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31 de janeiro de 2002 Comments (4) Views: 2844 Fortianismo, Paranormal

Moldes em parafina: materialização de espíritos?

Afebre espiritualista contava com muitos feitos de espíritos durante sessões mediúnicas, e as mais impressionantes certamente deveriam ser as ‘materializações’. E dentre as materializações, as que permanecem gerando questionamentos até hoje são os moldes de parafina.

Em algum ponto, alguém teve a idéia genial de que, enquanto o espírito estava materializado, poderia colocar alguma parte de seu corpo em contato com parafina derretida, que ao se solidificar formaria um molde permanente mesmo que o espírito acabasse se desmaterializando. Mais do que isso, como alguns moldes, por exemplo o de uma mão, teriam partes mais estreitas como o pulso, então apenas um espírito poderia originá-los. Como se repetiu à exaustão, é impossível a uma pessoa retirar a mão de um molde de parafina sem danificá-lo, somente um espírito se materializando e depois se desmaterializando com a mão dentro da parafina poderia criar moldes dessa natureza. O problema seria similar ao de retirar um navio pronto de dentro de uma garrafa.

Ao lado você confere uma cópia em gesso criada a partir de um molde de parafina mediúnico. O nível de detalhamento é notável, a disposição intercalada dos dedos intrigante e o pulso é de fato um tanto mais estreito. Será mesmo que apenas um espírito poderia criar algo assim? Essa é então a mão de um espírito?

Além de parecer uma evidência física interessante por si mesma, o fenômeno teria sido analisado por diversos pesquisadores, entre eles Gustave Geley. As investigações de Geley feitas com o médium Franek Kluski foram divulgadas mesmo na Scientific American, que na época era parte relevante da discussão dos feitos mediúnicos. Contudo, nenhum destes investigadores conseguiu fornecer uma explicação convencional para os moldes de parafina mais perfeitos. Mais do que isso, alguns declararam que de fato a única conclusão a que podiam chegar é que de fato foram espíritos a ter criado os moldes, que constituíam assim uma das maiores provas físicas de sua existência.

A realidade é muito irônica e ingrata com tais investigadores. Apesar de diversas explicações complexas terem sido propostas para reproduzir os moldes de parafina, incluindo:
– luvas de borracha reproduzindo de forma perfeita uma mão sendo infladas e desinfladas;
– moldes de mãos cuidadosamente esculpidos feitos em material solúvel que, depois de formar o molde em parafina, eram dissolvidos;
– mãos inchadas com torniquetes formando moldes e depois desinchadas, permitindo sua retirada;
A única explicação racional convincente é a mais simples, segundo Maximo Polidoro e Luigi Garlaschelli. Em um artigo publicado no Journal of the Society for Psychical Research, eles citam uma explicação já apontada por M.H. Coleman pouco antes como plenamente satisfatória. E ela é…

Simplesmente colocar a mão diretamente na parafina e retirar o molde com cuidado. Ao contrário do muito repetido, o molde não irá se quebrar: a parafina ainda não completamente solidificada é surpreendentemente flexível. Abaixo você pode ver a comparação de uma mão supostamente mediúnica, à esquerda, ao lado de uma criada por um molde de Polidoro e Garlaschelli, produzido colocando a mão em parafina derretida e retirando o molde cuidadosamente.

Não há diferenças significativas, se alguma coisa a mão dos pesquisadores italianos é mais perfeita. Clique na imagem para ir à página de seu trabalho com a reprodução de mais fotos de mãos em gesso a partir de moldes de parafina produzidos pelos dois investigadores italianos.

Há mais um ponto nesta história. Como se não bastasse que todos os investigadores do passado tenham deixado passar que da forma mais simples possível os enigmáticos moldes de parafina poderiam ser feitos, a história ainda parece tripudiar sobre eles. Isto porque moldes de mãos em parafinas se tornaram hoje uma atração para crianças!

Ao lado você vê uma “wax hand”, uma mão de parafina que pode ser feita em estandes ou em carrinhos em parques por alguns minutos e dólares. Clicando na imagem você vai à página que aluga o carrinho apropriado para que as mãos de parafina sejam feitas. No carrinho, não há nada de mais: apenas parafina mantida derretida por resistências e termostatos.

Pede-se que a pessoa coloque a mão na parafina alguma vezes, e depois retire com cuidado o molde. Qualquer pessoa pode fazer isto, como se vê ao lado, no carrinho vendido por outra empresa. Uma busca por wax hands no Google revela a extensão com que esta atividade está espalhada.

E é assim que a história acaba sendo ingrata e até mesmo humilhante com aqueles que, no passado, atraveram-se a proferir conclusões precipitadas em favor de fenômenos inexplicados. Como disse Michael Shermer, o inexplicado não é necessariamente inexplicável.

Um ponto a favor deles: até mesmo Harry Houdini parece ter sido enganado, e se não declarou que os moldes em parafina eram prova de espíritos, também não parece ter conseguido reproduzi-los.

– – –

Para saber mais:
Moldes de Espíritos: um experimento prático – o trabalho simples e esclarecedor de Polidoro e Garlaschelli.
Paraffin Wax Gloves– A página da The International Survivalist Society da qual a foto de uma das mãos mediúnicas obtidas por Geley e ainda preservadas no International Metapsychic Institutemostrada aqui foi retirada.
Mão de parafina – Uma outra página com foto de pior qualidade de um dos moldes em parafina de Kluski.
O Trabalho dos Mortos – Parte do livro “O Trabalho dos Mortos”, disponível on-line com diversas fotos. Publicado no
Brasil em 1921 pela Federação Espírita Brasileira, praticamente contemporâneo às investigações de Geley com Kluski, também apresenta fotos interessantes de mãos, pés e mesmo máscaras de parafina. Alguns são grosseiros, provavelmente feitos moldando a parafina diretamente ou usando luvas comuns. Quanto às flores de parafina, uma parece bem delicada, e suas pétalas finas podem ter sido feitas simplesmente raspando lascas de parafina sólida (um processo semelhante é usado para se fazer flores de sabonete). Este link foi gentilmente indicado a mim por Vitor Moura.
– Luvas de parafina– Excerto de “História do Espiritismo”, de Arthur Conan Doyle, descreve as investigações de Geley e outros com mais detalhe. Este trecho também foi gentilmente enviado a mim por Vitor Moura.

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4 Responses to Moldes em parafina: materialização de espíritos?

  1. Washington Bacelar disse:

    Bem, acredito que se o autor do artigo a cima estudasse um pouco mais, ficaria assombrado com o RIGOR científico do século XIX. Foram construidas verdadeiras câmeras de chumbo, lacradas, onde entravam apenas: o paranormal e dois cientístas. No chão eram derramdo talco, pis se alguém se mexesse, as pegadas ficariam gravadas no chão. Pois bem, 1º Colocar as mãos ou os pés em parafina fervente não deve ser algo muito simples; 2º Não foram apenas de parafina as materializações; 3º Willame Crookes fez diversas sessões de estudos e pesquisas, no começo do século XX com o espírito de Katie King, sendo tudo catalogado e comprovado.
    Penso que é preciso um pouco mais de cuidado e atenção com o que se divulga. Tentar desqualificar o trabalho de renomados pesquisadores é uma perda de tempo, este inexorável amigo da verdade.

  2. Alexandre Filho disse:

    É notório que o texto acima visa apenas desqualificar o que não se conhece ou que não se entende, reproduzir um fenômeno artificialmente quer dizer que ele não exista ?

  3. Julio dos Santos Lima disse:

    William Crookes foi um físico e químico inglês, descobridor do elemento químico tálio, identificou a primeira amostra de hélio, descobriu os raios catódicos e inventou o radiômetro. Como cientista já consagrado, começou investigar o espiritismo para desmarcarar o que acreditava ser impostura, e no final se convenceu dos fenômenos espíritas, sofrendo o repúdio da sociedade preconceituosa em que vivia. Se é boa a intenção do autor do artigo acima, é muita ingenuidade achar que esse renomado cientista se deixasse iludir por algum artifício banal, ou mesmo pactuasse com alguma desonestidade. Fazer do ceticismo “religião” cega algumas pessoas.

  4. ÁvilaLopes disse:

    Tudo que se tem por prova material da existência dos espíritos, são peças produzidas em shows materializações duvidosas(Ou comprovadamente falsas), mãos de parafina, mesas que levitam, respostas por batidas e outras manifestações que cairiam bem num picadeiro de circo. Os testemunhos podem ser mentirosos e o que deveriam ser provas fotográficas, mostram apenas fraudes grosseiras tais como “médiuns” expelindo mechas de algodão ou gaze onde se vêem pequenos rostos recortados de fotografias e outros truques visíveis até para uma criança. Mesmo as fotos do famoso Peixotinho tem essa característica clara. Podemos citar com tristeza a fraude notável de Otília Diogo com a conivência implícita de Chico Xavier que aparece ao lado da “médium” fantasiada de fantasma. Tudo isso não basta para abrir os olhos dos espíritas crédulos e cegados pela fé que julgam raciocinada. Pergunto por que, se os espíritos existissem,eles não produziriam provas palpáveis de sua presença entre nós, e não apenas esses espetáculos de mau gosto que qualquer mágico de meia tigela sabe reproduzir ?!
    Pode-se especular sobre qualquer coisa. O mérito científico de Crookes é inegável. Ele detalha meticulosamente os cuidados que alegadamente teria tomado para evitar fraude. Porém, é sabido que muitos colegas cientistas não corroboraram suas conclusões. Mas há um detalhe que põe por terra toda a parafernália descrita por ele e todo o apelo à sua fama acadêmica: As fotos de Florence e Katie mostram uma ,e apenas uma, só pessoa. As semelhanças não deixam dúvida. Resta saber se Crookes fora enganado ou conivente com a farsa. Quanto aos espíritas, normalmente cultos e bem educados, peço licença, para dizer que fé raciocinada é uma ficção criada por Kardec. A fé não resiste ao raciocínio, que deseje levar o questionamento às últimas consequências. O paranormal não sobrevive ao método de validação científica. O espiritismo postula ser ciência, mas parece não ser mais que um avançado conjunto de mandamentos morais ,suportados por primitiva superstição. Saudações sinceras.

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