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Carros alérgicos e dentaduras

Tempo: Esse velho estranho desconhecido

5 de agosto de 2005 Comments (3) Views: 945 Ciência

O que fazer se você tiver uma proposta de Teoria de Campo Unificado? … e o que não fazer

por Michio Kaku

Devido ao volume de emails que tenho recebido — milhares na última vez em que contei — eu não posso responder a todas as mensagens, especialmente de pessoas que têm uma nova proposta para completar o sonho de Einstein de uma teoria de campo unificado, ou uma nova teoria do espaço-tempo.

Contudo, eu gostaria de dar algumas dicas para as pessoas que já ponderaram bem sobre a questão do significado do espaço-tempo.

1) Tente resumir a idéia ou tema principal em um único parágrafo. COmo Einstein disse uma vez, a menos que uma teoria tenha um quadro subjacente simples que o leigo possa entender, ela é provavelmente inútil. Eu tentarei responder às propostas que são curtas e sucintas, mas simplesmente não tenho tempo para propostas onde a idéia principal se estende por várias páginas.

2) Se você tem uma proposta séria para uma nova teoria física, envie-a a um periódico de física, como Physical Review D ou Nuclear Physics B. Lá ela será avaliada por pares – referees — e receberá a atenção séria que merece.

3) Lembre-se de que sua teoria terá mais credibilidade se ela se sustentar sobre teorias anteriores, ao invés de exclamar afirmações como “Einstein estava errado!”. Por exemplo, nosso entendimento atual da teoria quântica e relatividade, embora incompleto, ainda nos fornece um quadro através do qual não vimos nenhum desvio experimental.

Mesmo a gravidade Newtoniana funciona bem dentro de seus limites — por exemplo, com velocidades baixas. A relatividade é útil em seu campo de velocidades próximas à da luz. Contudo, mesmo a relatividade falha em dist^ncias subatômicas, ou campos gravitacionais encontrados no centro de um buraco negro ou o Big Bang. De forma similar, a teoria quântica funciona muito bem em distâncias subatômicas, mas tem problemas com a gravidade. Uma combinação desajeitada da teoria quântica e a relatividade funciona bem para distâncias subatômicas — 10^-15 cm — a distâncias cosmológicas — 10^10 km –, assim sua teoria deve aprfeiçoar este feito!

4) Tente não usar expressões que não podem ser formuladas precisa ou matematicamente, como “tempo é quantizado”, “energia é espaço”, “o espaço está contorcido”, “energia é uma nova dimensão”, etc. Ao invés, tente usar matemática para expressar suas idéias. Do contrário é difícil entender de forma precisa o que você está dizendo. Muitos avaliadores jogarão fora trabalhos que são apenas uma coleção de palavras, igualando um conceito misterioso — como o tempo — a outro — como a luz. A linguagem da natureza é a matemática — como cálculo tensorial e teoria de grupos de Lie. Tente formular suas idéias de forma matemática para que o avaliador tenha uma idéia de onde você vem.

5) Uma vez formulada matematicamente, é assim relativamente fácil para um físico teórico determinar a natureza precisa da teoria. No mínimo, sua teoria deve conter as equações tensoriais de Einstein e a teoria quântica do Modelo Padrão. Se ela não contiver estes dois ingredientes, então sua teoria provavelmente não pode descrever a natureza como a conhecemos. O problema fundamental que os físicos encaram é que a Relatividade Geral ea teoria quântica, quando combinadas em uma única teoria, não é renormalizável, isto é, a teoria desaba e se torna sem sentido. Sua proposta, então, deve nos dar uma teoria finita que combine estes dois formalismos. Até agora, apenas a teoria de supercordas pode resolver este problema. Importante: isto significa que, no mínimo, suas equações deve conter as equações tensoriais da Relatividade Geral e o Modelo Padrão. Se ela não as incluir, então sua teoria não pode ser qualificada como uma “teoria de tudo”.

6) Mais importante, tente formular um experimento que possa testar sua idéia. Toda a ciência está baseada em resultados que podem ser reproduzidos. Não importa o quão louca sua idéia seja, ela deve ser aceita caso se sustente experimentalmente. Assim, tente pensar em um experimento que diferenciará seus resultados do de outros. Mas lembre-se, sua teoria deve explicar os experimentos que já foram feitos, que vindicam a Relatividade Geral e a teoria quântica.

Boa sorte!

[Fonte: mkaku.org]

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3 Responses to O que fazer se você tiver uma proposta de Teoria de Campo Unificado? … e o que não fazer

  1. eu sou um pesquisador autonomo e na semana passada achei um fenomeno bem estranho eu não consigo colocar em uma formula.
    Nenhuma formula exixtente até agora pode explicar….gostaria de ajuda….talvez eu tenha achado o primeiro indicio de que podemos atrasar o tempo….

  2. João Eidi Ito disse:

    Sr. Michio Kaku,

    Acabo de encontrar este ‘site’ ao buscar matérias sobre a “teoria do campo unificado”. Achei seus conselhos sérios, mas inconsistentes. Com efeito, contrariando suas próprias recomendações, o Sr. aconselha o leitor para que formule suas ideias de forma matemática, esquecendo-se de que Einstein partiu justamente de uma inconsistência matemática: c + v = c (invariância da velocidade da luz) e, mesmo assim, é defendido pelo Sr. e pelos membros dos periódicos de física que recomenda. Aliás, Einstein sempre foi alvo de contestações, no mundo inteiro, desde que publicou sua Teoria da Relatividade (Restrita), em 1.905. E os resultados experimentais mais recentes já derrubaram suas teorias…

    Descobri uma propriedade matemática do espaço que explica todas as teorias de campos, há trinta anos (e ainda hoje desconhecida), mas desisti de divulgá-la, por me deparar com acadêmicos sérios, como o Sr, mas que não conseguem se libertar de conceitos equivocados e ultrapassados.

  3. Julião disse:

    O que não entendi é quando diz que a teoria deve conter equações tensoriais de Einstein. Não deveriam ser justamente equações que produzam resultados que dêem conta do micro e do macro mundo???

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