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15 de agosto de 2009 Comments (14) Views: 3737 Ciência, Fortianismo

Uma Assinatura na Grande Pirâmide?

Ao contrário do que muitos gostariam, a Grande Pirâmide de Gizé tem em seu interior inscrições com o nome do faraó para o qual ela foi construída: Khufu. Tais inscrições provam que a Grande Pirâmide foi obra dos antigos egípcios e colocam sérias barreiras para interpretações alternativas. Contudo, controvérsias advindas de enganos jogariam dúvidas sobre tão relevante achado.

A Lenda do Nome Forjado

Como é bem sabido, nenhuma pirâmide antiga contém inscrições em suas câmaras. E isto inclui a Grande Pirâmide. Uma situação um pouco desconfortável, especialmente para um ambicioso arqueólogo amador como Howard Vyse.

Este coronel do exército inglês tentou resolver o enigma dos construtores da pirâmide ao redor de 1840 usando força bruta. Ele dinamitou um buraco no lado oeste da grande pirâmide porque pensou haver uma segunda entrada, e cavou um túnel diretamente pelo centro da pirâmide de Menkaures. Ambas as campanhas foram malsucedidas e não trouxeram nenhum resultado. Assim em 1837 ele dinamitou um duto vertical sobre uma câmara nova recentemente descoberta sobre a câmara do rei na grande pirâmide – e descobriu quatro câmaras novas! E, que maravilha, ele descobriu algo nunca antes encontrado em qualquer pirâmide: inscrições com o nome do construtor da pirâmide, Khufu! 

Mas estas inscrições são forjadas, conta Zecharia Sitchin. A alegação dele: Um empregado de Vyse, uma pessoa sem qualquer conhecimento em hieroglífico, tinha levado um livro com um erro fatal para as câmaras novas e escrito alguns símbolos nas paredes das câmaras para agradar seu chefe em uma forma de letras,"letras hieráticas", – desavisado do fato de que a escritura hierática era desconhecida no tempo de Khufu. E também sem saber que o livro "Materia Hieroglyphica" que ele usou para copiar o nome de Khufu possuía um engano fatal: em vez da sucessão de símbolos “Peneira, codorna, víbora, codorna" que significa"Khufu", a escrita no livro dele mostrava "Sol, codorna, víbora, codorna" – Reufu – e foi isto o que J.R.Hill escreveu nas paredes. Em vez de uma peneira (um círculo com algumas linhas dentro) o livro tinha mostrado um disco negro, o símbolo solar, que também pode ser escrito como um círculo com um ponto ao meio. Esta fraude teria sido descoberta não muito depois pelo perito em hieroglífico do museu de Londres, Samuel Birch. Em 1842 foram publicadas perícias que mostraram a fraude. Muito mal… 

Mal para Sitchin. As câmaras com as inscrições estão fechadas para o público por causa do perigoso meio de acesso, mas pode-se achar fotografias da inscrição em bons livros arqueológicos, por exemplo em "Die ägyptischen Pyramiden" de Stadelmanns. E lá você encontrará o nome escrito corretamente: Khufu. A propósito: Birch escreve em suas perícias explicitamente sobre uma "ausência do disco solar" nos nomes de reis!

E quanto ao hierático, que segundo Sitchin seria uma forma de escrita desconhecida na época de Khufu, datando de séculos posteriores? Os egípcios possuíam dois tipos de escrita, os hieróglifos bem conhecidos e o hierático, que consistia praticamente dos mesmos símbolos, mas de forma bem simplificada. Na verdade, qualquer livro padrão de egiptologia dirá que essas duas formas de escrita – hieróglifos e hierático – sempre existiram paralelamente, e bastaria a Sitchin uma visita ao museu Egípcio para encontrar centenas de artefatos com inscrições hieráticas centenas de anos anteriores a Khufu!

Uma Prova Decisiva

Qual foi a origem de toda esta confusão? O encontro de inscrições por Vyse não é conveniente a ponto de ser suspeito? Mesmo que as inscrições sejam mesmo do Egito Antigo, Khufu ou alguém posterior a ele não poderia simplesmente tê-las rabiscado por lá? Isso é mesmo prova de que a Grande Pirâmide foi feita pelo faraó Khufu?

É realmente suspeito que as inscrições tenham sido encontradas nas circunstâncias em que foram, porém essas mesmas circunstâncias e análise mais dedicada indicam que tais inscrições são autênticas – e feitas durante a construção da Grande Pirâmide.

Lembrando, foi preciso dinamitar uma passagem para chegar às câmaras com inscrições. Do contrário seria impossível chegar aos blocos depois que eles foram colocados no lugar. Como se sabe, todos os blocos da Grande Pirâmide estão interconectados e pesam toneladas. Tudo isso deixa claro que as inscrições informais com o nome do faraó Khufu foram feitas nos blocos antes deles serem colocados em sua posição final. Eles nunca deveriam ser vistos de acordo com o projeto original – que não incluía a possibilidade de alguém abrir túneis usando dinamite.

A menos que os egípcios antigos incapazes de construir grandes pirâmides fossem entretanto capazes de escrever em blocos inacessíveis no interior da Grande Pirâmide, as inscrições mostram de forma decisiva a autoria desta Maravilha do Mundo Antigo.

De onde surgiu o engano?

A origem do engano de Sitchin, que continua sendo propagado por diversos autores defensores da idéia de ‘deuses astronautas’, é ironicamente mais um indício da autenticidade das inscrições.

Resulta que os supostos enganos e erros nas inscrições que indicariam fraude não estão presentes nas inscrições originais, mas em transcrições das inscrições feitas por peritos do século XIX contemporâneos a Vyse. Ou seja, tais enganos são um reflexo da falta de conhecimento do século XIX.

Ninguém no século XIX poderia ter forjado as inscrições, nem mesmo peritos (quanto menos um assistente de Vyse), uma vez que elas contêm aspectos que discordavam ou eram desconhecidos dos peritos da época, mas que vieram a ser entendidos posteriormente e concordam com outros achados independentes desde então. Aparentemente Sitchin nunca olhou uma fotografia das inscrições, ou seja, ele nunca as viu. Ele viu apenas transcrições contendo erros, e presumiu que eles estivessem nas inscrições originais.

Quando somamos todos estes elementos, descobrimos que há praticamente uma assinatura inadvertida em tão majestosa obra. E que a autoria da Grande Pirâmide permanece assim um mistério apenas àqueles que querem acreditar em mistérios.

***

Referências

The Legend of the Forged Name – do website de Frank Doernenburg
Who Built the Great Pyramid? – do website de Jason Colavito

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14 Responses to Uma Assinatura na Grande Pirâmide?

  1. omg disse:

    Que história bonita.. Acho que vou juntar à colecção que tenho aqui das histórias da carochinha.

    • Macc disse:

      E por falar em história da carochinha da ciencia:

      …gostaria de sugerir o doc:
      “The revelation of the pyramids” (2010) de Patrice Pooyard, sobre as caracteristicas misteriosas das piramides. Tem torrent para baixar e legendas Pt na net.

  2. Magno disse:

    Taí, foi “resolvido” o mistério sobre quem construiu a Grande Pirâmide, de uma maneira bem simplificada utilizando o método de investigação do Sr Mori.
    Mori cuidado com conclusões subjetivas, as Pirâmides não são obras exclusivas dos Egípcios, elas estão espalhadas em quase todos os continentes. Lembre-se que os Egípcios datam de aproximadamente 3.000 anos AC, e que foram encontradas submersas Pirâmides e uma Esfinge com cabeça de leão próxima a Ilha de Yonaguni no litoral Asiático (próximo ao seu Japão).
    A datação feita pelo método do carbono 14 em corais encrustados nelas é de aproximadamente 12.000 anos, evidenciando que elas estão submersas desde esse tempo, portanto não sendo possível terem sidas construidas por nenhuma civilização conhecida segundo a nossa Arqueologia, já que a mais antiga é a Suméria com apenas 6.000 anos.
    Já li matérias que levantam a hipótese das pirâmides terem sidas contruídas a pelo menos 740.000 anos, e que falam de civilizações muito avançadas bem anterior ao dilúvio.
    Pense bem, não dá pra imaginar as civilizações antigas conhecidas pela nossa arqueologia, esculpindo e movimentando pedras de até 600.000 quilos (estou sendo generoso, porque já li sobre pedras com até dois milhões de quilos), com a tecnologias que eles tinham.
    A grande Pirâmide de Gizé, tem aproximadamente 2.300.000 blocos de pedras, onde os mais maneiros pesam em torno 2.000 quilos cada e os arqueólogos dizem que foi construida no período de 20 anos. Vamos fazer um cálculo pra ver a como eles tiveram que trabalhar rápido.
    Se trabalhassem 36o dias por por ano e 10 horas por dia, teriam que cortar, transportar e colocar uma pedra sobre a outra no máximo a cada dois minutos, lembrando que a pedreira de onde eram retiradas as pedras, ficavam a quase 200 kilômetros e ainda tinham que atravessar o rio Nilo.
    Agora me diga, como eles conseguiram realizar essa proeza, se mesmo com toda a nossa tecnologia ainda não seria possível?
    Por favor, se for possível, me dê uma explicação lógica sobre isso.

  3. Alvaro Rexs disse:

    “As câmaras com as inscrições estão fechadas para o público por causa do perigoso meio de acesso…”

    ^

    Não vá me dizer que o perigo é de desabamento! Olha lá Kentaro Mori!

    Este trecho é o melhor:

    “Como se sabe, todos os blocos da Grande Pirâmide estão interconectados e pesam toneladas. Tudo isso deixa claro que as inscrições informais com o nome do faraó Khufu foram feitas nos blocos antes deles serem colocados em sua posição final. Eles nunca deveriam ser vistos de acordo com o projeto original – que não incluía a possibilidade de alguém abrir túneis usando dinamite.”

    ^

    Ou seja, escravos pichadores não é sr Kentaro Mori?

    Você deveria ser conhecido como o homem da teoria dos “Escravos Escribas Pichadores desocupados do Egito”!

    Vamos a situação:

    Um escriba espertinho, visitou o campo de construção das pirâmides. Sem ter o que fazer, resolveu ludibriar os capatazes munidos de chicotes e os muitos arquitetos presente. Puxando seu lápis de cera, o escriba escreve toscamente o nome de “KHUFU” assim do nada!

    Como vocês sabem, ler e escrever no Egito era uma atividade rotineira… todo mundo dominava!

    Também não era um atividade sagrada, longe disso!

    Sendo assim fica fácil aceitar a versão de KENTARO MORI:

    “Escravos Escribas Pichadores Desocupados do Egito”

    Valeu MORI!!! UHUHUHUHUH

  4. silvio disse:

    Não quero saber de pinturas !
    Quero saber como as pedra e obras foram esculpidas e levadas até ali.

  5. Igor Pereira disse:

    Claro Silvio, foram os lemurianos, com ajuda de et’s que vieram do sistema de alpha centauro, que ajudaram os ignorantes egípicios a construir as “perfeitas” pirâmides. Não é óbvio?

  6. M. Z. disse:

    O texto infelizmente é bem ruim (mal escrito), dando pano para a manga para os alternativos…

  7. Eliphaz Levy disse:

    Vc tá precisando ler: Robert Bauval – The Orion Mistery. Creio q irá aprender muitas coisinhas lá!!!!!!

  8. Eliphaz Levy disse:

    Pelo visto se conhece bem pouco as lendas mais primitivas de povos como sumérios, assírios, acádios, caldeus, Elamitas, minoicos, dórios, áticos, escandinavas, indianas da era ariana, moshe,astecas, hopi, até a de alguns nativos brasileiros como os tupis e guaranis. Juntando todas dá uma bela salada e muitas figurinhas enigmáticas!

  9. Eliphaz Levy disse:

    No méxico há mais pirâmides do que em todo o Egito!

  10. Daniels disse:

    O texto está ótimo. Já não sobra muito material para conspirações à la Sitchin e Daniken apenas a história.
    Eu prefiro que as pirâmides foram mesmas contruídas por Egípcios, porque seria um Ode à Arquitetura, ou seja um louvor à capacidade humana.

  11. Rubim disse:

    Pena o autor não responder ás questões de quem as faz.
    Mau autor

  12. Lenildo disse:

    Que engraçado, morri de ri, não da matéria que é elucidativa mas das pessoas discutindo. Eu proponho discutir uma forma de acabar com a pobreza no mundo. Ou se vocês não gostam de pobres como todo rico, proponho encontrarmos uma solução para matar todos os pobres. A escolha é de vocês, mas não vamos discutir quimeras.

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