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31 de janeiro de 2002 Comments (4) Views: 2667 Ceticismo, Fortianismo, Paranormal

Florence Cook, Katie King: A garota que era sua própria fantasma (adendo)

Anexo
Estas adições foram fruto de comentários de Vitor Moura, participante do fórum A Busca da Verdade, a uma primeira versão da referência. É preciso agradecer a ele tanto pelos comentários como por praticamente todo o material apresentado aqui. Moura, em suas próprias palavras, não quis “garantir a autenticidade do caso”, mas gentilmente atentou às contra-argumentações existentes em relação às críticas feitas na referência. Não penso que tais contra-argumentações realmente evidenciem que o caso não era uma fraude, mas as listo aqui para os interessados (contudo, certamente não pretendo que estas sejam todas as contra-argumentações existentes).
O que se segue são citações e material a adicionar aos interessados em maiores detalhes, enquanto o texto em vermelho logo abaixo é um comentário adicional meu. Ainda mais material, em inglês, também pode ser conferido nos links ao final. O caso de Cook/King é longo e repleto de detalhes.

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Comparações entre fotos de King e Cook
Crookes tirou fotos do suposto espírito de Katie King, e então de Florence Cook vestida como Katie King. Ambas na mesma posição (aproximada):

Como se pode ler nas legendas, de fato King e Cook, nestas duas imagens, parecem pessoas diferentes. Entretanto, é preciso notar que a qualidade das duas fotos (contraste, brilho, definição) é diferente, o que dificulta um julgamento mais justo. Em uma outra versão da mesma imagem de King, talvez por causa da condição semelhante de contraste e brilho, a semelhança com a imagem de Florence Cook é maior:

Tem-se a impressão na foto de Cook de que ela tem um rosto mais redondo e gordo, contudo na outra versão da imagem de King, seu rosto também aparenta ser mais redondo. De toda forma, tudo isso aparenta ser fruto da má qualidade das imagens, uma vez que nem Florence Cook nem Katie King aparentavam ter um rosto redondo:

Ainda sobre as fotos de Crookes comparando King e Cook, é curioso notar que diversas diferenças listadas por Crookes e supostamente evidenciadas nas fotos não são confirmadas. Crookes escreveu:

“One of the most interesting of the pictures is one in which I am standing by the side of Katie; she has her bare foot upon a particular part of the floor. Afterwards I dressed Miss Cook like Katie, placed her and myself in exactly the same position, and we were photographed by the same cameras, placed exactly as in the other experiment, and illuminated by the same light. When these two pictures are placed over each other, the two photographs of myself coincide exactly as regards stature, etc., but Katie is half a head taller than Miss Cook, and looks a big woman in comparison with her. In the breadth of her face, in many of the pictures, she differs essentially in size from her medium, and the photographs show several other points of difference.”
(The Last of Katie King THE PHOTOGRAPHING OF KATIE KING BY THE AID OF THE ELECTRIC LIGHT)

Um dos aspectos mais inequívocos seria o da diferença de altura que Crookes teria constatado ao analisar as fotos, segundo ele, King seria “meia-cabeça” mais alta que Cook, algo em torno de 10cm. Entretanto, uma comparação das fotos não parece mostrar tal diferença significativa:

Mais do que isso, nas mesmas fotos pode-se ver claramente por debaixo das vestes brancas do espírito de Katie King algumas roupas pretas. Não poucos se perguntam se essas roupas pretas não seriam as de Florence Cook.

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http://www.geocities.com/nelson_fragoso/annie.html

“No Jornal Espírita de maio de 1987, o Sr. Krishnamurti Dias, em seu trabalho intitulado “Contra-argumentando”, escreve o seguinte, exatamente:

Na questão 200 do “Livro dos Espíritos”, discute-se o sexo dos anjos, pois que dos Espíritos. Katie King mostra-se nua, materializada e pergunta “vê se eu não sou uma mulher”, deixando que inspecionasse, impudica, sua genitália, mamas, curvas de magnífica carnação materializada. (sic)

Na ocasião escrevemos ao autor dessas linhas, solicitando maiores esclarecimentos sobre suas palavras, que nos pareceram de todo improcedentes. Foi depois de seu silêncio, que perdura, que resolvemos vir a público na tentativa de restabelecer a verdade. De fato, chamar Katie King de impudica é o cúmulo. Da forma como o Sr. Krishnamurti escreve, dá a impressão que o Espírito daquela moça se deixou ver, examinar e apalpar à vontade pelos pesquisadores masculinos na própria sala das sessões, e isto principalmente por causa daquele “deixando que inspecionasse”. Quem é, na frase do Sr. Krishnamurti, o sujeito do verbo inspecionar?

O fato é que não encontramos esse episódio em nenhuma das obras que consultamos. A ocorrência que mais se aproxima daquilo que o Sr. Dias conta é narrada pela escritora Florence Marryat em seu livro There is no Death, de 1891, que iremos agora transcrever:

Certa noite – é a escritora narrando – Katie King pediu-me que a acompanhasse até detrás da cortina do gabinete. Aí, para minha surpresa, desvestiu o seu amplo e belo vestido branco e ficou inteiramente nua à minha frente. Disse: – Não te assustes! Desejo desta forma provar-te que sou realmente uma mulher.

E era-o, de fato, uma linda mulher, dotada de todos os órgãos que constituem o organismo feminino. Depois desta prova eu não podia mais duvidar.

Então vejamos: o Espírito Katie King vinha se prestando a toda sorte de experimentos junto aos pesquisadores. Certa noite chama uma mulher para um local fora das vistas de todos e então se despe, dirimindo assim a dúvida que, sabe-se lá por qual motivo, havia na mente da escritora. E tanto essa dúvida existia que Marryat disse que “depois dessa prova” já não poderia mais duvidar. Foi, portanto, ainda no interesse da ciência que Katie se submeteu a mais esse teste. Onde, então a impudicícia?

O fato é que aos olhos de tanta gente os dotes morais daquele Espírito foram evidenciados, que não se

pode compreender a gratuidade de uma adjetivação menos respeitosa! Como se constata pelas fotografias existentes, Katie usava um vestido discretamente decotado. Não obstante, o príncipe Wittgenstein, um dos pesquisadores, declarou que ela freqüentemente, com um gesto pudico, fechava o véu sobre o colo. Aí temos alguém que esteve presente às sessões e que usa exatamente o adjetivo oposto ao empregado pelo nosso confrade contemporâneo!

Katie King, muitas vezes, passeava pelo salão e nessas oportunidades conversava e brincava com os pesquisadores. Pois o Dr. Gully declarou que quando Katie tocava os presentes, fazia-o tocando as senhoras nas faces, os cavalheiros nas mãos. Haverá algo de reprochável nesse procedimento, considerando-se que Katie queria mostrar sua materialidade?

Quando Coleman, outro investigador, quis saber se Katie estava descalça, ela levantou o vestido à altura dos tornozelos e procurou uma mulher, a Sra. Corner, para apoiar o pé em seu joelho.

Enfim, o procedimento daquela entidade foi, todo o tempo, irrepreensível. Até quando solicitava aos presentes que lhes fizessem perguntas advertia: – perguntas sensatas! O comportamento dos pesquisadores que investigaram os fenômenos também não merece críticas. Afinal, com Katie estiveram Crookes, Bozzano, Aksakof, e só estas presenças bastariam para assegurar a respeitabilidade das pesquisas. Tanto é assim que, em sua derradeira materialização, Katie recomendou a médium Florence Cook aos cuidados de Willian Crookes, dizendo:

O Sr. Crookes sempre agiu muito bem, e é com a maior confiança que deixo Florence em suas mãos, perfeitamente convicta que não faltará à confiança que tenho nele.

Essa manifestação última de Katie King deu-se em 21 de maio de 1874. Todos os presentes, inclusive ela própria, estavam muito emocionados. A médium Florence, despertada por Katie, pediu-lhe, chorando, que não a deixasse, ao que o Espírito respondeu com ternura: – Minha querida, não posso; minha missão está cumprida. Deus te abençoe! E nunca mais foi vista.

Sobre Florence Cook escreveu Wallace Leal Rodrigues:

A Doutrina Espírita deve eterna gratidão à menina de 15 anos, que, sacrificando sua juventude nos laboratórios dos sábios, prestou os mais relevantes serviços à comprovação científica da imortal obra de Allan Kardec.

Sem favor nenhum, palavras de igual teor podem ser ditas com relação ao dedicado e meigo Espírito Katie King.

Resta-nos a esperança de que o confrade Krishnamurti Dias não veja em tudo o que dissemos mais que um alerta fraterno. Afinal, são dele estas palavras com que encerra aquele seu escrito, e que lhe tomamos de empréstimo para também arrematar o nosso:Melhor refletir com calma cada coisa que se diz.”

– – –

“História do Espiritismo”, de Arthur Conan Doyle, pgs 211-212:

“Antes de deixar o assunto Katie King, algumas palavras devem ser ditas quanto ao futuro do grande médium, do qual aquela extraía o seu invólucro físico. Miss Cook tornou-se Mrs. Corner, mas continuou a exibir os seus admiráveis poderes. O autor conhece apenas um caso em que a honestidade de sua mediunidade foi posta em dúvida; foi quando ela foi pegada por Sir George Sitwell e acusada de fingir-se de Espírito. O autor é de opinião que um médium de materializações deveria ser manietado, de modo que não pudesse vagar pela sala – e isto com o objetivo de proteger o próprio médium. É pouco provável que o médium se mova em transe profundo, mas em semitranse nada impede que inconsciente ou semiconscientemente , ou ainda obedecendo a uma sugestão dos assistentes, passeie fora da cabine. É um reflexo de nossa própria ignorância admitir que uma infinidade de provas pudessem ser comprometidas por um único episódio dessa natureza. É digno de nota, entretanto, a circunstância de que, nessa ocasião, os observadores concordaram de que a figura estava de branco, enquanto que, ao ser agarrada, Mrs. Corner não estava de branco. Um investigador experimentado teria concluído que isso não era uma materialização, mas uma transfiguração, o que significa que o ectoplasma, sendo insuficiente para construir uma figura completa, foi usado para revestir o médium de modo que este pudesse carregar o simulacro. Estudando casos semelhantes, o grande investigador alemão Dr. Schrenck Notzing diz:

“Isto (uma fotografia) é interessante porque esclarece a gênese das chamadas transfigurações, isto é, … o médium toma a si o papel de Espírito, esforçando-se para representar o caráter da pessoa em questão, revestindo-se do material fabricado. Essa fase de transição é encontrada em quase todos os médiuns de materialização. A literatura sobre tais casos registra um grande número de tentativas de fraude de médiuns que assim representavam Espíritos, como, por exemplo, a do médium Bastian pelo Príncipe Herdeiro Rudolph, a da médium de Crookes, Miss Cook, a de Madame d’Espérance, etc. Em todos esses casos o médium foi agarrado, mas os estofos usados para o disfarçar desapareceram imediatamente e não foram mais encontrados.”

Assim, parece que a verdadeira censura , em tais casos, deve ser dirigida mais aos assistentes negligentes do que à médium inconsciente.”

Vou agora transcrever a parte que cita que os Espíritos tiravam, no início, as roupas de Katie King:

Extraído de Experimentações Mediúnicas, de L.Palhano Jr, editora CELD, pgs 108 e 110.

“Florence possuía uma mediunidade que surgiu bem cedo em sua vida, na sua infância. Ela via os espíritos e escutava vozes estranhas, fenômenos que a parentela atribuía à muita imaginação da menina. Somente em 1871 é que sua mediunidade chegou a um nível razoável de mais perfeição. Ela estava na época com 15 anos de idade.

A esse tempo, durante um chá com alguns amigos da família, alguém propôs que se realizassem experiências das mesas girantes. A proposta foi aceita e todos deram início a uma “sessão de mesa”, mas Cook recusou-se a participar. Contudo, numa segunda proposta, com permissão de sua mãe, ela consentiu em tomar parte da sessão. Fenômenos extraordinários aconteceram com a presença da jovem: o controle da mesa ficou muito difícil e ela levitou. Aquilo foi um atestado de seus poderes mediúnicos e sua mãe, daí por diante, passou a realizar momentos de concentração com ela apenas em casa.

A médium, a partir daí, começou a demonstrar várias possibilidades paranormais. Entre outras, ela possuía excepcional capacidade para a psicografia mecânica. Interessantes escritas, de trás para frente, foram obtidas e só podiam ser lidas diante de um espelho. A Srta. Cook então resolveu procurar a “Dalston Association”, pois soube que essa instituição iria promover um Congresso Espírita. Realmente, por ocasião desse evento, ela figurou com êxito e ficou conhecendo o editor do jornal “The Spiritualist”, o Sr. W.H.Harrison.

Em seguida, a “Dalston Association” promoveu sessões de materializações com os médiuns Herne e Williams, para as quais a Srta Cook foi logo convidada. O seu interesse foi tanto que ela convidou Herne para realizar algumas sessões em sua casa. Esses contatos fizeram com que a Srta. Cook passasse a freqüentar a “Dalston Association”.

Nas sessões da “Dalston”, a mediunidade de Florence Cook desenvolveu-se rapidamente, demonstrando maior força. Ela era levantada acima da cabeça dos assistentes, mãos invisíveis tiravam-lhe as roupas e tornavam a vesti-la, de modo que tudo ficou muito embaraçoso e ela achou mais sensato realizar as sessões em sua própria casa.”

– – –

1-Sobre o caso com William Volckman:

“Em Dezembro de 1873, durante uma sessão em

que se achavam entre os convidados, o conde e a condessa de Caithness, o conde de Medina Pomar e um certo W. Volckman, Katie King mostrou-se tão nitidamente que despertou suspeitas neste último. Volckman, subitamente, avançou contra Katie King, agarrando uma de suas mãos e prendendo-a pela cintura com o outro braço! Estabeleceu-se uma luta, na qual dois amigos da médium tentaram socorrer Katie King. O advogado Henry Dumphy conta que ela pareceu perder os pés e as pernas, e fazendo um movimento semelhante ao de uma foca na água, escapuliu sem deixar traços de sua existência corporal, tendo desaparecido inclusive os véus brancos em que se envolvia. Segundo Volckman, ela libertou-se violentamente. Mas o facto incontestável é que uns cinco minutos mais tarde, quando se restabeleceu a calma e a cabina foi aberta, ali foi encontrada Florence Cook perfeitamente composta em seu vestido preto e calçada com suas botas. As amarras que a prendiam estavam intactas, assim como o lacre impresso com o sinete do anel do conde de Caithness, tal como no início da sessão. Foi-lhe dada uma busca, mas não se descobriu qualquer vestígio de vestes ou véus brancos. Como resultado da brutal prova, a médium adoeceu. (Fodor, N. – Encyclopaedia of Psychic Science, U.S.A.: University Books, 1974, p. 62). ”

2-Sobre a semelhança do espírito com a médium (explicação dada pelos espíritas):

“Este episódio, do qual extraímos o texto que se segue, mostra-nos um facto de grande importância: quando o médium não está em transe suficientemente profundo, pode ocorrer uma ectoplasmia incompleta. Neste caso, o duplo astral da médium arrasta consigo o ectoplasma. O espírito, então, se sobrepõe a este conjunto, surgindo daí uma forma híbrida, com a aparência do médium. A sessão realizava-se na casa do sr. Luxmore: «Pouco depois, a forma de Katie apareceu ao lado da cortina, dizendo que o fazia porque havia perigo em se afastar do seu médium, visto que este não se achava bem e não poderia ser lançado em sono suficientemente profundo».

«Eu — William Crookes — estava colocado a alguns pés da cortina, atrás da qual a srta. Cook se achava sentada, tocando-a quase, e podia frequentemente ouvir os seus gemidos e suspiros, como se ela sofresse. Esse mal-estar continuou por intervalos, durante toda a sessão, e uma vez, quando a forma de Katie estava diante de mim, na sala, ouvi distintamente o som de um suspiro doloroso, idêntico aos que a srta. Cook tinha feito ouvir, por intervalos, durante todo o tempo da sessão e que vinha de trás da cortina onde ela devia estar sentada.»

«Confesso que a figura era surpreendente na sua aparência de vida e de realidade, e tanto quanto eu podia ver, à luz um pouco fraca, os seus traços assemelhavam-se aos da srta. Cook; mas, entretanto, a prova positiva, dada por um dos meus sentidos, pois que o suspiro vinha da srta. Cook, no gabinete, enquanto a figura estava fora dele, esta prova é muito forte para ser destruída por simples suposição do contrário, mesmo bem sustentada.»

Posteriormente sir William Crookes organizou uma série de sessões no seu laboratório particular, situado em sua própria residência. Foi aí que se deram as melhores ectoplasmias de Katie King, durante as quais, inúmeras vezes, puderam ser vistas e até fotografadas, ao mesmo tempo, a materialização e a médium.

Crookes pôde ver simultaneamente Katie King e Florence Cook

Esta sessão ocorreu em 12 de Março de 1874, na casa de Crookes: «Voltando ao meu posto de observação, Katie apareceu de novo e disse que pensava poder mostrar-se a mim ao mesmo tempo que a sua médium. Abaixou-se o gás e ela pediu-me a lâmpada florescente. Depois de se ter mostrado à claridade, durante alguns segundos, restituiu-ma, dizendo: “Agora entre e venha ver a minha médium”. Acompanhei-a de perto à minha biblioteca e, à claridade da lâmpada, vi a srta. Cook estendida no canapé, exactamente como eu a tinha deixado; olhei em torno de mim para ver Katie, porém ela havia desaparecido…».

Em outra sessão Crookes conseguiu ver, durante um largo tempo, simultaneamente a médium e a entidade materializada. Esta sessão ocorreu em Hackney. Nesta ocasião, Crookes obteve permissão de Katie King para enlaçar sua cintura e abraçá-la, repetindo sem incidentes a desastrada experiência de W. Volckman. Crookes, em artigo publicado no The Spiritualist, disse: «O sr. Volckman ficará satisfeito ao saber que posso corroborar a sua asserção, de que o “fantasma” (que afinal não fez nenhuma resistência) era um ser tão material quanto a própria srta. Cook.»

Prosseguindo em seu artigo, Crookes relatou o seguinte episódio, ocorrido nessa mesma sessão: «Katie, disse então que dessa vez julgava-se capaz de se mostrar ao mesmo tempo que a srta. Cook. Abaixei o gás, e em seguida, com a minha lâmpada florescente penetrei o aposento que servia de gabinete.»

«Mas, eu tinha pedido previamente a um dos meus amigos, que é hábil estenógrafo, para anotar toda a observação que eu fizesse, enquanto estivesse no gabinete, porque bem conhecia eu a importância que se liga às primeiras impressões, e não queria confiar à minha memória mais do que fosse necessário: as suas notas acham-se neste momento diante de mim».

«Entrei no aposento com precaução; estava escuro e foi pelo tacto que procurei a srta. Cook; encontrei-a de cócoras no soalho.»

«Ajoelhando-me deixei o ar entra na lâmpada e, à sua claridade, vi essa moça vestida de veludo preto, como se achava no começo da sessão, e com a toda a aparência de estar completamente insensível. Não se moveu quando lhe tomei a mão; conservei a lâmpada muito perto do seu rosto, mas continuou a respirar tranquilamente.»

«Elevando a lâmpada, olhei em torno de mim e vi Katie, que se achava em pé, muito perto da srta. Cook e por trás dela. Katie estava vestida com roupa branca, flutuante, como já a tínhamos visto durante a sessão. Segurando uma das mãos da srta. Cook na minha e ajoelhando-me ainda, elevei e abaixei a lâmpada, tanto para alumiar a figura inteira de Katie, como para plenamente convencer-me de que eu via, sem a menor dúvida, a verdadeira Katie, que tinha apertado nos meus braços alguns minutos antes, e não o fantasma de um cérebro doentio. Ela não falou, mas moveu a cabeça, em sinal de reconhecimento. Três vezes examinei cuidadosamente a srta. Cook, de cócoras, diante de mim, para ter a certeza de que a mão que eu segurava era de facto a de uma mulher viva, e três vezes voltei a lâmpada para Katie, a fim de examinar com segurança e atenção, até não ter a menor dúvida de que ela estava diante de mim. por fim, a srta. Cook fez um ligeiro movimento e imediatamente Katie deu-me um sinal para que me fosse embora. Retirei-me, para outra parte do gabinete e deixei então de ver Katie, mas só abandonei o aposento depois que a Srta. Cook acordou e que dois dos assistentes entrassem com luz.» (Crookes, W. – Fatos Espíritas, trad. de Oscar D’Argonnel, Rio: FEB, 1971, pp.69-73)

O testemunho de Crookes

Apesar de cerrado ataque de que foi alvo, devido aos seus relatórios acerca dos fenómenos que observou e investigou durante vários anos, sir William Crookes nem uma só vez titubeou em afirmar sua convicção na realidade dos factos por ele pesquisados.

Diante da British Association at Bristol, na sua palestra presidencial, em 1989, ele declarou: «Trinta anos se passaram desde que eu publiquei um relatório de experiências, visando demonstrar que além do nosso conhecimento científico existe uma Força exercida por inteligência diferente da inteligência ordinária, comum aos mortais. Não tenho nada a retractar. Mantenho-me fiel às minhas afirmações já publicadas. Na realidade, eu poderia acrescentar muito mais, além disso».

E numa entrevista na The International Psychic Gazette, em 1917, ele repetiu:

«Nunca tive jamais qualquer ocasião para modificar minhas ideias a respeito. Estou

perfeitamente satisfeito com o que eu disse nos primeiros dias. É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro.» (Fodor, N. – Encyclopaedia of Psychic Science, U.S.A.: University Books, 1974, p.70).”

3-Sobre George Sitwell:

On one occasion Miss Cook (then Mrs. Corner) was giving a public seance at the rooms of the National British Association of Spiritualists, at which a certain Sir George Sitwell, a very young man, was present, and at which he declared that the medium cheated, and that the spirit ‘Marie’ was herself, dressed up to deceive the audience. Letters appeared in the newspapers about it, and the whole press came down upon Spiritualists, and declared them all to be either knaves or fools. These notices were published on the morning of a day on which Miss Cook was engaged to give another public séance, at which I was present. She was naturally very much cut up about them. Her reputation was at stake; her honour had been called into question, and being a proud girl, she resented it bitterly. Her present audience was chiefly composed of friends, but, before commencing, she put it to us whether, whilst under such a stigma, she had better not sit at all. We, who had all tested her and believed in her, were unanimous in repudiating the vile charges brought against her, and in begging the séance should proceed. Florrie refused, however, to sit unless someone remained in the cabinet with her, and she chose me for the purpose. I was, therefore, tied to her securely with a stout rope, and we remained thus fastened together for the whole of the evening. Under which conditions ‘Marie’ appeared, and sung and danced outside the cabinet, just as she had done to Sir George Sitwell, whilst her medium remained tied to me. So much for men who decide a matter before they have sifted it to the bottom. Mrs. Elgie Corner has long since given up mediumship, either private or public, and lives deep down in the heart of Wales, where the babble and scandal of the city affect her no longer. But she told me, only last year, that she would not pass through the suffering she had endured on account of Spiritualism again for all the good this, world could give her.”

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“Provas” de que Katie King e Florence Cook não são a mesma pessoa:

Extraído de Fatos Espíritas, por William Crookes, editora FEB, pg.73:

“Antes de terminar este artigo, desejo salientar algumas diferenças que observei entre a Srta. Cook e Katie. A estatura de Katie era variável: em minha casa a vi maior 6 polegadas do que a Srta. Cook. Ontem à noite, tendo os pés descalços e não se apoiando na ponta dos pés, ela era maior 4 polegadas e meia do que a Srta. Cook, e tinha o pescoço descoberto; a pele era perfeitamente macia ao tato e à vista, enquanto a Srta. Cook tem no pescoço uma cicatriz que, em circunstâncias semelhantes, se vê distintamente, sendo áspera ao tato. As orelhas de Katie não são furadas, enquanto as da Srta. Cook trazem ordinariamente brincos. A cor de Katie é muito branca, enquanto a da Srta. Cook é muito morena. Os dedos de Katie são muito mais longos que os da Srta. Cook, e seu rosto também é maior. Nas formas e maneiras de se exprimir há também diferenças assinaladas.”

Extraído de Fatos Espíritas, por William Crookes,editora FEB, pg.78-79.

“Tenho a mais absoluta certeza de que a Senhorita Cook e Katie são duas individualidades distintas, pelo menos no que diz respeito a seus corpos. Vários pequenos sinais, que se acham no rosto da Srta. Cook, não existem no de Katie. A cabeleira da Srta. Cook é de um castanho tão forte que parece quase preto; um cacho da cabeleira de Katie, que tenho à vista, e que ela me permitira cortar de suas tranças luxuriantes, depois de ter seguido com os meus próprios dedos até o alto de sua cabeça e de haver convencido de que ali nascera, é de um rico castanho dourado.

Uma noite, contei as pulsações de Katie: o pulso batia regulamente 75, enquanto o da Srta. Cook, poucos instantes depois atingia a 90, seu número habitual. Auscultando o peito de Katie, eu ouvia um coração bater no interior, e as suas pulsações eram ainda mais regulares que as do coração da Senhorita Cook, quando, depois da sessão, ela me permitia igual verificação.

Examinados da mesma forma, os pulmões de Katie mostraram-se mais sãos que os da médium, pois, no momento em que fiz a experiência, a Senhorita Cook seguia tratamento médico por motivo de grave bronquite.”

Fotos que comprovam que Katie King e Florence Cook não são a mesma pessoa:

Extraído de Fatos Espíritas, por William Crookes, editora FEB, pg 77.

“Uma das fotografias mais interessantes é aquela em que estou de pé, ao lado de Katie, tendo ela o pé descalço sobre determinado ponto do assoalho. Vestiu-se em seguida a Srta. Cook como Katie; ela e eu nos colocamos exatamente na mesma posição, e fomos fotografados pelas mesmas objetivas colocadas perfeitamente como na outra experiência, e alumiados pela mesma luz. Quando os dois esboços foram postos um sobre o outro, as minhas duas fotografias coincidiram perfeitamente quanto ao porte, etc., mas Katie é maior meia cabeça do que a Senhorita Cook, e, perto dela, parece uma mulher gorda. Em muitas provas, o tamanho do seu rosto e a estatura do seu corpo diferem essencialmente da médium, e as fotografias fazem ver vários outros pontos de dessemelhança”.

Obs: As respectivas fotos podem ser conferidas no livro “Experimentações Mediúnicas”, de L. Palhano Jr, editora CELD, páginas 163 (foto nº 24) e 166 (foto nª 25).

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Para saber mais:
Florence Cook & The Enigmatic Katie King– Um bom apanhado do caso, de um site hostil a céticos que ainda assim duvida do caso de Cook.
Independent Testimony as to the Mediumship of Florence Cook– trecho do depoimento de Florence Marryat, onde ela conta o episódio onde King ficou nua e lhe mostrou que era uma mulher, entre outros eventos pitorescos.
Story of Florence Cook– Trecho do livro de Nandor Fodor sobre o caso.
A Lawyer Defends Sir William Crookes– Zammit faz sua defesa veemente de Crookes.
The Mediumship of Florence Cook

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4 Responses to Florence Cook, Katie King: A garota que era sua própria fantasma (adendo)

  1. Marcos Arduin disse:

    Notem um detalhe na foto Florence & Katie: o septo nasal. O da médium é mais baixo, ficando quase na metade do lábio superior. Já o da fantasma não é tão pronunciado. Será que o pessoal cético aqui não está emprestando a UMAS POUCAS FOTOS (não seria conveniente verificar as outras existentes?) mais do que lhes pertence?

  2. Carlos José disse:

    Outro aspecto intrigante nessa história é o fantasma (Kate King) se despir para mostrar que é uma mulher. Dito de outra forma, o espírito se desnuda para mostrar que é uma mulher? Non sense…

  3. Para Informar Interessados disse:

    Raios, Ondas, Médiuns, Mentes…

    A Ciência do século 20, estudando a consti­tuição da matéria, caminha de surpresa a surpresa, renovando aspectos de sua conceituação milenar.

    Não obstante a teoria de Leucipo, o mentor de Demócrito, o qual, quase cinco séculos antes do Cristo, considerava todas as coisas formadas de par­tículas infinitesimais (átomos), em constante movi­mentação, a cultura clássica prosseguiu detida nos quatro princípios de Aristóteles, a água, a terra, o ar e o fogo, ou nos três elementos hipostáticos dos antigos alquimistas, o enxofre, o sal e o mercúrio, para explicar as múltiplas combinações no campo da forma.

    No século 19, Dalton concebe cientificamente a teoria corpuscular da matéria, e um maravilhoso período de investigações se inicia, através de inte­ligências respeitabilíssimas, renovando idéias e con­cepções em volta da chamada “partícula indivisível”.

    Extraordinárias descobertas descortinam novos e grandiosos horizontes aos conhecimentos humanos.

    Crookes surpreende o estado radiante da ma­téria e estuda os raios catódicos.

    Röntgen observa que radiações Invisíveis atra­vessam o tubo de Crookes envolvido por uma caixa de papelão preto, e conclui pela existência dos raios X.

    Henri Becquerel, seduzido pelo assunto, expe­rimenta o urânio, à procura de radiações do mesmo teor, e encontra motivos para novas indagações.

    O casal Curte, intrigado com o enigma, analisa toneladas de pechblenda e detém o rádio.

    Velhas afirmações científicas tremem nas bases.

    Rutherford, à frente de larga turma de pioneiros, inicia preciosos estudos, em torno da radioatividade.

    O átomo sofre Irresistível perseguição na for­taleza a que se acolhe e confia ao homem a solução de numerosos segredos.

    E, desde o último quartel do século passado, a Terra se converteu num reino de ondas e raios, correntes e vibrações.

    A eletricidade e o magnetismo, o movimento e a atração palpitam em tudo.

    O estudo dos raios cósmicos evidencia as fan­tásticas energias espalhadas no Universo, provendo os físicos de poderosíssimo instrumento para a investigação dos fenômenos atômicos e subatômicos.

    Bohrs, Planck, Einstein erigem novas e gran­diosas concepções.

    O veículo carnal agora não é mais que um turbilhão eletrônico, regido pela consciência.

    Cada corpo tangível é um feixe de energia con­centrada. A matéria é transformada em energia, e esta desaparece para dar lugar à matéria.

    Químicos e físicos, geômetras e matemáticos, erguidos à condição de investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, sacerdotes do Espírito, porque, como consequência de seus porfiados estu­dos, o materialismo e o ateísmo serão compelidos a desaparecer, por falta de matéria, a base que lhes assegurava as especulações negativistas.

    Os laboratórios são templos em que a inteli­gência é concitada ao serviço de Deus, e, ainda mesmo quando a cerebração se perverte, transito­riamente subornada pela hegemonia política, gera­dora de guerras, o progresso da Ciência, como con­quista divina, permanece na exaltação do bem, rumo a glorioso porvir.

    O futuro pertence ao Espírito!

    E, meditando no amanhã da coletividade ter­restre, André Luis organizou estas ligeiras páginas, em torno da mediunidade, compreendendo a impor­tância, cada vez maior, do intercâmbio espiritual entre as criaturas.

    Quanto mais avança na ascensão evolutiva, mais seguramente percebe o homem a inexistência da morte como cessação da vida.

    E agora, mais que nunca, reconhece-se na po­sição de uma consciência retida entre forças e flui­dos, provisoriamente aglutinados para fins educa­tivos.

    Compreende, pouco a pouco, que o túmulo é porta à renovação, como o berço é acesso à expe­riência, e observa que o seu estágio no Planeta é uma viagem com destino às estações do Progresso Maior.

    E, na grande romagem, todos somos instru­mentos das forças com as quais estamos em sintonia. Todos somos médiuns, dentro do campo men­tal que nos é próprio, associando-nos às energias edificantes, se o nosso pensamento flui na direção da vida superior, ou às forças perturbadoras e de­primentes, se ainda nos escravizamos às sombras da vida primitivista ou torturada.

    Cada criatura com os sentimentos que lhe ca­racterizam a vida íntima emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se Identifica.

    Semelhantes verdades não permanecerão semi-ocultas em nossos santuários de fé. Irradiar-se-ão dos templos da Ciência como equações matemáticas.

    E enquanto variados aprendizes focalizam a me­diunidade, estudando-a da Terra para o Céu, nosso amigo procura analisar-lhe a posição e os valores, do Céu para a Terra, colaborando na construção dos tempos novos.

    Todavia, o que destacamos por mais alto em suas páginas é a necessidade do Cristo no coração e na consciência, para que não estejamos deso­rientados ao toque dos fenômenos.

    Sem noção de responsabilidade, sem devoção àprática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os Cimos da Vida.

    André Luiz é bastante claro para que nos alon­guemos em qualquer consideração.

    Cada médium com a sua mente.

    Cada mente com os seus raios, personalizando observações e Interpretações.

    E, conforme os raios que arremessamos, er­guer-se-nos-á o domicilio espiritual na onda de pen­samentos a que nossas almas se afeiçoam.

    Isso, em boa síntese, equivale ainda a repetir com Jesus:

    — A cada qual segundo suas obras.

    EMMANUEL

    Pedro Leopoldo, 3 de outubro de 1954.

    Prefácio do livro “Nos Domínios da Mediunidade”

    André Luiz / Francisco Cândido Xavier

  4. Ivan S. Oliveira disse:

    Existem verdadeiros tratados sobre o caso William Crookes e Katie King, inclusive 2 volumes com os artigos publicados pelo prórpio William Crookes. Tivesse o caso sido relatado por uma pessoa “comum”, já teria sido provavelmente relegado (pelos descrentes, é óbvio) à vala comum das fraudes.

    Mas aqui existe um problema que me parece instransponível: o sujeito que conduziu esses experimentos foi nada mais nada menos do que um dos cientistas britanicos mais importantes de todo o Século 19. Dentre suas inúmeras contribuições para a Física Moderna, está o famoso “Tubo de Crookes”, que levou à descoberta dos raios X, e do elétron, dando início à Física do Século 20.

    Àqueles que desejam (justamente) advogar em favor da fraude ou do engano ingênuo do Sr. Crookes, membro da Royal Society, e figura respeitadíssima no mundo da Ciência, por uma colegial de 18 anos de idade, filha das classes trabalhadoras inglesas do Seculo 19, deveriam antes ler os artigos (no original) publicados por ele. Deveriam ler também a biografia de William Crookes, antes de questionar o seu caráter. As análises que vi neste site são muito ingênuas e superficiais. Boa sorte!

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