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22 de julho de 2009 Comments (4) Views: 2824 Paranormal

Moldes de Espíritos: um experimento prático

Massimo Polidoro e Luigi Garlaschelli, original em inglês
Journal of the Society for Psychical Research, Vol. 62, No. 848 (July 1997) p. 58-62

Desde os primeiros dias do Espiritualismo, quando médiuns começaram a produzir fenômenos físicos, moldes de parafina supostamente formados ao redor de ‘mãos de espíritos’ durante sessões foram uma das melhores provas apresentadas como evidência do paranormal.
Alguns destes moldes, de fato, pareciam possuir as características de ‘objetos paranormais permanentes’. Os moldes de parafina ocos encontrados ao término das sessões, pensava-se, só poderiam estar intatos porque as mãos em torno das quais a parafina se solidificou haviam se desmaterializado.
Os moldes nem sempre possuíam estas características, e até mesmo D. D. Home advertiu contra médiuns fraudulentos que produziam estes fenômenos criando modelos das próprias mãos ou inserindo moldes já preparados na sala da sessão. Depois de um período no qual o interesse nestes fenômenos diminuiu, eles fizeram um retorno com o médium polonês Franek Kluski e outros, e o grande público conheceu melhor sua existência graças também a artigos em revistas populares como a Scientific American.
Alguns dos modelos de gesso destes moldes ainda estão preservados no Institut Metapsichique International em Paris, um fato que em parte explica por que o interesse nos fenômenos revive periodicamente.
Em consideração ao recente debate (Barrington, 1994a; 1994b; 1995; Coleman, 1994a; 1994b; 1995a; 1995b) sobre estes moldes de parafina, gostaríamos de oferecer nossa própria experiência no assunto.
POSSÍVEIS EXPLICAÇÕES NATURAIS
Como já notado por outros (Coleman, 1994a; 1995a), várias explicações naturais possíveis para os fenômenos (além de ‘intervenção espiritual’) foram propostas.
O Dr Robin Tillyard (1926), por exemplo, sugeriu o seguinte método: um torniquete seria feito a um braço, e se deixaria a mão inchar; depois disto, a mão inchada é imersa na parafina e em água fria. O torniquete é então removido e o braço é erguido, para permitir que o sangue flua, até que o inchaço diminua. A mão, tendo recuperado seu tamanho original, permitirá a luva de parafina seja retirada facilmente (especialmente se a mão tivesse sido previamente coberta com glicerol).
Um procedimento diferente para criar moldes espirituais usando meios normais requer apenas uma luva de borracha que imite perfeitamente as características da mão. Os partidários deste método concordam que é possível reproduzir mãos de tamanho e forma diferentes, e que a luva poderia ser facilmente escondida no corpo do médium. Para obter uma luva assim, mostrando as impressões digitais da mão e suas linhas distintas, uma pessoa deveria imprimir uma real em cera dental – evitando o gesso – o que permite uma delineação muito mais nítida das marcas da pele. Esta impressão será usada imediatamente para criar um molde para fazer uma luva de borracha que mostre todas as marcas típicas de uma mão real. Esta hipótese, contudo, parece muito fraca.
É geralmente reconhecido que os moldes de parafina são impressões de ‘primeira geração’; ao invés, seguindo esta técnica, eles seriam impressões de ‘terceira geração’: primeiro um negativo em cera dental, então a luva de borracha deste molde e molde de parafina sobre a luva. O resultado final provavelmente mostraria alguns defeitos de superfície acumulados ao longo do processo.
Testes desta hipótese, realizados por Gustave Geley (1923) com luvas de borracha finas infladas ou cheias de água e então suspensas em uma bacia contendo parafina, produziu impressões mostrando os dedos de formato típico de salsicha, revelando claramente que foram feitos com uma luva de borracha inflada.
Este teste por Geley não descarta a possibilidade de obter moldes espirituais convincentes usando luvas feitas com materiais elásticos mas mais grossos, cuidadosamente criados e que não tenham sido enchidos demasiadamente de água ou ar. Porém, em todo caso, todo o procedimento parece desnecessariamente complicado.
Um exemplo de como certos livros que encorajam a crença na alegação espiritualista afirmando a impossibilidade de obter tais moldes através de meios naturais é oferecido nestes excertos:

O modelos foram mostrados a Gabrielli, um escultor profissional, que declarou que eles nunca poderiam ter sido forjados por um processo ordinário, já que uma mão humana teria quebrado uma luva de parafina ao deslizar para fora dela. Uma mão real saindo de uma luva de parafina de apenas um milímetro de espessura, como as luvas obtidas no IMI, não é possível; nem teria sido possível com uma luva mais grossa, já que a palma de uma mão é muito maior que o pulso. A mão assim teria tido que quebrar a luva para poder liberar o pulso. Contudo, as luvas de parafina não estão danificadas ou quebradas. A única explicação aceitável era que a mão deve ter se materializado dentro da própria luva. [Giovetti, 1988]
De forma alguma se poderia criar um molde de parafina das duas mãos de uma pessoa viva fechadas de tal modo. [Dettore, 1981]
Este molde de duas mãos é talvez a prova mais clara da impossibilidade de uma remoção normal de um molde genuíno obtido da parafina. [Geley, 1923]

Lendo estas observações e comparando-as com todas as soluções possíveis sugeridas tanto por cépticos quanto por crentes no espiritualismo, o resultado é que somente uma solução fornece uma explicação racional convincente aos moldes criados por Kluski. E é simplesmente a produção de moldes de parafina criados diretamente da mão de uma pessoa, como também notado por Coleman (1995a).
NOSSA EXPERIMENTAÇÃO
Nós então decidimos tentar fazer alguns dos moldes de nossas mãos para testar quão difícil isto realmente era. Seguindo estritamente as instruções de Geley, nós preparamos duas bacias (cada uma com um diâmetro de 25 centímetros): uma com água quente (aproximadamente 5 litros a 55ºC), na qual nós vertemos uma camada de parafina derretida (aproximadamente 1 kg, previamente derretida em uma panela com água fervente em um fogão de cozinha), e a outra com água fria (5 litros), que nós usamos posteriormente para imergir nossas mãos e permitir que a parafina se solidificasse. Diversas vezes imergimos nossas mãos primeiro na bacia cheia de parafina e então na contendo água.
Demos a nossas mãos configurações diferentes: uma mão aberta, um punho, outra com dois dedos em V, uma com um dedo indicador apontando (a qual, de acordo com Geley (1923), deveria ter sido considerada "talvez a prova mais clara da impossibilidade de uma remoção normal de um molde genuíno obtido da parafina"), e uma com duas mãos cruzadas. Nós lembramos o leitor que partidários do espiritualismo afirmaram com relação a esta forma: "De forma alguma se poderia criar um molde de parafina das duas mãos de uma pessoa viva fechadas de tal modo" (Dettore, 19S1).
Em todos estes casos, pudemos bastante facilmente fazer alguns moldes razoavelmente finos (alguns milímetros de espessura) apenas imergindo as mãos um par de vezes na bacia com a parafina. Mas o resultado mais significante foi que em todas as vezes nós conseguimos remover nossas mãos da luva de parafina solidificada se
m quebrá-la. De fato, pode ser notado das imagens incluídas que o pulso em alguns dos moldes que obtivemos é notavelmente mais estreito que a largura da mão. Este resultado é atingível simplesmente removendo muito cuidadosamente a mão.
Imagens em alguns livros sobre o espiritualismo ilustram modelos que reproduzem partes do corpo humano que parecem esculturas. Estas ilustrações são seguidas por legendas com declarações como: "Estas formas não poderiam ser removidas de um molde sem quebrá-lo", levando o leitor a acreditar que este é o caso. Na verdade, não é modelo de gesso que deve ser removido do fino molde de cera – o que realmente seria impossível fazer sem quebrá-lo. Quase se esquece que o que deve ser removido é uma mão viva, possivelmente o objeto mais adequado para deslizar para fora de um molde sem danificá-lo. Uma mão real é até mesmo mais eficaz que qualquer outro artifício imaginado para substituí-la. Primeiro, a parafina não adere à pele, apenas a pêlos bastante longos. Se uma pessoa mover os dedos muito lentamente, perceberá que todo pqueno pedaço que a pessoa tira do molde permitirá remover gradualmente o resto da mão; isso é parecido com o que acontece quando se remove uma luva apertada.
Posteriormente, quando havíamos vertido gesso em alguns moldes, descobrimos que tínhamos feito exatamente as mesmas cópias que as de Kluski, mantidas no IMI. [1] As mãos que obtivemos têm as linhas típicas de toda a mão; e também alguns pêlos presos aqui e lá. Para converter um molde em um modelo de gesso, a pessoa só tem que verter gesso líquido lentamente no molde. Quando o gesso estiver seco, a luva de parafina exterior pode ser removida, seja raspando-a com os dedos ou derretendo-a em água quente; nós preferimos derretê-la colocando-a em um prato dentro de um forno a 70º/80ºC.
Percebemos que as dobras da pele em nossos moldes pareciam aumentadas: se assemelhavam a mãos de uma pessoa mais velha que o modelo original. Este fenômeno pode ser causado pela maior evidência das características superficiais quando estas são as únicas informações disponíveis na mão – cor, movimento, etc. estando ausentes – ou porque a parafina encolheu enquanto estava esfriando.
Com respeito a cópias de mãos menores que aquelas do médium – ou claramente diferentes – é bem conhecido que luvas previamente preparadas foram repetidamente encontradas escondidas entre as roupas do médium e/ou outros cúmplices. (Coleman, 1994a; Polidoro, 1995). Não seria difícil concluir, contudo, que moldes particularmente complexos poderiam ter sido moldados com cuidado extremo, antes de uma sessão acontecer, pelo médium ou seus cúmplices e, durante a sessão, misturados com outros moldes forjados no momento de executar a ocorrência espiritualista.

CONCLUSÕES
Nossa experiência, que qualquer pessoa pode tentar repetir em casa (gesso e parafina estão normalmente disponíveis em lojas para arte), parece sugerir as seguintes conclusões:
1) a alegação da impossibilidade de remover uma mão de molde fino de parafina sem quebrá-lo foi uma vez mais desprovada;
2) a alegação da impossibilidade de remover uma mão de um molde com formas estranhas (dedos cruzados, uma mão em punho, dedos em V… ), também foi refutada;
3) a hipótese que alega a impossibilidade de remover uma mão de um modele mais estreito no pulso foi desprovada.
Por fim, o que nós pensamos que toda a experiência sugere é que, no campo do paranormal, a hipótese mais simples freqüentemente explicará completamente um fenômeno.
– – –
Nota 1
É interessante notar que uma das teses dos defensores de Kluski, apoiando a autenticidade do fenômeno, assume que os moldes do médium obtidos durante as sessões eram tão estreitos no pulso que seria impossível retirar uma mão. Embora esta declaração, como demonstrado, não seja verdade, de todos os moldes preservados no Institut Metapsychique International quase nenhum tem esta característica. A maioria dos moldes ou termina antes da parte estreita da mão ou inclui apenas a metade externa, visível deles, mas nunca a metade interna. A descoberta deste fato foi o que nos induziu a tentar reproduzir o fenômeno dos moldes de espíritos.
Agradecimentos
Nós desejamos agradecer a Michael H. Coleman suas úteis sugestões e a Lewis Jones por revisar este artigo muito gentilmente.
Massimo Polidoro
CICAP (Comitato Italiano per il Controllo delle Affermazioni sul Paranormale)
P.O. Box 60, 27058 Voghera (PV), ITALY
[email protected] .it
Luigi Garlaschelli
Dept. of Organic Chemistry
University of Pavia
Via Taramelli 10, 27100 Pavia, ITALY
Referências
Barrington, M. R. (1994a) The Kluski hands. JSPR 59, 347-351.
Barrington, M. R. (1994b) Kluski and Geley: further case for the defence. JSPR 60, 104- 106.
Barrington, M. R. (1995) Correspondence. JSPR 60, 348 – 350.
Coleman, M. H. (1994a) Wax moulds of ‘spirit’ limbs. JSPR 59, 340 – 346.
Coleman, M. H. (1994b) The Kluski moulds: a reply. JSPR 60, 98 – 103.
Coleman, M.H. (1995a) Correspondence. JSPR 60, 183 – 185.
Coleman, M. H. (1995b) Correspondence. JSPR 60, 350 – 351.
Dettore, Ugo (ed.) (1981) L’uomo e 1’ignoto. Milano: Armenia Editore.

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4 Responses to Moldes de Espíritos: um experimento prático

  1. Nickoss disse:

    Acredito que a primeira fraude racional, para demonstração de superioridade de alguns humanos sobre outros humanos e tudo o mais, tratado como resto, e até hoje aceita pelas pessoas de pouca cultura, tenha sido a da existência de Deus. A partir dessa fraude maior, outras crenças religiosas foram inventando as suas próprias fraudes para se manterem no poder.
    Isso mostra que grande parte dos seres humanos, por ignorância, encontras-se ainda em estado primitivo, apesar de tanto conhecimento a disposição.
    Nickoss

  2. Dario Nicolau disse:

    Interessante o método, contudo quero acrescentar algumas observações:
    pêlos residuais, que não foram descritos nos moldes espíritas, imperfeições de quebra e relevo perceptíveis nos modelos forjados, ausentes nos espíritas, descrição de moldes em parafina de pés por espíritos, vocês tentaram e conseguiram moldar os próprios pés? Há a descrição de modelagem transcrita por Léon Denis, Aksakoff, Paul Gibier e Ernesto Bozano onde estão expressamente descritas imersão dos membros espíritas em parafina fervente, não a 55°C, mãos sem semelhança com as dos médiuns, gigantes e minúsculas formadas em caixas lacradas a chave, médiuns com cabeça e mãos presas em saco de filó e amarradas na cintura, impressões digitais que conferem com as de fichas dactiloscópicas dos falecidos, impressões de mãos com deformidades iguais às dos falecidos, impressões de rostos. Fraude , má fé, sugestão não creio que venham explicar tantos experimentos feitos por autores céticos e cientistas pesquisadores. Não nego que possa haver fraude, mas supor que um médium vá garrotear seu braço, sair do gabinete escuro aonde se encontrava amarrado e fechado a chave e reproduzir imersão concomitante de 4 a 6 espíritos em baldes de parafina fervente na presença de várias testemunhas, entregando-lhes o molde com desmaterialização imediata do membro, parace-me pouquíssimo digno de crédito como explicação para os fenômenos descritos.Quero dizer que não sou espírita e que conheço vários casos de fraude nesses fenômenos descritos , mas a sua explicação deixa a desejar.Tente um molde do seu pé ou do seu rosto, mas agora em parafina fervente, estando você amarrado e trancado em um gabinete escuro, e mande-nos as fotos depois…Atenciosamente, Dario Nicolau.

  3. ÁvilaLopes disse:

    Tudo que se tem por prova material da existência dos espíritos, são peças produzidas em shows de materializações duvidosas (ou comprovadamente falsas), mãos de parafina, mesas que levitam, respostas por batidas e outras manifestações que cairiam bem num picadeiro de circo. Os testemunhos podem ser mentirosos e o que deveriam ser provas fotográficas, mostram apenas fraudes grosseiras tais como médiuns expelindo mechas de algodão ou gaze onde se vêem pequenos rostos recortados de fotografias e outros truques visíveis até para uma criança. Mesmo as fotos do famoso Peixotinho tem essa característica clara. Podemos citar com tristeza a fraude notável de Otília Diogo com a conivência implícita de Chico Xavier que aparece ao lado da médium fantasiada de fantasma. Tudo isso não basta para abrir os olhos dos espíritas crédulos e cegados pela fé que julgam raciocinada. Pergunto por que, se os espíritos existissem,eles não produziriam provas palpáveis de sua presença entre nós, e não apenas esses espetáculos de mau gosto que qualquer mágico de meia tigela sabe reproduzir ? Por que não indicam de forma patente a natureza e a maneira de detecção por experimentação científica do ectoplasma ? Todas as dissertações em matéria científica encontradas na codificação espírita são evasivas e não comprováveis. É pura pseudo ciência, infelizmente. Até mesmo um de seus dogmas emprestado da ciência, a existência do éter, já foi refutada no princípio do século passado…
    Pode-se especular sobre qualquer coisa. O mérito científico de Crookes é inegável. Ele detalha meticulosamente os cuidados que alegadamente teria tomado para evitar fraude. Porém, é sabido que muitos colegas cientistas não corroboraram suas conclusões. Mas há um detalhe que põe por terra toda a parafernália descrita por ele e todo o apelo à sua fama acadêmica: As fotos de Florence e Katie mostram uma ,e apenas uma, só pessoa. As semelhanças não deixam dúvida. Resta saber se Crookes fora enganado ou conivente com a farsa. Quanto aos espíritas, normalmente cultos e bem educados, peço licença, para dizer que fé raciocinada é uma ficção criada por Kardec. A fé não resiste ao raciocínio, que deseje levar o questionamento às últimas consequências. O paranormal não sobrevive ao método de validação científica. O espiritismo postula ser ciência, mas parece não ser mais que um avançado conjunto de mandamentos morais ,suportados por primitiva superstição. Saudações sinceras.

  4. Maurício Franco disse:

    A moral espírita creio não merecer ser posta em questão. Vale dizer que as casas espíritas são antes ambientes de estudo do evangelho e prática da caridade e não casas de espetáculos mediúnicos.
    Concordo que as imagens usadas nos livros espíritas são risíveis. Eu adoraria que houvesse provas limpas dos fenômenos mediúnicos, nos quais quero crer.

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