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Mistério do Míssil Fantasma solucionado: uma lição de história

7 de novembro de 2010 Comments (36) Views: 4812 Ciência, Destaques, Fortianismo

O navio de Teseu e a impermanência do Carbono-14

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“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [já] nem o homem nem o rio são os mesmos.” – Heráclito

“O navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram de Creta tinha trinta remos, e foi preservado pelos atenienses até o tempo de Demétrio de Falero, porque eles removiam as partes velhas que apodreciam e colocavam partes novas, de forma que o navio se tornou motivo de discussão entre os filósofos a respeito de coisas que crescem: alguns dizendo que o navio era o mesmo e outros dizendo que não era.” – Plutarco

O paradoxo do barco de Teseu é ao mesmo tempo uma das doutrinas essenciais do Budismo: a impermanência, a consciência de que tudo está em fluxo constante. A profundidade deste conceito pode ser apreciada tanto filosoficamente quanto vislumbrada cientificamente, compreendendo melhor a datação por radiocarbono, conhecida também como teste de Carbono-14. É uma longa jornada que vai literalmente de estrelas a muitos anos-luz até a ponta de seus pés, mas àqueles dispostos a dedicar algum tempo e esforço a viagem valerá a pena.

Ela começa por lembrar que toda forma de vida que conhecemos é orgânica, isto é, baseada no elemento carbono. Presente em diversas formas, desde seu estado puro na grafite de um lápis até em compostos complexos como o plástico do mouse que você segura, o carbono possui propriedades singulares que permitem que forme produtos de enorme variedade e complexidade – motivo pelo qual a química orgânica é um dos terrores na escola. Novamente, o tema pode ser complexo mas tem suas recompensas: é por esta complexidade que a própria vida, em todos seus meandros, pode florescer baseada neste elemento.

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Cada um destes átomos singulares de carbono compondo cada uma de todas nossas células começou sua jornada na fornalha de estrelas. “Nós somos feitos da poeira de estrelas”, lembrava Carl Sagan,  pois os átomos de carbono são criados a partir de elementos mais leves no núcleo de estrelas gigantes, a temperaturas superiores a 100 milhões de graus. As estrelas por sua vez também possuem seu ciclo de vida, e quando ele chega ao seu fim, lançam em enormes explosões os muitos elementos que criaram, e que poderão se reunir novamente em outros sistemas estelares, talvez com seus sistemas  planetários. Como o nosso sistema solar.

Nesta história cósmica da gênese do elemento em que toda a vida conhecida se baseia, o detalhe fabuloso é que cada um dos átomos de carbono em seu corpo pode ter sido formado no núcleo de uma estrela diferente. Veja duas estrelas no céu, separadas por anos-luz de distância, e imagine como há bilhões de anos, os minúsculos átomos que formam o seu próprio corpo estavam tão ou mais distantes. Somos poeira de estrelas, de muitas estrelas, separadas por vastas distâncias, reunidas aqui. Recupere o fôlego, porque a atmosfera é justamente o próximo passo de nossa jornada.

Ao encontrarem-se no sistema solar, e em particular, no planeta Terra, o caminho dos átomos de carbono continua. Tais átomos passam a fazer parte do ciclo do carbono no planeta, em constante transformação, deslocando-se da atmosfera aos oceanos, e vice-versa. Eles também podem mergulhar em períodos de menor fluxo, como depósitos fósseis, ou descendo às profundezas do planeta, de onde podem ser liberados novamente à atmosfera em grandes erupções. E há, claro, um outro reservatório de troca, e um especialmente relevante a nós: a biosfera, todas as formas de vida de que falamos. Os átomos de carbono que fazem parte de você.

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O fluxo do carbono relacionado à vida deve ser familiar. As plantas fixam o elemento da atmosfera através da fotossíntese. O físico Richard Feynman notou como, de certa forma, as árvores e plantas se formam do ar. De fato, o que faz uma pequena semente se transformar em um enorme Jatobá é em sua maior parte o carbono que o vegetal tomou do ar para constituir seu tronco, raízes e folhas. Folhas estas que podem finalmente chegar aos animais que se alimentarem delas, e então aos animais que se alimentarem destes animais, incluindo os seres humanos. Pelo que o carbono que foi criado em estrelas e fixado do ar em matéria orgânica chega também a você.

Como animais, estamos constantemente ingerindo compostos orgânicos, e constantemente excretando compostos orgânicos, integrados como uma pequena parte deste enorme e longo fluxo. À semelhança do barco de Teseu, praticamente todo o material compondo seu corpo hoje terá sido substituído em alguns anos. E ao retornarmos ao barco de Teseu, finalmente temos a oportunidade de abordar a impermanência do Carbono-14. Esta é a parte mais complicada da história, mas a que permite uma apreciação da beleza de todo este conhecimento em relação ao rio da vida.

Em um Universo onde tudo está em constante fluxo, o próprio carbono está presente em diferentes variedades atômicas, chamadas isótopos – possuindo o mesmo número atômico, mas com diferentes massas, dependendo do número de nêutrons. Quase todo o carbono na Terra possui seis prótons e seis nêutrons em seu núcleo, o carbono-12, mas uma parcela infinitesimal de um entre um trilhão de átomos de carbono possui oito nêutrons, formando assim o carbono-14 (C-14). Por que tão infinitesimalmente raro?

Porque o isótopo C-14 é instável, é radioativo, transformando-se em nitrogênio-14 com o tempo. De fato, em aproximadamente 60.000 anos uma amostra de C-14 decai e se transforma quase completamente em nitrogênio. Nenhum átomo de C-14 que você encontrar terá muito mais de 60.000 anos, e é muito provável que seja muito mais novo. Entre os trilhões de átomos de carbono que você poderá encontrar, esse átomo radioativo em particular deve ter tomado um caminho diferente.

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É nas camadas mais altas da atmosfera, banhadas diretamente por intensos raios cósmicos, que o nitrogênio-14 pode ser atingido por nêutrons e formar o C-14, a provável origem do átomo radioativo e impermanente. Esta formação se dá constantemente; enquanto o C-14 decai e volta a se transformar em nitrogênio, nitrogênio na alta atmosfera sob a ação de raios cósmicos por sua vez se torna C-14. O resultado é que a proporção na atmosfera deste elemento de vida relativamente curta é aproximadamente constante, enquanto parte decai, outra parte se forma.

O C-14 formado por raios cósmicos nos limites entre a Terra e o espaço se distribui pela atmosfera, e como tal, faz parte do ciclo do carbono, incluindo o fluxo que passa pela biosfera, que como vimos, começa com a fixação do carbono pelas plantas. Desta forma, a concentração de C-14 fixado em um tronco de madeira, ou nas raízes, folhas e frutas de uma árvore em crescimento é aproximadamente a mesma daquela presente na atmosfera.

Porém, no instante em que uma planta morre, ela deixa este ciclo de troca com a atmosfera. O C-14 que fixou continua a decair, mas não é mais reposto por novos isótopos da atmosfera. Sua concentração só diminui, e diminui a uma taxa de decaimento radioativo constante e devidamente conhecida pela ciência: reduz-se à metade em aproximadamente 5.730 anos, a meia-vida do C-14. Chegamos por fim à datação por radiocarbono, o teste de carbono-14.

Em 1949, Willard Libby, por sugestão de Enrico Fermi, desenvolveu a ideia de aproveitar esta diminuição constante da proporção de C-14 em matéria orgânica para estimar quando ela deixou de fazer parte da troca constante com a atmosfera. Bastaria comparar sua porção de C-14 com aquela presente na atmosfera. Se a proporção houvesse diminuído pela metade, por exemplo, isso significaria que o C-14 esteve decaindo pelo seu período de meia-vida, por aproximadamente 5.730 anos. Outras proporções permitiriam estimativas indo de algumas décadas até dezenas de milhares de anos atrás. Por seu trabalho, Libby recebeu o prêmio Nobel, e o teste de radiocarbono é amplamente conhecido por revolucionar a arqueologia, definindo um relógio para conhecer tanto da história da vida.

Com enorme precisão, a datação por carbono-14 também pode ser aplicada a nós. Não fixamos carbono diretamente da atmosfera, mas nos alimentamos de plantas que acabaram de fazê-lo ou de animais que acabaram de se alimentar destas plantas, renovando em um fluxo contínuo o carbono em nossos corpos. Enquanto nos alimentamos, enquanto estamos vivos, participando deste fluxo, a concentração de C-14 em nossas células é aproximadamente a mesma daquela encontrada na atmosfera. Enquanto você está vivo, radioisótopos formados na alta atmosfera por raios cósmicos, a partir da poeira de estrelas cruzando vastas distâncias, passam por seu corpo, de fato constituem o seu corpo depois de serem fixados em compostos orgânicos pelas plantas.

Mas nada disso é permanente, são apenas fluxos mais ou menos rápidos que outros. No momento de sua morte o C-14 deixará de ser reposto, diminuindo então a uma taxa constante, pela qual o momento em que você se afastou do rio da vida poderá ser reconstruído. Cientificamente. Este, claro, é apenas um dos fluxos dos quais você se afastou: o carbono-12, estável, que constitui quase todo seu corpo continuará fazendo parte da biosfera por ainda muito tempo, incluindo alguns compostos especialmente relevantes relacionados com seu código genético, se você tiver deixado descendentes. Estes compostos podem ter seu material reposto, mas a informação que carregam… seria tema para outra longa história, em outro longo fluxo.

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O carbono-14 é um marcador da impermanência, decaindo e formando-se constantemente. E como parte da química da vida, nos lembra que o paradoxo do barco de Teseu, seja como for solucionado filosoficamente, é o paradoxo que observamos cientificamente em todo o Universo, e do qual somos mesmo parte. A profundidade da impermanência só se torna mais bela e relevante quando compreendida também através dos olhos da ciência.

– – –

[Imagens: Melinda Green, APOD, sxc.hu/belleofthe, APOD, sxc.hu/pipp]

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36 Responses to O navio de Teseu e a impermanência do Carbono-14

  1. Jamil Orlandelli disse:

    Parabéns pelo post. Muito lindo, é um dos belos romances da ciência falando
    da vida e do universo.

  2. Alvaro Rexs disse:

    Lendo esse texto vejo que quando você quer escrever bem você escreve!

    Então me pergunto:

    Pq um cara inteligente e aguçado as vezes fecha os olhos para questionamentos sérios?

    Notei também que infelizmente os sites de Cetismo estão fomentando um tipo de comportamento idêntico aos que eles combatem:

    – Assim como os ufólatras agora temos os Fundamentalistas Céticos!

    Vejam bem, o Ceticismo parte de premissa de se analisar tudo ao crivo da prova, demonstração e método científico!

    Mas Kentaro Mori, o que vejo aqui são algumas pessoas movidas pelo “partidarismo” e não pela primazia da verdade!

    Embora ache que não fará falta alguma ao site (pois pelo que vejo, céticos querem ficar entre céticos louvando o ceticismo), vou me retirar dos debates por um tempo… Não acho que valha a pena por enquanto!

    Lembrem-se da lição de moral que o cara deu no ceticismo lá S&D quando fez a demonstração do PSI WHEEL:

    – Enquando os crédulos tinhas ao menos o vídeo a seu favor, os céticos nada tinham e emitiam opiniões.

    Só finalizando: Muito bom esse texto!

  3. Flavia disse:

    Ola,
    Apreciei muito do artigo e gostaria de saber quem o escreveu. Obrigada.

  4. Kim disse:

    Muito lindo este texto, inspirador e generoso. Somos apenas uma onda, uma amostra de energia que aglutina matéria de uma dada forma, mas que não é menos existente por ser impermanente.

    “Matter flows from place to place, and momentarily comes together to be you. Some people find that thought disturbing. I find the reality thrilling.” — Richard Dawkins (www.youtube.com/watch?v=vioZf4TjoUI)

    Uma curiosidade: qual é o limite de datação do C-14? Que tal um post sobre a “escada arqueológica”, análoga à escada cósmica? Imagino que isso exista, não sei se com esse nome.

  5. Ísis Krakatoa disse:

    Muito bom, de verdade.
    Científico e filosófico.

  6. Sexta feira tive o privilégio de assistir a uma palestra sobre os Mars Exploration Rovers (MER) feita nada mais nada menos do que pelo John L. Callas (Project Manager of NASA’s Mars Exploration Rover project). Eles projetaram um veiculo de exploração que iria vasculhar marte por 90 dias e está durando mais de 6 anos. Ao invés de utilizar tecnologia alienígena (coisa que não existe fora da Area 51, suponho) foi utilizada a boa e velha ciência humana. Hoje as fotos de marte são analisadas por uma centena de maquinas virtuais numa cloud (nuvem) do google e em 6 minutos os engenheiros e cientistas podem decidir o que o MER poderá fazer em seguida.

    O mais incrivel é que TUDO pode ser reproduzido! O MER não funciona na base da crença, fé ou reza, ele não precisa operar no escuro, não precisa ficar inventando principios exotéricos.

    Acho muito engraçado todo esse lance de “ceticismo” ser algo negativo, que remove a inventividade, a criatividade, que fecha os olhos para os reais questionamentos.

    Agora temos que aceitar questões bobas, infundadas ou até falsificadas só pq temos que ser “mente aberta”?

  7. Isac disse:

    Texto fantástico que explica um assunto desacreditado por muitos. Parabéns!

  8. Alvaro Rexs disse:

    Mas antes de ir:

    Amigos Céticos vamos ao caso “Jordânia 400° graus” onde foi questionado também o caso de Canneto di Caronia postado neste site na categoria Paranormal:

    PRIMEIRO PONTO:

    1 – Um grupo de cientistas de várias partes do mundo (incluindo a NASA) investiga casos de combustão na pequena cidade e conclui que a causa é desconhecida. (Fato, sem chororô)

    2 – Um jurista (nas palavras de Kentaro Mori quando ele responde a um comentário desaforado de um tal de Adilson Santos) contesta a conclusão do grupo de cientistas.

    Em quem Kentaro Mori acredita????? Advinhem???? Vai uma dica: Kentaro é um homem das ciências! A resposta é:

    NO JURISTA!!!!

    AH VÁ! Que coerência…

    SEGUNDO PONTO:

    1 – Um incêndio acontece. Você suspeita que houve um crime, ou melhor, você apenas quer saber as causas do incêncio. Quem você chama? Obviamente um Especialista Forense Perito em Incêncio, não é?

    2 – Aí você pensa bem… hummm deixe-me ver… Melhor não, é melhor acreditar no “laudo” de um técnico em Telecomunicações, pois ele é a pessoa mais “adequada” para falar do assunto. Acham isso um absurdo?
    Não é absurdo, foi o argumento que Kentaro Mori fez uso no caso de Canneto di Caronia.

    Como ele gosta de dizer: Os fatos falam por si só.

    Mas eu vou construir uma outra frase:

    “Evidência de tendência é sempre tendência nas evidências!”

    PS: Favor, mostrar que são “céticos” e homens de “ciência” e rebater os argumentos mostrados, e não atacar a minha pessoa.
    Se alguém PROVAR que estou falando alguma “asneiras”, “idiotices”, “que minhas mentalidade é atrasada” como já falaram aqui, eu mudo de opinião na hora, sem problemas e questionamentos.

    • Homero disse:

      Alvaro, sua mentalidade é atrasada, ingênua, tendenciosa, e fala asneiras a rodo. Isso, no entanto, não seria problema, se entre tudo isso houvessem argumentos razoáveis, evidências sólidas e base para as alegações. Não há, e é isso que cansa, mais do mesmo, sempre.

      Vou tentar desenhar, para ver se fica claro.

      Você se especializou em “relatos espantosos”. Parece basear suas crenças no “inexplicável”, no famigerado “deus-das-lacunas”: não sei esplicar algo, ENTÃO posso colocar qualquer explicação que me agrade no lugar, e exigir que seja aceita por todos.

      Não funciona assim. Mesmo que tomemos suas alegações e relatos como reais, e não tomo, ainda não funciona.

      Então a NASA (ah, como pseudo qualquer coisa adoram citar a NASA (embora aleguem detestar e desconfiar da ciência e do método científico..:-) estudou um caso de combustão (relato anedótico) e não pode explicar. Ótimo..:-)

      E daí? A não explicação de algo torna esse algo mágico, sobrenatural? Deus-vulcão, enquanto não se entende o vulcão?

      Existem diversos motivos para não se poder dar uma explicação, nem todos misteriosos. Muitas vezes faltam dados, ou foram comprometidos, ou, mais comum, existe mais de uma explicação plausível, mas nenhuma forma de decidir com certeza qual delas ocorreu.

      Nesse caso, o rigor do método exige que não se ‘escolha” uma, e o caso fica aberto. Não por não haver uma explicação plausível, mas por haver mais, várias as vezes.

      Por exemplo, é um mistério como se construiram as pirâmides, como pedras foram levadas ao topo, não porque não existem explicações, mas porque existem várias, mas nenhuma evidência mais forte a favor de uma delas.

      Você tem crenças, aparentemente uma infinidade delas, e gosta disso, se sente especial, importante, esperto, etc. Não vai abandona-las por qualquer motivo, ainda mais por coisas sem importância como evidências ou método científico..:-)

      É direito seu, claro. Mas ao tentar debater em foruns e sites científicos, céticos, etc, fica cansativo, sempre as mesmas tolices sem base, acusações sem sentido, e distorções diversas.

      Se pelo menos usasse o poder do “QI”, da telepatia, das forças místicas invisíveis, para enviar as mensagens, mas não, tem de usar o fruto do conhecimento científico, que despreza e não acredita, para escrever para o site..:-)

      Isso cansa. É, eu sei, comum, todo site de ciência, de ceticismo, de pensamento racional, tem seu troll de estimação, atacando tudo e todos e “duvidando” do comprovado, e acreditando no improvável..:-)

      Mas que cansa, cansa.

      Homero

      PS: Porque? Porque não freqüentar sites de iguais, que desconfiam da ciência, acreditam em qualquer alegação (usando videos de truques de mágica para “comprovar” a crença), gente que também pensa como você? Por que aqui, com tanta gente “tola e ingênua”?

      É uma dúvida real, eu realmente gostaria de saber o que se passa na mente de quem prefere passar vexame em sites racionais, a procurar apoio nos sites crédulos.

      • Alvaro Rexs disse:

        Eu pergunto mais um vez onde este debilitado do córtex cerebral viu uma palavra escrita por mim neste post alegando “mágica”, “magia” ou similares?

        Homero, seja honesto…

        Toda minha crítica aqui é quanto aos relatórios aceitos como “definitivos” de Kentaro Mori!

        Por favor, seja honesto consigo mesmo! Ou você quer ir para o inferno por ser um menino ruim?

      • Homero disse:

        Alvaro: “Eu pergunto mais um vez onde este debilitado do córtex cerebral viu uma palavra escrita por mim neste post alegando “mágica”, “magia” ou similares?”

        Claro que não escreveu, neste e em outros posts no site, para você é tudo real..:-) Quem está tentando explicar para você que é tudo mágica, truques, erros e enganos (e uma enorme credulidade disfarçada de “ceticismo” por sua parte) sou eu.

        Para você tudo é “misterioso, oculto, sobrenatural, algo que não sabemos, espantoso”, etc. A NASA não pode explicar a combustão? Mistério! Celulares no filme de Chaplin? Mistério!

        Você não tem argumentos, tem lacunas, e uma mente bastante infantil (talvez queira ir estudar na escola de Harry Potter, não sei..:-).

        Não, não falou em mágica..:-) É tudo real, mistérios misteriosos, e o Mori, pobre Mori, sempre enganado..:-)

        Fala sério, não prefere crescer, virar adulto, e entender como funciona a ciência, o método científico, o ceticismo, a razão? Não seria mais útil e menos embaraçoso?

  9. João Vitor disse:

    Como diria Dawkins: “matter flows from place to place and momentary comes together to be you. Some people find that thought disturbing, I find the reality thrilling”. Mais um artigo muito bem escrito, Mori ;)

  10. gilvas disse:

    um texto com boa base técnica e escrita poética. sagan aprovaria.

  11. Guilherme disse:

    Lindo texto, possui um estilo meio que “religioso” para explicar um conceito cientifico. Uma verdadeira poesia que a ciencia nos proporciona, entender a logica da vida.

  12. Alex disse:

    Kentaro, meus parabéns. Poucos conseguem explicitar de forma tão clara e poética, conceitos tão complexos. Este é, sem dúvida alguma, o seu melhor texto.

  13. Luís Brudna disse:

    Parabéns pelo texto.
    Sou um apaixonado pela união entre astronomia e química. :-)

  14. mastercalango disse:

    93!

    “[…]A profundidade da impermanência só se torna mais bela e relevante quando compreendida também através dos olhos da ciência.”

    Eu diria que a ciência é o Entendimento e Compreensão do Conhecimento Universal a partir dos Olhos Humanos. E você está claramente certo quando diz que tudo pode melhorar para o ser humano quando este busca o Saber. Por isso mesmo como um bom Ocultista, sou leitor assíduo do seu Blog.

    Tudo que você escreveu, eu conhecia através de outras idéias, conceitos, nomes, símbolos, mitos… a diferença é que os seus conceitos se referem a coisas puramente “concretas”, como um átomo, rsrs, você pode medi-lo e vê-lo com a tecnologia de hoje; enquanto os meus conceitos se referem a uma Energia Primal que compõe tudo no Universo, que não pode ser vista mas sentida, assim como você sente o Ar nos seus Pulmões. Mas agradeço por me lembrar que TUDO QUE ESTÁ EM CIMA É COMO O QUE ESTÁ EM BAIXO.

    Abraços Fraternos.

    Gaia Uber Alses!

    P.S.: o 93 foi só pra chamar atenção, nem ligo pra essas frescuras thelemitas.

  15. Arlei disse:

    Vida longa ao site!… Penso que todos os animais necessitam de coisas básicas para sobreviver. Comida, água, abrigo contra o frio ou calor… Mas o homo sapiens tem uma necessidade peculiar, quase tão premente quanto as outras: precisa estar fascinado por algo. Quando perde ou não consegue satisfazer esta necessidade, costuma definhar e morrer (ou matar-se). Isso explica porque os homens buscam sempre algo que faça o coração bater mais forte – desde coisas mais mundanas, como sonhos de consumo materiais, aspirações de poder, desejos sexuais ou românticos; até o desejo de crer em algo maior que sua rotina. O desejo de crer no que parece mágico.
    Crer no fantástico traz, inegavelmente, mais cor ao panorama cinzento com que a maior parte das pessoas vê suas próprias vidas. Ás vezes dá esperança, outras apenas excitação e euforia, como uma droga. Parte do apelo das religiões e teorias conspiratórias provém daí.
    Extraterrestres, monstros, fantasmas, poderes de cura, lugares místicos, poderes paranormais, profecias, viagens no tempo… Quase todos os seres humanos são atraídos por temas deste gênero, desde os primeiros registros escritos que se tem notícia. E por incrível que pareça, num mundo tão pleno de informação e debate como o nosso (ao menos em nosso lado do globo), eles não deixam de ser incrivelmente populares e até mesmo ardorosamente defendidos, mesmo por mentes muito mais iluminadas que as de nossos ancestrais.
    Na verdade, não há um contra-senso nisso… É algo atávico, provavelmente mais biológico que cultural. Carl Sagan lembrava, em O Mundo Assombrado pelos Demônios, que o engenho humano trouxe até nós coisas muito mais fantásticas que estas, mas às quais não damos atenção por estarem demais ao nosso alcance: os incríveis avanços da Medicina (na Idade Média, curar uma pneumonia ou transplantar partes do corpo seria considerado bruxaria ou poder espiritual fora do comum), a nossa rede de comunicações (um simples telefone celular seria a maravilha das maravilhas em 1900), nossos meios de transporte (por que ninguém fica fascinado com a mágica de sentar em um aglomerado de metal e, com quatro ou cinco movimentos, ser transportado a mais de 80 km por hora para onde quiser?)…
    Porque sempre precisamos do mais fantástico. Se algum dia extraterrestres nos visitarem e passarem a fazer parte do nosso cotidiano, o fascínio que o tema provoca vai decair rapidamente.
    Confesso que sigo fielmente o “Ceticismo Aberto” e o “Forgetomori” há uns dois anos. E, embora parte dessa fidelidade se deva à qualidade dos textos do Mori, outra parte é o eterno embate entre o Houdini e o Conan Doyle dentro de mim- embora eu seja um cético por princípio, o pequeno verme da fantasia vive a me provocar comichões. Com todo o meu pretenso racionalismo, minha admiração por Sagan, Feynman e o próprio Mori, me pego ás vezes querendo acreditar que alguma daquelas “alegações fantásticas” possa ter um fundo de verdade. Quando percebo, rio de mim mesmo… E percebo que, no meu caso, ser um cético não significa ter a frieza ou a arrogância com que costumam nos acusar. Ao contrário… No fim das contas, por mais paradoxal que seja, sou cético porque (tanto quanto o Mulder) eu “quero acreditar”. Apenas não pretendo ceder a esse desejo ancestral de acreditar, eu tento domá-lo, prendê-lo pelos chifres e dizer: contenha-se, vamos olhar isso com calma.
    Qual a vantagem? Sinceramente, ganhei muito mais com o que me fascinar – ao contrário dos crentes irrestritos, que correm o risco de ver seus mundos caírem (e, por isso, resistem de modo quase truculento à exposição das falácias) a qualquer momento, minha alma também se engrandece com a capacidade humana em questionar e investigar o fantástico – e isso, por si só, é gloriosamente fantástico.
    Parabéns, Mori- e um “muito obrigado” pessoal.

  16. Vargino Kriptônio disse:

    Alvaro Rexs disse: “A matemática é o maior exemplo disso, pois, mesmo sem ser uma ciência, serve de de ferramenta para a maioria delas!”

    Pena que vc Alvaro não fez o dever de casa. Se for ler mais um pouquinho sobre história da ciência veria que a Matemática sempre foi considerada a única ciência pura, a mais nobre de todas as ciências.

    E é uma pena que, enquantos todos estão comentando sobre a bela matéria aqui publicada, vc só tem críticas destrutivas. De onde vem tanto ódio?

  17. Léo Ramos disse:

    acabei de ler um texto maravilhoso, parabéns!

  18. Alvaro Rexs disse:

    Kriptônio,

    Aprenda o conceito de ciência antes.

    Números não existem na natureza, é uma abstração humana.

    Matemática é antes de tudo um sistema lógico, uma ferramenta que auxilia na formulação teórica das ciências práticas!
    O melhor exemplo disso é a Série de Fourier, um modelo matemático que serviu de fundamentação para a construção de circuitos eletrônicos necessários a modulação de ondas de rádios.

    O que fica difícil para mim é aguentar você misturar sentimentos com explanações, demonstrando total ausência de quaisquer argumentos válidos.

    Mas se tiver dúvidas ainda, abro espaço para outros céticos postarem algo sobre o tema (mas ao contrário de você, com conteúdo)…

    Ou se você for o “jênio” que é, desenvolva uma teoria matemática embasada em observações e experimentos, ok? Aí você publica que eu vou tentar reproduzir aqui em casa!

  19. joão barbosa dos santos neto disse:

    Kentaro Mori!Parabéns pela criação do CetisismoAberto. Criou algo sensacional para debates e conhecimentos apaixonados! Tenho 63 anos e quando tinha 14, fui expulso da aula de Catecismo por questionar o porque dos macacos terem condutas sociais e fisicas iguais aos seres humanos!Citar Darwin era apocalipse now. Parabéns!

  20. Douglas H disse:

    Álvaro Rexs,

    Perdoe o meu português ruim.
    ‘Matemática’ (do grego máthēma, pode significar ciência”/”conhecimento”; e mathēmatikós, “apreciador do conhecimento”) é a ciência do raciocínio lógico e abstrato. Nas últimas décadas do séc. XX, o conceito de matemática ficou orientado à ciência que estuda as regularidades (padrões).
    Por isso ela não é um exatamente (ou tão somente) um ‘sistema’, ok?

    Voltando à discussão sobre o caso ‘Jordânia 400ºC’:
    1 – Não é porque um fato ainda não tenha sido explicado significa que ele não poderá ser explicado;
    2 – Essa serve para os fundamentalistas e xiítas, céticos e também ‘crédulos’: a imparcialidade se origina quando se leva em consideração TODAS as possibilidades. O bom senso, o histórico de conhecimento de como os fenômenos físicos se processam fazem um ‘filtro’, e por isso descartamos algumas possibilidades como, por exemplo ‘um dragão invisível que sopra fogo’.

    Não há razão para julgar ninguém aqui neste espaço como possuidor de mentalidade atrasada: cada um de nós percebe o mundo através de um paradigma que inclui a experiência e os próprios valores. Gostaria que houvesse respeito nas discussões. A melhor atitude pessoal é disseminar e discutir as idéias, refletindo sobre os conteúdos próprios e alheios (isso é básico em filosofia).

    A ciência está longe de ser ‘perfeita’. Muitas vezes, apresenta viés político e ideológico, mas pelo menos possui um mecanismo eficiente de auto-correção. Desconheço alguma ferramenta melhor que essa, até agora.

    Não acredito no conceito de ‘sobrenatural’. Para mim, tudo é natural, uma vez que ocorre dentro dos limites do multi-universo conhecido.
    Mas vou dar um exemplo: meu paradigma pessoal me impossibilita, até o momento,
    de acreditar em ‘discos voadores’, mas por uma questão de probabilidade, creio em vida fora da Terra.
    Por isso, acredito que o relato de Kentaro não se baseou em provas e no método científico. Não é prático planejar experimentos para se provar tudo o que existe, e na verdade é até inviável. O que ele usou foi sua razão, conhecimento anterior acumulado para propor possibilidades mais fáceis de acontecer.
    Além disso, como divulgador e mantenedor do site, não acho que ele tem obrigação de provar tudo o que diz. Sua intenção é muito mais provocar uma discussão e interpretação, à favor da ciência.
    Peço à todos que possuam diferentes versões se posicionem (ainda mais nesse espaço democrático), mas por favor, com começo, meio e fim… idéias muito diferentes só são entendidas se conduzidas desde o início, e as vezes por isso crédulos não são levados à sério.
    Pensem no que vão escrever, porque se for algo tão consistente quanto um dragão invisível que solta fogo (estou fazendo um paralelo com o dragão invisível da garagem de Carl Sagan), talvez seja melhor pensar um pouco melhor antes.

    Parabéns ao texto de Kentaro, sou fã de ciência e desse site.

  21. paulo6jr disse:

    A ‘realidade’ parece ser construída por PADRÕES, PARADIGMAS e REFERENCIAIS, elementos estes, produtos da ação, reflexão e interpetração humana, que é falível.
    Então, o método científico…

  22. paulo6jr disse:

    Douglas H.
    C.A. é mais (e muito)INDUTIVO que DEDUTIVO.

  23. Tiburtino Lacerda disse:

    Ótimo texto,no qual fica bem claro a enormidade do Universo e de como tudo, nele, se relaciona e entra em ciclos.Com grande facilidade, deixa explícito como se dá a datação pelo carbono 14.E pensar que os antigos gregos, citados no início do artigo, ao substituírem contínuamente partes do navio de Teseu por madeira nova, estavam, involuntáriamente,transformando em pesadelo,as tentativas futuras de datar esse barco, usando o C14!

  24. auletta disse:

    pena que tem gente que não se comporta como o Kentaro que tenta buscar aquilo que é a realidade : e tem gente que usa suas psicologias filosóficas para desviar a atenção para aquilo que é realidade

  25. Fred disse:

    Esse um dos textos mais interessantes e bem redigidos que li na internet nos últimos tempos… Parabéns!

  26. Sybylla disse:

    Muito bom texto, ótimo! Parabéns!

  27. tiago disse:

    compara a primeira foto com a posição de nossos chacras

    por favor
    obrigado

  28. Kleber José disse:

    Demais cara, demais!! Parabéns!

  29. Gere disse:

    Também acho Deus foda.

  30. Alvaro Rexs disse:

    O problema é que há muito a bíblia é interpretada ao pé da letra, quando na verdade deveriam observar o conteúdo esotérico dela!

    Se tivéssemos acesso ao texto em sua total originalidade (não as cópias monastéricas) muito mais verdades viriam a tona!

    Quando as pessoam lêem “pó” acham que é o pó da terra… Porém se o entendimento for mais além, muitos cientistas notariam uma descrição de toda existência!

    Nem todo conhecimento é experimental científico! Até Einstein dizia:

    “Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar e mergulho no silêncio e a verdade é revelada”

    Quando os cientistas descobrirem que o ser humano, a consciência e a inconsciência são as chaves para todos os mistérios, nossa civilização dará uma passo ainda maior em direção ao futuro!

    A matemática é o maior exemplo disso, pois, mesmo sem ser uma ciência, serve de de ferramenta para a maioria delas!

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