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- Núcleo 3 - Major Lusar, os Construtores de Discos, e o vôo de teste
- Kevin McClure, publicado em Fortean Studies 7,
- traduzido da versão disponível on-line em Magonia
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O livro German Secret Weapons of the Second World War por Rudolf Lusar contém menos de duas páginas de texto na seção intitulada 'Discos Voadores', mas sua influência foi bastante notável. Aqui, completo, está o texto daquela breve seção "Discos voadores têm girado pelo mundo desde 1947, aparecendo de repente aqui e lá, planando e partindo novamente a velocidades sem precedentes com chamas envolvendo a beirada do disco. Eles foram localizados através de radar, perseguidos por caças, mas ninguém até agora teve sucesso em estabelecer a existência de tal 'disco voador' ou conseguiu abater um ao chão. O público, até mesmo os peritos, está perplexo por um mistério ostensivo ou um milagre técnico. Mas lentamente está se revelando a verdade que até mesmo durante a guerra os trabalhadores e cientistas de pesquisa alemães fizeram os primeiros movimentos na direção destes "discos voadores". Eles construíram e testaram tais aparelhos quase milagrosos. Os peritos e colaboradores neste trabalho confirmam que os primeiros projetos, chamados "discos voadores" [NdoT: flying discs, não flying saucers no original em inglês], foram empreendidos em 1941. Os desenhos para estes "discos voadores" foram feitos pelos peritos alemães Schriever, Habermohl e Miethe, e o italiano Bellonzo. Habermohl e Schriever escolheram um anel de superfície ampla girando em volta da cabine fixa do piloto em forma de cúpula. O anel consistiu em discos-asas ajustáveis que poderiam ser levados à posição apropriada para a decolagem ou vôo horizontal. respectivamente. Miethe desenvolveu um prato em forma de disco de um diâmetro de 42m no qual foram inseridos jatos ajustáveis. Schriever e Habermohl, que trabalharam em Praga, decolaram com o primeiro "disco voador" no dia 14 de fevereiro. 1945. Dentro de três minutos eles subiram a uma altitude de 12.400m e alcançaram uma velocidade de 2.000 km/h em vôo horizontal (!) A intenção final era alcançar velocidades de 4.000 km/h.
Testes preliminares e pesquisa extensos eram necessários antes que a construção pudesse ser começada. Por causa da grande velocidade e o extraordinário estresse de calor, materiais especiais resistentes ao calor tiveram que ser encontrados. O desenvolvimento, que custou milhões, estava quase completo ao término da guerra. Os modelos existentes então foram destruídos, mas a fábrica em Breslau onde Miethe trabalhou caiu nas mãos dos russos que levaram todo o material e os peritos para a Sibéria, onde o trabalho nestes "discos voadores" está sendo continuado com sucesso.
Schriever escapou a tempo de Praga; Habermohl, porém, provavelmente está na União Soviética, já que não se sabe nada de seu destino. O ex-desenhista Miethe está nos Estados Unidos e, até onde se sabe, está construindo "discos voadores" para os Estados Unidos e Canadá na A. V. Roe. Anos atrás, a Força aérea norte-americana recebeu ordens para não atirar em "discos voadores". Esta é uma indicação da existência de "discos voadores" americanos que não devem correr riscos. As formas voadoras observadas até agora teriam diâmetros de 16, 42, 45 e 75 m respectivamente para alcançar velocidades de até 7.000 km/h. (?). Em 1952 "discos voadores" estavam definitivamente estabelecidos sobre a Coréia e informes da imprensa diziam que eles também foram vistos durante as manobras da OTAN na Alsácia pelo outono de 1954. Já não pode ser contestado que "discos voadores" existem. Mas o fato que a existência deles ainda está sendo negada, particularmente na América, porque os desenvolvimentos dos Estados Unidos não progrediram o bastante para igualar os da União Soviética, dá o que pensar. Também parece [haver um] pouco de hesitação para reconhecer que estes "discos voadores" modernos são muito superiores a aeronaves convencionais - incluindo máquinas turbojato modernas - que eles ultrapassam seu desempenho de vôo, capacidade de carga e manobrabilidade e assim as tornam obsoletas." [17]
OS CONSTRUTORES DE DISCOS
Eu agradeço à informação cuidadosamente apresentada fornecida por Maurizio Verga no website UFO Online [18] por muito do material que usei, nesta seção, para tentar e responder as perguntas levantadas por Lusar.
Belluzzo
A mais antiga alegação de um indivíduo sobre a construção de um disco voador em tempo de guerra foi feita por Guiseppe Belluzzo em ou ao redor de 27 de março de 1950, numa época em que vários relatos de discos voadores haviam aparecido na mídia italiana, e o interesse europeu sobre o assunto era grande. Naquela data o jornal italiano 'Il Mattino dell'Italia Centrale' publicou, com um vago e não muito informativo desenho como ilustração, a aparente alegação de Belluzzo que aeronaves circulares haviam sido desenvolvidas desde 1942, primeiro na Itália, e então na Alemanha. A idéia italiana, supostamente, foi desenvolvida pelos alemães no nordeste da Noruega. A história também apareceu no 'Il Corriere della Sera', 'La Nazione', e 'La Gazzetta del Popolo', e, em 'Il Corriere d'Informazione' de 29-30 de março de 1950, com um comentário por um general Ranza da Força aérea italiana descartando as alegações de Belluzzo. Parece que Belluzzo não afirmou que o disco voou durante a guerra, mas que, já em 1950, havia sido suficientemente desenvolvido para lançar uma bomba atômica. Dizia-se que este desenvolvimento tinha por volta de 10 metros de largura, construído com materiais muito leves, e era não tripulado.
Nós sabemos algo sobre o background e competência de Belluzzo. Verga nota que ele viveu de 25 de novembro de 1876 a 21 de maio de 1952, e era um perito de turbinas que publicou quase cinqüenta livros técnicos. Ele foi eleito ao parlamento fascista antes da guerra, e de 1925 a 1928 serviu como Ministro da Economia Nacional. Eu localizei uma listagem para um livro dele - sobre turbinas - cheio de desenhos técnicos e traduzido ao inglês em 1926. É bastante possível que ele pudesse ter contribuído para uma gama de projetos tecnológicos, mas parece que ele nunca reivindicou ter construído um disco voador, nem ter nomeado aqueles que trabalharam com os alemães na Noruega. Como em todos tais relatos, nenhuma propulsão, lançamento, empuxo, vôo, controle ou dados de aterrissagem viáveis é provido, e os critérios para publicação parecem ter sido que o objeto deveria se assemelhar aos discos voadores que, como nunca, haviam tomado a atenção da mídia.
É bastante possível que um ex-ministro fascista estaria contente em buscar glória um pouco atrasada para sua nação e seu regime, mas para todas as interpretações posteriores do papel dele na história de UFOs nazistas suas alegações eram muito limitadas, e até agora no que tange a afirmação de um projeto para um disco voador de tamanho razoável e não tripulado, elas não são nem únicas nem implausíveis. Belluzzo pode, em parte pelo menos, ter contado a verdade.
Vale notar que várias fontes posteriores mudaram o nome do indivíduo que nós sabemos seguramente que realmente tinha algum background técnico relevante de Belluzzo para Bellonzo.
Schreiver
As notícias voam. Verga especula que a estória de Belluzzo também foi publicada na Alemanha, onde teria sido certamente de grande interesse. De qualquer maneira, apenas dias depois que as alegações de Belluzzo foram publicadas primeiro, um Rudolph Schreiver fez alegações muito similares em um artigo geral sobre discos voadores em 'Der Spiegel' em 30 de março de 1950. Ele, também, alegou apenas que desenvolveu projetos no papel, começando em 1942, os quais ele acreditava caíram depois nas mãos dos americanos ou alemães. O artigo introduziu primeiro um desenho/diagrama maravilhosamente implausível que se parecia a algo projetado por um Otto Lilienthal moderno e, é claro, não possuía qualquer informação técnica significante. Ele regularmente reaparece (recentemente como uma maravilhosa descoberta nova e secreta no website de Sightings [19]) na mídia orientada aos crédulos. Diz-se que desenhos de discos voadores foram encontrados entre as posses de Schreiver depois que ele morreu em fins dos anos 50.
Parece que Schriever descreveu a si mesmo como "Flugkapitan Schriever", e que em março de 1950 ele estava trabalhando para as forças americanas na Alemanha, entregando cópias do jornal 'Stars and Stripes' para bases do exército. Vladimir Terziski, a menos confiável das fontes, tenta achar um pouco de glamour neste trabalho sugerindo que era uma cobertura para contrabandear preciosidades de vários tipos para algum subterrâneo nazista. Harbinson diz que quis dizer que seu 'disco voador' estava pronto para teste no começo de 1944, mas com o avanço dos Aliados na Alemanha, o teste havia sido cancelado e a máquina destruída. Inicialmente entretanto, ele parece ter reivindicado pouco mais que Belluzzo havia feito anteriormente na mesma semana. Novamente, o envolvimento dele é apenas uma nota secundária na cobertura da mídia de uma onda de OVNIs. Novamente, foram outros que fizeram reivindicações completamente diferentes atribuindo-as a ele. Afinal de contas, você não tem que ser um cientista de foguetes para ser um motorista de caminhão.
Miethe
Há uma entrevista com um "Dr Richard Miethe", 'engenheiro aeronáutico alemão' e 'ex-coronel ', no France-Soir de 7 de junho de 1952. Eu só tenho uma transcrição em francês, mas aparentemente o documento também publicou uma fotografia do Dr Miethe em calções de banho.
Meu francês não é bom, contudo parece que na entrevista com o Dr Miethe conduzida em Tel Aviv em junho de 1952, ele diz ter 40 anos, dá detalhes específicos do seu background militar e afirma que construiu um disco-voador - o V7 que ele construiu em 1944, os motores os quais os russos acharam em Breslau. Ele afirma que em abril de 1943 comandou um grupo de técnicos do 10º Exército do Reich em Essen, Stettin e Dortmund, onde a pesquisa principal em armas secretas alemãs era conduzida. Ele não dá os nomes dos outros seis engenheiros que ele diz que estavam envolvidos, mas é bastante claro dizendo que três estão mortos e que se acreditava que três teriam sido levados pelos russos.
Não incomum, o cerne da entrevista são seus comentários sobre recentes relatos brasileiros de discos voadores e sua opinião de que se são vistos discos voadores, então eles seriam russos - construídos a partir do conhecimento dos três colegas capturados dele. Mas talvez o ponto mais importante de tudo, para esta investigação, é que este Miethe parece não ter tido nada a ver com os EUA, a Operação Paperclip ou qualquer coisa semelhante. O artigo diz, eu penso, que alguns dias antes da rendição alemã ele deixou o front para se unir à Legião árabe baseada em Addis Abeba e Cairo onde alguns dos oficiais sêniores de Hitler tinham se reagrupado. Na época da entrevista em Tel Aviv, parece que ele tinha sido expulso do Egito onde tinha estado trabalhando com outros para reconstruir o motor com que o disco voador anterior dele era impulsionado. O motivo para a expulsão pode ter sido um desarranjo nas relações diplomáticas entre a Alemanha e Egito.
Como sempre, nós não temos nenhuma idéia de como o disco voou ou funcionou, mas mais de dois anos depois, em setembro de 1952, a revista italiana publicou algumas fotografias difusas, não convincentes de algo não muito distinto de uma pedra girando, em ângulo contra um fundo sem traços característicos (esses fundos sem traços característicos estão em todo lugar na ufologia dos anos 50). Elas, a revista 'Tempo' alega, foram tiradas sobre o Báltico no dia 17 de abril de 1944, quando o disco de Miethe fez seu vôo de teste. O artigo persistiu com a afirmação de que os russos tinham obtido os segredos destes discos voadores milagrosos.
George Klein - Fevereiro de 1945
Harbinson nota que a "suposta testemunha Georg Klein, um ex-engenheiro com o Ministério de Armamento e Munição de Albert Speer . . contou à imprensa que tinha de fato visto o vôo de teste do disco de Schriever, ou um semelhante, perto de Praga em 14 de fevereiro de 1945".
Redfern e Downes citam um relatório da CIA datado de 27 de maio de 1954, que diz
"Um jornal alemão (identificado mais adiante) recentemente publicou uma entrevista com George Klein, famoso engenheiro alemão e perito de aeronaves, descrevendo a construção experimental de 'discos voadores' levada a cabo por ele de 1941 a 1945. Klein declarou que estava presente quando, em 1945, o primeiro 'disco voador' pilotado decolou e alcançou uma velocidade de 1,300 milhas por hora dentro de 3 minutos. As experiências resultaram em três designs: um projetado por Miethe era uma aeronave em forma de disco, com 135 pés de diâmetro que não girava; outro projetado por Habermohl e Schriever, consistiu em um grande anel giratório, no centro do qual estava uma cabine redonda e fixa para a tripulação. Quando os soviéticos ocuparam Praga, os alemães destruíram todo rastro do projeto 'disco voador' e nada mais se ouviu falar de Habermohl e seus assistentes". [20]
O jornal alemão parece ter sido 'Welt am Sonntag' em (datas diferentes são atribuídas) 25 ou 26 de abril de 1953. O artigo é intitulado "Erste 'Flugscheibe' flog 1945 in Prag", e há uma fotografia de 'George Klein' apontando ao mesmo diagrama vago que Lusar republica.
Habermohl
Pode ser que haja outra fonte da qual eu não esteja ciente, mas 'Klaus' Habermohl parece ter feito sua primeira e última aparição no relato de Klein de 1953. A história e ciência reais não revelam nada sobre sua existência ou realizações. Ele pode muito bem ter vivido em nenhuma parte além do cérebro ativo de Herr Klein, do qual os mundos da ciência e engenharia estão igualmente mal-informados. A Questão Lusar - resolvida
A cópia de German Secret Weapons of the Second World War que eu li veio da Biblioteca britânica. É bom notar que não tinha uma contracapa, que pode ter contido informação adicional, mas o texto do próprio livro não dá nenhuma pista sobre o background do autor, suas fontes, ou de qualquer autoridade especial ou conhecimento que ele poderia ter tido, ou de acesso a informação que já não estivesse no domínio público. Para dar alguma impressão de autoridade, outros deram a Lusar vários trabalhos e títulos diferentes, mas como com tantos outros no mito não há nenhuma evidência objetiva para verificar qualquer um deles. O fato simples é que todos o conteúdo 'factual' da seção de Lusar sobre 'discos voadores' veio de comentários no jornal por Belluzzo, Schriever e Klein. Ele parece ter estado ciente do artigo da revista Tempo incluindo as fotografias do 'disco de Miethe', mas não da entrevista anterior com Miethe. Ele acredita que Miethe é um construtor de discos, mas diz que ele está no Canadá e não no Egito ou em Israel. Ele ignora o fato de que nem Belluzzo nem Schriever - com respeito ao último inicialmente pelo menos - afirmaram que discos haviam sido construídos ou que haviam voado. Ao contrário deles, ele acrescenta as alegações de Klein de construção e vôo aos nomes e supostos backgrounds de Belluzzo e Schriever e, como ele tinha visto as fotografias do disco de Miethe em Tempo, faz entender que o projeto de Miethe também voou. Por que ele excluiu o nome de Klein de seu livro não está claro, mas porque Klein não foi citado, nunca alcançou a fama dos outros. Até mesmo Habermohl, cujo nome não era nem alemão nem italiano e que provavelmente nunca existiu no contexto do desenvolvimento de discos voadores, alcançou maior fama que George Klein. Talvez nós possamos, no futuro, reconhecer a parte vital, talvez suprema que George Klien desempenhou na construção do mito dos UFOs nazistas. Afinal de contas, foi Klein que decidiu que os discos de tempo de guerra de alto-desempenho realmente voaram: Lusar apenas deu publicidade duradoura e internacional à decisão de Klein.
Muito poucos escritores deixaram claro que Lusar de fato escreveu sua explicação de desenvolvimentos de disco alemães no contexto de relatos de discos voadores pelo mundo. Realmente, foi colocada pouca ênfase no fato de que todo o material publicado antes do livro de Lusar apareceu apenas nesse contexto, provendo um ângulo relativamente local a relatos de discos voadores. Dada a ausência total de evidência tangível, objetiva e contemporânea para apoiar quaisquer das afirmações de Lusar, eu penso que nós podemos dizer seguramente que os UFOs nazistas não conduziram a quaisquer dos relatos de discos voadores de 1947 em diante. Seria muito mais preciso dizer que a moda dos discos voadores conduziu à fabricação de alegações cada vez mais falsas e vazias sobre a existência, e realizações, de UFOs Nazistas.
Finalmente, chegamos à pergunta de por que Vesco, que publicou seu livro em 1969, não mencionou Lusar ou os Construtores de Discos. A resposta parece ser porque o primeiro livro de Vesco (o único de interesse para nós aqui) foi completado em 1956, antes da versão mais antiga do livro de Lusar aparecer, e uma vez que o livro de Lusar foi publicado muito tempo antes da publicação de fato do primeiro livro de Vesco em 1969, nós não deveríamos ficar surpresos que as duas teorias deles sobre discos voadores alemães são completamente exclusivas: Lusar não menciona o feuerball e kugelblitz de Vesco, e Vesco claramente nunca ouviu falar do disco SMBH de Lusar. Não há nenhum mistério aqui. Simplesmente não há nada!
- - - Índice Introdução Núcleo 1 - Foo Fighters Núcleo 2 - Renato Vesco, Feuerball e Kugelblitz Núcleo 3 - Major Lusar, os Construtores de Discos, e o vôo de teste Núcleo 4 - W.A. Harbinson e Projekt Saucer Núcleo 5: Vril, Haunebu e Viagem Interplanetária Falsas histórias Soldados sem nome Autoridades da Terra e de outros lugares Comentários oficiais e Inteligência Enganos e Fantasias
Conclusões | Veja mais nesta seção
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