|
|
|
A tal da "Onda OVNI Belga": Uma visão
crítica
Marc Hallet, tradução gentilmente autorizada [original]
|
|
 |
|
 |
Muitas pessoas que já acreditaram em
OVNIs não acreditam mais neles. Em contraste com
um número vasto de pessoas crédulas que
acreditam em qualquer coisa publicada, estes
ex-crentes em OVNIs começaram a checar,
sistematicamente, a validez dos testemunhos e da
literatura que constitui o "fenômeno OVNI". Suas
dúvidas aumentaram constantemente. Realmente,
assim que uma pessoa começa a se aprofundar um
pouco mais neste assunto, fica claro que a
ufologia é infundada. Por conseguinte, a cada
ano, mais e mais ufólogos de renome admitem que
erraram ou estavam no caminho errado; depois do
que se unem às fileiras de ex-ufólogos. Este
fato importante geralmente é ignorado por
aqueles que acreditam em OVNIs extraterrestres e
é freqüentemente censurado ou falsamente
explicado pelos próprios ufólogos.
Uma pessoa entra e fica "na" ufologia como se
ela fosse um culto, protegido de qualquer fato
que poderia ativar um processo de descrença. A
ufologia não é científica seja em sua
metodologia seja em suas realizações. A tal da
"Onda OVNI Belga" é um bom exemplo disso...
Durante vários anos, a SOBEPS, uma organização
privada de OVNIs belga, tentou convencer o mundo
acadêmico de que havia adotado uma atitude
científica relativa ao estudo de OVNIs. Em 1991,
algumas dúzias de cientistas belgas concordaram
em olhar - sem preconceito - para a "evidência"
proposta pelos principais promotores daquele
grupo. Estes cientistas saíram tanto
desapontados como sem serem convencidos de que
os OVNIs assombravam os céus belgas. Ainda
assim, três meses depois, o secretário-geral da
SOBEPS afirmou em um canal de televisão francês:
"cientistas estão se juntando a nós em massa".
Era claramente mais que um mero exagero! (1)
Em outubro de 1991, a SOBEPS publicou um
primeiro livro sobre a suposta onda OVNI belga;
este livro foi intitulado "Vague OVNI sur la
Belgique" (Onda OVNI sobre a Bélgica). Ele
será referido como "VOB" no restante neste
artigo.
Dez cientistas belgas das Universidades de Liège
e Bruxelas reagiram muito rapidamente ao livro e
emitiram um comunicado de imprensa no qual
criticaram seu conteúdo e o trabalho do
professor Meessen em particular. Sem dúvida
teriam sido muito mais que dez não fosse pela
urgência em redigir esta refutação. (2)
Apesar disto os líderes da SOBEPS continuaram a
alegar que cientistas belgas levaram seu
trabalho a sério. O simples fato é que, desde a
publicação de seu primeiro relatório,
colaboradores da SOBEPS nunca foram convidados
por qualquer universidade na Bélgica para
defender seu ponto de vista e nenhum cientista
belga altamente respeitado se juntou à equipe
SOBEPS ou aprovou suas conclusões. Sim, por
vezes os colaboradores da SOBEPS palestraram em
auditórios universitários, mas porque alugaram
estes espaços como alguns grupos privados podem
fazer e não porque foram convidados por
autoridades acadêmicas. Sim, a SOBEPS manteve
contato com a "gendarmerie" (uma força policial
que tinha então um status militar) para adquirir
informações sobre avistamentos de OVNIs, mas em
Wisconsin por exemplo, uma organização OVNI
fundada pela contatada Charlotte Blob tem o
mesmo "privilégio". Evidentemente esta não é uma
razão para reconhecer uma organização OVNI como
um parceiro de pesquisas sério. Autoridades
concordam em colaborar com organizações OVNI
porque percebem agora que a informação que
fornecem tem pouco valor. (3)
Vamos examinar os "simples fatos" que receberam
publicidade internacional através da SOBEPS...
Em primeiro lugar há os sinais de radar
"misteriosos" registrados a bordo de um F-16 nos
dias 30-31 de março de 1990. Um incidente que
recebeu publicidade mundial.

Um físico, o professor Meessen (agora
aposentado), que se juntou à SOBEPS quando foi
fundada em 1971 e que estava convencido desde o
começo que os OVNIs são de outro mundo, passou
vários meses estudando estas gravações (4).
Em VOB, o professor Meessen escreveu: "A
conclusão que logicamente se impõe é que
QUALQUER HIPÓTESE DIFERENTE DE OVNIS ESTÁ
VIRTUALMENTE CEM POR CENTO EXCLUÍDA (ênfase
no texto original). " Ele também escreveu: "...
Eu penso que a única hipótese razoável é a de
objetos voadores não identificados, cujos
desempenhos indicam uma origem extraterrestre."
(5)
É a isto que dez cientistas belgas se referiram
em seu comunicado de imprensa como uma
extravagância. De acordo com eles, havia várias
inconsistências na análise conduzida por este
físico e um destes cientistas chegou a me contar
que nenhum estudante universitário se graduaria
com honras por tal trabalho ambíguo, cheio de
contradições.
É importante aqui sublinhar que o piloto do F-16
não viu nenhum OVNI. Eu falei com alguns de seus
amigos que riram com ele sobre a hipótese de
OVNIs. Não fosse pela equipe SOBEPS, estes
supostos retornos de radar misteriosos teriam
sido rotulados como meros "anjos". Outra coisa
importante é que em um certo ponto o "retorno"
permaneceu imóvel na tela enquanto o avião
estava manobrando, o que é indicativo de uma
falha de instrumento. O tenente-coronel Salmon
do Centro de Guerra Eletrônico da Força Aérea
Belga também notou isto quanto foi entrevistado
por jornalistas em Science & Vie Junior
em 1992. E isto também é o que eu havia
escrito em um artigo que os dez cientistas
decidiram anexar ao seu comunicado de imprensa
em outubro de 1991. (6)
Agora, a SOBEPS publicou um segundo "relatório"
volumoso sobre a tal da "Onda OVNI Belga". Não
muito surpreendente para aqueles bem informados,
o professor Meessen, compelido como estava pelos
fatos, se distanciou de suas conclusões
anteriores e admitiu que condições atmosféricas
muito peculiares provavelmente eram a causa do
incidente de radar do F-16. Ele fez isto através
de muitas explicações elaboradas, mas o fez. (7)
A primeira conclusão de Meessen recebeu
publicidade em todo o mundo. Não a sua
retratação elaborada!
Devo adicionar que em seu comunicado de
imprensa, em outubro de 1991, os dez cientistas
belgas que haviam criticado a conclusão do
professor Meessen já haviam dito: "A análise
feita pelo senhor Meessen parece indicar que
poderia ser um fenômeno meteorológico
considerando que a (suposta) ocorrência de
velocidades subsônicas e acelerações súbitas
feita por objetos materiais está longe de ser
convincente." (2)
É preciso levar em conta que estes sinais
misteriosos (de um OVNI extraterrestre
supostamente 100% real!) constituíram a ÚNICA
"evidência física" (sem contar a foto de
Petit-Rechain sobre a qual falarei mais depois)
que a SOBEPS havia acumulado para seu famoso
primeiro livro, que jornalistas foram
influenciados a anunciar como a "nova bíblia
sobre OVNIs."
Em círculos científicos, quando alguém descobre
algo de interesse, um relatório é redigido e
submetido para uma publicação científica. Então
o artigo é checado por vários pares, é devolvido
ao autor e revisado até que resista a padrões
científicos estritos. Por que o professor
Meessen escolheu outro meio de publicação? Por
que ele prefere publicar sempre seus "estudos de
científicos de OVNIs" em livros e revistas
publicados de forma privada ou pela Internet?
Talvez ele saiba que publicações científicas
rejeitariam suas "demonstrações"...
Aqui está uma triste história sobre este físico
agora aposentado. Em setembro de 1987, na
França, um menino de dez anos contou que tinha
registrado em fita os sons de um OVNI. No que
parecia à primeira vista ser um estudo
científico rigoroso publicado pela SOBEPS, o
professor Meessen concluiu que o som tinha
tantas características estranhas que o
testemunho da criança deveria ser aceito.
Contudo! Um investigador do Laboratório de
Acústica da Universidade de Provença, França,
estabeleceu que o som era nada além de um som
parasitário familiar a rádio-amadores. Este fato
e a severidade dos comentários feitos pelos dez
cientistas belgas deveriam forçar qualquer um a
questionar o modo pelo qual o professor Meessen
realmente conduz sua pesquisa sobre OVNIs.
Vamos olhar agora a famosa imagem tomada em
Petit-Rechain. Foi distribuída
internacionalmente pela equipe SOBEPS e usada em
capas de dois livros que esta organização
privada publicou sobre a tal da onda OVNI belga.
O documento descreve uma silhueta triangular
preta contra um fundo azulado suposto como o céu
noturno. Uma superfície iluminada irregular
aparece em cada canto do triângulo. No centro há
uma mancha luminosa cercada por uma aura
avermelhada.

Há discrepâncias entre a própria fotografia e o
testemunho do jovem que afirma tê-la tomado.
Segundo o relato a foto foi tomada com uma
câmera reflex equipada com um conjunto de lentes
de zoom de 55-200 mm ajustada a um mínimo de
150mm. O fotógrafo alega que usou longa
exposição (entre um e dois segundos) e apertou o
botão do obturador durante aproximadamente dois
segundos. Mas ele também disse que simplesmente
segurou a câmera com suas mãos contra o canto de
uma parede. Mesmo que ele tenha exagerado e o
obturador estivesse aberto durante apenas um
segundo, o objeto fotografado não poderia ter
extremidades definidas; estaria completamente
borrado. Pelo contrário, o objeto triangular
mostra pelo menos uma extremidade definida. O
jovem disse que viu o enorme objeto na companhia
de sua namorada. Esta segunda testemunha ocular
estava tão pouco impressionada pela aparição
extraordinária que nem mesmo a ficou observando!
Em certa ocasião ela contou que o objeto partiu
instantaneamente e em outro momento admitiu que
ela realmente nunca viu o objeto partir. Mais
importante: Pierre Magain, astrofísico do
Instituto de Astrofísica de Liège, demonstrou
matematicamente que o tamanho atribuído ao
objeto pelo jovem fotógrafo é completamente
diferente do que a máquina fotográfica capturou.
Assim, pode-se concluir que os testemunhos das
duas testemunhas é completamente irrelevante à
fotografia.
Neste caso, "investigadores" da SOBEPS
conduziram uma análise bastante estranha.
Primeiro, tentaram obter uma imagem semelhante
usando um modelo de madeira. Quando isto falhou,
concluíram abusivamente que se o documento fosse
uma fraude, só poderia ter sido obtido através
de meios altamente sofisticados. Isto completou
sua "análise". Um modo estranho de fazer
perícias fotográficas, não é?
Depois, o professor Marc Acheroy, da Escola
Militar Real, Bruxelas, autorizou um de seus
estudantes a usar uma versão digitalizada deste
slide para testar e aumentar suas habilidades em
técnicas de processamento e realce de imagem.
Como o professor Acheroy explicou a mim em uma
carta pessoal, ele nunca tentou julgar que tipo
de objeto havia sido fotografado (um avião
sofisticado, um OVNI ou um modelo); a principal
razão por que ele aceitou o trabalho de seu
estudante sobre esta fotografia era alcançar uma
experiência melhor do sistema de dados
eletrônico. (9)
O professor Acheroy e a SOBEPS falaram bastante
sobre esse trabalho, mas poucas pessoas o viram.
Eu fiz uma cópia e pedi uma avaliação científica
de dois astrofísicos independentes que são
especialistas em técnicas de realce de imagem.
Assim, aprendi que a digitalização tinha sido
feita de forma tão ruim que defeitos haviam
aparecido e que a técnica de transformação de
co-seno usada pelo estudante também tinha gerado
seus próprios defeitos! Todo o estudo era pobre
de um ponto de vista estritamente científico,
não obstante algumas características
interessantes emergiram. Por exemplo, o objeto
parecia estar cercado por uma aura luminosa e
esta aura parecia emitir luz infravermelha, da
mesma maneira que se o objeto tivesse sido
iluminado por detrás por uma luminária comum.
(10)
No princípio, o testemunho do jovem fotógrafo
foi considerado pouco confiável pela equipe
SOBEPS (11). Depois de falhar em produzir uma
imagem comparável, suas conclusões evoluíram em
um tipo de crença que obscureceu a origem
bastante duvidosa da fotografia. Esta crença foi
tão fortalecida pela análise administrada por um
leigo em técnicas de realce de imagem que eles
concluíram que a fotografia de Petit-Rechain
mostrava um veículo real e que o professor
Meessen sugeriu que as manchas luminosas no
slide eram jatos de plasma verdadeiros criados
pelo modo de propulsão magnetohidrodinâmica
usado pelos extraterrestres! (12)
Longe de compartilhar este entusiasmo, usando
técnicas muito simples, o astrofísico Pierre
Magain e seu colega Marc Remy da Universidade de
Liège produziram uma imagem que apresentava a
maioria das características do slide de
Petit-Rechain. Além disso, o ex-crente em OVNIs
Wim Van Utrecht, da Antuérpia, também obteve uma
foto semelhante com outra técnica de trucagem de
fotografia simples. Estes três homens provaram
no mínimo a falta de imaginação e conhecimento
que os colaboradores SOBEPS têm em fraudes
fotográficas.
Até mesmo ufólogos admitem que não é sempre
possível provar que uma fotografia foi forjada.
Neste caso, vários elementos parecem indicar uma
fraude deliberada. Mas SOBEPS sabe que não há
nenhuma prova definitiva de trucagem e tira
vantagem disto. Esta não é uma atitude
científica porque ao contrário do que os fatos
parecem indicar, SOBEPS claramente tenta levar o
público a acreditar que um OVNI realmente foi
fotografado. Este é o tipo de argumentação que
estes crentes em OVNIs propõem como "evidência
científica."
Durante a saga dos OVNIs belgas muitas pessoas
observaram formações triangulares estranhas nos
céus. Alguns os capturaram com câmeras de vídeo.
O senhor Alfarano, de Bruxelas, capturou o filme
mais famoso, mas é geralmente desconhecido que
ele também afirmou estar em contato telepático
com entidades extraterrestres. Até mesmo a
SOBEPS admite agora que nenhum destes filmes
mostra qualquer coisa estranha ou inexplicável.
A maioria deles mostra aeronaves ordinárias
iluminadas em uma configuração triangular. Não
obstante, a maioria destas pessoas esteve
convencida de que haviam visto o OVNI triangular
belga. Nestes casos seus testemunhos podem ser
conferidos através do exame das imagens
filmadas. Mas o que fazer com todos esses casos
nos quais a testemunha afirma ter visto um OVNI
mas não teve sorte o bastante para capturá-lo em
filme? Há qualquer razão para aceitar que eles
viram qualquer outra coisa diferente daqueles
que filmaram aeronaves ordinárias? Na ausência
de dados pertinentes é freqüentemente muito
difícil ou impossível identificar o que as
pessoas viram. SOBEPS tira proveito desta
situação ambígua e conclui que todas as
observações inexplicadas são relacionadas a
OVNIs reais, provavelmente de uma origem
extraterrestre. Isto não é científico.
Também se pode duvidar sobre as qualificações
pessoais dos numerosos investigadores
improvisados com que a SOBEPS trabalhou. Alguns
deles foram tão cegados por suas convicções em
OVNIs que não podem ver nem mesmo as coisas mais
evidentes. Por exemplo aqui está um desenho
feito por uma testemunha e que foi publicado em
Inforespace 86 como um OVNI verdadeiro. O
testemunho e o desenho mostram evidentemente que
era um helicóptero comum.

SOBEPS alega que milhares de pessoas viram o
triângulo belga e mantém que há uma COERÊNCIA
notável nestes numerosos avistamentos. Esta
palavra mágica, "COERÊNCIA", introduzida pelo
professor Meessen assim que ele trabalhou com a
SOBEPS foi repetidamente usada por colaboradores
da SOBEPS para tentar nos persuadir que objetos
idênticos foram vistos na Bélgica por milhares
das pessoas. Olhe para os dois livros publicados
pela SOBEPS. Em muitos casos, os objetos
descritos eram triângulos; mas em todos estes
testemunhos, o único ponto de convergência é a
PALAVRA "triângulo". Em realidade foram
descritos todos os tipos de triângulos, não só
com ângulos muito diferentes, mas também com
estruturas gerais e luzes muito diferentes. Em
muitos casos as pessoas não viram nenhum objeto
triangular, mas um quadrado com quatro luzes,
uma esfera ou um disco cercados com luzes ou até
mesmo uma plataforma retangular tão grande
quanto um campo de futebol americano lembrando
filmes de ficção científica. As pessoas também
viram discos voadores com cúpulas, charutos ou
aparelhos em forma de bumerangue, formas
geométricas complexas simétricas ou
assimétricas, e até mesmo algo como um navio
oval com remos. Isso é o que SOBEPS chama de
"COERÊNCIA"!
Um valioso pedaço de informação que a SOBEPS
escolheu não publicar é que Jean-Luc Vertongen,
chefe de investigações da SOBEPS desde sua
fundação, deixou o grupo em dezembro de 1993.
Desde então, nós ficamos amigos e posso declarar
que ele diz agora que não havia NENHUMA
COERÊNCIA nos testemunhos que a SOBEPS coletou
de nosso país ao longo dos anos. Mas há mais: de
acordo com ele, a SOBEPS opera como uma seita
onde os colaboradores estão devotados à hipótese
extraterrestre que, para eles, oferece a única
explicação lógica para o fenômeno OVNI. (14)
Godelieve Van Overmeire sucedeu Jean-Luc
Vertongen imediatamente como chefe do
departamento de investigações da SOBEPS. Não por
muito tempo: ela deixou o grupo em seguida e
também afirmou que funciona como uma seita e não
fazia um trabalho científico ou até mesmo sério.
Na sede da SOBEPS, um silêncio alto respondeu
estas sérias acusações.
Eu gostaria agora de oferecer dois tipos de
exemplo que mostram quão pouco sério é o
trabalho da SOBEPS sobre a tal da "Onda OVNI
Belga".
Na página 74 de VOB pode-se ler o seguinte sobre
o avistamento de uma estranha coisa voadora que
parecia um pássaro: "Não tinha luzes." Quatro
frases depois nós lemos: "Debaixo das asas
havia duas luzes brancas grandes e uma luz
branca fixa no nariz." Seguramente, este
texto foi checado mais de uma vez antes que
fosse impresso. Mas, aparentemente, na sede da
SOBEPS não puderam ver esta INCOERÊNCIA. Outros
exemplos do mesmo tipo podem ser encontrados na
revista SOBEPS Inforespace. No número 90,
publicado em 1994, o seguinte pode ser lido
sobre um homem que foi paralisado por um OVNI: "ele
não podia fazer nenhum gesto." Mas na
próxima página lemos: "Para se convencer de
que não estava sonhando, ele se beliscou..."
Na mesma página (página 9) nos contam que o
homem pensou que era impossível tirar uma foto
do objeto contra o céu estrelado. E na página 8
dizem que "nem uma única estrela era visível."
Outro tipo de INCOERÊNCIA é encontrada em VOB na
página 411, onde Patrick Ferryn (que é o perito
fotográfico da SOBEPS) explica que um OVNI
filmado com uma câmera de vídeo não era nada
além de um poste de luz. Mas, nas páginas 280 e
281, em outro capítulo intitulado "A míni-onda
de 12 de março", O MESMO INVESTIGADOR OVNI usa
este falso caso OVNI como um caso real para
fortalecer sua conclusão de que havia dois OVNIs
reais nos céus naquela noite! E, na página 347
do mesmo livro, o físico Léon Brenig escreve
sobre os avistamentos de 12 de março contando
que os testemunhos "confirmaram um ao outro
perfeitamente"! Por último, mas não por menos,
na página 290, falando sobre dois supostos
vídeos de OVNIs, Michel Bougard escreveu: "Estes
documentos realmente são surpreendentes." O
distinto presidente da SOBEPS também parecia
ignorar que um destes dois filmes mostrava o
agora famoso poste de luz identificado pelo
perito de fotografias de sua própria
organização.
É assim que a SOBEPS criou sua tal "Onda OVNI
Belga". Seguramente, é por isso que acharam
necessário imprimir com letras garrafais na
contra-capa de seu primeiro livro: "Uma
abordagem objetiva, rigorosa e completa: um
livro de referência".
Foi desta forma que milhares de leitores dos
livros e revistas da SOBEPS foram enganados.
Marc HALLET - Liège, 3 de fevereiro de 2002
- - -