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Núcleo 4 - W A Harbinson e Projekt Saucer
Kevin McClure, publicado em Fortean Studies 7,
traduzido da versão disponível on-line em Magonia
 

O autor de ficção científica W A Harbinson escreveu uma série de livros populares volumosos baseados no mito de UFOs Nazistas. A série se desenvolve sob o título global Projekt Saucer, os títulos principais relativos à Segunda guerra sendo Inception e Genesis [21]. Eu acho seu estilo de escrever interessante e freqüentemente bastante excitante, entretanto os relatos de violência e fria desumanidade Nazista podem ser um pouco fortes para meu gosto. Se estes livros fossem vendidos apenas como ficção, seriam de pouco interesse a nós aqui. 

Porém, não apenas os romances incluem uma 'Nota do Autor' que sugere que a própria pesquisa dele estabeleceu uma base factual para sua 'ficção', mas ele também publicou um livro de não-ficção, Projekt UFO. A sinopse na contracapa diz

"Por quase meio século, desde os primeiros avistamentos de OVNI em junho de 1947, assumiu-se que discos voadores, se realmente existem, são de origem extraterrestre. Projekt UFO: The Case for Man-Made Flying Saucers prova conclusivamente que isto não é assim." [22] 

O livro se estende bem além do fim da Segunda Guerra, e pela maior parte trata das perguntas comuns de pós-guerra relativas à realidade de avistamentos de OVNIs, o desenvolvimento de tecnologias terrestres, e casos chave, como Socorro. Ele também introduz - no Prefácio de Harbinson - o documento 'Brisant', uma das irrelevâncias ufológicas verdadeiramente grandes.

Em maio de 1978, no Posto 111 em uma exibição científica em Hanover Messe Hall, um cavalheiro estava distribuindo o que a princípio parecia ser um jornal científico ortodoxo chamado Brisant. Ele continha dois artigos aparentemente sem conexão: um sobre o valor científico e ecológico da Antártida, o outro sobre um projeto alemão de construção de discos voadores na Segunda Guerra Mundial, chamado 'Projekt Saucer'. 

O primeiro artigo, escrito de um ponto de vista neonazista, incluiu uma sugestão de que a Alemanha Ocidental deveria reivindicar de volta seu direito à terra de Queen Maud na Antártida, que os nazistas roubaram dos noruegueses durante a Segunda Guerra Mundial e rebatizaram Neu Schwabenland. O segundo artigo, que afirmou que os cientistas alemães foram os primeiros, mas não os únicos, a construir aeronaves altamente avançadas em forma de disco, era acompanhado por reproduções de desenhos técnicos de um disco voador da Segunda Guerra Mundial. 

O autor não mencionado não nomeou os projetistas do disco voador e alegou que os desenhos tinham sido alterados pelo governo da Alemanha Ocidental para torná-los 'seguros' para publicação. Dando peso para sua alegação, ele também apontou que durante a Segunda Guerra Mundial todas invenções desse tipo, seja civis ou militares, teriam sido submetidas ao escritório de registro de patentes mais próximo onde, sob os parágrafos 30a e 99 do Patent-und Straf8ezetsbuch, teriam sido classificadas rotineiramente como 'secretas'. Depois de serem confiscadas e passadas a um dos vários 55 estabelecimentos de pesquisa de Himmler, ao término da guerra elas teriam desaparecido talvez em arquivos soviéticos secretos, ou em arquivos igualmente secretos do reino Unido ou dos EUA, ou perdidas com cientistas alemães e tropas da SS 'desaparecidos'. 

O resto do artigo era igualmente intrigante. Afirmava que ao longo do curso da Segunda Guerra Mundial os alemães enviaram navios e para aviões para a Queen Maud Land, ou Neu Schwabenland, na Antártida, com equipamento para maciços complexos subterrâneos, similares a aqueles que construíram na Turíngia e nas Montanhas de Harz na Alemanha. Dizia que ao término da guerra alguns dos cientistas e engenheiros que haviam trabalhado no Projekt Saucer escaparam da Alemanha através de submarinos e acabaram em uma base subterrânea na Antártida onde continuaram construindo discos voadores ainda mais avançados, e que americanos e soviéticos, ao saber sobre isto, usaram então seus cientistas alemães e documentos técnicos capturados para a construção secreta de seus próprios pires voadores." [23] 

Mark Ian Birdsall, em seu documento The Ultimate Solution [A Solução Final], assegura que foi o próprio Harbinson que encontrou 'Brisant', embora Harbinson não faça tal reivindicação 

"Enquanto pesquisava 'genesis' Harbinson fez uma visita à cidade semi-norte de Hannover no fim dos anos 70. Foi lá que ele segundo relatos ele assistiu a uma conferência de ciência no 'Hannover Messe Hall.' Enquanto dava um olhada pelo salão, Harbinson chegou ao estande número 111, foi lá que lhe foi dada uma revista chamada 'Brisant'. " [24] 

Eu escrevi a Harbinson através de seus editores para pedir por informação adicional sobre 'Brisant', porque é claramente um documento fundamental no desenvolvimento do mito - se alguma vez existiu. Henry Stephens do German Research Project(veja abaixo) oferece cópias do que ele diz ser algumas páginas [de Brisant], e alega que os originais de 'Brisant' foram perdidos pelos editores de Harbinson: assim eu perguntei sobre isso também. Infelizmente, eu não recebi nenhuma resposta, assim a autoria e proveniência de 'Brisant' permanecem desconhecidas. 

Harbinson parece ter estado inspirado pelo conteúdo do documento, apesar da implausibilidade da parte sobre o escritório de registro de patentes e os planos terem sido "alterados pelo governo da Alemanha Ocidental para torná-los 'seguros' para publicação". Isso parece mais uma desculpa para a falta de viabilidade técnica que aflige todo diagrama de discos no mito. Sem se conter, Harbinson continua 

"Esta teoria explicaria porque, até mesmo antes da glasnost, todas as nações do mundo - até mesmo os soviéticos e os americanos - haviam cooperado uns com os outros apenas na Antártida. Em resumo, os discos voadores vistos por tantas pessoas desde a Segunda Guerra Mundial não são nenhuma nave extraterrestre, mas são na realidade máquinas extraordinariamente avançadas, altamente secretas, feitas pelo homem. Eles vêm daqui mesmo da Terra. . 

Durante meus dois anos de pesquisa intensa, descobri evidência escrita e fotográfica que provou além de dúvida que a Alemanha Nazista tinha iniciado de fato um programa de pesquisa para o desenvolvimento de aeronaves em forma de disco. Eu descobri que ao fim da guerra pilotos Aliados experientes estavam submetendo relatórios oficiais sobre molestamento por 'bolas de fogo' que os seguiam e faziam suas aeronaves e radares funcionarem mal. Além disso, um dos principais membros do grupo de desenvolvimento do Projekt Saucer da Alemanha desapareceu na União Soviética e outro foi trabalhar com o perito de foguetes da Alemanha, Wernher von Braun, para a NASA nos Estados Unidos. . 

Minha pesquisa também descobriu artigos sobre discos voadores feitos pelo homem, incluindo o Kugelblitz alemão e o protótipo AVRO-car canadense publicados não só pelos excêntricos 'lunáticos' mas por revistas aeronáuticas altamente respeitadas como Lufthahrt International, o Royal Air Force Flying Review e o US News and World Report. Assim, discos voadores, seja primitivos ou altamente avançados, foram certamente construídos na Alemanha Nazista e no Canadá do pós-guerra, no caso posterior com a ajuda dos Estados Unidos. 

Em 1980, meu romance de 615-páginas Genesis, baseado em uma massa de material de pesquisa incluindo a mencionada acima, foi publicado. Tornou-se um best-seller em ambos os lados do Atlântico, eventualmente se tornando um livro 'cult', e ainda é publicado dez anos após seu lançamento. Resenhando o romance em sua publicação nos Estados Unidos, Publishers Weekly disse: 'Harbinson baseou-se tanto em material factual e o integrou tão bem no texto que o livro começa a parecer não-ficção... ' [25] 

Que o Publishers Weekly estava tão impressionado diz muito sobre a qualidade de Harbinson como escritor, mas pouco sobre sua pesquisa. No seu capítulo 'Tecnologia e Avistamentos da Segunda Guerra Mundial' nós encontramos uma declaração familiar com alguns detalhes adicionados, 

"Renato Vesco era um engenheiro aeronáutico especializando-se em desenvolvimentos aeroespaciais e de ramjet. Educado antes da Segunda Guerra Mundial na Universidade de Roma, ele então estudou engenharia aeronáutica no Instituto Alemão para Desenvolvimento Aéreo. Durante a guerra, foi enviado para trabalhar com os alemães nas imensas instalações subterrâneas da Fiat no Lago Garda, perto de Limone no norte da Itália, onde ele ajudou na produção de dispositivos aeronáuticos que foram testados no Instituto de Riva del Garda de Hermann Goering. Depois da guerra, nos anos sessenta, Vesco trabalhou para o Ministério Aeronático de Defesa italiano como um agente técnico em disfarce, investigando o "fenômeno OVNI"." [26] 

Harbinson aceita as alegações de Vesco sem mais cerimônias e então continua, no seu capítulo 'Divisão dos Espólios Científicos de Guerra', para aceitar Lusar também, dizendo 

"Um artigo sobre o 'Projekt Saucer' foi publicado depois no volume indispensável, German Secret Weapons of the Second World War (1959) pelo Major Rudolph Lusar, e incluía reproduções dos desenhos de discos voadores de Schriever e Miethe." [27] 

Harbinson apresenta mais do material de Lusar e então relata, felizmente, alguma pesquisa própria

"A lembrança de Schriever do vôo de teste entra em contradição em certos detalhes com a suposta testemunha ocular Georg Klein, ex-engenheiro do Ministério para Armamento e Munição de Albert Speer, que contou à imprensa que tinha realmente visto o vôo de teste do disco de Schriever, ou um semelhante, próximo de Praga no dia 14 de fevereiro de 1945. Uma certa dúvida pode ser lançada na data de Klein, já que de acordo com o Diário de Guerra da 8ª Frota Aérea, 14 de fevereiro de 1945 era um dia de nuvens baixas, chuva, neve e visibilidade geralmente ruim - dificilmente as condições para o teste de um novo tipo revolucionário de aeronave." 

Um daqueles que podem ter estado envolvido no verdadeiro Projekt Saucer é Heinrich Fleischner, de Dasing, Augsburg na República Federal Alemã. Entrevistado para a edição de 2 de maio de 1980 da revista NeuePresse, Fleischner que tinha então setenta e seis anos, alegou que tinha sido um consultor técnico de uma aeronave a jato em formato de disco que havia sido construída por um grupo de técnicos em Peenemunde, embora partes tenham sido construídas em muitos outros lugares. De acordo com Fleischner, Hermann Goering tinha sido o patrono da aeronave e tinha planejado usá-la como um avião mensageiro. Ao término da guerra, a Wehrmacht destruiu a maior parte dos planos e alguns desenhos 'sem importância' caíram nas mãos dos russos. 

Hermann Klaas, de Muhlheim, Alemanha Ocidental, um bio-técnico especializado em fenômenos aerodinâmicos, foi outro que alegou ter trabalhado em vários modelos de controle remoto para aeronaves em forma de disco durante a Segunda guerra Mundial. O modelo mais comum tinha 2,4 metros de diâmetro e era impelido por um motor elétrico fornecido pela Luftwaffe. De acordo com Klaas, estes modelos eram similares a aqueles sendo então desenvolvidos por Schriever, Habermohl, Miethe, e Belluzzo em Bohmen (Tchecoslováquia) e Breslau (agora Wrocklaw, Polônia). [28] 

Em geral, tendo em mente a qualidade da maioria das fontes dele, a pesquisa de Harbinson é melhor que a maioria: demora um tempo para perceber que o mundo da ufologia está cheio de sonhos, maus-entendidos e mentiras deliberadas. Para mim entretanto, por que os alemães teriam chamado o empreendimento deles 'Projekt Saucer' é um mistério em si mesmo. Os desenhos produzidos durante os anos cinqüenta e até mesmo na hipotética 'Brisant' de nenhuma maneira se assemelham a pires [saucers], 'saucer' não é uma palavra alemã e o termo 'flying saucers' [pires, discos voadores] não aparece até 1947 quando um jornalista entendeu mal a descrição de Kenneth Arnold do modo como objetos não identificados se moviam no ar sobre as Cascade Mountains por uma descrição de como eles se pareciam. Talvez isto seja o que eles chamam de licença artística, boa para ficção, mas evidentemente fora de lugar se é apresentada como verdade. Eu não tenho nenhuma hesitação em concluir que não havia nenhum 'Projekt Saucer' no mundo real, e que Harbinson, presumivelmente bastante inadvertidamente, fez uma grande contribuição ao desenvolvimento do mito.

>> Núcleo 5: Vril, Haunebu e Viagem Interplanetária

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Índice

Introdução

  1. Núcleo 1 - Foo Fighters

  2. Núcleo 2 - Renato Vesco, Feuerball e Kugelblitz

  3. Núcleo 3 - Major Lusar, os Construtores de Discos, e o vôo de teste

  4. Núcleo 4 - W.A. Harbinson e Projekt Saucer

  5. Núcleo 5: Vril, Haunebu e Viagem Interplanetária

  6. Falsas histórias

  7. Soldados sem nome

  8. Autoridades da Terra e de outros lugares

  9. Comentários oficiais e Inteligência

  10. Enganos e Fantasias

Conclusões

 
Veja mais nesta seção
 

 
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