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Published on dezembro 5th, 2011 | by Kentaro Mori

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Areia Colorida Vibrante, Tigelas Budistas Cantantes e Megalitos em Levitação

Abaixe o volume e aprecie o artista japonês Kenichi Kanazawa fazendo areia colorida danças em belos padrões geométricos. Mágica? Talvez, mas nada sobrenatural.

Esta é uma versão do que é melhor conhecido como Disco de Chladni. O tampo da mesa é feito de metal, que vibra em ressonância quando o artista esfrega uma bola de borracha em sua beirada, em um efeito similar a esfregar o dedo contra a borda molhada de um copo de cristal. A mesa vibrando faz a areia saltar e se acumular em padrões nodais, estudados pela cimática.

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Tigelas Cantantes

O que é a oportunidade perfeita para apresentar outro fenômeno não exatamente mágico, mas extremamente fascinante. São as tigelas tibetanas cantantes, datando de mais de quatro milênios, e que podem fazer a água ferver quase instantaneamente!

Exceto que não fervem a água de verdade, não se pode preparar um macarrão instantâneo com essa tigela. De forma similar a Discos Chladni, e como o Nature News Blog explica (em inglês), o que a tigela está fazendo é se comportar mais como um sino, vibrando em ressonância e assim agitando e criando ondas na água em seu interior. Em um frequência crítica as ondas formam pequenas gotas que se separam e chegam a pular sobre o resto da água, criando um efeito que faz parecer que a água está fervendo. Mas a sua temperatura continua a mesma.

Veja o vídeo em detalhe e câmera lenta abaixo, cortesia de Denis Terwagne e John Bush:

O fenômeno é um tanto complexo, não-linear, e aos aficcionados da série de TV “Lost”, tem um nome que deve soar familiar. É a instabilidade Faraday, em nome de seu descobridor, o próprio Michael Faraday, um dos grandes nomes da ciência e que já chegou à cultura popular como lenda enigmática.

E falando de lendas enigmáticas, vibrações e monges budistas, chegamos ao último nexo deste artigo: a levitação acústica de pedras, na lenda da construção de monastérios com os segredos milenares mais bem guardados do Tibete.

 

Megalitos que Levitam

Em 1959 o projetista sueco Henry Kjellson publicou um curioso relato  em uma revista alemã. Dizia ele que seu amigo, o Dr. Jarl, estudava em Oxford e fez amizade com um jovem estudante tibetano. Algum tempo depois, enquanto o Dr. Jarl estava no Egito em uma viagem para a Sociedade Científica Inglesa, um mensageiro de seu amigo tibetano o chamou urgentemente para ir ao Tibete para cuidar de um Lama.

Depois de conseguir uma licença e viajar, de avião e mesmo yaks até um monastério isolado a sudoeste de Lhasa, o Dr. Jarl ficou surpreso ao descobrir que o Lama era seu próprio amigo tibetano de Oxford. Tudo correu bem, e por causa de sua amizade, o Dr. Jarl pôde aprender muitas coisas que outros forasteiros não tinham chance de sequer observar.

Foi assim que ele presenciou com seus próprios olhos algo fantástico, um conhecimento derivado diretamente dos antigos egípcios. Os monges mostraram como erguiam blocos de toneladas ao topo de um desfiladeiro com altura de mais de 250 metros usando… tambores e trompetes. Kjellson relata:

“No meio do local estava uma base de pedra polida com uma pequena cavidade no centro. Ela tinha o diâmetro de um metro e uma profundidade de 15 centímetros. Um bloco de pedra era manobrado para a cavidade. Então, 19 instrumentos musicais eram disposto em um arco com 90 graus a uma distância de 63 metros da base ao centro. Os instrumentos consistiam de 13 tambores e seis trompetes (Ragdons). Oito tambores tinham uma seção de um metro e um comprimento entre um e 1,5 metro. O único tambor pequeno tinha uma seção de 0,2 metros e comprimento de 0,3 metros. Todos os trompetes tinham o mesmo tamanho, 3,12 metros e uma abertura de 0,3 metros.

Os tambores grandes eram feito de folhas de ferro de 3 mm, e tinham um peso de 150 Kg. Todos tinham um lado aberto, enquanto o outro tinha um fundo de metal, que os monges batiam com grandes bastões com couro. [Enquanto batiam nos tambores e tocavam os trompetes], todos os monges estavam cantando e entoando um cântico, lentamente aumentando o tempo deste barulho ensurdecedor.

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Pelos primeiros quatro minutos nada aconteceu, mas enquanto a velocidade dos tambores aumentou, a grande pedra começou a se mexer e subitamente ergueu-se no ar com uma velocidade crescente na direção da plataforma em frente do buraco da caverna a 250 metros de altura. Continuamente eles traziam novos blocos, e usando este método, transportaram 5 a 6 blocos por hora em um vôo parabólico de aproximadamente 500 metros de distância. De vez em quando o bloco em vôo se quebrava, e os monges retiravam as pedras quebradas. Uma tarefa inacreditável”.

Inacreditável? Talvez porque, embora o Dr. Jarl tenha filmado todo o evento, a Sociedade Científica Inglesa – à qual ele estava submetido – tenha confiscado os dois filmes. Nunca foram vistos publicamente.

A levitação acústica em si é real, e os grãos de areia bem como as gotículas de água pululando são fenômenos relacionados. Pode-se conferir abaixo um experimento da NASA levitando pequenos pedaços de isopor.

Dado que monges budistas conheciam tigelas cantantes que lidavam com a ressonância, poderiam eles ter levitado grandes pedras com nada menos que tambores?

Infelizmente, sabemos por certo que não. Há um limite físico na quantidade de energia que uma onda de som pode conter, além da qual o som se torna uma onda de choque e quanto mais energia, mais ela se dissipa simplesmente como calor.

Assim, e ironicamente, podem-se criar ondas de choque poderosas que fervem água de verdade, ao contrário da mera aparência de fervura das tigelas cantantes. Mas seria uma forma muito inconveniente de cozinhar macarrão.

É impossível que o puro ar em ondas de som ressonante possa levitar uma pedra pesada. É verdade que uma onda de choque pode mover grandes rochas, porém isso não é algo que se faz com tambores, e sim com explosivos — e isso é algo que se faz em pedreiras muito longe do Tibete a todo o momento.

Bem, espero que as maravilhas reais que vimos aqui compensem o fim de uma boa lenda sobre pedras levitando!

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15 Responses to Areia Colorida Vibrante, Tigelas Budistas Cantantes e Megalitos em Levitação

  1. D. R. says:

    Parabéns, matéria incrível e super interessante!

    Eu nunca tinha ouvido falar de levitação acústica.

  2. MACC says:

    Não me parece certo que se afirme que o relato de Jarl sobre a levitação das pedras seja interpretado como sendo uma “levitação acústica” e depois seja descartado pois não se ajusta a este fenômeno como o conhecemos. Para se ter uma levitação acústica, as pedras precisariam (no sentido da levitação) estar entre o Transdutor que cria os sons e o receptor que os reflete, e jamais poderiam se mover em uma parábola como descrito sem que a fonte de emissão e de reflexão se movessem junto. As trombetas estavam em posição de emissão horizontal, enquanto o movimento foi vertical. Me parece que devemos levar em consideração todo o entorno, inclusive o paredão rochoso em oposição ao som, a estrutura cristalina da Rocha, etc…etc… e sabe-se lá mais o que… Um cenário que me parece bem mais complexo do que uma levitação acústica simples para iniciarmos uma analise sobre a possibilidade física de tal relato.
    Assim, como Jarl não afirma que tal levitação foi causada somente pelo som como fazemos nos experimentos sônicos, por que atribuir tal fenômeno somente e totalmente a levitação acústica? Parece claro que “só isso” e insuficiente para explicar e negar o que foi descrito.
    Alem do que, afirmar que algo não existe só porque não podemos explicar ou entender e conhecido como “argumento da ignorância” e e claramente uma forma de pensamento circular (aquilo que não tem explicação não pode existir e o que não existe não tem explicação)… Tipo de pensamento que a ciência já execrou há muito tempo.
    O som, no caso dos monges tibetanos e muito mais conhecido por induzir a estados profundos de meditação e os monges tibetanos já foram muito estudados por manifestarem estados e efeitos paranormais (inclusive de fenômenos físicos externos a seus corpos). Hoje, estamos familiarizados com os efeitos físicos da mecânica quântica, coisa que nao era conhecida da ciencia antes do inicio do sec XX, e essas já destroem as explicações de causalidade da física clássica newtoniana, sendo assim, nao poderíamos atribuir tal fenômeno de levitação das pedras a um efeito quântico de colapso das funções de onda das sub-partículas da Rocha dirigido pela mente dos monges? Um “direcionamento” consciente dos estados de sobreposição quântica da matéria?
    Seria possível? Não só e possível, como e exatamente isso que nos dizem fazerem os monges tibetanos, manipular a realidade com a forca do “espirito”, da mente…
    A propria “levitacao quantica” de supercondutores, que e um fenômeno bem mais simples do que este que sugeri, Efeito Meissner, so foi descoberto a poucos anos. Enfim, e absurdo afirmar que esta “lenda” foi resolvida assim com um argumento da ignorância.

  3. Pedro says:

    Matéria excelente, condordo plenamente, sei que existem ainda fenomenos inexplicavais para a ciencia de hoje, entretanto acreditar que o som ou a força da mente dos monges possa mover pesadas pedras é meio surrealista.
    Discordo da opinião do MACC, não vejo “argumento da ignorância” na matéria, todos sabem que um experimento cientifico tem que ser provado e comprovado, portanto informar dados dos tambores, distancias, formas de curvas de movimento, não são por si só meios de provas.

  4. MACC says:

    Claro Pedro, mas não estamos falando de nenhum experimento cientifico. Quem disse que Jarl pretendia ou pretendeu descrever algo que nos possamos reproduzir em laboratório? longe disso. E e exatamente por isso que acho forcado ligar tudo a um fenômeno de levitação acústica (como a entendemos) e depois, simplesmente, baseado nas incoerências com aquilo que conhecemos desse tipo de levitação, descartar todo o relato! tendencioso não acha?
    E o mesmo tipo de argumento que a maioria dos pseudo-ceticos faz uso quando por exemplo afirmam que alienígenas não nos visitam pois segundo aquilo que conhecemos seria impossível transpor as enormes distancias do espaço (relação tempo/deslocamento) e fim de caso, ridículo encerar outras possibilidades apenas porque “não entendemos” o como.
    E isso e sim o argumento da ignorância que fecha a qualquer possibilidade de investigacao de alternativas. Se vc ler bem, o artigo e bem claro na sua frase
    final sobre “encerrar uma boa lenda sobre levitação de monólitos”, só que se a ciência parasse de investigar o impossível, já teria deixado de existir faz tempo.

  5. É interessante como ninguém até agora lembrou do antigo testamento que relata como os israelitas derrubaram os muros da cidade de Jericó. Lembram-se como foi e o que eles utilizaram para isso?! Creio que este assunto deva ser levado mais a sério. É necessário que haja mais investigação científica sobre o assunto.

    • deco says:

      João Lindoso! isso são efeitos diferentes… este efeito citado na biblia é conhecido, e inclusive exitem armas que utilizam o mesmo mecanismo…

      Aqui o que está se abordando é o poder anti-gravitacional… e não de destruição… o de destruição todos sabem que é possível…

  6. rodrigo says:

    Ótima matéria, em tempos de blogs humoristas discutindo a importância de “mêmes” na internet é bom entrar em um site brasileiro com matérias realmente interessantes! Favoritos já!

  7. Animal says:

    E o mundo perdendo tempo com aviões de carga, etc Ora, contratem uns tibetanos, ah isso foi no passado? Agora já não fazem isso mais? Hummm, no passado faziam cada coisa né, O mundo tá perdido hoje em dia, sem todas essas magias do passado. Sei lá viu, acho que aviões voam por que todos pilotos fizeram cursos no tibete. Corra prá lá MACC!

    • Macc says:

      Animal, vc fala fala e continua a dizer ….NADA!
      Ninguém merece mesmo, o povo acha que engana alguém fugindo do assunto assim, Olha o seu argumento:
      Vc acha que os monges tibetanos estão interessados em transporte de cargas? Se não estão, ahhh então eles não conhecem os segredos da levitação. Só rindo mesmo!

  8. rodrigo says:

    esse do megalitos parece estranho mas se pensar bem até pode ser possivel.
    se formos pelo desenho e pelas especificações da para se especular que a pedra estava no meio dos monges(em grande quantidade e em arco de 90graus ) e a montanha(com uma base em forma de arco eliptico), e entre os monges e as pedras os intrumentos musicais de percusão e sopro.
    Se eu visse acontecendo eu iria ficar desconfiado porem se visse o feito mais vezes certamente não teria como negar ou refurdiar o fato, certamente o incrivel desse relato é que parece em um certo grau plausivel.
    Só mesmo com o filme confiscado para dizer se é real ou não

  9. Anam akilad orion says:

    Será que os seus conhecimentos de física estão esquecendo alguma coisa muito importante?

  10. Carlos Boto says:

    sou grande fa do teu trabalho kentaro, mas a algum tempo percebo que vc esta pendendo para antitese ao inves e imparcialidade
    seus argumentos estao se tornando tao constrangedores qto ao dos credulos, desculpe constatar isto
    no artigo acima voce pontua no fim uma historia com argumentos planos
    como se desesperadamente quisesse explicar tal.
    pra mim voce esta me dizendo com o artigo que:
    de acordo com todos os conhecimentos de fisica e mecanica que temos e impossivel fazer tal proeza, matematicamente provada desta forma, x x x ….

    porem embora os credulos tirem total credito do intelecto humano, vc esta fazendo o contrario e dizendo que nosso conhecimento e absoluto.
    dois caminhos tristemente parciais.

  11. NFMJ says:

    Para um site que deseja esclarecer, esta matéria poderia estarmelhor embasada.
    O texto equipara-se qualquer fato que seja comentado de forma infantil, inexplicável e com as provas apreendidas por uma entidade científica?
    O tema necessita de muito estudo.
    Abraço.

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