísica. Trinta e quatro
homenzinhos, medindo entre noventa
centímetros e um metro de altura, tinham
sido encontrados mortos em três dos
discos descobertos". Isso era uma
revelação e tanto. A história
continuava: "O disco não só não parecia
vir de qualquer parte desta Terra, como
a pergunta de onde ele veio ainda
permanecia sem solução. A melhor
especulação, ele adicionou, era Vênus,
mas ele continuou dando ênfase ao ponto
de que ainda era uma questão
completamente aberta". Isto foi duas
décadas antes que a temperatura
superficial de 800 graus e a atmosfera
de gás carbônico sufocante de Vênus
fossem conhecidas.
As medidas
dos discos eram interessantes. O
primeiro tinha 99.9 pés [30 metros] de
diâmetro. Sua cabine tinha em torno de
72 polegadas [1,80 metros] de altura. A
segunda nave tinha 72 pés [vinte metros]
de diâmetro e a terceira media 36 pés
[onze metros]. Todas as dimensões eram
divisíveis por nove, "que pode ter sido
uma pista de que eles usaram nosso
sistema de medida". Apenas quatro
páginas no capítulo e já está se
tornando profundo. Considere o fato de
que as medidas são divisíveis por nove
APENAS em nosso sistema de medidas.

Desenho de Silas
Newton do primeiro disco e o "sistema de
noves". Do artigo de JP Cahn.
O
tema do magnetismo permeia todo o livro.
O conferencista em Denver começou isto.
Ele alegou que um grande projeto de
pesquisa durante a guerra tinha feito
avanços enormes nesta área. "Eles tinham
chegado à conclusão de que tudo que
existe devia sua forma e existência a
linhas magnéticas de força. Ele explicou
que há 1.257 linhas magnéticas de força
por centímetro quadrado. Quer dizer, em
torno de meia polegada". Segure-se - há
mais. "Muito da magia, o cientista
explicou, que confundiu observadores
treinados ou não, não é realmente magia.
Bastante do que se diz ter acontecido no
ar a naves, como desintegração,
suspensão por um período de tempo,
imobilização de seus instrumentos de
bordo e etc. pode ser duplicado no
laboratório. O avião de Mantell e toda
porção de seu avião, do motor às pontas
das asas, era mantida unida por causa de
um freqüência magnética. Isto era
verdade até mesmo para o próprio
Mantell. Então tudo que um disco voador
teve que fazer para desintegrar o avião
de Mantell, o conferencista revelou, era
desmagnetizá-lo". Ao final deste
capítulo, o leitor foi sujeitado a uma
avalanche de algumas das mais terríveis
baboseiras magnéticas imagináveis.
Capítulo 3 - Alguma História Pessoal
Este capítulo tinha uma
relevância desconhecida quando o livro
foi escrito. Revela que, durante alguns
anos, Scully tinha conhecido Silas
Newton, que era o provável conferencista
misterioso. As descrições de Newton são
bem elogiosas. "Ele era um dos grandes
geofísicos da indústria petroleira, com
um registro de operações exploratórias
prósperas que não foram ultrapassadas
por ninguém". Parece bom. "Ele caçou
petróleo com instrumentos que tinham
custado uma fortuna e eram um segredo
cuidadosamente vigiado. Com eles ele
tinha redescoberto o campo de petróleo
de Rangely anos depois das grandes
companhias petrolíferas o terem
descartado como um fracasso". Newton
parecia ter desenvolvido alguns métodos
muito interessantes de encontrar
petróleo.
Newton havia
descoberto alguns segredos que ninguém
mais no negócio de petróleo conhecia.
"... ele tinha feito milhares de
sondagens no deserto de Mojave e havia
acabado de decidir perfurar alguns poços
de teste. Todas as grandes companhias de
petróleo estavam convencidas de que não
havia nada na área, mas através de
instrumentação ele estava seguro de que
havia. 'Petróleo no lugar', ele
contesta, 'radia energia magnética e
isto é mensurável'. A dificuldade era,
quanto? Quão fundo os poços iam?
Depósitos de petróleo escondidos
profundamente na terra estavam
constantemente emitindo microondas
magnéticas, ele acreditava, o que tinha
estado aprisionado nas várias zonas de
falhas geológicas. O único problema era
que podiam chegar a polegadas de lhe
dizer onde o petróleo podia ser
encontrado, mas não podiam lhe dizer
quanto".
Aqui nós aprendemos mais
sobre o Dr. Gee. "No verão de 1949 ele
conheceu o Dr. Gee, um engenheiro
magnético que estava livre depois de
sete anos servindo ao governo em todos
os tipos de projetos importantes. Ele
tinha se tornado mestre de energia
magnética, mas US$7.200 por ano era tudo
que ele conseguia ganhar por seu
conhecimento. Assim ele deixou de lado
os projetos do governo para se voltar a
um negócio mais lucrativo." Gee explicou
que "... ondas magnéticas não passarão
pelo petróleo. Elas se movem por cima e
por baixo do petróleo. Assim seria fácil
subtrair a diferença e lhe falar quanto
volume havia em um determinado depósito
de petróleo". Simples, não?
Scully finalmente conseguiu conhecer o
doutor Gee; Newton o convidou para
acompanhá-los em uma viagem a Mojave
para inspecionar uma operação
exploratória. O doutor Gee estaria lá.
Durante a viagem, o doutor Gee contou
para Scully sobre os discos voadores que
ele havia examinado perto de Aztec, Novo
México. Ele respondeu às perguntas com
bastante conhecimento. A descrição do
doutor Gee o pinta como um gênio
brilhante que está muito à frente do
resto do mundo no estudo de energia
magnética.
Capítulo 4 -
Teorias em colisão
Este capítulo é uma coleção de
pseudociência e completa baboseira.
Scully cita e elogia autores como H.S.
Bellamy e Immanuel Velikovsky, que
escreveram sobre a origem da Terra,
catástrofes bíblicas e a captura da Lua.
Seus livros são considerados hoje como
besteiras pseudocientíficas, mas Scully
acreditava neles.
Capítulo 5 - O Extremo Lunar
Você poderia chamar este
capítulo "O Extremo Lunático". Detalha
várias pessoas excêntricas e suas idéias
sobre planetas, espaçonaves e assim por
diante.
Capítulo 6 - Fraudes e
Discos
Aqui está evidência de que
fraudadores de discos voadores já eram
um problema em 1950. "Suspeitos no
extremo lunático poderiam ser
presumivelmente curados de suas
alucinações pessoais ou participação em
uma histeria em massa, mas os
fabricantes de fraudes pertencem
compreensivelmente ao lado gélido da
lua, o lado que nunca vemos". Duas
coisas são óbvias aqui - Scully não
gostava de fraudadores e ele também não
sabia que o lado distante da Lua não
está sempre frio.
O capítulo
relata algumas fraudes históricas
interessantes.
Capítulo 7 -
Os Relatórios da Força Aérea
O Projeto Saucer [Disco] da
Força Aérea americana pretendia estudar
os crescentes relatos de discos voadores
e compreendê-los. A Força Aérea estava
obviamente interessada em coisas que
voavam da maneira atribuída aos discos.
Scully relata alguns "incidentes"
supostamente inexplicáveis de encontros
com discos voadores. A Força Aérea era
supostamente incapaz de identificar as
causas de certo número de avistamentos.
O Projeto Saucer foi terminado em 1950,
mas pode ter continuado operando em um
nível mais baixo.
Capítulo 8
- De Fort a Fate
O "Fort" no título do capítulo
se refere a Charles Fort, uma figura
interessante que viveu de 1874 a 1932.
Muitas histórias de discos voadores
apareceram na revista Fate, que
era uma pequena revista interessada em
ficção científica e coisas estranhas. Um
artigo publicado em Fate na primavera de
1948 defendia que os discos voadores só
eram misteriosos à Força Aérea e que
todo o resto das pessoas que estavam
trabalhando para entender os discos
sabiam o que eles eram.
Capítulo 9 – Inícios
Adicionais
Fate não era a única revista
publicando histórias de discos voadores.
Capítulo 10 - Como Astrônomos os
Vêem
Scully lamenta que nenhum
astrônomo famoso surgiu "como uma
testemunha ocular de discos voadores".
Os poucos que comentavam algo pensavam
que toda a idéia era tolice. "O
professor George Adamski de Palomar" é
citado como pensando que os discos
poderiam ser reais. Note que Adamski não
era um astrônomo. Ele escreveu um
best-seller em 1953 chamado Os Discos
Voadores Pousaram. Era um defensor
de discos voadores proeminente, mas sua
reputação se esvaiu depois que ele
anunciou que estaria comparecendo a uma
reunião em Saturno. Ele é lembrado agora
como um charlatão e fraudador. Adamski
não era a melhor referência para Scully
usar.
O capítulo continua em
certo detalhe sobre o sistema solar e
seus planetas. Há um resumo do
conhecimento corrente (em 1950) sobre
Vênus, e Scully faz um trabalho bastante
decente nisto. Os astrônomos realmente
pensavam que a vida em Vênus era uma
possibilidade. Não achamos isso agora,
mas os astrônomos de 1950 não sabiam
sobre as condições infernais da
superfície do planeta. Havia mesmo uma
aventura espacial televisiva chamada
O Cadete Espacial Tom Corbett; um
dos cadetes, chamado Astro, era
supostamente de Vênus.
Scully de
fato cita o trabalho de pioneiros como
Willy Ley, Hermann Oberth, Walter
Hohmann e o artista Chesley Bonestell.
Em 1923 Oberth escreveu um livro sobre
as possibilidades de viajar ao espaço.
Hohmann propôs um meio de ir da Terra
para outros planetas; este tipo de
órbita é agora chamado uma órbita de
"Transferência de Hohmann". Ley era um
pioneiro de foguetes alemão e Bonestell
era um artista cujas pinturas inspiraram
visões de viagem espacial.
Capítulo 11 - Uma Correção Aerodinâmica
Este capítulo curto relata
algumas discussões entre Scully e um
companheiro chamado Jacques Fresco, um
desenhista de aeronaves. Fresco afirmou
que aeronaves em forma de disco poderiam
funcionar de verdade. Suas idéias
envolveram naves movidas por jatos ou
foguetes. Ele estava interessado no que
os "homens de pesquisa magnéticos"
haviam descoberto. Uma breve conversa
sobre metais magnéticos terminou com "eu
lhe contei que os engenheiros magnéticos
dizem que um meteoro viaja em linhas
magnéticas de força e a razão para que
eles pousem aqui de vez em quando é
porque eles atingiram uma zona de falha
magnética em nossa atmosfera". Isto é
bobagem! Meteoróides orbitam o Sol como
todo o resto no Sistema solar. Por vezes
a órbita de um o leva a uma colisão com
a Terra.
Capítulo 12 - Dentro
dos Discos Voadores
Aqui está a grande revelação do
livro. Scully diz que "no verão de 1949,
enquanto trabalhava com os homens
ocupados de pesquisa magnética no
Deserto de Mojave, eu conheci um homem
de ciência cujos contemporâneos
consideravam o maior especialista de
pesquisa magnética dos Estados Unidos.
Ele tinha mais graduações que um
termômetro e as havia recebido de
instituições diversas como o Instituto
Armado, a Universidade de Creighton e a
Universidade de Berlim. Ele é o
cientista que chamei de 'Dr. Gee'. Neste
capítulo nós vamos conhecer a verdadeira
história dos discos.
Enfatizamos que o leitor deste livro
precisa estar constantemente alerta à
próxima baboseira que possa surgir. Este
capítulo é um duro teste de resistência.
As baboseiras se misturam todas em uma
história fantástica sobre os discos
voadores.

Desenho: Chan Johnson, de
"UFO Crash at Aztec", William Steinman, 1987
Os
discos voadores haviam "se acidentado",
mas não estavam significativamente
danificados. Todos os tripulantes haviam
morrido de alguma maneira. Eles tinham
de 80 centímetros a um metro de altura e
estavam vestidos em um estilo que era
supostamente "o estilo de 1890". Suas
peles estavam chamuscadas de alguma
forma a uma cor achocolatada escura.
Todas as dimensões das naves podiam ser
divididas exatamente por nove. Os
painéis de controle possuíam apenas
botões – nenhum controle giratório ou
deslizante. As naves continham livretos,
indecifráveis claro, que foram entregues
para a Força aérea. A melhor suposição
para a sua origem era Vênus.
A
tripulação tinha relógios que pareciam
ajustados ao "dia magnético", que teria
23 horas e 58 minutos. A única comida
estava na forma de pequenas bolachas. A
nave menor parecia não ter nenhuma
instalação de banheiro, a partir do que
o doutor Gee havia concluído que suas
viagens eram tão curtas que não tais
instalações não seriam necessárias.
O doutor Gee prometeu obter permissão
para que Scully e Newton examinassem de
fato um dos discos. Antes que as
aprovações fossem completadas, o disco
havia sido desmantelado e enviado a
Dayton. Tudo o que o doutor Gee tinha
para mostrar de todo seu trabalho era
"um rádio sem válvulas, algumas
engrenagens, alguns discos pequenos e
outros itens que podiam ser levados no
bolso. Tais bugigangas lhe foram
concedidas para pesquisa".
Depois de absorver toda a história
anterior, o leitor precisará de
diligência extra para identificar a
próxima baboseira. "... a construção
discóide é o tipo mais ideal de veículo
para locomoção no ar. O fato de que o
disco gira é apenas com a finalidade de
equilíbrio, porque há nem nenhum empuxo
no que concerne a superfície da asa. Não
há nenhuma propulsão por hélice também,
porque não há nenhuma hélice. O que de
fato acontece é que, embora a parte de
asa esteja girando, o disco na verdade
move-se adiante de uma linha de força
magnética cruzada a outra. Agora, quando
você considera que há 1.257 linhas por
centímetro quadrado e duas linhas nunca
se cruzam, nós temos o problema de
combustão ou propulsão, ou força criada
quando elas são cruzadas sob controle. O
cruzamento sucessivo e controlado destas
linhas de força magnéticas torna
possível a aceleração da ação giratória
do disco ou da parte da asa do disco,
porque o disco está tentando chegar à
próxima linha sucessiva de força; ou
talvez nós poderíamos dizer, buscando
voltar ao equilíbrio. Em outras
palavras, a nave está tentando se
afastar de si mesma, ou tentando se
afastar da posição em que estava, quando
o poder de combustão é criado pelo
cruzamento de linhas magnéticas de
força".

Desenho: Chan Johnson,
de "UFO Crash at Aztec", William
Steinman, 1987
Note a semelhança do extraterrestre com
o boneco alienígena de Santilli em sua
"Autópsia Alien" de 1995, criado pelo
especialista em efeitos especiais John
Humphreys.
Capítulo 13 - Da Magnetita a Einstein
Este capítulo na verdade contém
alguma história verdadeira sobre
magnetismo e ímãs. Scully reconta como
pedras magnéticas, conhecidas como
magnetitas, serviram como bússolas para
navegação. Há várias observações
crédulas sobre os "Discoidanos" e suas
espaçonaves, mas o nível de besteira é
geralmente baixo.
Capítulo 14
- Algumas Definições Magnéticas
Scully dá uma lista decente de
termos relativos ao magnetismo. O leitor
aprende sobre inclinação e declinação
magnética, fluxo, campo e histerese.
Você encontra a "bobina de Helmut" que é
provavelmente um engano com o nome do
físico Helmholtz.
Capítulo 15
- Por que os Discos Pousaram Aqui
O capítulo supostamente conta
por que os discos voadores pousaram
aqui, mas nunca faz isto realmente.
Depois de uma crítica ao exército, a
baboseira fica densa. Aqui está um
pouco. "Eles não sabem que tudo neste
planeta, e realmente, no sistema solar
inteiro, opera em freqüências
magnéticas, de um lápis a um general da
Força Aérea, e que qualquer pessoa que
tenha dominado este conhecimento pode
desmagnetizar e destruir qualquer coisa
que deseje?". Scully estava convencido
de que tudo estava baseado em
magnetismo. Ele menciona muito os
"engenheiros magnéticos". E que tal
isto? "Quando a Terra se inclina uma
fração há uma perturbação magnética ao
redor dos pólos e isso é tudo que a
Aurora Boreal é. Estas linhas magnéticas
de força se aprofundam tanto quanto a
pele da Terra, que é de 32 milhas. É
assumido que o Sol fornece a seus outros
planetas esta sua energia como faz
conosco. É assumido que elas são todas
forças positivas e assim repelem umas às
outras e assim detém o equilíbrio
magnético. Qualquer pessoa que possa
efetuar uma corrente negativa pode ir de
um planeta positivo para outro planeta
positivo". Espere - há mais. "A
suposição é que os Discoidanos
desenvolveram suas próprias naves para
onde eles podem criar um fluxo magnético
e se mover a qualquer velocidade - de
zero para 282.000 milhas por segundo. Na
realidade, uma vez fora da atmosfera
deles, ou nossa, onde nenhuma
resistência opera, eles poderiam se
mover a 1.000.000 de milhas por
segundo".
Capítulo 16 - A Caixa de
Perguntas
No dia 11 de janeiro de 1950,
Scully enviou aos "generais de gabinete
Pentagonianos" um conjunto de vinte
perguntas sobre discos voadores. Ele
escreve como se acreditasse que os
militares são completos idiotas. As
vinte perguntas são impagáveis. Aqui
estão algumas delas.
"5. Todos os
discos não foram encontrados no
hemisfério ocidental magnético em lugar
de trabalhos a jato?"
"9. O que
aconteceu com os restos dos 16 homens
encontrados mortos em um dos discos
grandes e os dois em um disco voador
menor?"
"13. Você já viu um rádio
como o que estava no disco voador que
pousou em uma fazenda no Novo México?"
(referência para a história de Aztec)
"16. O que você sabe sobre zonas de
falha magnéticas em certas áreas nesta
Terra, notavelmente no Oregon?"
"17.
Você sabe como ondas magnéticas emanam
do Sol, revolvem ao redor da Terra,
continuam até a lua da Terra, voltam
para a Terra e retornam para o Sol? Você
sabe que ondas magnéticas seguindo um
curso semelhante viajam entre o Sol e
Vênus? Se você não souber muito sobre
isto, por que você insiste em abrir e
destruir tudo que poderia ter ajudado os
cientistas magnéticos em determinar se
um disco magneticamente controlado
poderia pular de uma zona magnética a
outra?".
Capítulo 17 -
Algumas Conclusões Bem Arejadas
Este capítulo insinua que as
pessoas da Força Aérea são tolos
incompetentes. Scully cita um suposto
relatório do Comando de Material Aéreo:
"Nunca houve prova melhor de que uma
mente limitada não raro se esconde em um
uniforme inteligente". Daí segue
imediatamente uma nota sobre uma
invenção muito significante. "Isso me
lembra de Lee Bowman e a aeronave que
ele projetou durante a guerra. Uma vez
que a gasolina de alta octanagem estava
em escassez, ele projetou sua aeronave
para voar com dióxido de carbono.
Dióxido de carbono era barato. Não podia
explodir ou queimar. Roscoe Turner
testou um modelo X e o pronunciou bom o
bastante para ser desenvolvido". Dióxido
de carbono tem seus usos, mas esses usos
não incluem ser combustível de qualquer
coisa. O dióxido de carbono já está
oxidado e não queimará nem sustentará
combustão.
Resumo
Da publicação e indo por 1950, 1951 e 1952 o
livro aparentemente vendeu bem. A editora estava
ganhando dinheiro, Scully estava ganhando
dinheiro, o livro estava ganhando notoriedade e
todo mundo estava contente. Havia só um pequeno
problema: o livro era uma fraude completa e
Frank Scully não sabia disto! Scully escreveu
que não gostava de fraudes, mas ele era parte
involuntária de uma.
Há algumas coisas que podemos tomar com razoável
segurança como fatos.
-
Scully conhecia Silas Newton.
-
Newton conhecia o doutor Gee.
-
Scully era um escritor para a
revista Variety de Hollywood.
-
Scully não tinha NENHUMA formação em
ciência ou engenharia.
-
Scully estava acostumado a obter
suas histórias através de pessoas
que lhe contavam coisas.
-
O livro está REPLETO de baboseira
que apenas soa científica. Conceitos
científicos são misturados e
distorcidos além da imaginação.
-
Nem Scully nem a editora fez
qualquer verificação da história.
Em 1950 relativamente poucas pessoas eram
cientificamente alfabetizadas o bastante para
reconhecer a baboseira ultrajante no livro, que
vendeu bem. Um leitor esperto poderia desejar
saber por que Scully escreveria tal material.
Onde ele o conseguiu? Por que os editores não
notaram as afirmações ultrajantes?
Setembro
de 1952
Tudo ia bem para Scully e a editora Henry Holt e
Cia. Ambos estavam ganhando dinheiro com o
livro. Pelo menos até que a edição de setembro
de 1952 da revista True chegou às ruas. Ela
tinha um artigo intitulado Os Discos Voadores
e os Misteriosos Homenzinhos.
Trabalhando em uma tarefa especial para True, o
repórter do San Francisco Chronicle J.P.
Cahn (não sabemos o que as iniciais
representam), passou quatro meses no encalço dos
discos voadores, procurando as verdadeiras
respostas. Em suas palavras, "Eles viriam do céu
em discos voadores. Meu trabalho era trazer a
sua história até a terra. E consegui - toda a
história. E embora eu não tenha achado
venusianos mortos, descobri figuras vivas
bastante fantásticas...". A história tem treze
páginas de tamanho, escrita em primeira pessoa,
como Cahn descreve sua caça pela verdade.
Cahn planejou descobrir a verdade sobre o livro
de Scully. Se fosse realmente verdade, seria
extremamente significante. Se fosse uma fraude,
todos ganhariam se ela fosse exposta. O livro na
verdade não era muito bom. Nas palavras de Cahn,
"O fato de que era um livro terrivelmente ruim
estava fora de questão. As opiniões de críticos
variaram de divertidamente tolerantes a atrozes,
com algumas chegando à indignação. Scully
confundiu desajeitadamente conceitos
científicos, se contradisse em detalhes e
cometeu erros rudimentares que envergonhariam um
calouro colegial. Mas o impacto de sua
impressionante história e suas implicações
básicas estavam lá".
O que estava acontecendo? O livro era uma
brincadeira, uma fraude, ou realmente
verdadeiro? Cahn sentiu que este conto de
pequenos homens de Vênus não podia ser
simplesmente matéria de riso nem assunto a ser
ignorado.
Para começar Cahn conhecia três nomes - Frank
Scully, Silas Newton e o misterioso Dr. Gee.
Parece que a identidade do doutor Gee devia ser
protegida. Cahn fez o óbvio e começou com
Scully, esperando alguma ajuda. Scully não era
muito prestativo: "Afirmando veementemente que
estava empenhado com o segredo, ele se recusou a
identificar sua fonte principal de informação, o
Dr. Gee. Ele tinha prometido ao doutor Gee não
revelar nada mais da história do que ele tinha
escrito em seu livro, e por Deus, ele não ia
quebrar aquela promessa". Scully também não
forneceria nenhuma informação sobre como
encontrar Silas Newton. Questionar algumas
pessoas no negócio de petróleo não rendeu nada -
ninguém havia ouvido falar de Newton. O desafio
de Cahn era descobrir mais sobre estes
indivíduos elusivos.
Surpreendentemente, o próprio Scully arranjou
para que Cahn conhecesse Newton na casa de
Scully. Newton nunca tinha visto um disco voador
pessoalmente; todas as histórias vinham do
doutor Gee. Ele contou as histórias nos mesmos
termos usados no livro, mas ele os fez soar bem.
Alguns dos erros de Scully foram explicados como
resultado de escrever o livro apressadamente.
Cahn se encontrou posteriormente com Newton
várias vezes. Ao jantar uma vez, Newton mostrou
duas engrenagens pequenas e dois discos de
metal, todos supostamente pedaços de um disco
voador. Depois, no quarto de hotel dele, Newton
mostrou uma fina vareta de material transparente
que ele alegou ser feita de uma cinza vulcânica
chamado Perelita. Era supostamente quase
indestrutível. Newton disse que estava sendo
usada para cabines de pilotos de aeronaves.
Ficou mais profundo. Newton disse que o doutor
Gee estava trabalhando em um desintegrador
magnético, o mesmo mencionado brevemente no
livro de Scully. "Tinha levado mais de um ano,
Newton contou, apenas para resolver a matemática
necessária para fazer o desintegrador operar em
um flash de dez milésimos de segundo. Mesmo
assim, naquele breve momento, os raios de
desintegração tinham alcançado vinte milhas e
haviam se esparramado em uma área de destruição
total de duas milhas de tamanho no deserto. Os
figurões planejavam fixar uma cadeia destes
desintegradores ao redor dos Estados Unidos e
apontá-los para o céu para formar uma tela
impenetrável de destruição pela qual nenhum
avião inimigo poderia passar. Mas havia um
problema no plano. Os raios do desintegrador
magnético, se deixados ligados, extravasariam e
destruiriam o universo inteiro".
O que Cahn fez foi jornalismo de verdade; sempre
que um dos personagens principais fazia algum
tipo de declaração ou alegação, Cahn a checava
com fontes que estava seguro de que saberiam a
verdade. A maioria das alegações que Cahn checou
mostrou ser falsa. Por estas alturas ele tinha
concluído que nenhum dos três ia lhe contar a
verdade.
O plano de ataque de Cahn agora incluía
descobrir quem o doutor Gee era, conseguir um
dos discos de metal supostamente extraterrestre
de Newton e continuar checando Newton, tudo isso
sem deixar que Newton e os outros notassem o que
ele realmente estava fazendo.
Conseguir um dos discos era difícil. Newton
nunca daria um para Cahn; ele alegou que testes
de laboratório adicionais não eram necessários
já que seus laboratórios haviam executado mais
de 100 testes e descobriram que o metal resistia
a temperaturas de 10.000 graus. Para encurtar a
história, Cahn conseguiu que um mágico que ele
conhecia o treinasse em técnicas de
prestidigitação. Depois de uma tentativa
frustrada quando o mágico o acompanhou, Cahn
conseguiu em uma reunião posterior que Newton o
deixasse examinar um dos discos. Cahn estava
levando alguns discos substitutos que um amigo
havia feito para ele. Ele escolheu o mais
parecido de seu bolso e então usou o treinamento
mágico fazer a troca. Ele palmou o disco de
Newton e o trocou pelo falso. Newton nunca
notou. Em pouco tempo o disco estava no
Instituto de Pesquisas de Stanford, onde um
doutor Hobson fez os exames. Mostrou ser uma
liga de alumínio comum usada para fazer panelas
e que derretia a meros 657 graus. Belo metal
alienígena. Cahn sabia agora que a história era
uma fraude.

Esquerda: dois dos discos de 5
cents trocados pelo metal "desconhecido" ao
lado. Alumínio.
Direita: Leo A. GeBauer, o "Doutor Gee". Do
artigo de Cahn.
Sobre checar o histórico de Newton, "Não é uma
tradição de detetives glamurosa como Dick Tracy
vasculhar arquivos de jornais antigos, mas às
vezes compensa". Com certeza. Cahn achou uma
história do New York Times sobre Silas M. Newton
sendo preso e acusado de vender a um colega
$25.000 de ações sem valor algum. Depois ele foi
processado por um homem que disse que Newton lhe
roubou $28.000. Ele também foi investigado em
dois incidentes de fraude financeira. Além
disso, um superintendente de uma companhia
exploração na Califórnia de fato conhecida
Newton. "... Claro, eu me lembro do velho
Newton", ele disse. "Ele costumava vir a Rangely
com algum tipo de equipamento esquisito - uma
dessas caixas pretas com muitos controles que
ninguém nunca pode olhar por dentro. Ele tentou
dizer para todo o mundo como estávamos errados
sobre geologia. Ele até conseguiu alguns
arrendamentos por onde sua geringonça dizia que
o petróleo devia estar. E parece que era ele que
estava errado sobre geologia. Ele trazia muitas
pessoas naqueles carros grandes dele. Mas no que
concerne redescobrir Rangely, é um monte de
mentiras". Cahn concluiu que realmente nada das
histórias de Newton podia ser confiado também.
Enquanto verificava a história de Newton, Cahn
chegou à primeira pista sólida do doutor Gee.
"Eu não entrarei no método aqui. Simplesmente
digamos que o telefone é uma grande invenção, e
Newton é um grande usuário dela. Uma checagem
revelou que ele telefonou freqüentemente para
Phoenix, Arizona. Ele falou lá com um Leo
GeBauer. Phoenix era o local de residência do
doutor Gee, de acordo com o livro de Scully e as
declarações do próprio Newton. O pseudônimo
"Gee" e o nome "GeBauer" certamente pareciam
relacionados". Cahn tinha identificado
corretamente o evasivo doutor Gee. Ele não era o
supercientista que Newton pintou, mas tinha um
pouco de conhecimento técnico sobre eletrônica.
Ele também era o proprietário de uma loja de
rádio e televisão em Phoenix. Cahn obteve uma
fotografia de GeBauer graças a um repórter da
Phoenix Gazette, que arranjou para fazer uma
história sobre GeBauer para a seção de negócios.
Desse modo GeBauer não suspeitaria nada.
Funcionou. Investigação adicional com a Better
Business Bureau rendeu alguns dados biográficos
sobre GeBauer. "De 1943 a 1945, enquanto era
suposto que ele tinha estado chefiando 1.700
cientistas em 35.000 experiências na terra, no
mar e ar e gastando um bilhão de dólares em um
programa de pesquisa magnética ultra-secreto do
governo, GeBauer revelou que era meramente o
chefe de laboratórios na Companhia AIResearch em
Phoenix e Los Angeles". Ele não era nem um
cientista - simplesmente administrava os
laboratórios. Ele também era MUITO criativo com
relação a histórias de discos voadores.
Cahn visitou GeBauer em sua loja e o confrontou
com a proposição de que ele era o doutor Gee, o
que GeBauer negou veementemente. Cahn também
notou uma caixa de varetas marrons que se
pareciam exatamente com o que os fraudadores
haviam dito ser material super-forte feito de
Perelita. Eram na verdade separadores de antena
de televisão.
Scully renegou a promessa de confirmar a
identidade de Gee caso Cahn a descobrisse, mas
Cahn estava certo.
O livro de Scully era uma fraude monumental; as
investigações dos personagens principais tinham
tornado isto claro. Cahn tentou entender por que
Scully tinha feito isto, mas não conseguia. "Eu
sinto muito por não ter uma resposta clara. Eu
não tenho porque penso que não há uma única
resposta. Além da imediata e óbvia de que o
livro era altamente lucrativo, está uma série de
questões - os motivos dos vários indivíduos
envolvidos em alimentar a história. Eu acredito
que Frank Scully permitiu a si mesmo confiar
sinceramente no que lhe foi contado pelos
outros, embora concorde que isso é bem generoso
com Scully". Ele continua em notar que Scully
simplesmente poderia não ser bom em verificar
histórias, ou que ele se deixou enganar por um
homem que tinha conhecido por anos. Em todo
caso, o único ganhador no livro é "... aquele
mágico entre os exploradores de minério e
petróleo, o cientista cujo acume geofísico como
descrito pelo autor Scully mereceria certamente
o interesse de qualquer investidor: Silas Mason
Newton".
Agosto
de 1956
Nem tudo havia terminado para Newton e GeBauer.
A edição de agosto de 1956 de True publicava uma
história de seis páginas com o desenrolar da
história por J.P. Cahn, intitulada "Os
Charlatães dos Discos Voadores". Nos anos
desde o artigo de 1952, Cahn e True haviam
coletado bastante informação para chegar à
resposta da pergunta que Cahn não pôde responder
anteriormente: Por que Scully escreveu aquele
livro?
De acordo com Cahn, "Indo fundo na história dos
falsos discos voadores, eu descobri que dois
homens - Silas M. Newton e Leo A. GeBauer -
haviam fabricado a fraude e a perpetraram a um
autor crédulo. Quando revelamos a história, True
e eu tínhamos algumas boas idéias sobre por que
Newton e GeBauer haviam inventado seu conto, mas
não podíamos provar nossas suspeitas. E o que
você não pode provar, você não publica. Assim
nós dissemos o que podíamos e esperamos pelo
resto. Graças aos muitos leitores de True,
conseguimos as novas pistas que esperávamos, e
agora podemos fechar a história sobre dois
estelionatários fenomenais". Como uma nota
paralela, veja a ética jornalística "o que você
não pode provar, você não publica". Isso parece
ter sido perdido há muito tempo.
Os dois sujeitos eram o que pessoas da indústria
petroleira chamam de "doodlebuggers", que
significa que impressionariam leigos com
dispositivos enigmáticos que supostamente podiam
localizar petróleo debaixo da terra sem falha.
Eles podiam assim vender aos "investidores" (que
não sabiam nada sobre petróleo) licenças de
arrendamento de petróleo sem valor algum. Newton
era o representante com sua Newton Oil Company
em Denver. GeBauer era o gênio que desenvolveu
os maravilhosos dispositivos para encontrar
petróleo.
Newton precisava de material para convencer
leigos, assim ele escreveu artigos sobre suas
teorias geofísicas, carregados de besteiras
pseudo-científicas. Estes foram impressos em
publicações de comércio industrial.
Profissionais do petróleo, lendo estes artigos,
rapidamente os descartaram como as divagações de
um maluco e continuaram com outro material. O
desafio de Newton era fazer sua mensagem chegar
a uma audiência maior, uma que não sabia nada
sobre petróleo.
Frank Scully acabou sendo a solução perfeita. "O
livro sobre discos voadores era a resposta. Si
Newton é o tipo de vendedor que poderia vender
um carrossel a uma funerária. A história que ele
contou para o homem que de fato escreveu o livro
o pintava como um geofísico mundialmente famoso
e multimilionário. Dava-lhe um cenário perfeito
para operar". Agora nós entendemos por que
Newton era o verdadeiro ganhador no livro.
Cahn continuou "A historinha do disco voador era
isca. Quando você acabava de ler o livro, ainda
poderia ter suas dúvidas sobre os discos, mas
acreditava que Newton era um gênio quando o
assunto era localizar petróleo - a menos que
você por acaso soubesse algo sobre o assunto. E
Newton não estava interessado em pessoas que
sabiam qualquer coisa sobre petróleo". A fraude
trouxe as vítimas a Newton e GeBauer, que lhes
roubaram algo como $400.000 no total. O livro
funcionou perfeitamente; "Newton pôde construir
uma lista de idiotas que era o sonho de qualquer
vigarista".
O resto do artigo detalha os esforços de Cahn em
encontrar as pessoas que haviam sido enganadas
por Newton e GeBauer. Ele estava tentando achar
uma vítima para quem o estatuto de limitações de
3 anos não havia vencido; tal indivíduo poderia
entrar com uma queixa e processar os
estelionatários. Herman Flader era uma pessoa
assim; Newton e GeBauer haviam lhe tomado
$231.432,30 o que era muito dinheiro em 1950.
Cahn continou descrevendo os detalhes da fraude,
a queixa, a prisão dos dois e o julgamento em
Denver.
Há uma nota particularmente engraçada. Os
estelionatários venderam a Flader por $18.500 um
dispositivo de encontrar petróleo como o que
eles tinham. Durante o julgamento, o promotor do
distrito introduziu um dispositivo absolutamente
idêntico que ele havia comprado por $3,50 em uma
loja de usados local. As geringonças eram na
verdade unidades antigas e descartadas de rádio
transmissores do Exército. Elas ainda tinham as
placas de identificação do Corpo de Sinalização.
Depois da Segunda Guerra Mundial, muito
equipamento excedente foi vendido pelo governo.
Muitos operadores de radioamador se comunicavam
usando excedentes da Segunda Guerra convertidos.
O professor Cotton [um dos autores deste artigo]
é um deles.
O júri levou menos de 5 horas para condenar os
dois. Eles solicitaram, e conseguiram, liberdade
condicional.

Esquerda: Cahn exibe cheques
sem fundo e correspondência de uma vítima,
o milionário Herman Flader, com os
estelionatários
Direita: Flader e um colega exibem uma das
máquinas inúteis para localizar petróleo
adquiridas a altas quantias dos charlatães.
Ruminações
Assim qual é a moral, se qualquer, nesta
história? Em uma das fraudes mais bem-sucedidas
do século XX, dois estelionatários enganaram um
escritor crédulo para produzir um livro sobre
uma história completamente falsa de discos
voadores. Os delírios selvagens de Scully sobre
os discos, suas polêmicas sobre pessoas
incompetentes no exército (os "Pentagonianos") e
suas histórias de trabalhar com Newton e o
doutor Gee capturariam a atenção do leitor. O
propósito subjacente de promover Newton não foi
notado. Aparentemente nem sequer os críticos
mais severos do livro não descobriram isso.
Newton ganhou.
Para um escritor, a moral é provavelmente
verificar tudo. Cahn pôde verificar as
alegações no livro e descobriu que eram falsas.
Scully ou não era capaz, ou não se importou em
verificar. Os artigos não registram o que
aconteceu à reputação de Scully depois que a
fraude foi exposta.
Finalmente, alguma das baboseiras no livro são
tão ruins que se imagina como os editores da
Henry Holt não as notaram. A descrição de Cahn
do livro como "incrivelmente ruim" é bem
apropriada.
- - -
Fontes
Este sumário foi escrito a partir de fontes
originais. Pudemos obter uma cópia do livro (uma
1ª edição) como também cópias das duas revistas
True.
Aqui estão a primeira e segunda histórias por
J.P. Cahn:
- The Flying
Saucers and the Mysterious Little Men, JP
Cahn, True, setembro 1952;
- Flying Saucer
Swindlers, JP Cahn, True, agosto 1956.