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10 de agosto de 2009 Comments (7) Views: 3710 Fortianismo

Explicando Bolas Peludas e a Escrita Inversa de Da Vinci

por Hugh Trotti, publicado no newsletter dos Georgia Skeptics vol.5/n.3 em 1992

O que estranhas bolas peludas surgindo em várias praias têm em comum com o modo pelo qual Leonardo da Vinci escrevia?

Ambas caem na categoria de coisas estranhas e misteriosas. Tais coisas – que parecem não ter nenhuma explicação simples – têm geralmente em comum isto: quanto mais "Misteriosas" elas são, mais podem ser colecionadas por aqueles que acreditam em várias visões não aceitas amplamente, como "astronautas antigos", "Atlântida", "visão remota", etc.

É uma peculiaridade que vários fenômenos enigmáticos e inexplicados são freqüentemente usados eles mesmos como explicações e "provas": o desconhecido apoiando o improvável. 

Bolas Peludas Explicadas? 

Alguns anos atrás, este escritor deu uma palestra curta aos Georgia Skeptics, tocando em vários assuntos. Entre estes tópicos, que incluíram círculos de trigo e material sobre pegadas forjadas – estava um não muito conhecido pelo público geral. Enquanto círculos no trigo na Inglaterra apareceram até mesmo na revista TIME naquela época, o conhecimento de "bolas peludas" [hairy blobs] estava mais ou menos mais ou menos restrito àqueles interessados pelos vários estudos na área chamada "criptozoologia (Criptozoologia inclui muitos níveis diferentes de qualidade e esforço científico, e não está limitada a temas tais como um possível "Pé-Grande" ou "Monstro do Lago Ness", embora esses tópicos sejam certamente mais conhecidos.) 

A criptozoologia como um campo está composta tanto de cientistas sérios, (alguns ligados a instituições prestigiadas), quanto também amadores, leigos e aventureiros de vários tipos. O grupo emite boletins informativos e periódicos anuais revisados por pares e é coordenado por J. R. Greenwell que filmou uma expedição chinesa interessante procurando por um possível "Homem-selvagem" que foi ao ar através de estações de TV públicas. 

Uma das coisas estranhas apresentadas em um boletim informativo da organização era um relato de "bolas" aparecendo em costas nos oceanos Atlântico e Pacífico – bolas cobertas com material pegajoso que se assemelhava a cabelo, e composto de um material duro, cartilaginoso. Seria esta uma "nova" forma de vida não descoberta antes, as quais os membros espreitavam nas profundezas dos mares? 

Talvez a resposta para o enigma de "O que poderia ser isso?" possa ser achada em um dos trabalhos do autor Daniel Cohen. Em The Encyclopedia of Monsters (New York: Dorset Press, 1989, pp. 174-176), Cohen apresenta uma interpretação de uma curiosidade que ele chama "Pseudoplesiossauro". Aparentemente carcaças mal-decompostas de alguma criatura estranha são às vezes levadas às costas e encontradas por pessoas que notam a semelhança com um réptil marinho extinto há muito tempo atrás. 

O corpo do tubarão sendo levado a praias foi apresentado por Cohen por causa de sua semelhança ao plesiossauro extinto. A decomposição resulta na perda da estrutura de brânquias com as mandíbulas, e a barbatana dorsal também cai rapidamente. O lóbulo inferior do rabo não possui nenhuma estrutura de esqueleto, e assim apodrece e também cai logo. A porção da carcaça que permanece depois destas perdas assim se assemelha a um possível "plesiossauro" que quando surge à praia é identificado freqüentemente como tal. Cohen intitula esta seção do seu trabalho "PSEUDOPLESIOSSAURO". Nós podemos lembrar os leitores que alguns entusiastas do "Monstro do Lago Ness" acreditam que uma população remanescente de plessiossauros não-extinta é responsável por alegações de avistamentos no Lago Ness. 

A descrição de Cohen também nos inspira a aplicá-la em outro lugar, como uma possível explicação do enigma da "Bola Cabeluda". Notamos particularmente sua descrição da decomposição de fibras de músculo na carcaça do tubarão (pág. 176): 

"… quando a pele do tubarão se decompõe, as fibras de músculo subjacentes começam a se partir em fibras que parecem elos de bigode que tendem a dar à carcaça a aparência de estar coberta com pêlos…"

É possível que esta descrição se aplique ao problema das "bolas" assim como ao "Pseudoplesiossauro"? Nesse caso, a própria bola representará os estágios finais de decomposição de algum habitante mais "comum" dos oceanos, e as estranhas estruturas "peludas" ou parecidas com fios que a cercam podem representar a simples decomposição de fibras de músculo. 

Nós também poderíamos notar como um comentário final sobre este fenômeno que Marco Polo descreveu o corpo peludo de um peixe enorme achado no leito de um rio cuja água havia sido desviada. Ele declarou que alguns que o comeram morreram. Poderia isto ser explicado pelos mesmos processos de decomposição citados por Cohen que resultam em aparência parecida com "pêlos"? (Para o relato de Marco Pólo, cf. Marco, The Travels, New York: Penguin Books, paperback, 1982, p. 228). 

A "Escrita Inversa" de Da Vinci 

Leonardo da Vinci escrevia "ao contrário" – da direita para a esquerda. Foi dito que só pelo uso de um espelho seu manuscrito poderia ser lido. Isto é algo que tem intrigado muitos estudiosos e permanece um mistério. Foi sugerido que Leonardo desejava manter segredo de seus pensamentos, para evitar possível perigo ou molestamento de autoridades da Igreja. Enquanto esta "resposta" parece provável em exame superficial, seguramente não é satisfatória. Muitas pessoas não só podem ler escrita ou impressão inversa, mas podem ler tanto de forma inversa quanto de cabeça para baixo. Um espelho não é necessário para ler facilmente a escrita "inversa". Contudo, até mesmo se fosse necessário, não faltariam espelhos às autoridades da Igreja. 

É uma consideração adicional que a mera aparência de tentar esconder o que é escrito seria mais provável de atrair suspeita de visões heréticas. Entretanto, qual poderia ser possivelmente a razão para tal estilo de escrita não-convencional? 

A resposta pode ser tão simples que é difícil de conceber. Eu mesmo sou canhoto. Tem sido há muito tempo um de meus problemas quando escrevo com caneta e tinta, ou mesmo com lápis, que o que eu escrevo borra – e às vezes suja minha mão. Leonardo era, como sabemos, canhoto. Será que não é possível que ele escrevesse da direita para a esquerda ("inverso") simplesmente para não borrar o que ele havia escrito e evitar sujar a mão com que escrevia? Esta explicação é, infelizmente, não muito "misteriosa" e é provável que seja deixada de lado por aqueles buscando o esotérico, o estranho e o secreto. 

Conclusão

Até onde sei o hábito de Leonardo de escrever não foi levado ao seio de qualquer culto para apoiar suas crenças. Porém, eu acredito que a "Bola" foi tomada por vezes para representar algum tipo de forma de vida alienígena de um OVNI (uma hipótese que não é apoiada por criptozoologistas, que simplesmente apresentam-na como um mistério do mar). O tema da escrita de Leonardo pode muito bem ser entretanto um exemplo da "verdade ser mais en
tediante que a ficção".

* * *

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7 Responses to Explicando Bolas Peludas e a Escrita Inversa de Da Vinci

  1. Muito interessante! Quando eu era pequena e estava apendendo a escrever, não sabia qual era o certo, se era da esquerda para a direita, ou o contrário. Quem sabe não tenha sido assim com Leonardo da Vinci?

  2. reinaldo disse:

    Sobre a escrita de Leonardo: minha filha mais nova é canhota e, apesar de ainda não saber escrever, percebo que é muito mais fácil para ela riscar da direita para esquerda, “puxando” a caneta que o contrário. Acredito que o mesmo acontecia com o inventor, sendo um homem prático e independente, fazia o que lhe parecia mais fácil e rápido. (além de não borrar o papel).

  3. Andreza disse:

    Amei a escrita inversa, ajudou mt na minha pesquisa de historia e tbm fiquei curiosa para escrever da direita para a esquerda….ja q sou canhota!!!Acho q os pesquisadores deviam ter analisado essa teoria (nao borrar) pois pode ser uma boa resposta e menos complexa para tudo isso.

  4. Marcos disse:

    Eu concordo com você. Certamente ele escrevia da direita pra esquerda por motivos óbvios de praticidade e velocidade. O que isso nos mostra, entretanto, é que ele se sentia livre para ser como era sem sucumbir a moldes sociais. É muito mais fácil escrever com a mão esquerda da direita pra esquerda. Ainda hoje, quantos canhotos não gastam energia extra com o esforço de não obstruir a visão enquanto escrevem da esquerda pra direita, ou de não deixar borrar? O exemplo dele é interessante e nada entediante. ;)

  5. Aline disse:

    Sobre a escrita de Leonardo: gostei muito do que disse, mas acho que a questão da escrita dele é simplesmente o modo convencional dele de ser. Me baseio no meu caso, sou canhota e tbém escrevo espelhado. Esse é o meu jeito natural de ser, rsrsrs.
    Acredito que, assim como eu, ele obrigado a aprender e utilizar a escrita da direita para a esquerda. eu não me adaptei muito bem e uso folhas vegetais para que outros possam ler, no caso de Leonardo não era interessante outras pessoas lerem. =)

  6. Rubim disse:

    Passoal. Qual é o vosso problema?

    Qual a vossa necessidade de defenderem a pés juntos que não existe vida inteligente noutros mundos?
    Que falta de humildade!!
    Penso que é arrogancia pensarmos que numa infinidade de tempo e espaço ( Universo) apenas o planeta terra abrigue vida inteligente.

    Pela logica, até ser provado o contrario, a coisa mais natural é que o universo esteja cheio de diferentes formas de vida.

    Qual o vosso problema em aceitar isso como logico?

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