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Ufólogo Nick Pope participa de Encobrimento Governamental

28 de julho de 2010 Comments (29) Views: 3506 Ciência, Destaques

Ciência mais próxima de descobrir 100 milhões de Terras pela Galáxia

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Há quase cinco séculos, Nicolau Copérnico iniciou uma revolução ao defender um modelo do Universo que não possuía a Terra como centro. A Revolução Copernicana se estende até hoje, ao descobrirmos que longe de estarmos no centro de tudo, o cosmos se estende e se expande em um espaço-tempo por bilhões e bilhões de anos-luz, como diria Carl Sagan. Mesmo nossa galáxia já possui em torno de 100 bilhões de estrelas, e é apenas uma entre centenas de bilhões de galáxias.

Havia, e há entretanto, uma pedra no sapato da Revolução Copernicana: estamos, ou parecemos estar, sós. Não apenas isso, enquanto a astronomia estendia as escalas do Universo a dimensões quase incomensuráveis, descobrindo estrelas, nebulosas e mesmo galáxias sem fim, todos os planetas que conhecíamos eram planetas de nosso próprio sistema solar. Por décadas cientistas especularam seriamente se sistemas planetários não seriam raridades, formadas por uma conjunção absurdamente improvável de colisões ou condições, e uma estrela como o nosso Sol, rodeada por pequenos planetas rochosos e alguns gigantes gasosos, seria única, singular.

Há menos de vinte anos, a situação finalmente começou a mudar. Foram desenvolvidos novos telescópios, ferramentas e técnicas astronômicas que permitiram por fim observar evidência de planetas distantes, orbitando outras estrelas. E praticamente tão logo tais instrumentos foram colocados em ação, planetas extra-solares foram descobertos. E como foram. Em menos de vinte anos descobriram-se em torno de 500 planetas extra-solares. Se há trinta ou quarenta anos um astrônomo poderia teorizar se sistemas planetários seriam um raridade no Universo, hoje está claro que exatamente o oposto é a realidade: quase todas as estrelas que observamos no céu possuem planetas à sua volta. A Terra não é o centro do Universo, nem o sistema solar de que fazemos parte é único.

A Revolução Copernicana ainda não está completa. Conhecemos hoje muito mais planetas orbitando outras estrelas do que nosso próprio Sol, mas quase todos esses exoplanetas são gigantes muito diferentes da Terra. E, novamente conservadores, alguns astrônomos especulam se os sistemas planetários comuns pela galáxia não seriam diferentes do nosso, com uma grande escassez de pequenos planetas rochosos em zonas habitáveis como a Terra. Novamente, contudo, limitações em nossas observações podem responder pela pequena quantidade de planetas de dimensões comparáveis à da Terra descobertos até agora.

Em uma inspiradora palestra TED proferida no último dia 16 de julho (acima, em inglês), o astrônomo de Harvard Dimitar Sasselov lembra como este ano de 2010 vê a convergência de três grandes eventos aparentemente distintos, que podem se revelar entrelaçados na direção das maiores descobertas de nossa espécie. O primeiro destes eventos é o sepultamento do mesmo Nicolau Copérnico. Falecido em 1543, Copérnico foi inicialmente enterrado, como era costume na época, em uma tumba coletiva. O homem que revolucionou o mundo jazia assim praticamente anônimo em meio a muitos, até que há poucos anos o que seria seu corpo foi identificado – com base em traços forenses como uma cicatriz sobre seu olho. Mas como estar seguro de que este não poderia ser um companheiro falecido na mesma época, que também tivesse por coincidência a cicatriz e outros traços?

Entra o famoso teste genético, parte da revolução nas ciências da vida que vivemos neste exato momento. No ano passado, amostras de fios de cabelo de presentes em um de seus livros preservado até hoje combinaram geneticamente com o corpo, e a identificação acima de dúvida razoável, quase tão segura quanto um teste de paternidade contemporâneo, finalmente permitiu que no dia 22 de maio de 2010, mais de 450 anos depois de sua morte, Nicolau Copérnico fosse sepultado em um segundo funeral com as devidas honras.

Poucos dias depois, em junho, a equipe científica comandando uma sonda espacial nomeada em honra a um astrônomo que levou à frente a Revolução Copernicana, a sonda Kepler, divulgou seus primeiros resultados. Sasselov é um dos líderes da equipe de astrônomos, e as notícias são boas, como notou na palestra. Nada menos que 706 candidatos a planetas – isto é, possíveis planetas extra-solares – foram identificados baseados em apenas 43 dias de observação. “Uma parcela significativa desses não devem ser mesmo planetas, e não sabemos ainda qual é esta fração”, notou Sasselov, mas a sonda deve buscar planetas por mais de três anos! Porém essa não é a boa notícia, ou pelo menos, não é a melhor das notícias.

Os candidatos planetários da Kepler, como os 306 divulgados no último dia 15 de junho, têm órbitas e tamanhos estimados. Organizados por tamanho aparente, a maioria dos candidatos possui um tamanho igual ou menor ao de Netuno. Esta é a boa notícia”. A melhor das notícias. Que ainda deve se confirmar, mas Sasselov pinta os primeiros sinais como indicadores de que a distribuição de planetas pelo Universo deve bem ser similar à de nosso sistema solar.

De onde vem o tantalizante número de 100 milhões de planetas como a Terra. Permanece sendo, por ora, apenas uma possibilidade, mas uma cada vez mais concreta, e uma que pode vir a ser confirmada com boa evidência nos próximos anos. Pouco a pouco vamos preenchendo com base em observações astronômicas a famosa equação de Frank Drake estimando o número de civilizações extraterrestres, e incrivelmente, algumas das estimativas mais otimistas podem se confirmar.

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Sasselov mencionou três grandes eventos cruzando-se para revolucionar o mundo, e mencionamos até aqui apenas dois, o sepultamento de Copérnico com a confirmação de sua identidade por um exame genético, bem como a indicação de centenas de planetas extra-solares em uma distribuição similar à do nosso sistema planetário. O terceiro grande evento fez ainda mais barulho que os anteriores, e com razão: a biologia sintética.

Os mesmos avanços que permitem criar uma célula capaz de se reproduzir com base em um material genético sintetizado – uma das mais destacadas conquistas da área alcançada por Craig Venter e anunciada poucos dias antes do novo sepultamento de Copérnico – pode ser um dos braços de uma ponte em construção que permitirá buscar, e quiçá encontrar vida em outros planetas. Vida que pode ou não ser similar à nossa – a biologia sintética fornecerá as ferramentas e as para testar e descobrir um sem número de possibilidades.

A Terra não é o centro do Universo, e em meio da centenas de bilhões de estrelas, há centenas de bilhões de planetas, possivelmente com centenas de milhões de “Terras”. Quantos deles não serão mesmo outras Terras, abrigando vida, quem sabe mesmo civilizações com seus próprios Copérnicos, completando definitivamente a Revolução Copernicana, e estendendo o que de mais precioso conhecemos a dimensões interestelares?

No ano em que Copérnico foi sepultado, podemos ainda não ter feito contato, mas pelos caminhos inesperados da ciência – em um laboratório, sob o microscópio – ou naqueles bem esperados – através de um satélite dedicado a identificar exoplanetas – poderemos encontrar o conhecimento essencial para descobrir se afinal estamos ou não sós.

Porque só saberemos ao certo, quando comprovarmos que não estamos sós.

– – –

[via Cosmic Log, confira também o esclarecimento de Sasselov, em inglês, a alguns mal-entendidos sobre Planets large and small: the Kepler planetary candidates in my TED Talk. Imagem acima, flaivoloka, sxc.hu]

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29 Responses to Ciência mais próxima de descobrir 100 milhões de Terras pela Galáxia

  1. Alvaro Rexs disse:

    Bastou Sasselov falar e o Ceticismo Aberto vaticina:

    “A Terra não é o centro do Universo, e em meio da centenas de bilhões de estrelas, há centenas de bilhões de planetas, possivelmente com centenas de milhões de “Terras”. Quantos deles não serão mesmo outras Terras, abrigando vida, quem sabe mesmo civilizações com seus próprios Copérnicos, completando definitivamente a Revolução Copernicana, e estendendo o que de mais precioso conhecemos a dimensões interestelares?”

    É interessante… cumpriram o papel de ricocheteadores de notícias exo-brasil.

    Hehehe… afirmar os que os antigos já afirmaram é uma grande palhaçada, é como dizer que foi o primeiro homem a chegar no topo no Everest quando na verdade um nepalês o carregou até lá.

    Quantas reviravoltas verei nesse site?

  2. enjolras disse:

    “I want to believe” :D

  3. Ivandro disse:

    A terra é um milagre biologico, se existe outra igual nunca visitaremos nossa tecnologia é obsoleta para qualquer tipo de exploração espacial.

    • Sidney disse:

      Se o tempo e o cosmos são vastos a possibilidade do “nunca” é improvável. Não é?

      • Arthur disse:

        Limitar o poder de expansão da tecnologia com base em meros 10.000, 20.000 anos de civilização é patetico, a cada dia a tecnologia nos mostra inovações expressivas, imagine daqui a 100, 500, 1000 anos….

        Acredito em tudo q é real e apresenta potencial para ser realizado…..

        ser cetico não é ficar dizendo que tudo é falso, ser cetico é acreditar naquilo que é verdadeiro, nada mais…

  4. Silas disse:

    Own *-* tenho muitas esperanças …

  5. | . disse:

    […] Há quase cinco séculos, Nicolau Copérnico iniciou uma revolução ao defender um modelo do Universo que não possuía a Terra como centro. A Revolução Copernicana se estende até hoje, ao descobrirmos que longe de estarmos no centro de tudo, o cosmos se estende e se expande em um espaço-tempo por bilhões e bilhões de anos-luz, como diria Carl Sagan. Mesmo nossa galáxia já possui em torno de 100 bilhões de estrelas, e é apenas uma entre centenas de bilhões de galáxias. Havia, e há entretanto, uma pedra no sapato da Revolução Copernicana: estamos, ou parecemos estar, sós. Não apenas isso, enquanto a astronomia estendia as escalas do Universo a dimensões quase incomensuráveis, descobrindo estrelas, nebulosas e mesmo galáxias sem fim, todos os planetas que conhecíamos eram planetas de nosso próprio sistema solar. Por décadas cientistas especularam seriamente se sistemas planetários não seriam raridades, formadas por uma conjunção absurdamente improvável de colisões ou condições, e uma estrela como o nosso Sol, rodeada por pequenos planetas rochosos e alguns gigantes gasosos, seria única, singular. Gostou, ta curioso, e que saber mais desse artigo? Visite agora o site do nosso amigo kentaro mori. E leia o restante na integra. http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/3665/cincia-mais-prxima-de-descobrir-100-milhes-de-terras-pel… […]

  6. Raphael disse:

    Olá Mori, já acompanho seu site há uns anos e essas notícias são das melhores em tempos. Me entristece ver que tais notícias são tão mal veiculadas por aqui.

    Eu sou biólogo e o ramo da biologia sintética tbm é pessimamente abordada até mesmo pelas entidades científicas, mas com certeza alavancará soberbas descobertas.

    Parabéns, Sir Copérnico e seguimos na expectativa de saber o que esses exoplanetas têm pra nos revelar.

  7. Joao disse:

    ieuahuiea
    ta certo… ideologicamente é muito dificil combater a especulaçao se há vida em outros lugares do universo do ponto de vista lógico!

  8. Amanda disse:

    A Revolução Copernicana incomoda o ser humano porque nos tirou do destaque, nos tirou do pedestal. Por isso que ele se recusa a reconhecer que milhões de Terras são possíveis. Além disso, uma parcela da população pode ser questionar se existem outros deuses, outro messias, outro Buda…
    O bom disso tudo é ver que ainda é possível vislumbrar o horizonte de maneira laica, sem ofender a ninguém. Muito bom texto.
    Até!

  9. Robson disse:

    já descobriram um planeta “com suspeitas” de q ele seja habitável, mas ele é distante 20,5 ano-luz da terra! pra chegar lá na velocidade da luz duraria aproximadamente 20 anos! o misterioso planeta se chama GLIESE 581c, difícil de gravar não?

  10. Renato disse:

    Universo é praticamente infinito. Mesmo que tenha um limite e esteja em constante expansão, não é possivel quantizar exatamente o numero de astros criados (a estimativa mais pessimista de Carl Sagan falava de 2 galaxias POR SEGUNDO).

  11. RICARDO RJ disse:

    “Há muitas moradas na casa do pai”-Jesus

  12. Bruno do Amaral disse:

    E quem disse que é preciso sair do sistema solar pra achar ambientes favoraveis à vida?

    Ainda existe a possibilidade (considerada seriamente por cientistas) de formas de vida primitiva em, pelo menos, Europa (lua de Jupiter com um vasto oceano de agua salgada embaixo de uma crosta de gelo de 90km) e Titã (lua de Saturno com atmosfera e presença de lagis de metano que se comportam como a agua aqui na Terra).

  13. Gere disse:

    Mas por que os cientistas falam que só é possível a existência de vida em sistemas onde a estrela é igual ao sol?

  14. pedro navarro disse:

    Como assim ivandro?

    ´´QUALQUER EXPLORAÇÃO ESPACIAL“

    Nos temos sondas que já estão quase fora do sistema solar, robos em Marte, pegadas humanas na Lua observatórios e estações na órbita da terra

    e você escreve isso, pensa antes de escrever

  15. Valdir Mueller disse:

    Tenho 53 anos, desde que me conheço como gente já com capacidade de compreenssão sobre o que esta nos céus e na terra, fiquei absolutamente convicto de que, mediante o poder de criação de DEUS, seria ridiculo de sua parte, colocar no universo amplo e irrestrito um unico planetinha com pouco mais de 6000 km de raio ao redor de uma estrela de 5ª grandeza (amarela), como unico sistema possivel de combinar condições de vida.
    Temos muito a aprender sobre o nosso próprio mundo, mal e mal conhecemos 3% dos nossos oceanos e tudo que habita nele, e pensar em chegar ao mais proximo dos planetas descoberto, a bordo de uma “Challenger”, nem chegariamos vivos ao destino, tamanho o nosso atrazo tecnologico, mas quem sabe daqui a uns 200 a 300 anos, já tenhamos evoluido bastante, mas antes precisamos evoluir como seres humanos, sem esta conquista, não iremos a lugar nenhum.
    Saudações a todos,
    Valdir.

  16. Também gostei muito. É sempre gratificante ver que se pode chegar a novas conclusões, a novos conceitos, a novos paradigmas; para, a partir daí, estar aberto a infinitas possiblidades e mudanças. Na Era da Informática e da Informação, consolida-se a ERA DA INCERTEZA, e isso é muito bom para a sociedade e para o Planeta como um todo. Abraços. Prof. Tony.

  17. Oshyoga disse:

    Bom primeiro devemos colonizar Marte, enquanto isso vamos prospectando as próximas vítimas…

  18. […] levando à sugestão de que planetas sejam não só quase onipresentes pela Galáxia, como que até 100 milhões de planetas como a Terra populem a Via Láctea. Por sua vez, apenas uma das centenas de bilhões de galáxias pelo […]

  19. […] levando à sugestão de que planetas sejam não só quase onipresentes pela Galáxia, como que até 100 milhões de planetas como a Terra populem a Via Láctea. Por sua vez, apenas uma das centenas de bilhões de galáxias pelo […]

  20. pensador disse:

    Apesar de todas as evidências de vida em outro planeta ou galáxia, eu continuo acreditando que só nós existimos. Penso que tudo o que há possa SIM ter sido criado para a gente,como uma dadiva divina, ou algo assim. Porque teriamos que ter tão pouco, podemos sim ter o universo em nossas mãos. É o que eu acredito, mas respeito a visão dos colegas aqui presentes.

  21. Arilson Divino Torres Avelar disse:

    Não, não é! Se Jesus existiu, historicamente ele foi um grande pensador, Talvez a frase “A muitas moradas na casa do meu Pai” Possa se referir a isso, ora os povos antigos ja especulavam sobre as estrelas e os planetas!

  22. Américo disse:

    Gere:

    Os cientistas dizem que só é possível vida em estrelas como o Sol porque seu combustível irá demorar bilhões de anos para se esgotar. Em estrelas menores esse tempo pode aumentar até 1000 vezes. Aí dá tempo para a evolução do planeta, esfriamento, criação de vida, evolução, etc, etc, etc. Astros grandes, maiores de 10 massas solares apresentam vida pequena (maior massa, maior pressão da gravidade, mais calor, mais rápido a queima de combustível), de até 15 milhões de anos. O que não daria para esfriar um planeta, quanto mais gerar a vida e esta evoluir.

  23. Sandro disse:

    Oi,só fazendo uma pequena ressalva aqui:Com o ano do Copérnico veio esse `fôlego` para investigação e suposição de formas de vidas diferentes das que são encontradas aqui na Terra partindo da premissa da descoberta de novos planetas ou novas ‘Terras’ pela galáxia afora ok?Caiu a teoria que a Terra era o centro do Universo ou mais humildemente só do sistema solar e parece que com isso abriu-se também pra hipótese se estamos mesmo sós no Universo,há de se deixar claro que a descoberta de planetas extra-solares com supostas condições físicas hábeis(temperatura,pressão,umidade entre outras) para acolher,desenvolver,reproduzir e evoluir uma forma de vida seja ela até mesmo uma bactéria ou protozoário não significa necessariamente que lá encontraremos tais formas de vida.Por enquanto pelo menos ,ainda ,é só hipótese!

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