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O Mecanismo de Anticitera

Velikovsky em Colisão

8 de agosto de 2009 Comments (14) Views: 3510 Ciência, Destaques

O Vácuo de Teoria: Consciência Quântica?

John McCrone, capítulo bônus de
Going Inside – a tour around a single moment of consciousness
Tradução gentilmente autorizada pelo autor

Nenhuma busca científica está em mais desordem que o estudo da consciência. Isto pode parecer um julgamento severo, mas compare o progresso das ciências da mente com o avanço rápido da física. Entender o que constitui o Universo deveria ser tão difícil quanto compreender a consciência humana. Mas onde as ciências da mente parecem mal ter feito um progresso nas perguntas profundas de seu campo, as ciências físicas têm sido uma montanha-russa de descobertas. Desde que Galileu e Newton colocaram a bola para rolar, físicos apresentaram choque após choque, das leis da termodinâmica e movimento, passando pela relatividade geral e mecânica quântica até o Big Bang e as teorias de supercordas de hoje. 
Mais que isto, apesar de estar em um estado de revolução conceitual quase ininterrupta, as ciências físicas conseguiram desenvolver uma coerência como disciplina científica. Muitos tipos de investigadores estão envolvidos na busca — astrônomos, físicos de partículas, cosmólogos, matemáticos — mas ao longo de vários séculos eles evoluíram uma cultura comum de explicação. Como o Professor Frackowiak do grupo de escaneamento do Instituto de Neurologia aponta, os físicos podem justificar o gasto de bilhões em aceleradores de partículas, como o Grande acelerador de Hádrons de 27 quilômetros de comprimento do CERN, porque há uma concordância difundida sobre as perguntas que precisam ser feitas e uma idéia satisfatória das respostas a ser esperadas. De fato, os físicos ficaram tão confiantes sobre seu quadro de compreensão compartilhado que passaram a chamá-lo de Modelo Padrão da física de partículas. 
Em contraste, não há quase nenhuma coesão nas ciências da mente e certamente nenhum registro de progresso sólido, cumulativo. Em vez de um Modelo Padrão para a mente, há um vácuo teórico, um vazio conceitual preenchido apenas por argumentos filosóficos ultrapassados e metáforas de computador duvidosas. Em lugar de desenvolver uma cultura comum de explicação, a psicologia e a neurologia permanecem nitidamente divididas, compartilhando pouco além de uma relutância de lidar de cabeça com as grandes perguntas grandes sobre a consciência. 
A psicologia se ocupou nos contrafortes de seu tema, preferindo criar teorias de comportamento ou, no máximo, modelos de computador de hábitos de pensamento isolados e subsistemas mentais. Os psicólogos mediram o desempenho da mente de forma inventiva e exaustiva, entretanto ainda têm que responder pela maquinaria que produz nossa experiência mental. 
A neurologia tem sido até mesmo mais cautelosa. Neurologistas lidam diariamente com a matéria do cérebro que é o material da mente. Mas por uma variedade de razões, não é algo claro para neurologistas tentar estender sua compreensão de anatomia e fisiologia cerebral em direção a teorias modernas de consciência. As razões para isto são complexas. Por muito tempo, tão pouco era conhecido sobre o cérebro que não havia muito que a neurologia poderia dizer de útil. Além disso, a neurologia se via como um braço das ciências médicas. Como uma disciplina, sua primeira responsabilidade era o alívio da doença e do sofrimento humano. Assim a neurologia teve que apresentar uma face pública sóbria, prática. Pesquisadores não podiam permitir ser vistos como sendo motivados por qualquer coisa tão trivial e vã como curiosidade pessoal ou sonhos de grandes teorias. 
A severidade desta proibição não deve ser subestimada. Bastante literalmente, especulação aberta sobre consciência poderia ser o bastante para destruir a carreira de um neurologista promissor. Benjamim Libet, o neurofisiologista californiano cujos experimentos sobre o meio segundo necessário para "formar" consciência que se provará tão central a nossa história, originalmente construiu sua reputação com alguns estudos bem sóbrios sobre mecanismos de descarga de células nervosas. Libet admite que não ousou nem sequer começar suas experiências controversas sobre a cronometragem da experiência mental até que tivesse estabelecido um status seguro como professor de forma que não pudesse ser descartado. E ainda assim, a pressão de seus colegas era tal que durante trinta anos ele manteve silêncio sobre qualquer conclusão teórica que poderia ser obtida de seu trabalho. Libet publicou apenas seus resultados crus, guardando qualquer pensamento privado que ele poderia ter sobre a natureza da consciência para um documento especulativo breve, publicado apenas em 1994, muito depois de sua aposentadoria. 
O contraste em atitude com a física fundamental dificilmente poderia ser maior. Lá, o registro de sucesso do campo criou uma confiança que encoraja a mais liberta especulação. Teorias de Tudo (TOEs, Theory of Everything) abundam. Quanto mais ultrajante uma idéia, isto praticamente a faz mais merecedora de um distintivo de honra. Mas a neurologia — especialmente durante os anos setenta e oitenta — cultivou uma ética de abnegação abstêmia. Apenas alguns neurologistas, ou muito idosos ou muito famosos para se preocuparem, como o prêmio Nobel Sir John Eccles, podiam arriscar sua posição para falar sobre como o cérebro poderia produzir a mente. 
Para sublinhar este truque cultural, só é necessário considerar os nomes daqueles mais conhecidos por propor grandes teorias da mente baseadas no cérebro. Os dois mais proeminentes construtores de teorias recentes, Francis Crick e Gerald Edelman, não são neurologistas por formação. Eles só passaram à neurociência depois de receber prêmios Nobel em outros campos — genética e imunologia — e há pouca dúvida de que foram suas honras, juntas com um descuido saudável pelas convenções sufocantes da neurologia, que tornaram possível a eles falar tão livremente. Igualmente, quase todo outro acadêmico publicamente associado com uma grande teoria da consciência é um intruso — ou um filósofo como Daniel Dennett e Patricia Churchland, ou um matemático e físico como Roger Penrose. 
O credo da neurologia na abnegação é importante porque levanta a pergunta de se explicar a mente é de fato uma tarefa difícil — ou se os cientistas simplesmente não têm tentado de uma forma particularmente organizada. Contudo, também é uma atitude que mudou rapidamente. O desenvolvimento de scanners de cérebro e outras técnicas novas de pesquisa criou um súbito sopro de confiança. Há um rebuliço dentro da área e neurologistas de carreira começaram a especular publicamente sobre os possíveis processos globais do cérebro que poderiam estar por baixo da consciência. Teorizar sobre a consciência tornou-se possível, até mesmo respeitável. 
Esta mudança na moda científica é refletida em uma recente avalanche de conferências especificamente sobre a mente. Christof Koch, um enérgico jovem neurocientista alemão do Instituto de Tecnologia da Califórnia que colaborou com Francis Crick em uma teoria da consciência de "oscilações sincronizadas", diz que até aproximadamente 1992 investigadores sérios só podiam mencionar a palavra que começa com C tarde da noite e depois de muitas cervejas. Mas Koch nota que já em 1994, até a conferência anual da Sociedade para Neurociência dos EUA que atrai mais de 20.000 doutores, psiquiatras e investigadores do cérebro estava fazendo o inconcebível e incluindo uma sessão que tinha consciência em seu tít
ulo: "As coisas relaxaram rapidamente. Você não é mais morto por falar sobre a mente", diz Koch. 
Contudo antes de olhar para o tipo de teorias que estão começando a tomar forma, precisamos dar um passo atrás e considerar o pensamento existente sobre a mente. Quais são as perguntas que, por razões históricas, os acadêmicos julgam importante e quais são as respostas que — certas ou erradas — eles esperam? 
Talvez a melhor oportunidade para revisar rapidamente tanto as correntes de pensamento presentes quanto futuras tenha sido apresentada por uma conferência interdisciplinar corajosa em 1994 no Centro de Ciências Médicas da Universidade do Arizona, em Tucson. O encontro de cinco dias, com o título esperançoso "Rumo a uma Base Científica para a Consciência", atraiu 46 oradores abrangendo de filósofos e teoristas de complexidade a neurobiologistas e físicos quânticos. Para ter certeza que nenhuma visão fosse perdida, havia mesmo alguns analistas Jungianos e pesquisadores de estados alterados de consciência. Então, para aqueles que não tiveram uma chance para falar durante a reunião oficial, havia ainda sessões à tarde — as quais a maioria dos 300 participantes presentes parecia querer aproveitar. 
Um grande número de idéias foi apresentado à conferência, mas delas uma divisão clara emergiu. Oradores tendiam a dois pólos opostos de explicação. Ou eles concebiam a consciência como alguma forma especial de campo — uma presença misteriosa, reflexiva, gerada pelo cérebro ou residindo como uma alma dentro dele — ou eles tratavam a consciência como apenas um processo cerebral — simplesmente o padrão de informação criado sempre que o cérebro funciona. 
Estes pontos de vista opostos, e obviamente ambos têm uma tradição longa em pensamento filosófico, conduziu os oradores a idéias muito diferentes sobre o que há na consciência que precisa ser explicado. Em uma visão, a consciência é vista como algo fluido e sem costuras, um campo inquebrável de energia mental. Este "campo de consciência" pode existir em diferentes graus de força — variando em intensidade entre humanos e animais, ou até mesmo entre sono e vigília — mas de alguma maneira é sempre essencialmente a mesma coisa. O grande enigma então é o que pode ser que permite que esse pedaço mole de carne e sangue que é o nosso cérebro de repente se iluminar com o brilho interno mágico da experiência subjetiva? Deve haver algum truque, algum mecanismo estranho e talvez sobrenatural que negocia a transição de matéria inanimada para mente animada. 
Por outro lado, aqueles que tomam a visão de processo da consciência estão procurando por um tipo bem diferente de explicação. Eles vêem a consciência não como uma coisa, não como um brilho de consciência misterioso, mas sim como uma tapeçaria passageira de conexões nervosas, uma teia temporária de informação criada pelo mapeamento e necessidades de processamento do momento. Nesta visão, falar sobre consciência é como falar sobre o giro de um pião ou o salto de uma bola saltando. A palavra é simplesmente uma descrição do comportamento do sistema, um verbo que diz o que o sistema está fazendo. Tratar a atividade de um sistema como algo com uma existência própria — como se o giro pudesse existir separado do pião, ou a "mente" do cérebro — é cometer um erro lingüístico sério. 
Naturalmente, exatamente a mesma crítica poderia ser feita das faculdades supostas da mente, como memória, pensamento, atenção e emoção. Sendo estritamente preciso, nós só deveríamos falar sobre as ações de lembrar, pensar, assistir e sentir porque todos esses processos só existem no momento que o cérebro estiver executando-os. Um uso imperfeito da linguagem conduziu a uma falsa distinção entre o cérebro e suas ações, ficando tão inveterado em nossa cultura que nós agora achamos difícil tratar a consciência apenas como o "produto do cérebro." 
Ver a consciência como somente um processo neural significa que não há nenhuma necessidade especial por um interruptor psíquico, algum poder ou esquema misterioso que faz o cérebro biológico se ligar com a consciência. A consciência é um fenômeno auto-definido, sendo a soma total de qualquer atividade neural que esteja tomando lugar no cérebro em um momento particular. Longe de ser um campo sem costuras de consciência — uma folha plana de materiais da mente que se ondulam com pensamentos e sensações passageiros — a mente se torna algo bastante periclitante, cheio de afazeres, construída de quaisquer padrões que estejam saltando sobre os circuitos do cérebro em um momento particular. Pensamentos e sensações não passam contra um fundo mental — uma visão que o filósofo, Daniel Dennett, descarta como a falácia de teatro Cartesiana. Ao invés, são todos nossos pensamentos e sensações de um momento, amontoados juntos, que definem nossa consciência. 
Falando sobre esta diferença em estilos conceituais durante um dos intervalos para o almoço na conferência de Tucson, Christof Koch observou que o contraste reside entre os "físicos" e os "biólogos". Alto, magro e hiperativo, como um jogador de basquete de faculdade que debate táticas para o grande jogo, Koch bate na mesa com uma mão para fazer sua observação. Ele diz que os físicos esperam achar o segredo da consciência em alguma grande surpresa fundamental nas leis da natureza. De acordo com as grandes inovações nas ciências básicas, eles acreditam que a resposta deveria ter uma simplicidade profunda e bela. 
Porém, aqueles inclinados à biologia estão acostumados a respostas que são complicadas, até mesmo bagunçadas. Justamente como a vida, eles acreditam que a consciência não é o produto de um único processo ou mecanismo, mas uma imensa profusão de processos. E da mesma maneira que em biologia esta complexidade exige muitos níveis de explicação, de moléculas de DNA até ecossistemas, a mente terá que ser considerada em fileiras múltiplas de teoria. Eventualmente, talvez, poderia ser possível considerar habilmente muito destes detalhes em algum conceito estatístico inteligentemente formulado — muito como a teoria da evolução consegue capturar a dinâmica essencial de sistemas vivos, e a teoria de complexidade está começando a ter algo a dizer sobre sistemas auto-organizados em geral. Mas é tolo pensar na consciência como tendo algum mecanismo central simples. 
É claro, acrescenta Koch, a verdade poderia muito bem ser um pouco de ambos. A mente poderia ser principalmente a soma de suas partes, o jogo de padrões de processamento surfando nos circuitos do cérebro em um certo momento, contudo também poderia haver uma reviravolta na história. Poderia haver algo especial que faria diferença entre os processos do cérebro que resultam em um estado consciente e os muitos outros que nunca alcançam totalmente este nível privilegiado. 
As duas tendências opostas — a física e a biológica, a visão de campo e a visão de processo — são bem fundamentadas na história de tentativas de explicações da mente. No século XVII, a idéia de consciência como algo extra aos fios cegos do cérebro físico estava clara no dualismo do filósofo Rene Descartes — e na visão Cristã da alma humana que Descartes estava procurando defender — enquanto a escola associacionista de filosofia britânica, inspirada por Thomas Hobbes e John Locke, tentava responder por toda vida mental em termos da acumulação de processos orgânicos menores. No século XX a divisão continuou. Várias escolas de pensamento, como a psicologia de Gestalt e o movimento Nova Era, representaram a visão de campo, enquanto o behaviorismo, a ciência cognitiva e o a escola de filosofia Funcionalista têm sido os defensores mais óbvios da visão de processo. 
Em Tucson, os dois pontos de vista estavam presentes em suas versões mais m
odernas e atualizadas. Em torno de metade da conferência foi tomada por um entusiasmo por uma explicação da mecânica quântica da mente, na qual se pensava que regiões do cérebro poderiam se iluminar e se tornar introspectivamente conscientes através de um fenômeno conhecido como coerência quântica. Enquanto isso a outra metade da conferência foi igualmente tomada pela promessa de uma visão orgânica satisfatória da mente sendo encontrada nas ciências novas de rede neural e teoria de complexidade. Estas ciências pareciam mostrar como a ordem surpreendente da mente poderia surgir bastante naturalmente a partir da conexão massiva das bilhões de células nervosas no cérebro. 
Conexionismo Neural é a grande esperança teórica das ciências da mente. Se scanners de cérebro estão fornecendo a evidência experimental crua e a reaproximação entre psicologia e neurologia está criando o clima social necessário para pesquisa produtiva, então é esperado que o conexionismo neural — de alguma forma — seja a teoria em estilo de processo que finalmente explicará a consciência. Porém, antes de apanhar as linhas da história conexionista, vale abordar brevemente a recente moda por explicações da mente baseadas na quântica — se por nenhuma outra razão, para ver por que alguns cientistas poderiam sentir que aqueles scanners de cérebro se mostrarão quase irrelevantes para responder as perguntas realmente profundas sobre a consciência humana. 
O encontro de Tucson — como várias outras conferências de consciência naquele ano — estava elétrico de excitação sobre possíveis teorias quânticas da mente. Durante a sessão de abertura no auditório fracamente iluminado do hospital universitário — ainda mais diminuída comparada à forte luz do deserto na parte de fora — o filósofo da Washington University, David Chalmers, resumiu de forma excelente a atração da conexão quântica quando brincou: "A consciência é um mistério, a mecânica quântica é um mistério. Quando você tem dois mistérios, bem, talvez haja apenas um. Talvez eles sejam a mesma coisa." 
A sugestão de que o mundo estranho do quantum poderia conter uma resposta para a consciência é uma idéia com uma história longa. Pensamentos na possibilidade datam pelo menos tão cedo quanto um livro, Quantum Theory, escrito pelo físico David Bohm em 1951. Porém, em anos recentes a especulação se espalhou ao ponto onde se tornou quase uma crença popular. O que mais, perguntam vários pensadores, incluindo Roger Penrose — o matemático de Oxford que ganhou fama com seu trabalho em mosaicos geométricos e buracos negros — poderia explicar aspectos da mente como livre arbítrio, intuição, criatividade e a unidade subjetiva de experiência? 
A física quântica pinta um quadro estranho do universo. De acordo com suas equações, matéria e energia têm duas faces, às vezes se comportando como partículas e às vezes como ondas. A face particular que elas mostram depende completamente do modo como são medidas. O resultado estranho desta dualidade fundamental é que matéria e energia são indeterminadas em muitas de suas qualidades, como velocidade, posição e giro, até que sejam fixadas pelo ato de medida. É como se elétrons e fótons estivessem borrados pelo espaço e tempo, explorando toda a gama de possíveis valores abertos a eles, até que alguém vem com uma sonda e os colapsa em um estado definido de ser. 
Até mesmo mais paradoxalmente, quando dois objetos de quantum são o produto da mesma interação — tal como o par de raios gama emitidos durante a aniquilação pósitron-elétron que é a base das medidas do escaneamento PET — eles "ficam em contato" de forma que medir um determinará todas as qualidades do outro. Não importa quão distantes os dois quanta possam voar — um par de raios de gama de uma experiência PET poderia ser deixado para se separar em direções opostas pela galáxia por milhões de anos — de alguma maneira medir um fixaria imediatamente o outro. Esta interação não-local, ou coerência quântica, parece violar a teoria da relatividade de Einstein e sua proibição de qualquer evento acontecer mais rápido que a velocidade da luz. É como se a partícula gêmea "soubesse" imediatamente sobre a medida, ou como se o ato futuro de medida tivesse sido predito de alguma maneira no momento em que os raios separaram. 
Enquanto tais estranhezas tornam a física quântica difícil de aceitar, matematicamente é uma visão do Universo que funciona excepcionalmente bem. Usando uma ferramenta estatística conhecida como uma função de onda, é possível descrever o estado espalhado de um elétron ou raio gama com precisão total. A função de onda fornece um mapa de probabilidades, assim enquanto nós não podemos dizer exatamente onde um quantum não-medido está em qualquer momento particular, podemos dizer quão provável seria achá-lo lá e também quão rápido estaria movendo e que tipo de giro seria provável que tivesse. Uma das características importantes de tais equações de função de onda é que elas podem ser usadas não só para descrever o envoltório de possibilidades contendo uma partícula individual, mas também para descrever sistemas inteiros, como átomos, moléculas, e alguns físicos diriam, até mesmo o cérebro ou o próprio Universo inteiro. 
Há muitos modos de interpretar os enigmas da física quântica. Em uma visão, as dificuldades se originam de tentar preservar a idéia da partícula quando em realidade a única coisa que existe ao nível subatômico de efeitos quânticos são ondulações no tecido do espaço-tempo. Às vezes estas ondulações parecem se comportar como partículas — suas cristas se cruzam, criando o que parecem movimentos e colisões. Mas a energia e massa de tal onda permanecem incertas. Isto é o que torna impossível medir a posição e velocidade de uma "partícula" com qualquer exatidão. 
O problema da medida é algo como pedir para um observador vendado descobrir o paradeiro de uma ondulação em uma tigela de água. O observador pode colocar um dedo na água e esperar até a ondulação acabar atingindo-o — isto dá um local exato para a onda, mas a cronometragem do evento se torna imprevisível — ou ele pode decidir que quer saber imediatamente, sem esperar, se uma ondulação está acontecendo, e assim ele coloca sua palma inteira sobre a superfície da água. Neste caso, um tempo preciso pode ser atribuído ao evento, mas seu local fica imprevisível. A escolha da sondagem determina qual aspecto da ondulação pode ser medido com precisão. 
Porém, outros interpretaram as estranhezas da física quântica de forma muito diferente e acreditam que não são nossas tentativas de preservar a ficção de partículas subatômicas que estão erradas, mas ao invés o problema do observador tem alguma ligação profunda, misteriosa com a consciência humana. A física quântica parece dizer que toda partícula existe como um monte de possibilidades superopostas — um borrão não resolvido de energias seguindo todo caminho possível — até que haja um ato de medida para "colapsar a função de onda". Alguns físicos acreditam que uma interação de uma partícula com outra — como uma colisão ou um evento de aniquilação — é suficiente para contar como uma observação (com, é claro, cada colapso abrindo um rastro fresco de possibilidades quânticas, descritas por uma função de onda completamente nova). Mas vários físicos acreditam que partículas só se tornam "reais" como o resultado de uma observação humana. É apenas quando um observador humano sabe — se tornou consciente — do resultado de uma experiência quântica que uma função de onda de fato colapsa. 
Levando este argumento ao extremo, o Universo parece requerer testemunhas humanas até mesmo para existir. Antes da mente humana surgir, presume-se que o Universo deve ter vagado em uma espuma não resolvid
a de possibilidades. Mas agora — felizmente – a evolução da vida humana sensciente o colapsou em forma! 
A cultura especulativa, libertária, encorajada nos meios da física fundamental significa que, como a Rainha em Alice Através do Espelho, muitos físicos parecem se encantar em acreditar em sete coisas impossíveis antes do café da manhã. Mas até mesmo aqueles que acham demais pensar que o universo poderia se dobrar pelo fato da existência humana ainda sentem que os paradoxos da teoria quântica são sugestivos de algo sobre nossa consciência. Justamente como um sistema quântico, a mente humana criativa parece provar muitos caminhos e resultados, correndo à frente de si mesmo com palpites e intuições antes de colapsar sua "função de onda" para formar o estado resolvido que é nosso fluxo lógico, focalizado de pensamento. Parece plausível que a consciência humana poderia ser o resultado do cérebro descobrir, durante o curso da evolução, como lidar com efeitos quânticos sutis. Enquanto o cérebro de um animal mais simples pode ser verdadeiramente um autômato, não mais que um computador biológico cego, com nós mesmos — e talvez alguns dos animais mais desenvolvidos — foram encontrados caminhos para formar um campo de coerência quântica envolvendo todo o cérebro, globalmente consciente. 
A atração da analogia quântica é óbvia. Todos nós temos um tremendo desejo de entender aquele mais pessoal dos mistérios da vida: como nós nos encontramos como um brilho pequeno de compreensão, sentindo a consciência trancada dentro de uma construção mortal de carne, cabelo e osso. Mas quando olhamos aos últimos séculos de ciência e filosofia, não obtemos muitas respostas. Pior ainda, as teorias oficiais, até onde vão, são desespiritualmente mecanicistas, tratando os humanos como pacotes de reflexos ou máquinas calculadoras vazias. Elas não nos contam o que realmente queremos saber: como nós ajustamos um panorama contínuo de sensações, sentimentos e idéias dentro de nossas cabeças? O que nos dá o senso de um ego que tem sentimentos, planos e desejos? 
Não apenas a física quântica parece oferecer uma pronta resposta para o modo como os circuitos sombrios de mecanismo de relógio do cérebro poderiam se iluminar de repente com os fogos da consciência, ela também parece automaticamente responder por algumas das qualidades especiais que nós associamos com o ser humano, como criatividade, imprevisibilidade e liberdade de ação. Quanto mais os cientistas cognitivos tentam nos enganar com fluxogramas de computador, ou neurologistas com diagramas de circuitos enroscados de plasma, mais urgimos por uma explicação que seja simples, mas ampla em alcance. Esqueça dos detalhes prolixos de processos neurais, dizemos, simplesmente nos conte que mecanismo faz a consciência surgir dentro de nossas cabeças. 
O fim dos anos 80 assistiu a uma explosão de escritores defendendo a idéia da consciência quântica. Em Margins of Reality, publicado em 1987, o físico e parapsicologista da Universidade de Princeton, Robert Jahn, afirmou que a física quântica podia não só explicar a mente, mas poderes psíquicos também. Em 1989, o filósofo de Oxford, Michael Lockwood, escreveu um tomo denso e influente, Mind, Brain and the Quantum. No ano seguinte, a escritora religiosa inglesa, Danah Zohar, foi da onda promissora de teorias de consciência quântica ao reino do best-seller com seu livro, The Quantum Self, baseado em teorias avançadas pelo seu marido psiquiatra, Ninian Marshall. Porém a publicação que realmente criou interesse amplo na idéia de consciência quântica foi o livro de Roger Penrose, The Emperor’s New Mind, que apareceu em 1989. 
Um homem pequeno em seus anos sessenta anos, com um volumoso cabelo castanho, roupas amarrotadas do "professor aloprado" e olhos alertas, Penrose causou mais impressão por causa de sua posição como um cientista do que pela claridade de suas teorias. Penrose é amplamente reconhecido como um dos grandes matemáticos e cosmólogos dos últimos quarenta anos. Assim, se ele pensava que a mente poderia quântica em natureza, os revisores e colegas cientistas estavam prontos para escutar respeitosamente. 
Porém, como muitos outros defensores da consciência quântica, a teoria de Penrose faltava em detalhes. Ele falou sobre as analogias sugestivas entre sistemas quânticos e a mente, mas teve pouco a dizer sobre como a estrutura biológica do cérebro poderia estar de fato lidando com efeitos quânticos para gerar um campo de consciência humana criativa. Sem alguma hipótese sobre o mecanismo que poderia atravessar a distância entre o reino subatômico no qual efeitos quânticos imperam e os processos de escala molecular que controlam a ativação de células do cérebro, a abordagem quântica era pouco mais que um palpite vago. 
A incompatibilidade óbvia em escala — uma diferença de pelo menos uma dúzia de ordens de magnitude — é o que levou a maioria dos cientistas ortodoxos a descartar a especulação quântica. Não há nenhuma dúvida de que as células do cérebro são feitas de átomos e que átomos, por sua vez, são governados em uma escala menor pelas equações da física quântica. Entretanto pareceria que as flutuações de nível quântico não poderiam afetar a atividade metabólica total de um neurônio mais que nosso pular no chão poderia inclinar a Terra de sua órbita. Contudo, na época em que a conferência sobre a consciência de Tucson teve lugar em 1994, o campo quântico tinha tido tempo para dar muito pensamento à possível natureza do mecanismo que faltava. Alguns até sentiam que tinham a resposta e que a estrutura da célula responsável por ampliar os efeitos quânticos era uma molécula de proteína em forma de tubo vazio conhecida como microtúbulo. 
Microtúbulos são moléculas cilíndricas feitas colando 13 cadeias de proteínas juntas, as tubulinas, para fazer um tubo de 25 nanômetros de comprimento, com um canal central de aproximadamente 15 nanômetros de diâmetro. Cada microtúbulo está coberto por uma penugem de tocos de proteína, conhecido como MAPs (microtúbulo associated proteins, proteínas associadas a microtúbulos), e estas podem ser usadas para enganchar agrupamentos de microtúbulos juntos em redes maiores. Microtúbulos e MAPs parecem ser capazes de uma certa quantidade de movimento, significando que podem ser tecidos em estruturas plásticas, capazes de ceder e dobrar. 
As propriedades estruturais de montagens de microtúbulos fazem deles um valioso material de construção dentro das células. Por exemplo, um grupo de 20 microtúbulos forma o cílio parecido com cabelo que pulsa, que cobre a superfície de muitos animais unicelulares pequenos permitindo-lhes nadar. Porém o uso principal para microtúbulos parece ser fazer um esqueleto interno para células — um andaime intrincado que dá para uma célula sua forma, mas também pode se deformar e dobrar o bastante para permitir que se mova.
A existência do citoesqueleto do microtúbulo só foi descoberta relativamente recentemente nos anos 70 — previamente as substâncias químicas fixadoras usadas em microscopia eletrônica tinham o efeito infeliz de dissolver os túbulos — assim os biólogos ainda têm muito a aprender sobre o que o citoesqueleto faz e como opera. Contudo os biólogos acreditam que ele não só mantém a célula em sua forma, mas também que desempenha um papel importante no metabolismo celular, agindo como um sistema de encanamento ou uma rodovia interna para mover plasma e outros produtos essenciais dentro da célula. Alguns sugeriram que os microtúbulos poderiam fazer isto usando os seus fios de MAP para arrastar o protoplasma celular, mão a mão, em uma brigada de miniatura ao longo dos lados de um túbulo. 
Também há evidência de que o citoesqueleto poderia servir como um cérebro primitivo. Há muito os biólogos têm se intrigado em como um animal unicelular simples, como o
paramécio em forma de chinelo, pode se comportar tão inteligentemente quando não tem nenhum sistema nervoso. Um paramécio é surpreendentemente ágil enquanto nada ao redor nos detritos ao fundo do lago, torcendo-se para dentro e fora de espaços apertados à procura de seu jantar. De alguma maneira o protozoário consegue responder rapidamente à informação que entra de um ponto sensível à luz e seus cílios sensíveis a toque para coordenar sua ação natatória. Vários biólogos especularam que o citoesqueleto poderia servir como a comunicação e ligação de processamento de informação necessária para organizar tal comportamento relativamente complexo. 
Esta sugestão particular de que o citoesqueleto poderia ser um "cérebro dentro do cérebro" excitou os teoristas quânticos. Ao procurar por uma estrutura da célula satisfatória para operar como um elo, conectando o reino subatômico com o mundo macroscópico de células cerebrais fulgurando, alguns teoristas têm considerado que as membranas nas junções sinápticas entre as células nervosas poderiam ser o local de interações quânticas. Outros tinham imaginado se os canais de íon abaixo dos flancos de neurônios poderiam ser regidos por efeitos quânticos. Mas, rapidamente, os microtúbulos começaram a parecer uma aposta muito melhor. Enquanto os microtúbulos não são exclusividade dos neurônios, eles são encontrados neles em particular abundância (um fato que não pega de surpresa os neurologistas dado que as células nervosas estão tão metabolicamente ativas, e microtúbulos parecem essenciais à atividade metabólica). Além disso, acredita-se que a velocidade à qual os microtúbulos podem trocar de estado entre relaxamento e contração esteja na ordem de um nanosegundo. Isto pode ser lento pelas escalas de tempo habituais de eventos quânticos, mas é aproximadamente um milhão de vezes mais rápido que os eventos de ativação de células normalmente considerados como estando por trás da consciência, e assim pelo menos parece atingir a biologia do sistema a pouca distância de uma explicação quântica. 
À conferência de Tucson, um número impressionante de oradores surgiu discutindo a história do microtúbulo. Porém, enquanto a semana continuou, ficou claro que a pessoa realmente por trás da maioria desta especulação era de fato a organizadora da conferência, o anestesiologista da Universidade do Arizona, Stuart Hameroff. 
Hameroff é um tipo incomum de pessoa para ser encontrado no campo da consciência. A relutância extrema da maioria dos cientistas ortodoxos de especular sobre a mente significa que os acadêmicos que de fato arriscam suas carreiras e reputações pondo suas cabeças sobre o parapeito tendem a ter algum motivo especial que os dirige. Eles têm uma única idéia grande, uma grande convicção que eles sentem que devem levar ao mundo. 
Um exemplo deste tipo de teorista de consciência é o neurocientista da Universidade de Radfor, Karl Pribram. Pribram é um dos grandes homens da neurologia, uma pequena figura com cabelos de Papai-Noel e olhos cintilando. Nos anos sessenta, Pribram foi impressionado pela invenção da holografia, um modo de armazenar imagens fotográficas onde a luz laser é usada para colapsar uma imagem tridimensional em uma superfície bidimensional. Quando um laser é jogado novamente sobre a superfície, a imagem é trazida de volta à vida tridimensional. Como uma invenção tecnológica, a holografia parecia mágica o bastante. Mas uma característica especial de um holograma é que a imagem é distribuída uniformemente sobre toda a superfície do filme. Isto significa que mesmo se o filme estiver cortado em pedaços minúsculos, qualquer pedaço pode ser usado para regenerar a imagem inteira. A única coisa que acontece é que a imagem fica mais borrada, perdendo clareza de detalhes à medida que os pedaços ficam menores. 
Pribram pensou que este armazenamento de informação em todo lugar e ao mesmo tempo em lugar nenhum era exatamente como no cérebro. Sabia-se, tanto de experimentos com lesões relacionadas a derrames e cirurgia cerebral, que cortar pedaços do cérebro parecia ter notavelmente pouco efeito. Você poderia degradar o nível geral de desempenho, mas raramente faria o dano parecer destruir recordações ou habilidades mentais específicas. Na realidade, desde então isto provou ser um exagero — como será visto, lesão cerebral pode extirpar componentes muito precisos da experiência consciente. A razão por que os neurologistas anteriores perderam isto de vista é que o cérebro tem uma certa capacidade de se consertar e também que os pacientes com lesão cerebral normalmente acham modos de mascarar alguns dos problemas que estão tendo. Mas na ocasião parecia a Pribram que a mente poderia ser algum tipo de campo holográfico gerado pelo cérebro e ele gastou muitos anos buscando modos pelos quais um tecido nervoso poderia armazenar imagens e memórias holográficas. 
Trinta anos se passaram, e Pribram estava na conferência de Tucson, ainda insistindo em sua teoria holográfica. Brandindo uma cópia de sua obra-prima de 1971, Languages of the Brain, Pribram abriu sua conferência descrevendo a si mesmo como infame simplesmente por ousar ter uma teoria sobre a consciência. Ele procedeu então para citar uma passagem severa de Francis Crick que escreveu que as teorias holográficas só eram levadas a sério por aqueles que sabiam muito pouco sobre neurologia ou hologramas. Percorrendo seus olhos pela audiência, Pribram suspirou: "Pessoas como Francis Crick pensam que eu estou louco, é claro". Claramente, os anos de embates verbais com seus colegas mais ortodoxos tinham cobrado seu preço, mas se qualquer coisa Pribram parecia até mesmo mais profundamente seguro de suas convicções holográficas. 
Vários outros nomes na cena da consciência se ativeram às suas próprias grandes idéias, e faziam figuras similarmente solitárias nos mares hostis da ortodoxia. Mas Hameroff é um tipo muito diferente de animal científico, ele é alguém movido mais pela ambição de ter sucesso do que por uma idéia fixa. 
Hameroff não faz nenhum segredo do fato de que quer ser visto como um grande jogador na caça aos segredos da consciência. Mas como um humilde anestesiologista de hospital, ele começa de uma posição bastante fraca. A natureza desunida, tímida a teorias das ciências da mente significa que ela falhou em evoluir uma meritocracia organizada de idéias. Não há nenhuma peneira institucional que assegura que teorias boas sejam promovidas e teorias ruins rapidamente descartadas. Ao invés, até alguns anos atrás, havia apenas uma intolerância geral sobre teorização. Nesta atmosfera só os já famosos — os premiado com o Nobel e alguns determinados psicólogos de alta-posição — poderiam quebrar o tabu. O sistema era mais feudal que democrático. Mas jogando os jogos políticos da academia habilmente — cultivando alianças com as pessoas certas e agarrando-se a uma idéia quente — Hameroff conseguiu se unir aos poucos privilegiados na ribalta. 
Uma figura atarracada, casualmente vestida e mantendo um cavanhaque cinzento esmerado e um rabo de cavalo, Hameroff parece uma pessoa a quem é fácil se apessoar. Onde a maioria dos acadêmicos se agita com insegurança ao menor desprezo a suas teorias preferidas, até mesmo ataques profundos parecem sair suavemente de Hameroff. Ele sempre põe uma mão amigável no ombros de seus oponentes, buscando transformar seus críticos em adversários honrados e, talvez um dia, aliados compreensivos. 
A astúcia política de Hameroff foi demonstrada em sua organização da conferência de Tucson. Sensivelmente — mas corajosamente dada a hostilidade e ciúme que freqüentemente separam os vários ramos da ciência — ele reuniu uma ampla diversidade de opinião sobre o que a consciência poderia ser. Ele convidou figuras antigas como Karl Pribram e Benjamim Libet, assim como algumas das
principais luzes do campo do conexionismo neural, como Christof Koch, John Taylor e Walter Freeman. Ele convidou filósofos, imageadores de cérebro, biólogos moleculares e mesmo teoristas de complexidade e matemáticos do Instituto Santa Fé e dos Laboratórios Los Alamos, na fronteira do Novo México. Porém, a conferência também permitiu que Hameroff se reunisse com seus amigos e desse a exibição intelectual perfeita à sua abordagem de microtúbulos quânticos para explicar a consciência. 
A intuição de Hameroff por uma idéia quente o tinha conduzido naturalmente a microtúbulos e física quântica. Como um investigador ambicioso, Hameroff já estava interessado em microtúbulos simplesmente pelo papel que poderiam ter no metabolismo celular geral e para a anestesia. Surpreendentemente, pouco é conhecido sobre como anestésicos médicos têm seu efeito. Acredita-se que drogas como clorofórmio e éter provavelmente se dissolvem na proteína gordurosa de células do cérebro, temporariamente interrompendo a operação das células fazendo assim uma pessoa inconsciente. Porém, anestesiologistas estão incertos sobre quais estruturas de proteína poderiam ser o alvo. Alguns pensam que poderiam ser as membranas que cobrem as extremidades dos nervos, mas outros, como Hameroff, pensam que microtúbulos são um candidato melhor. 
Hameroff fez seu nome nos círculos médicos com sua hipótese de microtúbulos. Mas ele sempre teve vontade de fazer parte de um jogo maior, e quando elevou sua visão, imaginando onde poderia fazer um trabalho significante nos mecanismos da consciência — ao invés dos da inconsciência — microtúbulos estavam naturalmente destacados em seus pensamentos. A prova conclusiva para Hameroff era o comportamento coordenado exibido pelo paramécio unicelular. Ocorreu-lhe que se concentrando nos padrões de conexões entre células nervosas, o resto da ciência poderia estar perdendo outro nível de computação conexionista dentro de cada célula. Hameroff não foi nem o primeiro nem a única pessoa a pensar ao longo destas linhas. Na ocasião, pelo menos três outros investigadores tinham publicado documentos especulativos sobre como microtúbulos poderiam executar algum tipo de processamento de informação dentro das células. Mas os outros não acompanharam o vigor com que Hameroff adotou a idéia. 
Uma vez que tinha começado a pesquisar mais profundamente em teorias correntes sobre a consciência, Hameroff logo ficou intrigado pelas analogias quânticas sendo sugeridas por vários grandes pensadores. Como outros observando a corrente principal de pensamento psicológico das linhas secundárias durante o fim dos anos 80, Hameroff sentia que era óbvio que a ciência cognitiva estava trilhando o caminho errado ao tratar a mente humana como uma computação mecanicista. A consciência simplesmente não parece um monte de cálculos. Tinha muita coerência, muita vontade brilhante. Devia haver algo extra em andamento que permitia à fiação elétrica morta do cérebro se iluminar com um brilho de consciência. 
Armado com estes palpites básicos, Hameroff começou a buscar colaboradores e a publicar trabalhos energicamente. Uma das primeiras teorias de microtúbulo que Hameroff desenvolveu (inicialmente com um colega anestesiologista da Universidade do Arizona, Richard Watts, e depois com um grupo maior incluindo Steen Rasmussen de Los Alamos) acabou mostrando não ter nenhuma conexão quântica clara no começo. A idéia de Hameroff era que a superfície de microtúbulos poderia ser capaz de ondular de um certo modo que lhes permitiria agir como minúsculos computadores autômatos celulares. 
Um autômato celular é uma forma de computar familiar a muitas pessoas que conhecem o programa "Game of Life". A área de exibição de uma tela de computador é dividida em uma grade de quadrados. Cada um destes quadrados, ou células, está ou iluminado ou escuro, vivo ou morto, de acordo com um conjunto simples de regras. Em um programa típico, uma célula olhará para o estado de seus vizinhos mais próximos e decidirá que se um certo número deles estiver vivo, então também deve estar. Mas se muitos vizinhos estão ligados, a célula morrerá de "superpopulação", ou se muitos estiverem apagados, morrerá de "solidão". Toda célula toma uma decisão regida identicamente exatamente ao mesmo tempo de forma que com cada pulso do relógio interno do computador, as células trocam de estado em harmonia de acordo com a atividade ao redor delas. 
Tal sistema soa ridiculamente simples, mas se as regras são ajustadas corretamente, a tela do computador ganha vida, exibindo padrões como ondas de mensagens passando pela superfície. Mude as regras apenas ligeiramente e uma onda vagando pode desmoronar em uma mancha fixa. Mude-as novamente e a mancha pode vagar pela tela como um "planador" em forma de seta, ou começar a sugar padrões circunvizinhos como um buraco negro. O matemático britânico, John Conway, inventou o Game of Life nos anos sessenta, mas o jogo logo mostrou ser mais que apenas um truque de festa divertido. Cientistas da computação mostraram como estes padrões auto-propagantes poderiam ser usados para efetuar cálculos sofisticados, os planadores representando dados e as estruturas estacionárias funcionando como uma forma de armazenamento de memória. 
Buscando um modo pelo qual estruturas de microtúbulos poderiam efetuar processamento de informação, Hameroff sabia que elas não podiam funcionar como nervos, usando ondas de despolarização elétrica e liberação de mensagens neurotransmissoras nas junções sinápticas. Admitidamente, era como um pulo de ficção científica, mas Hameroff imaginou se ao invés disso os microtúbulos poderiam estar transmitindo padrões de autômatos celulares em sua parte externa. 
Hameroff notou que as paredes de um microtúbulo são compostas de cadeias de uma proteína em forma de C curta e grossa, e cada um destes blocos de construção em forma de C era, por sua vez, delicadamente equilibrado entre uma posição aberta e fechada. As moléculas poderiam se fechar, trocando de estado, na ordem de um nanosegundo. Este movimento de flexão era considerado como sendo o que permitia que microtúbulos se torcessem e contraíssem, e assim batessem quando reunidos como cílios. Mas e se estas moléculas trocando de estado fizessem mais, coordenando seu comportamento de um modo limitado por regras que lhes permitisse propagar ondas de padrões de autômatos celulares, Hameroff perguntou. 
A idéia de que reações em cadeia de atividade poderiam passar ao longo de estruturas de microtúbulos parecia plausível, já que certamente ajudaria a explicar como os cílios podiam bater com tal regularidade, ou como o citoesqueleto dentro de células poderia empurrar o plasma. Mas computar era outro assunto. Esta idéia tinha uma falta porque para manter um padrão de autômato celular, toda célula precisa trocar estado na batida de um relógio interno. A menos que a atividade fosse precisamente sincronizada, qualquer padrão se degeneraria rapidamente em um caos irreconhecível. 
Esta necessidade de um relógio regulador conduziu Hameroff ao trabalho altamente controverso do biofísico da Universidade de Liverpool, Herbert Frohlich. Nos anos setenta, Frohlich sugeriu que o que comandava a vibração de uma molécula de proteína poderia ser um dipolo oscilante interno. Estrategicamente colocado ao ponto de dobra de uma molécula grande, como a molécula de tubulina em forma de C, poderia estar um único elétron ou região de carga apanhado. Quando este elétron fazia uma troca quântica de posição — um salto quântico pela barreira da dobra para um ponto no outro lado — a mudança no equilíbrio de forças eletrostáticas poderia ser o bastante para lançar a proteína inteira em uma forma diferente. Frohlich foi mais adiante e propôs que as membranas celulares poderiam criar uma situação onde toda uma
série de tais dipolos delicadamente equilibrados se enfileirariam como agulhas de bússola em um campo magnético levando a um estado quântico coerente em macroescala. 
Tal alinhamento de grande escala produzindo um único sistema quântico determinado pela mesma equação de função de onda é bem conhecido à física de fenômenos como o laser e a supercondutividade. Mas a maioria dos cientistas rejeita a idéia de que o mesmo tipo de coerência poderia ser alcançado no reino quente e pegajoso das moléculas orgânicas. Sem se deter com isso, Hameroff defendeu que microtúbulos têm as dimensões certas e estrutura quasi-cristalina para gerar as regiões passageiras de coerência quântica necessárias para manter vibrando as moléculas de tubulina em passos, tornando a idéia de autômatos celulares teoricamente possível. 
Saltando à frente para como computações de autômatos celulares poderiam conduzir a processos de nível consciente, Hameroff diz que pensamentos e imagens mentais podem emergir quando a coerência entre os padrões que ondulam ao longo das paredes de uma rede de microtúbulos alcança um certo nível crítico. Memórias poderiam ser armazenadas como padrões de onda estacionários congelados na superfície de microtúbulos. Pensamento criativo e intuição poderiam ser o resultado de explorar os grupos de microtúbulos que são freqüentemente achados correndo em paralelo em células nervosas — uma superposição, ou espalhamento quântico de possibilidades permitindo ao grupo "explorar" muitos estados antes de acabar colapsando em uma solução favorita. 
Hameroff concorda que atribuir tais poderes aos microtúbulos leva à conclusão de que até mesmo paramécios — ou as células em seu dedão — estão em algum senso conscientes. Mas ele diz que as células do cérebro provavelmente também têm formas únicas de organização de microtúbulos e a estrutura global do cérebro faz uma diferença grande às propriedades gerais do sistema. As habilidades mais altas que caracterizam a mente humana só poderiam ter emergido uma vez que os microtúbulos estivessem reunidos do jeito certo. 
Para muitos comparecendo à conferência de Tucson, a teoria de autômatos celulares de Hameroff sobre a consciência parecia simplesmente maluca. Christof Koch reclamou que Hameroff estava construindo suposição sobre suposição. Alguém sabia se as moléculas em forma de C das tubulinas vibravam, ou se vibravam sob o controle de uma dobra quântica, ou se se ligavam para enviar ondas de padrões pelas paredes dos túbulos, Koch e outros perguntavam? Juntar tal bagunça insubstanciada de idéias em uma super-teoria da consciência era simplesmente pedir para ser chamado de excêntrico. 
Reputações são importantes na ciência. Em um mundo onde concessões de pesquisa e posições consideradas são cada vez mais difíceis de obter, poucos investigadores podem se dispor a arriscar serem classificados como irresponsáveis. O colaborador chave de Hameroff na teoria de autômato celular, Steen Rasmussen, um grande nome nas ciências novas de complexidade, adotou uma posição discreta na conferência de Tucson. Rasmussen parecia tratar as idéias como um interessante trabalho de exercício técnico sobre o que poderia ser, em lugar de uma alegação sobre o que era. Mas Hameroff mostrou pouco de tal precaução. Realmente, em uma exibição quase indecente de promiscuidade intelectual, descobriu-se que Hameroff também não ficaria aborrecido se sua idéia de autômato celular fracassasse porque tinha várias outras teorias de consciência com microtúbulos quânticos em sua manga — teorias que ele estava preparado para defender com igual vigor. 
Uma segunda idéia igualmente surpreendente de Hameroff era que a rede de microtúbulos dentro das células poderia se comportar como um computador óptico, usando pulsos de luz para representar informação! Novamente, estados de coerência quântica como os de Frohlich dentro de microtúbulos seriam necessários para criar as condições certas. Mas neste caso, a teoria seria que moléculas de água dentro do canal central de um microtúbulo — ou possivelmente firmemente ligadas por forças eletrostáticas à superfície exterior de um túbulo que ficariam alinhadas em um campo eletromagnético quantizado. Hameroff defende que há bastante teoria física para sugerir que em tal estado ligado ou estruturado a água emitirá fótons e estes se propagariam pelo microtúbulo sem absorção. Em efeito, os tubos de proteína apertariam energia de luz coerente da água apanhada, como lasers orgânicos minúsculos, e então canalizariam a luz por rodovias e caminhos de desvio do citoesqueleto de uma célula. 
Hameroff desenvolveu sua teoria de computador óptico quântico com vários colaboradores incluindo Mari Jibu e Kunio Yasue da Universidade Notre Dame Seishin no Japão, e Scott Hagan da Universidade McGill no Canadá. Mas novamente, há muito pouca evidência de que quaisquer dos supostos blocos de construção da teoria estão em lugar, muito menos que computação de microtúbulos pode servir como uma explicação da consciência. As teorias de Frohlich de coerência quântica em larga escala em sistemas biológicos são amplamente contestadas e os físicos têm procurado evidência de tais campos durante 20 anos. Além disso, há boa razão para acreditar a partir da física estabelecida que o alinhamento delicado de campos magnéticos requerido pelas teorias de Frohlich seria impossível nas temperaturas relativamente quentes de tecidos vivos. Coerência quântica em grande escala só é encontrada em sistemas muito frios e altamente ordenados, como em metais que foram esfriados à temperatura do hélio líquido e assim se tornam supercondutores, ou em um sistema de energia pura poderosamente alimentado, como um laser. Parece certo à maioria dos físicos que dentro do interior quente, como a sopa de uma célula, o empurra-empurra constante de movimentos térmicos fortuitos rapidamente quebraria mesmo momentos passageiros de alinhamento quântico. 
Físicos podem achar dúzias de outras razões para rejeitar as idéias de computador ópticas de Hameroff. Não há nenhuma evidência de que haja água estruturada dentro de microtúbulos. Não há nenhuma evidência de que água estruturada emita fótons. Não há nenhuma razão para pensar que microtúbulos poderiam confinar tais fótons e poderiam canalizá-los a destinos distantes mesmo que existissem. Virtualmente toda ligação no argumento de Hameroff parece ser pura especulação. Em reuniões de corredor e intervalos para o café durante a conferência, céticos estavam expondo sua descrença nos vôos incontidos de fantasia dele. 
Mas ainda destemido, Hameroff continuou. Não só ele expôs sem hesitação suas teorias — sua conferência era sem dúvida a mais aberta da conferência, completa com animações de computador de moléculas de tubulina vibrando — mas ele continuou para estender sua colcha trabalhos de especulação, esperando construir novas alianças abraçando as idéias de outros. 
Em um aceno para as teorias holográficas de Karl Pribram, Hameroff defendeu que a holografia poderia ser a chave para como um citoesqueleto de computação óptica poderia realizar processos mentais como a memória e o pensamento. Fótons poderiam ser disparados por fendas especiais nas paredes de um microtúbulo para rabiscar mensagens holográficas no gel citoplasmático próximo. A própria convicção de Pribram é de que a holografia é algo que tem lugar entre as células do cérebro, ao invés de dentro delas, e ele criou modelos matemáticos detalhados de como neurônios poderiam armazenar informação em campos de potencial elétrico gerados pelas ramificadas extremidades dendríticas. Não obstante, Pribram foi claramente agradado por achar uma face amigável para emprestar apoio geral a ele e a sua abordagem holográfica. 
Em outra hábil manobra, Hameroff conseguiu se aliar c
om Roger Penrose. Antes de ser convidado como um orador honrado na conferência de Tucson — e também de ser um convidado de Hameroff em uma agradável expedição de acampamento de uma semana ao Grand Canyon — Penrose não tinha estado pensando ao longo das linhas do microtúbulo. De fato, depois de lidar bastante indiferentemente com alguns possíveis mecanismos biológicos pelos quais o cérebro poderia dominar as forças quânticas — como neurônios especiais sensíveis ao quantum espremidos no coração do cérebro — Penrose tinha chegado a sentir que até mesmo a teoria quântica ordinária provavelmente não era capaz de explicar a consciência. Penrose estava defendendo que uma nova forma da teoria quântica, uma que unisse o mundo das forças quânticas subatômicas com a força da gravidade, teria que ser desenvolvida antes que a ciência realmente pudesse dar o próximo passo de desejar saber como o cérebro poderia lidar com os efeitos quânticos. 
A convicção geral de Penrose era que muito do cérebro provavelmente opera como um computador. Ele se comportaria como uma máquina calculadora mastigando a seu modo programas para produzir resultados previsíveis, mas provavelmente inconscientes. Porém, a faísca extra que permitia à mente humana ser criativa e ter livre arbítrio deveria se originar de alguma profunda incerteza quântica de dentro de sua conexão elétrica. Ele acreditava que o colapso de uma função de onda quântica — a transição de um sistema de um mar de possibilidades para um resultado definido — era provocado pelo próprio peso gravitacional do sistema. A energia espalhada de uma partícula exerceria uma atração gravitacional fraca mas decisiva em si mesma que serviria para colapsá-la em forma. Aplicando este tipo de colapso de "gravidade quântica correta" para a ligação elétrica do cérebro humano, Penrose argumentou que circuitos neurais poderiam explorar muitos caminhos alternativos de pensamento durante uma fração de segundo, procurando no escuro pelo melhor resultado antes de alcançar algum limiar de nível de energia gravitacional para colapsar em um estado definido, consciente. 
As idéias de Penrose poderiam ser bastante incertas, mas como um grande nome na consciência quântica, Hameroff precisava dele a seu lado. Depois de algumas longas discussões amigáveis, Penrose começou a emprestar apoio cauteloso à idéia de microtúbulos. Em Tucson, Penrose pronunciou que seus cálculos mostravam que a suposta freqüência de vibração de nanosegundo de moléculas de tubulina pelo menos colocaria os microtúbulos na faixa certa para lidar com efeitos quânticos. Depois da conferência, seu apoio aumentou. Penrose aceitou ser co-autor de um documento científico com Hameroff e ele incluiu calorosos elogios à teoria de microtúbulos em seu livro seguinte sobre consciência quântica, Shadows of the Mind, que foi publicado posteriormente naquele ano. 
A saga de Hameroff e seus microtúbulos diz muito sobre o estado presente das ciências da mente. Os cientistas oficiais da mente — os psicólogos e neurologistas — não têm satisfeito uma sede natural por explicações. Na ausência de uma teoria padrão aceita — ou até mesmo de uma abordagem padrão para a formulação de teorias — várias teorias populistas floresceram. A hipótese quântica, em particular, teve todos os ingredientes certos para receber ampla atenção. É grandiosa e misteriosa. Parece se focalizar em tudo aquilo que nós consideramos mais especial sobre a mente humana — sua inventividade, seu senso de autodeterminação, sua coerência impressionante. A consciência quântica era uma idéia à qual era possível se apaixonar. Mas ser atraente não torna algo correto. 
Talvez a evidência mais convincente para a ingenuidade dos teoristas quânticos não venha das falhas em seus próprios argumentos, mas simplesmente de quantas dificuldades neurocientistas reconhecidos têm tido em desenvolver sua própria descrição conexionista do processamento do cérebro. Diferentes de Hameroff e outros, os conexionistas têm dados em grande volume. Dezenas de milhares de experiências foram executadas e documentos escritos. Mas apesar desta riqueza de detalhes, uma história de como os neurônios poderiam computar ou até mesmo representar estados conscientes está provando ser inacreditavelmente difícil de elaborar. 
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Going Inside – a tour around a single moment of consciousness, de John McCrone, publicado em março de 1999 por Faber & Faber em Londres (ISBN 0 571 17319 5).

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14 Responses to O Vácuo de Teoria: Consciência Quântica?

  1. Jesa Nideck disse:

    Estudam a máquina, mas não conseguem estudar o motorista.

  2. Jesa Nideck disse:

    O pinião de um leigo.
    O modelo padrão da física só serve para o nosso tempo,e muito mal ele não explica a força gravitacional, dualidades das partículas etc… Diz que o infinitamente pequeno tem um limite na partícula elementar, o que é falso, ele também não pode explicar a divindade da consciência humana porque ainda é incompleto, é como o barco que só funciona no mar, ou como a roda que funciona muito bem mas no chão.
    O cérebro não produz a consciência, é a consciência que se manifesta no cérebro,que é apenas um receptor adequado a receber percepções materiais, visto que as percepções espirituais são de propriedade da consciência ou Espírito.
    Como existe troca de informações entre as partículas mesmo se uma estiver aqui e outra de outro lado da galaxia, existe envio de informações do corpo carnal para o corpo espiritual que também é matéria em estado evoluidíssimo que nos escapa dos sentidos.
    O corpo espiritual é a união da consciência espíritual e real e indestrutível e infinita com a matéria que conhecemos que não é tão real como entendemos, ela é uma criação do real.

    • Jesa, isso que você forneceu não foi a “opinião de um leigo”, como você mesmo disse. Foi a opinião de um religioso, isso sim. Depois de um artigo tão interessante, encontrei seu cometário tão sem sentido.

      • Jesa Nideck disse:

        É só falar em ESPÍRITO, que os céticos e materialistas se armam , pré conceito? Em que acredita? No nada?

      • Jesa Nideck disse:

        Falamos, meu corpo está dolorido. CORPO DE QUEM? Do Espírito é claro!
        Falamos, o corpo dele foi enterrado. E ele não foi? Claro que não!

  3. Jorge De la Cruz disse:

    Minha opinião:
    Pela segunda vez, sem aviso prévio, meu comentário é diluido. Não irei mais fazê-lo. Só pretendo demonstrar meu pensamento: DIMENSÕES: são formas de comunicação entre mundos em si. O universo não tem forma, simplesmente é espaço pleno de vida, a qual desconhecemos. Ele expande-se cada vez mais numa velocidade crescente e sem volta. O universo não é constante como se supõe, mas o oposto. O inverso é verdadeiro: sempre e eternamente inconstante. A luz não é limitada como na teoria da relatividade. Há partículas que a sobrepõe, e outras miríades mais velozes. A Tradição usurpou o direito da humanidade em descobrir as verdades. Desde o início entranhou-se em nossas mentes o ranso religioso e que perdura até os dias de hoje, enclausurado no nosso DNA, junto a outros atributos adquiridos por nossos antepassados. Por isso mesmo, cientistas debatem-se a procura de resposta e não a conseguem. Há que mudar a maneira de pensar. A física quântica é plena de recursos, mas não na maneira que se vê. Temos que transforma-la com conceitos novos para criarmos uma nova tecnologia que nos levará a resposta que procuramos. A religião do futuro será a ciência pura e nada mais. Com ela visualizaremos um universo cheio de vida e com a vida compartilharemos. Nada tenho com a “Tradição”, pois deixou coisas boas. Quem conhece a história, verá que fez mais mal do que verdadeiramente o bem. Agazalhar-se aos escombros de antiquados pensamentos deixados por nossos ancestrais, é o mesmo que unir uma miséria a outra.
    Jorge.

  4. Jorge De la Cruz disse:

    Jesa, você tem razão. A física quântica está nos seus primórdios. Os cientistas da atualidade são extremamente materialistas e portanto não conseguem visualizar ou perceber o extra-físico. Há necessidade de se mudar o conceito atual sobre física. A miríades de dimensões que se entrelaçam. No universo ou espaço em si, o presente, o passado e o futuro interpenetram-se. A dualidade das partículas só é retratada em nossa dimensão atual. Em cada uma o conceito de uma verdade é mais abranjente.
    Boa sorte e continue a investigar por conta própria. O conhecimento está em toda parte e, principalmente, dentro de cada um de nós.

  5. ginjasilver disse:

    Ou: “Os lábios da Sabedoria estão fechados,
    excepto para os ouvidos do Entendimento…”

  6. Jesa Nideck disse:

    camada dentro do núcleo, como um fluido, de grande densidade ou alta energia, quepassou a ser chamado de glúon.

  7. Jesa Nideck disse:

    citar que o perispírito é formado de antimatéria, conforme frisamos no Prefácio destelivro

  8. Jesa Nideck disse:

    A CASA MENTAL

    O Espírito André Luiz, no livro No Mundo Maior, explica-nos que não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fosse um castelo de três andares:

    subconsciente: 1º andar, onde situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados – hábitos e automatismos;

    consciente: 2º andar, localizamos o “domínio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando – esforço e vontade;

    superconsciente: 3º andar, temos a “casa das noções superiores”, indicando as iminências que nos cumpre atingir – ideal e meta superiores. (Xavier, No Mundo Maior, 1977, p. 47)

  9. Jesa Nideck disse:

    As consequências de vivermos nesta letargia são inúmeras e imprevisíveis, uma vez que vivemos longe da verdadeira realidade, dispersos, sem nos darmos conta das ocorrências dos fatos a nossa volta, acumulamos conflitos interiores e deixamos que os instintos passam a governar nossa vida. Carl Gustav Jung citado por Joana de Angelis no livro O homem integral – diz que “a existência só é real quando é consciente para alguém” (…) “a tarefa do homem é (…) conscientizar-se dos conteúdos que pressionam para cima, vindos do inconsciente”. Por sua vez, Osho ensinava que “A menos que os olhos interiores se abram – a menos que seu interior fique cheio de luz, a menos que você consiga ver a si mesmo, quem você é – não pense que está acordado”.

  10. Jesa Nideck disse:

    Segundo Osho, “O primeiro passo para ficar consciente é sempre prestar atenção ao próprio corpo. (…) Então você começa a se dar conta dos seus pensamentos. (…) O terceiro passo; ou seja, tomar consciência dos sentimentos, das emoções e dos estados de ânimo. O quarto e último passo é ficar consciente da própria consciência.”

  11. Jesa Nideck disse:

    CULT – Seu livro faz menção aos limites do materialismo científico. O senhor poderia resumir a ideia central do materialismo?
    Mario Beauregard – A ideia central do materialismo consiste em que tudo o que existe tem uma causa material, isto é, uma causa governada pelas forças da natureza tais como compreendidas pela física clássica. Segundo o materialismo, a consciência e o espírito (quer dizer, os processos mentais) não podem existir independentemente do cérebro; e a crença numa vida após a morte seria absurda. Além disso, todas as crenças e experiências referentes a Deus e a mundos espirituais seriam fruto de superstições ou alucinações; o livre-arbítrio, ainda, seria uma ilusão.
    Quais elementos o senhor encontra nas neurociências para afirmar que o materialismo não é suficiente para bem interpretar a vida cerebral?
    Interesso-me particularmente pelos trabalhos em neurociência que visam compreender as relações entre o espírito, a consciência e o cérebro. Alguns desses trabalhos referem-se à experiência de morte clínica durante uma parada cardíaca. Quando há parada cardíaca, o cérebro deixa de funcionar depois de cerca de 10 a 20 segundos. Ora, muitos pacientes em estado de parada cardíaca parecem inteiramente capazes de experimentar processos mentais. Esse fenômeno demonstra que o espírito e a consciência não são gerados pelo cérebro.
    Poderíamos falar de alma?
    Para mim, a alma é o princípio imaterial e pensante de toda entidade dotada de vida. A alma faz parte integrante da Fonte (Deus) de tudo o que existe no universo.
    Quando uma pessoa diz ter vivido uma experiência espiritual e captado aspectos não materiais da realidade, como podemos saber se isso que ela viveu não é uma criação de sua própria imaginação? O que nos leva a pensar que essa pessoa teve realmente a experiência de algo exterior, diferente dela mesma?
    As experiências espirituais autênticas produzem frequentemente uma transformação psicológica marcada e positiva nos experienciadores. Uma tal transformação é acompanhada de uma maior capacidade de amar incondicionalmente, de não julgar o outro e de sentir a interconexão profunda com tudo o que existe. Efeitos benéficos como esses, e a longo prazo, não são associados ao imaginário ou a alucinações. É por isso que afirmo que as pessoas que vivem tais experiências entram em contato com uma realidade transcendente.
    As neurociências podem fornecer um apoio para a afirmação da existência de Deus?
    As neurociências englobam todas as disciplinas que estudam a anatomia e o funcionamento do sistema nervoso. Essas disciplinas procuram estabelecer ligações (ou correlatos) entre o sistema nervoso e as funções mentais (por exemplo, consciência, memória, atenção, emoções). A questão da existência de Deus não pode ser resolvida pela identificação de correlatos entre a atividade cerebral e a atividade mental.
    O que o senhor pensa sobre a hipótese do “gene de Deus”?
    Os resultados de numerosos estudos em genética indicam que os traços de personalidade e os comportamentos humanos implicam uma grande quantidade de genes. Assim, falar de um “gene de Deus” não tem sentido no plano científico e representa uma forma extrema de pensamento reducionista. É preciso precaver-se contra a tentativa de buscar uma explicação simples e única para todo fenômeno mental complexo; principalmente no que concerne à espiritualidade.

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